Vidas Proibidas
James, Sirius, Peter e Remus
- Hem-hem – ela ouviu alguém pigarrear e abriu os olhos para encontrar o rapaz que fora chamado de Pads na noite anterior. – Ah! Finalmente ela acordou, Prongs!
- Se ela não acordasse, você continuaria a tossir? – perguntou Prongs, visivelmente interessado. – Bom dia, senhorita Evans.
- Bom... – Ela se sentou e esfregou os olhos bocejando – Onde estamos?
- Em uma estalagem – respondeu um homem baixo e com os dentes da frente bem avantajados – Como prometido.
- Ah... Onde estão Meg e Lice?
- Dormindo no quarto ao lado – Pads respondeu.
Prongs permanecia olhando para Lily.
- Eu... – ela parecia confusa – Por Deus! Acho que me esqueci de agradecer.
Os três homens riram.
- Estamos à disposição – informou Pads, sorrindo belamente e fazendo o típico gesto de respeito entre os guerreiros dos exércitos ingleses: batendo a mão direita fechada no peito e esticando o mesmo braço, já com a mão aberta, em direção à ruiva.
- Mas... Vocês foram muito corajosos, sabe? – Ela cruzou as pernas, sob o lençol branco. – Eu realmente não sei como agradecer o risco que correram...
- Não precisa agradecer – informou Prongs. – Foi um prazer ajudar.
Ela sorriu, grata.
- Acredito que deva acordar as meninas, não é? – Lily começou a se levantar quando reparou que vestia apenas a anágua.
De imediato os três homens se dispuseram a se retirar, dizendo a ela que seu vestido estava sobre a cadeira de madeira e que as esperariam na cozinha da estalagem.
Ela não se arriscou a perguntar quem tirara seu vestido, apenas obedeceu. Vestiu-se, lavou o rosto numa bacia de água que se encontrava sobre uma mesinha ao lado da cama e abriu a porta.
Agradeceu internamente quando Meggae e Alice saíram do quarto à direita, pois ela não sabia em qual das portas elas estariam.
- Bom dia! – disseram as duas e a ruiva retribuiu o cumprimento.
- Estão nos esperando na cozinha – informou depois.
Elas seguiram até o fim do corredor e viraram à direita, onde havia uma pequena escada que levava à entrada do estabelecimento.
- Onde é a cozinha? – questionou Lily ao homem que lá se encontrava e ele indicou uma porta.
A porta se abriu e os olhos de todos se viraram para elas: visíveis damas da nobreza entrando pela porta da cozinha de uma estalagem. Era, no mínimo, muito estranho. Os três homens mais jovens se adiantaram e ofereceram as cadeiras a elas.
- Suponho que seja uma boa hora para apresentações – disse Lily enquanto colocava o guardanapo no colo.
- Definitivamente – riu Pads.
Lily não pôde deixar de reparar mais uma vez em como ele era bonito.
- Bem, já que todos me chamaram pelo nome, suponho que já saibam quem sou eu – disse a ruiva.
- Sim. – Pete riu também. – A senhorita é o motivo da nossa ida até o feudo em chamas.
- Lily Evans – declarou Prongs. – E as senhoritas, quem são?
- Alice Baxter.
- Oh, a herdeira única dos Baxter – murmurou Sirius em reconhecimento.
- Meggae, criada de Lily – Meggae murmurou. Seus olhos ainda estavam vermelhos, e a lembrança do dia anterior não pareceu melhorar seu ânimo.
- Aconteceu alguma coisa ontem, Meg? – Lily perguntou e logo se corrigiu. – Alguma coisa que eu não saiba?
- Sim. – Ela sentiu uma pressão em sua garganta e seus olhos arderam. – Foi quando você saiu do castelo. Eu...
Um soluço anunciou a chegada das lágrimas da moça e ela baixou a cabeça, cobrindo o rosto com as mãos.
- Ela encontrou uma senhora ferida – informou Pads – que entregou algo a ela e depois faleceu.
Lily levou as mãos à boca e sentiu as lágrimas se acumularem em seus olhos rapidamente. Meggae soluçou mais alto.
- Ama Minnie? – a ruiva perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
Meggae balançou a cabeça para cima e para baixo lentamente. Alice abraçou-a, consoladora.
- É alguma parenta? – perguntou Pete.
- A mãe dela – respondeu-lhe Alice, lançando um olhar de reprovação maternal.
- Ah... – ele pareceu envergonhado pela falta de tato. – Eu sinto muito.
- Nós realmente sentimos muito. Mesmo em meio à guerra, é muito assustador perder alguém querido – Prongs disse, e Pads, pela primeira vez sério, concordou.
- Ainda mais para as senhoritas, que não estavam tão envolvidas com o dia-a-dia das batalhas...
- Sempre estivemos lá dentro do castelo, protegidas de tudo o que acontecia a nossa volta... – Lily enxugou as lágrimas com um lenço que Prongs lhe oferecera. – Não estávamos preparadas...
- Ninguém nunca está, se me permite dizer – Prongs falou. – Perdemos um grande companheiro recentemente em combate e foi difícil enfrentar a morte, apesar de ela estar sempre à nossa espreita.
- Meus pêsames – disse Lily. – Mas... O que eu quero dizer é que... Não é justo que tantas pessoas morram e fiquemos lá dentro, protegidas.
- Não diga bobagens, senhorita – disse Pads. – Todas as mulheres devem ficar protegidas.
- Mas nem metade delas estão – tornou a ruiva, encarando-o.
- Não acho que seja hora para uma discussão, Lily – Alice disse. – Precisamos saber o que vamos fazer agora.
Os rapazes olharam admirados para a moça. Tivera uma atitude digna de grandes líderes de exércitos. Alice pusera a razão antes da emoção.
- Bem, eu sou Sirius Black – disse Pads. – Filho do Duque Black. Mas sou meio que um renegado da família... História longa.
- Peter Pettigrew – disse Pete. – Cavaleiro da Coroa Real da Inglaterra.
As três se viraram para o único que faltava se apresentar. Ele suspirou profundamente e passou a mão pelos cabelos nervosamente. Lily descansou os talheres e encarou seu herói, interessada. Até Meggae parara de soluçar para ouvir.
- Eu também sou um cavaleiro da coroa inglesa – disse Prongs. – Sou James. James Potter.
Alice e Meggae se viraram de imediato para a ruiva, mas ela permanecia com os olhos fixos em James. Tinha boca entreaberta, o peito subia e descia lentamente.
James Potter estava ali. James Potter a salvara na noite anterior. James Potter, seu futuro marido. James Potter a havia cativado e encantado. James Potter era o homem que odiava e a quem, agora, devia gratidão.
Potter deu um sorriso fraco.
- Imaginei que não me reconheceria – ele disse.
Permaneceram mais alguns segundos em silêncio, até que Lily o quebrou.
- É verdade, não o reconheci. Mas acho que tenho razão de não me lembrar de suas feições, já que a última vez que o vi tinha pouco mais de nove anos. – Sua voz fora fria e decidida, mas ela não estava sendo de todo sincera. Quando ele dissera seu nome, ela imediatamente reconheceu alguns de seus traços, como os cabelos bagunçados com os quais ela adorava brincar e até o sorriso matreiro que ele dava. Agora, as duas coisas lhe inspiravam raiva e asco. Contudo, agora fazia sentido ela ter confiado tão facilmente ao encarar os olhos daquele cavaleiro. Sua mente se lembrara do amigo de infância.
- Tem razão – ele assentiu. – Mas no momento não importa. – James sorriu e ela desviou o olhar dele. – O que aconteceu foi que... Fomos mandados pelo conde Evans para resgatá-las, porque ele teve que comandar uma batalha contra desordeiros da coroa.
- Onde está minha mãe, Potter? – questionou a ruiva.
- Na casa dos Longbottom, acredito – James disse, e Alice teve um súbito acesso de tosse. – Pretendemos ir até lá.
- Mas? – Lily perguntou, sabia que havia um "mas" naquela história. Estava tudo simples demais para ser real.
- Mas primeiro passaremos na casa de um amigo – Sirius respondeu em tom de tédio. A ruiva realmente conseguia irritá-lo com sua perspicácia. Não gostava de mulheres espertas e lhe admirava que James falasse tanto de uma garota como aquela.
- É no caminho – acrescentou Peter.
- Você sabe algo sobre os meus pais? – perguntou Alice, incerta.
- Infelizmente não, senhorita – respondeu James. – Creio que seu pai esteja no mesmo lugar que o meu e o da senhorita Evans: o campo de batalha.
- Por que vocês...? – Meggae ia perguntar, mas se calou, pensando se seria pertinente questionar aquilo aos homens que as haviam salvado.
- Por que não estamos lá também? – disse Sirius, adivinhando a pergunta da moça. – Fomos mandados em missão para o feudo dos Evans e nosso batalhão está de folga.
- Certo – encerrou Lily, tentando não demonstrar seu receio e depositando os talheres no prato.
- É melhor comer, Lily – disse James gentilmente. – Temos uma longa viagem pela frente.
A ruiva se sentia completamente sem fome. Estava tão assustada com as recentes revelações que comer parecia-lhe algo extremamente superficial. Mesmo assim, ela comeu alguma coisa.
- Nós pretendemos partir assim que tivermos um plano – falou Sirius, assim que viu que todos já haviam terminado a refeição.
- Por que precisamos de um plano? – perguntou Alice.
- Porque essa noite ocorreu o estopim de uma guerra interna – explicou James.
- Tudo nos leva a crer que há um inimigo entre nossos aliados ingleses – completou Sirius.
- Alguém que está do lado dos franceses – acrescentou Peter.
- Mas não temos certezas...
- É isso, sim – Lily interrompeu a fala de James. – Enquanto tentava fugir daquele homem, Nataniel, um dos amigos dele disse que servia a um senhor inglês que era aliado dos franceses. Eles sabiam que meu pai não estaria lá esta noite, planejavam me seqüestrar.
Os três cavaleiros observaram, surpresos e atentos, a fala de Lily. Aparentemente, havia mais envolvidos do que eles mesmos imaginavam.
- A senhorita tem... certeza do que diz? – perguntou Peter.
- Absoluta – afirmou a ruiva. – Alice e Meggae também ouviram.
As outras duas aquiesceram.
- Certo. Isso esclarece muito, mas não muda os nossos planos – disse James, até então pensativo e silencioso. – Sugiro que vão descansar. Precisamos construir um plano para evitar que sejamos reconhecidos por inimigos no caminho.
- Não demoraremos – garantiu Peter.
Meggae e Alice se levantaram respeitosas. Lily, no entanto, manteve-se sentada.
- Senhorita...? – começou Sirius, encarando a ruiva.
- Não vou para o quarto esperar que decidam o que acontecerá comigo e minhas amigas – afirmou. – Vou ficar para ajudá-los.
James e Sirius se entreolharam.
- Lily... – começou James, mirando os olhos obstinados da moça. – Não precisa se preocupar, procure descansar. Como eu já disse, será uma viagem longa.
- Obrigada, mas estou suficientemente descansada.
- Como a senhorita pretende nos ajudar? – perguntou Sirius, as sobrancelhas erguidas. Seu tom não a agradou. (só porque você já colocou "a moça" acima)
- Sou uma estudiosa de estratégias – afirmou ela. – Posso ajudá-los.
- A senhorita tem experiência em guerras? – Sirius perguntou novamente, um tom de sarcasmo notável em sua voz.
- Acredito que não se trata de uma guerra – respondeu. – Se trata de nós passarmos despercebidos por inimigos.
Sirius permaneceu observando-a, calado. James não pôde evitar sorrir de lado ao observar a expressão de superioridade dela. Crescera, mas era exatamente igual à Lily de oito anos antes. Estava apenas ainda mais bonita do que ele imaginava.
- Tudo bem – falou, e viu os dois amigos virarem-se para ele rapidamente, surpresos por sua decisão. – Ela pode nos ajudar, sim. As senhoritas podem ir para seus aposentos.
- Se quiserem – acrescentou Lily.
- Se quiserem – repetiu James. – Nós iremos para a sala ao lado.
James se levantou e os amigos o imitaram. Ele fez menção de puxar a cadeira para que Lily se levantasse, mas ela já havia se erguido.
- Nós vamos para o quarto – informou Alice. – Boa sorte.
- Obrigada, Lice – Lily agradeceu.
A ruiva seguiu os três homens até a referida sala e lá encontrou um tapete sobre o qual havia uma mesa, penas, tinteiros e papéis.
- Fique à vontade, senhorita – disse Sirius, uma pontada de ironia na voz, enquanto segurava a pesada porta de madeira para a moça.
- Obrigada – ela agradeceu, mesmo notando o tom. – O senhor é muito gentil, Sir Black.
Lily se acomodou a um canto do tapete, irritada com a arrogância do homem.
E, de repente, enquanto esperava que algum deles falasse, tudo o que acontecera caiu sobre sua cabeça.
Mesmo que estivesse tentando se manter firme, sentia-se totalmente abalada por se encontrar com seu noivo naquelas circunstâncias. O momento em que disse a ele, na noite anterior, que não lhe devia obediência martelou em sua mente. É claro que devia-lhe obediência, e até mais que isso. Iriam se casar! Ele seria seu senhor e ela, sua senhora. Seriam um só, unidos pelo sagrado matrimônio, e construiriam uma família grande o suficiente para honrar seu sobrenome.
Mesmo que ele fosse um ogro estúpido.
O que a incomodava era que, pelo que sabia, James Potter já era um grande cavaleiro e não deveria suportar injúrias como as que recebera dela. O homem deveria estar preocupado com a construção de seu futuro militar, afinal, nada devia a ela até que se casassem. Então por que ele fora resgatá-la? Por que não se ofendera com sua desobediência e grosseria?
Lily suspirou profundamente, espantando de sua mente a imagem do cavaleiro e ela lutando lado a lado contra seus nojentos inimigos e, em seguida, quando venciam, o homem a tomando em seus braços e dizendo que deixaria toda a sua vida para trás para fugirem juntos e serem felizes em terras distantes.
Mas certamente o que levara James Potter até ali não fora uma visão de Lily como a mulher guerreira que queria ao seu lado, mas sim uma ordem de Conde Evans, um superior em patente, para buscar sua futura esposa.
A ruiva se amaldiçoou por ter criado uma admiração, uma gratidão e uma inveja pela vida de seu herói que beirava a paixão. Mas o que ela sabia sobre paixão? Não tinha contato com nenhum rapaz. Os servos estavam sempre espantando qualquer um que se aproximasse dela. Certa vez até ouvira sua mãe dizendo que, teimosa como era, seria melhor que evitasse más companhias.
Passou a mão pelos cabelos enquanto decidia que não se deixaria iludir pelo poder que Potter irradiava. Em breve ele mostraria como realmente era, a deixaria de lado e ela poderia odiá-lo novamente, sem dever-lhe nada. Quem sabe nessa viagem não encontraria uma forma de fugir de seu triste futuro...
- Senhorita? – chamou Peter pelo que não pareceu ser a primeira vez, já que os três homens a encaravam.
- Desculpe?
- A senhorita fez tanta questão de participar da reunião, que achamos que ia querer ouvir e opinar. – Mais uma vez Sirius Black a subestimava.
Lily olhou de imediato para o pergaminho em branco sobre a mesa.
- Eu me distraí. Mas não importa, já que vocês não chegaram a conclusão alguma. – Ela sorriu para Sirius com superioridade. – Eu tenho uma idéia.
Os três a encararam, céticos.
Lily se levantou como já vira o pai fazer ao descrever uma estratégia e começou a caminhar pela sala olhando para todos e para ninguém em especial.
- Como os senhores disseram que temos que fazer uma longa viagem passando pela casa de um amigo até o feudo Longbottom com três cavalheiros e três damas, imaginei que seria plausível nos fazermos passar por nobres franceses em caso de uma abordagem inimiga. – Ela parou, analisando suas reações.
Sirius permanecia recostado à parede, os braços cruzados e, para o encantamento de Lily, lindo. James a observava, mais uma vez surpreso, e ela sorriu por dentro por conseguir surpreendê-lo. Peter a olhava entre abismado e amedrontado.
- Precisaríamos apenas de roupas nobres, uma carruagem e cavalos...
- Como a senhorita pretende comprar uma carruagem? – interrompeu Sirius.
Lily o encarou de forma fulminante.
- Vi uma pela janela e tenho moedas suficientes para comprá-la, Sr. Black.
- A senhorita sabe falar francês? – perguntou Peter, e Sirius voltou a encará-la como que a desafiando a responder.
- Obviamente – ela respondeu, deixando de olhar para o dois e observando o silencioso Potter.
No entanto, quem falou em seguida foi Peter.
- Não é um pouco arriscado?
- Proponha algo melhor e menos arriscado, então – tornou Lily, rolando os olhos. – Mas tome cuidado, alguém desavisado poderia pensar que o senhor está com medo, Sir Pettigrew.
O cavaleiro se calou, acuado. James e Sirius sorriram quase imperceptivelmente.
- Far-nos-emos passar por franceses em caso de uma abordagem inimiga – continuou Lily, ao perceber que prestavam atenção nela. – Diremos que vamos até a casa de um aliado. Se eles perguntarem demais, começamos a falar rapidamente de modo que não nos entenderão e desistirão.
- Eu gosto do plano dela – declarou Sirius, virando-se para James. – É engenhoso.
- Não deixa margens para falhas e uma luta seria apenas em último caso – ponderou James.
- É um bom plano – disse Peter.
Lily olhou torto para ele. Não gostava de pessoas que mudavam de opinião facilmente. Gostava de quem possuía convicções e argumentos.
- Certo – continuou James, a testa enrugada finalmente se suavizando. – Vamos acatar a estratégia de milady. Sirius, compre a carruagem – ele jogou uma moeda para o amigo – Peter, busque os cavalos. Eu vou pagar a hospedaria.
Os dois homens saíram, obedientes, deixando Lily e James a sós na sala.
- Temos alguns assuntos a tratar, senhorita...
- Creio que não seja o melhor momento, Sir Potter – ela apressou-se a dizer.
Enquanto pudesse adiar o conversa com seu noivo, o faria. Não se considerava preparada e tinha medo do que viria a ouvir ou do que ele poderia fazer.
- Vou... informar às outras do plano. Encontramos vocês na estrebaria.
- Não – disse James, e os olhos da ruiva se arregalaram, apesar de o tom dele ser de casualidade. – Quando saírem, já teremos terminado de arrumar a carruagem, estaremos à porta da hospedaria.
- Certo – Lily murmurou, aliviada. – Até... Já.
Ela saiu e deixou o cavaleiro refletindo sobre o quão difícil poderia ser compreender aquela moça geniosa. Mas um sorriso tomou conta dos lábios de James quando ele se lembrou de que nos próximos dias estaria ao lado da dama que habitava seus sonhos desde criança.
James foi tirado de seus devaneios por Sirius, que batia o pé recostado ao vão da porta que ele não vira abrir.
- Hey, Prongs! Deixe de agir como uma dama e se apresse!
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- Isso é patético – sentenciou Pettigrew. – Não posso andar por aí desse jeito.
- A culpa é sua! – disse Lily, visivelmente resignada enquanto tentava abotoar as costas do vestido que colocava em Peter. – Não mandei não falar francês!
- Agora vai ter que se passar por dama que fez voto de silêncio – concluiu James, virando-se de costas para rir.
- Murche a barriga, Sir Peter – ordenou Alice. – Céus, o vestido vai arrebentar!
- Vamos ter que refazer a costura – afirmou Meggae. – Ou tirar as anáguas.
- Graças ao bom Deus – louvou Pete, abrindo um sorriso. – Odeio anáguas...
- Não fique tão feliz, senhor – falou Meggae. – Não vai poder usar nada sob o vestido.
Peter arregalou os olhos, em pânico.
- Sente-se e vire-se para cá, preciso passar o rouge – ordenou Alice.
- Prongs, me deixe ser o cocheiro! – implorou Peter enquanto cedia às tentativas de Alice e sentava na cadeira de madeira que Meggae trouxera da cozinha.
- Eu sou o cocheiro – disse Sirius enquanto entrava pela porta do quarto das moças. – Como estou?
Ele girou em seu próprio eixo e todos tiveram uma boa visão de sua calça simples e escura, bem como de sua túnica curta e um grosso cinto bege. Um chapéu marfim com uma pena branca acoplada e sapatos de couro fechavam o figurino.
- Está realmente muito bom – informou Meggae tranquilamente, voltando a prender o cabelo louro escuro de Peter dentro de um véu.
Lily e Alice se entreolharam, surpresas com a naturalidade da amiga diante de uma visão tão agradável. Sir Black estava indubitavelmente galante em roupas simples.
- Obrigado. O que acharam, Prongs, Wormtail?
- Bem, não está pior que o Pete... – respondeu Prongs, tampando o sorriso com a mão direita.
Os olhos de Sirius caíram sobre Peter e, diferentemente de James, ele não teve a dignidade de disfarçar a gargalhada.
- 'Tá vendo? Eu estou ridículo. Ai! Inferno! – Peter olhou horrorizado para Lily, que o encarava com uma pequena pinça. – O que você pensa que está fazendo?
- Arrancando os resquícios do seu bigode – respondeu a ruiva com simplicidade.
Sirius e James compartilharam da dor do amigo passando a mão em seus próprios bigodes.
- As damas também têm pêlos no buço! – argumentou ele com um gemido de dor.
- Mas eles não são tão grossos – contra-argumentou Lily.
- Onde está a agulha e a linha, Lil? – perguntou Meggae, observando seu trabalho nos cabelos de Peter e parecendo satisfeita.
- Na bolsa de couro – informou a ruiva.
- Mas você não vai costurar agora, estamos terminando de arrumar o rosto dele – advertiu Alice.
- Tudo bem, vou arrumando a linha.
- Aproveite e pegue um pouco de pó, Meg – pediu Lily. – Vamos ter que esconder essa cicatriz horrível no queixo...
- Onde vocês arranjaram tudo isso? – perguntou Sirius, assombrado.
- Lily trouxe – explicou Meggae. – Estava tudo na bolsa, dentro do vestido.
- Bem reparei que ela estava bastante pesada – comentou James. – Vocês trouxeram uma penteadeira aí dentro...
- Imaginei que precisaríamos fugir – disse Lily, olhando feio para Peter. – Deus, pare de falar essas coisas horríveis, só faltam mais alguns fios...
Pettigrew não parou de cuspir impropérios.
- Sir James? – chamou Alice. – Onde está o seu amigo?
- Remus? – respondeu o cavaleiro. – A poucas milhas daqui; próximo ao burgo.
- E onde passaremos a noite? – perguntou Lily, curiosa.
- Na casa dele, além da metade do caminho – James respondeu e gemeu ao ver Meggae se aproximar de Peter com uma meia-calça branca. – Por que ele tem que vestir isso?
- Porque o vestido não vai cobrir as pernas machucadas e marcadas pelo sol dele – respondeu Alice.
- As damas francesas se orgulham de nunca tomar sol e se manterem trancadas e seguras em seus castelos o tempo todo – explicou Lily com visível nojo, afastando-se para observar o cavaleiro.
Peter espirrou quando o grosso pó foi batido com a esponja em seu queixo.
- Não se preocupe, vai se acostumar com o cheiro, Sir – garantiu Meggae, observando o trabalho de Alice. – Só incomoda no início.
- Hmm... – murmurou Lily, mordendo o lábio numa típica expressão de dúvida. – Será que os senhores poderiam ajudar Sir Peter a vestir a meia-calça? Não considero apropriado que alguma de nós faça isso...
Ao mesmo tempo em que Sirius e James concordavam com a posição da ruiva, fizeram uma careta ao pensarem em vestir meias nas horríveis pernas de seu companheiro. Depois de trocarem um olhar cúmplice, mas decidido, eles avançaram em direção ao amigo.
Alguns minutos passaram até que eles conseguiram terminar o disfarce de Peter. Ele parecia realmente uma dama e Sirius se pegou pensando se poderia diferenciar uma moça de um rapaz no escuro considerando essa performance. Assim que o destrambelhado homem deu o primeiro passo desequilibrado, ele concluiu que poderia diferenciar com facilidade.
Sirius tomou seu lugar de cocheiro à frente da carruagem e segurou as rédeas habilmente, sorrindo sob a barba espessa. Alice, Meggae, Lily e Peter tomaram seus lugares de lady, dama de companhia, lady e dama com voto de silêncio, respectivamente, enquanto James pagava a um empregado da hospedaria pela limpeza de seu meio de locomoção.
Conferindo se todos os cavalos estavam em seus lugares, se não havia espiões e se ninguém precisava de nada, ele subiu ao lado de Sirius e fez sinal para que partissem.
A viagem foi lenta, porém pouco cansativa. Eles só pararam uma vez para esticar o corpo e, para o horror de Sirius e James, ajudar Peter a fazer suas necessidades dentro do que ele chamava de jaula feminina.
Vez ou outra o grupo de dentro da carruagem trocava algumas palavras com o grupo de fora dela. Entretanto, na maior parte do tempo, James e Sirius conversavam lá fora enquanto Alice, Meggae e Lily conversavam dentro da carruagem. Peter passou a choramingar depois que as meninas o rechaçaram por falar tantos impropérios.
- Você está entre damas, Sir Pettigrew – lembrou Alice de forma repreendedora.
Mais tarde, Meggae e Alice conversavam distraidamente sobre assuntos triviais quando James bateu na janela duas vezes.
- Tem alguém vindo, posso ouvir o trote dos cavalos – disse James, de repente, saltando para o compartimento interno da carruagem. – Deve ser um grupo pequeno, três ou quatro à cavalo, uns dois à pé.
- Como...? – espantou-se Lily.
Ele calou-a com um sinal de silêncio e sussurrou "em francês" no momento em que os viajantes desconhecidos despontavam na estrada.
Sirius diminuiu a velocidade dos cavalos com um assovio e algumas puxadas nas rédeas. Eles ainda avançaram alguns metros lentamente antes de pararem.
- Saudações, viajantes! – Sirius tirou o chapéu olhando para baixo e cumprimentou num francês forçado. Não sabia muito da língua, aprendera um pouco com Remus, James e Luane, uma garota de Londres.
- Saudações – o homem extremamente branco a cavalo fez um gesto com a cabeça, enquanto respondia friamente em francês. – Quem viaja em tão bela carruagem para...?
- Surrey – Sirius completou com forçado sotaque francês. – Sir Laurence Chevalier, sua honrada esposa, suas doces filhas e a fiel dama de companhia.
Sirius travou os dentes para não perguntar quem era o prepotente homem com quem falava, pois sua posição de subordinado não permitia. Ele observou o homem falar em inglês com um companheiro que deviam conferir quem eram os ilustres viajantes, já que o cocheiro parecia suspeito.
- Poderíamos saudar sir Chevalier pessoalmente? – ele perguntou, com seu olhar frio em tom de ordem.
- Creio que será uma honra para meu senhor – Sirius respondeu, mas dois dos homens à cavalo já haviam desmontado e se encaminhavam para porta.
Black rosnou, irritado com a ignorância com que estava sendo tratado e se adiantou para abrir a porta com cínica gentileza.
- Permitam-me – o falso cocheiro pediu, pondo-se entre a porta e os desconhecidos. Uma idéia vindo-lhe à mente: – Meu senhor vai querer saber quem o cumprimenta.
Os dois homens se entreolharam, mas concordaram silenciosamente que a exigência era plausível.
- Os vassalos do rei – respondeu o que até então tinha permanecido calado com extremo orgulho e impetuosidade. – Sir Avery e Dolohov.
Sirius aquiesceu com um gesto e abriu a carruagem lentamente. Encarou James com certa diversão e recitou:
- Meu senhor, os vassalos do rei, Sir Avery e Dolohov, desejam cumprimentá-lo por seus feitos famosos em toda a Grande Bretanha.
James levantou as pálpebras lentamente e observou os homens com superioridade absoluta.
- Meus cumprimentos aos representantes da coroa. Minha família e eu sentimo-nos muito honrados em conhecê-los.
James indicou a falsa esposa e as filhas.
- Minha mulher, Anne – Lily disse "olá" em francês. – Minha filha Brenda. – Alice sorriu timidamente e sussurrou "monseur". – E minha doce Elisabeth. Sua devoção a levou a fazer um voto de silêncio aos doze anos, agora ela só fala com Nosso Senhor, Deus.
- É uma honra – disse Avery, sem realmente dar importância às relações de parentesco. – Sua filha, Brenda, me parece familiar.
- Não vejo como – a voz de James se tornou grave e dura, como a de um pai ciumento, assustando inclusive Lily, Alice e Meggae. – Ela não sai do castelo desde que nasceu. Estou levando-a para se casar com um dos vassalos do seu senhor.
- Mesmo? – a curiosidade de Dolohov traiu seu tom sério. – Quem será honrado com um enlace com tão belo anjo?
- Sir Malfoy – James respondeu, preocupado em não ser pego em uma de suas mentiras.
- Ora, eu pensava que Malfoy era noivo de uma dos Black – comentou Avery em inglês.
- Eles nunca decidiram realmente se ele se casaria com Narcisa ou Bellatrix Black – explicou Dolohov. – Talvez ele tenha desistido de aguardar.
- Com licença – chamou James depois de Lily falar-lhe ao ouvido. – Incomoda-me não compreender o que dizem.
Dolohov deu um risinho debochado.
- Não entende nada de inglês, senhor? - perguntou sugestivamente.
- Pouquíssimo – James enfatizou o diminutivo. – Creio que devamos nos despedir, minha esposa está cansada da viagem e precisamos de uma casa de pouso para esta noite.
- Claro – Avery concordou. – Foi uma honra, sir...?
James se esqueceu do sobrenome. "Inferno!", pensou enquanto perscrutava o próprio cérebro buscando a resposta.
- Chevalier – Sirius respondeu por ele. – Meu senhor não gosta de ser esquecido.
- Perdão – pediu Avery. – Foi uma honra. Mande lembranças ao rei.
- Esperamos que faça um bom negócio – Dolohov sorriu, indicando Alice.
Lily rosnou baixinho.
- Tudo bem, minha senhora? – Avery perguntou prestativo.
- Minha esposa está realmente cansada, se puderem...
Avery se afastou, mas Dolohov ainda encarava Alice. A morena não sabia o que fazer diante do olhar intimidador do homem.
- Sei quem ela parece – disse Dolohov de repente, apenas para Avery entender. – A senhora Baxter!
- Sim, é parecidíssima com a esposa de Stanley – Avery agora também encarava Alice.
- Ela é minha filha! Se puderem se retirar, estamos com pressa – James disse, o desespero começando a tomar conta dele. Eram três damas para proteger – quatro com o desabilitado Peter – e ele nãos sabia se seria capaz.
- O senhor não disse não saber inglês? – Dolohov quase gritou devido à excitação em sua voz.
- Disse que entendo pouco – James respondeu, desviando o olhar e sentindo o suor frio lhe escorrer pelas têmporas.
- Talvez nós devêssemos atacá-los – sugeriu Avery em inglês. – São só dois homens, poderíamos incapacitá-los em segundos.
- Nãos seja impulsivo – Dolohov ordenou. – Vamos pressioná-los um pouco mais. Se for mesmo amigo do Lord, será imperdoável desrespeitá-lo.
James não sabia para onde correr e procurava uma idéia dos amigos o tempo todo. Peter olhava para baixo, com uma insuportável vontade de tossir; Sirius mantinha a porta aberta e procurava por um plano súbito em sua mente. Se dissesse algo, cairia em contradição novamente.
Foi quando ouviu Lily gritar e disparar palavras em francês. Ele conseguiu identificar "Paris", "casa" e "cansada" entre elas enquanto assistia ao seu fabuloso chilique à francesa.
Aproveitou a deixa para fazer um gesto para Sirius fechar a porta quando sua vontade era de saltar sobre os cavalos e fazê-los correrem para bem longe do perigo.
- Espere – Avery ordenou, ansioso. Lily gritou mais alto e começou a bater os pés no chão da carruagem.
- Não vê o estado de minha mulher? – James teve que gritar para que sua voz sobrepusesse a dela. – Ela está exausta!
- Eu...
Lily berrou. Começou a dar ordens a Sirius, encarando-o fulminantemente.
- Deixe-os ir – Doholov ordenou, irritado com os gritos. – Minhas desculpas, senhora Chevalier.
O próprio Doholov fechou a porta com um estrondo.
Sirius subiu na carruagem apressadamente e se despediu rudemente sob os gritos estridentes de Lily.
Eles já andavam há alguns minutos quando o falso cocheiro berrou:
- Pode parar o escândalo, senhorita Evans, eles já estão longe.
Lily se calou e o silêncio que se instalou foi extremamente agradável. Inexplicavelmente bem vindo.
Então, sem aviso prévio, James riu. Riu de alívio, de diversão. E os outros o seguiram em instantes. Passou depois para o lado de Sirius ainda com a carruagem em movimento e sorriu para o nada. Sirius também, mas meneando a cabeça para não parecer realmente feliz e aliviado. Como se sempre soubesse que daria certo.
- Talvez a senhorita não precise realmente de espadas, milady – Sirius disse ao se recompor. – As mulheres têm outras armas poderosíssimas.
Lily, Meggae e Alice riram lá atrás. Peter apenas suspirou risonho. Mas James lançou um olhar perigoso ao amigo.
- Como os gritos – Black se apressou a exemplificar. – Quase pedi para ir com eles quando a senhora começou a gritar.
- Eu não sabia o que fazer – explicou Lily, olhando feio para Sirius. – Gritar me pareceu plausível. Papai sempre se desespera com gritos.
- Dá para entender por que – disseram James e Sirius ao mesmo tempo.
- Estamos próximos, cavalheiros? – perguntou Alice em voz baixa.
- Sim. Até o pôr-do-sol estaremos em Surrey, na casa de nosso amigo – respondeu Sirius.
- Vocês vão gostar de lá – disse James. – É um lugar realmente interessante.
- E quanto ao seu amigo? Quem é ele? – questionou Lily.
- Remus – James respondeu, hesitando. – Remus Lupin.
- Lupin(1)? – Lily se esganiçou e James e Sirius se entreolharam.- Francês?
- É. Mas ele é confiável. Somos amigos há...
- Ele é francês! – ela interrompeu como se esse fosse um detalhe importantíssimo do qual eles haviam se esquecido.
- Não é mais. Ele é do exército da coroa, cidadão britânico.
- Como? – ela havia se acalmado com a menção à coroa.
- Ele desertou da França há anos – James explicou.
- Por quê?
- Divergências ideológicas – respondeu James com um sorrisinho divertido no canto dos lábios.
- Um francês... – murmurou a ruiva, espantada. – Um francês com respeito perante os soldados ingleses.
- Lily – James chamou-a, autoritário e firme. – Não admitirei qualquer tipo de desrespeito ou preconceito para com meu amigo. Remus é um de nós e deve ser tratado como tal.
Lily ficou em silêncio refletindo por alguns segundos.
- Espero que ele seja melhor que Sirius – disse ela por fim, arrancando risadas deles.
- Ele é – garantiu Sirius. – Melhor que eu em muitos sentidos.
- É possível que vocês gostem mais dele que de nós – disse James, a contragosto. – Pelo menos é assim com a maior parte das mulheres.
- U-hum – resmungou Peter em concordância.
- Posso saber por quê? – Alice pareceu genuinamente interessada.
- Digamos que ele tem uma tendência natural a fazer coisa que as mulheres gostam – Sirius explicou.
- Coisas românticas e bonitas – James especificou, desagradado. – Como poemas, trovas, desenhos e... Ações, por assim dizer.
- Ele é um típico cavalheiro francês, então – disse Alice, suspirando. – As mulheres do feudo falam muito dos cavalheiros franceses que conheceram em épocas de tréguas.
- Eu amo poesia – cantarolou Meggae, suspirante.
- Você vê – reclamou Sirius para James. – E elas nem o conhecem!
- Acostume-se, irmão, nunca vamos superar o Remus.
- Ainda bem que eu tenho a Susie e a Milly – comentou Sirius para si mesmo, deixando as meninas confusas.
- Vocês vão entender em breve – suspirou Peter. – Prongs, vou poder tirar essa coisa ridícula na casa do Remus?
- Se você quiser – sorriu James. – Mas se tiver gostado, é uma boa fantasia.
Peter rosnou algo ininteligível enquanto James e Sirius gargalhavam. Lily teve, pela primeira vez, a impressão de que aquele era muito mais que um grupo de combate, e a recente lembrança de como Potter havia defendido Remus de suas acusações, teoricamente injustas, só ajudou a salientar: ao menos grandes amigos eles eram.
A tarde se arrastou sob o sol quente enquanto o grupo se movia rapidamente na carruagem recém adquirida. Eles já haviam conversado sobre feudo, pessoas famosas, a coroa e a guerra. No entanto, parecia existir um acordo mútuo e silencioso de só falarem de suas vidas pessoais quando chegassem a algum lugar seguro e aconchegante.
James só achava seguro falar sobre sua vida em particular. Não tinha se esquecido da conversa que deveria ter com Lily na condição de seu noivo, mas algo na forma como ela agia lhe dava a forte impressão de que seria realmente difícil fazê-la ouvi-lo. A ruiva tinha uma assustadora pré-disposição a não dar crédito ao que dizia e apresentava uma frieza pouco familiar para os padrões dos dois enquanto amigos de infância.
A mulher que ele revia agora não era como a menina que conhecera. Ela era imensamente mais bonita, tinha os cabelos menos alaranjados e mais avermelhados e bochechas mais rosadas. Por outro lado, os olhos continuavam iguais. Tinham o poder de aprisioná-lo e fasciná-lo ainda que sob uma névoa de falsa frieza e indiferença. James podia sentir que ela estava se corroendo de curiosidade para ouvi-lo, mas tinha medo de algo, algo que ele não compreendia.
Ele estava em parte certo. Lily realmente gostaria de saber o que ele tinha a dizer, mas sua indiferença não era infundada ou falsa. Ela não tinha o interesse de conhecer James antes daquele dia. Envergonhava-se de pensar que, por vezes, desejara que ele morresse em batalha para deixá-la livre com um luto de mentira. Que Deus a perdoasse.
O que o herdeiro dos Potter não compreendia era a pressão e o horror que a predeterminação de se casarem causava a Lily. Ele não tinha idéia do quanto ela foi obrigada a fazer sob a razão de ter que ser uma boa esposa para ele. E o fato de terem se afastado há anos não ajudava nem um pouco na recuperação da antiga confiança.
Ela sabia que ele não era o que ela imaginava. A maioria dos rapazes com a idade de James se esforçava para parecerem muito mais velhos. Entretanto, ela notara que tanto James, quanto Sirius e Peter tinham um jeito juvenil e tranqüilo. O que não lhes tirava o ar de responsabilidade e conhecimento. O cuidado que eles tiveram com elas nos últimos dias havia sido digno de um pai primoroso.
Havia algo na forma como James a olhava que chegava a constrangê-la. Como se realmente se importasse com ela e tivesse sentido sua falta por todos esses anos. Como se esperasse que ela dissesse algo. Algo que ela não tinha idéia do que era.
- Já posso ver Surrey! – exclamou Sirius, animado. – Teremos uma lareira quente e comida fresca em alguns minutos.
Lily sorriu para isso. Sirius era extremamente irritante e prepotente. Além de bonito, excepcionalmente bonito. Mas havia algo nele que inspirava molecagem e confiança. Ele parecia ser o tipo de pessoa que morreria para proteger outra.
- Vai nos contar sua história, Sir Black? – perguntou a ruiva, debruçando-se na portinhola que dava para o lugar do cocheiro.
- Gosta de histórias de terror, senhorita Lily? – ele brincou, observando-a.
- Gosto de todo o tipo de história – ela respondeu, confiante.
Ele sorriu, jogando os cabelos que caiam nos olhos para trás. Ela prendeu a respiração por alguns instantes.
- Então eu contarei. Mas espere até estarmos seguros na casa de Moony.
- Moony?
- Mais histórias – Sirius disse. – Deixe de ser curiosa e espere.
Ela rolou os olhos, novamente irritada com o jeito dele, mas obedeceu. Sentou-se ao lado de Meggae e elas começaram a conversar em alto e bom som sobre como seria a casa do francês e se realmente estariam seguros lá. Alice estava encolhida e quieta, afirmando um enjôo de viagem, por isso não participou. Peter só soltava risadinhas pelo nariz quando elas apresentavam suas bizarras teorias.
A noite já se debruçava escura sobre eles quando a carruagem parou. Todos ficaram quietos e em silêncio enquanto James ia até a casa chamar Remus. Lily ouviu quando ele bateu palmas e se identificou. Depois os ouviu se cumprimentarem e por fim os passos próximos. Sirius desceu da carruagem e também cumprimentou o amigo. A porta foi, por fim, aberta.
Elas demoraram a se acostumar com a luz do lampião que o francês segurava. Quando isso ocorreu, elas viram o sorriso calmo e educado de Remus Lupin.
- Meus cumprimentos, senhoritas. – Os olhos dele passaram por todas elas sem parar por muito tempo em nenhuma delas. – Sou Remus Lupin e é uma inenarrável honra conhecê-las e hospedá-las em minha humilde morada.
As hóspedes ficaram em silêncio por alguns segundos enquanto a voz macia de Remus reverberava em seus ouvidos. Elas cumprimentaram com um gesto na cabeça uma após a outra.
- Você deve ser Lily Evans – ele deduziu, observando os cabelos e os olhos de Lily. – Mais encantadora do que James fez parecer ser.
- Obrigada – murmurou Lily, envergonhada e maravilhada. – Essa é Meggae, minha dama de companhia e Alice Baxter, uma grande amiga.
Remus sorriu para as duas.
- Por favor, vamos entrar. As senhoritas devem estar cansadas da viagem.
Ele ergueu o lampião e estendeu a mão ajudando todas elas a saírem da carruagem. Meggae tropeçou e ruborizou quando ele a segurou pelos braços com cuidado.
- Obrigada, senhor – ela murmurou.
- Não me chame de senhor, Meggae. Eu sou Remus.
E ele beijou-lhe as costas da mão.
A moça baixou os olhos e se apreçou a seguir as amigas, deixando-o para trás.
- Deixe de ser galanteador, Moony – reclamou Sirius, divertido. – Está deixando a moça envergonhada.
- Só sendo educado, Pads – ele respondeu com um sorriso.
- E nada de sorrir demais para Lily – murmurou James. – Ela tem um gênio perigoso.
- Não me pareceu – comentou Remus enquanto trancava a porta. – Ela me pareceu gentil e maleável.
- Cale a boca, seu francês metido a sedutor – rosnou James, levando a mão à bainha da espada.
Remus apenas riu e se adiantou para pedir que as moças se sentassem no sofá de couro simples. Eles se sentaram em torno de uma mesinha manca de madeira e Remus serviu-lhe chá.
- Bem... – o francês começou. – Acho que vocês passaram por maus bocados recentemente.
Elas assentiram. Eles sorriram.
- Talvez estejam muito cansadas para conversar? – Remus estava intimidado pelo silêncio delas. Observou Meggae sussurrar algo ao ouvido de Lily.
- Na verdade, não, Sir – disse Lily lentamente. – Só estávamos receosas quanto à segurança de um amigo francês.
Ele sorriu enquanto os outros ficavam sérios.
- Eu estou acostumado a esse tipo de receio. O que posso dizer é que tenho bons antecedentes... – Ele sorriu para James e Sirius. – E um grande respeito pela Inglaterra.
- Nós acreditamos em você – respondeu Meggae.
- Sim – Lily foi menos efusiva que a amiga. – Acreditamos.
Remus sorriu belamente.
- Obrigado. – Ele se levantou e olhou para Alice, que ainda se sentia mal. – Realmente acho que sua amiga precisa de um banho e algum descanso. Se puderem me acompanhar... Acho que Peter já se lavou.
Alice não parecia muito melhor agora que haviam chegado. Lily e Meggae a ajudaram a andar até o quarto onde tomariam banho.
Mais tarde, depois de todos terem tomado banho e Alice ter se recolhido, alegando não ter fome, eles se reuniram na cozinha.
Meggae cozinhou peixe com batatas e o cheiro estava fazendo-os salivar.
- Podemos comer lá embaixo – sugeriu Remus. – Está mais quente e poderíamos conversar sem acordar Alice.
James concordou e foi conferir a tranca da porta. Peter e Sirius olhavam o peixe como se ele fosse sua maior presa.
Assim que James voltou, eles caminharam para uma porta que parecia ser um banheiro e desceram uma grande escada de pedras.
Remus se ofereceu para levar o peixe e ofereceu a mão a Meggae para que ela não tivesse que tocar as paredes sujas e úmidas. Lily desceu sozinha depois de recusar educadamente a ajuda de Peter, mas acabou aceitando o braço de Sirius quando percebeu que o caminho era escorregadio e irregular.
Eles entraram num ambiente espaçoso e bem iluminado por tochas espalhadas pelas paredes. Havia uma imensa mesa com muitos líquidos dentro de tubos, outra com alguns objetos dentre os quais ela reconheceu uma harpa, uma estante de livros, uma pequena mesa com muitos papéis e uma mesa arredondada com apenas uma folha, uma pena e um tinteiro. Remus foi em direção a essa última, depositou a bandeja com o peixe lá e guardou os objetos remanescentes.
James buscou algumas cadeiras e Peter trouxe pratos, talheres e guardanapos. Meggae manteve-se de pé ao lado de Lily.
- Não vai se sentar, Meg? – perguntou Remus.
- Eu... Hm... Tenho que servir a Lily.
- Sente-se, Meg – pediu James. – Nós a serviremos assim como a você.
A criada hesitou por alguns instantes, mas a própria Lily indicou a cadeira para ela com um sorriso de estímulo e ela aceitou.
- Não queremos que pense que cozinhou porque é uma criada – disse Remus. – Em minha casa você é uma hóspede e será tratada como tal.
- A verdade é que nós quatro não cozinhamos exatamente bem – Sirius disse a ela com um sorriso envergonhado no canto dos lábios. – Certo, eu quero dizer muito mal.
- Menos que o suficiente para sobreviver – finalizou James.
- É por isso que estamos tão excitados com seu jantar. – Peter sorriu para o peixe e em seguida para Meggae. – É algo bem incomum para nós.
- E parece delicioso – concluiu Sirius.
- Acho que essa é a deixa para jantarmos, não é?
Os rapazes concordaram, mas Lily e Meggae se entreolharam.
- Algum problema, senhoritas? – perguntou Remus.
- Nós não vamos... Rezar? – Lily questionou.
Foi a vez de James e Remus se entreolharem.
- Claro – disse James, calmo. – As senhoritas nos dariam a honra?
Lily confirmou e fez uma pequena prece de agradecimento pedindo ao final que seus pais estivessem bem e, como era de costume, que a guerra acabasse bem.
- Assim seja – murmuraram todos.
- Bom apetite – desejou Meggae por puro hábito.
Eles serviram – e foram servidos – e saborearam o peixe de Meggae com prazer, elogiando-a sempre que era possível.
Como era de se esperar, elas terminaram primeiro e ficaram em silêncio enquanto eles jantavam. James reconhecia essas atitudes da vida em castelo e suspirou pensando que teria algum trabalho em ensiná-las como era a vida fora dos limites feudais. Ele pensou que desregrada era uma boa forma de caracterizá-la.
- Então – ele começou, limpando a boca com o guardanapo. – O que as senhoritas gostariam de saber?
- Tudo – respondeu Lily. – Especialmente a verdade.
- Acho que sabemos tanto quanto vocês sobre os acontecimentos mais recentes. – Remus pigarreou. – Vocês têm conhecimento das brigas por terras?
- Em parte.
- Bem, alguns dos grandes donos de terras morreram na guerra juntamente com seus descendentes – explicou o francês e Lily notou um pouquinho do sotaque que ele tentava esconder. – Essas terras vêm sendo disputadas por outros senhores e têm causado uma verdadeira guerra interna. Já ouviu falar dos Lancaster?
- Certamente. Papai não fala muito bem deles.
- Não é de se falar – rosnou James. – Eles se consideram donos de toda a Bretanha.
- E por isso tomam as terras sem dono apelando para sua influência sobre a coroa para obter suas escrituras – Remus continuou. – O fato é que tanto o seu pai quanto o pai de James discordam disso e tomaram através de batalhas alguns feudos.
- E o que os franceses têm a ver com isso? – Lily questionou confusa.
Remus se perdeu nesse ponto.
- A princípio, nada. Mas depois das informações que você nos deu, acreditamos que eles possam estar envolvidos com os Lancaster – James explicou a Remus o que as resgatadas haviam dito acerca do senhor dos homens que invadiram a casa dos Evans.
- Eu ainda acho que a chave de tudo está na coroa – Sirius afirmou, deixando Lily confusa.
- Sirius, isso é absurdo. Seria como dizer que somos inimigos do rei – resmungou James, dando a impressão de que aquele assunto já havia sido discutido várias vezes.
- Partindo-se do pré-suposto de que o rei não existe, faz sentido!
- Como assim, o rei não existe? – Lily realmente se assustou com essa.
Sirius a encarou profundamente.
- Lily, você sabe por que essa guerra começou?
- Mais ou menos... Sei que o rei inglês reivindicou o trono francês e... – Ela se calou. Era tudo o que sabia.
- É claro que ela não sabe. Foi cem anos atrás, Sirius – James estava irritado.
- Ela disse que gostava de histórias, não é? Talvez essa seja uma das que vale à pena ouvir.
James suspirou.
- Deixe-a escolher – sugeriu Remus. – Ao invés de ficarem discutindo o que é melhor para ela, perguntem-lhe.
Lily o encarou, maravilhada. Não era exatamente comum lhe darem poder de escolha.
- É claro que eu faria isso se não soubesse qual vai ser a resposta dela – sibilou James.
- Você sabe que ela vai querer ouvir – sorriu Sirius.
- Lily? – James perguntou.
- Você está certo. Eu quero ouvir.
- Vá em frente, Sirius – murmurou ele, caminhando até a estante. – Algo novo por aqui, Moony?
- Na mesa – indicou Remus, tornando sua atenção para Sirius.
- Você conhece a região de Flandress, Lily?
- Já ouvi falar.
- Bem, foi lá que tudo começou – Sirius explicou. – Aquela região é um ótimo criadouro de ovelhas. A principal fonte de lã de todo o continente pertencia, inicialmente, à Holanda. A França tomou-a e sempre houve disputas pela região, principalmente com a Inglaterra. Então o rei francês morreu e o parente mais próximo era o rei da Inglaterra. Mas eles não o deixaram assumir.
- Não é assim, Sirius – Remus interrompeu, discordando. – Obviamente, a França não queria ser governada pela Inglaterra, mas eles se embasaram numa antiga lei chamada Sálica que diz que a linhagem materna não pode assumir o trono, apenas a linhagem paterna. E o rei inglês era sobrinho da rainha da França.
- Que seja – disse Sirius. – O fato é que não permitiram que ele assumisse e um primo distante do antigo rei foi coroado. Esse foi o estopim para a guerra. Perdeu alguma parte?
- Não. Continue.
James tirou os olhos do livro e observou a excitação na voz e no rosto de Lily. Suspirou, pensando que aquela não era uma boa idéia. Definitivamente não era bom envolvê-la naquela história.
- Desde então, muitos reis morreram, se exilaram, fugiram e deixaram o fardo para seus descendentes e, claro, para seu exército, que somos nós. Os cavaleiros, a infantaria e mesmo os descendentes diretos do rei têm lutado por isso há muitos anos, Lily. Mas é uma guerra inconstante e duvidosa.
- A partir de agora é uma teoria de Sirius – avisou James, fazendo Lily olhá-lo. – Você não precisa acreditar, já que ela pode não ser real.
- Existem evidências – Sirius disse cada sílaba.
- Você é inteligente, Lily, vai saber que a teoria de Sirius tem um pouco de emoção ao invés de razão.
James voltou a baixar a cabeça.
- Certo. Agora entra a história da minha família, senhorita. A minha história.
Lily umedeceu os lábios e assentiu.
- Os Black são uma família muito, muito antiga. Eles têm um conceito de pureza e poder muito exagerado, sabe? E sempre tiveram uma relação muito estreita com a coroa. Apesar disso, os reis nunca permitiram um casamento entre os Black e eles, fosse qual fosse a dinastia. Então os Black nunca alcançaram realmente o poder. Mas esse desejo os fez se aliar à Igreja em ações de terror, apoiar a coroa em momentos errados – como quando a guerra começou – e, claro, formar muitos bellatores e oratores (2). Como eu e meu irmão.
Ele parou por alguns instantes e suspirou.
- Apesar de os motivos serem os mesmos de cem anos atrás, a guerra se tornou insensata, já que nenhum dos que a causou vive e não existe chance de tomar a França. Eu não sei se você sabe, Lily, mas os franceses estão vencendo.
- Vou buscar mais vinho – anunciou Remus, erguendo-se.
- Desse modo, a guerra continua existindo porque...
- Pode ser que ela continue existindo porque – corrigiu James por entre os dentes.
- Pode ser que ela continue existindo porque a coroa e algumas das famílias aliadas a ela querem dispersar a atenção de todos para a guerra enquanto eles mesmos põem fogo em tudo por aqui – finalizou ele.
- É plausível – ela murmurou pensativa.
- Que tal você contar a ela por que se separou da sua família, agora? – James sugeriu.
- Bem, Lily. Você, como eu, deve saber que existem muitas obrigações, leis e regulamentos a serem seguidos em famílias tradicionais. Eu não concordava com eles, não concordava com as idéias da minha família, por isso deixei-os.
- Você não gosta de ser um cavaleiro?
- Gosto, claro que gosto. É a melhor parte. Se eu fosse um camponês não teria conhecido meus amigos e não teria me tornado metade do que sou hoje. O fato é que realmente existe terror nessa história, Lily. Os Black não respeitam quem discorda deles. Eles torturam, eles matam, eles...
- Mas você está aqui – ela interrompeu.
- Essa é uma coisa interessante de se pensar – ele suspirou. – Sou o único filho de minha mãe. Meu único irmão foi mandado para a Igreja e fugiu de lá. Ninguém sabe onde foi parar ou se está morto. Então, digamos que eu sou o último homem Black, ou seja, o último a carregar o sobrenome. Por isso eles não podem me matar, isso seria matar toda a tradição da família, seria como destruir o que nossos ancestrais construíram. À base de muito sangue, diga-se de passagem.
- Fascinante – Lily sequer piscava.
- Então? – A ruiva se assustou quando as mãos de James pousaram na mesa. – O que você acha?
Ela sentiu uma súbita simpatia por Potter e Black quando se deu conta da importância que eles davam ao fato de ela ter conhecimento dos fatos e principalmente à sua opinião.
- Aqui está o vinho – disse Remus, pousando seis canecas e uma garrafa na mesa e servindo-as.
Lily aguardou até que todos já tivessem bebericado a bebida para falar.
- Bem... Eu tenho que concordar que existem muitos motivos para Sirius querer culpar a família dele. – Sirius fez uma careta e James sorriu – Mas também tenho que dizer que faz sentido tudo o que ele disse.
- Estamos no mesmo ponto, então, Lily – disse Remus.
- De alguma forma, tudo isso é possível...
- Mas – James ia interromper.
- Mas seria ir contra tudo o que aprendemos – Lily terminou, olhando-o. – O que o faz ter tanta certeza de que ele está errado, Sir Potter? Sua convicção na Igreja e no rei?
- Não – James a fitou. – Se Sirius estiver certo, eu teria lutado a minha vida toda por uma causa falha, uma mentira. E, além do mais, o fato de haver franceses envolvidos desbanca toda essa teoria.
- É verdade – concordou Remus.
- Peter? – perguntou Sirius.
- Estou com Remus. Tudo é possível.
- O que faremos? – perguntou Lily.
Era o que James temia. Ela se incluir nessa perigosa jornada. Felizmente, eles a deixariam no feudo dos Longbottom antes de seguir.
- Vamos para o feudo dos Longbottom amanhã – disse James. – Levaremos pouco mais de um dia para chegar lá se usarmos a carruagem. Menos à cavalo. Mas não podemos arriscar.
- Podemos pedir conselhos a Sir Evans e a Sir Longbottom – disse Peter.
- Talvez – disse James, sem verdadeira intenção de envolvê-los na investigação, mas acreditando que Lily se sentiria mais confiante assim.
- Ótimo – a ruiva concordou.
Meggae bocejou longamente.
- Já é tarde – disse Pettigrew, também bocejando.
- É melhor dormirmos. Amanhã partimos? – Remus perguntou.
- Talvez seja melhor descansarmos por um dia – ponderou Sirius.
- Não gosto da idéia de as senhoritas ficarem mais um dia fora da segurança de um castelo – disse James.
- Partimos amanhã pela manhã, portanto – Remus decidiu.
Lily quis discordar, dizer que estava cansada para outra viagem. Pensou até em usar a indisposição de Alice como desculpa. Sua vontade era ficar mais tempo fora do feudo, viver a aventura que lhe fora apresentada e conhecer um pouco mais de tudo aquilo que havia no subsolo da casa do misterioso Remus Lupin. Contudo, não tinha certeza se os homens a escutariam. Então, foi dormir sem dizer mais nada.
Mini Glossário!
(1) Lupin é um sobrenome francês. Para os curiosos, lê-se Lupã.
(2) Bellatores: guerreiros. Oratores: clérigos em geral.
N/B: Sim, ela atualizou!! O que dizer desse capítulo tão esclarecedor, nos fazendo já cogitar o futuro dessas personagens? (no quesito amoroso, vale ressaltar.. hihi) Cada parte histórica ficando perfeitamente coesa com sua ficção! Os receios de Lily em relação ao James, temendo que ele não cumpra suas promessas infantis e a torne uma mulher escrava do casamento... O Remus tudo de bom! hihi... Peter de mulher: HILÁRIO! Hahahaha... Parabéns, irmã! Adorei o capítulo! E não demore a atualizar! Quero muito ler os futuros acontecimentos!! Beijos muitos. Liv.
N/A: Olááá! Aqui está a mais enrolada das autoras, finalmente atualizando. O capítulo ficou imenso, gropesco como diria a Bevin, para representar meu pedido de desculpas.
Nem sei explicar como foi escrever esse capítulo. Trazer o Remus à tona, tão misterioso e interessante, mas principalmente o reencontro 'nominal' de James e Lily. Oh, céus, foi tão difícil! Minha vontade – e a do James, claro – era de fazer o mais lindo dos romances, mas a ruivinha geniosa não deixou. Fica para a próxima. O Sirius, lindo e irritante, Alice fraca, Meggae... Hmm, a Meggae. O que vocês acham?
Tenho que concordar com a Lily, eu também ia querer passar um mês na casa do Remus. Milhões de coisas para aprender, descobrir e desmentir. Teorias do Sirius, poemas do Remus, armas do James. O lugar é o paraíso!
Hoje, há algumas horas, eu fiz a prova da UNICAMP. A primeira de umas 12 que eu vou fazer. Espero que a vida de universitária seja menos atribulada que a de terceiranista. Assim vou ter mais tempo pra isso aqui.
Sem mais delongas ou promessas de pressa – sempre que prometo, não cumpro, então vamos tentar sem prometer agora – vou para as respostas!
Primeiro, tenho que fazer minha homenagem pública a Sally Owens. Adivinhem? Ela vai ser mamããããe! E imaginem que bebê mais sortudo! Vai ser criado ouvindo o melhor da história mundial e da história ficcional. Enfim, Sally, eu desejo a você toda a sorte do mundo nessa nova empreitada. Que ela seja mais que fantástica e eterna: que seja inspiradora. Dessa vez posso dizer com certeza que sei que você vai fazer o melhor possível e que não tem como haver uma mãe melhor. Boa sorte para você e para o Guto. Qualquer coisa você me grita – eu sou pai do meu irmão mais novo, já te contei? Posso ensinar tudo. Mas se tiver sorte, vai ser um bebê calmo e doce. Se não tiver vai ser um bebê ativo e fascinante que, apesar das noites sem dormir, vai te dar ótimos momentos. Um beijo e muito, muito carinho e amor.
Agora, para a Beta, dona Lívia. Obrigada, obrigada, obrigada. Você sabe que é demais. Não sei o que faria sem você para me lembrar de tudo e ainda cobrar. Te amo, mana!
Luisa Brito: E na verdade demorou, né? Minha desculpas e espero que compense! Um beijo!
Clara: Manaaaaaaaaaaa! É tão bom ler os seus comentários! Bem, o meu maior medo era do reencontro dos dois. Sei que, de alguma forma, 'tava todo mundo esperando algo mágico e romântico, mas não vai ser assim. Então tentei deixar romântica, já que o mágico ta fora de cogitação. Agora, já imaginou conversar sobre o seu noivo, um homem que você não conhece? É incrível. E que tal o Remus? Apaixonável, né? Não deixe um tal de William ficar sabendo. Vou tomar conta dele bem, mas não se esqueça de que estamos uma geração antes do Harry, os Weasley não tem muita importância aqui. Beijo!
Anis: Oooi! Ah, eu também 'tava louca pro James chegar. Sei que é estranho o próprio autor falar assim, mas é o que acontece. Você quer 'salvar' a Lily, mas sabe que não é hora do Prongs chegar. Uma loucura. Ah, as U/A's são o que há de melhor. É bom ajudar nisso! Gostou desse? Um beijo!
Kelly: Exatamente! Foi o tipo de reencontro às avessas típico de James e Lily. É interessante essa chave das amizades porque a gente nunca pára para pensar sobre isso. Só me lembro de Dom Quixote e Sancho Pança de amigos na era das cavalarias. Remus é um fofo, né? E a Meg também é um doce. Que tal esse? Só perdôo se comentar. Um beijo! P.S.: Claro que estamos mais que bem servidas de beta, né? É só a melhor.
Carolina: Ah, você foi a melhor! Começou toda tímida e calada e de repente ta pedindo beijo! Vamos com calma, há oitocentos anos as pessoas não saiam se beijando a torto e a direito. Nem aos seus cônjuges! Aguarde e você terá um lindo romance de época – com todos os direitos. Quanto à mãe da Meg, tudo nos leva a crer que já era pra ela. O pai dela? Nem Meggae sabe quem é. Espere, ok? Beijos e obrigada!
Bruna: Beviiiin! Que linda. Então, baladeira, esse foi o reencontro que eu tanto receei. Gostou mesmo? E agora? Ainda gosta. Meggae não é de ninguém camponesa solteira. Pete é o Pettigrew – rato, que rato? Ahauhauah – e ele está na fic. Imagino que você tenha encontrado o Remus, não é? Achou que a Lily gostou do seu herói? Hmmm! Obrigada por tudo, sem vocês eu também não daria conta do recado. Meu elogios são sinceros! Beijos.
Priscila Louredo: Você é a mais boazinha, né? Acha que to me fazendo de coitadinha? Engana-se, eu sou uma pobre coitada em ano de vestibular. Mas mesmo assim, não se nega a inspiração. Acho que você encontrou o Remus e percebeu que esse é o Peter mesmo. Muitas emoções, né? Que tal esse? Espero que agora tenha menos dúvidas. Se não tiver, no próximo terá. Beijos, obrigada!
Rafaela Porto: Fáááááá! Ai, que lindo, você por aqui! Eu fui sincera, uai, nada de modéstia. O que fazer, não é? Ele é o príncipe no cavalo branco nessa fic literalmente. Ok, talvez nem tão príncipe assim. E então, gostou? Um beijooo!
Thaty: Ah, foi tão conto de fadas, né? Eu gostei. Enfim, demorei muuuito, mas cheguei. Gostou? Um beijo.
Maga do 4: ahuahauhauahau! Sim, suas impressões estavam incrivelmente certas. Foi muito tempo, né? Que tal esperar o Sr Evans responder a sua pergunta? E eu concordo totalmente: nada melhor que ver James Potter sofrendo para conquistar Lily Evans. Espero que não tenha abandonado a fic! Um beijo.
Larya: você é brasileira? Hehe. Que bom que você gostou do James, ele é meu personagem favorito na série HP. As UA's tem sido uma saída hoje para o pessoal e uma chance de mostrar uma criatividade além do mundo mágico. Gostou desse? Um beijo!
Bia Black: Com certeza: nada melhor que século XV com marotos. O James é o melhor e ninguém pode duvidar. (suspira) Vai ser um prazer betar ODVP, viu? Quando quiser, é só gritar. Aí está, três séculos depois, mas o próximo ta encaminhado, viu? Obrigada e um beijo.
Assuero Racsama: Bem, eu gosto de ser fiel à época, sabe? Por isso essa fic eh NC-18, porque ela é pesada em conteúdo, como o seu tempo. TIREM AS CRIANÇAS DA SALA DO PC! Prefiro não falar sobre a espada do James, ta? Mas ele é um talento. Meg é uma figura diferente em muitos sentidos, você vai ver. Não que ela supere a Lily, claro. Acho que não é a primeira vez nessas respostas a reviews que eu comento que os marotos são marotos em todas as épocas e me animo a dizer que é só o começo! Estudei e estudo todas as vezes em que escrevo, você foi um dos poucos a notar. Amo suas reviews, você nunca perde nada! Aguardo os próximos comentários. Um beijooo!
Jessica de Paula: Ai, que honra ser a primeira autora medieval que você lê! Se quiser indicações, conheço muitas boas, ta? Sei que demorei muuuito a postar, mas o próximo ta encaminhado. Um grande beijo! Obrigada.
Banny: Obrigada! E esse capítulo? Beijos.
Srt. Lizzie Potter: Meu Deus! Também sou totalmente fã de cinema. Você acha que dá um bom filme? Nem me viu esfregando as mãos imaginando isso. Muito obrigada! Gostou desse cap? Um beijo.
Carol Lair: Preciso nem dizer que sou sua fã, né? Fico até saltitante de ver você comentando a minha fic. E na verdade elas não lavavam, só bordavam e pariam. É, criados são pra isso, o trabalho é para os destinados a ele. Já dizia Santo Agostinho. Entãão, aquela cena foi muito, muito surtada pra escrever. Porque eu pensei nela um tempão até chegar à forma final. E afinal, até que a galera gostou. E eu acho que alguém mais disse isso: "o norte é pra onde?". E você descobriu, certo? Surrey. Demorei décadas mas é um capítulo digno do Grope, né? Aguardo sua impressões! Um beijoooo.
Ceci Potter: Obaaa, leitora nova! Ah, eles são ótimos. E extremamente irritantes ao mesmo tempo. Humanos, han? Hehe. Que tal esse capítulo? Obrigada e um beijo!
1 Lily Evans: Oiii. Acho que suas perguntas foram respondidas, com exceção da de como eles sabia quem era a Lily. Bem, ele a conhece de criança, certo? E além do mais ela era a única ruiva, ele estava à espreita com Sirius... Gostou desse? Um beijo.
Ah! O cap passado foi postado com um ou dois errinhos de digitação. Vou consertá-los agora, ok? Não deixem de dizer o que acharam.
Um beijo!
Diana
