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Despedida de Solteiro

"Hinata foi contratada para ser a moça que sai do bolo numa despedida de solteiro, mas coisas muito estranhas acontecem e ela acorda nua, num quarto desconhecido e junto com o noivo."


Adaptação da obra de Karen Kelley.

Disclaimer: Uchiha Sasuke não me pertence, mas eu pertenço a ele, e é tão prazeroso quanto.


Capítulo 4.

— O que está escrito aí? — perguntou Sasuke, estranhando a expressão na face de Hinata.

— Oh, nada — replicou ela, tentando um sorriso. — Quem é bobo de acreditar num pedaço de papel enfiado dentro de um biscoito?

Mulheres grávidas eram definitivamente estranhas, pensou Sasuke. Ou talvez fosse somente ela. Ele supôs que realmente não importava. O que importava era a criança que carregava. Seu filho.

— A propósito, não acho uma boa idéia você dirigir aquela... — ele quase disse "lata velha" — ...seu carro — corrigiu a tempo.

Ela parou de mastigar o pedaço de biscoito. Definitivamente, ele não simpatizava com seu carrinho azul.

— Você tem que admitir que seu carro parece não ser capaz de dar a volta no quarteirão — redarguiu na defensiva do olhar que ela lhe dirigira. Pigarreando, tentou explicar seus motivos: — Agora que você está carregando nosso filho, eu preferiria que não mais dirigisse, entende?

Hinata dobrou o guardanapo com cuidado e colocou-o ao lado do prato.

— Você quer meus sapatos também?

— Seus... o quê?

— Não é assim que um homem antiquado, démodé, como dizem os franceses, acha que uma mulher deve ser? Descalça e grávida. "Mantenha a mulherzinha em casa. Tão mais fácil para ela ficar longe de problemas".

Sasuke começou a rir. Não podia se conter. Hinata estava longe de ser um tipo de mulher subserviente. Ela ergueu o queixo e cruzou os braços em frente do peito. A batida rítmica de seus pés debaixo da mesa quase o fez perder o controle.

— Você me entendeu errado — murmurou ele. — Pensei que você poderia gostar de dirigir o BMW.

Ela descruzou os braços e a batida frenética parou. Nossa, como estava bonita com aquele olhar de confusão na face. Ele tinha que se lembrar de deixá-la confusa mais vezes.

— E você, o que dirigirá? — indagou ela.

— Tenho um outro carro. Deixarei as chaves no aparador do hall, caso você queira ir a algum lugar. O BMW está a sua disposição. É todo seu.

Ele hesitou, porém, notando o constrangimento dela por ter julgado mal as suas intenções, rendeu-se.

— Ouça, sei que você está atravessando um período de ajustamento. Pense que será somente por alguns meses. Depois do nascimento de nosso bebê, você pode voltar para seu próprio apartamento. As únicas vezes que me verá serão quando eu pegar a criança.

Meu Deus, o que ele fizera? Em vez de fazê-la sentir-se melhor, Hinata parecia que ia chorar. Que Deus o ajudasse. Ou não conseguiria conviver com uma mulher grávida pelos próximos sete meses.

Ela era, com certeza, diferente de qualquer mulher que conhecera. A única vez que Karin mostrara alguma emoção foi quando o pegou na cama com Hinata. Sua noiva anterior conservava os sentimentos para si mesma.

Uma mulher chorando na frente de Sasuke o deixava perdido. E ele temia que estivesse prestes a ter uma mulher histérica nas mãos. Era melhor pensar em alguma coisa real, rapidamente.

— Olhe, se falei algo que a aborreceu, peço desculpas.

Ele sorriu, mesmo que não tivesse idéia de que estava se desculpando, mas o sorriso desapareceu quando notou um brilho de lágrimas não derramadas refletido nos olhos dela. Ela fungou e o lábio inferior começou a tremer.

— Você — o corpo dela se sacudia inteiro —, você não me quer aqui.

— Se eu não a quisesse aqui, por que insistiria que se mudasse para cá? — apontou ele, exasperado.

— Por causa do bebê.

— Ouça, você está extenuada. Por que não se deita por um mo mento? A excitação da mudança a cansou.

Ele esperava que fosse isso realmente. Viver com Hinata daquele jeito seria o suficiente para deixá-lo louco.

Ela assentiu.

Sasuke suspirou aliviado. Pelo menos, ela não ia chorar. Não saberia o que fazer se ela chorasse. Durante os anos, aprendera tudo sobre publicidade, mas absolutamente nada sobre lágrimas de uma mulher.

Ambos levantaram-se e ele caminhou a seu lado para o quarto.

— Estou certo de que poderemos conviver muito bem pelos próximos meses. Se pensarmos em nós como colegas de quarto num internato, tudo funcionará esplendidamente.

Quando ela deitou-se, Sasuke puxou o cobertor e cobriu-a.

— Tentarei — sussurrou ela com voz trêmula.

Ele sentiu-se vitorioso. Invertera uma catástrofe com sucesso. Era como levar em frente um negócio. Você somente tinha que saber como lidar com as pessoas. Uma coisa que estava acostumado a fazer todos os dias.

— Você se sentirá melhor depois que descansar — afirmou ele. E então viu algo que lhe chamou a atenção. — Meu Deus, o que é aquilo? — Sasuke apontou para a criatura alada pousada numa caixa atrás da porta.

— Ino falou que você não gostaria dele e estava certa—disse Hinata, caindo em prantos.

— Como posso não gostar dele quando não sei o que é aquilo?

— Seu nome é Buyo e é minha coruja de estimação.

Sasuke foi até o pássaro empalhado e pegou uma pena do alto da caixa.

— Detesto dizer-lhe isso, mas Buyo está mudando de penas — Ele fungou uma vez, então mais uma. — E está cheirando mal.

— Não está!

A situação devia ser cômica e Sasuke quase sorriu, até que olhou para Hinata deitada na cama, parecendo tão desprotegida. Seu coração compadeceu-se. Ela enxugou as lágrimas e então aquele olhar teimoso voltou à face.

— Se Buyo tiver que ir embora, eu vou junto.

— Por acaso, eu disse que você tinha que se livrar dele?

— Não, mas posso jurar que você não gosta dele.

— Se você conservar Beyo no seu quarto, ele pode ficar por quanto tempo quiser.

— O nome dele não é Beyo. É Buyo.

Sasuke fez uma reverência em direção à coruja.

— Minhas mais sinceras desculpas, Buyo.

Ela pareceu satisfeita com a atitude e então Sasuke saiu do quarto.

Hinata era estranha. Não fazia o seu tipo, pensou ele, mas, como aquele casamento não era real, não importava o que pensava dela.

Engraçado. Por que aquilo o fazia sentir-se como se pudesse estar perdendo algo importante? Meneando a cabeça, foi para a sala de jantar e começou a retirar a louça da mesa. Talvez fosse uma boa coisa não ter se casado com Karin, se casamento fazia você sentir-se daquela maneira.

Olhando para o que restara de comida, seu estômago revolveu-se. Esperava que não tivesse contraído uma virose. Sentia-se enjoado. Teria que ter cuidado para que Hinata não pegasse o vírus por causa dele.

Quando retirou o prato dela, notou o papelzinho embaixo. No momento que leu as palavras, começou a gargalhar.

Não se afaste do caminho que o destino escolheu para você.

Esse seria o motivo do estranho olhar que dominou as feições dela no fim do jantar? Será que pensava que se casar com ele era seu destino? Sim, só poderia ser isso.

Distraidamente, pegou outro biscoito da sorte e o quebrou. Seu sorriso rapidamente desapareceu quando leu o vaticínio:

O destino está freqüentemente perto, mas a consciência disso pode ser cega.

Tolice. Hinata estava certa. Era apenas uma porção de bobagens que os chineses inventavam.


— Sasuke? Você está bem? — perguntou Hinata.

As palavras dele eram abafadas e ela tinha dificuldade de saber exatamente o que ele estava dizendo, mas parecia que respondera que estava bem. Ele ficara no banheiro por algum tempo e o barulho indicava que o estômago do homem não estava nada bom.

Finalmente, ele saiu e falou:

— Não fique muito perto de mim. Não quero que você se contamine com algum vírus que peguei.

De fato, ele parecia péssimo. A face estava pálida e a testa úmida.

— Há algo que eu possa fazer por você?

Ela não sabia por que devia estar preocupada, mas estava. Hinata imaginou que era porque, não muito tempo atrás, sofrerá de indisposição pela gravidez. Agora que não sentia mais enjôos, podia ser um pouco empática.

— Talvez uma canja?

Aquilo podia não ser a melhor coisa a sugerir, pensou ela quando a porta do banheiro bateu na sua cara. Ele parecera um pouco verde.

— Tem certeza que não quer ir ao médico comigo hoje? — gritou Hinata.

Ela não entendeu a resposta.

— Você sabe, posso perfeitamente ir sozi...

A porta se abriu, batendo na parede com estrépito. Bem, pelo menos ele não estava mais tão verde.

— Eu disse que iria com você e vou. Quero fazer parte de tudo que tem a ver com o bebê. Mas, por favor, não mencione comida novamente.

— Será que você está com gravidez psicológica também? — brincou ela para aliviar a tensão reinante.

Mas o olhar que ele lhe devolveu mostrava que a brincadeira não causara o efeito que ela esperava.


— Seus exames mostram que tudo está perfeitamente normal, sra. Uchiha. De acordo com meus cálculos, você está com dois meses e meio de gravidez — A Dr. Tsunade sorriu-lhes através da mesa.

— Quero que tome algumas vitaminas, imediatamente. Queremos um bebê saudável, não queremos?

Hinata sorriu. Será que a médica idosa era assim tão empolgado com todas suas pacientes?

—E, alguma idéia, doutora, se o bebê saudável será um homem bem forte ou uma princesinha? — perguntou o pai da criança, sorrindo.

— Muito cedo para uma ultra-sonografia. Você terá que ter paciência.

— E quanto a mim, doutora? — continuou Sasuke. — Deverei ficar longe de Hinata? Posso me mudar para um hotel até que me livre desse vírus.

A médica sorriu com discrição.

— Esta é a razão pela qual pedi à enfermeira para tirar seu sangue. Deveríamos já ter os resultados — O interfone tocou, interrompendo-a. — Com licença — Ela pegou o telefone e ouviu o que a secretária dizia. Após desligar, anunciou: — Como eu suspeitava, você está sofrendo de indisposição matinal da gravidez.

Hinata meneou a cabeça.

— Oh, eu já passei por isso. Na verdade, estou me sentindo ótima.

— Não você, sra. Uchiha. É do sr. Uchiha que estou falando.

— O quê? — Sasuke agitou-se na cadeira. — Você está brincando. Homens não pegam esse tipo de indisposição. Só pode ser uma brincadeira.

— Realmente não é tão incomum como a maioria das pessoas pensa. Chamamos isso de dor empática. Na maioria das vezes, não dura muito tempo.

Ela tirou os óculos e começou a limpá-los com o lenço.

— É claro, há casos documentados de que o marido sente todos os sintomas da gravidez da mulher, durante a gestação inteira — ele ajustou os óculos e sorriu para ambos. — Embora estes casos sejam extremamente raros.

— Já ouvi falar em gravidez psicológica de cadelas, mas nunca sobre o que Sasuke está sentindo — murmurou Hinata.

— Isto é ótimo. Formidável — disse Sasuke. Ele se imaginou no meio de uma reunião importante, tendo que correr para o banheiro. Como explicaria isso?

Desculpem-me, cavalheiros, estou passando um mau pedaço com enjôo de gravidez.

Era só o que me faltava, pensou Sasuke.


Continua...


Um minuto de silêncio...

Imaginem, pessoas, o Sasuke com aquela cara de quem acabou de chupar limão sofrendo de indisposição matinal por causa da gravidez... *hisui-chan limpa as lágrimas no canto dos olhos de tanto rir*

Na boa, este é um dos episódios mais ilários. É tão diferente do Sasuke que estamos acostumadas. rs

Desculpem a demora, é que eu to numa correria por causa da escola e também tive um pequeno desentendido numa outra fanfic minha, o que me desanimou um pouco. Mas, quem acompanha Senhora Fada, o capítulo provavelmente sairá este final de semana. :D

Agora vou responder as anônimas, que as outras deixo por reply:

Rainie: Hey floore! Espero que tenha satisfeito a sua curiosidade! Parece que tudo e todos estão tramando para que esse relacionamento seja, no mínimo, diferente.. rs Beeijos.

jhe: Yoo! Fico feliz que goste flor! Espero que tenha dado bastantes risadas neste cap. Beeijos.

c-chan: Hey! Eu também não me importaria de casar com ele não sabe... um homem tão seeeexy! *-* Mas concordo com a condição da mesma cama... ui! rs Beeijos.

O resto será respondido por MP. :)

Lembrem-se: Reviews movem montanhas, ou melhor, capítulos.

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Beeijos.