Disclaimer: Por muito que adore a história e as personagens do anime Shingeki no Kyojin, estas obviamente não me pertencem e todo o crédito vai para a criatividade e talento do Isayama Hajime.
Muito obrigada pelas reviews *.*
Prevejo que o Irvin vai continuar a colecionar inimigos, mas agora chegou a personagem mais aguardada e por isso, é esperar pra ver como tudo se vai desenrolar daqui em diante :p
-X-
Sensações intensas
Pese embora, as poucas horas de sono, o Ómega de cabelos negros saiu do quarto à mesma hora dos dias anteriores para cuidar da sua higiene pessoal. Teve mais uma vez que vestir uma camisola comprida e desajustada ao seu tamanho, pois o Alfa gostava de o ver com aquele tipo de indumentária.
Nesse dia, levava uma camisola de malha bege cujas mangas teve que dobrar ligeiramente, embora pouco ou nada pudesse fazer quanto ao facto de ocasionalmente, um dos seus ombros ficar exposto. Já para não falar que as suas pernas ficavam em grande parte na mesma situação.
Também lhe foi ordenado que calçasse umas meias de cor escura para andar em casa e somente quando saísse para o exterior, deveria usar algum tipo de calçado.
Ao entrar na cozinha, estranhou não encontrar Armin.
De seguida, olhou para o relógio presente naquele espaço e recordou-se das indicações do outro Ómega relativamente aos horários das refeições e por isso, resolveu adiantar-se e não esperar pelo companheiro.
- Bom dia, Levi.
A voz do Comandante arrepiou-o enquanto pousava o café sobre a mesa já preparada para a primeira refeição do dia.
- Bom dia, senhor. - Respondeu, tencionando afastar-se da mesa, mas não teve a oportunidade, pois logo foi agarrado pelo braço a que se seguiu uma mão que segurou o seu rosto.
- Hum, estiveste a chorar, meu anjo?
A náusea estava de volta e optou por não responder. O que não impediu o Alfa de continuar a falar.
- É pelo que fiz ontem? Mal aquilo não era um castigo. - Acariciou o rosto do jovem. - Era uma lição. Algo que quero que aprendas. Sabes que tudo o que faço contigo, é porque gosto de ti. - Aproximou o rosto de Levi que cerrou os olhos e lábios, antes de sentir o Alfa quebrar a distância entre eles. - Abre a boca.
Tratava-se de uma ordem direta carregada de feromonas impregnadas de uma dominância forçada. Exigiam a submissão de um modo tão intenso que mais do que desconforto, o rapaz sentia dor por todo o corpo.
Forçado a obedecer, sentiu como a língua do Comandante entrava sem reservas na sua boca.
Quis empurrá-lo e as mãos tremeram, hesitando entre ceder à submissão ou desobedecer.
- Uma pergunta, meu anjo. - Falou contra os lábios trémulos do Ómega. - Nunca te beijaram antes?
Entreabrindo os olhos, respondeu:
- Não, senhor.
- É realmente impressionante como te mantiveram puro. - Dizia, acariciando o rosto do jovem. - Isso explica a tua inexperiência em beijar alguém. Temos que corrigir isso e penso que o Armin te pode ajudar, não achas?
- Sim, senhor. - Respondeu, procurando não dar motivos àquele homem para o castigar.
- Lindo menino. - Beijou-o mais uma vez. - Obediente, como eu gosto.
Dito isso, deixou o rapaz de cabelos negros distanciar-se e então, o Comandante sentou-se na mesa para desfrutar da refeição sobre a mesa. Assim que se sentou, também deu indicação ao outro presente que também podia comer.
Levi pegou num iogurte e numa maçã, dirigindo-se a um dos cantos da cozinha. Escolhido o local, sentou-se sobre as suas pernas no chão, como sempre foi habituado a fazer.
Em ocasiões anteriores, notou que Armin queria dizer-lhe algo sobre isso, mas por ordem do Comandante o Ómega de cabelos loiros permaneceu em silêncio, mesmo que Levi tenha ficado surpreendido com o facto do companheiro sentar-se à mesa, apesar de ser um Ómega.
Contudo, assumiu que ele e Armin não teriam o mesmo estatuto dentro daquela casa e por isso, manteve-se onde sempre esteve habituado: num canto qualquer no chão.
A comida já tinha melhor qualidade do que antes e isso já era um ponto positivo, independentemente de onde estivesse sentado.
Além disso, Levi preferia comer afastado do Alfa que ainda assim continuava a observá-lo. Isso fez com que terminasse de comer mais rápido e mal o fez, o Comandante aclarou a garganta, antes de falar novamente.
- Levi, vai lá fora e confirma que não tenho correio e traz-me o jornal que foi algo que esqueceste.
- Sim, senhor. - Murmurou, recordando que uma das regras que tinha ouvido no primeiro dia em que pisou aquela casa era "Nunca devia deixar a casa a menos que estivesse acompanhado ou lhe fosse ordenado que o fizesse".
Retirou-se de imediato da cozinha, querendo sair do mesmo espaço em que o Alfa se encontrava e também ansioso pelos momentos no exterior.
Nos dias anteriores sempre saiu acompanhado pelo Armin e esse deixou que passasse um bom tempo no jardim. A intenção ia além dos momentos ao ar livre. Também pretendia perceber e ser consciente da rotina do bairro.
Em poucos dias, percebeu que os vizinhos passavam a maior parte do tempo em casa ou no trabalho e não tanto ao ar livre, o que era um ponto a seu favor.
Porém, existiam guardas que patrulhavam as ruas. Dois Alfas que percorriam o local exibindo as fardas de uma entidade que zelava pela segurança. As rondas eram separadas por um espaço de três horas, o que aliado à ausência de pessoas nos jardins das suas casas ou mesmo na rua em alguns momentos do dia, criava as condições ideias para escapar.
No entanto, pretendia conseguir algum mapa da cidade para saber quais eram as melhores rotas de fuga que poderia escolher, pois a partir do momento em que conseguisse afastar-se dali, teria que assegurar-se que não voltaria e que jamais o encontrariam.
Levi abriu a porta da casa e ao sentir a brisa do exterior, distraiu-se desses pensamentos.
*_Eren_*
Depois de conduzir durante horas para voltar para casa, sentia como se não tivesse descansado o suficiente, mas sabia que tinha que sair da cama porque precisava ir ao hospital, informar-me acerca dos meus turnos de trabalho que teriam início no dia seguinte.
Se o Pixis, o meu chefe, tivesse horários normais para se encontrar comigo, talvez pudesse dormir um pouco mais de manhã.
Porém, ele insistia em marcar as reuniões comigo logo de manhã.
Manhã essa em que estava exausto e teria que admitir que o tempo de viagem não era o único problema. A minha mente não conseguia abstrair-se do aroma, das feromonas que tinha sentido na noite anterior, antes de entrar em casa.
Na altura, ponderei que tivesse muito cansado e pudesse ser o Armin visto que era o único Ómega que morava no bairro. Porém, eu conhecia-o desde que o Comandante Smith o tinha ido buscar e o aroma era diferente.
Concluí assim que havia um novo Ómega por perto e possivelmente, na casa mesmo ao lado uma vez que era algo comum, um Alfa ter mais do que um parceiro.
Ao longo da minha vida, sempre tive contacto com Ómegas e a custo aprendi a controlar-me e suavizar os instintos para que fosse possível ter um convivência normal com parte dos meus amigos. Por muito doce ou atraentes que fossem as feromonas que emitiam, a força de vontade e muito treino mental podiam subjugar os instintos primitivos que sussurraram a todos os Alfas para dominar e usar aqueles que diziam ter nascido para ser dominados.
Durante muito tempo, não questionei essa realidade, mas crescer e observar as coisas à minha volta causou-me dúvidas. A educação que recebi plantou essas incertezas e isso alimentou o meu senso acerca do que julgo ser correto ou não.
Contudo, há muito tempo que não me sentia tão atraído por feromonas alheias. O meu controlo tremia. Os meus instintos mantiveram-me acordado quase toda a noite, incitando-me a procurar a origem daquela luxúria que me causava insónia.
Toda a noite ouvia aquela pequena voz que me dizia coisas como:
Encontra, domina, possui esse Ómega.
Será que esse Ómega não estava sob o efeito de supressores?
Mesmo que não estivesse, já tinha sentido as feromonas de Ómegas nas suas épocas férteis e aquele caso era diferente. Aquele parecia ser o seu estado normal e se assim era, por que razão era tão intenso a ponto de não conseguir ignorar? A ponto de me ter masturbado pelo menos duas vezes antes de conseguir dormir umas míseras três horas.
Ao recordar-me de como me senti, tive que girar a torneira para que a água fria acalmasse o meu momento excessivamente hormonal. Era como voltar a ter dezasseis anos outra vez..
Se calhar, o Jean tem razão e devia arranjar uma namorada para deixar de acumular tanta frustração. Ou sair à noite e envolver-me em mais algum encontro casual, independentemente do sexo.
O género nunca foi importante para mim. Bastava que existisse algum tipo de atração e eu não criava qualquer problema. Talvez essa fosse a razão para que os meus namoros nunca tenham passado de poucas semanas e com o tempo fui desistindo de relacionamentos sérios.
Não por vontade, mas porque não sentia mais do que uma ligação física e isso também me era dito várias vezes pelos meus parceiros.
Todas as minhas relações resumiam-se a isso e ainda que os meus amigos dissessem que tudo começava por aí, a verdade é que para mim nada evoluía ou passava disso. Já com eles, o mesmo não acontecia. Cada um deles foi encontrando alguém especial.
Até mesmo aquele ser desagradável que era o Jean.
Saí do banho e apenas com uma toalha na cintura, voltei ao meu quarto ao escutar o toque do telemóvel. Pensei que fosse novamente aquele ser deformado, mas o nome no ecrã dissipou qualquer comentário ríspido que pudesse ter pensado.
- Bom dia, Eren! Espero não te ter acordado.
- Bom dia, Marco já estou fora da cama. - Respondi, enquanto me dirigia ao guarda-fatos.
- Ainda bem. Estou a ligar porque queria desculpar-me pelo Jean. Se eu soubesse da brincadeira dele, teria impedido.
- Não te desculpes por aquela aberração da natureza. - Ironizei e atirei umas calças castanhas para cima da cama. - E eu sei que não é o único envolvido na brincadeira. Também ouvi os risos do Reiner e da Ymir.
- Pois… o Berth e a Christa também pediram que desculpasses os respetivos parceiros. - Falou com um tom honestamente arrependido, como se fosse ele o culpado. - Estás muito chateado?
Suspirei e sorri.
- Impossível ficar chateado quando estou a falar contigo.
- Eren, sabes que fico sem saber o que…
- O que é que esse filho da mãe te está a dizer para estares corado? - Era a voz do Jean. - Tira as patas, Jaeger! O Marco é meu!
Revirei os olhos e resisti à tentação de responder "Agora sim, mas lembra-te que tive com ele primeiro". Éramos bons amigos e na primeira vez que teve o seu período fértil estava comigo, o que fez com que basicamente me atacasse durante a noite em que tinha ido dormir à sua casa e repentinamente, acordei com ele em cima de mim.
Foi também a primeira vez que tomei consciência de como era difícil resistir aos instintos.
Nesses dias ou fases como alguns chamavam, os Ómegas simplesmente encarnavam a própria tentação e era quase impossível resistir.
Por conseguinte, o meu envolvimento com o Marco acabou por ser acima de tudo físico e isso tornou-se bastante evidente, quando por alguma razão que desconheço, ele viu algum encanto no Jean que por incrível que possa ser, retribuiu os sentimentos. A tal ponto que assumiu compromisso e abraçou a monogamia.
Ainda assim, eu continuava a gostar de provocar aquele ser com alguns comentários, visto que ele também tinha sempre algo a dizer sobre mim.
Enfim, ouvi mais um pedido de desculpas do Marco pela linguagem do namorado e dando por terminada a chamada, disse-lhe que não se preocupasse, pois com o tempo já tinha aprendido a ignorar grande parte dos insultos do Jean.
Mal a chamada terminou, a fotografia de fundo do meu telemóvel reapareceu e fez-me sorrir novamente.
Estávamos todos na praia e na ocasião, pedimos a uma senhora que passava para tirar aquela fotografia. Todos os rapazes estavam sentados. Reiner e Berth em cada ponta, Connie do meu lado esquerdo, Marco do lado direito com Jean imediatamente ao lado dele, colocando um braço em torno da cintura dele.
De pé em posições distintas estava a Sasha a beijar um morango, Christa de alguma forma convenceu a Ymir a fazer um coração com as mãos, Annie com os cabelos soltos ria enquanto fazia cócegas a Berth para que ele não ficasse tão sério e por fim, Mikasa tinha uma mão apoiada no meu ombro e sorria.
Além daquela fotografia, tinha outras dezenas armazenadas, entre as quais uma em que o Jean acordou com um desenho de um cavalo nas costas. Um acontecimento de origens misteriosas, digamos assim.
- Volta verão. - Murmurei num tom nostálgico.
Depois de vestir a roupa que tinha escolhido, desci até à cozinha para preparar algo para comer.
O sol invadia todas as janelas da minha casa, o que me dava logo um novo ânimo pela manhã. Simplesmente adorava dias como aqueles. Bem ensolarados.
Ao entrar na cozinha, dei alguns passos até abrir um dos armários. Optei pelo mais simples e retirei uma caixa de cereais, embora já pudesse ouvir a voz da minha mãe a queixar-se dos meus hábitos alimentares. Desse comentário era fácil chegar às conversas de que precisava encontrar um parceiro, preferencialmente uma Ómega prendada que cozinhasse boas refeições e limpasse a casa com frequência.
Eu sabia cozinhar, relembrava várias vezes.
Para isso, tive que insistir bastante para que a minha mãe ensinasse porque era uma daquelas coisas que diziam que os Alfas não deveriam nem precisam aprender, visto que existiam os Ómegas, a classe mais adequada para essas coisas.
Contudo, esse argumento para mim sempre foi ridículo. Não compreendia como os Alfas podiam orgulhar-se de não saber fritar um ovo.
Ora, eu não pretendia passar fome ou deixar que se algum dia casasse, o meu Ómega estivesse condenado a fazer sempre as mesmas tarefas sem que eu pudesse participar. Esse tipo de pensamento já fez com que escutasse várias piadas e até sermões de professores que me diziam que devia ser mais consciente da importância da minha classe.
A minha pergunta é: Como é que é desprestigiante eu saber fritar um ovo?
Enfim, coisas que não entendo.
Eu não era nenhum cozinheiro excecional, mas sabia fazer refeições simples e se não fosse pela minha preguiça, provavelmente cederia menos aos enlatados, take-away ou refeições congeladas que comprava apenas para aquecer posteriormente no forno ou no micro-ondas.
Quanto à limpeza, não fazia muito sentido limpar todos os dias, a meu ver. Era melhor acumular alguns dias e depois limpar tudo de uma vez só.
Ao dizer isso, a minha mãe suspirava e perguntava-me sinceramente se eu achava que aquela era boa ideia e o que aconteceria se tivesse visitas inesperadas. Penso que responder que empurrar o lixo/pó para debaixo do tapete não foi a resposta mais inteligente da minha parte.
Isso significava que a minha mãe estava preocupada e o meu pai também não compreendia porque não quis compromisso com nenhum dos Ómegas de boas famílias que me foram apresentados. Entre os quais, o Marco que já conhecia antes da apresentação formal e também a Christa que conhecia desde dos meus tempos de criança, visto que vivíamos na mesma rua.
Os meus pais ficaram radiantes quando souberam que estava com o Marco. Isto antes de ele cair nos encantos do Jean e nós concluirmos que o sexo era ótimo e a amizade seria para manter, mas que não havia sentimentos mais sérios entre nós.
No caso da Christa, só ficámos a saber da intenção dos nossos pais no dia do jantar em minha casa. O facto de termos gargalhado durante horas traumatizou a todos, não só pela nossa falta de educação, como também pelo nosso "não" em uníssono e sem margem de negociação.
Ainda hoje lembramos e rimos desse dia.
A Christa pode aparentar ser a típica menina bonita e princesa elegante, mas no nosso círculo de amigos e acima de tudo eu que a conheço há mais tempo, sabemos que há muito mais por detrás daquela fachada.
Além disso, quando veio a proposta absurda dos nossos pais, a Christa já namorava há cerca de dois anos com a Ymir, uma Beta que às vezes era mais territorial e possessiva do que muitos Alfas.
Mesmo assim, confiava bastante em mim e por isso, pouco ou nada dizia quando a Christa se pendurava no meu pescoço para tentar subornar-me com os olhos de cachorrinho abandonado. Sim, a loirinha era manipuladora quando queria alguma coisa.
Sorri mais uma vez com as lembranças das férias enquanto entrava na sala com a taça de cereais na mão e afastava uma das cortinas da janela, abrindo a mesma ligeiramente.
Assim que o fiz, senti todo o meu corpo paralisar.
As feromonas da noite anterior alcançaram novamente o meu nariz e os meus olhos desviaram-se automaticamente para a entrada da casa ao lado. Surpreso, vi um rapaz de cabelos negros, apenas com uma camisola bege que deixava exposta um dos seus ombros e grande parte das suas pernas.
Senti a garganta seca.
Vi-o dar pequenos passos no jardim e parar por alguns momentos, fechando os olhos e aparentemente desfrutando do sol, do tempo agradável do exterior.
Era uma das visões que inexplicavelmente, classifiquei como das mais belas que alguma vez vi.
A pele aparentava não estar habituada a ser tocada pelo sol, mas os raios que a tocavam, transmitia-me a sensação de que seria suave ao toque. Criava um desejo de delinear com os meus dedos cada um dos traços do seu rosto tão relaxados naquele momento.
Entrelaçar os meus dedos nos cabelos negros que se moviam ligeiramente com a brisa que apenas espalhava ainda mais aquelas feromonas que me causavam um frio na barriga.
Quero aquele Ómega.
Tenho que ter aquele Ómega.
Não me apercebi que tinha aberto a janela totalmente, esta que tinha na sala de grandes dimensões e que dava acesso ao jardim.
Parei de andar no momento em que ele abriu os olhos e prosseguiu até à caixa de correio. Não o vi retirar qualquer envelope, mas pegou no jornal já deixado no portão e notei que observava um dos vigias que fazia a ronda.
Não vi curiosidade ou confusão na expressão dele. Parecia examinar os movimentos do vigia que pouco depois desapareceu e assim que o fez, o Ómega afastou-se do portão, iniciando o percurso de volta.
Foi então que se apercebeu da minha presença, provavelmente também porque as minhas feromonas não estavam controladas. Ele parou abruptamente e olhou na minha direção como se o tivesse assustado e novamente, o frio na barriga se fez notar.
Era definitivamente jovem e atraente em todos os sentidos. As feromonas eram embriagantes, intoxicantes e talvez fosse a forma como o sol incidia sobre ele, mas os olhos apareciam…
Repentinamente, virou o rosto e correu até casa.
- Espera!
Não tive tempo de o parar, entrou apressadamente na casa, desaparecendo no interior.
Deixou-me para trás completamente atordoado com aquelas feromonas que não tinha sequer com o que comparar e claro, uma imagem dele com uma roupa que o deixava exposto de uma forma mais do que apelativa, atrevia-me a classificar mesmo como sexy.
Levei a mão ao peito. O meu coração estava acelerado.
Era possível que um Ómega me afetasse tanto, estando no seu estado normal?
O Ómega fechou a porta com mais força do que pretendia. Ainda se perguntava como o Alfa só fez notar a sua presença quando já se encontrava no jardim. O normal seria ter notado, mal o moreno tivesse colocado um pé fora de casa. O que de certa forma demonstrava que apesar de jovem, tratava-se de um Alfa capaz de ter um certo controlo das feromonas. O mesmo controlo que começou a dissipar e por isso, Levi reparou que havia algo diferente quando regressava a casa.
Contudo, não esperava virar o rosto e encontrar o Alfa a observá-lo diretamente e com a luz do sol e maior proximidade do que a noite anterior, reparou nos orbes verdes que lhe atribuíam uma beleza invulgar. Algo que lhe provocou um frio na barriga e o assustou ao aperceber-se que reagia de forma estranha e quase inconsciente à presença do moreno.
Ele não gostava de Alfas. Jamais os observava por outra razão que não fosse encontrar fraquezas.
"Os Alfas não prestam", repetiu a si mesmo.
Respirou fundo mais uma vez para se acalmar e depois de se descalçar, ouviu a voz do Alfa a quem de momento, devia obedecer. Apressou os passos até à cozinha e assim que entrou, encontrou o Comandante a terminar a refeição.
- Demoraste, meu anjo. - Comentou, vendo o Ómega aproximar-se e deixar o jornal sobre a mesa. - E pareces agitado. Aconteceu alguma coisa?
Pelo tom de voz e olhar que recebia, Levi percebeu que mais do que uma pergunta, era uma exigência para que respondesse.
- O… outro Alfa… - Começou por dizer pouco à vontade.
- O Eren? - Perguntou surpreso. - Disse alguma coisa?
- Não, senhor.
- Hum, não gostas dele? - Indagou ainda um pouco pasmo. - O meu Armin simplesmente adora o Eren. Fico surpreso que ele te tenha assustado, em vez de te conquistar como seria o normal.
- Eu não gosto de Alfas. - Respondeu num tom seco.
Logo que essas palavras abandonaram os seus lábios, as feromonas que forçavam a submissão abateram-se sobre ele juntamente com um sorriso que considerava doentio e perverso.
Falou sem pensar nas consequências, mas era tarde para recuar.
Mesmo assim, não se moveu de onde estava, pois sabia que somente iria piorar a situação. Também não desviou o olhar, apesar de sentir as feromonas do outro a querer que se curvasse ou baixasse a cabeça.
- É impressionante que tentes e consigas resistir. - Disse. - Mesmo sendo consciente do que pode acontecer. Não achas que deves pedir perdão pelo teu comentário infeliz? - Estendeu a mão, acariciando o braço do Ómega que estremeceu um pouco. - Estou à espera de um pedido de desculpas já que eu gosto tanto de ti. Não mereço ouvir coisas dessas, pois não?
- Peço desculpa. - Murmurou claramente sem vontade, mas com alguma esperança de que isso fosse o suficiente.
- Não parece um pedido muito sincero. - Falou num tom que arrepiou o jovem e antes que esse pudesse tentar repetir as palavras de desculpa, o seu braço foi puxado até que caiu com a barriga sobre as pernas do Alfa. Sentiu que puxava um pouco a sua camisola acima das costas e isso deixou-o mais agitado.
- O que…?
- Silêncio!
Era uma ordem direta a que se seguiu uma palmada com uma força excessiva que fez o Ómega morder o lábio com demasiada força para conter parte da queixa. Fez tal pressão sobre o lábio que logo sentiu o gosto de sangue.
- Estou à espera de um pedido mais sincero.
Outro golpe.
E mais outro.
Cada um pior do que anterior e mesmo assim, o Alfa não compreendia como aquele Ómega recusava-se a pedir-lhe perdão e apenas tentava conter as queixas de dor. Ao ver que não obtinha o resultado que pretendia, intensificou as feromonas e o corpo sobre as suas pernas ficou imediatamente tenso.
O Comandante sorriu perante essa reação e pousou o cotovelo sobre a zona das costelas do jovem, procurando o ponto certo para que o impacto fosse o esperado.
As feromonas do Alfa impregnavam-se forçosamente nos seus sentidos e todos os instintos ordenavam para que se submetesse. D oía ir contra o que o corpo queria fazer. Muitas vezes, sentia-se aprisionado dentro do próprio corpo, dentro dos instintos primitivos que exigiam obediência perante os Alfas.
Quando sentiu o cotovelo do Comandante sobre as costas, Levi soube que a situação ia piorar. Pressentiu que…
- Ah!
Era impossível segurar aquela queixa de dor, quando aliada à palmada e Às feromonas, veio a pressão sobre as suas costas como se várias costelas fossem quebrar simultaneamente.
- Se pedires perdão, eu paro, meu anjo.
Os gestos repetiram-se numa intensidade simular ou pior do que antes.
Levi respirava com dificuldade. As costelas não ia aguentar. Iam descer e os instintos diziam-lhe para se submeter e implorar pelo perdão daquele homem que não mostrava qualquer remorso pelo que fazia.
Então, ouviu e sentiu a primeira costela ceder.
- Quantas terei que partir? - Questionou e logo outra estalou debaixo do seu cotovelo.
O ar escasseava. Não podia defender-se e se alguma das costelas perfurasse os seus pulmões, podia não alcançar o seu desejo de ser livre. Podia morrer mesmo que o Alfa tivesse dito que não o mataria. Porém, Levi sabia que quando desafiados ou consumidos pela raiva, as promessas dos Alfas deixavam de ter sentido.
Custava-lhe lutar contra os instintos e notou que tremia entre a raiva e o medo.
Não ia ser capaz.
Se continuasse assim, se deixasse aquela situação prolongar-se, não sabia se iria sobreviver ou quanto tempo demoraria a regenerar.
Sentiu os olhos arder enquanto mais uma queixa de dor escapava.
- Perdão, senhor… - Falou com a voz trémula.
A pressão nas costas parou e a próxima palmada que esperava, não veio.
- O quê? Não ouvi bem.
- Perd…ah! - Um puxão nos cabelos que o forçou a levantar-se e consequentemente, endireitar as costas por breves momentos. O que com as costelas partidas, o atravessou de dor.
- Estavas a dizer?
Se pudesse, se tivesse forças, Levi queria ripostar e fazer aquele Alfa pagar pela forma como o tratava. Porém, era consciente de que naquele momento, não havia nada que pudesse fazer.
Além disso, a cada lesão ou ferimento grave que sofresse, corria o disco de que a regeneração fosse mais lenta e isso podia arruinar a sua possibilidade de fuga. Precisava estar em condições mínimas para que assim que a ocasião surgisse, pudesse escapar sem que nada o prejudicasse.
Sendo assim, engoliu o orgulho e esforçando-se por manter a voz num tom que não tremesse muito, falou:
- Peço perdão, senhor. Peço perdão pelo que disse.
- E não lamentas como me fizeste sentir?
- Lamento imenso, senhor. - Falou e deixou escapar mais um gemido de dor ao ser puxado para sair das pernas do Alfa, mas assim que se viu confrontado com a ideia de aguentar-se nas próprias pernas, apercebeu-se de como tremia e teve que apoiar-se na mesa ao seu lado.
Cada movimento era doloroso, até mesmo respirar era difícil.
- Queres ajuda, meu anjo?
- Não, senhor. - Respondeu com uma expressão dolorida. - Mas agradeço na mesma. - Decidiu acrescentar para não dar mais razões para que os castigos continuassem.
- Não precisas ter vergonha de pedir ajuda e se pensas que não mereces porque acabaste de ser castigado, quero que saibas que já te perdoei. Eu gosto tanto de ti que resolvi perdoar-te. - Levantou-se da cadeira e agarrou o queixo do Ómega. - Simplesmente belo. Esses olhos, essa expressão… - Roçou os lábios contra o jovem que fechou os olhos e sentiu as pernas falharem.
O outro não deixou que caísse e assustado, o Ómega viu quando o Alfa o tomou nos braços.
- Vou levar-te ao quarto. Penso que precisas de repouso.
Entre o receio, desconforto e dor não teve escolha se não deixar que o Comandante o levasse nos braços até ao quarto, onde o deitou na cama. De seguida, ajustou a posição das cortinas para que a divisão ficasse mergulhada no escuro e beijou os lábios do Ómega antes de sair.
Este que assim que se viu sozinho, esfregou a boca com as costas da mão, questionando-se por quanto tempo teria que aguentar aquela situação e só esperava que a sua regeneração atuasse rapidamente para o livrar das dores que o atormentavam.
Entretanto, Irvin dirigiu-se ao seu próprio quarto e encontrou um Armin já vestido, mas com os cabelos ainda molhados, caminhando apressadamente pela divisão.
- Bom dia, Comandante! - Disse enquanto procurava umas meias para calçar. - Peço desculpa por não ter acordado antes para preparar a refeição.
O Alfa sorria perante a energia do Ómega que não parava de andar de um lado para o outro no quarto já arrumado.
- Sem presa, Armin. O Levi já se ocupou da refeição, mas infelizmente não se portou muito bem depois e por isso, até que dê ordens em contrário, não irá sair do quarto. Vai precisar de repouso e apenas irás ao quarto dele para entregar e recolher refeições.
O Comandante notou que o ar animado do Ómega desvanecia e por isso, resolveu dar-lhe uma notícia que sabia que ia animá-lo.
- O Eren está de volta. - Os olhos azuis do jovem focaram-se nele. - Vou sair agora e como sabes, acho que nos vamos cruzar com ele. Se quiseres, podes vir comigo.
- Obrigado, Comandante!
Depois de deixarem o quarto, Armin ainda lançou um olhar à porta do companheiro, questionando-se se estaria bem e como queria que estivesse com ele para conhecer o Eren.
Ouviu a voz do Alfa chamá-lo e como Ómega obediente que era, rapidamente foi ao seu encontro.
Assim que saiu para o exterior, viu Eren abrir a porta do jipe, mas parar os movimentos ao notar a presença dos vizinhos. Sorriu e Irvin deu um toque no ombro do Ómega encorajando-o a ir na sua frente.
Armin agradeceu e correu pelo jardim, abriu o portão com as chaves dadas pelo Alfa e precipitou-se para os braços do moreno.
- Loirinho, saudades minhas? - Brincou divertido ao receber o outro num abraço apertado.
- Eren, demoraste muito. - Respondeu o loiro, roçando o rosto contra o peito do Alfa que acariciou os seus cabelos.
- Bom dia, Comandante Smith.
- Bom dia, Eren. - Sorriu. - Já disse que podes chamar-me Irvin. - Olhou para Armin. - Às vezes, não sei se devia ter ciúmes.
Eren coçou a própria cabeça, mantendo o mesmo sorriso.
- Espero que não e sabe que sempre me habituei a chamá-lo de Comandante.
- Como preferires. - Viu Armin regressar para o seu lado. - E que tal essas férias?
- Ótimas e… - Lembrou-se de algo. - Esperem um bocadinho, volto já! - Pediu e saiu a correr sob o olhar divertido de Irvin e Armin que aguardaram pelo regresso do vizinho.
O moreno voltou com uma bolsa de pano de onde retirou uma pasta de cor preta que trazia no canto superior esquerdo as letras "Confidencial".
- O meu pai pediu-me que lhe entregasse isso.
- Obrigado, Eren. - Agradeceu, pegando na pasta. - E está tudo bem com ele? Já não o vejo a ele ou à tua mãe há algum tempo.
- Sim, estão ótimos e a repetir que lhes está a dever uma visita. A sério, espero que vá vê-los em breve antes que a minha mãe convença o meu pai a vir cá. Eu sei que os dois pensam que não devia viver sozinho e querem uma desculpa para vir cá encher-me com conversas de casamento. - Revirou os olhos.
Irvin riu um pouco juntamente com Armin.
- Se quiseres, posso ajudar nas limpezas. - Ofereceu-se o Ómega. - Se o Comandante deixar.
- Por mim, não há problema. - Assegurou Irvin.
- Hei, eu também não sou assim tão mau nestas coisas. A casa tem algum pó, mas só porque estive fora.
- E por isso e pelo tamanho, é que estou a oferecer a minha ajuda.
- Quando chegar da minha reunião com o Pixis vejo se consigo limpar tudo sozinho ou preciso de assistência. - Sorriu e de seguida, colocando a mão na bolsa de pano. - Fecha os olhos, Armin. Trouxe um presente.
O Ómega obedeceu e logo também lhe foi pedido que estendesse as mãos. Pouco depois reparou que o Alfa deixava um objeto sobre elas e disse que podia abrir os olhos.
Era um livro grosso com uma capa, contracapa e lombada fruto de um trabalho manual antigo. De cor cinzenta e letras prateadas também as folhas demonstravam a antiguidade do objeto que tinha como título "Lendas do Mar".
Os olhos azuis brilharam entusiasmados.
- O meu pai disse que conhecia alguém que tinha a edição antiga desse livro. Parece que o senhor em questão não lhe dava muita importância e nem pensou que tivesse algum valor.
- Obrigado, Eren! Muito obrigado!
- De nada, loirinho. - Manteve o sorriso e retirou uma caixa da bolsa, entregando-a ao Comandante.
- Obrigado, Eren. - Disse, observando a garrafa de vinho. - Sempre a trazer-me lembranças de qualidade.
- Não tem que agradecer. - Disse, vendo Irvin entregar a garrafa a Armin para que a guardasse quando entrasse em casa. - E peço desculpa por não trazer nada ao novo elemento que vi esta manhã e que espero não ter assustado.
- É um pouco tímido porque chegou há poucos dias. Foi uma aquisição inesperada e especial que ainda está em processo de adaptação e educação. - Falou, vendo o ar interrogativo do outro Alfa. - Veio da "Cidade das Trevas". - A interrogação deu lugar à surpresa. - Pediram-me que o educasse visto que vem de uma realidade diferente da nossa, mas tal como fiz com o Armin, vou apresentá-lo oficialmente. O que me dizes de um jantar em minha casa, Eren?
- Seria um gosto, Comandante, até porque não queria que ele tivesse medo de mim.
- Sim, também penso que devia ter uma boa relação contigo dado que me ausento várias vezes e é bom ter alguém de confiança com que possa deixar os meus Ómegas.
- Então assim que souber qual é o meu horário, aviso e depois decidem qual é o melhor dia.
- Fico à espera. - Olhou para o relógio. - Agora tenho mesmo que ir e penso que tu também, Eren.
Mal o moreno viu as horas, atirou a bolsa para dentro do jipe ao mesmo tempo que pedia desculpas por ter que cortar a conversa. Entrou no veículo sob o olhar divertido dos vizinhos que viam o jovem Alfa repetir que Pixis ia começar a beber se chegasse depois da hora e isso daria origem a conversas longas e sem sentido.
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Até ao próximo capítulo *
