9 anos


SURPRESA:

Substantivo feminino.

Ato ou efeito de surpreender(-se). Aquilo que surpreende. Acontecimento imprevisto; sobressalto. Prazer inesperado.


No meio do outono daquele ano eu participei da minha segunda briga enquanto você aprimorava o seu talento recém descoberto, o desenho.

Estávamos no parque a dois quarteirões de casa, estava totalmente coberto de folhas e você estava recostada numa árvore com o bloco especial no colo. Você tinha dois blocos de desenho, me lembro bem deles, o bloco especial era o que você nunca me deixava ver.

Eu estava lá, somente com você. Não me importava de ficar fazendo nada apesar de estar fazendo alguma coisa. A árvore em que você estava recostada ficava perto da quadra e eu estava lá com a minha bola de basquete fazendo dribles em mim mesmo e, ocasionalmente, tacando a bola até o cesto. Ela batia na tabela de tinta descascada e não entrada. Uma hora a minha bola bateu na tabela e correu quadra a fora caindo na beira rasa do lago. Alguns garotos estavam velejando barquinhos de papel. Deveriam ser apenas um ano mais velhos que a gente. Minha bola afundou um dos barquinhos deles.

Era tarde demais para correr. Eles estavam perto de mim quando eu vi o que tinha acontecido. Eram três garotos e eu tive que afundar justo o barquinho do maior deles.

- O que é que você tem na cabeça, idiota? – ele me perguntou cerrando os punhos.

- Foi mal, não vi seu barquinho de papel – respondi indiferente. Ser sério e impassível com coisas assim era um traço genético – Pense que foi um meteoro que atingiu ele.

- Meteoro? Tá de brincadeira comigo?

Dei de ombros e virei às costas pretendendo pegar minha bola voltar pra junto de você. Má idéia.

- Espera aí, ouriço – ele me puxou pelo ombro e virou meu corpo. A última coisa que eu vi antes de cair para trás foi um punho imenso demais para meu nariz me atingir na bochecha – Quero outro barquinho!

- Faça outro – me levantei.

- Você destruiu, faça um novo pra mim.

- Hum – tentei dar-lhe as costas de novo, mas sabia que ele não me deixaria ir tão facilmente e quando eu senti sua mão em meu ombro novamente já estava preparado.

O acertei bem em cheio na barriga fazendo-o se dobrar. Os amigos dele me empurraram e eu me levantei depressa, acertando um e depois o outro, ou os dois juntos. Era uma desvantagem de número e força, mas quem disse que eu me importava? Aos nove anos eu só gostava demais da sensação do meu punho se chocando com um maxilar. A nossa luta estava indo bem. Ninguém vinha apartar, ninguém se intrometia e você estava longe e entretida o suficiente com seu livro de desenhos especial para se preocupar com o que eu estava fazendo.

Eu caí sobre o braço direito. Uma dor aguda me atingiu de tal maneira que eu não pude conter o grito. Ecoou pelo parque, fez os garotos pararem de me atacar e ficarem preocupados e fez você perceber que eu não estava por perto.

- Acho que ele quebrou o braço – disse um dos garotos.

- Vamos embora daqui! – eu não faço idéia de qual deles falou o que, estava atordoado pela dor. Pra mim era sofrimento demais para um corpo tão pequeno.

Eu fiquei lá estirado na grama, com o braço sobre a barriga, arfando e com as lágrimas escorrendo pelo meu rosto até Hinata chegar e se debruçar sobre mim, mas sem encostar-se a nada.

- Sasuke, céus! Sasuke! – acredito que você ficou chamando meu nome mais para convencer-se de que realmente era eu ali estirado do que para chamar minha atenção.

- Tá doendo, Hinata! – eu disse num grito estrangulado.

- Vou correr até em casa, vou chamar seus pais ou o meu pai! – ela levantou-se, o material de desenho dentro da bolsa ficou ao meu lado – Volto logo, Sasuke!

Você deve ter corrido muito rápido, porque realmente voltou logo. No meio tempo que se passou entre você ir até em casa e voltar com meu pai dentro do carro dele eu fiquei tentado a estender o braço e pegar seu caderno de desenhos especiais para saber o que tinha lá. Daí eu lembrei que meu braço estava quebrado. Uma coisa me confortava: eu tinha caído sobre um monte de folhas de tons marrons e alaranjados e sobre mim tinha as árvores com folhas do mesmo tom. Sorri com isso e depois tive uma agulhada de dor. Olhei para o lago e a fraca correnteza arrastava minha bola laranja de basquete.

- Sasuke! – era a voz do meu pai, preocupado – Vem cá, campeão!

Ele me pegou no colo tomando cuidado com meu braço, você ao seu lado. Você abriu a porta do carro e sentou-se ao meu lado no banco traseiro. Seus dedos finos e pálidos – já haviam perdido a coloração dourada do verão – enlaçaram os meus da mão esquerda. No hospital você ficou comigo o tempo todo, porque eu simplesmente me recusava a soltar sua mão. Voltamos pra casa com o gesso colocado, sem fazer perguntas por parte sua ou do meu pai. Eu iria contar para ambos como aquilo acontecera somente anos mais tarde.

Durante o resto do dia você ficou comigo no meu quarto. Eu deitado na cama e você desenhando. Daquela vez não era o bloco de desenhos especial e, quando você terminou o desenho que fazia, virou-o para que eu pudesse ver. Era um desenho de mim mesmo deitado no chão do parque, uma lágrima pendurada na bochecha e um sorriso no rosto e você correndo atada na bochecha e um sorriso no rosto e vocsse ver. cama e vocarto. aquilo acontecera somente anos mais tarde. u do meu pai. e pegar seu caderno de desenhos especiarvore com papel higi senhora. Todos os garotos, no Dia das Bruxas, adoravam pregar peças na casa dela, cobrindo a sua s casas, é mim. Não foi o seu melhor desenho, naquela época você ainda tinha a mão mole e os traços eram tortos e meio disformes. Você fez aquele desenho pra mim outra vez no meu aniversário de quatorze anos e aquele sim estava perfeito.

Você ficou comigo no meu quarto ou comigo sentada sob a árvore que divida nossas casas todo o outono e fez um desenho engraçado de nós dois no meu gesso. Na escola, como era meu braço direito, eu não pude escrever por um bom tempo e você fazia questão de fazer as anotações pra mim e pra você. Eu gostava da sua letra de artista no meu caderno, entre os meus garranchos.

Quer saber uma coisa que eu sempre gostei em você? O fato de ser ambidestra. O primeiro desenho de mim com o braço quebrado você fez com a mão direita. O segundo, com a mão esquerda. Mas você só usava a esquerda quando queria desenhar muito bem. Para desenhar no bloco especial era sempre a mão esquerda.

Naquele outono você finalmente descobriu o que iria fazer para o resto de sua vida e que se dedicaria totalmente: o desenho. Eu não estava tão convencido assim quanto a meu futuro, aliás, nunca estive. Não é a toa que dizem que as mulheres amadurecem mais rápido. Mas assim que meu braço ficou totalmente curado, no fim do inverno, eu comecei a praticar muito basquete.

- Isso não é perigoso, Sasuke? - você me perguntou toda preocupada, o bloco de desenhos comum no colo, pois eu tinha acabado de retirar o gesso. Nós dois estávamos na minha varanda àquela noite. Fazia frio.

- Não, vai ser legal - eu respondi todo animado - Assim eu não quebro mais o braço. Sabe, treinar vai deixar meus ossos mais fortes.

- Você pode se machucar de outra forma.

- Eu não me importo com isso.

Você suspirou e voltou para o desenho.

- O que você está desenhando agora?

- A Sra. Wahin está me ensinando a desenhar folhas perfeitas - eu me debrucei pra ver os desenhos de várias folhas caindo pelo papel branco, folhas de toda sorte.

- Pra que serve desenhar folhas?

- Para fazer um bom plano de fundo - você me sorriu - Pra que serve jogar basquete?

- Para poder ser o melhor da NBA - eu respondi de imediato - E ficar forte para proteger você.

Nós dois coramos na sacada e encaramos lugares opostos.


Nas férias de inverno, próximo ao Natal, daquele mesmo ano aconteceu uma coisa diferente dos nossos outros invernos. Você foi viajar passar duas semanas na casa da sua avó. E eu fiquei em casa, sozinho, às vezes segurando minha bola de basquete entre as pernas em meio à neve sob a árvore sem folhas esperando você voltar. Não tinha graça fazer bonecos de neve sozinho ou anjos de neve, porque sem a sua ajuda para levantar eles nunca ficavam perfeitos. A única coisa que me animou naquele inverno foram os treinos que me faziam esquecer por algumas horas que você não estaria em casa, com o caderno de desenho, quando eu voltasse.

Cada minuto pareceu demorar horas para passar naquelas duas semanas. Mas eu voltei do parque um dia, onde estava jogando basquete com outros garotos mesmo a pista estando escorregadia e nossos pulmões ficarem ardendo por inalar aquele ar gelado, e minha mãe me chamou assim que eu cheguei:

- Sasuke, querido - a voz vinha da cozinha e eu fui até lá. Minha mãe sorria - Chegou uma carta pra você, coloquei em cima da sua escrivaninha.

- Tudo bem - não me importei muito. Normalmente as cartas que eu recebia eram coisas idiotas de meninas que se diziam apaixonadas por mim ou bilhetes para lutar com algum garoto.

Quanto as primeiras eu lia e depois tacava fora. Eu nunca gostei de todo aquele assédio, então não tinha porque guardar aquelas cartas cheirando a perfume de velho. As segundas eu também lia, coisas de garotos idiotas que não tem mais o que fazer e acreditam que as coisas somente são resolvidas a essa maneira, às vezes eu aceitava e mandava uma resposta, às vezes somente jogava fora porque eu sabia que era um oponente forte demais pra mim.

Mas então minha mãe soltou a bomba que me fez subir as escadas pulando três degraus por vez:

- É da Hinata.

Cheguei ao meu quarto arfando um pouco pela subida, mas lá estava ela, em papel azul-claro e era mesmo sua letra artística escrita com a mão esquerda. Abri com cuidado e de dentro eu tirei um papel do mesmo tom do envelope e um desenho. O desenho mostrava uma casa muito grande, era a parte de trás da casa, e tinha um lago, mas ele não estava congelado, tudo a sua volta estava coberto de neve e você tinha um cachecol vermelho esvoaçante e o um pôr-do-sol. Você estava sentada num pier e ao seu lado tinha alguém de cabelos compridos. Ambos estavam de costas olhando o pôr-do-sol.

A carta dizia:

"Sasuke,

Está tudo bem com você? Jogando bastante?

Por aqui as coisas estão bem legais, mas eu sinto muitas saudades de você. Quero voltar logo pra casa, apesar de adorar a minha avó. Ainda bem que só vou ficar aqui por mais uma semana.

Te mandei um desenho para você ter uma noção de como é tudo muito bonito aqui. A pessoa do meu lado no pier é o meu primo, Neji, ele é um ano mais velho que a gente.

Você terá uma grande surpresa quando eu voltar, Sasuke.

Com muitas saudades,

Hinata".

Não foi uma carta longa, não precisava ser. Nós, desde sempre, aprendemos a nos comunicar com poucas palavras. Somente o necessário. Eu fiquei muito feliz ter tê-la recebido, mas não gostei da parte sobre o seu primo, especialmente por você tê-lo desenhado junto com você. Talvez eu tenha pensado que ele fosse uma ameaça para nossa amizade, hoje já não me lembro bem.

Uma semana depois eu passei o dia em frente a nossas casas, entre as raízes da nossa árvore e me levantei de um salto quando ouvi o ronco do seu carro virando a esquina. Ele se aproximou cada vez mais e o meu sorriso foi alargando e alargando. Seu pai estacionou e a primeira porta a abrir foi a de trás. Meu coração acelerou demais. Mas não foi você que saiu daquela porta, foi um garoto de olhos parecidos com os seus, mas mais escuros e com os cabelos compridos, o rosto sério, de mãos dadas com a sua irmã de agora três anos. Ele me encarou e eu o encarei de volta.

"Então esse é o tal Neji" pensei "O que diabos ele faz aqui?".

Não tive tempo de pensar numa resposta. A porta do outro lado do banco traseiro bateu e você deu a volta no carro ficando frente a frente comigo a alguma distância. O sorriso voltou para o meu rosto enquanto eu observava suas bochechas intensamente vermelhas. Você vestia um jeans e uma blusa de lã de gola rulê sob um grosso casaco também branco. Você se confundia com a neve e chegava a arder os olhos.

Como da primeira vez que eu a vi, você brilhava.

Em um impulso você veio correndo pra mim e passou os braços agarrando meu pescoço enquanto eu te apertava as costas. Estávamos mortos de saudades um do outro.

- Nunca mais quero tirar férias longe daqui - você sussurrou ainda abraçada a mim com a voz embargada de choro.

- Eu não vou deixar.

Eu ouvi quando mais uma porta bateu. Seu pai havia saído do carro e fora até o porta-malas buscar as coisas, soltava nuvenzinhas de fumaça pela boca. Também ouvi Neji se aproximando dele e perguntando:

- Esse é o Sasuke Uchiha, tio Hiashi?

- É, esse é o Sasuke - acho que seu pai sorriu, porque sua voz era divertida - É o melhor amigo da Hinata.

Quando nos soltamos seu pai já carregava as coisas para dentro de casa. Hanabi o seguia como um pequeno bolo de roupas de frio, mas Neji ficara para trás, recostado no carro, observando-nos com cara de poucos amigos.

- Qual é a surpresa, Hinata? - perguntei curioso.

Você sorriu e segurou minha mão me puxando para perto do seu primo. Neji se mexeu incomodado e desencostou-se do carro, cruzou os braços.

- Sasuke, esse é... M-meu primo, Neji. Neji, Sasuke é meu me-melhor... Amigo – você sempre gaguejava com outras pessoas que não eu, mas eu estava com tantas saudades que parecia fazer séculos que eu não ouvia você gaguejar daquele jeito.

Nenhum de nós dois disse qualquer coisa e naquele momento eu pensei que Neji foi à pior surpresa da minha vida, fora o meu pior presente de Natal de todos. Olhei pra você para dizer que era uma pegadinha e rir da cara de bobo que eu fiz, mas você fez uma coisa pior:

- Neji v-vai... Morar com a gente, Sasuke.

Aquilo me acertou como uma pedra e foi quase tão ruim quanto quebrar o braço de novo. Senti-me caindo em um buraco muito, muito profundo. Neji sorriu de lado com a cara que eu fiz, mas continuava sério. Eu o encarei e recebi seu olhar cinzento de volta. A partir daquele momento nós nos tornamos amigos, mas não muito. Até o fim do inverno a sua casa entrou em reforma para criar-se mais um quarto para acomodar Neji. A partir dali nossas casas já não eram mais tão iguais assim, pelo menos no primeiro andar. Nossas sacadas permaneceram juntas.

Ao longo dos anos que se seguiram eu e Neji ficávamos juntos tentando sermos os mais prestativos possíveis para com você, às vezes chegávamos a disputar tanto que esquecíamos que você estava lá. Praticávamos basquete juntos e às vezes chegávamos a lutar, essa foi uma das poucas coisas que eu gostei e achei vantajoso Neji ter se mudado para a casa dos Hyuuga. Às vezes eu e Neji estávamos tão interessados em somente fazermos coisas brutais de garotos que acabávamos colocando você de lado. Você saia de fininho, entrava em casa e subia as escadas rumo a seu quarto e sentava-se em sua poltrona de frente para a sacada desenhando em seu bloco especial. Mas nunca reclamava por ser excluída, nem ficava aborrecida. Eu sabia onde você estava então dava uma desculpa qualquer para Neji e corria para o meu quarto, pulava a sacada e sempre te assustava por estar concentrada demais. Você me sorria levemente, abria a porta da sacada e deixava que eu ficasse lá com você, em silêncio, sentado no chão e recostado em sua cama, somente ouvindo o ruído do lápis riscando o papel. Você me repreendia quando eu tentava espiar os desenhos do bloco especial, então você parava de desenhar e colocava o bloco de lado, se sentava ao meu lado e ficávamos conversando e rindo de coisas muito bobas. Nossas conversas eram as mais diversas e as mais legais.

Um problema de Neji vir morar na sua casa e passar o tempo com a gente foi que não conseguíamos ficar sozinhos tão freqüentemente sentados conversando sob a nossa árvore. Conversávamos todas as noites um na sacada do outro, mas nossas freqüentes conversas sob as folhas amareladas da árvore no outono foi uma das coisas que eu mais senti falta.

Nós três íamos à casa da Sra. Wahin, no verão, e nadávamos, Neji nos ajudava a cortar a grama e a recolher as folhas. Antes de irmos embora você corria para dentro e, enquanto eu e Neji nos secávamos e tomávamos limonada, você e a Sra. Wahin ficavam trocando técnicas de desenho.

- Você está indo muito bem, Hinata - ela dizia e você abria o maior sorriso de todos e ficava encantadoramente corada - Venha amanhã para eu lhe ensinar a desenhar penas.

O inverno terminou, passou-se a primavera e então o verão terminou e aquele era o nosso último ano na escola primária antes de entrarmos na escola secundária. Aquele também era o primeiro ano de Neji na escola secundária.

Na quarta série entrou um novo aluno na nossa sala, foi como se fosse a segunda surpresa, a primeira tinha sido Neji. Ele tinha os cabelos loiros e olhos azuis e eu lembro que você ficou muito envergonhada quando ele veio, com um sorriso de orelha a orelha, sentar ao seu lado e quando você quase desmaiou quando ele pediu um lápis de colorir emprestado. Ele sempre era muito simpático com todos, mas pra mim ele queria era alguma coisa a mais com você.

Eu e Naruto Uzumaki não nos gostamos logo de cara, mas diferente de Neji a qual eu simplesmente acabei me acostumando com o jeito sério e reservado dele com o tempo.

Numa tarde do início do outono daquele ano fomos ao parque, eu, você e Neji. Já fazia um ano que, naquele mesmo lugar, eu tinha quebrado o braço e você tinha feito aquele desenho pra mim. Enquanto eu e ele estávamos jogando, você estava estudando para alguma prova que teríamos. Era um milagre não estar desenhando.

- HINATA! - uma cabeça loira vinha correndo beirando o lago. Um largo sorriso no rosto e a mão levantada. Seu rosto ficou tão vermelho quanto eu jamais o vira ficar e você levantou a mão cumprimentando-o de volta.

- Quem é esse? - Neji interrompeu parou a bola laranja para me perguntar. Havia gostado de Naruto tanto quanto eu.

- Naruto Uzumaki, ele é da nossa classe.

Ele se aproximou e passou por nós lançando um olhar que, ao se chocar com o meu só faltou soltar faíscas. Passou reto e foi se sentar ao seu lado. Vocês conversaram brevemente alguma coisa que eu e Neji não pudemos ouvir e depois Naruto colocou as mãos atrás da cabeça e fechou os olhos enquanto você voltava a estudar.

Quando ficou tarde e eu e Neji já estávamos suados o suficiente, nos aproximamos de vocês, que voltaram a conversar depois de Naruto tirar um cochilo.

- Temos que ir, Hinata - disse Neji e você começou a guardar suas coisas.

- Mas já, Hinata? - perguntou Naruto - Onde é que você mora?

- A du-duas... Quadras daqui - eu sorri convencido, mas ninguém percebeu. Junto com o sorriso veio o pensamento:

"Comigo ela não gagueja, idiota!".

- Eu moro do outro lado do parque - Naruto se levantou e eu estendi minha mão que você aceitou e eu te puxei. Você sempre foi incrivelmente leve - Posso ir te visitar?

- Não! - eu e Neji respondemos em uníssono.

- Eu perguntei pra ela, se liga! - Naruto nos olhou irritado e depois se voltou pra você de novo - E então, Hinata?

- Cla-claro.

- Legal! - ele começou a se afastar, mas não sem antes mostrar a língua pra mim e pro Neji de uma maneira bem infantil.

Fomos pra casa fazendo o trajeto em silêncio.

Naquela noite, depois que todas as luzes estavam apagadas, eu pulei a sacada e sentei-me na sua, recostado ao beiral. Pouco depois você se juntou a mim e ficamos conversando banalidades como sempre.

- Você não gosta dele, não é? - você me perguntou abraçando as próprias pernas. Eu não precisei perguntar quem.

- Não - respondi - Ele sorri demais.

Você soltou um risinho baixo, sabia que era a pior desculpa que eu poderia dar. Estendeu as pernas e sinalizou para eu deitar ali, coisa que o fiz de primeira. Ficamos olhando pra cima e continuamos a conversar observando o céu sem lua.

- Acho que vocês vão ficar amigos.

- Até parece!

- Não duvide de mim, Sasuke.

- Mas isso é absurdo.

Você me olhou com as sobrancelhas franzidas e ali terminou a discussão.

No ano seguinte a sua "profecia" se concretizou quando entramos no secundário. Eu e Naruto nos tornamos amigos, ainda mais amigos do que eu e Neji, apesar das brigas que sempre tínhamos. Naruto Uzumaki passou a ir a minha casa freqüentemente, mas não tão freqüentemente quanto à família Hyuuga e menos freqüentemente ainda que você. Nós praticamente vivíamos na casa um do outro. E quero dizer eu e você, não eu e Naruto.

Passamos pelo primeiro constrangimento com a nossa família, a formatura do primário. Neji era o encarregado de cuidar de Hanabi que sempre dava um jeitinho de fugir dele e se esconder, seu pai fez questão de cumprimentar todos os nossos professores e minha mãe não parava de tirar nossas fotos com a roupa verde de formandos. Quando Naruto se aproximou ela ficou ainda mais encantada e começou a gritar:

- Juntem-se para mais uma foto! – eu quase fiquei cego com o flash aquele dia.

Meu irmão Itachi parecia estar entediado ali e não parava de olhar para uma garota de cabelos vermelhos irmã de algum de nossos colegas ou alguma coisa assim. Hoje eu tenho uma idéia de pra onde ele deve ter ido quando sumiu no fim da formatura e voltou com uma marca de batom que ele tentava disfarçar na gola da camisa. Mas o que me deixou com o peito mais estufado foi meu pai vindo até mim, ajoelhando-se para ficar da minha altura, afagar meus cabelos e dizer:

- É isso aí, campeão! – ele levantou-se e passou o braço em volta dos meus ombros enquanto íamos para o carro para voltar pra casa para o churrasco de fundo de quintal em comemoração.

Eu tenho uma foto dele fazendo isso. Foi o único momento daquele dia em que eu não amaldiçoei minha mãe por estar andando pra cima e pra baixo com aquela maquina fotográfica dos infernos.

-

-

-

Olá! o/

Agora sim Sasuke e Hinata começam a interagir com outras pessoas, com a chegada de Neji e Naruto. No próximo capítulo os teremos no secundário e aí sim as coisas vão ficar mais dinâmicas. Agradeço a todos que estão acompanhando e pelas reviews, estão me ajudando muito. Obrigada.

Sasuke briguento, Naruto animado, Hinata com seu amor platônico e Neji super protetor!

AGRADECIMENTOS:

Kiah-chan, Tiago, Nylleve Cullen, Persephone Spencer, Uchiha Hina, FranHyuuga, Hanari, Luu-saan, Toph-baka², Guino Mio, Lineeeh-Sabaku no Gaara kawaii, Erica W. M. e Pink Ringo.

Quantos anos o Sasuke tem ao contar a história?

Bem, Luu-saan, isso eu só vou poder revelar no final da fic e o porquê também será revelado lá, mas não se preocupe, eu estou me esforçando pra fazer os capítulos o mais rápido possível, já tenho escrito até os 13 anos, assim eu não tenho que demorar tanto pra postar. Desculpe não poder responder sua pergunta.

OBRIGADA POR LEREM!

Beijos, Tilim!