Capitulo IV
Preparativos para o baile
O jantar correra muito bem. Harry não pôde ir, o que fez Ginny senti-se mais aliviada. Não queria era vê-lo, não sabia até quão forte estava. Tinha-o convidado pois não arranjara nenhuma desculpa para não o fazer e caso alguém perguntasse por ele não saberia o que dizer a não ser a verdade. Não queria que soubessem do grande vazio que ainda sentia dentro de si, só de pensar nele, embora tivesse jurado que nada, nem ninguém, iria estragar aquela noite que era só sua.
Depois do jantar foram para um bar muggle perto do restaurante.
- E um brinde à nossa maninha preferida, que já está tão grande – disse Fred levantando o copo e fingindo-se emocionado ao dizer as últimas palavras, levando o polegar e o indicador aos olhos e apertando o interior destes.
- E que, infelizmente, está cada vez mais bonita – acrescentou George.
- Ohhh a nossa maninha está tão crescidinha! – Disseram em coro abraçando-se a Ginny e fazendo com que os pés desta ficassem a alguns centímetros do chão, enquanto fingiam um choro sentido.
- E a sorte dela é ter mais juízo que vocês os dois juntos – disseram Nancy e Prada em coro.
- É verdade Ginny, como é que anda esse coraçãozinho? – Perguntou Luna, uma grande amiga do tempo de Hogwarts.
Ginny corou violentamente e deu um sorrisinho amarelo. Luna nunca tivera uma grande noção da realidade, acabando por fazer as perguntas menos próprias em locais pouco recomendados.
- Tudo bem com o coração? Como assim? – Perguntou Ron.
- Vocês sabem, se gostas de alguém se andas com alguém …
- A minha irmã ainda é muito nova para essas coisas – interrompeu Ron.
- Muito nova!? Ela só é um ano e pouco mais nova que tu, Ron – disse Hermione – E além disso já teve outros… – mas calou-se ao ver o olhar de desespero de Ginny. – É verdade Ginny, já sabes para onde é que vais agora que acabaste o curso?
- Sim – respondeu Ginny aliviada pela mudança repentina de assunto. – Vou me candidatar a um lugar em St Mungo. Gostava de ir trabalhar para o serviço vítimas de maldições.
- E tu, Cândida, para onde é que pensas ir trabalhar? – Perguntou Hermione.
- Sinceramente ainda não sei muito bem. Gostava de trabalhar com crianças ou com adolescentes, por isso pensei em ir para uma escola ou assim, mas sinceramente ainda não pensei muito nisso. Primeiro quero ver no meu diploma a opinião dos professores sobre os locais que eles acham que se enquadra melhor na minha personalidade.
- Vamos brindar às mais lindas medibruxas alguma vez formadas – disse um amigo de Ginny do tempo de Hogwarts, fazendo com que todos levantassem os seus copos em aprovação.
- É verdade, porque é que o Harry não veio? – Perguntou um dos gémeos.
" Já só faltava alguém perguntar por ele" pensou Ginny, tristemente, mas ao mesmo tempo curiosa por saber porque é que ele não pôde vir.
- O Harry hoje teve de ficar a resolver umas coisas, não pôde mesmo vir. Disse que tinha muita pena, mas se pudesse ainda vinha cá ter para te dar os parabéns, Ginny – respondeu Hermione.
- Que coisas é que ele tinha de resolver, Hermione? – Perguntou Ginny aproximando-se de Hermione para que só ela pudesse ouvir.
- Ele não nos adiantou muito, mas eu penso que seja qualquer coisa relacionada com a Cármen.
- Coisas do casamento, suponho - disse tristemente Ginny, baixando o olhar, ficando irritada consigo por se sentir assim.
- Sinceramente não sei, Ginny. Ele e a Cármen têm discutido bastante ultimamente. Acho que as coisas entre eles não estão assim tão bem quanto isso.
Ginny quando ouviu aquilo sentiu-se feliz. Hermione apercebeu-se de uma mudança no olhar de Ginny. – É o que eu acho, não tenho a certeza de nada e até podem estar a fazer as pazes neste momento – acrescentou, receosa que tivesse dado falsas esperanças à ruiva.
- Mas mesmo assim têm estado a discutir bastante nos últimos tempos, certo?! Por isso há sempre esperança – quando acabou de dizer isto Ginny sentiu um friozinho na barriga. Por um lado estava contente com a possibilidade de Harry acabar tudo com Cármen, mas por outro não tinha a certeza se queria que isso realmente acontecesse. Harry tinha-a desiludido muito nos últimos tempos e aquilo que Ginny sentia por ele havia-se alterado um pouco. Embora o facto de imaginá-lo ao lado de Cármen a transtornasse e a magoasse, aquilo que sentia por ele estava a transformar-se em algo menos intenso, em algo que Ginny ainda não conseguia perceber muito bem o que era.
Por volta das 4 da manhã foram expulsos do bar, pois já passava muito da hora a que este devia fechar. Ron e os gémeos estavam completamente bêbados. Cantavam alegremente no meio da rua uma música em que só se percebia a parte final. Ginny e Cândida riam-se efusivamente, olhando para os três ruivos abraçados e mais vermelhos que os próprios cabelos.
- Bem, Ginny, nós vamos embora. O teu irmão já deu o que tinha a dar por hoje. Adeus e vê lá se apareces lá por caso um dia destes – disse Hermione agarrando no braço de Ron que começou a protestar ao ser afastado dos gémeos. Ao aperceber-se que era Hermione quem o puxava, rapidamente agarrou-a pela cintura e ergueu-a no ar.
- Vou tentar, prometo. E quando ele chegar a casa vê lá se lhe dás uma poção anti-vómito, porque senão … bem acho que deves calcular o que é que acontece – mal acabou de o dizer, Hermione abanou a cabeça e aparatau, levando Ron consigo.
Ginny sentiu alguém a agarrá-la pela cintura e a elevá-la no ar. Quando olhou para trás viu que se tratava de George.
-George, põem-me no chão – ordenou Ginny, dando um berro de pavor ao sentir o irmão apertá-la contra o corpo e começando a rodar. Sentiu-se tonta ao olhar para o chão e ver que os seus pés pendiam a meio metro deste, devido à pequema estatura de Ginny, em comparação com a grande altura dos gémeos, ligeiramente mais baixos que Ron.
Sentiu um grande alívio quando colocou novamente os seus pés no chão.
- Maninha, temos mesmo de ir embora – disse Fred, abraçando também a irmã que sentia as costelas a serem comprimidas sob os braços do gémeos.
- Adeus, Ginny – despediram-se Nancy e Prada, agarrando os gémeos e afastando-os da irmã, aparatando de seguida.
- Bem, só faltamos nós – disse Ginny, olhando para Cândida que começava a ficar verde. – Estás a sentir-te bem, Dida?
- Nem por isso. Acho que não consigo ir até casa sozinha.
- Não há problema, hoje dormes em minha casa. Vamos lá que eu chamo um táxi. Penso que não estás em condições de aparatar.
- Táxi?! O que é isso táxi?
- É uma coisa tipo autocarro cavaleiro, só que no teu estado esse maldito autocarro está fora de questão – disse Ginny, olhando para Cândida que estava com ar de quem não iria aguentar muito mais tempo, sem vomitar.
Cândida estava agarrada ao pescoço de Ginny quando chegaram ao apartamento da ruiva. Com alguma dificuldade esta conseguiu colocar a amiga na sua cama e tirar-lhe o casaco e os sapatos.
Vestiu o pijama e caiu ao lado de Cândida, que já dormia profundamente. Queria tomar um banho antes de se deitar, como fazia todos os dias, mas sentia-se demasiado cansada para tal acto. Fechou os olhos e tentou adormecer, tarefa que não foi fácil, apesar de estar muito cansada. A sua cabeça não parava de pensar. Esse dia tinha sido preenchido por muitas emoções. Conseguira concretizar o sonho de ser medibruxa, tinha-se reunido com amigos e familiares que já não via há muito tempo e tinha percebido algo que a deixara muito perturbada. Já não gostava assim tanto de Harry e descobriu isto numa altura em que a possibilidade da sua ralação com Cármen estar em risco de ruir.
Deu mais umas voltas na cama tentando limpar a mente, para que conseguisse descansar, até que adormeceu.
- Bom dia – disse Ginny ao entrar na sala. – Já estás acordada há muito tempo? – Perguntou Ginny, ao olhar para a mesa de pequeno-almoço que Cândida tinha preparado.
- Nem por isso, mas estava cheia de fome e imaginei que tu também estivesses, por isso decidi fazer o pequeno-almoço.
- Fizeste bem. Eu também estou a morrer de fome – disse Ginny bocejando. – Então e estás a sentir-te melhor? É que ontem estavas um bocado verde!
- Sim, sem dúvida que estou muito melhor. Nunca, mas mesmo nunca mais bebo aquela coisa dos stots.
- Acho que é shots, Dida. Eu até gostei, foi pena teres bebido tantos.
- Eu até tinha bebido menos se soubesse que aquilo era pequeno por ser muito forte. Mas obrigado por me deixares ficar cá a dormir.
- Não foi nada – disse Ginny começando a comer uma panqueca – Tu tens mesmo muito jeito para a cozinha. O que é isto que estou a comer?
- É melhor nem saberes – disse Cândida dando um inocente sorriso. - É verdade, já sabes o que é que vais levar vestido amanhã para a entrega dos diplomas?
- Sinceramente não sei. Ainda não pensei muito para te ser sincera. Acho que vou levar um vestido que tenha para ali. E tu?
- Também ainda não sei muito bem. Não tenho grande coisa para vestir neste momento – Ginny sabia que o "não tenho nada para vestir", dito por Cândida era como o pão-nosso de cada dia, pois esta tinha um roupeiro com as dimensões aproximadas do apartamento de Ginny. – Já sei, porque é que não vamos às compras hoje. Ouvi falar de uma nova loja muggle com roupa muito gira. Queres lá ir, daqui a pouco?
- Muggle?! Estava a pensar levar um dos meus mantos de cerimónia.
- Manto de cerimónia?! Pois, mas a roupa muggle de cerimónia é tão mais gira. Além disso há imensas pessoas do nosso curso de origem muggel, e há os familiares deles. Acho que se formos de manto de cerimónia vamos destoar.
- Ok, pode ser. Deixa-me só acabar de tomar o pequeno-almoço.
- Pequeno-almoço?! Já são quase horas de lanchar, minha querida.
Ginny olhou para o relógio e viu que Cândida tinha razão. Já passavam das duas da tarde. – Credo, nunca tinha acordado tão tarde.
Comeram calmamente e em seguida foram-se vestir para irem às compras.
- Então onde é que é a tal loja que estavas à pouco a falar? – Perguntou Ginny, ao tirar a varinha para trancar a porta.
- Não é muito longe do Caldeirão Escoante. Se quiseres até podemos aparatar lá e depois vamos a pé até lá. O que é que dizes?
Ginny olhou para Cândida e torceu o nariz. Sabia perfeitamente que o "não muito longe" de Cândida representava. Provavelmente teriam de apanhar pelo menos dois autocarros para lá chegar, se não quisessem andar algumas horas a pé.
- Ok, vamos lá - e no momento seguinte tinham desaparecido.
Reapareceram segundos depois numa pequena sala do caldeirão escoante. Ginny passou as mãos pelo cabelo e começou a andar em direcção ao salão do bar. Este mantinha o aspecto de taberna mal frequentada e o cheiro a mofo misturado com o de cerveja permanecia inalterado.
Ginny não gostara muito do ambiente daquele lugar, mas sempre que ia a Londres passava por lá, pois gostava muito do dono do bar que, quando Ginny era pequena, lhe dava sempre um sapo de chocolate.
Só quando saíram do bar é que se aperceberam que estava um belo dia. Ginny olhou para o edifício do Cadeirão escoante que, aos seus olhos, se apresentava como sendo um velho edifício de janelas empoeiradas. Em algumas destas janelas podia-se ver alguns vasos de mandrágoras e outras plantas ainda mais estranhas. No último andar pôde ver uma janela a abrir-se e logo de seguida uma coruja castanha a sair com um grande embrulho no bico. Baixou o olhar e sorriu ao ver a cara de uma senhora muggle que ali passava e lançava um olhar de repulsa para o velho prédio. Por vezes imaginava o quão horrível seria viver num mundo sem magia, tal como os muggles faziam.
- Penso que agora só temos de virar naquela esquina e andar um pouco e é logo ali mais a frente – disse Cândida, trazendo Ginny novamente à realidade.
A ruiva revirou os olhos pois sabia que o "logo ali à frente" de Cândida, não se referia a algo realmente perto.
Andaram cerca de meia hora até chegarem a uma grande loja de roupa, com vários vestidos de noite expostos na vitrina. Ao entrarem, uma pequena campaínha electrónica apitou, fazendo com que Ginny desse um salto para trás, empurrando um manequim que quase caiu.
- Não fizemos nada – disseram em coro, enquanto Ginny tentava erguer o manequim novamente.
- Não tem importância – disse uma das empregadas, aproximando-se destas, sem conseguir disfarçar uma expressão de espanto. – Se precisarem de ajuda é só dizer – e dito isto afastou-se.
Ginny e Cândida recompuseram-se do susto e olharam em volta. Ginny nunca tinha entrado numa loja com tanta roupa junta. Olhou para Cândida que parecia que acabara de chegar a casa.
- Então por onde é que queres começar? – Perguntou Cândida ainda a olhar em volta.
- Estava a pensar começar a procurar aquilo que me trouxe cá, ou seja, um vestido para a entrega dos diplomas.
- Ah, pois, exacto, mas temos tempo. Por isso podemos experimentar algumas peças das outras – disse Cândida começando a andar em direcção aos vestidos de noite. – Este é lindo, e deve ficar-te bem. Condiz com o teu cabelo, e este bem… é a tua cara, Ginny.
Passado pouco mais de 10 minutos Ginny e Cândida entraram numa cabine e começaram a experimentar os vários vestidos que levaram consigo. Saíram de lá perto das nove da noite, hora a que a loja fechava, com muitos sacos na mão.
- Temos de cá voltar, Ginny, adorei tudo o que há nesta loja.
- Dida, tu deves ter comprado quase tudo da loja – disse Ginny, olhando para os muitos sacos que Cândida levava.
- Mas ainda deixei lá muitas coisas que gostava. Tenho mesmo de cá voltar um dia destes. Ao estar lá dentro com tanta roupa gira, senti que não tinha nada de jeito para vestir.
- Para quem era só para vir comprar um vestido, acho que compramos algumas coisas a mais.
- Oh, deixa-te disso, assim tens mais por onde escolher. É verdade como é que é amanhã?
- Aquilo começa por volta das sete. Mal posso esperar pelo baile de final de curso e pela entrega dos diplomas.
Cândida também estava muito entusiasmada. Ficaram perto de uma hora a falar do baile do dia seguinte, depois aparataram para as suas casas.
Mal chegou a casa, Ginny escreveu um bilhete à mãe e ao irmãos a informar que o baile e a entrega dos diplomas seria no outro dia por volta das sete. Mal acabou de o fazer entrou no quarto e atirou-se para a cama onde se deitou, adormecendo pouco tempo depois.
Quando acordou, o sol já ia bem alto no céu azul. Levantou-se e vestiu-se. Ia aproveitar esse dia para tentar descansar um pouco, coisa que já não conseguia fazer como deve de ser desde há muito tempo. Sentou-se no sofá com os pés apoiados na mesinha de apoio, com uma tigela de cereais numa mão e um livro na outra. Quando ia começar a ler, ouviu alguém bater, com demasiada força à porta.
A contra gosto, levantou-se e dirigiu-se até à porta. Mal a abriu, Cândida entrou pelo seu apartamento adentro com vários sacos de papel.
- Então, Ginny, não estavas a pensar ficar assim até à ultima, pois não? Vai já tomar um bom banho para pudermos começar o nosso tratamento de beleza – disse Cândida pousando os sacos no chão da sala e apontando na direcção da casa de banho, antes de Ginny se ter apercebido do que é que se passava à sua volta.
- Bom dia também para ti, Dida – disse quando se recuperou um pouco do choque.
- Bom dia, Ginny, mas vai lá tomar banho porque temos muita coisa para fazer e muito pouco tempo. Depois veste um roube e enrola uma toalha no cabelo.
"Eu sei o que é que tenho de fazer depois de tomar banho" pensou Ginny, enquanto se dirigia para a casa de banho. Quando saiu do banho enrolou o cabelo numa toalha e vestiu o seu roube como Cândida pedira, embora contrariada, e foi para a sala, onde agora se encontrava uma réplica de um salão de beleza.
Cândida tinha conjecturado, para o meio da sua sala, duas cadeiras semelhantes às existentes nos salões de cabeleireiro e um carrinho de apoio. Sob este havia uma tigela de vidro, que continha uma estranha pasta verde e um pequeno pires com algumas rodelas de pepino.
- Para que é que é tudo isto? – Perguntou Ginny olhando assustada para toda aquela confusão.
- São algumas coisas para a nossa sessão de beleza. Não posso deixar que umas das melhores alunas do curso não sejam também uma das mais bonitas.
Ginny sorriu e sentou-se no sofá.
– Então, que tipo de tortura é que estas a planear para mim hoje.
- Bem, senta-te numa destas cadeiras e vais esperar que te aplique esta poção – disse Cândida apontando para a tigela com a pasta verde – e depois vais pôr estas duas rodelas de pepino nos olhos.
- É para que é que é tudo isso?
- Bem a pasta verde é uma poção que eu fiz, que serve para retirar todas as imperfeições da pele e hidratá-la, para que a tua pele brilhe.
- Sim! E os pepinos para que é que servem?
- Sinceramente não sei, mas os muggles costumam colocá-los sobre os olhos, por isso deve servir para alguma coisa.
Ginny sentou-se numas das cadeiras e esperou que Cândida lhe colocasse a pasta verde. Depois ajudou a amiga a colocar a sua dose de pasta verde.
Ficaram sentadas, nas cadeiras cerca de uma hora com os pepinos nos olhos enquanto falavam sobre os preparativos para a festa e o modo como algumas das suas colegas deveriam ir ridiculamente vestidas.
Após retirar a pasta verde, Ginny passou a mão pela cara e sentiu a pele mais suave do que nunca. Parecia seda e as poucas sardas que tinha, tinham desaparecido.
- Esta poção é um sonho, Dida.
- Eu disse-te. Só é pena demorar uma eternidade a fazer. Agora o próximo passo é fazer a manicura e arranjar o cabelo.
- O que é que estás a pensar fazer?
- Olha, sinceramente não sei. Tenho aqui várias loções para ajudar a fixar cabelos mais rebeldes, ou para ajudar a alisá-los. Ainda não sei muito bem o que é que é mais aconselhado para nós, mas alguma ideia brilhante deve surgir a qualquer momento.
"Ok, isso é mau sinal", pensou Ginny desenrolando a toalha do cabelo.
- Como é que estavas a pensar levar o cabelo Ginny?
- Ainda nem sequer tinha pensado nisso. Talvez enrolado.
- Enrolado parece-me boa ideia - disse Cândida apanhado o cabelo de Ginny com os dedos – Gosto de o ver assim. Também deve ficar giro se lhe pusermos alguns acessórios a segura-lo. Vais ficar linda.
- Também gosto da ideia e tu, como é que vais levar o teu cabelo?
- Pensei em levá-lo solto. Com uns ganchos a segurar a franja ou assim – respondeu Cândida, tirando a franja de trás da orelha e colocando no sítio onde pensava colocar o gancho.
- Sim, acho que ias ficar muito bem, além disso tens um cabelo lindo.
– Obrigado. Bem, vamos começar.
Depois de arranjarem as unhas, começaram a arranjar o cabelo. Cândida tinha razão, Ginny ficava muito bonita com o cabelo enrolado que Cândida prendera com uma grande quantidade de gancho na parte de trás da cabeça e, com dois pequenos ganchos, apanhou-lhe metade da franja prendendo-a atrás da orelha.
Com um feitiço que sua mãe lhe ensinara, Ginny esticou o longo cabelo preto de Cândida.
- Bem, agora já só falta vestirmo-nos, maquilhar e pôr as bugigangas. Temos de nos despachar, se não atrasamo-nos.
Ginny olhou para o relógio e viu que já eram quase cinco horas. Tinham começado a arranjar-se pouco passava das dez horas e nem tinham almoçado por não se terem apercebido do tempo passar. Dirigiu-se para o seu quarto onde tirou o seu vestido do roupeiro. Era um lindo vestido preto comprido. A parte de cima deste assemelhava-se muito a um corpete, que atava na parte posterior com uma fita vermelha e a parte de baixo formava uma ligeiras ondulações, quando Ginny andava.
O vestido de Cândida, também este cumprido, era rosa pálido com algumas flores brancas, que contrastavam com a sua pele morena. Tinha decote em V e a parte de trás terminava ao fundo das costas formando algumas pregas.
- Estás tão bonita, Dida.
- Estou, não estou – disse Cândida dando uma pequena volta em frente ao espelho. – E tu estás um assombro – disse virando-se para Ginny que observava o seu reflexo no espelho. – Agora temos de nos ir maquilhar. Senta-te e espera um bocadinho que eu já trato de ti – ordenou, dirigindo-se até à sua carteira de onde tirou o seu grande estojo de maquilhagem e bijutaria, que só devido à magia pudera caber lá dentro.
Cândida acentuou o contorno dos olhos de Ginny com um fino lápis preto, colocou um pouco de sombra branca no canto interno dos olhos aplicando em seguida sombra preta no resto das pálpebras, fazendo um efeito de degradê. Nas maçãs do rosto aplicou pó rosa, dando um pouco mais de cor à pele branca de Ginny. Nos lábios da ruiva aplicou batom vermelho, realçando-os.
- Estás linda 'miga – Ginny olhou-se ao espelho e concordou com Cândida. – Agora escolhe uns brincos, um colar e umas pulseiras, enquanto eu me acabo de maquilhar.
Ginny tirou umas argolas cor de latão e um fino colar, com um pequeno pendente em forma de cruz. Tirou também uma bracelete para pôr no braço. Colocou um pouco do seu perfume. Olhou-se ao espelho e só nessa altura pode ver como estava bonita. Parecia mais velha do que realmente era, a sua pele brilhava, como nunca antes brilhava.
Olá.
Aqui está mais um capítulo. Espero que gostem.
Agradeço as reviews e os mail's que tenho recebido. São muito importantes, pois assim sei que alguém está a ler a minha fic.
Jinhos e obrigado.
