GRAVATAS E CORPOS

Capítulo 4 (final)

AUTORA: Lady K

DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Bones" são propriedade de HH e Fox (não venham me pentelhar), mas nada me impede de pegá-los emprestado só um pouquinho.

GÊNERO: Aventura, romance, mistério, terror, comédia, drama e umas cenas calientes (quem sabe? Depende do meu humor). Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não me responsabilizo por qualquer dano psicológico ou moral..

AVISO IMPORTATÍSSIMO: Contém spoilers da 5ª temporada. O tempo é após o episódio em que a aparece a Dra. Catherine Klein.

COMMENTS: Apesar de esta fic se situar após o aparecimento da Dra. Coisinha, episódio que irá ao ar nesta semana, eu comecei a escrever a fic antes do episódio 100, então, nesta história, não existiu a declaração do Booth (só para constar).

Obrigada às bonesciadas que acompanharam esta fics, sem dúvida, vcs foram a inspiração. Fiquei muito feliz com todos os comentários e pessoas que favoritaram a fic. Até a próxima ;)


"Olá, Temperance" - O psicopata estava de volta ao quarto onde deixara a cientista. "Não quis esticar as pernas? Ou não achou confortáveis suas instalações?" - Ele começou a gargalhar, sabendo que era impossível a ela sair de cama se não fosse se arrastando, estando com mãos e pés amarrados.

"Você deveria se render enquanto é tempo. Minha equipe não demorará a encontrá-lo, e meu parceiro não estará nem um pouco bem humorado."

"Acha mesmo que irão encontrá-la?" - Zombou dela. Aproximou-se e, de uma vez, cortou as amarras dos pés dela. "Sabe, gosto mais quando resistem, por isso vou soltar seus pés. E aqui, os meus brinquedos que pretendo dividir com você." Na mesinha ao lado da cama, abriu uma maleta cheia de diferentes facas e chaves de fenda.

Aproveitando-se de um momento em que ele afiava uma das facas, ela o acertou com um chute na cabeça, deixando-o desorientado. De um salto, levantou-se e saiu correndo.

Saiu em um corredor que dava para vários outros cômodos e levava a uma escada que dava no térreo da casa. Analisou rapidamente e percebeu que seria impossível descer sem ser alcançada pelo homem, amarrada como estava.

Entrou em uma porta que, na verdade, era um pequeno armário cheio de latas de tinta e outros objetos, provavelmente restos de uma reforma. Nada que lhe pudesse ser útil. Começou a a se contorcer, passando o quadril por entre as mãos amarradas, para que não ficassem atrás de si, na esperança de que isso lhe desse alguma vantagem se passasse a lutar com seu raptor. Se fosse religiosa ou ao menos acreditasse em Deus, teria dado graças a Ele pelas aulas de ioga.

"Temperance... Temperance..." - Alex falava calmamente, tentando amedrontá-la. "Eu conheço essa casa melhor que você, o que faz pensar que tirará alguma vantagem se escondendo?" - Ele ia abrindo cada uma das portas. "Apareça enquanto ainda estou bonzinho, vamos."

Quando ele abriu a porta dela, Brennan já estava em pé e alerta e, contanto com o elemento surpresa, acertou em cheio um chute no abdomem dele, fazendo-o curvar-se. Ela o empurrou e saiu cambaleante rumo as escadas. Quando pisou no primeiro degrau, sentiu algo a lhe segurar um dos pés: o homem a havia alcançado e, como ela ia muito mais à frente, jogou-se no chão para tentar detê-la, e ambos caíram rolando escada abaixo.

Ele carregava uma faca que foi ao chão. Depressa, Brennan esticou o braço para alcançá-la. Quando a tinha na mão, ele a segurou, batendo seu pulso contra o assoalho de madeira para que a soltasse, já praticamente sobre o corpo dela. No momento em que a faca caiu, o assassino a levantou no ar, ameaçador, em direção a Brennan.

Nesse momento, com um chute, Booth, cercado de outros agentes do FBI, arrombou a porta. Ao ver o assassino sobre sua parceira, ameaçando-a, foi impossível ser racional e dar-lhe voz de prisão. Foi apenas o tempo de gritar "FBI" e atirar na mão do homem, que se curvou gritando de dor, encolhendo-se.

Os outros agentes se apressaram em conter o criminoso pelos braços, levando-o.

Booth agachou-se ao lado de Brennan, que já estava sentada, e a ajudou a se levantar. Ele observou o péssimo estado em que ela estava: cheia de hematomas, alguns pequenos cortes e, a camisa, manchada com o sangue do psicopata.

"Você está bem, Bones?" - Ele já cortava a amarra de suas mãos e agora tirava, devagar, uma mecha de cabelo do rosto dela.

Brennan procurava não aparentar o quanto aquilo fora assustador. Olhava para baixo apenas, evitando encarar o parceiro.

"Bones, você não está bem! Olhe pra mim" - Desta vez, não era uma pergunta, era uma afirmação. Segurou o queixo dela com uma das mãos, obrigando-a a encará-lo.

Já não era possível resistir mais e, presa ao olhar dele, algumas lágrimas silenciosas rolaram de seus olhos. Ele a tomou nos braços, tocando seus cabelos e roçando os lábios em sua cabeça.

"Shhhh, Bones. Está tudo bem agora. Eu vou cuidar de você."


No dia seguinte...

"Querida, eu sei disso. Mas você não pode simplesmente fingir que não foi nada de mais. Você passou por maus bocados, qualquer pessoa normal ficaria traumatizada" - Angela procurava convencer a amiga a ir mais cedo para casa, depois de, sem resultado, dissuadi-la de trabalhar.

"Angela, eu estou bem. É sério. E trabalhar me faz bem, é tudo que eu preciso. Já basta que o FBI, por sugestão do Sweets, praticamente me intimou a ter uma sessão de terapia no final da tarde."

"Já é algo. Apesar de achar que uma sessão com Sweets não substitui uma conversa com a melhor amiga."

"A propósito, conseguiu fazer o que te pedi?" - Brennan procurava, desesperadamente, se livrar do interrogatório de Angela.

"E eu a decepcionei alguma vez, hum?" - Ela colocou sobre a mesa uma pequena caixa de presente e Brennan a abriu no mesmo instante.

"Uau, Angie!" - Abriu um largo sorriso. "Ficou excelente!"

"Eu sei. Sou uma artista, querida."


"Então, Dra. Brennan, pensou no que aconteceu em momentos em que não queria pensar?" - Ela e Booth estavam na consulta com o Sweets, que procurava saber se a doutora estava sofrendo de algum tipo de estress pós-traumático por causa do sequestro.

"Eu realmente tenho que ficar aqui? Por que não posso esperar lá fora?" - Booth começava a reclamar e, como já apontara o psicólogo outras vezes, desviar o foco.

"Que tipo de teste é este Sweets?" - Brennan perguntou.

"Aposto como é um daqueles que vem em revistas de adolescentes" - Booth começou a rir, assim como sua parceira.

"Se é só um teste de adolescente, por que a Dra. Brennan não responde de uma vez? E por que tanta negação? Já conversamos sobre resistência em nossa sessão passada e..."

"Eu acho tudo isso uma grande perda de tempo. Eu adoraria ficar e jogar conversa fora, mas Booth vai jantar lá em casa e eu ainda não preparei nada."

"É isso aí. Falou tudo, Bones. Sabe, já estou babando só de imaginar aquele macarrão com queijo, meu Deus, é de chupar os dedos!"

"A salivação é uma resposta fisiológica natural a um estímulo alimentar considerado reforçador. E, de fato, minha receita de macarrão é primorosa" - Brennan concluiu sorrindo, sem qualquer ironia ou orgulho fora de lugar. Uma observação lógica, ela diria.

Sweets já havia colocado a mão sob o queixo, observando-os. Booth, que fazia uma leitura corporal muito apurada, há tempos já havia percebido que quando o psicólogo fazia isso, era porque já se dera por vencido e apenas olhava a dinâmica entre os dois, sem mais nada para fazer.

"Então é isso, precisamos ir ou ficará muito tarde, Bones." - Os dois pegaram seus casamos e se levantaram.

"Eu ainda quero ir ao mercado para comprar um vinho. Não tive tempo hoje" - Booth já havia aberto a porta para Brennan.

"Ei, pessoal, poderíamos continuar a sessão nesse jantar, o que acham?" - Sweets ainda fez uma última tentativa.

"Até a semana que vem, Sweets!" - Foram as últimas palavras de Booth antes que a porta se fechasse, deixando um muito frustrado Sweets para trás.


"Hummm isso aqui está bom demais, Bones. Acho que você está cozinhando melhor a cada dia."

"Eu sei" - Ela sorriu, até se lembrar das regras sociais que vinha aprendendo na observação do parceiro. "Obrigada, é muito gentil de sua parte."

Booth sorriu. Sabia que ela estava se esforçando para parecer "normal". Na verdade, isso já pouco importava para ele. Seu comportamento desajustado, literal, honesto "até os ossos" eram coisas que a faziam de ser diferente de qualquer outra pessoa. Essa era a sua Bones.

Após o jantar, continuaram tomando vinho no sofá, enquanto ouviam música. Até que ela se levantou e retornou trazendo uma caixinha.

"O que é isso, Bones?"

"Eu pretendia entregar no seu aniversário, mas depois de tudo que aconteceu, pensei que fosse mais apropriado não esperar tanto. Quero dizer, é minha maneira de dizer 'obrigada', por você não ter desistido de mim, de me procurar."

"Ei, eu nunca desistiria de você" - Ele levou sua mão à a dela, assegurando-lhe o que dissera com um olhar profundo de cumplicidade e amor. Percebendo a proximidade iminente e perigosa, ela retirou a mão, apontando para o presente.

"Não vai abrir?"

"Claro, Bones. Uau! Não acredito! Isso é demais! Somos você e eu!" - Ele levantou no ar a gravata que havia na caixa, vermelha, com a caricatura dos dois. Seu sorriso ia de orelha a orelha, como um menino feliz com seu novo brinquedo.*

"Angie me ajudou fazendo o desenho. Gostou mesmo?"

"Muito. Obrigado, Bones" - Seu braço passou pelos ombros dela, abraçando-a, enquanto continuavam sentados no sofá.

Ela se perdeu por alguns segundos nos olhos castanhos e calorosos dele. Talvez até mais do que devesse, mas o que importava? Ela já se acostumara a sentir-se confortável nesse jogo. Por isso, às vezes, arriscava-se tanto. Se ela ao menos soubesse o que ele sentia, talvez se desse conta do perigo, ao invés de continuar brincando com fogo.

Enquanto isso, ele continuava esperando pelo dia em que ela finalmente estivesse pronta. Paciência e esperança, foi o conselho recebido. A paciência quase se esgotava. Mas a esperança, não. Ainda não.

FIM



* Essa idéia me veio à cabeça depois que vi aquelas caricaturas muito legais no Toonseries, então, imaginem aquelas caricaturas numa gravata do Booth?! Acho que ficaria demais!