Vamos lá, estou com "dedos nervosos" por escrever bastante rs. Por isso a atualização veio tão rápido e com mais reviews ficará mais rápido ainda. Eu sei que esse capítulo ficou um pouco dramático para o meu estilo, não gosto muito de drama, mas as vezes as histórias pedem um pouco. Fica aqui meu super super super obrigada Runa, Rafa e Sissi18 :)

Capítulo IV – Rompendo Laços

Milo estava pensativo, precisava colocar um fim naquela situação. A primeira coisa que fez foi ligar para Aldebaran e colocar sua versão dos fatos sem muitos detalhes, queria evitar fofocas ou que seu amigo fosse tirar satisfações com seu noivo.

Foi quando olhou no relógio e se lembrou da reunião com a banda do casamento, desesperado, pegou as chaves do carro e foi correndo até o centro na sede da empresa, nem ele próprio acreditou que chegou em apenas dez minutos.

Olhou-se no espelho para ajeitar os cabelos e deu graças aos deuses por Camus não ter visto ele correr tanto dirigindo, seria uma bronca descomunal na certa. Desceu no carro, o trancou e correu até a campainha.

- Olá, sou Milo, tenho uma reunião as 15:00 com a banda Viva.

Um silêncio fez-se do outro lado, até que com um resmungo alguém abriu apertou o botão que abria a porta. Milo estranhou, sempre foram tão simpáticos com ele até agora. Subiu as escadas, dessa vez ansioso, pois falaria com o maestro.

Quando chegou na sala se deparou com três homens de braços cruzados e faces nada amigáveis, enquanto a moça o olhava assustada. Milo, não entendeu, pensando não ser algo com ele se antecipou, estendeu a mão em cumprimento e disse:

- Boa tarde, senhores! Estava ansioso para vê-los!

A face continuou a mesma de todos eles e ninguém lhe retribuiu o cumprimento.

- Er... Tudo bem por aqui? – Milo perguntou meio sem saber o que fazer com aquela situação, na verdade, achou muito pouco cortês o modo como o atendiam.

- COMO O SENHOR TEM CORAGEM DE VOLTAR AQUI DEPOIS DE TUDO QUE NOS MANDOU E DA FORMA COMO TRATOU A LIDIA?

Milo olhou para trás, pensando haver alguém lá além dele, alguém que deve ter feito algo muito ruim com essa empresa. Quando viu que era o único e alvo dos olhares, perguntou perplexo.

- Alguém pode me explicar o que está acontecendo?

- Explicar? EXPLICAR? Você quem nos deve explicação! Como manda e-mails ofendendo todos nós, liga aqui e ofende a Lídia como se ela fosse um nada e ainda volta aqui com essa cara lavada! Pois saiba que somos bem relacionados, e se depender de nós, você não terá nem banda nem DJ para tocar no seu casamento!

Milo parecia não entender, num lampejo pensou em Hyoga e sua mente clareou.

- Vocês disseram que mandei e-mails, certo? E que distratei essa senhora por telefone, certo?

Os homens acenaram concordando.

- Pois bem, eu nego. Por acaso vocês têm esses e-mails e a gravação telefônica, afinal, uma empresa grande como vocês sempre grava as ligações.

Os homens tinham, e pareceu fácil providenciar tudo. Milo, com a gravação e os e-mails na mão, olhou para eles e disse:

- O filho do meu marido não está lidando bem com nosso casamento e vem tentando sabotá-lo como pode. Não posso provar nada para vocês agora, mas posso pedir desculpas de antemão pelo que ele tenha lhes causado.

Milo fez uma pausa e olhou para Lidia.

- Eu não sei o que ele disse para você, mas você é uma linda mulher, sempre simpática ao telefone, sempre sorridente pessoalmente e SÓ merece elogios está bem? Não deixe que ninguém lhe faça chorar.

Então, Milo olhou para os diretores da empresa.

- Senhores, eu não fiz isso. Sugiro que comparem minha voz com a da gravação posteriormente. No futuro trarei o menino aqui para se desculpar com todos pela confusão. Não quis causar incomodo, e após isso, espero que repensem tocar no nosso casamento, pois realmente os considero os melhores da cidade.

POV Milo

Os senhores viram que eu falava sério e concordaram meio relutantes. Eu ia ler e-mail por e-mail e ligação por ligação para ver qual foi o tamanho absurdo que Hyoga fez para deixar todos assim.

Voltei ao carro, olhei para o banco, os e-mails, as gravações, minha máquina com o filme, meu gravador com a confissão. Eu tinha dossiê contra o pato, mas não queria usar tudo isso sem cautela. Camus ficaria furioso, poderia fritar o picolé amarelo e ele deveria acreditar em mim e não em provas...

Respirei fundo ouvindo a fita de Hyoga xingando a mulher e ameaçando estupra-la ao sair do trabalho, matar toda a sua família – ele teve até o cuidado de descobrir o endereço da mulher para falar na gravação. Eu fiquei realmente assustado, mas logo me acalmei, Hyoga não era um psicopata, era apenas um moleque mimado.

Eu respirei profundamente, a brincadeira havia acabado. Ele estava fora de controle. Mudei a direção do carro bruscamente, eu precisava falar com Camus.

POV Camus

Um dia corrido, sem dúvida alguma. Almoçar com Milo era sempre uma surpresa, boa ou ruim... E ultimamente ele tem implicado tanto com Hyoga que chega a me dar nos nervos. E essa história de ter de ir até a escola de Hyoga então...

Mas ao menos uma coisa boa nisso tudo, meu filho é um ótimo garoto. Machucou-se para defender um amigo mais fraco de um brutamonte! Agora só preciso colocar Milo nos eixos que nossa família finalmente ficará perfeita.

Agora preciso voltar para os meus afazeres, provavelmente vou chegar em casa tarde e...

Fim do POV de Camus

Camus absorto em pensamentos em meio ao trabalho é interrompido por uma ligação de sua secretária.

- Alô? – Disse aborrecido, não queria ser interrompido, como já havia dito para sua secretária três vezes naquele dia.

- Sr. Camus, me desculpe, mas o Sr. Mi... – Nesse momento, antes que a mulher pudesse terminar de falar o nome do noivo, Camus tirou o telefone do ouvido assustado com a entrada abrupta de Milo em sua sala e desligou o telefone.

- Milo! Mas que diabos!

- Camyu, eu precisava falar com você – Disse Milo sem fôlego por ter corrido do estacionamento até lá.

Camus fechou os olhos, como quem procura alguma paciência.

- Sente-se, meu querido. O que você precisa? É algo com o casamento?

Milo revirou os olhos ao se lembrar que tinha mais uma degustação marcada e a perdeu indo correndo conversar com Camus.

- Não, meu amor, na verdade temos um assunto muito mais sério a tratar.

Camus olhou preocupado para o noivo, afinal, para Milo nada era mais importante com o casamento.

- O que?

- Hyoga.

- Ele está bem? – Perguntou Camus se levantando da cadeira preocupado com o bem estar do filho.

Milo respirou fundo, pensando em como começar a contar tudo.

- Está, está... Sente-se que a história é longa.

Milo começou a narrar tudo, a briga no café da manhã e as coisas que Hyoga disse, o fato de ter lhe confessado que ele bateu tanto em Shun quanto no Jabu por puro ciúmes e o absurdo que fez com a atendente da empresa da banda, a amedrontando para prejudicar os planos do casamento.

Camus ouvia cada detalhe, observava a gesticulação exacerbada de Milo, suas alterações de voz e, por vezes, até pequenas lágrimas em seus olhos. Quando Milo terminou e olhou para Camus esperando uma reação se surpreendeu com gargalhadas.

- Hahahaha... Ah Milo, sua imaginação sempre me surpreende.

Milo que esperava que Camus ficasse doido com a notícia, que realmente achava que teria que segurá-lo até se acalmar, ficou de boca aberta olhando para o noivo.

- Você acha que estou brincando?

- Não meu amor, você está muito reativo com tudo isso do casamento. Hyoga passou por uma fase, mas jamais ameaçaria estuprar alguém... Isso tudo deve ser um mal entendido seu, que está nervoso por organizar toda essa recepção e...

Milo se levantou, colocou uma mão no cabelo e outra na cintura, indignado.

- Você não pode estar falando sério. Não acredita em mim?

- Calma Milo, sem drama...

- Como sem drama? Se você não acredita em mim...

- Calma Milo, e fale mais baixo, aqui é meu ambiente de trabalho! – Disse Camus, entre dentes.

- Calma nada! E estou pouco me lixando para isso. Se não quer acreditar em mim, ótimo, continue a criar esse projeto de monstro que tem na sua casa, não vou fazer parte disso!

- Milo, sente-se e converse direito!

- Não há o que conversar, você acha que inventei tudo...

- Eu não disse isso.

- Mas não acredita em mim.

Fez-se um silencio mortal, não, Camus não acreditava, era demais para sua cabeça. Milo, por sua vez, estava furioso.

Milo olhava para o teto, decidindo o que fazer, enquanto Camus olhava para ele preocupado com suas costumeiras explosões e reações impensadas. Milo pensava em esfregar as provas na cara de Camus, mas ao mesmo tempo não pensou que se não existia confiança aquela relação não tinha razão de ser.

- Acabou tudo.

- O que? – Perguntou um Camus atordoado.

- Se você não confia em mim, essa relação não tem sentido.

- Mas Milo, sua história... – Camus parou para medir as palavras e não chama-lo de maluco – Você não me trouxe nada palpável que comprove...

- Eu não preciso de provas, Camus. Ou você confia em mim ou não.

Milo disse, esperando uma resposta que não veio. Com o silencio do francês, virou as costas e se dirigiu até a porta.

- Milo, não faça isso.

- Eu já fiz...

- Milo, se sair por essa porta...

Milo saiu, deixando a ameaça não terminada de lado. Esqueceu na cadeira todas as provas que incriminavam Hyoga, assim como seu óculos escuros e chaves do carro. Mas não importava, não voltaria para pegar, andaria a pé.

Camus ficou, perplexo, como se houvesse levado um forte golpe.