Tentação

O que pode acontecer com quem vai com muita sede ao pote?

Desculpem a demora, mas espero que gostem deste capítulo. Espero também receber mais reviews, principalmente de você, leitora, que me add aos seus favoritos!

Obrigada pelo carinho!

~°O°~

A manhã chegou fria e com aparência chuvosa. O céu nublado tornava atividades ao ar livre pouco convidativas, então Edward e eu tivemos que nos contentar com passeios rápidos de barco e trilhas que margeavam o lago. Percebi que ele tentou evitar o menor contato físico entre nós. Então eu tinha duas perguntas pululando em minha mente durante todo o tempo: estaria ele me evitando por que não consegue mais se controlar? Ou tudo isso só significa que ele está mais determinado do que nunca a não levar isso adiante?

Enquanto Edward providenciava cogumelos para o jantar, eu resolvi pôr o barco de volta no lago e passar o tempo lendo qualquer coisa. Enquanto o céu ia desbotando num tom de anil bem profundo, eu me perdi observando as primeiras estrelas a surgir. Me peguei quase babando ao imaginar cenas realmente impróprias protagonizadas por mim e por Edward sob aquelas estrelas... Quando senti um arrepio nos braços, resolvi remar de volta para a margem e me aquecer na fogueira próxima à barraca. Enquanto fazia o percurso, vi o vulto veloz e pálido que só podia ser Edward se aproximando.

As chamas quentes estalavam e o cheiro de cogumelos já estava no ar quando finalmente consegui chegar à margem. Me aproximei, buscando o círculo de luz no qual Edward estava e, cautelosamente, sentei-me ao seu lado. Para minha surpresa, e contrariando o seu comportamento da manhã, a mão fria e pálida veio de encontro a minha, acariciando-a. Relaxei o corpo e apoiei a cabeça em seu ombro de mármore, absorvendo aquele perfume maravilhoso que sempre me deixava meio perdida.

- Pensei que estivesse me evitando...

Murmurei contra a pele do seu pescoço, enquanto aspirava profundamente. Estremeci de leve, lembrando da última vez em que nossos corpos estiveram tão próximos.

- Não exatamente. Só queria lhe dar um tempo para se recompor...

O riso baixo e com tom de deboche me deixou um pouco envergonhada e levemente irritada. Claro que ele era completamente irresistível e sua presença era atordoante, mas não precisava ficar se gabando por isso! Bufei, indignada com a situação, e quando estava quase me afastando dele, seu braço passou por minha cintura, mantendo-me no lugar.

- Não seja tola. Eu precisei de tempo igual ou maior para poder conseguir manter meus nervos sobre controle enquanto estivesse ao seu lado!

Ele riu o meu sorriso torto e beijou a ponta do meu nariz, em seguida apontando com o queixo para os cogumelos, quase esquecidos em espetos na fogueira. Consegui retira-los antes que queimasse, e o meu jantar foi saboroso e tranqüilo, assistido pelo olhar divertido de Edward. Não pude deixar de notar, de relance, um brilho dourado estranho que perpassou seus olhos por um breve instante. Intrigada, ergui o rosto para encará-lo, deixando os cogumelos de lado. O sorriso ficou mais largo. Meu coração falhou uma batida. Eu deveria sentir-me vulnerável?

- Bella, você consegue imaginar nós dois deitados no barco, flutuando no meio do lago, esperando o amanhecer, abraçados bem juntos?

- Hum... Sim...

Por alguma razão, eu tinha um palpite sobre aonde aquela conversa iria chegar. Meus olhos estreitaram de curiosidade, enquanto meu rosto ficou quente de repente.

- E você consegue imaginar tudo isso... Apenas com as roupas de baixo?

- COMO?

Meus olhos arregalaram, e eu tinha certeza que a minha boca era um "o" perfeito de surpresa. Devia estar com uma cara aparvalhada, mas pouco me importava no momento. Se eu não tinha ouvido errado, ou se o perfume dele não tivesse dado um nó nos meus neurônios, Edward Cullen estava propondo virar a madrugada comigo, num lugar deserto, seminu. Àquela altura, meu rosto estava mais quente que a fogueira e completamente vermelho, se não roxo. Como um predador que cerca sua presa, Edward aproximou-se felinamente, fazendo com que os nossos narizes se encostassem. Estava quase hiperventilando, o coração quase saltando pela minha boca, indo de encontro aos lábios frios dele, quando senti seu hálito frio e suas palavras docemente pronunciadas:

- E se eu estivesse disposto a tornar isso real?

O beijo que se seguiu quase me fez desfalecer. Alguma força interior que desconhecia ter, me manteve totalmente acordada todo o tempo, e correspondendo com igual intensidade e paixão. Quando Edward começou a se afastar, eu o enlacei pelo pescoço com os dois braços, tentando impedi-lo, mas com o mínimo de esforço ele conseguiu quebrar o contato, rindo da minha situação. Seus olhos brilhantes me encaravam quando ele sussurrou:

- Calma! Ainda tem mais.

Ele segurou a minha mão e me ajudou a levantar. Caminhamos lentamente de volta para o barquinho que eu havia deixado na margem do lago. Meu peito palpitava e eu podia dizer que estava à beira de um ataque cardíaco, mas eu precisava agüentar firme e ver até onde Edward iria com tudo isso. Algo me dizia que ele estava tramando algo, mas os meus hormônios estavam por demais agitados para permitir que meu cérebro fizesse as sinapses corretamente.

Como um verdadeiro cavalheiro Edward conseguiu me pôr dentro do barco sem o menor risco de queda, juntando-se a mim dentro dele em segundos. Enquanto ele remava para um ponto mais profundo, eu o encarei, tentando entender o que se passava em sua mente. Finalmente começava a entender o porquê de ele ficar tão frustrado por não conseguir ler a minha mente...

O olhar dourado e intenso não desviou um só momento de mim. Eu me sentia totalmente despida e devorada por aquele olhar predador. Era a primeira vez em muito tempo em que ficava hiper consciente de que meu namorado era um vampiro que tinha uma particular queda pelo meu sangue... Eu sabia que estava segura, mas também sabia que era a presa da noite. E essa idéia me deixava ainda mais excitada...

Quando chegamos mais ou menos ao meio do lago, com a visibilidade comprometida e tendo como única fonte de iluminação a lua crescente, Edward pousou os remos e estendeu a mão para mim. Tremendo descontroladamente, eu me aproximei e logo me vi envolvida pelo seu forte abraço de mármore, mas que não era menos delicado e apaixonado por isso. Nossos lábios tornaram a se encontrar, mas o beijo era calmo e suave, se comparado com o que acontecera minutos atrás na fogueira. Edward começou a deitar seu corpo sobre o meu delicadamente, e de maneira quase imperceptível. Quando realmente me dei conta, estava deitada e sentindo a leve pressão do corpo dele. Não há palavras para descrever essa sensação.

O beijo foi interrompido, e os lábios macios vagaram para a minha mandíbula, descendo lentamente para o meu pescoço, depositando beijos em toda a extensão. O sussurro contra a pele quente me provocou um arrepio.

- Como você pode duvidar, mesmo por um segundo, do meu desejo por você?

As mãos passeavam indo dos meus ombros à minha cintura, chegando às minhas pernas. A cada carícia, meu corpo se apertava mais contra o dele, numa tentativa de saciar a sua vontade de ser tocado por aquelas mãos tão delicadas. Suspirando longamente, eu me deleitava, querendo que aquele momento nunca terminasse. Gentilmente, Edward abriu espaço entre as minhas pernas, acomodando-se entre elas. Com o antebraço direito apoiado acima da minha cabeça, os nossos rostos muito próximos, a mão afagando levemente mechas do meu cabelo, ele me olhava sorrindo. A mão que estava livre aventurou-se por debaixo da minha blusa, provocando-me arrepios mais violentos, mas eu não quebrei o contato visual. Eu tentava dizer com os olhos que estava preparada para aquilo e que não voltaria atrás. Mas não era como se fosse esse tipo de resposta que Edward estivesse esperando...

Quando os dedos frios fizeram contato com a renda do meu sutiã, meu gemido foi calado pela boca ávida de Edward. Minhas mãos repousavam um tanto inocentes nos ombros dele, incapazes de fazer qualquer movimento malicioso e acabar por despertar o senso de responsabilidade do meu namorado ultra-protetor, mas eu sabia que não estava entrando no espírito da coisa... Logo senti que estava sendo erguida, e vagamente percebi que não estava mais usando uma blusa. Assim que a blusa passou pela minha cabeça, deixando-me com o tronco seminu, Edward iniciou uma trilha de beijos carinhosos, mas estranhamente despudorados pela minha barriga. O ar frio da noite provocou um arrepio na minha nuca, e instintivamente eu me encolhi. Edward percebeu a minha reação e, interrompendo seu trajeto de beijos pelo meu abdome, tirou de Deus sabe onde um grande, fofo e quente edredom, que jogou por sobre nossos corpos.

Agora aquecida, as sensações causadas pelo contato do meu corpo com o de Edward ganharam dimensões muito maiores e atordoantes. Com os dedos trêmulos, eu finalmente me obriguei a fazer alguma coisa, e como muito esforço consegui retirar a camisa dele. Quando voltou a se acomodar junto a mim, Edward me olhou com o sorriso mais inocente do mundo. A cena era tão linda que eu tive que puxar o ar com muita força algumas vezes para não perder os sentidos...

Eu podia ver que ele estava se divertindo com a minha total falta de controle, mas esta seria a última coisa com a qual eu me preocuparia no momento... Edward depositou um beijo em minha testa e ficamos longos minutos em silêncio. Creio que o único som audível, e mesmo assim somente para ele, era o do meu batimento cardíaco, totalmente descontrolado. Sua expressão ficou séria e ele finalmente resolveu dizer alguma coisa:

- Me explique de onde você tirou tanta convicção e confiança de que é isso mesmo o que você quer...

Então eu havia entendido tudo errado e o momento seria de diálogo, e não de ação? Muito bem, hormônios, bom trabalho... Humpf!

- Eu simplesmente sei. E é tudo o que importa.

- Não exatamente... Eu acho que você ainda não tem dimensão dos riscos reais que está correndo.

- Deixe-me listar: posso ter todos os meus ossos pulverizados, ser drenada até a morte, ficar tetraplégica... Quer acrescentar mais alguma coisa?

Toda essa conversa realmente me irritava. Edward me reprovou com o olhar e torceu os lábios quando pronunciei a palavra "drenar", mas eu estava magoada demais para dar importância a isso. Comecei a tatear o barco, buscando a minha blusa.

- Afinal, o que foi tudo isso? Um passatempo?

Eu lutava para conter o fluxo de lágrimas que se formavam nos meus olhos, para não parecer que estava assumindo o papel de vítima. As mãos de Edward encontraram as minhas embaixo do edredom, interrompendo a minha busca.

- Não, Bella... Isso foi a conseqüência de um descuido meu. Eu quero isso tanto quanto você, e se não está visível ainda, sinto muito, mas você sabe muito bem qual a condição que eu pus para que possamos chegar a esse momento...

- Matrimônio.

Eu praticamente cuspi a palavra. Era tão injusto que ele exigisse algo assim de mim...

- Eu posso fazer você mudar de idéia.

Numa tentativa quase infantil, eu falei de forma sedutora e ameaçadora.

- Não tenho dúvidas quanto a isso, portanto redobrarei os meus cuidados.

Rindo da minha careta de indignação, Edward deitou-se ao meu lado, puxando-me para o peito dele. Minha mão acariciava distraidamente a barriga dele, e logo fui relaxando. Após alguns minutos, o sono me dominou e eu enterrei meu rosto na curva do pescoço de Edward. Pouco antes de adormecer, podia jurar que ouvira um suspiro frustrado e quase melancólico...