Depois do jantar, Ron se recolheu em seu quarto, onde sua jovem esposa já o aguardava.

– Boa noite – o comandante cumprimentou.
– Boa noite, meu amor – responde Luna, cumprimentando o marido com um beijo.
Houve um breve instante de silêncio, quebrado pelo guerreiro.
– Luna, o que mais você sabe sobre aquele menino? – perguntou Ron.
– Não está claro – fala Luna. – O futuro dele é cheio de batalhas... Não será fácil... o que eu vejo é um fardo pesado demais para qualquer um carregar... E tudo esta entrelaçado com o futuro de Harry e Hermione, mas não sei como... Eles serão importantes para esse garoto... – ela disse, seu tom vago.
– Como pais? – pergunta Ron, rindo. – Hermione maternal? Você quer me fazer rir?
– Não acho que nesse sentido, Ron. Hermione não é alguém que nasceu para o amor – Luna observa. – Ela nasceu para as batalhas.
– Harry, então? Ele seria mais desastroso como pai do que Hermione como mãe – faz Ron.
– Harry nasceu para a guerra – fala Luna. – No futuro de nossos líderes só é possível ver sangue... É como se eles tivessem sido marcados para empunhar a espada.
– Eles são os maiores guerreiros que Dumbledore já treinou – Ron comenta.
– Toda armadura tem sua falha, Ron – avisa Luna. – E eles também têm... Apenas não sabemos qual é.
– Acha que eles podem ser derrotados por Lorde das Trevas? – Ron pergunta, preocupado.
– A profecia está perto de se concretizar, Ron – fala Luna. – O menino carrega a marca da morte, aquela que a profecia tanto fala.
– Essa profecia ainda me assusta – o tom de Ron era sombrio. – Eu queria que existisse um modo de vencer sem precisar do menino.
– Infelizmente só ele poderá vencer – Luna lamenta. – Isso está muito claro.
– Então não resta mais nada a fazer – fala Ron –, além de rezar para que aqueles dois treinem o garoto antes de se matarem.
– Eu duvido que Hermione permita que alguém que não seja ela participe do treinamento de um guerreiro de seu clã – Luna comenta. – Ela reconhece que todos que puderem ajudar, deverão fazê-lo, pois está nas mãos do menino o futuro de todos, não somente dos membros da Casa de Gárgula, mas tomará para si a responsabilidade maior.
– Típico – Ron diz com certo sarcasmo.
– Eu tento ver, me esforço para ver – fala Luna. – Mas a história deles... Só pertence a eles... Alguma coisa me impede de ver... Como se eles não tivessem um destino.
– Todos têm um destino – fala Ron.
– Alguns não, Ron... Alguns fazem seu destino – Luna diz. – Agora, se o meu senhor não for me usar hoje, irei me deitar... o dia foi cheio de visões e estou exausta
– Podemos deitar, sim – fala Ron, se deitando na cama, seguido por Luna. – Durma bem.
– Você também.

E assim aquele casal dormiu.

– Dumbledore? – Hermione chamou ao adentrar o pequeno aposento onde o mago fazia sua refeição a sós e à luz bruxuleante de um archote.
– Oh, Hermione! – O mago virou-se para vê-la. – Venha, junte-se a mim. Já jantou?
– Sim, obrigada, senhor – ela respondeu enquanto tomava um assento para si.
– Em que posso ajudá-la então?
– Eu queria falar sobre Amis Edgan – ela respondeu. O mago somente piscou em resposta, então ela decidiu por continuar: – No momento em que o menino falou ser seu avô eu não me atentei para o nome.
– E o que quer saber?
– Ele seria filho de Owen Edgan? – questionou.
– Sim, o primo de seu avô – Dumbledore assentiu.
– Mas Owen Edgan não se casou – Hermione observou. – Lembro-me que o senhor falava sobre o primo de meu pai que morreu ainda jovem, muito antes de me salvar quando o vilarejo de Gárgula foi destruído. Dizia que Edgan era um jovem guerreiro valente, um exemplo para os representantes de Gárgula – contou. – Se Amis era mesmo filho dele, estou certa de que Owen Edgan nunca tomou conhecimento desse filho.
– Amis não cresceu no vilarejo, Hermione. Ron encontrou o menino Lancelot muito longe do lugar onde jazem as cinzas do vilarejo de Gárgula. – Dumbledore disse, a voz dura. – O que sugere? Que o menino Lancelot não pertence de seu clã?
– Não, senhor, de forma alguma! – Hermione apressou-se em negar. – Se Luna diz que ele pertence ao meu clã, ele pertence. E por mais que seja duro concordar com Potter em alguma coisa, nosso futuro depende desse menino e eu irei treiná-lo para que seja o melhor.
– Sei que irá – Dumbledore concordou. – Devo perguntar, porém, se sabe com exatidão o que diz a profecia.
– Um líder não pode ser um líder se não souber as palavras da profecia, senhor – Hermione observou, o seu tom levemente ofendido. Recitou, porém, com calma:
"Aquele que traz a marca da morte
Com a Força e a Sabedoria ao seu lado
Chegará a maioridade por sorte
O equilíbrio das forças será restaurado
O fruto de seu amor, o Grande Rei virá"
– Muito bem – Dumbledore disse antes de empurrar o prato para longe e se levantar. – Talvez estejam na profecia as respostas que você procura. – E dizendo isso, deu as costas para a guerreira e retirou-se do aposento.

† – † – †

Enquanto isso, Lucius Malfoy estava ajoelhado perante um trono sombrio em um salão escuro onde o Lorde das Trevas acariciava sua cobra.

– Como "mais de cem Comensais da morte foram mortos"? – esbraveja o Lorde.
– Meu senhor, Soldados de Merlim apareceram – Lucius tenta argumentar.
– Soldados? – fala Voldemort, seu tom de evidente descrença. – Simples soldados não fazem aquilo.
– Mas, senhor...
– Descubra se Granger ou Potter têm saído do castelo – ordena Voldemort. – Apenas guerreiros como eles poderiam causar tal destruição... Além de mim, é claro.
– Mas, senhor...
– Lucius, dei-lhe uma missão simples. ACABAR COM TODOS OS MALDITOS VERMES QUE VIVIAM NAQUELE DESPREZÍVEL VILAREJO! E você me retorna com uma baixa de cem homens?
– Meu senhor, naquele vilarejo só havia camponeses – fala Lucius – E todos já morreram.
– Vejo que não entendeu a gravidade da situação, Lucius – Fala Voldemort – Um mago poderoso extermina meus homens sem dificuldade e você acha que só havia camponeses naquele maldito lugar? Você é um inútil mesmo. Chamem Severo Snape. AGORA!

Assim que Snape aparece:

– Mandou me chamar, meu Lorde? – apresenta-se Snape.
– Sim – Voldemort diz. – Quero que descubra o nome do mago que destruiu o vilarejo e me informe se Potter ou Granger tem deixado Hogwarts.
– Sim, senhor – Snape assente.
– E lembre-se, a profecia não pode se concretizar – Voldemort avisa.
– Sim, meu senhor.
– Já pode ir – dispensa o Lorde.
– Com licença – fala o subordinado antes de se retirar.

† – † – †

Harry havia se esgueirado pelos corredores do castelo e agora havia parado diante daquela porta que tantas vezes já abrira em busca daquela que o esquentava em noites como essa. Mas o quarto estava vazio.

Ele entrou e caminhou até o meio do quarto. Viu a lua na janela e parou para admirá-la quando ouve a porta atrás de si ser aberta

– Demorastes hoje – fala Harry.
– O castelo demorou a adormecer hoje – diz a mulher que havia entrado.

Harry nem esperou que ela falasse mais alguma coisa. A tomou em seus braços como sempre e a carregou para a cama.

† – † – †

Em Hogwarts, após a sua ronda, o guerreiro Dino Thomas seguia para seus aposentos quando avistou Draco Malfoy na saída do Castelo, a meio caminho da ponte elevadiça que dava acesso à fortaleza. Sua silhueta era distinguível somente por conta de uma luz que vinha do castelo. Ele gesticulava e falava sem parar para alguém que Dino não podia ver àquela distância, principalmente com tão fraca iluminação.

Desceu a escadaria apressado e, o mais silenciosamente que pôde, tentou alcançar o local de modo a tomar parte do encontro que acontecia no meio da noite. Estava já na última curva das escadas quando deu de cara com o loiro.

– Thomas – Draco fez, lançando uma rápida olhadela por sobre o ombro.
– Malfoy – Dino limitou-se a responder. – Vejo que preserva o hábito de esgueirar-se pelos cantos do castelo altas horas da noite. É a menina Weasley que torce para que eu não veja estar encontrando às escondidas?
– Não deixe que ela escute chamá-la dessa forma – Draco provocou. – Agora, se me permite, tenho que me recolher. Teremos um longo dia pela frente.
– É claro – Dino, desconfiado, deu um passo para o lado, deixando espaço para que o loiro se retirasse. Quando os passos de Draco já não se ouviam, desceu rumo ao local onde o vira instantes antes. Nem sinal de quem seria sua misteriosa companhia.

Não muito longe dali, ainda nos corredores, Draco Malfoy ganhou nova companhia:

– Padrinho – disse ao ver Severo Snape.
– Draco – Severo cumprimentou-o. Dino Thomas atravessou o corredor naquele mesmo instante, lançando um olhar penetrante em direção aos dois, o que Severo não deixou passar. – Precisa tomar cuidado, criança! Sabes que Thomas tem todas as razões para querer você longe do Castelo – repreendeu.
– Sim, senhor – Draco concordou, baixando os olhos como se isso o redimisse.
– Não baixe os olhos! Para ninguém – Severo novamente repreendeu. – Um homem de valor sequer pisca diante de uma reprimenda.
– Sim, senhor – Draco tornou a concordar, desta vez sem desviar os olhos ou piscar.
– Potter e Granger? – Severo questionou.
– Já se recolheram há tempos. Weasley encontrou um menino nos escombros da vila, aparentemente parente distante de Granger.
– Um membro do clã de Gárgula? – Severo fez. – Vivo? – Draco assentiu. – Interessante.

Continua...
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N/A Coveiro: Esse capitulo foi escrito em parceira com minha amiga Ingrid D. Quem gostou, comenta.