Capítulo III – Glee Club

Já chegara sexta-feira e o céu estava azul, sem nuvens. O sol, alto no céu, fazia com que todos do colégio Mckinley ficassem para fora de suas salas, visivelmente cansados de tanto calor. A quadra poliesportiva ficava a poucos metros do grande salão central, mas, aparentemente, Santana Lopez e Brittany S. Pierce não estavam se importando muito com o que os outros alunos iriam dizer se notassem que as duas estavam "desaparecidas" novamente. Os boatos, para tristeza de Susan e de Lopez, já vinham acontecendo há algum tempo - mas como toda novidade, uma hora ela deixa de ter sua importância. Enquanto isso, Holly, que já estava sabendo dos detalhes dos últimos acontecimentos, se deliciava com as "novas descobertas" de Santana.

"Onde você estava ontem a tarde?", perguntou Santana, meio inquieta. "Eu te procurei por todo o pátio. Nós não tínhamos combinado de..."

"Sim, eu sei L.", interrompeu Brittany. "Me desculpe. Houve... problemas com a minha mãe."

Santana revirou os olhos enquanto se ajeitava melhor no chão e, mesmo enquanto Brittany continuava beijando o seu pescoço, ela não deixou de se perguntar se a loira estaria lhe escondendo alguma coisa - afinal, haviam dias que Susan arranjava desculpas para os seus "furos".

A mais ou menos dois meses, as duas vinham conseguindo manter os seus encontros antes e depois da escola em segredo – o que, numa escola como a Mckinley, não era nada fácil. Mesmo assim, depois da última briga que tiveram, resolveram que deveriam deixar as coisas como elas deveriam ser: não faria sentido evitar o que estava acontecendo. Assim, entre idas e vindas, Santana finalmente resolveu aceitar que as duas realmente estavam tendo "alguma coisa". "Você precisa aceitar isso querida. Não é uma questão de escolha, é uma questão de sobrevivência", dissera Holly para ela em uma de suas crises.

"Falei com Holly esta manhã.", murmurou Santana. "Ela ficou feliz em saber que as coisas estão melhores agora.".

Susan riu baixinho enquanto passava o seu dedo indicador nas costas da amiga. Antes de responder, lembrou-se daquele telefonema de algumas meses atrás – e daquele belo tapa na cara que recebera. Com o passar dos dias, ela teve que aguentar Santana desculpando-se a cada dois minutos. "Por favor, você sabe que não foi por mal, não sabe?", dizia ela. Enquanto isso, Brittany apenas afirmava com a cabeça, rindo de toda aquela situação. Em todos aqueles anos de amizade, ela nunca chegou a imaginar que um dia chegaria a ver Santana pedindo desculpas para alguma pessoa – principalmente para ela, que sempre fora alvo de sua personalidade forte.

Mas as coisas haviam mudado um pouco. As visitas na casa de Santana estavam ficando cada vez mais frequentes e, com isso, os amassos também. Depois que Lopez finalmente parou de se punir pelo o que estava sentindo, ela resolvera aceitar aquela estranha situação – e isso fez com que tudo melhorasse aos poucos para as duas. Apesar das brigas, que eram frequentes, os encontros haviam se tornados mais caseiros: agora, não era apenas sexo. Havia conversas, estudos e muita descontração; o que fez com que a amizade das suas se tornasse ainda mais sólida.

"Você falou para ela que finalmente percebeu que isso é uma questão de sexualidade?", disse finalmente com um sorriso malicioso. "Ela deve ter ficado um enorme sorriso no rosto!"

Visivelmente incomodada com aquele comentário, Santana prendeu o fôlego e se afastou um pouco, olhando para os lados e perguntando-se se alguém poderia ter ouvido aquilo. Assim que percebeu que não havia ninguém por perto, respirou profundamente, aliviada.

"Não, eu não disse, Brittany. Quantas vezes nós vamos ter que ter essa conversa? Somos amigas. Eu ainda gosto de homens. Homens, Susan."

"Não creio que eu seja um homem", retrucou a outra, sem paciência para ter aquela conversa novamente.

"Você pode até ser uma lésbica descontrolada. Mas eu, não."

"Isso um dia vai ficar insustentável. Eu não estou pedindo nada. Nenhum compromisso, nenhum rótulo. Holly e eu só queremos que você pare de se punir por essas coisas. E você ainda vai...".

"Porque você tem a mania de estragar tudo, Britt?", retrucou Santana, sem deixar a outra terminar. "Você sempre estraga tudo. E você sabe como eu odeio isso."

Abaixando a cabeça, Brittany limitou-se a tirar sua mão das costas de Santana, inquieta. Apesar de não querer ter aquela briga de novo, ela não deixou de pensar nas palavras que ouvira anteriormente. "Lésbica descontrolada.". Então era assim que Santana e as outras pessoas a viam? Brittany podia até ser a mais popular do colégio, mas os boatos de que ela era um pouco "estranha" começaram em seu segundo ano: ela podia até sair com alguns garotos, mas isso não afastava o que andavam comentando.

Mas isso seria para ela uma questão de sexualidade? Ou só Santana tinha esse problema? O fato era que, ao contrário da amiga, Brittany não se punia por olhar diferente para outras garotas ou até mesmo sentir coisas que ela deveria sentir por garotos. Pelo contrário, ela até entendia que as coisas eram assim e que, por mais que lutasse, nada iria mudar. A fase de se machucar porque as coisas para ela não era iguais como a das outras pessoas havia passado e, com o tempo, ela aprendera que reprimir os seus sentimentos só iria adiar por algum tempo o inadiável.

"Desculpe.", disse por fim.

"Eu só quero viver o meu último ano em paz, B. É o nosso último ano... eu não quero que tudo o que tive até agora, acabe.".

Enquanto dizia aquelas palavras, Santana inclinou-se para o lado, ficando mais próxima de Susan. Ela queria dizer algo que só as duas pudessem ouvir. "Eu realmente gosto de você. Muito. E você é a minha melhor amiga, B."

Santana se aproximou ainda mais de Brittany, passando suas mãos pelos cabelos da loira. Enquanto isso, o sorriso havia desaparecido do rosto de Susan, e agora ela estava começando a se perguntar a onde é que tudo isso iria dar. "E você ainda vai querer mentir que somos somente amigas quando você finalmente admitir que me ama?", era o que ela queria dizer. As duas já haviam tido essa conversa muitas vezes e ela sempre acabava em alguma discussão boba: Santana nunca se permitia a pensar no que realmente estava sentindo e vivendo. Mas o que ela poderia fazer contra isso? Estar com Santana já havia sido uma realização de um grande sonho, mas força-la a admitir que as duas estavam tendo alguma coisa, era outro totalmente diferente.

"Você também é a minha melhor amiga, L.", murmurou desconcertada.

"Como é que isso tudo aconteceu?", disse Santana, enquanto deslizava os seus dedos pelas costas de Brittany. "Já faz quase um mês, Britt. E tudo o que eu consigo pensar é como é que eu vou contar isso para alguém."

"Você sabe que não precisa fazer isso, não sabe? Foram apenas boatos e eles nem duraram muito tempo, se você quer saber. Como você disse, é o nosso ultimo ano. Não vamos falar disso, ok? Por favor...".

Lopez se inclinou ainda mais para frente. Agora ela estava a milímetros de distancia de Susan e, sem pensar, passou seus lábios pelo os dela, enquanto um meio sorriso projetava-se em seus lábios. Suas mãos rapidamente estavam na nuca da loira e, enquanto todos conversavam a poucos metros de distancia, as duas se beijaram – e embora o beijo não tenha durado muito tempo, ele foi o suficiente para calasse algumas dúvidas do momento.

"Adoro quando você faz isso L.", disse enquanto puxava Santana para o meio de suas pernas, deitando-a em seu colo.

Santana ficou em silêncio enquanto olhava para cima, encarando os olhos de Brittany. Depois de alguns instantes, percebeu que os olhos azuis da loira brilhavam, o que fez com que naquele momento, sentisse uma enorme vontade repentina de chorar - mas não o fez. Ela precisava ser forte, pois já havia feito muito mal para Susan com toda aquela situação... mas, no fundo, ela sabia que isso só deixava claro que, em algum momento, algo de muito ruim ia acontecer.

"Quando é que isso aconteceu, B.?", refletiu Santana em voz alta. "É muito estranho... eu tenho medo que, no final, algo de ruim aconteça."

"Isso o que?"

"Você e eu.", sussurrou baixinho, enquanto esperava pela resposta de Brittany. Fechando os olhos, respirou fundo, repassando aquelas três palavras em sua mente "Você e eu". Quando é que isso tinha acontecido? Agora, além de já ter admitido para Brittany o que estava sentindo, também estava admitindo para si mesma?

Isso não deveria acontecer. Brittany era uma das mais populares da escola e ela, a "Dama de Ferro": aquela que nunca se apaixonava e principalmente, nunca perdoava. O que os seus pais iriam dizer quando soubessem? Os seus poucos amigos já começavam a desconfiar. Não era possível que seus pais não percebessem os olhares das duas quando estavam juntas – assim, para ligarem uma coisa a outra, era só uma questão de tempo. Então o que ela poderia fazer? Alguns dias atrás ela já tentara afastar aqueles sentimentos como no passado, sem sucesso. Era como se ela estivesse destinada a passar por isso.

"Acho que foi uma questão de sorte", disse Brittany por fim.

"Sorte?", perguntou a outra. "Odeio quando você fala com meias palavras, Britt."

"É... quer dizer... eu sempre estive lá. E você nunca pareceu se importar.", refletiu. "Mas no verão passado as coisas mudaram, não é?"

As duas sorriram juntas, enquanto Santana refletia sobre o que Brittany havia acabado de lhe falar. "Eu sempre estive lá". Isso quer dizer que Brittany gostava dela há muito tempo.

"Quando é... que você começou a sentir essas coisas?", perguntou, meio receosa do que Susan poderia responder.

"Não sei. Mas acho que foi bem antes do verão passado...", refletiu novamente Brittany.

•-•

Past – Jully, 2005

"O que você acha dessa roupa?", perguntou Santana. "Ela não me deixa gorda?"

"Gorda? Você esta louca, L."

Brittany sorriu quando se aproximou ainda mais de Santana. Assim que estava com o seu corpo a milímetros do dela, olhou para frente, vendo o seu reflexo no espelho: e o que via ali era uma mistura de desespero e desilusão. Porque Santana nunca olhara para ela? Loira, de olhos azuis, Brittany era uma mais bonitas de todo o colégio – e isso era relevante para todos, menos para ela. Enquanto isso, ela tinha em sua cabeça que Santana, isso sim, era a mais bonita: alta, com os cabelos negros que brilhavam até o fim de suas costas, ela era uma mistura de poder e luxúria. O seu rosto era perfeito: os lábios finos, os olhos marcantes e a pele, quase morena.

Amigas desde a infância, elas cresceram juntas. Brittany aprendeu a amar a amiga e até mesmo aguentar as suas loucuras: Santana não era fácil, tinha um gênio forte. Enquanto isso, Lopez aprendera a se acostumar com o jeito meigo e simpático de Brittany e até com a sua popularidade – o que, vindo de Santana, era uma dádiva divina. Mas tudo isso poderia passar despercebido se levássemos em conta o fato de que, durante toda a sua infância, Brittany sempre estava um passo à frente quando o assunto era se auto - descobrir.

Com o passar do tempo, ficou inevitável para Brittany esconder o que andava sentindo quando estava com a amiga – e não demorou muito para ela também descobrir o que andava sentindo por outras garotas. No começo, tentou afastar seus pensamentos, dizendo para si mesma que era somente uma fase: mas com o passar dos dias, foi impossível deixar de lado a sua nova descoberta. Assim, entre altos e baixos, Susan descobrira que era possível ser a mais popular do colégio enquanto tinha lá os seus segredos. Ela tentava sair com garotos sempre que podia, mas, no fundo, tudo o que queria estar fazendo era estar feliz ao lado de Santana – ou de qualquer outra garota que a deixasse bem, sem aquele sentimento sufocado de estar fazendo algo contra a sua própria vontade.

"Não seja boba. Você é linda.", voltou a falar.

"Mas, de qualquer forma, eu nunca vou ser mais bonita que você.", pensou Santana em voz alta.

As duas ficaram em silêncio por algum tempo, apenas se olhando pelo reflexo do grande espelho. Santana refletiu sobre como Brittany parecia mais bonita, agora que estava morena por causa das tardes diante do sol que as duas estavam tendo. Os olhos azuis se destacavam ainda mais, enquanto os longos cabelos loiros caiam em longos cachos pelos ombros de Brittany. "Realmente, essas férias estão fazendo bem para você Brittany.", pensou.

Férias longe de Ohio: um ritual que nenhuma das duas dispensava durante suas férias do colégio Mckinley. A casa ficava no sul da Califórnia e pertencia aos avós de Santana. Com um píer que ficava bem de frente para o mar, a casa possuía cinco quartos, dois banheiros e dois grandes salões. Era o lugar perfeito para quem gostaria de ter um pouco de sossego depois de um longo semestre de aula.

"Tem certeza que você quer ir?", perguntou Susan numa voz tremula. "Seria mais divertido se você ficasse comigo. Poderíamos comer alguma coisa."

"Não é questão de querer Brittany! É uma questão de precisar! É a minha única chance de dar alguns amassos nesse verão.", retrucou Santana. "A essa altura, Quinn já deve ter..."

"Eu não quero saber sobre a Quinn, L.", ignorou a loira. "Sinceramente, eu não me importo com esse seu tipo de competição."

"É fácil para você", disse enquanto ajeitava o seu vestido. "Você é a mais popular do colégio. Mesmo que você não tenha ficado com ninguém, provavelmente irão achar que você pegou todo o Estado da Califórnia".

"Não seja boba, L.!"

As duas riram juntas, mas, mesmo com a visível descontração, Susan voltou a pensar no que seria a sua vida daqui para frente. Será que algum dia ela teria coragem de revelar os seus sentimentos? Ou isso apenas ficaria guardado para sempre em seu coração? Ela não estava se importando com o que as outras pessoas iriam pensar, tampouco estava querendo entrar naquela disputa ridícula. O que ela queria, no fundo, era dizer tudo o que sentia em voz alta – porque, por fora, ela até poderia ser uma menina forte, mas, por dentro, ela estava gritando.

"Eu poderia cozinhar...".

"Brittany!", disse Santana entre uma gargalhada. "Pare de tentar me fazer ficar! Que tentação...".

Brittany revirou os olhos, desapontada com a decisão de Lopez. Afastando-se, olhou para a cama da amiga enquanto pensava no que poderia dizer para que Santana ficasse. "E se eu fingisse passar mal?", pensou. "Ela poderia ficar."

"Você pode me ajudar com isso daqui?", murmurou Santana impaciente. "Eu quero estar perfeita."

Assim que se virou novamente, Brittany se deparou com uma cena que fez seu corpo inteiro tremer: lá estava Santana com as costas expostas, enquanto o vestido pendia para baixo. Embora ela já tenha visto essa cena milhares de vezes, daquela vez havia sido diferente. A pele de Santana estava ainda mais morena e suas curvas, ainda mais ressaltadas diante da luz do fim da tarde. Sem tirar os olhos dos seus seios fartos, Brittany mordeu os lábios com convicção, sem se importar se Santana estaria ou não olhando para ela.

"Brittany?"

Quando não obteve resposta, Lopez se virou. Neste exato momento, seu vestido escorregou pelo seu corpo até que, finalmente, caísse no chão. Enquanto isso, Brittany continua a estar paralisada pelo o que pareceu ser uma eternidade. Santana ficou imóvel, imaginando o que poderia ter feito de errado para Brittany lhe encarar daquele jeito.

"Susan? Você está bem?"

"Você... é linda.", disse a outra por fim.

"Sim Brittany, você já me falou isso hoje.", retrucou Santana sem paciência. "Agora posso saber por que você está...".

Susan não deu tempo para que Lopez terminasse de falar. Juntando todas as forças presentes dentro de si, caminhou rapidamente para frente, indo de encontro da morena. Seu corpo, que tremia descontroladamente, foi projetado para frente assim que chegou perto suficiente – e assim, levantando os seus braços, puxou Santana com força para perto de si. Por algum tempo, tudo o que fez fora olhar nos olhos da amiga, até que finalmente seus lábios estivessem grudados nos do dela.

No inicio, Santana aparentou estar assustada e, enquanto os lábios da amiga moviam-se sobre os seus, ela apenas limitou-se a ficar parada, sem nada fazer. Foi só depois de algum tempo que ela resolveu se manifestar. Enquanto a sua mão esquerda foi ao encontro da mão livre de Susan, a outra foi em direção ao quadril da loira. Sem que parassem o beijo, as duas apertaram os seus corpos contra si, numa mistura de descobertas e desejos.

Assim que o beijo terminou, nenhuma das duas se moveu. Suas mãos, agora entrelaçadas, permaneciam no ar, enquanto as duas se encaravam.

"Olhando os seus seios furtivamente?", disse depois de um tempo contra os lábios de Santana. "Era isso o que você iria falar?"

Brittany já estava quase pronta quando se lembrou de pegar o seu celular em cima de sua escrivaninha. Dando meia volta, subiu os degraus de sua casa rapidamente enquanto pensava em que desculpa iria dar para Santana por não aparecer em sua casa nesta noite. "Eu poderia simplesmente dizer que estava estudando.", pensou. "Ou só dizer que tinha coisas para fazer."

Há três semanas, Brittany sustentava um segredo que, se revelado, poderia estragar tudo o que havia conseguido nos últimos meses. Mas o que ela poderia fazer? Ela estava feliz assim. Tinha tudo o que sempre desejava e essa era a questão em jogo.

Assim que chegou em seu quarto, procurou pelo seu celular e, assim que o encontrou, ela desejou não ter se lembrado de procura-lo. Lá estava, em seu visor, doze chamadas não atendias de Santana. Fazendo uma careta de dor, ela deu meia volta enquanto largava o celular na cama, só para então voltar a descer as escadas.

Joe segurava firmemente as mãos de Brittany. Os dois sorriam um de frente para o outro, enquanto uma melodia irradiava por todo o auditório. Enquanto isso, do lado oposto a onde essa cena acontecia, Santana chegava ao auditório do colégio e, mesmo com o palco escuro, ela pode perceber tudo o ela esperava ver: Lá estava Brittany. Sua Brittany. Com Joe.

A melodia começou a ficar um pouco mais alta. Logo Brittany e Joe estavam dançando, um de frente para o outro.

"Clock strikes upon the hour

And the sun begins to fade

Still enough time to figure out

How to chase my blues away

I've done alright up to now

It's the light of day that shows me how

And when the night falls, my loneliness calls"

Agora Brittany dançava por todo o palco. Ao seu lado, Joe gargalhava, enquanto mexia os quadris junto com sua companheira. Santana, que já estava enjoada demais vendo aquela cena, cambaleou para trás, apoiando-se em uma cadeira.

"Ah, i wanna dance with somebody

I wanna feel the heat with somebody

Yeah wanna dance with somebody

With somebody who loves me

Oh, i wanna dance with somebody

I wanna feel the heat with somebody

Yeah wanna dance with somebody"

Um feche de luz. Santana pode ver perfeitamente o grande sorriso no rostode Brittany: e ela estava mais feliz do que nunca.

"With somebody who loves me", cantaram os dois em coro, enquanto seus corpos se uniam.

Aquela cena fora demais para Santana, que cambaleou para trás, derrubando uma cadeira que estava atrás de si. Bem neste momento, a música pareceu parar por algum tempo e, enquanto Brittany e Joe ainda estavam com seus corpos juntos, Brittany virou seu rosto para o lado para ver uma cena que fez o seu estomago dar milhares de cambalhotas: Santana estava ali, e, provavelmente, havia visto toda a sua dança.

"Santana?", perguntou Brittany numa voz fina. "É você?"

"Você acha que eu não iria descobrir Brittany? Acha mesmo que você iria me fazer de idiota por muito tempo?"

"Santana! Você pode parar para me escutar por um momento?", disse Brittany, que segurava os pulsos de Santana firmemente.

"Me solta, Brittany!", vociferou a outra. "Você não percebe que eu simplesmente não quero ouvir a sua voz agora?"

Brittany soltou o pulso de Santana, visivelmente machucada com o que ouviu. Afastando-se, ela apenas olhou para o lado enquanto tentava dizer alguma coisa. Mas o que ela poderia dizer? Ela nem ao menos tinha a mínima ideia do porque Santana estava tão nervosa.

"Eu não estou te entendendo. Você está chateada pelo Joe ou por eu saber cantar, e você não?", disse em um tom de brincadeira.

"E você ainda tem a coragem de continuar brincando comigo Brittany?" vociferou Santana com raiva, literalmente guspindo suas palavras.

"L...", sussurrou Brittany, indo em direção de Santana. "Por favor... conte-me o que aconteceu!"

"Não se atreva a chegar perto de mim Brittany!"

Brittany parou onde estava enquanto refletindo um pouco. O que Santana vira foi apenas mais um mal entendido: ela realmente estava escondendo algo de Santana, mas isso não justificava o que estava acontecendo, afinal, ela não estava tendo nenhum caso com Joe. Ela estava apenas cantando.

"Eu não podia te contar, L! O que você diria? Que eu estou desperdiçando o meu tempo com um grupo patético de..."

"Brittany. VOCÊ ESTAVA AGARRANDO AQUELE MOLEQUE!", gritou Santana. "O que você quer que eu diga? Eu não estou ligando se você passa horas cantando por aí com esses perdedores..."

"Então tudo isso é uma questão de ciúmes?"

Brittany agora sorria. Isso era bom demais para ser verdade! Santana estava com ciúmes. Quando é que alguém poderia imaginar que isso um dia iria acontecer?

"Não seja boba, Brittany!"

"Sim Santana. Você está com ciúmes de mim!"

"Você acha que eu me importo? Acha que eu estou me importando se você está se atracando com aquele nojento e..."

"Santana."

"Imundo daquele Joe?", disse entre suspiros descontrolados. "Não, eu não estou! Tampouco..."

"Santana!"

"E, se você quer saber, eu também não ligo se você está num grupo idiota que..."

"Eu te amo."

Santana parou sua frase no meio, chocada demais com as palavras que acabara de ouvir. Com a mão inda no ar, não conseguiu juntas forças para terminar sua frase – o ar lhe faltava e parecia que o mundo estava, aos poucos, saindo do seu devido lugar.

"O que disse?"

Caminhando para frente, Brittany sorriu enquanto via os olhos de Santana brilharem aos poucos. "Eu te amo", repetiu. Assim que chegou perto de Santana suficiente para que as duas se abraçassem, as lágrimas percorreram todo o seu rosto. "Eu te amo Santana. Sempre amei e..."

"Você consegue repetir isso enquanto me beija?", sussurrou a morena no ouvido da outra.


N/A: Eu estou muito triste. Prometi postar e demorei muito para faze-lo... mas gostei do resultado. Ando com o tempo muito corrido, não me sobra tempo para quase nada...