Talvez Acheron tinha tido razão depois de tudo. Talvez havia mais de humano nele do que pensava. Essa era a única razão em que podia pensar de por que se sentia deste modo agora mesmo.

O telefone soou fora do provador.

Ela saltou em seus braços e logo comprovou seu relógio de pulso. —Ah, não —suspirou ela—. Essa é provavelmente Tabitha. Devo me encontrar com ela e sua irmã para jantar esta noite.

Harry suspirou. Por alguma razão que não podia explicar, não queria deixá-la ir. Não queria que ela se separasse de seu lado.

Se ela fosse uma de sua gente, ela não pensaria em deixá-lo até o amanhecer.

Mas ela não o era.

E o desejo de ficar ali era louco. Ele era um lobo sob sentença de morte e ela era uma humana.

O que eles tinham compartilhado tinha sido excepcional, mas este era o momento de tirá-la de seus pensamentos.

Para sempre.

Beijando sua bochecha, ele se retirou dela e começou a vestir-se.

Gina se sentiu um pouco incômoda enquanto Harry lhe passava sua roupa. Não lhe pediu seu número de telefone ou algo mais enquanto colocava suas calças e botas.

Lamentava ele o que tinham feito?

Ela queria lhe pedir seu número, mas seu orgulho não a deixaria. Talvez estivesse sendo estúpida mas dadas as ações do Dino, não queria arriscar-se a sofrer outro machucado em seu ego esta noite.

Harry lhe fechou o vestido, logo colocou sua camiseta sobre a cabeça. - Seu carro está por perto? —perguntou ele.

—Está estacionado ali atrás, mas vou caminhar até o restaurante. É só umas poucas ruas de distância.

Lhe penteou o cabelo com seus dedos. Havia um ar de repentina tristeza nele.

—Você gostaria que eu caminhasse contigo?

Ela assentiu.

Ele sustentou a cortina aberta para ela. Ela a esquivou e deu volta para olhar como colocava sua camiseta em seu jeans. Ele passou a mão por seu cabelo para colocá-lo de novo em seu lugar.

Toda a alegria se foi dele agora. Havia algo quase predatório nele.

Ele foi esperar lá fora enquanto ela punha o alarme e fechava a porta.

Ela se sentiu ainda mais torpe enquanto tratava de lhe sorrir ao sair da loja. O ar estava um pouco fresco, mas ele não parecia notá-lo. Passou-lhe um braço ao redor de seus ombros enquanto se dirigiam para o restaurante favorito da Tabitha, o Acme Casa de Ostra.

Eles não falaram enquanto caminharam. Gina o queria, mas o que dizia uma mulher a um cara que acabara de lhe dar o melhor sexo de sua vida?

Um cara que ela não conhecia.

Um cara que ela muito provavelmente nunca veria outra vez.

Ah, como odiou isso. Esta era a primeira vez em sua vida que tinha tido uma relação de uma só noite. Mas era desconcertante ter estado tão intimamente com um completo desconhecido.

Ele foi desacelerando os passos à medida que se aproximavam do restaurante.

Gina jogou uma olhada na grande janela grafite. Ela tinha tido razão, suas amigas estavam já ali e viu que Tabitha marcava um telefone celular. Sem dúvida Tabitha tinha sido quem havia lhe chamado, e se Gina não entrasse logo, ela começaria a preocupar-se.

—Bem —disse ela, separando-se de Harry—. Suponho que é aqui onde nos dizemos adeus.

Ele assentiu e lhe ofereceu um amável sorriso. —Obrigado, Gina.

—Não —disse ela, tocando o colar que lhe tinha dado—. Eu que agradeço.

Ele beijou sua mão, voltou-se, colocou suas mãos dentro de seus bolsos, e andou devagar rua abaixo para o Bourbon Street. Com seu coração pesado, ela olhou aquele masculino rebolado.

— Gina?

Ela deu a volta para ver que Mina Devereaux estava de pé na entrada aberta.

—Está bem? —perguntou.

Assentindo, Gina se obrigou a entrar. Mina a conduziu a uma mesa perto da janela onde sua irmã, Tabitha, estava sentada.

—Oi, Gina —disse Tabitha, em seu modo próprio de saudação enquanto desempacotava uma bolacha—. Está bem? Parece um pouco distraída.

—Não sei —disse Gina enquanto tomava o assento frente a Tabitha—. tive o dia mais estranho de minha vida e penso que pude acabar de cometer o maior engano de todos os tempos.

Só que não estava segura se o engano tinha sido deitar-se com alguém a quem ela não conhecia ou havê-lo deixado ir.


Com o coração pesado pelo remorso, Harry caminhou pelo French Quarter por volta do 688 da Avenida Ursulines onde o bar O Santuário se erguia na esquina. O edifício de tijolos vermelhos tinha as típicas portas de um salão do oeste com um pôster para fora que tinha a silhueta de uma motocicleta recortada contra uma lua cheia sobre uma colina.

Uma atração turística, o bar de motociclistas estava lotado como sempre por aldeões e turistas. Havia já várias motocicletas alinhadas sobre a calçada que pertenciam a uma banda de motociclistas locais que se chamavam a si mesmos os Cães do Vieux-Doo(. A primeira vez que tinha visto os rudes motociclistas entrar no edifício, Harry havia rido. Os motociclistas humanos não tinham nem idéia que O Santuário não era um lugar para eles. Este era um dos estranhos refúgios para os de seu tipo.

Em todo mundo, e em vários períodos de tempo, certas famílias dos Were-Hunters tinham estabelecido lugares como este onde os membros Katagaria podiam ocultar-se enquanto escapavam de seus inimigos. Mas de todos os refúgios para animais conhecidos, O Santuário de Mamãe Vas Peltier era o mais respeitado e renomado. Sobre tudo porque o seu era um dos poucos estabelecimentos que davam as boas-vindas aos Dark Hunters, Apolitas, Daimons, e deuses por igual. Enquanto viesse em paz, permitiriam-lhe partir com todas as partes de seu corpo intactas.

Assim o lema do Santuário era: Não me morda e não te morderei.

Qualquer um que violasse essa regra rapidamente seria sacrificado por um dos onze filhos de Mamãe Peltier ou seu excepcionalmente grande companheiro. Era um fato conhecido que Papai Urso Peltier não jogava com ninguém salvo Mamãe Vas.

Embora Mamãe e seus moços eram ursos em sua forma natural, eles davam boas-vindas a todos os ramos da Katagaria: leões, tigres, falcões, lobos... Não havia um só grupo conhecido que ao menos não tivesse um membro que se ocultasse aí.

Demônios, havia até um drakos, e no geral os dragões poucas vezes faziam do século vinte e um seu lar. Devido a seu tamanho, os dragões tinham uma tendência a viver em suas vidas passadas onde uma população humana menor e campos abertos faziam mais singelo para eles ocultar-se.

Os Peltiers até tinham um Sentinela Arcadiano quem cuidava do lugar. Os Arcadianos eram Were-Hunters que tinham corações humanos e eles eram inimigos mortais dos Katagaria, quem tinha corações de animal. De fato, as duas espécies tinham estado em guerra durante milhares de anos.

Os Arcadianos eram supostamente o ramo mais amável da gente de Harry, mas sua experiência lhe dizia que isto era fazer-se ilusões de sua parte. Ele mais confiaria facilmente em um Katagaria com um coração de animal que em um Arcadiano com um coração humano qualquer dia.

Ao menos os animais lhe atacavam abertamente. Eles não eram nem de perto, tão traidores como um humano.

Mas ao fim, nenhuma fêmea Katagaria tampouco o tinha abraçado do modo em que o tinha feito Gina. Nenhuma, jamais, tinha-o feito sentir tão estranhamente protetor que quão único queria era voltar para restaurante onde a tinha deixado, tomá-la em seus braços e a levá-la a casa com ele.

Isto não tinha nenhum sentido.

Ele cruzou de um limiar pelas portas do bar para encontrar ao Dev Peltier sentado sobre um alto tamborete na entrada. Dev era um dos quadrigêmeos de Mamãe Vas. Embora eles parecessem idênticos, cada um dos quadrigêmeos tinha uma personalidade e porte muito distinto.

Dev era fácil de levar e lento de zangar. Ele exsudava um ar de poderosa graça e se movia metodicamente como a maior parte dos ursos, como se tivesse todo o tempo do mundo. Mas Vane sabia que o urso podia ser tão condenadamente rápido para mover-se como qualquer lobo. A primeira vez que ele tinha visto o Dev arremeter contra seu irmão menor Serre em um jogo de luta, ele tinha desenvolvido um saudável respeito pelas habilidades do urso.

Esta noite, Dev levava uma camiseta negra que logo que cobria a marca do arco da Artemisa sobre seus bíceps que tinha como advertência aos Daimons e os Apolitas que ocasionalmente se aventuravam dentro do bar. Ele jogava cinco cartas com o Rudy, um dos empregados humanos que não tinha nenhuma idéia que a metade da "gente" no bar era realmente parte animal que andava em duas pernas.

Rudy tinha o murcho cabelo negro recolhido em uma rabo-de-cavalo, e uma cara áspera que mostrava cada signo de quão dura tinha sido vida do ex-estelionatário. Ele tinha uma barba negra entupida e cada polegada de pele exposta estava coberta de uma espécie de tatuagem colorida.

O homem era realmente imundo e, a diferença dos Were-Hunters quem fez desse lugar sua casa, ele não era atrativo. De fato, esse era o modo mais fácil de diferenciar aos humanos dos animais. Já que a gente de Harry valorizava a beleza em cima de todo o resto, era estranho encontrar a um Were-Hunter pouco atrativo.

Como seus irmãos, o encaracolado cabelo loiro do Dev caía de qualquer maneira por suas costas. como sempre, levava-o solto. Ele usava um par de jeans ajustados, descoloridos e botas negras.

Dev o saudou com uma inclinação de cabeça. —Hey!, lobo, está bem?

Harry se encolheu de ombros enquanto se aproximava deles. —Só cansado.

—Talvez deva tirar um cochilo na casa —disse Dev enquanto tomava duas cartas mais.

A Casa Peltier estava junto ao bar. Era ali onde eles podiam assumir suas formas de animal sem medo a ser descobertos. Os Peltiers tinham mais sistemas de alarmes que Fort Knox e ao menos dois membros da família estavam de guarda em todo momento contra qualquer intruso, humano ou de outra classe.

—Está bem —disse Harry—. Ele ganhava seu sustento e o de Fang. A última coisa que queria é que alguém pudesse acusá-lo de receber caridade do clã Urso, então ele trabalhava em médio dez horas por dia, cada dia, para os Peltiers. —Disse a Nicolette que substituiria a Cherise na barra esta noite.

—Sim —disse Rudy enquanto dava uma tragada em seu cigarro, logo acomodando suas cartas—. Cherise está louca para ir para casa mais cedo. Nick vai levar Antoine para seu aniversário.

Harry tinha esquecido os aniversários humanos. Por alguma razão, eram especiais para as pessoas. Provavelmente porque tinham tão poucos deles.

Harry se desculpou e se dirigiu para a barra. Ele passou pelas mesas onde Wren, um estranho leopardo branco Katagaria, estava limpando. Marvin o macaco (o único animal no Santuário que não podia adotar a forma humana) estava sentado sobre o ombro do leopardo e sustentava o loiro cabelo do Wren.

Esses dois tinham uma estranha relação. Como Harry e Fang, Wren tinha vindo ao Peltiers como um exilado. Ele se mantinha reservado e poucas vezes falava com algum outro que Marvin. Ainda assim, havia algo mortal nos olhos do leopardo que dizia a todo mundo que o deixassem sozinho se valoravam suas vidas.

Wren olhou enquanto Harry passava pelas mesas que estava limpando, mas não disse nada.

—Hey!, Harry! —disse Cherise Gautier, seu rosto se iluminou quando o viu. Ela era uma formosa mulher loira no começo dos quarenta anos. Seu sorriso sempre preparado e um bom coração poderiam persuadir a quase todo mundo—. Está bem, carinho? Parece cansado.

Ainda o assombrava quão intuitiva era Cherise para ser uma humana. Harry levantou a seção traseira da encimera da barra e entrou na área de servir.

—Estou bem —disse ele, mesmo que não sentisse assim.

sentia-se como se algo lhe faltasse. Como se devesse voltar para Gina.

Quão estúpido isso era?

—Está seguro? —perguntou ela.

Ele podia sentir sua preocupação. E isto o fez sentir extremamente incômodo. Ninguém que não fora seu irmão e ou sua irmã jamais tinham dado nada por ele.

Cherise era uma humana estranha.

Ela atirou a toalha branca com a que tinha estado limpando a barra sobre seu ombro. —Sabe, meu filho é da sua idade.

Harry lutou contra o impulso de rir disto. Nick Gautier tinha vinte e seis anos, em anos humanos, enquanto ele tinha quatrocentos e sessenta anos. Mas certamente, Cherise não tinha nem ideia da verdadeira idade de Harry. Tudo o que ela sabia era que seu filho trabalhava para os Dark-Hunters, quem eram todos imortais caçadores de vampiros.

—E sei como vocês, moços, descuidam-se. Tem que te cuidar mais, carinho. Juro que não tiveste um dia livre desde que Mamãe te contratou. Por que não toma a noite por uma vez e vai obter um pouco de diversão?


Bom, vocês conheceram "O Santuário". Lugar onde muitas coisas acontecem...

Acho que esse capítulo ficou meio atordoado devido ao acréscimo de personagens. E sei que ficou meio confuso.

Enfim, quem quiser se inteirar mais desses personagens ao redor da história, os livros da série "Dark Hunters" estão disponíveis em diversos sites para download.

Floka: Que bom que você é uma amiga muito legal, rsrsrs. Amei o Trevo *-*

fermalaquias: Obrigada ^^ E sim, eu tbm fico muito vermelha nesse capítulo, rsrs.

EmmerlyK: Obrigada... Sou apaixonada pela série, e toda vez que vejo esse casal nos livros relaciono com Harry e Gina. Não sei por que!

YukiYuri: Oie! Estou adaptando Jogo Noturno (Night Play) cujo casal é Vane e Bride '-' Espero que esteja gostando.

yukiyuri: Siiim! Felizmente, ela tinha o Harry para consolá-la. E a Gina é realmente corajosa. Obrigada pelos reviews *-*