Capítulo 4 – "Elas chegarão a um ponto em que você vai se sentir bastante satisfeito com o resultado."
O doce cheiro de Cheddar.
Algumas coisas deveriam ser imortalizadas, como Parmesão.
Imaginem um perfume que te deixa com cheiro de Nachos, você com certeza nunca ficará mais sozinho nas noites de sábado.
Derek não conseguiria dormir aquela noite de tanto pensar no sabor de salgadinhos que a fonte traria em troca da dita informação.
"... Você quer um chips?" Stiles arqueou uma sobrancelha, olhando-o de esgueira.
Derek retrucou dizendo que, se ele quisesse, podia trazer dois.
"Você é ridículo." Bufou o garoto.
A 'carta na manga' já em jogo era a única coisa que deixava Derek confiante de que ele havia conseguido convencer Stiles, então agora era escolher qual tipo de sabor ele preferia.
Aparentemente a Fonte estava correndo atrás a tempos de uma pequena informação sobre o veneno que foi encontrado no organismo de um dos detentos que ficara doente e falecera. Derek aparentemente tem tanta cara de homicida que chamou alguém que conhecia o cara que havia vendido o veneno para um outro detento com quem o falecido havia tido uma discussão feia sobre preconceito racial.
Coisas bem interessantes acontecem quando se trabalha na lavanderia.
"Doritos." Ele saboreou o nome na ponta da língua, provavelmente lembrando o gosto.
"Chega," O mais novo pediu cansado, " Você está me desapontando de novo." Terminou colocando as mãos na cintura lançando um olhar reprovativo para o presidiário sentado á cama.
"Lei do consumidor." Derek apontou esperto, metido, "Direito ao produto pago." Ele ergueu um dedo, sorrindo maliciosamente, seus olhos fechados e braços se fazendo de travesseiro na parede.
Ele estava prestes a voltar á uma lista enorme de sabores, e ficar perdido em qual seria a mais apreciada, quando ouviu uma batida ensurdeçedoramente alta, pelo menos para seus ouvidos. E foi quando notou que vinha logo ao lado de sua cabeça. Ele então viu uma bola de vidro quicando no chão em direção á parede oposta e quicando mais algumas vezes em velocidade rápida como um torneiro profissional de pingue-pongue.
Derek teve que participar de um quando mais novo, uma experiência nada legal.
A bola quicou mais algumas vezes, quase acertando o presidiário mais de uma vez e quando ela bateu em um ângulo no canto do teto ela começou a perder a velocidade.
Stiles não se atrevera a falar nada, olhava para Derek enquanto escondia uma risada em uma expressão de irritação.
Assim que o pequeno objeto redondo parou de se bater o suficiente para que Derek pudesse pegá-la no ar sem se machucar, ele notou o que de fato o menino havia jogado em sua direção.
"Errei." Ele deu de ombros, deixando transparecer um pouco mais a risada presa entre os lábios.
Uma... bola de gude.
"Isso podia ter feito um grande estrago." O mais velho franziu. Era fato. Aquelas pedras de brincadeiras infantis eram mais perigosas que de fato pareciam. Era como se aquele garoto pretendesse fazer sérios danos no corpo trancado ao lado de dentro da grade.
Stiles revirou os olhos e retirou um envelope de seu bolso e colocou-o no chão, próximo á seus pés.
Ele ficou agachado na posição, com dois dedos encima do lacre mal feito com cola barata.
"Agora cala a boca e presta atenção." Ele voltou ao assunto com uma voz menos séria.
Derek cruzou os braços e encarou, esperando. Não que ele estivesse obedecido uma ordem que o moleque havia dado, não, ele apenas estava curioso.
Derek tinha 15 anos quando sua mãe finalmente havia parado de chamá-lo de 'pequeno curioso', o que, sério, é um apelido ridículo. Mas então, mães.
Stiles usou seus dois dedos para dar impulso ao envelope por de baixo das grades e o pequeno acúmulo de volume fez sua velocidade e locomoção mais eficiente assim fazendo com que ela parasse exatamente onde ele queria: Próximo aos pés da cama.
Derek não se moveu. Arqueou uma sobrancelha e apenas voltou sua atenção ao mais novo, que fazia basicamente a mesma coisa do lado de fora dos bastões de ferro.
Ele enfim se cansou e então pegou o envelope do chão.
Ele virou-o duas vezes antes de abri-lo, o que recebeu um suspirar impaciente em resposta. Derek o ignorou e terminou por arrancar o lacre de maneira exageradamente bagunçada.
Stiles passou ambas as mãos pelo rosto e suspirando uma última vez como se Derek estivesse sendo a pessoa mais estressante com quem já teve de lhe dar na vida, ele olhou para o teto perguntando por que ele e voltou ao assunto.
"Dentro desse envelope tem cinco laços." O garoto comentou sobre o conteúdo entre os dedos do detento assim que ele começou a estuda-las.
Ele colocando as mãos no bolso de seu moletom, abaixando a voz e sussurrando alto o suficiente para Derek ouvir o comando de chegar mais perto.
Quando o mais velho se aproximou ele agarrou uma das barras de metal para se apoiar e a Fonte afastou alguns bons passos para uma mais segura distância, fazendo Derek franzir percebendo o desconforto e uma falha em relação ao sistema de total controle e domando que o mais novo fizera questão de mostrar que possuía através de palavras e ações.
Stiles... Era um bom ator.
Ou tinha um estranho transtorno de personalidade.
Tentando esconder o que acabara de acontecer, o moleque ergueu o queixo apontando para o envelope novamente, cortando o rumo de raciocínio que corria em Derek. Uma mistura da curiosidade eterna que tinha e de algo mais... sério.
O garoto tossiu em um de seus punhos e continuou com o que parecia ser o começo de uma explicação.
"Cada um de meus informantes tem uma maneira diferente de me mandar sinais." Ele começou, erguendo uma mão. "Pode ser em forma de pequenos símbolos desenhados na parede, ou um apetrecho de roupa diferente, um ou outro que simplesmente me informa através de pequenas frases sem sentido," Ele explicou, "Eu tenho um que me informa através de cortes pelo corpo, como eu fui me meter com um ser desses, eu não faço ideia. Mas enfim," Ele engoliu o resto de nervosismo e andou dois passos á frente se aproximando mais do envelope nas mãos do mais velho.
Derek pensou em estender a mão para fora das grades, mas parou no meio da ação com medo de fazer Stiles se afastar de novo. O que estava começando a ficar estranho, porque Derek estava literalmente mentindo para que os outros presidiários se afastassem e justamente a pessoa á quem ele não pode nem pensar em se aproximar, era a única pessoa que ele parecia não se importar com uma aproximação.
Sua vida, sério.
"Cinco cores diferentes, cinco significados diferentes." Stiles continuou.
Todas as fitas eram do mesmo tamanho e largura, mas cada uma com uma coloração diferente da outra.
A amarela, por exemplo, significava que você ainda estava sem nenhuma informação, a Fonte explicou. "Você deve amarrá-la em uma das barras de ferros, assim, quando eu passar pela sua sela, eu vou notar se você tiver pronto ou não para uma troca."
"O Azul quer dizer que você encontrou algo, mas não quer trocar ainda." Sua voz suavizou e ele gesticulou com uma das mãos. "Não sei se você sabe, mas a qualidade da informação afeta a troca. Então talvez você queira trocar por algo melhor que um bendito chips na próxima com uma informação mais detalhada." Ele o olhou com as sobrancelhas repreensivas.
"Ei, eu tenho meus motivos." Derek de fato tinha um, não que o mais novo merecesse.
"De qualquer maneira," Ele continuou ignorando a quebra de assunto, "Vermelho, informação pronta. Preto, você está em perigo. Branco, você quer desistir." Apontou para cada um.
"Como assim-" Derek ia começar a perguntar, mas o mais novo, aparentemente já deduzindo qual seria a pergunta, respondeu em seguida.
"Quero deixar claro aqui uma coisa antes de você aceitar fazer parte dessa negociação," Ele aproximou-se e, encarando profundamente os olhos do detento, ele disse, "Eu não sou o único trabalhando com trocas nesse lugar." E após alguns segundos encarando um ao outro, ele completou, "A nossa diferença, é que eu não ligo de ter competição.".
Derek ficou calado, estudando os olhos do mais novo, inesperadamente perto da sua, separados por uma parede de ferro. Ele absorveu a informação e deduziu o resto.
Os sócios eram alvos.
"Então a fita branca," Ele retirou os olhos dos do mais velho, para olhar a dita fita na mão estendida, "É em caso de você desistir de tudo.".
O presidiário franziu, refletindo sobre sua vida e sobre suas ações enquanto encarava as fitas em sua mão. Ele estava preso temporariamente, sem provas concretas de que ele era o assassino de sua própria irmã, ele não ficaria muito mais tempo. Então... Porque se arriscar? Era só preciso tempo, e teimosia. Ele iria treinar sua ignorância, malhar, se exercitar, comer a comida de sempre, conversar pequenos assuntos não pessoais com os detentos menos chatos, e quando ele for embora, ele estaria livre para caçar seu maldito e desgraçado parente familiar.
Ou ele podia correr o risco e ser pego ajudando um menor de idade á identificar assassinos dentro de uma prisão estadual em troca de objetos da sua vida cotidiana.
Derek preferia a primeira opção, mas...
"Eu tenho um problema muito grande com curiosidade," Ele suspirou, fazendo Stiles se surpreender com uma risada. "Sério, isso não é saudável."
"Nem um pouco," O mais novo concordou, sorrindo cativantemente enquanto balançava a cabeça.
Derek ainda estava pagando sua punição trabalhando na lavanderia, ele via a máquina de secar bater, enquanto outros detentos enchiam outra máquina com roupas sujas. Elas trabalhavam apenas 4 horas por dia, e Derek ficava pensando se a chuva do lado de fora incomodaria muito uma seção de academia depois do almoço. Ridículo ver o número de homens que não querem de exercitar por causa de uma chuva, todos se refugiando na parte de dentro ou no refeitório com um baralho de cartas ou qualquer que seja que ocupem eles.
Ele viu dois detentos entrarem pela porta da lavanderia, e um deles gritou algo sobre precisar de uma vassoura. Enquanto outro o entregava-a, Derek notou o segundo detento, que entrara junto com o primeiro, andar em direção á parede, mas ele não percebeu exatamente o que houve, ele apenas ouviu um pequeno barulho chamando a atenção de todos no local.
Mal aí, ele comentou coçando a cabeça olhando para o produto de limpeza espalhado pelo chão.
Velho! Isso aí era novo! Gritou um dos que estava temporariamente trabalhando junto com Derek, alguma coisa sobre ter cuspido na comida de outro detento. Mas talvez ele só tenha feito isso para ser colocado na lavanderia de novo, porque, de acordo com George da cozinha, ele costumava trabalhar em uma clínica médica e se sentia bem por lá.
Relaxa ô, foi um acidente. Disse o segundo detento, recolhendo a embalagem do produto já pela metade no chão.
Fala isso pro Xerife que compra essa porra com o dinheiro do governo, vadio!
Agora tu ta falando que se importa com os caras que te colocaram aqui?!
Aa, vai dá o cu seu gay.
Não sou seu pai.
Eeeee a coisa escalou bem rápido a partir daí.
Tudo que Derek ouvia eram gritarias e xingamentos com conjuntos de palavras bastante ricas em vocabulário para um bando de presidiários sem classe. Incrível o número de brigas daquele lugar, incrível, não inesperado, por que, de novo, ele estava em um presídio.
Até o antigo enfermeiro jogar uma pedra de sabão próximo á cabeça do detento que estava dizendo coisas horríveis sobre a vida pessoal do outro, tudo estava indo suportável. Então o primeiro detento, que havia vindo buscar uma vassoura, segurou o colega pela cintura antes que o mesmo se jogasse encima do enfermeiro que gesticulava para o cara vir quente que ele estava fervendo. Assim que o primeiro disse algo próximo ao ouvido do segundo, e esse parou de se debater, ele ajeitou-se eretamente e espalhou ainda mais o produto com seus pés, recebendo ainda mais xingamentos do colega de Derek, antes de retirar-se da lavanderia seguido pelo primeiro colega.
Que havia saído sem a vassoura.
Hm.
A chuva não era muito incomodo, mas ele não conseguia usar a cama de levantamento de peso porque as gotas de água caiam-lhe o rosto tirando-o a concentração. Mas ele conseguiu resumir seus exercícios á corridas em torno da quadra e flexões.
"Então como vai funcionar isso?" Derek se lembrou do acontecido da noite anterior. Ele estava perguntando á Fonte sobre a negociação entre eles. "Eu apenas escolho as informações que te passo e a qualidade delas resulta no tamanho do meu pacote de Fandangos, ou você me passa a informação que você quer?"
Stiles olhou para a parede e entortou a cabeça.
"Eu normalmente peço as informações, mas você corre mais risco que os outros com o negócio de prisão temporária e talz," Ele deu de ombros. "Não é como se eu quisesse ferrar com a vida de vocês. Então tu que decide."
Quando o mais novo se afastou alguns passos, Derek percebeu o quão próximo eles estavam.
"Talvez," Ele comentou, "se a informação que você procura estiver ao meu alcance, tudo bem pra mim".
O mais velho se lembrou de um sorriso e um rápido 'boa sorte', mas ele não tinha certeza. Porque... quando ele voltou a dormir, ele havia sonhado com algumas coisas relacionadas á situação em que ambos estavam, mas envolvendo algumas outras coisas. A maioria provavelmente ilegal. Logo, ele não tinha certeza de mais nada.
A chuva cessou por volta das 10 horas da noite, mas até aí a maioria já estava dormindo. Menos, claro, porque a vida de Derek é uma grande piada, Carlos e Rei, que pareciam estar comemorando uma vitória de campeonato mundial de futebol. Com gemidos.
E as malditas pilhas do rádio portátil haviam acabado.
Derek nunca mais vai usar o rádio antes da hora de dormir. Nunca mais.
N/a: Eu tive duas sortes essa semana: Um ataque de criatividade que só aumentou quando vi os maravilhosos reviews que o "Por tráz das grades" recebeu no meu tempo Offline, e a minha host-família da Rússia ter decidido passar o fim de semana na casa de campo, isto é, sem net. Logo, yey, 48 horas para completar as outras fics.
Então vou agradecer á todos que leem e curtem e aos que leem, mas não tem como postar comentários porque não tem conta no FFnet, eu já senti a sua dor. Obrigada a todos.
[Eu sei, meus capítulos são curtos, desculpa. E eu sei que começo também ficou horrível, mas eu começei o primeiro terço já estava escrito desde a última vez que postei e eu decidi apenas continuar de onde eu parei então... É mesmo assim a culpa é minha... Desculpa de novo.]
Eu não deixar claro algumas coisinhas rápidas de ninguem se importar:
- Tem certas partes de um capítulo que eu não sei se ficou bom ou não porque eu não gosto de "Encher linguiça" (Vocês ainda usam essa expressão?), então não é por querer. Mas eu também não quero que isso afete a história, caso vocês realmente quiserem um pouco mais de detalhe em certa parte eu posso tentar refazê-la, então é só me informar.
- No último capítulo eu comentei um pouco sobre meu estilo de história, eu espero que esteja agradando porque eu tentei fazer algo um pouco mais adulto que o meu normal, mas eu sei que mesmo assim eu ainda arranho. E eu tenho muitas outras fics que eu gostaria de compartilhar com vocês, então é provável que o clima entre todas as que eu escrevo ao mesmo tempo afete a outra. Sei que isso é antiprofissional mas as vezes acontece, então desculpa.
- E... eu estou a procura de uma Beta?
