CAPÍTULO QUATRO

Harry andava nervosamente de um lado para o outro dentro da pequena sala de espera, sendo observado por um Draco aparentemente calmo, sentado num sofá.

- Não te sentes nervoso, Draco? – o moreno perguntou-lhe, enquanto mexia as mãos nervosamente.

- Não tenho razões para isso. – disse, depois de clarear a voz. Um segundo depois, começava a estalar os dedos perante o olhar de gozo de Harry.

Era possível ouvir, lá fora, muitas crianças a rir e o barulho de baloiços do parque. Aquele local surgira depois da guerra para acolher crianças que haviam perdido a sua família, tal como haviam instituições para acolher e ajudar pessoas idosas sós e sem posses ou, até, pessoas mais jovens que ainda tentavam reconstruir a sua vida. Tinham surgido várias instituições dessas, o que melhorou a vida de muitas pessoas rapidamente, sendo quem, nos dias actuais, algumas das ditas instituições já abrangiam toda a população necessitada e não só as pessoas da guerra.

- Como achas que ele vai ser? - o loiro perguntou enquanto se apercebia que estavam ali à dez minutos.

- Não sei… - respondeu Harry, receoso. – E se ele não gostar de nós? – Draco revirou os olhos.

- Pareces uma bicha a falar, Harry. – este dizimou-o com o olhar – Vai ser um miúdo fantástico, aposto.

- Não podes apostar isso, porque simplesmente nunca viste a criança.

- Mas sendo nós os futuros pais, ele vai ser a melhor pessoa do mundo, claro. – Harry sorriu e sentou-se no sofá ao pé dele. Draco olhou para o relógio. Argh, doze minutos tinham passado e a directora dissera que apenas ia demorar um minuto. Mas, de certa forma, para quem esperara três meses até finalmente terem o direito de adoptar e lhes entregarem uma criança, esperar que esta chegasse não era assim tão mau.

Harry deslizou a sua mão até agarrar a mão do loiro e este apertou-a, sentindo os nervos dissiparem-se. Eles estavam juntos apesar do que tinha acontecido, e estariam sempre juntos para o que desse e viesse.

Draco estava já a sentir-se tentado a olhar novamente para o relógio, quando a porta da sala se abriu e Miss Popkin entrou com um pequeno rapaz pela mão, olhando receoso para o lugar e para eles dois.

- Perdoem-me pela demora, mas aqui o Nicholas estava com vergonha e não queria vir. – Harry e Draco levantaram-se.

De acordo com o que a directora lhes havia dito, Nicholas tinham um ano quando ficara órfão de pais devido a ataques de Death Eaters e permanecera com os avós até ao dia da luta final. Contudo, pouco tempo depois disso, a avó faleceu e o avô, que não se sentia em condições de tratar dele, sentiu-se obrigado a dá-lo a uma dessas instituições.

Acabara por falecer, também, alguns dias depois e o miúdo ficara lá durante mais um ano e meio, até que eles apareceram.

Nicholas tinha três anos, cabelos extremamente pretos e olhos cinzentos¹ que perscrutaram os dois homens timidamente.

Harry avançou e baixou-se até ficar quase da mesma altura do rapaz.

- Olá, Nicholas. – disse, gentilmente. O rapazinho aproximou-se da perna de Miss Popkin e fitou-a temerosamente. Draco sentiu-se tentado a estalar os dedos.

- Podes responder, Nicholas. Eles são amigos. – a mulher baixou-se também e olhou o menino nos olhos – Lembras-te do que falamos lá dentro e que temos falado nestes dias? – Nicholas afirmou lentamente com a cabeça.

- Er… e então, Nicholas… – Harry clareou a voz – Quantos anos tens? – o menino levantou um dedo.

-T'ês! – Harry sorriu e levantou mais dois dedos da mãozinha do pequeno ser. – Como te chamas?

- Harry.

- E aquewe? – disse, apontando para o loiro.

- Aquele é o Draco. – aproximou-se mais do rapaz e sussurrou – É um rabugento. – e piscou-lhe o olho.

- Hey! – refilou o loiro; Nicholas sorriu.


- Dlaco, 'tou com medo… - disse uma voz chorosa, ao que Draco virou o seu olhar da televisão para o seu filho, que agarrava a sua almofada.

- Com medo de quê, Nick? – perguntou enquanto se levantava até ao pequeno.

- Do esculo. – o loiro abaixou-se.

- Mas o escuro não faz mal nenhum, Nick. – desviou-lhe a franja dos olhos. – Anda. – e pegou-o ao colo, levando-o até à cozinha.

Quando lá chegou viu-se obrigado a fechar a janela. Chovia quase torrencialmente e tinha alterado o clima de forma bastante acentuada, obrigando-os a ligar a lareira para que o fogo aquecesse o ambiente.

Com um movimento da sua varinha, fez aquecer duas canecas com chocolate quente e levitou-as até à sala. Harry roncava no sofá com os óculos tortos, o que fez Nicholas gargalhar.

- Chiu, que se ele acorda fica chato! – gozou. – Toma. – Nick aceitou a caneca e começou a beber, sujando-a boca toda.

- Dlaco, és o meu papá agowa? – o loiro bebeu um golo do seu chocolate enquanto ponderava na resposta que daria; Harry parou, lentamente, de roncar.

- Mais ou menos, Nick.

- Mas eu vou mowar sempe contigo e com o Haly, não vou?

- Claro, que sim. – o loiro sorriu e abraçou-o ternamente. Repentinamente, Harry mexeu-se e olhou-os, sorrindo.

- Que maus que vocês são, nem me trouxeram uma caneca de chocolate…

- Podes bebê um 'cadinho do meu! – Nicholas gritou enquanto estendia a caneca ao moreno, que saiu do sofá e lhe deu um beijo na bochecha, enquanto abraçava Draco. Se estava frio, nenhum dos dois sentiu, porque além da lareira acesa, estavam os três demasiado felizes para tal.

FIM


¹ - Eu sei que fica, de certa forma, uma mistura dos nossos rapazes giros, mas não tinha a intenção de que ele ficasse parecido com o Draco/Harry, mas sim que ficasse fofo e eu acho-o extremamente fofo ^_^

N.A: Obrigada a todos aqueles que de alguma forma ajudaram na fic, incluindo a Diana, a Just (sim, sim!), a Agy, a Dark (as vossas opiniões ajudaram-me, meninas!).

N.A²: Esta fanfic foi escrita já à alguns anos atrás, para o I Challenge de Adultério do site Aliança 3Vassoura (já fora do ar).