Sala 213 – Capitulo 4.

"Only a cat of a diferent coat,
that's all the truth I know
In a coat of gold, or a coat of red
a lion still has claws
and mine are long, and sharp My Lord
as long and sharp as yours."

Ron Weasley

Um ano. Pois é, hoje fazia um ano que eu havia admitido para mim mesmo que gostava da Hermione. Isso é ridículo, eu já devia ter falado sobre isso com alguém a muito tempo. Nem mesmo Harry sabia, pois eu não havia tido a coragem de contar para ele.

Ron Weasley, você é um homem ou um rato? Perguntou minha consciência, como sempre sendo inconveniente.

Rato, rato... Sempre opte por rato!

Era um sábado, e tínhamos a tarde toda livre para fazermos o que bem quiséssemos. Hermione estava estudando, como sempre. Parecia cada vez mais focada em tirar notas melhores que as do tal Lorenzo Moretti. Ela passava o dia inteiro falando – mal – sobre esse cara, e mesmo que parecesse que ela detestava ele, eu não podia deixar de sentir ciúmes.

O que não muda nada, pois eu continuaria sendo um rato e não faria nada a respeito. O cara era bonito, super inteligente e tinha mil garotas aos seus pés. E eu era apenas o mesmo Ronald Weasley de sempre. Amigo, burro... Rato.

Eu e Harry estávamos esparramados nos sofás do salão comunal, sem nada pra fazer. Resolvi que havia passado da hora de falar com ele sobre os meus... Bem, sobre mim e a Hermione.

- Harry, preciso falar uma coisa com você. – Eu disse, tentando parecer despreocupado. O que sucedeu foi bem diferente da minha expectativa.

- Sério? – Ele respondeu, parecendo alarmado. Sentou-se rapidamente no sofá e ficou com uma cara de nervoso, mas ao mesmo tempo muito animado. – Isso é ótimo, Ron, porque eu realmente preciso falar com você também!

- Parece urgente – Comentei, franzindo as sobrancelhas.

- Não é urgente. É só que... Tem dias que eu estou com isso na cabeça e acho que preciso falar logo com você, sabe? Ter uma segunda opinião.

Dias? Que sortudo. Tem um ano que eu estou com essa merda na cabeça e não consigo contar pra ninguém.

- Bom, pode começar. Você parece louco para abrir a matraca logo... – Eu ri.

- Louco. Tem razão, Ron, estou mesmo louco. Você sabe quem é Victoria Morgan?

- Sei, sei... A loirinha do quinto ano com quem você anda ficando amiguinho, não é? – então, levei um susto. Sabia exatamente o que ele ia me falar. Harry não é um cara muito difícil de se prever, mas aquilo não parecia nem um pouco do seu feitio. – Ela é da Sonserina! – Lembrei-o, tentando colocar juízo na sua cabeça.

- Eu sei! Isso que está me deixando maluco. – Ele enterrou o rosto nas mãos – Mas ela é tão bonita, e simpática e agradável. E bonita. Do tipo, a mulher mais linda que já deu em cima de mim na vida.

- Espera? Ela está dando em cima de você? Tá dizendo que ela é mais bonita que a minha irmã?

- Ron, Ginny nunca deu em cima de mim. E sim, Victoria está dando em cima de mim, e eu acho que estou começando a gostar dela. Isso é completamente errado?

- Completamente. Mas ainda é melhor do que o que eu preciso te contar, acredite...

- Dúvido. O que é?

Era agora. O momento que eu por tanto tempo havia evitado. Vou simplesmente falar tudo de uma vez e acabar logo com isso.

- Eu gosto da Hermione.

Me escutar dizendo isso em voz alta parecia uma piada. Harry sorriu apenas. Pelo visto não era uma piada muito engraçada.

- Finalmente você admitiu, hein?

Fiquei pasmo.

- Você... Sabia?

- Claro, acho que todo mundo já percebeu, Ron.

Engoli em seco.

- Ela sabe?

- Não sei. Mas imagino que ela pelo menos desconfie. Hermione é muito esperta.

Argh! Porque ela tinha de ser tão esperta.

- Sou um imbecil, Harry. Se ela sabe e nunca fez ou falou nada, então estou sem esperanças...

- Ron, sinceramente acho que você devia esquecer um pouco essa história. Pelo menos enquanto decide se vai ou não contar pra ela, ou conversar com ela sobre o assunto.

- Tem razão. Vou ver se arrumo qualquer coisa para ocupar a minha mente.

- Não, não, não... – Harry disse, com um sorriso malicioso nos lábios. – Eu tenho a distração perfeita. Victoria me chamou para ir a uma festa escondida hoje, e até sugeriu que eu o levasse comigo.

- Uma festa? – Eu ergui as sobrancelhas novamente. Mas um pouco de álcool realmente não cairia mal. Só um pouco. – Onde?

- Na Sonserina.

- Isso pode ser divertido. – Sorri. – Estou dentro.

Mais tarde eu e Harry nos deitamos e fingimos estar dormindo. Mas eu sabia que nenhum de nós dormiria. Harry estava muito ancioso para encontrar Victoria e eu estava achando toda aquela situação bastante insana. Quando imaginaria que fosse a uma festa da Sonserina? Logo eu, que detesto sonserinos mais do que qualquer outra coisa. Com exceção de comensais, claro. Mas dá praticamente no mesmo.

Combinamos de não contar a Hermione para onde iríamos. Sábia decisão, pois conhecendo bem Hermione ela acabaria nos trancando em nossos dormitórios ou ameaçando contar sobre a festa à professora McGonagall.

No horário combinado eu cheguei ao dormitório de monitor do Harry e bati na porta. Quando ele a abriu eu fiquei surpreso.

Ele estava todo arrumadinho. Com uma blusa social e perfume. Acho até que tinha penteado o cabelo, coisa que eu nunca havia visto Harry fazer antes na minha vida.

- Estou bem? – Ele perguntou, e eu só consegui rir. Ele vestia uma camisa social azul marinho, calça preta e sapatos. Acenei positivamente com a cabeça. – Você parece que só tirou uma parte do uniforme.

Estava com uma calça preta, sapatos e uma blusa social branca.

- É, tudo bem. Não me importo. – Dei de ombros – Só quero beber alguma coisa e relaxar...

Chegamos perto das masmorras e Victoria Morgan já estava a espera por nós. Ela era tão alta e magra quanto Harry e vestia o que mais me parecia um minúsculo pedaço de pano dourado, cujo ela chamava de vestido.

- Harry! – Ela exclamou, tinha uma voz fina demais para o meu gosto – Que bom que você veio! E fico feliz que tenha trago Ron também.

Essa foi provavelmente a primeira vez que alguém da Sonserina me chamou pelo meu apelido. Pelo meu primeiro nome, até. Talvez ela não fosse tão mal assim.

Mas eu não gostei nada.

- Também ficamos felizes de vir, Vic.

Ela sorriu, os cabelos loiros e compridos caindo em volta de seu rosto com uma perfeição assustadora. Ela retirou a varinha das roupas e discretamente fez um desenho em direção a parede que não pudemos ver.

-Desculpem meninos, é proibido alguém que não seja da Sonserina saber como abre essa porta – Ela comentou, enquanto a parede de pedra se movia, dando espaço para que nós três entrássemos na festa. – Vocês entendem, certo? É só para convidados!

- Claro, não tem problema! – Harry respondeu rapidamente, os olhos dele brilhavam quando olhava para ela, nunca o havia visto naquele estado.

Não havia dito uma palavra até agora. Só queria um whisky e tirar Mione da cabeça o mais rápido possível. Entramos na masmorra e o som era alto demais, e a luz muito pouca pro meu gosto. Harry e Victoria foram direto para o bar, pegar algo para beber e me deixaram sozinho. Em menos de um segundo vi minha irmãzinha sentada com aquela sonserina maluca, Dana Lutterback.

Senti meu rosto ficar vermelho, minhas orelhas começaram a latejar. O barulho todo em volta de mim silenciou durante os segundos que eu andava até a minha irmã e eu só queria tirar ela dali o mais rápido possível.

- Ginny! – gritei, o que não foi muito eficiente, devido à música alta demais. Mas ela ouviu e virou-se rapidamente para mim. A amiguinha rebelde dela ascendeu um daqueles cigarros trouxas fedidos e asquerosos e deu um sorrisinho de lado. Ginny levou um susto com a minha presença ali, com certeza não estava esperando me ver naquele ambiente. Ela, por outro lado, parecia bastante confortável, como se já estivesse acostumada ao lugar. – O que diabos está fazendo aqui, posso saber? – completei, ao chegar mais perto.

- Ora Ronald, - Ela disse tranquila. O susto durou apenas alguns segundos, mas ela pareceu recuperar a segurança com a qual eu a havia visto antes de abordá-la – Estou curtindo a festa, assim como você! – Sorriu.

- Ginevra, você não devia estar aqui nesse ninho de cobras! – Rosnei. Não ia aceitar o fato de minha irmãzinha andar com essas novas e péssimas companhias dela. Dana Lutterback deu usa risadinha e apagou o cigarro no chão.

- Weasley, aproveite um pouco – Ela disse, abrindo o maço e oferencendo-me um cigarro. Olhei-a profundamente, emburrado e morrendo de raiva. Ela apenas deu de ombro e tirou outro do maço. – Okay, só estava tentando ajudar.

Aquilo só estava me deixando mais e mais com raiva. Tomei a impulsiva decisão de pegar Ginny pelo braço e levá-la para o salão comunal da Grifinória, onde ela deveria estar. Dormindo, de preferência.

Mas, antes que eu pudesse colocar meu plano em prática senti uma mão suave tocar meu ombro. Me virei com o susto e dei de cara com a Di-Lua Lovegood. Sempre achei Luna bastante doida. De verdade, com toda aquela história sobre O Pasquim ou sobre astrologia, deuses gregos e todo tipo de coisas bizarras. Mas de uns tempos pra cá ela andava chamando a atenção de todo mundo por motivos completamente contrários.

Continuava doida. Eu acho. Na verdade nunca conversei muito com ela, e ela ainda estava usando os brincos malucos de rabanete dela. Estava com os olhos imensos e azuis brilhando em baixo dos seus longos cílios pretos, provavelmente alguma maquiagem. Os cabelos dourados dela caiam em ondas sobre seus ombros nus, e ela usava um vestido branco e simples. Parecia um anjo. Até os brincos deixaram de ser esquisitos para se tornarem graciosos. Parei por um tempo que me pareceu longo demais e apenas olhei para ela.

Uma paz me invadiu.

- Olá Ron – Ela me cumprimentou, e eu finalmente voltei à realidade. Ela sorriu discretamente e mordeu os lábios de uma forma inocente e sapeca.

Eu perdi a fala completamente. Pelo amor de Merlin! É só Luna Lovegood, não é nenhuma supermodelo de lingerie bruxa.

Não é a Hermione também.

- Ham, é... – Me concentrei e puxei fôlego. – Ei Luna.

- Fico feliz que tenha vindo. – Ela sorriu. Nunca havia conversado com ela, e nem entendi o porquê de ela dizer aquilo. Mas me senti estranhamente anestesiado ao lado dela. Já tinha até esquecido a raiva que estava de Ginny, e quando olhei em volta para procurá-la ela já havia sumido com Dana no meio da multidão. – Veio sozinho?

- Não, vim com Harry. Ele está... – Olhei para a pista de dança, a procura do meu amigo. Encostado na parede o vi beijando a tal da Morgan. – ficando com a Morgan.

- Ham... – Ela parou por um segundo, parecendo refletir sobre algo. – Se quiser, posso te fazer companhia. Não acho que você tenha muitos amigos por aqui...

- É, não tenho – Eu ri – Seria ótimo.

Ela sorriu de volta e eu senti os cabelos da minha nuca se arrepiarem. Ficamos conversando mais uns 10 minutos até Pansy Parkinson aparecer com aquela pose de sonserina metida e sua voz irritante.

- Olá Luna! Ei Weasley! – Ela cumprimentou. – A festa está ótima, não está?

A voz dela realmente me irritava.

- Claro, Pansy – Luna sorriu, educada. Como eu nunca tinha percebido o quão graciosa ela era? É uma resposta óbvia, já que eu nunca percebo nada. Só queria que Parkinson saísse logo dali e me deixasse a sós com Luna.

- Vou no bar pegar umas bebidas no bar. – Continuou a insuportável e inconveniente Parkinson. – Vodka, Luna?

- Aceito um Martini, Pansy. – Ela sorriu – Obrigada.

- E você, Weasley? – Ela estranhamente perguntou – Whisky?

Bom já que essa criatura vai voltar aqui de qualquer forma...

- Whisky, claro. – aceitei. E ela saiu saltitante até o bar. – Você é amiga da Parkinson, Luna?

- Não exatamente. – Deu de ombros. – Não tenho nada contra ela.

Eu não pude evitar uma careta. Como assim? A cara dela já é algo contra ela.

E assim como ela se foi, ela voltou. Entregou o Martini a Luna e me entregou o copo de Whisky.

- Não pegou nada pra você, Pansy? – Luna perguntou.

- Tomei um shot no bar – Ela sorriu – Bom, vou ver se acho a Liz, não vejo ela a uns 20 minutos.

- Viu Ron, ela não é tão ruim assim. – Luna sorriu quando Pansy se afastou deles.

- Talvez. – Respondi, mas ainda não estava convencido disso. Dei um longo gole no copo de Whisky de Fogo e senti meu corpo relaxar assim que o fiz. A música estava alta e trago após trago enquanto conversava com Luna eu a achava mais bonita, inteligente e engraçada.

- Você é linda, Luna. – E eu simplesmente escutei as palavras saindo da minha boca sem dar permissão. Quantos Whiskeys eu já teria bebido aquela hora? Isso não pode estar acontecendo.

Ela corou violentamente e eu me senti um bobão na frente dela.

- Vamos, Ron, precisamos dançar! – Então ela me pegou pela mão e me puxou para a pista de dança.

Cheguei ao salão comunal com Harry e ambos estávamos falando sobre como aquela noite havia sido incrível em vários níveis. Ele me contou sobre Victoria e como ela era linda e sensual e eu lhe falei sobre Luna e como eu me diverti com ela a noite toda. Eu até dancei, por Merlin! Fui dormir ainda meio zonzo por causa da bebida e tive sonhos muito estranhos.

Com a Pansy.