Shipper: Hohenheim / Trisha

Gênero: Geral/Romance

Fiction Rated: K+

DISCLAIMER: FMA não é meu. Triste, não é?

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Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe,

e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne.

(Efésios 5:31)


Uma só carne


O homem se deparou com uma série de livros estranhos, reunidos em um único volume, que compunha o cânon de uma religião antiga, há muito extinta. A leitura, rica em simbolismo e elementos fantásticos, conquistou o alquimista que acabou lendo o livro espiritual com um olhar intelectual.

Era um livro curioso com regras de conduta das mais diversas que buscavam a ordem social. Nenhuma novidade... Uma religião sacerdotal como tantas outras, com critérios rígidos e mandamentos severos que se dissolviam em sua total inaplicabilidade de fato, o que, hipocritamente, era reconhecido pela própria religião no conceito universalizante de pecado.

Uma autentica farsa!

Hohenheim só fazia rir da criatividade humana que, quando não conhece a Verdade, acaba inventando uma verdade menor para seguir.

Mas havia uma coisa que chamou sua atenção. Ao lado da submissão feminina ao cabeça da casa, havia inúmeras ordens aos maridos que amasse suas mulheres...

... Amassem-nas como seu próprio corpo.

... Amassem-nas como si mesmo.

... Amassem-nas a ponto de se entregarem por elas.

... Simplesmente as amassem.

O homem já estava deitado, absorto em sua leitura, quando sua linda esposa ocupou o lugar ao seu lado na cama. Trisha entrou silenciosa debaixo das cobertas, virou para o outro lado e desejou um "boa noite" pouco amistoso, o que já vez Hohenheim olhar por cima do grosso volume que estava terminando para prestar atenção no que estava acontecendo.

Ele fechou o livro e fez a pergunta definitiva:

- Qual é o problema, querida? - já esperando a resposta que se seguiria, ou que não viria.

- Nada não... – respondeu ela ainda sem se virar, com a mágoa evidente em seu tom.

- Aconteceu alguma coisa. O que foi? – insistiu e ela acabou se virando na cama, mas continuou relutante em dizer o que havia de errado, dando uma última chance para que o outro percebesse o que era usando seus super poderes mágicos e sua boa de cristal. Ele precisava lembra-la de que era um alquimista e não um adivinho...

- É que... tem muito tempo que você não faz aquilo. – disse em tom dengoso e os olhos tristonhos.

- "Aquilo"? – repetiu a palavra da esposa, tentando se lembrar da última vez, mas ela não parecia tão distante.

- Sim. – confirmou Trisha se sentando na cama com toda convicção do mundo em seus olhos verdes e ajeitando seu cabelo de lado - Quando nós nos casamos, você costumava fazer o tempo todo, mas agora...

- Então precisamos remediar isso – segurando o queixo da esposa para que ela o mirasse nos olhos. Não ousava discordar do que a esposa tinha tanta certeza, então só transmutou a flor e entregou o botão entreaberto para a mulher que, agora, estampava um sorriso no rosto.

Trisha cheirou timidamente a flor e depois tomou o livro das mãos do esposo, marcando a página com a flor que acabara de receber, e depositando os dois no criado mudo ao lado da cama, deitando-se em seguida.

Hohenheim tirou os óculos e a acompanhou.

A religião messiânica fracassou, mas a frase não poderia estar mais certa ao mandar os homens se limitarem a amar suas mulheres, porque entende-las seria uma mais uma ordem impossível.

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N/A: Mais uma vez todas as minhas idéias acabavam tomando tom de drama. Vai ver é porque esse é mais um casal trágico que a Vida (ou o roteirista) tratou de separar prematuramente. Não saiu nada engraçado, mas pelo menos não dá pra ninguém chorar... só se for de pena de mim, mas nesse caso dá pra rir tb.

Hohenheim lendo a Bíblia é uma imagem bastante esdrúxula, mas o livro, sem levar em conta seu caráter sagrado, é uma construção literária bem interessante e cheia de frases de efeitos e estórias grandiosas.

Próximo casal: Sig/Izumi.