Distância

A dor que traz o adeus

De alguém que vive em meus sonhos

Quero estar mais perto

Dessa luz que é o seu olhar

Hiei, Kurama, Kuwabara e Yusuke tinham uma nova missão e teriam que ir para o Makai por tempo indeterminado. Botan não queria se separar de Hiei e pretendia ir junto, mas o youkai não concordava.

- Eu não quero ficar longe de você, Hiei. – Disse a jovem. Os dois conversavam afastados dos outros.

- É preciso. O Makai é muito diferente daqui. E muito mais perigoso. Não é qualquer um que aguenta a atmosfera de lá.

- Mas...

- Além disso, posso não ser capaz de protegê-la e lutar ao mesmo tempo. Se você estiver lá, não vou poder lutar direito. – Hiei não se sentia a vontade dizendo esse tipo de coisa, mas sabia que só assim poderia convencer Botan a ficar. Às lágrimas, finalmente ela concorda.

- Mas como vou saber se algo acontecer com você?

- Nada vai acontecer comigo. Não sou nenhum fraco. – Ela concorda com a cabeça. O koorime dá um leve sorriso e a puxa para si, dando-lhe um beijo. – Logo você vai ter algo para ocupar sua mente.

- O que você quer dizer com isso? – A guia pergunta franzindo o cenho.

- Logo você vai saber. – E com um último olhar, Hiei segue com os outros para o Makai.


No frio da cidade

Eu só vejo solidão

A força da bondade tão distante da ilusão

Os dias passam lentamente para Botan. E apenas duas semanas tinham se passado. O que ela podia fazer para suportar essa distância até que Hiei voltasse? Ele dissera que ela teria algo em que pensar além dele, mas o que seria isso?

Nesse momento a jovem sentiu um enjoo e correu para o banheiro. Será que comera algo estragado? Mas não estava comendo muito ultimamente e... Será que... Mas não podia ser... Era a isso que Hiei se referia? Será que ela estava grávida?


Eu só quero tocar em suas mãos

Te ter mais perto de mim

Botan fez alguns exames e logo teve a certeza de sua gravidez. Por que Hiei não lhe dissera logo do que se tratava? Os dois teriam um filho. A jovem andava pelas ruas sorrindo, mas de repente ficou séria. E se ele não quisesse o filho? Por isso não falara antes... Mas não podia ser. Hiei parecia satisfeito quando lhe disse que teria algo em que pensar. Botan voltou a sorrir. Ia começar a comprar as roupas para o bebê. Ela e Hiei moravam num apartamento de dois quartos, logo o bebê já tinha seu quarto. Só precisaria arrumá-lo. Com certeza isso a distrairia no meio dessa espera.


E sentir um abraço teu

Que esse momento nunca tenha fim

No Makai, Hiei, que estava sentado no galho de uma árvore, aproveitava um momento de descanso para pensar em como Botan estaria. A essa altura ela já devia saber da gravidez. O youkai deu um sorriso de lado. Poucos dias antes de sua partida tinha percebido a batida de dois corações vindo da onna, e aquilo só podia ter um significado. Agora aquela mulher devia estar imaginando mil possibilidades para ele não ter contado. Mais um sorriso surgiu nos lábios dele.

- Dois sorrisos na mesma noite, Hiei? O que há com você? – Perguntou Kurama também sorrindo, encostado em outra árvore.

- Nada que seja problema seu, raposa. – O koorime ainda mantinha o sorriso.

- Não seja assim, Hiei. Conte o que está acontecendo. – Pediu Yusuke, que estava deitado no chão. – Todos queremos saber. Não seja chato. – Hiei suspirou, mas não conseguia tirar aquele sorrisinho do rosto.

- A onna está grávida. – Todos ficaram surpresos com a notícia. Já fora um pouco difícil entender como ele e Botan se gostavam. Agora, um bebê.

- O quê? Como isso aconteceu? – Perguntou Kuwabara, sentando-se. Ele também estava deitado no chão.

- Pensei que vocês aprendessem isso na escola. Se você não sabe, não sou eu quem vai explicar. – Falou o youkai sarcasticamente.

- E eu que pensava que você era o mais comportado de nós. – Disse Yusuke. – Bem que dizem que os quietos são os piores. – Kurama apenas sorria, contente por saber que seu amigo finalmente estava se dando o direito de ser feliz.


Nem que o vento sopre enquanto a chuva cai

E leve pra longe esse sonho

O tempo continuou passando e Botan já estava com cinco meses de gestação.

- Tem uma loja do outro lado do shopping que vende roupas de bebê. Uma é mais linda que a outra. – Disse Keiko arrastando Botan pelo shopping. – Você vai ficar doida. – Botan seguia a morena com um sorriso, mas só conseguia pensar em Hiei. Será que ele estava bem? Já fazia quase seis meses que ele estava no Makai.

Havia dias em que ela nem sentia vontade de comer, mas fazia um esforço pelo bebê. Já sabia o sexo. Seria uma menina. Esperava que Hiei não se revoltasse por isso. Ela não decidira o nome do bebê. Pretendia esperar que Hiei voltasse para que escolhessem juntos o nome. Presumindo que ele voltasse antes do nascimento.

Essa espera era frustrante. Não poder tocá-lo, abraçá-lo. Sentia falta até de seus "Hm". Jovem sorriu. Com certeza, logo, ele e os outros estariam de volta.


Não vou ligar se me machucar

Não existe mal se o sonho é real

Após seis meses e meio de distância, finalmente ele podia voltar com seus amigos. Sua missão fora cumprida. Agora poderiam aproveitar um tempo de folga. E ele poderia ver Botan novamente.

Ao chegarem ao Ningenkai os quatro se separaram e foram em direção às suas respectivas casas, ver as pessoas de quem tanto sentiram falta.

Hiei nunca correu tanto quanto naquele momento. Precisava ver Botan. Também sentira falta de Yukina e a visitaria logo, mas agora, tinha que ver Botan.


Nem que o vento sopre enquanto a chuva cai

E leve pra longe esse sonho

Ao chegar ao prédio em que moravam, seguiu direto para a janela do quarto deles, que estava entreaberta. Botan sempre deixava uma brecha para que ele pudesse entrar. Como moravam no décimo andar, isso não era um problema. Hiei entrou e não desviou seu olhar da cama, onde Botan dormia tranquilamente. Ele se aproximou lentamente. A barriga dela estava enorme. O koorime deu um sorriso e sentou na cama ao lado dela. Ele precisava de um banho, pois estava todo sujo da viagem, mas primeiro tinha que beijá-la.

Hiei passou a mão pela barriga dela e sentiu um chute. Deu um sorriso. Era como se o bebê o reconhecesse. Em seguida, ele se abaixou e tocou os lábios dela com os seus. Botan continuava adormecida, mas tão logo sentiu o beijo, correspondeu. Ela o puxou pela nuca e aprofundou o beijo. Segundos depois, se afastou, ainda de olhos fechados e franziu o cenho.

- Droga, Hiei. Por que você não volta logo? Eu odeio esses sonhos. Eles parecem tão reais. – Botan virou o rosto para o lado e ele pôde notar algumas lágrimas caindo. Hiei se aproximou do ouvido dela.

- Dessa vez não é sonho. Eu estou aqui, onna. – A jovem se virou para ele com os olhos arregalados.

- Hiei! É você mesmo? – Num segundo ela já estava sentada na cama para observá-lo de perto. Era de admirar que ela conseguisse se mover tão rápido com aquela barriga.

- Não fique tão agitada, onna. – Pediu o youkai um pouco preocupado.

- É você, Hiei! – Botan o abraçou e em seguida espalhou beijos por todo o rosto dele, que não pôde deixar de sorrir. Sentia-se feliz também. – Por que demorou tanto? Pensei que não fosse mais voltar. – Os dois se encaravam.

- Se pensou que eu não fosse voltar, por que deixou a janela aberta? – A jovem não conseguia parar de rir e chorar.

- Mesmo se você não voltasse, eu sempre ia te esperar. – O koorime passou os dedos pelo rosto dela secando as lágrimas.

- Eu estou aqui. Não precisa chorar. – Botan abraçou-o novamente, embora a barriga atrapalhasse um pouco.

- Você sabia do bebê e não me contou.

- Era uma surpresa.

- Geralmente as mulheres é que fazem isso com os maridos.

- Bom, nós nunca seguimos a regra geral. – Botan beijou-o, e já estava se colocando por cima dele. – Cuidado, onna. – Ele disse quando conseguiu afastar seus lábios dos dela. Hiei não queria que nada acontecesse ao bebê.

- Não se preocupe, Hiei. Não vai acontecer nada com ela. – Falou a Guia Espiritual rindo da situação. Nunca imaginou ver o koorime tão cuidadoso.

- Ela?

- É. Vamos ter uma menina. – Hiei segurou o rosto de Botan e a encarou. Ele imaginava se sua filha seria tão linda quanto a mãe.

- O que foi? – Perguntou a jovem sem entender.

- Não é nada. – E em seguida o youkai voltou a beijá-la.


Nem que o vento sopre enquanto a chuva cai

Tudo que eu preciso é ter você

Na manhã seguinte quando Botan despertou, Hiei não estava mais do seu lado. Por um momento a jovem se assustou, mas logo em seguida ouviu o barulho do chuveiro e se acalmou. Ele só estava tomando banho. Desde quando ela ficava tão sobressaltada com tão pouco?

Ela mesma podia responder essa pergunta. Depois de ficar afastada dele por tanto tempo e sonhar com ele todas as noites para acordar e perceber que tudo não passava de um simples sonho, quem poderia culpá-la?

Botan afastou esses pensamentos da cabeça e foi para a cozinha. Ia preparar o café de Hiei.


Nem que o vento sopre enquanto a chuva cai

E leve pra longe esse sonho

O youkai saiu do banheiro vestindo apenas uma calça e seguiu direto para a cozinha. Podia sentir o cheiro da comida e fazia tempo que não tinha uma refeição decente.

Quando chegou à cozinha se deparou com Botan prestes a subir numa cadeira para alcançar algo.

- O que pensa que está fazendo, onna? – Perguntou Hiei impedindo-a de subir. – Ficou louca?

- Bom dia, Hiei. – Respondeu ela sorrindo. – Eu só queria pegar a máquina de waffes e...

- Subindo numa cadeira? E se você caísse?

- Não seja bobo, Hiei. – Botan o abraçou. – Se você se esqueceu, eu me virei sozinha por uns seis meses.

- Eu sei, mas isso não quer dizer que não pode acontecer mais nada.

- Mas...

- Só estou pedindo para não subir em cadeiras ou fazer qualquer coisa perigosa. – Botan se afastou para encará-lo.

- Como o quê?

- Como correr. – A jovem sorriu e passou os braços pelo pescoço dele. – Ou...

- O que fizemos ontem à noite?

- Bom...

- Acho que podemos abrir algumas exceções, certo? – Botan beijou-o e começou a guiá-lo em direção ao quarto.

- O que está acontecendo com você, onna? – Hiei perguntou entre os beijos.

- Nada. Só senti sua falta. – Ela jogou-o na cama e começou a abrir o zíper de sua calça. O koorime estava um pouco surpreso. Talvez a gravidez a tivesse deixado louca. Ou ela realmente sentira muita falta dele. Botan nunca agira assim. Mas tampouco ele iria reclamar. Sua refeição decente teria que esperar. Só o que sabia é que não iria decepcioná-la.

Nem que o vento sopre enquanto a chuva cai

Tudo que eu preciso é ter você

[Geração dos Sonhos – Yu Yu Hakusho]