4. Hipnose
Todos entraram no velho Chevy Impala 1967 do Dean. Samantha sentou-se com sua irmã no banco de trás do carro. Logo que se acomodaram, Louise começou a chorar, e Samantha a abraçou.
- Fica tranqüila, Lou. Você vai ficar bem.
- Inclusive a mamãe? - perguntou a garota, com a voz embargada.
- Mamãe está bem, Lou. Onde quer que ela esteja, ela está bem. Não era ela que estava falando com você - respondeu Samantha, com a voz trêmula.
Louise aninhou-se no colo da irmã, e Samantha apenas olhou para Sam, desesperada, através do espelho retrovisor.
- Por favor... Diga que não estou errada - implorou Samantha, com a voz fraca.
- Não está. Nós vamos dar um jeito nisso - afirmou Dean, enquanto dirigia o carro.
Sam continuou observando Samantha através do espelho, com a expressão preocupada.
Pouco tempo depois, eles chegaram ao hotel. Samantha ajudou a irmã a sair do carro, e apoiou-a em seu ombro, ajudando-a a caminhar. Dean fez menção de soltar Louise de Samantha e ajudá-la, mas a garota o refreou.
- Pode deixar, Dean. Eu consigo levá-la até o hotel.
Dean assentiu, mas Sam não se convenceu. Pôs o outro braço de Louise em volta de seus ombros, e junto com Samantha, levou a garota até o quarto. Dean apenas olhou para trás, e deu um sorriso descrente.
- A minha ajuda ela recusa, mas a do Sam não... Não vai dar certo esses dois dividirem o mesmo quarto. Não vai mesmo - disse Dean, de si para si, enquanto andava.
Ao chegarem no quarto, Samantha e Sam colocaram Louise delicadamente no sofá.
- Agora é com você, Dean. Faça a hipnose. Não se esqueça que tem de ser em latim - disse Sam, dirigindo-se ao irmão.
- Eu sei disso, não sou burro. Mas... Você tem certeza? - retrucou Dean - Eu cabulei as aulas de latim, não sei muita coisa.
- É vestri sedes est non mens illae insons insontis alio. Depois disso você sabe o que fazer.
- Espera aí! Vestri sedes est non mens illae insons insontis alio? A sua morada não é a mente dessa pessoa inocente? Isso é hipnose? - indagou Samantha, com o olhar confuso.
- O que você esperava? "Quando eu contar até três você vai pensar que é uma galinha"? Não, Samantha. Isso é hipnose de verdade. E como você sabe o que essa frase em latim significa? - perguntou Dean, surpreso - Você leu nas noss...
Mas Dean foi interrompido por um cutucão de Sam. Louise estava fraca, mas não estava surda. Ela não podia saber que Samantha podia ler e controlar mentes. Não daquele jeito.
- Eu estudava num colégio de freiras quando era pequena... Tinha aula de latim todos os dias - respondeu Samantha, meio sem graça. Esperava sinceramente que eles não lhe fizessem perguntas sobre o colégio. Primeiramente, por causa de Louise, que precisava se recuperar urgentemente. E depois, Samantha não gostava de lembrar-se do que viveu naquele colégio. Eram tempos difíceis.
Dean postou-se à frente de Louise, e começou a proferir aquelas palavras em latim. Louise pareceu entrar em sono profundo.
- Isso vai fazer com que ela se acalme. É uma forma de expulsar aquilo da cabeça dela, seja lá o que for. Com sorte, ela poderá até ver quem vez isso. Essas ligações mentais são muito fortes, sempre deixam resquícios de quem a fez - explicou Sam, em voz baixa, para Samantha.
Dean contou até três, e Louise acordou de seu torpor. Ela não parecia estar mais fraca e apática, mas seu desespero era aparente.
- Alastair... - balbuciou a garota, com a voz trêmula.
- O cara do seu sonho? Mas... Por que ele faria isso? - indagou Samantha, incrédula.
- O meu sonho, Sammy. Ele queria atrair a gente. Ele queria... Matar você - respondeu Louise, como se não quisesse acreditar em suas próprias palavras.
- Ele não tem motivos para me matar! - protestou Samantha, voltando-se para Dean e Sam - Ou será que tem?
Eles entreolharam-se, com as expressões preocupadas.
- Não sabemos. Precisamos investigar. Pelo menos sabemos quem fez isso com a sua irmã, e isso já é um bom começo - Dean disse, finalmente.
- Vai dar tudo certo, Sammy - dizia Sam, segurando o rosto de Samantha, enquanto Dean observava impaciente - não vamos deixar ninguém atacar você ou a sua irmã.
Samantha lançou-se em Sam, e o abraçou, enquanto lágrimas caíam de seu rosto.
- Muito obrigada! Eu sabia que vocês iriam nos ajudar! - Samantha largou Sam, que estava aparentemente desnorteado - Mas... O que fazemos agora?
- Fiquem conosco aqui no hotel. Vocês estarão mais seguras se ficarem perto da gente - aconselhou Dean, ainda olhando incrédulo para Sam.
Logo mais à noite, Samantha arrumou o sofá para que Louise dormisse. Ela mesma não sabia onde iria dormir, mas queria ter certeza de que sua irmã estaria confortável. Louise estava melhor, mas ainda estava um pouco abalada.
Samantha estava sentada em uma poltrona, logo ao lado do sofá onde sua irmã dormia. A garota observava, com a aparência cansada, sua irmã dormir tranquilamente. O que ela não sabia era que Sam a estava observando. Sobressaltou-se quando ele foi falar com ela.
- Você não vai dormir?
- Estou sem sono.
- Não é o que esse seu olhar cansado me diz. Descanse um pouco, Sammy. Você não me parece bem - disse Sam, olhando para a garota, sinceramente preocupado.
- Eu estou bem, porque a minha irmã também está.
Sam não deixou de sorrir. A cada vez que ele falava com Samantha, mais coisas em comum entre eles ele descobria. O profundo instinto de proteção com a família era uma dessas coisas.
- É sério, Sam. Eu estou bem. Vá dormir, você me parece cansado.
- Não vou dormir até você deixar de ser teimosa e ir dormir também - retrucou Sam, cruzando os braços.
- Pois você vai ficar aí muito tempo - disse Samantha, um sorriso torto brincando em seus lábios.
- Sinceramente... - Sam dizia enquanto sentava no braço da poltrona onde Samantha estava - Eu não me importo nem um pouco.
Samantha riu para si mesma, não acreditando no que ouvia.
