Regra número um: Nunca se importar.

Saiu às pressas pelo corredor. Não queria mais ficar naquela sala nem mais um minuto. Pegou seu gorro de lã e o sobretudo preto e saiu porta afora. Sabia que Drei, uma de suas 'colegas de trabalho' não havia dito nada daquilo por mal, mas apenas havia, com aquela conversa, feito Pansy relembrar momentos do passado os quais não estava preparada para rever em sua memória.

- Você não sente vontade de voltar atrás e deixar toda essa loucura de lado? - perguntou a ruiva, olhando-a seriamente, enquanto tomava um gole de seu forte café preto.

- Não é loucura, Drei. - rebateu Pansy, enquanto analisava alguns rascunhos de missão que teria de realizar.

- Qual é, Pansy, ao menos uma vez não seja a queridinha do chefe e diga que está de saco cheio de lutar e viver nas sombras de um ser supremo. - esbravejou Drei. Ela ainda tinha vinte anos, era jovem, não fazia nem dois anos que havia entrada para 'a causa'.

- Não, não estou. - bufou Pansy, levantando-se e saindo da sala.

Aquele breve diálogo com certeza havia deixado marcas em sua mente. Já haviam se passado oito anos desde que recebera a carta a qual havia decidido o resto de seu destino e desde então era uma Comensal da morte. Era uma das melhores, dominava Magia Negra como poucos conseguiam e era a Superiora da parte de interrogatórios do esquadrão do qual fazia parte. Tinha a vida que seus pais sempre sonharam para ela. Tinha a vida que eles queriam, mas nunca obtiveram. Era perfeito.

Todos na Armada de Voldermort se vestiam de preto, era como se fosse um uniforme. A guerra já estava em seu auge fazia dois anos e continuava lá. Sangue e mais sangue e nenhum dos dois lados dava o braço a torcer. Esquadrões de Comensais estavam espalhados pelos mais variados locais. E ela não tinha a mínima idéia de onde aqueles que um dia haviam sido seus amigos e colegas de Casa poderiam estar trabalhando, nem ao menos sabia se eles já estariam mortos àquelas alturas.

Respirou aliviada quando chegou à rua. Estados Unidos não era um lugar muito diferente da Inglaterra, ao menos não para ela, que em qualquer lugar realizaria o mesmo trabalho. Porém, sentia falta do sotaque britânico, da familiaridade com as ruas e de poder baixar a guarda por conhecer o país com a palma da mão.

Entrou em um café na frente de onde era o seu 'local de trabalho' e sentou-se em uma mesa mais afastada do resto. Pediu qualquer coisa e enfim pode parar um pouco de pensar no quanto corria perigo. Já não era mais um lugar seguro, as ruas.

Seu trabalho era algo difícil de definir. Já havia feito coisas muito tenebrosas, coisas das quais, covardamente, não gostaria de relembrar. Mas, as imagens vinham persegui-la toda noite, sem falta. Pansy havia se tornado uma fria e extremamente cruel assassina. Sabia todas as formas de fazer uma pessoa sentir dor. Algo brutal e totalmente sádico. Era a melhor no que fazia: tirar as respostas para as perguntas que queria de uma certa pessoa e então, matá-la. Era isso que fazia.

Pesquisa. Preparação. Seqüestro. Respostas. Morte. As cinco palavras mais comuns de seu cotidiano há mais ou menos cinco anos.

Após quinze minutos de pausa saiu nervosamente do café e retornou ao edifício cinzento e sem vida no qual trabalhava. Para quem visse, seria apenas mais um edifício de empresários. Mal sabiam os trouxas o que realmente se passava lá dentro.

- Valter Klaimann sendo interrogado na sala dois. Ele diz não saber nada sobre o Caso Foxter... O que você acha? - era Drei novamente, dessa vez com o olhar sério e o ar estritamente profissional. Ela era sua aprendiz.

- Ele está mentindo. - respondeu Pansy, simplesmente, enquanto pegava das mãos de um loiro alguns papéis para analisar. - O que é isto? - perguntou para o garoto, antes que ele saísse.

- Algumas informações para sua nova missão. - informou o mesmo, antes de voltar para sua mesa e continuar o imenso trabalho que tinha de ser feito.

- Porque você acha isso, Pansy?

- Em primeiro lugar: para você é Parkinson, McLister. - rosnou, sempre que Drei esquecia que trabalho era trabalho e horário de folga era outra história.

Drei bufou, colocando as mãos na cintura demonstrando impaciência.

- Simplesmente porque Valter Klaimann faz parte da Armada de Dumbledore como informante, McLister. Você saberia disso se tivesse feito seu dever de casa. - respondeu Pansy calmamente, porém, muito séria.

Entrou em sua sala e sentou-se em frente à mesa onde havia muitas coisas a conferir, a despachar, a pesquisar... E quando adolescente pensaria que ser um Comensal da Morte era só ação e não envolveria nenhum trabalho burocrático. Ambos os lados tinham suas desvantagens.

- Eu te direcionei para um caso simples, Drei. - repreendeu Pansy, num tom mais maternal, do que de uma superiora. – É um caso simples e fácil de ser solucionado. Klaimann é dono de uma loja de doces. O típico pacato pai de família. É claro que ele torce pelo nosso adversário. - respirou fundo, fechando os olhos por um instante. Drei tinha tanto o que aprender e tão pouco tempo para isso. Prosseguiu: - O que você tem que descobrir? Porque Dumbledore o escolheu como informante. Quais são os dotes interessantes dele. O resto? Já não é mais com você, certo?

- Certo. - concordou Drei, com um aceno de cabeça, levemente atordoada.

- Drei? - chamou Pansy, mais autoritária do que antes. - Se eu pudesse dizer isso oficialmente, eu diria que você deveria ter pensado mais de uma vez quando quis entrar para a AV.

- Porque diz isso? - perguntou Drei, ligeiramente confusa. Afinal, a ruiva sabia que aquele tipo de fala não era típico de sua superiora.

- Porque você não tem o sangue frio necessário para isso. - respondeu, sem papas na língua. - Você ainda pensa que esse cara pode ter uma família esperando por ele ou que ele merece viver um pouco mais a vida. Regra número um, McLister: nunca se importar.

- Certo. - murmurou, embaraçada demais para dizer outra coisa.

Assim que ficou sozinha Pansy colocou a cabeça entre as pernas. Aquilo era tudo o que sempre sonhara? Porque estava se tornando tão cansativo? Ao menos tempo em que ela queria um pouco mais de ação, temia a chegada do dia em que teria de fazer tudo o que as imagens de seus sonhos à noite a lembravam de que um dia ela já havia feito. Sentia-se completamente contraditória, mas não havia tempo para pensar nisso.

- Você não sente vontade de voltar atrás e deixar toda essa loucura de lado? - perguntou a ruiva, olhando-a seriamente, enquanto tomava um gole de seu forte café preto.

Novamente as palavras de Drei tomaram conta de sua mente. Porque, de repente, tudo o que aquela ruivinha dizia parecia importar tanto assim para ela?

Drei era, por demais, parecida com Blaise. E isso era algo que ela não queria lembrar.

Regra número um, Parkinson, nunca se importar.

Fora exatamente o que ouvira sua superiora um dia dizer, há mais ou menos oito anos atrás, em uma das primeiras aulas que tivera. Fora o primeiro ano na AV, quando ela, Draco e Blaise ainda faziam parte da mesma turma em Londres, na Inglaterra. Havia sido um ótimo ano, mas tudo havia ficado no passado, sem direito a recordações.

Aqui está o cap3. XD

Obrigadaaa a todas as pessoas que estão comentando. Isso realmente me deixa muito feliz. XD

Ainda mais porque Pansy e Blaise é um casal tão foufo, mas esquecido.

beeeijos pessoas! XD

ENJOY! XD