Nunca te esqueci
História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Capítulo 4 – Sem ar
Paris, dias atuais
Shaka, vendo Milo sair do banheiro, resolveu ir buscar seu amigo. O que teria acontecido entre Kamus e o loiro? E o pior é que ele sabia que Kamus jamais iria lhe contar.
De fato, Kamus encontrava-se no banheiro parado, olhando para o vazio, como se não tivesse a mínima idéia de onde estava. O que será que acontecera? Por mais distante e inalcançável que Kamus fosse, Shaka nunca o vira assim. O melhor a fazer era tirar Kamus de lá e levá-lo para a mesa. Ainda que Shaka tivesse a certeza mais do que absoluta que o jantar estava arruinado.
E pensar que ele tivera a chance de ficar trabalhando no escritório e de encontrar Mú pelos corredores... E, com sorte, trocar um sorriso de madrugada, entre um café e outro, pensou Shaka sonhador. Mas não! Kamus era seu amigo. E precisava dele.
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Milo saiu do banheiro absolutamente transtornado. Quem Kamus achava que era? Quem Kamus achava que Milo era? Tudo o que eles tiveram foram alguns dias. Dias mágicos. Os dias mais felizes de sua vida. Talvez um sonho. Mas nada mais do que isso. Eles nunca ficaram juntos e nunca mais se falaram. Com que direito Kamus o agredia daquele jeito? E por quê? Por que as agressões de Kamus mexeram mais com ele do que encontrar ... aquela pessoa novamente?
Maldito dia infeliz! E Milo dirigiu-se à saída do restaurante. Ele não suportava a idéia de ficar no mesmo recinto que Kamus. Ele tinha que ir embora. Depois ele explicaria algo para Saga e Kanon. Ele não sabia bem o que podia explicar, mas ele explicaria algo.
Claro que tão logo Milo saiu, um segurança o seguiu pelas escadas rolantes laterais do museu. Ele nunca ficava sozinho. E tão logo Milo se sentou na praça que ficava à entrada do museu, Aldebaran sentou-se ao seu lado. Ele era mesmo um amigo e tanto. Foi só quando Milo tentou acender um cigarro, que ele se deu conta de que ainda segurava o dinheiro que Kamus colocara em sua mão e ele o jogou longe.
- Opa, opa, opa! Agora deu de jogar dinheiro fora, é? Não basta jogar a saúde fora fumando, Milo? - mas Aldebaran acendeu o cigarro para Milo, já que suas mãos tremiam demais.
- Eu sei, Deba. Eu devia parar de fumar. Mas não dá! Ainda mais hoje. Dia infernal.
- E você desceu aqui só para fumar, Milo?
- É. Eu queria também um pouco de paz, mas com você por perto nunca dá certo, Deba.
- Caramba, Milo! Você nem consegue acender um cigarro e ainda reclama.
- Pois é, Deba – Aldebaran e Milo assustaram-se ao ouvir a voz de Kanon atrás deles – o Milo não consegue mesmo fazer nada sozinho.
- Oi, Kanon. Só desci para fumar um cigarro.
Milo tentou se justificar. Já Aldebaran tentou se levantar. Mas Kanon impediu os dois com um gesto. Algo lhe dizia que Milo precisava de amigos.
- Milo, sossega. Eu não sou o Saga! Você pode me contar quem era aquele ruivo. – Kanon podia ser tudo, mas não era burro, pensou Milo.
- Que ruivo, Milo? – Aldebaran, que não vira nada, não sabia de quem se tratava.
- Que... que ruivo, Kanon? – será que Kanon notara sua hesitação?
- Milo! Se você ainda não sabe que pode confiar em mim, só posso te dizer que você é devagar demais. Mas quando você quiser me contar, me conta. Vamos embora?
- Mas, ... e o Saga e todo mundo?
- Eu falo para eles que você ficou transtornado com o encontro. Aliás, eles estão todos preocupados com você. Chama o carro, Deba! Por favor! E resolve quem vai com a gente e quem fica no restaurante
Deba se afastou um pouco para chamar o carro pelo rádio e para arrumar a segurança, já que eles iam se dividir. Milo ficou sozinho com Kanon, que o olhava com interesse. E Milo sentiu necessidade de dizer alguma coisa.
- Kanon e... e o Saga? Ele fica aqui? – não, Milo NUNCA se esquecia de Saga! Era mesmo impressionante!
- Nós o esperamos no quarto dele, certo, Milo? - Milo assentiu e ficou quieto. Não por muito tempo, é óbvio.
- Kanon, não é nada do que você está pensando... – cacete! Por que ele tinha que se sentir tão culpado?, pensou Milo.
- Milo, ainda que fosse. Quando eu precisei de você, você ficou comigo. Quando você precisar, eu estarei lá por você. Pode contar com isso.
Milo olhou para Kanon com gratidão. Sim, a sua ligação com os irmãos Kyrillos transcendia tudo o mais. Mas era tão mais fácil se entender com Kanon... Já com Saga... Bom, a história mudava e muito. Kanon, que odiava momentos emotivos, ficou mais do que satisfeito com a chegada do carro.
- Bom, resolvido. Nós três vamos tomar o melhor chocolate quente de Paris. Vamos ao Angelina, na Rue de Rivoli.
E Kanon, Milo e Aldebaran se foram. Como se nada tivesse acontecido. Realmente, com o passar do tempo, eles ficavam cada vez melhores nisso.
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Por quê? Por que ele tivera que encontrá-lo após tanto tempo? Ele sabia que quisera isso com todas as suas forças, mas agora que acontecera, ele se arrependia de ter desejado aquilo por tanto tempo. E Kamus se lembrou, com amargura, de que uma vez fora avisado para tomar cuidado com o que desejava, pois aquilo ainda poderia acontecer. Ele nunca entendera o significado daquele aviso até aquele momento. Até aquele momento.
Ele já se acostumara com o fato de sonhar com Milo e acordar sem o encontrar ao seu lado. Ele já se acostumara a entrar em todos os lugares e procurar por Milo, sem de fato esperar vê-lo. Ele já se acostumara com o fato de que ninguém o fazia feliz. Ele já se acostumara com o fato de que ele teria sempre consigo aquelas lembranças e somente ... lembranças.
Sobre mais o que Milo deveria ter-lhe mentido? Que ele não tinha ninguém? Que ele não tinha família? Que ele se sentira atraído por si? Que ele nunca ficara com um homem? Oras, ele devia ter notado que Kamus não teria como mantê-lo em grande estilo e resolvera brincar consigo. Só podia ser isso. Porque agora, mais de dois anos depois, ele aparecia de caso com dois homens. Não um. Dois. E Milo parecera tão doce, tão verdadeiro. Ele parecera a realização de todos, todos os seus sonhos. E como tal, Kamus o guardara em um lugar especial de seu coração. Um local que agora estava irremediavelmente quebrado.
E Kamus pediu mais uma bebida. Ele e Shaka já haviam saído do restaurante há horas. E, desde então, Kamus não parara de beber. Possivelmente naquela noite ele não conseguiria levar ninguém mesmo para sua cama. Então que pelo menos ele se esquecesse das mentiras de Milo. Mas quando ia se servir de mais, Shaka não deixou:
- Kamus, já é o suficiente. Vamos para casa!
- Não. Preciso de mais!
- Kamus, o que aconteceu? Você sabe que eu faço qualquer coisa para te ajudar.
- Não adianta, Shaka. Eu devia saber. Um sonho é ... só isso. Um ... sonho. E hoje eu... acordei. – e Kamus continuou a beber.
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Atenas, menos de um ano atrás
O despertador tocou na hora marcada, bem mais cedo do que o normal, já que Aldebaran que teria que viajar com Kanon para Lárisa. Saga ainda não confiava totalmente em Krishna e Bian, os novos seguranças contratados para a equipe de Kanon. Então, nessa viagem, Aldebaran teria que ir. Mas tão logo Aldebaran se levantou, ele se sentiu extremamente tonto. O que seria aquilo? E tarde demais Aldebaran notou que fora drogado. É, bem que eu estranhei aquele monumento me dar mole! E Aldebaran caiu desmaiado na cama.
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Ah! Que saco! Aldebaran se atrasara! E se ele contasse para Saga que isso acontecera, ele iria, sem dúvida, levantar as hipóteses mais estapafúrdias! E ele simplesmente tinha que ir a Lárisa assinar aquele contrato. Ele tentara trazer o cliente a Atenas. Mas fora impossível. E era um contrato importante. Tanto que ele até ia levar o advogado. Bom... Milo. E não que realmente fosse necessário. Quer dizer, se surgisse algum problema, ele modificaria o contrato por lá mesmo. Mas a verdade é que Kanon queria ficar com Milo. Durante a semana. Eles só o viam nos fins de semana. E Kanon estava louco por Milo. Ele era lindo, quente, sensual, arredio, misterioso. Enfim, era uma chance de unir o útil ao agradável. Então, melhor não dizer nada a Saga, juntar os dois seguranças novos e pegar a estrada antes que Saga descobrisse. E Kanon se foi.
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Milo acordara bem mais cedo do que o normal. Ele simplesmente odiava, com todas as suas forças, acordar cedo. Ainda mais em uma 4ª feira. Ou 5ª, 6ª... Enfim, em qualquer dia da semana! Mas ele iria viajar com Kanon. E ele simplesmente TINHA que acordar cedo.
Estranho, desde que os três (sim, os três, confirmou Milo mentalmente) haviam iniciado aquilo (o que quer que fosse aquilo!) há 2 meses, essa seria a primeira vez que eles se encontrariam: a) a dois; b) num dia de semana...
Aquilo seria estranho! Ou normal demais! Mas, enfim, era a trabalho! Nada rolaria. E Milo se recriminou ao notar o calor crescente que o atingia. Trabalho!, forçou-se a pensar. E Milo desceu para esperar o carro.
Mal Milo entrou no carro, Kanon subiu a divisória que os separavam do motorista e escureceu todos os vidros. A partir daí todo e qualquer trabalho foi sumariamente esquecido. Como pensar em trabalho com Kanon tão disponível e de joelhos na sua frente? E ele era cliente. E merecia toda a sua atenção. Afinal, eles tinham pelo menos 2 horas até chegar à reunião.
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Algumas horas depois, Aldebaran acordou com alguém esmurrando sua porta. Um dos rapazes novos, um tal de ... Sorrento, lhe perguntava o que tinha acontecido. O que? O que mesmo tinha acontecido? E mal Aldebaran falou, o rapaz ligou para alguém:
- MdM? Aqui é Sorrento! Falha de segurança.
E o rapaz saiu correndo batendo a porta. Ai, minha cabeça, pensou Aldebaran.
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Estrada para Atenas - 15:45
Ótimo! Tudo correra bem! E ele ainda tinha mais 2 horas de estrada para aproveitar... o Milo! Será que ele devia levar Milo para sua casa? Bom, o certo é que o Saga fizera muita falta. Mas, ainda assim, fora ótimo. Sim, ele devia levar Milo para sua casa! Saga precisava dar uma relaxada também. O cara só trabalhava e se estressava. Aquilo não era vida. Milo fora ótimo para eles. Pelo menos eles haviam deixado de trabalhar aos finais de semana. E eles voltaram a velejar. E de vez em quando até saíam com os primos. Tudo fazia parte do efeito Milo na vida deles. Saga estava bem melhor.
Realmente fora um tiro certeiro. Quando Saga se interessara por Milo, Kanon fizera de tudo para incentivar. Ele até concordara em usar o velho golpe que eles usavam quando adolescentes. Nunca falhara. Com garotas ou rapazes. Também não falhara com Milo. As pessoas tinham um certo fetiche por gêmeos idênticos. E, afinal, Kanon faria tudo que estivesse ao seu alcance por Saga. Ele só não esperara que também ele acabasse por gostar de Milo. Bom, não exatamente gostar, pensou Kanon. Mas ele definitivamente se sentia extremamente atraído por Milo. E ele gostava muito daquele caso a três. E Saga estava bem mais feliz ultimamente. Sim, ele daria um jeito de Saga se encontrar com eles naquela 4ª feira. E Kanon já ia pegar seu celular quando este tocou. Ao olhar no visor e ver o nome de Saga, Kanon sorriu feliz. A sintonia entre eles nunca cansava de surpreendê-lo:
- Saga? Eu ia mesmo te ligar...
- KANON! ONDE VOCÊ ESTÁ? - xi, Saga estava estressado de novo... Definitivamente ele precisava de Milo...
- Calma, Saga! Estou voltando. Deu tudo certo. O Milo só alterou um pouco os contratos...
- Me ouve, Kanon! Houve uma séria falha de segurança. Há motivos para acreditar que ele vá tentar algo... Você tem que parar no primeiro local público e ficar por lá até o MdM ir te pegar e... – mas o carro bateu em algo e parou abruptamente.
Com a batida, o celular voou para longe. As portas do carro foram violentamente abertas e Kanon e Milo foram arrastados para fora por várias pessoas armadas. Kanon viu muito pouco antes de algo ser atirado por sobre sua cabeça e ele ser empurrado de forma violenta, junto com Milo, para algum lugar apertado. Possivelmente o porta-malas de outro carro. E ele deixara seu celular com GPS no outro carro. E também seu paletó. Oh, céus! Por que ele nunca ouvia o Saga? E aquele porta-malas era incrivelmente sufocante. Ele não conseguia respirar direito... Não é nada, Kanon. Nada. Nada. Nada, repetia Kanon para si mesmo enquanto o carro avançava velozmente.
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Escritório Central das Empresas Kyrillos - 16:51
Não! Ele pegara Kanon! Saga tinha certeza! Ah, deuses! Por quê? Por quê? Eles já não haviam passado pelo acidente? Não viram a família morrer? Os pais de todos morreram. O irmão mais velho do Aioria morrera. Já não tinha sido suficiente? O que mais eles precisavam fazer? Pelo que mais eles precisavam passar? Por que eles ainda tinham que suportar a obsessão de Julian Solo por Kanon? Por quê? Certo, Kanon não o acordara. E ele prometera acordá-lo. Mas o barco estava afundando! Céus, afundando e explodindo. Claro que Saga não deixara Kanon voltar para acordar Julian, que estava do outro lado da embarcação. Ele arrastara Kanon e os primos para a água. Ele ficara desesperado. E Saga chorou como sempre chorava quando se lembrava daquela maldita noite.
Ele fazia tudo para não se lembrar, mas às vezes as lembranças o pegavam desprevenido e voltavam. E elas voltavam de uma vez, como se fossem uma grande onda. Uma onda violenta, cuja força era demais para ele. A escuridão, o frio, o mar, as explosões, o fogo, os gritos. A sensação de perda! A certeza de que tudo iria mudar. A disciplina para nadar. A vontade de desistir. Os gritos dos primos menores. Os seus gritos tentando animar os primos. Falta pouco... Muito pouco... Só um pouco... Quantas vezes ele dissera aquilo? Quantas? E, enfim, eles chegaram à praia perto das ruínas do Cabo Sunion. Seu único consolo fora que Kanon sempre estivera ao seu lado.
Mas Tétis e Julian também se salvaram. Tétis, que nadava como uma sereia, salvara Julian Solo. Também os pais deles morreram no acidente. Nunca fora esclarecido quem fizera aquilo. Quem colocara a bomba no barco. Justamente quando as famílias estavam comemorando a união de suas empresas, o desastre ocorrera. E eles morreram. Os pais de todos. Os dirigentes das empresas. Tudo acabara ali. Até mesmo a admiração infantil que Julian Solo tinha por Kanon. Sem saber a quem culpar pela desgraça, Julian Solo culpara Kanon, que não o acordara como prometera. E, com o tempo, isso se transformara em... sabe-se lá o que! Aquilo não tinha nome. Era amor com ódio, com raiva e obsessão, com ciúmes e posse, com adoração e horror. E Saga tinha certeza... Julian Solo enlouquecera. E queria que eles enlouquecessem junto com ele. Ele nunca assumira a administração das empresas Solo. Esta coube a Tétis, sua irmã mais velha. O único passatempo de Julian Solo era perseguir Kanon e sua família.
Saga limpou as lágrimas. Não era hora de chorar. Era hora de agir. Kanon e Milo precisavam dele.
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Atenas, Escritório Central das Empresas Kyrillos - 18:15
Desde que recebera a notícia de Saga, MdM já havia berrado (e muito!) com Aldebaran. Brasileiro idiota. Era mais burro que um boi. Ou melhor, que um touro. Achar que uma mulher maravilhosa daria mole para ele de graça. Levá-la para sua casa. Deixá-la preparar as bebidas. Deixar-se drogar! Idiota! Mas com Aldebaran fora de órbita, ele tinha que escolher outros homens para a missão. Sim, pois Aldebaran valia bem por uns três! E MdM chamou todos em quem confiava. Mas eram tão poucos. Verdade que MdM tinha sérios problemas com confiança. Confiar nos outros era algo que ele raramente conseguia fazer. Mas ele teve uma idéia! Ele daria uma chance para aquele novato que descobrira a falha de segurança. Sorrento, não era isso? Ótimo! Sorrento estava no caso. E teria que descobrir o paradeiro de Bian e Krishna.
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Cabo Sunion - 18:15
Kanon e Milo foram jogados sozinhos em uma cela úmida. Somente então aquele capuz fora retirado e eles puderam olhar em volta. Um lugar úmido, velho, fechado, cheio de fungos. Kanon estremeceu ao reconhecer o local. E puxou o ar fortemente, mas o ar não veio. Kanon sentiu-se tonto e foi amparado por Milo.
- Kanon! Você está bem? – a voz de Milo estava preocupada.
- Estou, sim, Milo! – mas a voz de Kanon saía entrecortada.
- Você... está com falta de ar, Kanon? – sim, definitivamente preocupada, pensou Kanon com remorso.
- Um pouco, Milo. Mas já passa.
E Kanon se sentou no chão, tentando, desesperadamente, controlar a respiração. Mas seu esforço não era premiado pelo sucesso. E cada vez que ele tentava, o desespero se infiltrava mais e mais. A bombinha! Inspirar. Ficara em seu paletó! Expirar. Juntamente com a caneta com GPS. Inspirar. Como ele era idiota. Expirar. E não ouvira Saga. Inspirar. E a bombinha. Expirar. Ele nunca devia sair sem ela. Inspirar. Idiota! Expirar. Idiota! Inspirar. Idiota! Expirar. Por que ele não ouvira o Saga? Inspirar.
Milo olhava para Kanon tremendamente preocupado. Ele deixara de se importar com quem os pegara, com o que aconteceria com eles ou como eles sairiam desta. Kanon estava com óbvios problemas para respirar. E esse era o real problema do momento. E Milo sentou-se atrás de Kanon, fazendo com que Kanon apoiasse as costas em si e o abraçou levemente, dizendo:
- Kanon, acompanha a minha respiração, tá ok?
E foi assim que eles passaram as próximas horas. Num esforço imenso para simplesmente respirar.
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Atenas, Mansão Solo, 18:35
- Sr. Solo? Que bom que o senhor atendeu! Eles estão lá embaixo, na cela. Como o senhor pediu – o ser desprezível não cabia em si de feliz, por ser o portador das notícias para o belo jovem.
- Eles? – por que a voz de Julian Solo era tão assustadora?
- Si... Sim. Ele estava com um outro homem e ... nó... nós o trouxemos também!
- QUEM? – ele tremeu. Julian Solo lhe inspirava pavor. Um pavor reverencial.
- Um tal de... Milo Keramidas. É... advogado dele.
- Estou indo para aí – E Julian se foi.
Ele respirou aliviado. Onde estavam Krishna e Schylla quando se precisava deles? Eles precisavam esperar por Julian Solo.
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Escritório Central das Empresas Kyrillos - 20:32
MdM descobrira o paradeiro do carro. Eles o havia escondido na caçamba abandonada de um caminhão. Vazio. O celular de Kanon ainda estava lá. E também o seu paletó. E o remédio para asma. Que louco! Sair sem o remédio numa situação daquelas. Saga ficaria desesperado quando soubesse. Mas MdM precisava avisá-lo.
Sorrento, por sua vez, finalmente localizara o sinal do celular de Krishna e Bian. Fora complicado, uma vez que eles deviam ter usado bloqueadores ou algo parecido. Eles pareciam estar nas imediações do Cabo Sunion. Saga iria gostar de saber disso:
- Saga! É o MdM. Os dois traíras que acompanharam Kanon parecem estar no Cabo Sunion.
- Lá, de novo! – falou Saga pensativo.
- E Saga... O Kanon está sem o remédio! – ele sentiu o desespero de Saga.
- Me encontra no carro em 2 minutos, MdM. Nós vamos para lá.
- Mas Saga...
- Nem adianta, amigo. Eu também vou.
Bom, MdM sabia quando perdia uma batalha.
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Cabo Sunion, 21:35hs
Milo estava muito preocupado. Quantas horas haviam passado? Uma? Duas? Estava tão escuro que ele não conseguia ver seu relógio. E ninguém aparecera. Qual era a idéia daquele seqüestro idiota? E Kanon estava largado em seus braços, esgotado pelo mero esforço de respirar. E Milo tinha certeza que Kanon estava com muita febre. Ele delirava. E chamava Saga e a ele sem parar, entre uma arfada e outra. E falava mais alguns nomes que Milo não conhecia. Tétis? Julian? E pedia desculpas... Pelo que ele se desculpava? A única coisa que parecia acalmar Kanon era ouvir a sua voz. E Milo falava com ele, enquanto o incentivava a respirar. Kanon tinha asma. E ele não sabia. Também, o que ele sabia dos Irmãos Kyrillos? Muito pouco. Sabia que os dois eram lindos, ricos, atraentes, que velejavam, tinham primos, eram órfãos... Mas o que mais? Muito pouco. Eles dividiam tanto, mas ao mesmo tempo não dividiam nada. Mas Milo sabia que faria tudo o que estivesse em seu alcance para ajudar Kanon a sair dessa.
- Kanon? Inspira... Expira... Isso, meu lindo! Inspira... Expira... Você está indo muito bem! Inspira... Expira...Estou orgulhoso de você! Inspira... Expira...
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Cabo Sunion, 23:04hs
Julian Solo descia os degraus devagar. Ele colocara Kanon naquela cela. Aquela que os dois encontraram quando Julian era criança. Céus! Ele adorava Kanon, então. Por que ele tivera que abandoná-lo? Por quê? Mas Kanon iria pagar. Ele nunca teria paz. Ele nunca teria ninguém. Ele nunca seria feliz. Nem ele nem aquele seu irmão gêmeo insuportável. Ainda que ele tivesse que destruir tudo. Matar um por um. Ele iria acabar com a vida de Kanon. Como ele acabara com a sua. Kanon jamais teria paz. Kanon jamais teria amor. Kanon jamais teria nada.
E Julian finalmente chegou à cela subterrânea. Realmente, quem olhasse as ruínas jamais desconfiaria daquela cela. Ela não era aberta ao público. Mas Julian sabia que Kanon a reconheceria. Fora lá que ele, ainda criança, se declarara a Kanon. E Kanon não o quisera. E fora lá que ele decidira prendê-lo. Mas, ao chegar perto da cela, Julian se irritou. Kanon estava abraçado a alguém. E esse alguém agradava seus cabelos. Quem ele pensava que era para consolar Kanon? Kanon devia sofrer sozinho. E Kanon ordenou a Bian que afastasse aquele homem do seu Kanon. Maldito fosse Kanon! Ele ainda o considerava seu. Seu Kanon.
Julian se irritou ainda mais quando viu Kanon se abraçar ainda mais ao intrometido. E se irritou ainda mais quando ouviu:
- Milo! Fica comigo. – a voz de Kanon estava estranha, engasgada, desesperada.
- Me solta. Ele precisa de mim. – não, não era a frase típica de um advogado, interessou-se Julian. E Julian viu Milo soltar-se de Bian e abraçar-se a Kanon novamente.
- O Kanon... ele está com uma crise de asma. Ele precisa de remédio. Por favor – asma! Kanon tinha asma?, surpreendeu-se Julian.
Julian olhou para a cena com mais interesse, parado do lado de fora da cela, quando se deu conta da forma como Kanon se abraçava a Milo. E seus olhos se estreitaram. Ora, ora, ora. Maldito fosse Kanon. Não o quisera. Tentara matá-lo. Acabara com sua vida. E agora estava com... aquilo. Kanon, finalmente, se deu conta de que Julian Solo estava a poucos metros de si observando-o. E ele imediatamente soltou-se de Milo. Mas fora tarde. Tarde demais. Julian já vira.
- Julian! – a voz de Kanon estava fraca.
Somente então o tal do Milo o vira. Ele o olhara como se ele fosse uma aberração ou algo parecido. Quem ele achava que era? Quem? Ele era superior. Ele era divino. Aquela... coisa... não chegava aos seus pés. Aliás, devia beijar os seus pés...
Mas neste momento um verdadeiro tumulto se formou. Saga! E mais um monte de gente. Eles imobilizaram seus homens, o empurraram e soltaram Kanon e Milo.
Saga, pessoalmente amparou Kanon, que continuava tentando se abraçar ao tal do Milo. E, aparentemente, Saga trouxera o medicamento. Kanon o pegara avidamente, como se ele fosse água e Kanon estivesse sedento. E ninguém, absolutamente ninguém nem mesmo o olhara. Bom, Saga sempre o ignorara. Desde criança. Por isso mesmo sua adoração se dirigira a Kanon. Mas Kanon também não o olhara.
Ah! Mas ele iria olhar. Sim, ele iria olhar, pensou Julian Solo.
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Bom, saiu finalmente! Quem acompanha a minha outra fic, sabe que eu estou me esforçando para terminá-la. Por isso é que essa pobre fic padece mais ainda com meus atrasos.
Bom, gostaria de agradecer as reviews maravilhosas que recebi. Obrigada Nuriko-riki, Kalli Cyr Charlott, Sirrah, Tsuki Torres, Milo C. Glace, Litha-chan,, Dionisiah, Pure Petit Cat, Bela Patty e Love Kyo. Juro que se não fosse pelas reviews de vocês, esta fic ainda estaria na geladeira, esperando sua vez!
Beijos da
Virgo-chan
Nov/06
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