When a Good Man Goes to War

Nem sempre é posssível se reconstruir depois de ver tanta dor e destruição. Charlie era valente, gostava de aventuras, gostava do perigo. Não teve a menor dúvida sobre o que deveria fazer, trabalhou arduamente em prol da causa deles, contra Voldemort.

Não hesitou em sair no meio da noite para a Inglaterra, pronto para acabar com o horror que oprimia a tantos. Não teve medo. Não refletiu fortemente. Chegou já no meio da luta, mas isso não era problema. Ele era bom em estratégias, e por mais fortes que gigantes fossem, eles ainda eram mais frágeis que dragões.

Tinha esperança em um mundo melhor. Mas os corpos de seus amigos, de seu irmão, no Salão Principal eram uma forma dolorida de dizer que mesmo a vitória jamais seria completa. Os inocentes mortos, as crianças sem pais. Os pais sem crianças.

Mesmo muito tempo depois, aquelas imagens ainda o perseguiam. No fundo de seu coração, estava sempre se preparando para a próxima ameaça, a próxima guerra, a próxima destruição. A paz que os outros alcançaram não o tocava. Não desejava uma vida simples, que pudesse ser destruída ao toque de uma mão amaldiçoada.

Como poderia dividir algo com alguém, sabendo que a qualquer minuto poderia acabar? Sequer era bom em partilhar as coisas. Era um bom homem, sim, mas não era um companheiro. Era solitário, e isso se tornou ainda mais acentuado com toda aquela luta que permanecia no fundo de seus olhos castanhos.

Ele nunca mais conseguiria sonhar.