Muito obrigada pelas poucas, mas sinceras reviews! :)
Quem estiver lendo, por favor, dê um review também! Não dói nada, prometo! ^^
Me digam se devo continuar ou não! Beijinhos! ;)
Coloquei uma roupa, um cachecol e saí um pouco animada, porém muito curiosa. Animada. Fazia tempo que eu não me sentia desse jeito. Independente de quem tenha mandado, de certa forma receber aquelas flores me fizeram um bem.
Peguei o metrô e fui até o endereço que estava impresso no cartão. Andei por uma rua que tinham casas com muros cobertos por plantas verdes. Era algo tão bonito de se ver, tão... pacífico. Eu não via aquele tipo de coisas a tanto tempo. Passava o dia inteiro na empresa e esqueci que existia beleza além do arranha-céu visto da janela do meu escritório. Entrei em uma ruazinha, e então encontrei a tal floricultura. Ela tinha uma porta em forma de arco, e este mesmo arco estava coberto por flores amarelas. Essas flores pegavam um caminho que subia até a última janela do pequeno prédio de 3 andares. Nunca havia visto algo parecido.
Abri a porta de vidro devagar, escutando o barulho da sineta que estava pendurada nela, e olhei para todo o interior da floricultura. Era só verde, eram só cores. Cada tom diferente do outro. Eu estava boquiaberta. Um homem falava no telefone, combinando um endereço de entrega. Parei perto de uma pequena fonte que tinha no meio da loja, passei minha mão na água e senti a paz que aquele ambiente emanava.
"Posso te ajudar?" – o homem que falava no telefone, ao desligar me perguntou.
"Ahm... sim! Espero que sim." – Me aproximei do balcão onde ele estava. – "Eu liguei hoje mais cedo, sobre uma entrega que eu recebi." – sorri envergonhada. – "Não tem nenhum nome no cartão..." – mostrei o cartão pra ele.
"Ah sim, Swan, certo?"
"Certo!"
"Ei, Jimmy! Você ouviu falar em alguma encomenda para uma Srta. Swan, que tenha saído essa manhã?" – ele se direcionou para um menino de aparência latina, mais ou menos uns 19 pra 20 anos, carregando um vaso enorme de plantas na mão.
"Er... não fui eu." – ele pegou uma tesoura de poda, e olhou se desculpando.
O moço do balcão ainda continuou olhando pra o menino e então concluiu.
"Oh, mas o que estou pensando, hoje é terça feira?" – ele olhou para o relógio de pulso. - "É... ele ainda deve estar lá." – ele virou-se pra mim. – "Vá até a Biblioteca Pública, e na sala de leitura para crianças provavelmente vai estar a sua resposta" – ele sorriu.
(...)
Subi as escadas da Biblioteca Pública, e me dirigi à sala que o moço do balcão havia dito que ele estava.
Assim que entrei, havia uma senhora morena, de cabelos longos e vestido florido, lendo um livro de histórias para um grupo de 10 crianças. Percorri meus olhos pela sala, e, no fundo da mesma, ele se encontrava, de óculos de grau, sentado em um banquinho, ouvindo a história como se fosse uma das crianças. O mesmo homem que esteve no meu escritório, me entregando as flores.
A tal senhora então, depois de uns 15 minutos, acabou de ler o livro para as crianças, e as mães já estavam ali para buscá-las. Ele levantou do banco de onde estava e foi conversar com ela. Me aproximei, morrendo de vergonha.
"Srta.... Swan, é isso?" – ele apontou pra mim.
"Isso.." – sorri envergonhada.
"Eu vejo você depois." – a senhora deu um tapinha no ombro dele e sorriu.
"Er..." – ele disse.
"Ahm..." – eu disse. Não sabia como começar.
"Como vão suas flores? Algum problema?" – ele ajeitou os óculos de grau.
"Ah, elas... elas estão lindas!" – falei nervosa. – "Eu não quero parecer obsessiva.. mas.. seu chefe, eu falei com ele hoje na floricultura, e ele disse que não havia nenhum registro de alguém que tenha me mandado e... ele disse que talvez você poderia saber alguma coisa.." – sorri novamente. – "Digo... eu PRECISO saber, me entende?"
Ele olhou pra mim, olhou para o chão, para os lados,... Passou a mão nos cabelos parecendo confuso.
"Olha... eu tenho que ir a um lugar agora, você quer me acompanhar?"
(...)
"Não há nada melhor do que uma história contada em alto e bom som. E ela é maravilhosa, ela é uma contadora de histórias talentosa." – ele falou sobre a tal senhora da biblioteca, enquanto andava comigo pela rua.
Andamos por algum tempo em silêncio, pisando em algumas folhas que haviam caído da árvore, anunciando o outono. Nunca havia visto a rua desse jeito. Pelo menos nunca notado uma folha caída no chão, dando tanta importância à ela.
"Mas você sempre vai a essas leituras de livros?" – perguntei, percebendo que estávamos indo em direção ao Central Park.
"Eu tenho ido ultimamente, ela estava doente e eu estava ajudando ela... Lendo para as crianças" – ele respondeu olhando para o chão. "Ahm..." – olhei para o chão também.
"Olha.." – ele parou e se encostou em um muro baixo que tinha perto do lago. Me puxou pelo braço, visivelmente nervoso. Assim que me aproximei, ele me soltou. – "Realmente fui eu quem pegou o seu pedido... e, para ser sincero, eu acho que não seria certo te contar quem mandou as flores..."
Olhei pra ele, esperando que ele continuasse. Não acredito que ele não ia me contar, e que eu ia ficar sem saber quem tinha me alegrado daquele jeito.
"Eu sei que são flores, e,"- ele suspirou. - "elas sempre são importantes para as pessoas que as recebem, mas, pessoas gostam de ficar anônimas, e tenho certeza de que se a situação fosse ao contrário, você iria querer a mesma coisa.."
"Não necessariamente." – respondi rápido.
"E porque?" – ele me olhou nos olhos.
"Eu adoraria animar alguém mandando flores, mas eu não gostaria de deixá-los completamente loucos de curiosidade por não ter assinado o cartão." – Falei séria. – "Acho que eles não iriam nem aproveitar, me entende?" – joguei minhas palavras rápido, nervosa e irritada por ele não querer me contar. – "Não vejo propósito nisso." – passei a mão nos cabelos.
E então ele se sentou no muro. Olhou para o lado novamente, e um pouco do vento bateu em seus cabelos bagunçados. Abaixei a minha cabeça, esperando uma resposta dele.
"Você realmente não vai me falar?" – cruzei os braços, tentando me esquivar do vento gelado.
"Me... me desculpa.." – ele levantou as duas mãos.
"Tudo bem." – saí andando, deixando ele sentado.
