N/A: Não dedicarei os capítulos unicamenta a uma pessoa, quero que todos tenham a oportunidade de estar aqui :D
Esse capitulo é dedicado à lorena, Cah Alves, Alice Elfa Cullen e novamente a tami-suchi, agradeço a todas por suas reviews.
Capítulo Quatro
- Conhecem-se? - perguntou Rosalie, assombrada.
- Conhecemo-nos ontem à noite - respondeu Alice, com a esperança de que seu tom de voz soasse natural.
Era algo absurdo que se sentisse tão abatida pelo fato de que o visconde Jasper e Lady Hale tivessem uma relação, evidentemente, tão próxima. Em realidade, não tinha pensado nunca que tivesse oportunidade de lhe parecer atraente. E de qualquer modo, aquele homem era claramente um libertino, porque ia por aí roubando beijos a mulheres à quem mal conhecia.
- A senhorita Brandon é muito modesta -disse Jasper, com os olhos azuis iluminados pela diversão - Me salvou a vida ontem à noite no rout de Lady Welcombe.
- Isso é um exagero - murmurou Constance.
- Claro que sim - insistiu ele, voltando-se para Rosalie-. Lady Taffington me estava perseguindo ontem à noite, e a senhorita Brandon foi muito amável e a desviou de meu rastro.
Rosalie riu.
- Então sou duplamente amiga tua, Alice. Temo que meu irmão necessita freqüentemente esse tipo de ajuda. É muito bom e não pode suportar ser mal educado. Deveria tomar exemplo do Emmett, Jazz. Ele é um perito extinguindo pretensões. Alice não ouviu a resposta de Lorde Jasper à brincadeira de Rosalie. O visconde era o irmão de Lady Hale! Alice se disse, rapidamente, que era absurdo permitir-se sentir alívio ao conhecer a relação que havia entre eles. Para ela não significava nenhuma diferença que o afeto que existia entre Lorde Jasper e Rosalie proviesse dos laços familiares e não de uma atração romântica.
- Venha conosco - disse Rosalie a seu irmão-. Terminamos com as compras, assim não tem que temer que o arrastemos a alguma loja.
- Nesse caso, aceito sua amável oferta - disse Lorde Jasper, e ofereceu a mão a sua irmã para ajudá-la a subir à carruagem.
Depois se voltou para Alice e ofereceu a mesma ajuda. Deu-lhe a mão, sentindo perfeitamente seu contato, apesar de ser muito breve e ambos levassem luvas. Olhou-o no rosto ao subir à carruagem, e não pôde evitar recordar aquele momento no qual ele a tinha beijado na biblioteca, e, por seu olhar, soube que ele também o estava recordando. Alice se ruborizou e afastou o olhar. Entrou rapidamente na carruagem e se sentou junto a Rosalie. Jasper subiu também e ocupou o assento que havia frente a elas, rindo enquanto afastava a profusão de caixas.
- Já vejo que teve uma tarde muito frutífera - lhes disse - Espero que tudo isto não lhe pertença, Rosalie.
- Não, claro que não. A senhorita Brandon é proprietária de uma boa parte. Temos intenção de deixar assombrado a todo mundo no baile de Lady Simmington de amanhã.
- Estou seguro de que as duas o conseguirão - respondeu Jasper galantemente.
- Vai ao baile? -perguntou-lhe Rosalie-. Deveria nos acompanhar.
Alice vai vir a minha casa antes para que nos preparemos, e depois iremos juntas.
- Essa será uma tarefa muito agradável - respondeu ele-. Será uma honra acompanhá-las.
-Protegeremos você das mães casamenteiras - prometeu Rosalie em tom de brincadeira.
Jasper respondeu no mesmo tom ligeiro, e sua conversa continuou enquanto a carruagem seguia avançando pelas ruas de Londres. Alice contribuiu pouco à conversa. Conhecia muito pouco da gente de quem estavam falando e, de qualquer modo, ela se conformava escutando e observando.
Tinha pensado que talvez recordasse o visconde mais bonito do que era, mas vendo-o naquele momento, pensou que a realidade superava todas suas lembranças. À luz do dia, seu queixo era marcado e limpo, seus olhos de um azul assombroso e seu cabelo loiro e brilhante sob o sol. Era um homem alto e largo de ombros, e sua presença masculina enchia a carruagem.
Para Alice não era difícil entender por que as mães casamenteiras e suas filhas o perseguiam. Era um homem muito bonito, e além disso tinha um título importante.
Se recordava corretamente as coisas que sua tia havia dito sobre Lady Hale, seu pai era conde, e visconde era o título que se outorgava normalmente ao herdeiro de um condado. Por aquele título, tão somente, ele seria muito solicitado. E o fato de ser tão bonito e tão encantador, além disso, assegurava que muitas mulheres quisessem lhe dar caça.
É obvio, aquilo fazia muito mais impensável que Alice pudesse ter alguma oportunidade com ele. Embora Rosalie tivesse razão em seu encargo otimista de que Alice podia encontrar um marido aquela temporada, ela sabia que sem dúvida aspirava a algo menos elevado que um título para ela. E o beijo de Lorde Jasper, por muito maravilhoso que tivesse sido para Alice, não era algo sobre o que fundar esperanças; ela estava segura de que para ele não tinha significado nada. No melhor dos casos, tinha-lhe demonstrado que se sentia atraído por ela. No pior, que tinha o costume de beijar a qualquer moça a que se encontrasse a sós. Não significava que ele tivesse interesse nela; talvez justamente o contrário. Depois de tudo, um homem cavalheiresco não tomava aquelas liberdades com uma mulher com quem não estivesse pensando em casar-se, mas só com a que pretendesse ter uma aventura.
É obvio, Alice não tinha intenção de manter uma aventura com ele. Entretanto, um pouco de paquera... isso era diferente.
Alice olhou pela janela para ocultar um pequeno sorriso. Estava desejando que chegasse o baile do dia seguinte. Seria muito agradável o fato de que Lorde Jasper a visse em seu melhor momento.
A carruagem se deteve frente a uma espaçosa casa de tijolo vermelho, e Jasper olhou por sua janela.
- Ah, já chegamos - disse. Abriu a porta e desceu à rua - Obrigado por este trajeto tão agradável - disse, e depois fez uma reverência geral para elas - Estou desejando vê-las de novo amanhã - acrescentou, e depois olhando a Alice - Me alegro muito de tê-la encontrado outra vez, senhorita Brandon. Deve me prometer que dançara comigo a primeira valsa.
Alice lhe devolveu o sorriso.
- Farei isso.
- Então, me despeço - disse Lorde Jasper. Fechou a porta e se afastou da carruagem, que se pôs outra vez em marcha.
- Seu irmão é uma pessoa muito agradável - disse Alice a Rosalie depois de um momento.
- Sim - respondeu Rosalie, sorrindo com uma expressão de afeto - É muito fácil ter simpatia por Jasper. Mas há muito mais do que se acredita. Ele lutou na Península.
- Seriamente? - Alice olhou a Rosalie com surpresa - Estava no exército? - perguntou. Aquilo lhe era estranho porque era muito pouco comum que o primogênito e herdeiro de uma família com fortuna e título fosse à guerra.
Rosalie assentiu.
- Sim. Com os hussardos. De fato, foi ferido, mas felizmente sobreviveu. E depois, claro, quando Terence morreu, Jazz teve que voltar para casa. Acredito que sente falta do exército.
Alice assentiu, entendendo-o tudo. Sim era comum que os filhos mais novos fizessem a carreira militar, ou entrassem no corpo diplomático, ou na igreja; entretanto, se o primogênito morresse, o segundo devia ocupar seu lugar como herdeiro, e seu futuro mudava. Um dia, ele herdaria toda a riqueza e as responsabilidades do patrimônio familiar, e a carreira que tinha estado desenvolvendo passava a um segundo plano.
- E agora que é herdeiro, converteu-se no alvo de todas as moças casadouras.
Rosalie riu.
- Sim, pobrezinho. Ele não o passa bem, asseguro. Suponho que há homens que desfrutariam muito com esse tipo de popularidade, mas Jazz não. É obvio, um dia terá que casar-se, mas suspeito que vai adiar esse dia tanto como lhe seja possível. Acredito que gosta um pouco de flertar.
Alice se perguntou se Rosalie estava lhe fazendo uma ligeira advertência sobre seu irmão, dizendo a Alice, em resumo, que não pusesse suas esperanças nele. Alice a olhou fixamente, mas não encontrou no semblante de Rosalie indicação alguma de que estivesse pensando algo semelhante. Entretanto, Alice não necessitava de advertências. Sabia muito bem que um homem da posição de Lorde Jasper não se casaria com alguém como ela.
Desde que mantivesse aquilo em mente, não obstante, e não lhe entregasse seu coração, não teria nada de mau paquerar um pouco com aquele homem. Podia dançar com ele, rir com ele, divertir-se um pouco. E depois de tudo, aquilo era o que podia esperar da temporada, pensando-o bem.
Quando chegaram a casa de seus tios, Lady Hale entrou com Alice. A tia Blanche olhou com os olhos exagerados todas as bolsas e pacotes que o cocheiro levou a vestíbulo, seguido por Alice e pela mesma Lady Hale.
- Minha senhora! Oh, Meu deus. Annie, vêem aqui e toma essas bolsas. O que...?
Tia Blanche ficou petrificada, olhando a sua sobrinha e a aristocrata com total desconcerto.
- Não compramos todas as lojas, Lady Brandon - lhe assegurou Rosalie alegremente - Entretanto, acredito que sua sobrinha e eu deixamos um bom buraco nos armazéns de Oxford Street.
- Alice? - perguntou a tia Blanche - comprou tudo isto?
- Sim - respondeu Alice - Lady Hale me assegurou que meu guarda-roupa era muito reduzido.
- Alice! - exclamou Rosalie, rindo-se. - Eu nunca disse semelhante coisa. Sua tia vai pensar que sou uma mal educada. Eu só sugeri que acrescentasse umas quantas coisas por aqui e por lá.
Rosalie se voltou para Lady Brandon.
- Parece-me que as garotas raramente se dão conta de todos os complementos que se necessitam para uma temporada, não lhe parece?
Tal como era de esperar, Lady Brandon assentiu, sem atrever-se a mostrar desacordo com uma das damas mais importantes da alta sociedade.
- Sim, mas eu... bom, Alice, isto é um pouco inesperado.
- Sim, sei. Mas estou segura de que tenho lugar no armário para tudo. E Lady Hale aceitou amavelmente me ajudar a decidir o que devo fazer com meus vestidos.
Ao saber que aquela mulher elegante e aristocrática ia subir ao pequeno quarto de sua sobrinha e a olhar os poucos vestidos que tinha, Lady Brandon ficou entre o êxtase e a vergonha.
- Mas, senhora, certamente... quero dizer, que Alice não deveria lhe ter pedido algo assim - disse finalmente, engasgando-se com as perguntas.
- Oh, ela não me pediu - disse Rosalie - Eu me ofereci voluntariamente. Não há nada que eu goste mais do que animar um guarda-roupa. É todo um desafio, não acha?
Começou a subir as escadas atrás de Alice, com Lady Brandon atrás, balbuciando oferecimentos de chá e doces, intercalados com advertências a Alice para que não abusasse de Lady Hale.
Na porta do quarto de Alice, a tia Blanche titubeou. Era um dormitório muito pequeno, e tudo estava cheio de bolsas e caixas. Mal havia lugar para as três, mas claramente Lady Brandon não gostava absolutamente de afastar-se de Lady Hale. Assim, ficou na entrada, com aspecto de encontrar-se desconfortável mas sem deixar de tagarelar, enquanto Rosalie e Alice tiravam os vestidos de Alice e os estendiam sobre a cama.
- Que poucos vestidos, meu amor - disse a tia Blanche a sua sobrinha - Disse que devia trazer mais à cidade. Mas claro, uma moça nunca prevê todos os vestidos que vai precisar - acrescentou, e olhou a Rosalie procurando sua cumplicidade - E, é obvio, Alice é só a dama de companhia das meninas.
- Isso é desatinado - disse Lady Hale com energia - Alice é muito jovem para desempenhar esse papel... como, sem dúvida, você dirá isso freqüentemente.
- Oh, é obvio! - exclamou a tia Blanche - Mas, o que se pode fazer? Alice é por natureza muito introvertida, e, depois de tudo, já tem muita idade para apresentar-se em sociedade.
Rosalie emitiu um ruído de desdém.
- Faltam muitos anos para que Alice alcance esse ponto. Só terá que olhá-la para dar-se conta do ridículo que é lhe pôr uma data arbitrária à estréia de uma moça. Algumas mulheres são muito mais belas a esta idade que quando saíram da escola. Você mesma o terá notado, estou certa.
- Bom - disse a tia Blanche com incerteza.
Não podia mostrar desacordo com as afirmações de Lady Hale, sobre tudo, tendo em conta a facilidade com a que vinculava seus pensamentos com os da tia de Alice.
Blanche Brandon observou como Rosalie e Alice emparelhavam laços com vestidos e descartavam outros para os vestidos de dia, e escutou como falavam de descer decotes e acrescentar sobre-saias e caudas, ou de substituir mangas com outras de uma cor que contrastasse com o corpo dos vestidos.
Alice também havia sentido certa vergonha ao expor seu pobre armário a Lady Hale, mas Rosalie não foi outra coisa que objetiva e prática. Tinha muito bom olho para a cor, o que não surpreendeu a Alice, dada a elegância com a que se vestia.
Mas Alice achava estranho que alguém como Lady Hale soubesse tantas maneiras de modificar, de pôr ao dia e de melhorar o guarda-roupa de alguém.
Era tão estranho como o fato de que conhecesse os lugares onde comprar laços, encaixe e acessórios ao melhor preço. Alice não pôde deixar de perguntar-se se a própria Lady Hale não estaria também em uma situação econômica difícil. Ela não tinha ouvido nenhum rumor, mas claramente Rosalie era uma perita ocultando-o, ao menos quanto à vestimenta.
Depois de pouco tempo, Georgiana e sua irmã apareceram pelo corredor e ficaram junto a sua mãe, contemplando com assombro como Rosalie se movia pelo pequeno dormitório.
Quando, finalmente, a dama partiu, recordando a Alice que devia ir a sua casa no dia seguinte, à tarde, antes do baile, as duas garotas se voltaram para sua mãe e começaram a queixar-se.
- Por que vai ela a casa de Lady Hale? - perguntou-lhe Georgiana com um olhar depreciativo para Alice - por que não podemos ir nós também?
- Eu vou porque Lady Hale me pediu isso.
- Isso já sei - replicou Georgiana - Mas, por que? Por que quer que você vá? E por que a levou às compras hoje com ela?
Alice encolheu os ombros. Não estava disposta a contar a suas parentes os planos que Rosalie tinha para ela.
- E como comprou todas estas coisas? - perguntou-lhe Margaret, olhando os vestidos e os adornos que tinha espalhados pela cama.
- Com o dinheiro que estive economizando.
- Sim, bom, se tiver tanto dinheiro, poderia ter pensado em nos ajudar um pouco - disse a tia Blanche com expressão ofendida-. Nós lhe demos teto e comida durante estes seis últimos anos.
- Tia Blanche! Sabe que lhe dou dinheiro todos os meses! - protestou Alice.
- E sempre pago minhas coisas.
Sua tia encolheu os ombros, como se o argumento de Alice não tivesse nada que ver com o que ela havia dito.
- Não entendo por que Lady Hale tem preferência por você. É inexplicável. Por que não saiu com Georgiana?
- E eu? - perguntou Margaret com indignação.
- Eu sou a mais velha - disse Georgiana a sua irmã com altivez.
As duas garotas começaram a discutir. Então, Alice deu a volta e começou a dobrar e guardar as coisas que tinha sobre a cama. depois de uns minutos, sua tia e suas primas se afastaram de seu quarto e continuaram falando na sala de estar.
Entretanto, o assunto não ficou resolvido. Georgiana e Margaret voltaram a puxá-lo durante o jantar, e foi tanta sua insistência que finalmente seu pai, que normalmente era imperturbável e indiferente, mandou-as calar. As duas moças ficaram em silencio com uma careta.
Depois de jantar, Alice se retirou logo, alegando que tinha dor de cabeça. No dia seguinte ficou em seu quarto o maior tempo possível, trabalhando em silencio nas pequenas coisas que Rosalie e ela tinham decidido fazer em seus vestidos. As mais difíceis faria a criada de Lady Hale.
Constance pensou inclusive em saltar a comida; entretanto, se não aparecesse em todo o dia ante sua família, daria uma desculpa a sua tia Blanche para argumentar que estava doente e que não podia ir, tampouco, ao baile daquela noite. Assim, desceu as escadas, jurando-se que não responderia às provocações de suas primas e sua tia.
Tal e como tinha temido, Georgiana e Margaret começaram a criticar o que consideravam uma injustiça antes inclusive de sentar-se à mesa. Alice fez todo o possível para não prestar atenção, mas não pôde calar quando, ao final, sua tia lhe disse:
- Alice, estou pensando que, se este assunto for provocar tanto desacordo e tristeza na casa, possivelmente não deveria ir a casa de Lady Hale esta tarde.
Alice a olhou, tentando dissimular seu alarme, e pensou brevemente qual era a melhor maneira de enfrentar a sua tia.
- Eu não gostaria de ofender a Lady Hale, tia. É muito poderosa dentro da alta sociedade, e insistiu muito em que fosse a sua casa esta tarde.
- Sim, bom, estou segura de que entenderá a situação se lhe enviar uma carta dizendo que não se sente bem e que não pode ir - disse Lady Brandon, e de repente, a expressão de seu rosto se animou-. De fato, as meninas e eu poderíamos visitá-la e levar sua mensagem pessoalmente – afirmou - Sim, isso é o melhor.
Alice sentiu fúria, mas a controlou.
- Mas não me sinto mal absolutamente, e eu gostaria de ir a casa de Lady Hale esta tarde - respondeu com calma-. Não lhe agradará que não vá. Pode ser inclusive que retire o convite ao baile de Lady Simmington se fique perturbada.
- Não pode pensar que vai a sua casa se estiver doente - lhe disse a tia Blanche, olhando-a com frieza.
- Não estou doente.
- Lady Hale não saberá - replicou sua tia.
- Sim saberá - esclareceu Alice com firmeza.
Sua tia a olhou perplexa. Passou um instante antes que pudesse falar de novo.
- Está-me... desafiando?
- Tenho intenção de ir a casa de Lady Hale esta tarde – respondeu Alice - Não quero desafiá-la, é obvio que não. Portanto, espero que não me proíba ir.
Lady Brandon estava cada vez mais estupefata, e Alice aproveitou a falta de palavras momentânea de sua tia para lhe dizer com gravidade.
- Lady Hale é uma mulher muito importante. Seu pai é conde. Ela é amiga do duque do Rochford. Pode fazer muito por você e pelas meninas, como bem sabe. Por isso seria muito negativo para você zangá-la. Por favor, por muito zangada que esteja comigo, não ofenda a Rosalie.
- Rosalie? - perguntou ao fim sua tia - Ela lhe deu permissão para que a trate desse modo?
Alice assentiu. Tinha mencionado o nome de batismo de Rosalie deliberadamente, porque isso indicava que sua relação era muito próxima. E se alegrou ao comprovar que sua tia o tinha compreendido.
- Por favor - disse Alice - Sei que você não gosta disto, mas pensa no baile desta noite. Pensa em como seria contar a sua amiga, a senhora Merton, o que lhe disse Lady Hale quando a visitou ontem. Depois, pensa em não poder dizer nenhuma dessas coisas no futuro.
- Ingrata - lhe espetou sua tia - depois de tudo o que tenho feito por você!
- Sei muito bem o que tem feito por mim, e o contei a Lady Hale. Não desejo ter má relação consigo. Estou segura de que a amizade de Lady Hale não chegará além da temporada, e depois, nossas vidas voltarão para a normalidade. Mas pensa no muito que pode conseguir para suas filhas nos próximos meses, se nenhum de nós agir de maneira leviana.
A tia Blanche soltou um bufo e engoliu a saliva. Entretanto, aos poucos momentos relaxou os punhos e exalou longamente. Então disse com uma grande frieza.
- Naturalmente, não a impedirei de ir à casa de Lady Hale esta tarde apesar de, sua insolência. Estremece-me pensar o que haveria sentido seu pobre pai se tivesse visto como se dirigiu a mim.
Como Alice sabia que seu pai não suportava a sua tia e que procurava ausentar-se quando ela chegava de visita sua casa, soube também que o defunto Lorde Brandon teria aplaudido suas ações. Entretanto, conteve-se e não o disse a sua tia.
Terminou de comer rapidamente e subiu ao seu quarto.
Sem perder um minuto, começou a recolher seus vestidos e os guardou em algumas das bolsas do dia anterior. Depois se sentou sobre a cama a esperar a que chegasse a carruagem de Lady Hale. Por sorte não teve que esperar muito. Quando a avisaram de que estavam esperando-a embaixo, Alice se esforçou por despedir-se agradavelmente de sua tia e de suas primas e saiu à rua.
Não foi uma surpresa para ela que Hale House, uma elegante mansão de pedra branca, estivesse no centro do Mayfair, o mais seleto dos bairros de Londres.
Alice, ao sair da carruagem e ver a imponente grade de ferro forjado, e a enorme casa que havia atrás dela, sentiu-se bastante intimidada. Era fácil esquecer, quando se estava com Rosalie, que Lady Hale era descendente de homens e mulheres que tinham vivido com os reis e os príncipes, e que era também viúva de um homem que provinha de uma família similar.
Alice se perguntou durante um instante como teria sido o marido de Rosalie. Ela não o tinha mencionado, nem sequer quando estavam falando do matrimônio e do amor. Alice sabia que o homem tinha morrido alguns anos antes e que Rosalie não havia tornado a casar-se. Corria o rumor de que tinha querido a Lorde Hale muito para casar-se com outro homem. Entretanto, Alice pensou que possivelmente a verdade fosse exatamente o contrário; que seu primeiro marido lhe teria causado um profundo rechaço ao matrimônio.
A ansiedade que poderia provocar aquela mansão a Alice se desvaneceu, entretanto, quando Lady Hale desceu as escadas para recebê-la em pessoa e afetuosamente.
- Alice! Sobe a meu quarto. Maisie esteve fazendo maravilhas, como de costume. Estou impaciente por que o veja.
Rosalie indicou a um dos criados que tomasse as bolsas de Alice, e depois ambas subiram pela escadaria curvada que levava a piso superior.
- Sua casa é maravilhosa - comentou Alice com admiração.
- Sim. Lady Hale, a mãe de meu marido, tinha muito bom gosto. Se tivesse sido coisa do velho Lorde Hale, temo que tudo estaria cheio de cenas de caça e enormes móveis jacobinos de madeira escura -disse Rosalie, e estremeceu com exagero - Claro que a casa é muito grande para mantê-la aberta. Tenho toda a parte oeste fechada - explicou enquanto fazia um vago gesto para o outro lado das escadas.
Guiou a Alice até seu quarto, que era um aposento muito amplo e agradável com vistas ao jardim traseiro. Tinha grandes janelas de ambos os lados e estava cheio de luz e do suave ar do verão. Os móveis eram elegantes e leves.
Uma criada as estava esperando com um vestido azul cuidadosamente estendido sobre a cama, a seu lado. A mulher se voltou e fez uma reverência quando apareceram Alice e Rosalie.
- Oh, excelente, Maisie - disse Rosalie, adiantando-se a contemplar o traje - Alice, venha vê-lo. Este é o vestido do que te falei. Maisie já o arrumou. Tirou-lhe o encaixe com babados Vão Dyck - explicou, assinalando uma franja de tecido em que estavam costurados os triângulos de seda azul escuro-, e tirou também as mangas, que eram muito longas. Pôs esta sobre-saia azul claro de gaze e umas mangas curtas e um pouco abauladas. Acredito que este estilo é muito mais juvenil e a favorecerá muito mais.
- Prove-o senhorita - disse Maisie a Alice -, e assim poderei ver de que largura tenho que pôr a extremidade embaixo.
- É uma maravilha - disse Alice, extasiada ao contemplar aquela delicada confecção.
Com ajuda do Maisie, Alice provou o vestido e se olhou ao espelho. Ao ver-se, ficou sem respiração. Estava muito mais bonita e parecia muito jovem. Alice sorriu encantada, sem dar-se conta de que a maioria da beleza e a juventude que via no espelho eram devidas à felicidade que irradiava seu rosto.
- É perfeito. OH, Rosalie, não sei como lhe agradecer.
Rosalie aplaudiu com entusiasmo.
- Não tem por que. Vê-la assim é suficiente recompensa. Sabia que este vestido ficaria muito bem. E não lhe disse que Maisie é uma perita com a agulha?
- Tinha razão - disse Alice, e voltou a olhar-se no espelho enquanto Maisie se ajoelhava para tomar com alfinetes uma longa banda de encaixe na bainha do vestido.
- Só lhe falta um adorno simples no pescoço, acho - disse Rosalie - Eu diria que um relicário. E tenho um xale que irá perfeitamente com o vestido -acrescentou.
Diante dos protestos de Alice, sacudiu firmemente a cabeça e argumentou - Só será um empréstimo, e isso não é nada mau, não?
Quando Maisie terminou de prender a bainha com alfinetes, Alice e Rosalie tiraram a roupa que Alice tinha levado e falaram com a criada sobre as mudanças que queriam fazer com os materiais que tinham comprado no dia anterior. Passaram o resto da tarde falando alegremente de decotes, sobre-saias e encaixes. Tomaram o chá no jardim e depois subiram de novo ao quarto de Rosalie onde, com ajuda do Maisie, arrumaram-se para o baile.
Alice não recordava quando tinha passado tão bem pela última vez. Aquilo devia ser muito parecido a ter uma irmã, ou ao que teria podido ser arrumar-se com suas primas se não tivesse que passar todo o tempo as ajudando as vestir-se e a pentear-se ou procurando suas luvas e seus leques.
Quando Maisie terminou e as duas estiveram preparadas, Rosalie sorriu como uma mãe orgulhosa. Alice se olhou ao espelho.
- Oh, vá - disse brandamente, sem poder evitá-lo.
Tinha o cabelo recolhido em um coque de cachos e adornado com uma chuva de pequenos casulos de seda rosa, os que Rosalie lhe tinha presenteado no dia anterior. O vestido lhe sentava extraordinariamente bem; o corpo lhe erguia os seios, e a saia caía da cintura formando elegantes dobras que se balançavam com seus movimentos ao caminhar.
Alice se ruborizou de emoção. Tinha os enormes olhos cinzas muito brilhantes.
Sabia que nunca tinha estado mais bonita que naquele momento.
- Ah, parece-me ouvir a voz do Jasper abaixo - disse Rosalie, e ambas saíram do quarto e desceram pela escadaria.
Lorde Jasper estava no vestíbulo, aos pés da escada, e se voltou ao ouvir o som de seus suaves passos. Olhou para cima e ficou imóvel, com os olhos totalmente abertos, ao ver Alice.
Inconscientemente deu um passo para diante com uma expressão de assombro no rosto. Alice não poderia ter esperado algo mais encantador.
- Senhorita Brandon - lhe disse ele, recuperando-se e fazendo uma reverência - Me cortou a respiração.
Rosalie riu e disse:
- Tome cuidado com ele, Alice. É capaz de enfeitiçar aos pássaros das árvores.
- Sei que é um adulador - disse ela, no mesmo tom de voz ligeiro.
- As duas cometem uma injustiça comigo - protestou em brincadeira Jasper.
Depois se voltou para Alice - Recorde que me prometeu a primeira dança, senhorita Brandon - lhe disse.
- Não o esquecerei, milord - respondeu Alice, e se dirigiu para a porta atrás de Rosalie.
Aquela noite, pensou, era o começo de uma vida diferente.
N/A: Fiquei estremamente feliz com as reviews que recebi no capitulo anterior. E você leitor, qual não sei o nome, mas adoraria saber, e se chegou até o final para ler essa notinha, deixe uma review e alegre o meu dia :D
E se você deixar uma review, tera uma capitulo dedicado a você e eu terei o prazer de responde-lá, siga o exemplos das garotas da primeira notinha e não se arrependerá :D
lorena: Também gosto de história Alisper, para mim não importa desde que tenha uma trama boa. Essa historia, que estou postando, é muito linda adora-a.
tami-suchi: Alice e Jasper vão ter muitos encontros ainda, que irão render bastante história, espero que goste desse capitulo :D
