Disclaimer: Gundam Wing não me pertence, se fosse meu, o Heero não hesitaria e tinha mesmo dado um tiro na cabeça da Relena. Hum... melhor dois, por precaução. E o anime não poderia ser transmitido no horário nobre...

Avisos: Fic com conteúdo YAOI e, possivelmente, LEMON. Para quem não gosta, nem sabem o que estão a perder. XD

Casais: 1x2, 3x4…


Universo Alternativo

Aoi Tsuki


Capitulo 4

Duo tinha sido submetido a uma série de exames para o médico chegar á conclusão que a saúde dele estava muito bem e que o garoto devia ter apanhado um choque psicológico muito grande e entrado num estado de transe, já que não havia jeito de o acordar. Agora era esperar que o rapaz acordasse por si.

Milliardo quase riu da brilhante solução do médico.

Depois de muitas lágrimas pela parte da mãe de Duo e de ataques de ansiedade, o médico tinha receitado um calmante para a mulher, que agora dormia no quarto em frente ao do filho, com o marido sentado ao seu lado. E o loiro finalmente viu a oportunidade de ficar a sós com o outro rapaz.

Atravessando a porta metálica como se esta nem existisse, o jovem de longos cabelos loiros adentrou no quarto totalmente branco com uma careta de desgosto. Odiava hospitais.

Aproximou-se do garoto inconsciente e ficou algum tempo apenas observando. Aphrodite, a Deusa da Beleza, devia estar inspirada no dia em que Duo nasceu. O rapaz tinha sido presentiado com uma beleza fora do comum. A pele clara, lisa e macia, sem manchas ou defeitos, os grandes olhos violeta adornados com longas pestanas, os lábios cheios e bem desenhados, de um tom rosado, e os cabelos compridos e bem cuidados da cor do bronze.

Azar o dele isso ter atraído Heero.

Estendendo a mão esquerda, Milliardo tocou com dois dedos na testa do garoto deitado e ao mesmo tempo em que os olhos violeta se abriam confusos, o corpo do loiro desvanecia-se no ar.

OoO

Duo acordou com a sensação de que se estava a esquecer de algo importante. Mas o que seria? A data de aniversário de alguem? Se fosse de Takashi, não ia fazia muito esforço para se lembrar… Mas sentia que era algo importante.

Piscou os olhos diante da luminosidade do quarto, que a propósito não era o seu. E então, a imagens daquelas palavras vermelhas na parede veio á sua mente, arrastando tudo com ela, juntamente com um frio no estômago.

Porquê é que isso estava a acontecer consigo? Não era a pessoa mais simpática do mundo, mas até que dava uma ajudinha á Senhora Mills, sua antiga vizinha, a levar os sacos das compras e não saia por aí a arranjar problemas! Já não havia sido castigo suficiente presenciar a sua mãe a agir como uma adolescente apaixonada, depois vê-la casar com um idiota-adorador-de-legumes e ir para o Japão de arrasto?

E afinal como tinha ido ele parar ao Hospital? Porque aquele cheiro a desinfectante e ausência de outra cor que não branco só podia ser de Hospital. A ultima coisa de que se lembrava era de estar no seu quarto e de toda aquela cena maluca com gatos-fantasmas e japoneses-homicidas…

E a pergunta mais importante: Porque diabos tinha um japonês-assombração-psicopata-assassino atrás de si? Era um castigo divino? Ao menos o cara era bonito… Opaa… Tinha mesmo pensado nisso?

Dando um sorriso meio sem graça mediante os seus pensamentos, Duo preparou-se para levantar daquela infame e desconfortável cama de hospital e ir procurar a sua mãe que decerto estava pior que ele, dando numa de mãe-galinha e levando á loucura todos os médicos com as suas intermináveis perguntas sobre a sua saúde, quando a porta se abriu e por ela entrou uma enfermeira distraída lendo algo na prancheta que levava nas mãos.

Temendo levar uma bronca por estar quase a sair da cama, Duo voltou a se acomodar no meio dos lençóis, fechou os olhos e fingiu que estava a dormir.

OoO

Milliardo, oculto dos olhos humanos, abriu um sorriu tão ou mais macabro que o de Heero, diante do súbito aparecimento da enfermeira. Tinha vindo mesmo na hora ideal!

Os olhos azuis claros do loiro, ficaram desfocados e de seguida tornaram-se totalmente brancos, quando Milliardo entrou na mente de Duo para brincar um pouco com a realidade.

OoO

Duo sentiu, inesperadamente, alguém espetar uma agulha no seu braço e a sua reacção traiu o seu sono fingido. Para não ser desmascarado, o americano decidiu prolongar a farsa de modos a parecer que tinha acordado com a dor da agulha a ser espetada. Abriu os olhos devagar,parecendo sonolento, puxou o seu braço da mão da enfermeira e percebeu que tinha sido ligado a soro.

A enfermeira ao seu lado disse algo que Duo não entendeu, porque a voz parecia estranhamente distorcida, com uma sonoridade quase metálica.

Ao olhar o rosto da mulher, viu, horrorizado, que a boca dela estava aberta numa expressão de desespero, semelhante á pintura "O Grito" de Edvart Munch, e os seus olhos pareciam poços sem fim, porque as órbitas estavam vazias e completamente negras. A substância negra das cavidades oculares escorria pelas faces pálidas da mulher. Algo entre o líquido e o gasoso. E o som metálico não parava e era cada vez mais alto.

Uma mão fina e comprida demais, parecendo mais a de um esqueleto que de uma pessoa viva, foi na direcção da sua cara e Duo forçou o seu corpo a obedecer ao seu comando e sair do estado de paralisia.

Saltando da cama pelo lado oposto ao que a enfermeira estava, Duo nem perecebeu quando o tubo do soro rebentou e a agulha saiu da sua veia, fazendo com que o seu sangue fluísse, deixando um rasto vermelho na sua mão e algumas gotas a pingarem para o chão.

Correndo até á porta e, com o som metálico a ecoar tão forte na sua cabeça que não conseguia ouvir mais nada, saiu para o corredor. Vinham duas pessoas na sua direcção, mas os seus rostos estavam tão desfigurados como o da enfermeira. Os olhos arregalados e negros. As bocas abertas num grito que Duo já não sabia se era mudo ou não. Entrando em pânico, fugiu na direcção oposta, onde o corredor estava vazio.

A bata branca que vestia começava a desapertar nas costas e Duo ficou com a desagradável imagem metal dele a correr com o traseiro á vista e com uma multidão de zumbis atrás de si.

Quase á beira das lágrimas e meio atordoado com a fraqueza que sentia nas pernas, entrou pela primeira porta que lhe apareceu á frente, fechou-a rapidamente e escorregou até ao chão. A sua audição voltou ao normal e ficou mais tranquilo ao ouvir os passos seguirem pelo corredor.

Encolheu os joelhos e envolveu os braços em volta deles. Puxou a ponta da trança meia desfeita para a frente do corpo e começou a brincar com ela por entre os dedos, num tique nervoso que tinha desde criança.

Só agora notando que estava a sangrar, precionou a mão com uma das pontas da bata e deixou-se ficar quieto esperando que só o encontrassem quando o mundo voltasse ao normal.

OoO

Milliardo acompanhava todos os movimentos de Duo, através na sua mente e só o deixou quando o americano entrou num quarto vazio. Os seus olhos voltaram ao tom azul-céu no instante em que quebrou a conexão com Duo. Estava para preparar uma nova brincadeirinha, quando sentiu a inconfundível presença de Heero atrás de si.

O moreno passou um braço em volta do pescoço do pálido e apoiou o seu peito nas costas do loiro.

-- Eu disse para não pegar pesado… - Falou arrastando as palavras perto do ouvido do loiro.

-- Mas eu ainda nem comecei!

Heero sorriu com o tom indignado. Não estava surpreso com as atitudes do loiro. Tinha previsto todos os passos que Milliardo faria com o pequeno e inocente Duo. Não podia criticar o outro, afinal nem ele próprio estava com paciência para prelimiares.

-- Volta para casa… Eu acabo as coisas por aqui - Afastou-se do loiro e deu dois passos em direcção á porta no quarto em que Duo se refugiava.

-- Porquê é que ficas com a diversão só para ti? – Perguntou irritado.

-- Já tiveste a tua época… E foi muito bem aproveitada na minha opnião. Agora é a minha vez. Eu até estou a ser simpático em deixar-te brincar um pouco com o Duo-kun… Afinal ele é meu!

Ás suas costas, Milliardo deixou um suspiro escapar dos seus lábios, mas obedeceu á sua ordem e desapareceu num remoinho de vento.

OoO

Heero materizou-se dentro do quarto em que Duo estava. O americano continuava encolhido contra a porta e com o rosto semi-escondido de encontro aos joelhos.

-- Hn.

Heero podia ter gargalhado com o tremor que um simples e insignificante som causou no corpo do garoto sentado no chão.

O japonês teve um vislumbre de um olho violeta a espiar por entre os joelhos e piscar repetidas vezes, como se Duo estivesse numa publicidade de rímel. Quando o garoto sentado no chão se apercebeu que ele estava mesmo lá, parado a meio do quarto, braços cruzados no peito e sorriso torcista no rosto, soltou um lamento baixo e bateu com a testa no joelho.

Heero deu dois pontos por o americano não ter fugido a gritar de imediato.

-- Sai daqui! – Duo gemeu e olhou para o céu, iniciando uma prece.

"Por favor Meu Deus! Se eu acordar agora deste sonho maluco, prometo comprar uma daquelas ridículas canecas a dizer 'O Melhor Pai do Mundo' e ofereço ao Takashi"

Voltou a olhar para o meio do quarto e o japonês continuava ali, com ar de quem se estava a divertir. Lançou um olhar irritado para cima e bateu com a cabeça no joelho. Outra vez.

Se aquilo não era um pesadelo… Era mesmo real?

-- Não está nos meus planos ir embora tão cedo. – Heero replicou.

-- Mas está nos meus mandar-te embora o mais cedo possível! – Duo levantou a cabeça e fitou o japonês com toda a sua irritação a cintilar nos olhos.

-- E como vais fazer isso? – Perguntou em tom de conversa, quase amigável.

-- Tenho várias ideias: estaca de madeira, crucifixo, bala de prata… - Ia contando pelos dedos.

-- Então eu fui reduzido á categoria de vampiro?

-- Bala de prata é para lobisomens!

-- Eu tenho cara de quem sai uivando em noites de lua cheia? - Heero arqueou uma sobrancelha.

-- Nem por isso… Mas a televisão não foi educativa o suficiente para me ensinar a matar fantasmas. Até porque eles já estão mortos! Espera! Deitar sal grosso no cadáver e lançar fogo? – Heero quase riu com o olhar de esperança que Duo dirigiu a si.

Só tendo com resposta um olhar irónico, Duo bufou e levantou-se do chão. Ele estava mesmo a conversar com um… fantasma? Era quase como estar dentro de um filme de terror. Só que o espírito maligno era bonito em vez daquelas coisas que ás vezes apareciam, todos velhos e enrugados… transparentes!

Oh! Merda! Ele tinha mesmo pensado que o japonês era bonito? De novo? Qual era o maldito problema do seu cérebro? Porquê é que só alucinava com coisas estranhas!? O que ia acontecer a seguir?

Takashi de saia havaiana dançando o Hula-Hula?

O japonês fazer um strip?

Duo praguejou baixinho.

Ele sempre fora do tipo 'só acredito depois de ver'. Teoricamente ele devia estar a acreditar em fantasmas agora. Então porquê é que a sua mente gritava "DUO MAXWELL DEIXA DE SER DEMENTE"? Hum… essa devia ser a parte do seu cérebro que ainda trabalhava decentemente, a outra parte tinha congelado com a imagem do japonês sem roupas…

"Matem-me agora! Isto não pode ficar pior… Eu estou atraído por um maldito psicopata!"

Heero continuou parado, estudando cada emoção que passava pelos olhos de Duo. Ainda há pouco tempo tinha apanhado o susto da sua vida, mas agora, mesmo na sua presença, estava quase calmo. Não era isso que tinha esperado… Mas devia ter adivinhado que Duo seria incomum.

Os humanos eram tão engraçados. Era divertido brincar com eles, mas depois de algum tempo eles tornavam-se monótonos. Para Heero eles eram todos iguais. Uma multidão cinzenta. Excepto Duo. Ele era uma mancha colorida no meio do cinzento. O violeta dos olhos; o rosa dos lábios; o marfim da pele; o dourado dos cabelos…

Por isso ele tinha escolhido Duo para jogar com ele.

Caminhou em direcção ao americano, sorrindo com a reacção dele. Medo. Pânico. Isso era bom… Heero não gostaria se Duo não o considerasse perigoso.

-- Calma, Duo-kun… Eu não vim matar ninguém. Hoje.

-- Muito obrigado! Agora eu estou bem mais tranquilo. – Levou a mão á maçaneta da porta, hesitante em sair ou não. Entre o japonês assassino e a multidão de zumbies o que seria pior?

Heero soltou uma risada baixa e rouca que arrepiou cada pêlo do corpo do outro rapaz. Chegou mais perto de Duo e alcançou com a sua mão a mão que Duo tinha na maçaneta, impedindo que ele fugisse.

Duo estremeceu com o contacto gelado da pele do rapaz de intensos olhos azuis na sua mão. Não ligou para o facto de estar impedido de sair: Tinha acabado de decidir que preferia o moreno aos zumbies. Ao menos a cara dele era bonita. Muito bonita. A altura é que não era a ideal para ele estar a namoriscar… Mas vá explicar isso ao seu cérebro!

-- Só vim oficializar as coisas… - Heero estava tão perto que sentia o hálito quente e doce de Duo.

-- O-Oficializar o quê? Que tem um louco atrás de mim para me matar? – Gaguejou um pouco, mas Duo ficou feliz e orgulhoso de si próprio por ter completado a frase.

Heero riu baixinho de novo e Duo corou ao ter os olhos azuis escuros fixos em si com tanta intensidade e tão próximos. Por momentos achou ver uma expressão de ternura no rosto do japonês, mas quando piscou já não estava lá. Ele nem era assim tão assustador visto de perto… e sem estar a flutuar no ar com um ar de maníaco.

-- Duo Maxwell, tens seis semanas de vida a partir de agora! – E Heero cobriu os lábios de Duo antes dele ter conseguido assimilar o significado das palavras.

"Eu estou a beijar um fantasma! Eu estou a beijar um morto! Se defuntos beijam assim… Espera! Fantasmas são sólidos? Podem beijar? E como ele sabe o meu nome? E o que ele disse mesmo sobre seis semanas? PUTAMERDA! Deixa de pensar e agarra o maluco logo!"

Duo passou o braço que estava livre do aperto de Heero pelo pescoço do moreno e colou os seus corpos. Definitivamente o japonês era sólido! Entreabriu os lábios e a língua do moreno imediatamente invadiu a sua boca. Ao mesmo tempo em que sentia o hálito fresco do outro invadir a sua garganta, o mundo ficou negro e Duo desmaiou nos braços de Heero.

Continua…


N/A: Qualquer semelhança deste cap com o filme " O Exorcismo de Emily Rose" não é mera coincidência.

Mim está muito contente por estarem a gostar da história. Tentei fazer um pouco de humor nas cenas deste cap para aliviar a tensão.

Um agradecimento á Blanxe, Niu, Fafi Raposinha, Thoru, Litha-chan, Saori Kaiba, Ana Paula, Miwa Maxwell e Lis Martin pelas reviews que enviaram.

Kiara-chan