não só
Quando a pegou nos braços, desesperado, levando-a em direção à Ala Hospitalar, lembrou de quando era tão pequena que quase podia caber na palma de sua mão. Desde sempre os pêlos cor de poeira eriçados em desconfiança, os grandes olhos amarelos vasculhando milimetricamente o ambiente que adentrasse.
Ofegava de ansiedade e pavor, e pensava que não fazia sentido perdê-la ali. Não fazia sentido perdê-la de qualquer forma, em qualquer tempo. Tantos alunos flagrados junto dela, denunciados por ela! Tanto tempo cuidando, dando carinho e atenção de uma forma que nunca fizera antes... E de repente isso! De repente um fantasma desengonçado em seu caminho, e o maldito garoto Potter rondando, espreitando, aprontando feito um pequeno marginal - tinha certeza, jamais o perdoaria pelo que havia feito a sua querida Norris!
Passou a noite em claro ao lado dela, mas não era só zelo por causa de um bichinho de estimação: era medo de se perceber sozinho, agora que, depois de tantos anos, ela não estava mais lá para fazer-lhe companhia.
