CAPITULO 4 – A fada e a sacerdotisa
-Ai, mas que chá maravilhoso!
Yui exclamava o tempo todo. Fazia tempo que não experimentava aquelas regalias. Desde a época que sua mãe saiu do ramo da moda. Kiara observava a amiga, com uma tremenda de uma gota rolando na testa, estava sendo até inconveniente.
Shiori reparou na sensação que Kiara estava tendo, e sorriu, como se dissesse "tudo bem, isso é normal". Miko olhava o céu, as nuvens e assim que terminou o chá, foi para um canto do jardim, meditar. Pegou um terço, e colocou-o em sua volta. Kiara e Yui olhavam sem entender.
-Miko é de uma tradicional família... Tem treinamentos espirituais quase toda a vida... Eles cuidam de um templo, na saída da cidade. É muito belo. – explicou Shiori.
-Família de xamãs, não? – indagou Kiara.
-Sim, eu acho... Como adivinhou?
-Na transformação dela, inúmeras bolas de fogo surgiram em sua volta. Ficou tanto tempo fora do país, Shiori?
-Sim... Nasci aqui e aos cinco anos sai e fui para o Canadá. Voltei há um ano. – e olhou para Miko novamente. – ela me explicou esse negócio das "bolas de fogo".
Miko estava calma e tranqüila. Diferente da menina que freqüentemente fica chorando no corredor pelas humilhações que passa. Vinha daquela família odiada da cidade, mas nada tinha em seu caráter igual ao dos antepassados... E então, o terço tremeu bruscamente e Miko saiu do transe assustada olhando para o terço.
-Estão me dizendo... De novo não! – sussurrou para ela mesma, e a sacerdotisa-juvenil pegou o terço e saiu correndo até a mesinha do chá. – Encrenca... Shiori diga que sairemos a passeio, mas outro monstro surgiu...
-Nós também vamos! – retrucou Yui. – Vocês não são as únicas sailors da cidade.
E todas correram, sendo guiadas pelas almas, que somente Miko via...
-Jeannie! Você está aí?
Ikki batia na porta. Depois de meses do termino do namoro, lá estava ele. De novo, em frente a casa de Jeannie e Scarlaty Jones.
Jeannie abriu a porta grosseiramente. Mesmo Ikki sendo educado na batida, Jeannie ficara incomodada com a voz do cavaleiro.
-O que quer aqui? Reatar, por que se for...
-Não, vim aqui conversar com você e com Scarlaty. Vim a pedido de Saori Kido, da Fundação Graad.
-Hunf, entre... – abriu a porta para Ikki entrar. – Então conhece a grã-fina?
Ikki sentou-se no simples do sofá da casa. Scarlaty desceu as escadas correndo, pois tinha ouvido a voz de seu amigo.
-Ikki! Que legal, você está aqui!
Scarlaty é uma menina mediana, tinha lá uns 1,56 de altura. Levemente morena e um pouquinho gordinha, mas não um caso de regime. Cabelos roxos, como ametista, e sorriso juvenil e belo de uma adolescente. Seu sonho era tocar numa banda, como baixista, sonho que a irmã não permitia. Aprendera com uns amigos a tocar o instrumento e tocava-o bem por sinal. Gostava muito de Ikki, que sempre fora mais generoso e amigo com ela que a própria irmã.
-É só impressão, ou está mais bonita do que há seis meses, Scarlaty?
A menina ficou lisonjeada. Sentou-se no chão ao lado de Ikki e fechou o sorriso quando a irmã entrou na sala e sentou-se na cadeira a frente do sofá.
-O que quer conosco.
-Estava contando sobre Scarlaty ser uma boa estudante e ótima cantora...
-Olha aqui, é mais um dos papos de que ela devia seguir em carreira artística?
-Não, não é só isso, Jeannie!
As vozes alteradas estavam surgindo. Scarlaty temia que saísse algo pior. Ikki recomeçou, calmo:
-É uma oportunidade de estudo mais a altura da capacidade de Scarlaty, no exterior... – tinha que inventar uma história. Contar que era por conta de Scarlaty ser uma Sailor Touro não ia colar e Saori estava disposta a dar estudos para a garota.
-Ah, é? E quem há de pagar? Ikki, você sabe que não temos dinheiro! Nossa mãe trabalha em outro estado e nosso pai saiu de casa, justamente por causa da música. – e enfatizou uma ironia em "música", seu maior ódio. – Ficou a cargo de eu cuidar de Scarlaty.
-E cuida dela como prisioneira, Jeannie. Deixa ela viver livre, garota! Uma oportunidade dessa não vem fácil!
-Ikki, não, ela não pode ir! Ainda esperamos...
-A volta do seu pai? De tanto esperar, a vida vai passar e você vai se arrepender... Eu sei o que é viver, esperando uma volta e não viver certo.
Ikki falava de Esmeralda. Espera inútil, um devaneio, uma quimera que é esperar a volta de algo que não pode voltar. Ikki pegou o celular e discou para Saori. Ela sabia o que fazer para convencer Jeannie. Ela, por sua vez quase em lágrimas...
-Jei, please, deixe-me ir! Eu gosto muito de Ikki, ele não vai deixar nada de mal acontecer comigo.
-Calada! – Jeannie cada vez mais não conseguia segurar a vontade de chorar. Ikki tocara no ponto fraco do seu coração.
-Jeannie, fale com Saori, ela está na linha. – disse Ikki. – E não se preocupe, ela fala inglês.
Jeannie pegou o celular, indecisa e falou com Saori. Custou um tempo, mas a dona da Fundação convenceu. Assim ordenou que Scarlaty arrumasse suas coisas.
-Quando vão partir? – disse Jeannie, enxugando as lágrimas.
-Amanhã é melhor...Desculpa por ter tocado sobre o assunto do seu pai...
Jeannie levantou os olhos para Ikki. Nunca vira no rosto dele uma calma tão grande.
-Foi por meu temperamento, não? Por isso terminou...?
Ikki respondeu, rapidamente:
-Não. Eu também pensava que era, mas descobri que não. Você não é a pessoa que procuro.
A americana olhou novamente.
-Mas de algum jeito você me mudou, Jeannie, e vou fazer uma promessa.
-Ikki, não faça promessas que não possa cumprir, please!
-Eu ainda vou achar noticias do seu pai, eu te prometo!
Jeannie olhava Ikki, sabia ele ia dizer isso, e talvez com o que restava de amor por ele ou pelo simples sentimento de tristeza, ela abraçou o cavaleiro, recebendo de volta um caloroso abraço de amizade.
Scarlaty ouviu a cena. Ela mesma não tinha certeza se Ikki acharia pistas sobre seu pai. Ouviu batidas na porta, enquanto arrumava a mala.
-Entra!
-Scarlaty, vou contar o verdadeiro motivo disso tudo. – Ikki dizia baixinho, enquanto entrava no humilde dormitório da garota. – Contei a Saori quem você é.
Scarlaty arregalou os olhos pequenos, e falou, mesmo que sussurrando, energicamente com Ikki:
-Droga, falei pra n...
-Ela não é qualquer uma, Scarlaty, ELA É a deusa Atena.
-Saori Kido?
Ikki confirmou com a cabeça. E ainda completou:
-Estão surgindo novas sailors lá no Japão e ela quer sua ajuda para saber quem são elas e se possivelmente alguma possa estar usando os poderes indevidamente. E também poderá se juntar a elas.
-Então está chegando a hora...
-Te comprei um presente, que está esperando por você, lá na mansão da Saori.
Scarlaty raramente ganhava presentes e ficou muito contente em saber de uma surpresa a esperando.
-Amanhã passo aqui. Arruma suas coisa com sossego, tudo bem? – disse Ikki.
-Sim.
Ikki saiu do quarto e se despediu de Jeannie, que já tinha voltado ao normal. Saiu da casa, seguindo até o prédio, onde tinha um quartinho e que comprara com certo custo.
-TRANSFORMAÇÃO!
Quatro sailors seguiam até uma praça deserta e viram uma outra sailor, com roupas um pouco diferentes das suas. Cabelos azuis bem escuro, quase negros, presos em dois odangos, da onde surgia uma traça em cada um. Seu rosto era coberto por uma máscara.
-Chegaram um pouco atrasadas meninas... – disse a garota, ironicamente.
-Quem é você? – perguntou Gêmeos.
-Sou Sailor Seiryuu, uma Sailor Mito, a representante do deus dragão dos deuses animais, protetora do 1º quadrante da Terra.
-Se é uma protetora da Terra, por que está agindo assim conosco? – perguntou Escorpião.
-A Terra está podre, meninas... Assim como vocês vão ficar! MALDIÇÃO DO DRAGÃO!!!
Sailor Seiryuu as atacou com uma ilusão um tanto real de um dragão negro, que voava querendo devorar as sailors.
-RAIO VERDE!
Sailor Escorpião dispara raios e mais raios.
-Humpf, eu não sou a inimiga de hoje. - e desapareceu com o dragão.
As sailors olhavam em sua volta. Sailor Câncer avisou:
-Não estamos a salvas, meninas...
Nisso um menino literalmente negro, com asas de morcego, uma aljava nas costas e um arco, ambos negros, chegou voando e atirando flechas malignas. E mais que depressa, Sailor Câncer formou uma barreira.
Era o Dark Cupid, um dos monstros que queriam roubar suas essências. Ele se dividiu em vários que atiravam mais e mais flechas.
-Vou identificar o verdadeiro, enquanto isso a barreira estará formada. Não saiam dela e ataquem daqui de dentro! – avisou Câncer.
Sailor Gêmeos voou até onde podia dentro da barreira, com as mãos iluminadas por bolas de energia que surgiram das pequenas mãozinhas. Sailor Moon e Escorpião observavam, fascinadas a habilidade de Gêmeos. Escorpião apontou o indicador direito e começou a atirar, assim como Moon levantou a mão direita, invocando as Estrelas mágicas.
-ELETRONIC ANTARES!!!!! – Sailor Escorpião ataca.
-ATHENA'S STARS!!!! – Sailor Moon lança seu ataque.
-MAGIC FAIRYS!!! – Sailor Gêmeos joga as bolas luminosas numa velocidade incrível!
Mas a cada um cupidos destruídos, outros surgiam.
-Minha Antares Eletrônica não funciona! – exclamou Sailor Escorpião.
-Nem as Estrelas de Atena, gente! – respondeu Sailor Moon.
-Nem minhas Fadas Encantadas. – completou Gêmeos.
-Continuem atacando... Já estou próxima ao verdadeiro... – Sailor Câncer acalmava as colegas. Elas se entreolhavam, um pouco desconfiantes, mas aceitaram e continuaram a atacar.
-THUNDER GREEN!
-ATHENA'S STARS!
-TEEN FAIRYS!
Sailor Câncer abriu os olhos, que brilhavam tanto, que era quase impossível ver a íris e a pupila. Bolas de fogo surgiram e ao sinal da guerreira, seguiram um só caminho, atacando um dos cupidos despercebidos. Era o verdadeiro. Inúmeras bolinhas de luz amarela bem fraquinha surgiram e atacaram de novo o bandidinho.
-DEADLY LIGHTS!
O cupido ficou quase que imóvel. E então Sailor Câncer ordenou:
-AGORA, SAILOR MOON!
Kiara retirou então a tiara da testa e ficou na posição de ataque e por fim atirou:
-MOON TIARA, ATACK!
O ataque atingiu em cheio o peito de Dark Cupid, que explodiu. Câncer, extremamente cansada pelo uso da sua força espiritual, caiu desacordada no chão da pracinha. Sua transformação se desfez, voltando a ser a Miko que conhecemos.
As outras, preocupadas, também desfizeram a transformação delas e correram para junto de Miko.
-Miko!
Yui e Shiori abanavam e davam-lhe pequenos tapinhas no rosto, enquanto Kiara pegava um copo de água, num mercadinho vizinho. Ela então jogou a água em Miko, que acordou fraca e com um tremendo susto.
-Desculpem, gastei muita energia espiritual minha... Raramente a uso assim...
-Tudo bem, acho que entendemos... Pode se levantar? – indagou Kiara.
-Sim, acho melhor voltarmos, cada qual pra sua residência... – respondeu Miko, agora mais em paz.
E cada qual seguiu em sua direção. Shiori voltou pelo mesmo caminho, Miko pegou uma rua contrária ao de Shiori e Yui e Kiara foram para o ponto de ônibus mais próximo, esperar o seu.
O brilho da tarde chegava na cidade em que Scarlaty vivia. Almoçou com a irmã e via que Jeannie estava aborrecida. Mas ficava quieta, com medo de aborrecer mais ainda. Ikki chegou por fim.
-Entre, almoce conosco... – convidou Jeannie.
O cavaleiro ficou imóvel, espantado com o convite depois da briga que tiveram, enquanto convencia Jeannie deixar Scarlaty com ele. Jeannie o puxou pelo braço e o fez sentar-se à mesa.
-Sirva-se.
Ikki ainda sem jeito serviu-se. Até que sentia falta da comida feita pelas irmãs Jones. Terminaram o almoço e Ikki pegou as malas de Scarlaty e levou para o carro. Jeannie abraçava a irmã, como quem não quisesse deixá-la ir. Por fim a soltou e lhe recomendou:
-Comporte-se.
E olhando para Ikki, perguntou:
-Quando ela volta?
-Nas férias ela vem e fica aqui, tudo bem? Se ela gostar de lá e da escola, Saori concorda em deixa-la estudar o quanto mais quiser lá.
Jeannie puxou Ikki para um canto e segredou-lhe:
-Scarlaty realmente te adora, Ikki. Foi e é um grande amigo dela... Acho que quase um pai, um irmão... Cuide dela, viu? Senão jamais te perdoarei!
-Tá...
E entraram no carro e seguiram para o aeroporto. Jeannie acenava, já morrendo de saudades...
Finalmente o jatinho de Saori chegou a Tóquio. Lá estavam a própria, Shun, Hyoga, Eiri, Shiryu e Shunrei.
Ikki ia saindo com Scarlaty. A menina ia admirando o local.
-Seja bem-vinda, senhorita Jones... – disse Saori.
-Essa é Saori Kido, e estes são Shun, meu irmão mais novo. Esses são Hyoga e Shiryu, meus amigos, e suas esposas, Eiri e Shunrei.
-Ah, muito prazer...! – e sussurrando completou. – Ikki me contou sobre vocês.
-Assim como ele nos contou de você, Jones. – completou Shun.
E então foram para o carro e seguiram para a mansão. Chegando lá, uma das empregadas mostrou o quarto de Scarlaty para ela, que resolveu descansar um pouco antes do jantar. E viu, no canto do quarto um embrulho grande. Devia ser o presente que Ikki lhe falara. Foi até lá e pegou o gigantesco embrulho e começou a abrir e dos papéis de presentes surgiu uma caixa de baixo.
-AAAAAH!!!!! – Scarlaty gritou de alegria, mas o susto foi imenso no resto da casa e todos os cavaleiros foram até lá.
Scarlaty estava em lágrimas. Todos fizeram uma cara de alívio, era só a alegria pelo presente.
-Era isso que você queria tanto, não era? – comentou Ikki.
Scarlaty respondeu, com um largo sorriso:
-Sim!
E deu uma grande abraço em Ikki. Hyoga pediu então:
-Dizem que toca bem... Então toca para gente.
Scarlaty arrumou o baixo. E começou a tocar.
"A terra tá soterrada de violência
De guerra, de sofrimento, de desespero
A gente tá vendo tudo, tá vendo a gente
Tá vendo no nosso espelho, na nossa frente
Tá vendo na nossa frente aberração
Tá vendo, tá sendo visto, querendo ou não
Tá vendo no fim do túnel, escuridão
Tá vendo no fim do túnel, escuridão
Tá vendo a nossa morte anunciada
Tá vendo a nossa vida valendo nada
Tô vendo, chovendo sangue no meu jardim
Tá lindo, o sol caindo que nem granada
Tá vindo um carro bomba na contramão
Tá vindo um carro bomba na contramão
Tá vindo um carro bomba na contramão
Tá vindo um suicida na direção..."
E assim, foi... Cantando e ouvindo a bela voz de Scarlaty.
PREWIEW
Scarlaty encontra as outras Sailors e revela quem é. Uma nova batalha é travada e duas novas sailors aparecem para ajudar, cada uma de uma direção diferente. Kiara arranja uma rival na escola, sem desconfiar que a menina e filha adotiva de Shiryu e Shunrei, que resolveram ficar de vez. E de novo a misteriosa Sailor Mito aparece, junto com outra e resolve atacar de novo nessa batalha. "Seiryuu e Suzaku contra Virgem e Peixes". Se eu fosse você não perdia!
Miri's Comments: Oi, como vão? A minha fic tá começando a esquentar, né? E tem muita coisa por vir ainda. A fic tá na boa, mas espera chegar um certo trio que a história pega fogo de uma vez. E no próximo chega a nossa representante brasileira das sailors e dessa vez, não de touro. Façam suas apostas! Ah, a música que Scarlaty canta é Palavras Repitidas do Gabriel, o pensador. Nas próximas músicas a serem "cantadas" vou colocar as que eu escrevo em vez de enquanto... Fico aqui e nesse capitulo estréia o glossário. Beijocas!
GLOSSÁRIO
OdAnGo – É o penteado da Serena, de Sailor Moon. Apesar de que o penteado da Sailor Seiryuu não é bem o mesmo de Serena, é mais parecido com o da Miaka de Fushigi Yuugi. É que eu não sei se é o mesmo nome.
SeIrYuU – Um dos 4 deuses animais das lendas orientais. Seiryuu é um dragão. Aliás, o nome desse deus não lembra um pouco o de Shiryu? E acredite, o nome do cavaleiro deriva desse dragão, dizem que uma das cores atribuídas a ele é o roxo e "Shiryu" quer dizer "dragão roxo" (- - '). Os outros animais são Suzaku, que é uma fênix, Byakko, um tigre e Genbu uma tartaruga. Aliás, esses deuses animais estão em um monte de animes: Yu Yu Hakusho, Digimon, Fushigi Yuugi, e até mesmo Beyblade! Sem dúvida, um dos temas mais apreciados em histórias pelos orientais...
