Capitulo 4: O caminho até você
Anya acordou cedo. O sol brilhava lá fora indicando que o dia seria quente. Espreguiçando levantou. A foto dos pais caiu aos seus pés.
- Hoje tudo termina.
Na copa uma apetitosa mesa de café da manha a aguardava. Pegou uma xícara de chá e começou a examinar o documento. Não havia muitas informações sobre ele como Alieksei dissera, eram coisas vagas mas tinha o importante: o endereço.
- Olga.
- Sim senhorita.
- Vou viajar hoje e não tenho data de retorno. Precisa de alguma coisa?
- Não. A dispensa esta cheia.
- Então leve para você o que for perecível.
- Mas senhorita...
- Quando eu voltar compro de novo. Pode levar.
- Obrigada.
- Outra coisa não precisa vir aqui. Quando eu voltar aviso.
- Sim.
- Pode ir.
- Com licença.
Anya foi para o quarto arrumar suas coisas. Antes de fechar a mala, pegou a foto de sua família.
- Mikhail teimou tanto para tirar... – disse sorrindo.
Olhando para o lado viu a foto do assassino, a fitou por alguns momentos e depois jogou na mala.
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Saga acordou e foi para a cozinha. Como sempre Kanon demorava a acordar e cabia a ele fazer o café.
- Bom dia irmão.
- Já acordou? Pensei que dormiria mais.
- Fiquei sem sono. O que temos para hoje? – indagou sentando-se à mesa.
Saga o olhou arqueando a sobrancelha.
- Você é um folgado.
- Mas você adora esse folgado. – sorriu. – o que faria sem mim?
- Quer que eu responda?
- Não. Por que gosta de me tratar assim? Logo seu irmão querido que quer tanto seu bem.
- Acredito... – Saga colocou uma cesta de pão na mesa.
- Maninho, sorria a vida é bela, quem sabe hoje é o seu grande dia de sua vida dar uma guinada de 360°?
- Dispenso. Estou muito bem assim.
- Ah claro... o que estou fazendo aqui?... – ele o imitava. - Não mereço a clemência de Athena... meu passado é de desonra... blá blá blá...
Saga apenas o olhou sério.
- Ta desculpa, não quis dizer isso.
- Sei.
- É que não agüento vê-lo assim. Quero que seja feliz. Agora que podemos viver esses momentos de paz quero que aproveite ao máximo.
Saga não disse nada apenas o fitava.
- O que foi agora?
- Estou com medo desses seus surtos de clareza mental. Não esta no seu normal. Acho que anda levando muita pancada na cabeça na hora dos treinos.
- Não me leva a sério mesmo, hein?
- Vindo de você não.
Kanon arqueou a sobrancelha.
- Estou brincando. – Saga sorriu. – fico feliz que se preocupe comigo.
Kanon sorriu.
- Obrigado.
- Te falei que estou do seu lado para o que der e vier. Conte comigo.
- Obrigado.
- Talvez hoje tudo mude para melhor.
- Ou para pior...
Ao terminar a frase Saga levou um pão na cara.
- É um trouxa mesmo.
- Repita o que disse?
- Trouxa. Trouxa.
- Kanon.
- Trouxa. Trouxa. – Kanon levou uma torrada na cara.
- Ah é guerra? – ele levantou – terá sua guerra.
Logo pães, torradas e outras coisas voavam de um lado para o outro.
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Às três horas Anya desembarcava em Atenas. Tomando um táxi foi para o apartamento que mantinha num bairro elegante. Jogou as chaves sobre a mesa indo para a varanda.
- Odeio este lugar. – ela olhava a paisagem. - Assim que terminar o serviço vou me desfazer dele. Prefiro Paris.
Se tinha um lugar que Anya odiava era Atenas. Pensava que era nesta cidade que a sentença de morte de sua família foi dada.
Trocando de roupa, desceu ate a garagem, num canto do estacionamento tirou a lona que tampava um carro: um Mazda 6 cinza
Em 10 minutos parava em frente a um complexo de templos, chamado santuário da deusa Athena. Examinou cada um deles, eram 13 no total, mas o ultimo era o maior e mais suntuoso.
- " Até que não mora mal." – pensou.
Parando na escadaria do primeiro templo olhou-o atentamente, todos eram ligados por escadas.
- " Não posso passar por aí"
Deu a volta, procurando um lugar que pudesse entrar, sorriu ao ver escondido em meio a arbustos uma escada, ela estava deteriorada mas ainda podia ser usada. Com os olhos acompanhou até onde ela terminava.
- " Será por aí que vou entrar."
Viu que havia alguns guardas mas nada que pudesse atrapalhar.
Colocando os óculos voltou. Chegando em casa, comeu alguma coisa e dormiu.
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Como sempre o jantar foi em alguma casa, a bola da vez era a de Mú.
- Bons tempos aqueles. Aproveitei muito. – suspirou Aldebaran.
- Também tive uma infância boa. Foi difícil, mas tenho boas recordações. – disse Dohko.
- E você iceberg? – provocou Miro.
- Normal como de toda criança.
- Eu aproveitei. Não perdia a chance de espionar as empregadas enquanto elas trocavam de roupa. – disse o escorpião.
- Já era um pervertido desde criança.
- Vai me dizer que não fazia isso espanhol?
- Fazia mas não tinha muito tempo. Tinha que ajudar meu pai na loja.
- Que menino mais responsável... – brincou Aioria.
- Todos temos boas recordações. Mesmo com as dificuldades que passamos.
Todos concordaram com Shaka.
- Realmente foi boa. – sorriu MM
- Pela sua cara quais crueldades cometeu? – indagou Afrodite.
- Você nunca falou sobre você. Nem sabemos seu nome.
- Me chamo Renzo e sou de uma família tradicional na Itália. Meu pai pertencia a máfia italiana e queria que eu assumisse os negócios da família. Tinha ate aptidão mas meu tio, que não sei como, convenceu-o a deixar me tornar cavaleiro, mais tarde descobrir que houve uma condição. Quem é da máfia tem muitos inimigos espalhados pela Europa. Então comecei a trabalhar para meu pai.
- Por que se era rico?
- Eu liquidava com esses inimigos.
- Os rostos na sua casa...
- São dessas pessoas, daí veio o nome Mascara da Morte. Mas há três anos, parei de fazer isso, perdeu a graça.
Os dourados olharam-no receosos.
- Matei mesmo e daí? – ele os encarava. - Já passou mesmo.
Não demoraram a irem dormir, os treinos tinham sido puxados e queriam descanso. Saga desabou na cama, mas não dormiu logo de cara. Lembrava da sua infância e de como fora feliz antes de vir para o santuário.
- "Será que se não tivesse vindo minha vida seria diferente? Séria uma pessoa normal e acima disso minha consciência seria limpa? Teria paz?"
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Eram dez horas quando Anya acordou.
- É agora.
Tomou um banho colocando em seguida sua roupa, pegou duas armas e os óculos de visão noturna. Preferiu ir a pé, pois o trajeto era curto. Em meia hora estava na frente da escada. Não teve problemas, pois a lua era cheia e iluminava bem o local, alem do mais não havia guardas. Usando uma chave mestre entrou pelos fundos saindo num extenso corredor. Havia portas de um lado e do outro, olhou uma por uma. Abriu a antepenúltima, um homem dormia profundamente espreguiçado na cama. Anya aproximou dele tirando a arma do bolso. Aproximou se mais encostando o cano da arma na testa dele.
- "Morra."
Não teve tempo de saber o que a acertou. Anya recebeu um soco sendo jogada contra a parede, escorregou ate cair no chão.
