Capítulo 3 - A Passagem

Corredor sem fim. Ela estava correndo, desesperada, tentando encontrar uma saída. Os cabelos estavam despenteados. Aos poucos, poças de sangue formavam-se no chão, oriundas das frestas das intermináveis portas. Corria cada vez mais. Ela podia sentir alguém a seguindo. Passos soavam ao longe. Nem, ao menos, sabia quem era, mas um aperto no coração significava terror. Seria um Comensal?

"Não! Não pode ser. O que eles podem querer comigo?" - Ela pensava desesperada. - "QUEM ESTÁ AÍ?" - Gritava, sem saber se ia obter uma resposta concreta... E estava certa. Ninguém respondeu.

Começou a correr novamente. As portas estavam trancadas. Não tinha saída. Os passos estavam cada vez mais perto. Correra na direção errada.

"Ah, meu Merlin, não pode ser. Eles vão me matar. Me ajude, por favor." Ela chorava muito. Já estava soluçando. Encostou na parede e deixou-se cair. Não adiantava mais. Estava presa. A qualquer momento iam aparecer e levá-la.

O sangue tomava conta do lugar e o eco dos passos já estavam muito intensos.

Fechou os olhos. Se tivessem que matá-la, que matassem. Mas não queria sofrer. Sentiu uma respiração perto dela. Foi abrindo os olhos devagar. Foi percorrendo o homem com os olhos desde o chão.

Sapatos pretos, túnica preta, capuz preto. Mas ela sabia que não era um Comensal. Podia sentir, de alguma forma...

Uma pontada muito forte na cabeça a fez gritar. Não teve coragem de encarar o homem. Devia ser tão frio quanto o lugar que estava.

O homem foi tirando o capuz lentamente.

"O que quer comigo?" - Perguntava ofegante.

"Você é muito preciosa, menina. Preciso de você." - Uma voz grossa e arrastada ecoou pelo corredor.

Lílian levantava a cabeça. Encarou-o. Imediatamente levantou-se. Estava assustada. Suas suspeitas estavam certas. Ele era um...

- Lílian, Lílian, acorda! LÍLIAN! - Emelina gritava, sacudindo a amiga freneticamente. - Lily, pelo amor de Merlin, fala comigo.

A ruiva abria os olhos. Via tudo embaçado e estava com muita dor de cabeça. Suas amigas a olhavam espantadas, com os olhos arregalados. Todos estavam ali: Daphne, Anna, Alice e Emelina.

- O que está acontecendo, Lina? - Lílian perguntou com a voz arrastada, olhando para todas. Continuava deitada. Não tinha forças para levantar.

- Nós é que perguntamos, Lily. O que houve? - Emelina sentou ao lado da amiga, passando a mão pela testa da ruiva. - Lily, você tá ardendo em febre. Tá suando demais. - A menina estava muito nervosa. Não sabia o que fazer.

- Vou chamar Madame Pomfrey. - Correu Alice.

- NÃO, Alice. Por favor, não chame ninguém. Eu estou bem. - A ruiva falava ofegante.

- Como bem, Lily? Você tá quase desmaiando. Mal consegue falar. Ardendo em febre. Como você está bem? Como, Lily? - Daphne quase gritava. Não podia deixá-la daquele jeito. - Alice, vá chamar alguém.

- NÃO, Alice. Eu já disse que não. Não quero que chame ninguém. Eu estou melhor. Foi apenas um pesadelo. - A menina levou a mão na testa. Uma fisgada intensa não a deixou continuar.

- Ai, Lily, por Merlin, pára de ser teimosa. A gente tá querendo te ajudar. - Emelina parecia mais doente do que Lílian.

- Calma, Emelina. - Daphne levantou a sombrancelha. - Lílian, há quanto tempo você anda tendo esses pesadelos?

Lílian não sabia o que responder. Não ia contar a verdade para as amigas. No mínimo, iam chamá-la de doente.

- Esse foi o primeiro, Daph. É normal uma pessoa ter pesadelos, ora. - Mentiu.

- Mas não é normal uma pessoa ter febre alta depois de um pesadelo, Lily. - Disse Alice, acalmando-se, sentando na beira da cama.

- Você lembra o que aconteceu com a Anninha, né?

- Ah, você tinha que lembrar disso, Emelina? - Disse Anna, que não tinha se pronunciado ainda.

- Desculpe, Anna. Mas é perigoso a Lily não procurar ajuda.

- Ai, parem com isso, por favor. Não tem nada demais comigo. Eu só tive um pesadelo. - Disse Lílian, já irritada. - Que horas são?

- 7 da manhã. - Respondeu Daphne.

- Já está quase na hora das aulas. Eu vou me levantar e tomar meu café. - Lílian apoiou-se na cama e tentou andar. Mas no primeiro passo, a ruiva perdeu a força e caiu.

- Lily! - Correu Daphne para ajudá-la. - Tá vendo, Lílian? Você não está nada bem. Deixe eu chamar Madame Pomfrey. Ela pode preparar uma poção e...

- Daphne, eu não quero ninguém aqui. É tão difícil de entender? - Disse Lílian, irritada.

- Ok, Lílian Evans. Depois não reclame. - A morena saiu batendo a porta com força.

- Meninas, me desculpem, mas eu preciso ficar sozinha. - Pediu Lílian calmamente. - Daqui a pouco eu vou descer.

- Tudo bem, Lily. Se você prefere assim... - Emelina deu de ombros, saindo do dormitório, seguida de Alice. Porém, Anna permaneceu no mesmo lugar.

- Lílian... Agora que estamos sozinhas, você poderia me explicar como foi exatamente esse pesadelo?

- Ai, Anninha, eu prefiro não falar sobre isso. Mas pode ficar tranqüila que não há nada de errado comigo.

- Mas, Lily, você sabe o que aconteceu comigo ano passado e eu não desejo isso nem para o meu pior inimigo. - Disse Anna, preocupada.

- Eu sei. - Respondeu Lílian, dando à amiga um sorriso materno. - E sei também que não é isso que está acontecendo comigo.

- Tomara que você esteja certa, Lily, tomara. - Anna retribuiu o sorriso. - Só fique mais atenta. Bom, eu vou indo. Te espero lá embaixo. - Anna levantou-se e deu um beijo na amiga.

A menina estava saindo, mas quando abriu a porta, Emelina e Daphne caíram sobre a amiga com um sorriso amarelo nos lábios.

- Muito bonito, não, mocinhas? - Perguntou Lílian, com a mão na cintura, fingindo estar brava.

- É que, hum, a gente estava... - Começou Emelina, tentando se explicar.

- Ouvindo atrás da porta. - Completou Lílian. - Pelo visto só Alice tem juízo entre vocês três. - Continuou a ruiva, tentando esconder o riso.

- Juízo? A espertinha saiu correndo e nem nos avisou. - Resmungou Daphne.

As meninas não agüentaram mais e caíram na gargalhada.

- Ok, ok, será que agora eu posso ficar sozinha?

- Como a senhorita quiser. - Disse Anna, fazendo uma reverência ridícula, fazendo a ruiva dar mais risadas.

As três saíram, finalmente, deixando Lílian em paz. Daphne e Emelina foram na frente, conversando alegremente. Anna ficou mais atrás, pensando no ocorrido.

- Droga. Eles tinham que começar a agir logo agora? - Resmungou Anna para si mesma, desviando o caminho.

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O céu estava nublado e um vento leve balançava as árvores da Floresta Proibida. Uma brisa fina começava a cair e de longe, podiam-se ver as janelas do castelo se fechando.

Dois centauros vinham caminhando calmamente pelas trilhas da Floresta. Um, parecia ser o mais velho e o outro ainda tinha traços juvenis.

- O que você acha sobre o tempo, Firenze? - O mais velho tomou a palavra, observando o céu, seriamente.

- Más tempos, Magoriano. - Respondeu o mais novo, erguendo a cabeça. - A herdeira de Cassandra corre perigo.

- Começou mais rápido do que imaginávamos. O que vamos fazer agora? - Perguntou Magoriano com um ar de preocupação.

- Esperar. Não há mais nada que possamos fazer. Além disso, juramos que não íamos mais nos misturarmos com os humanos, lembra?

- Ora, Firenze, não se trata mais disso. A herdeira corre perigo, NÓS corremos perigo. - Retrucou Magoriano, tentando manter a calma.

- Eu entendo. Agora, temos que tomar cuidado e proteger a pequena.

- Mas você acha que...

- Sim, Magoriano. A passagem foi reaberta.

Magoriano olhou tristemente para Firenze.

- Ela voltará. Acalme-se que ela voltará.

Firenze retirou-se lentamente, deixando o outro centauro observando o céu, com um leve sorriso no canto dos lábios.

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Anna andava de um lado para o outro num corredor escuro e isolado do sétimo andar. Estava roendo as unhas de tanto nervosismo.

- Droga, droga e droga. Isso não pode estar acontecendo. Não agora. O que eles pensam que estão fazendo?

- Ora, ora, ora, quem eu encontro aqui? A grande Makland.

Anna nem percebera que Sirius estava escutando. O moreno resolveu aparecer na hora mais importuna possível.

A menina bufou.

- Ai, me deixa em paz, Black.

Sirius riu alto, mas imediatamente fechou a cara.

- Eu posso saber o que você tá sabendo, menina?

Anna encarou o moreno e fingiu-se de desentendida.

- Não sei do que você está falando.

- Ah, por favor, Anna, deixa de ser sonsa. Com o que você está tão preocupada?

A loira olhou furiosa para o moreno.

- Isso não é da sua conta. Não se meta onde não é chamado. - E deu as costas para o menino.

Sirius estava ficando nervoso. Pegou nos braços da menina e a virou bruscamente.

- Escuta aqui, garota, se você pensa que é esperta, eu sou muito mais. O que você tá armando, Anna? - Sirius perguntou com os olhos faiscando.

- Ai, me solta, Sirius. Tá me machucando. - Anna soltou-se e olhou bem no fundo dos olhos de Sirius. - Eu não tô armando nada. Muito pelo contrário. Tô tentando encontrar uma solução. - E começou a andar de um lado para o outro novamente.

- Você já tá me irritando com esse nervosismo. Quer parar? - Sirius fechou os olhos e viu que não ia adiantar. - Eu fiquei sabendo do que aconteceu com a Evans. - Anna parou imediatamente. - E espero que você não tenha nada a ver com isso.

Anna virou-se.

- Calma aí... Você tá insinuando que eu sei o que está acontecendo com a Lily?

- Bingo! - Sirius debochou.

- Eu não posso acreditar no que estou ouvindo. De onde você tirou essa idéia? Ou será que eu vou sempre ser criticada pelo que aconteceu comigo?

- Não misture as coisas, Anna. Eu tô de olho em você desde o final do ano passado. - Disse Sirius apontando para a loira. - Eu sei demais.

- Eu pensei que você fosse mais inteligente.

- E EU PENSEI QUE VOCÊ FOSSE MINHA AMIGA, ANNA!

- E EU SOU, SIRIUS! EU SOU!

Sirius tentou se acalmar.

- Seja sincera, então. O que você estava fazendo aqui?

- Pensando alto. Mas isso é uma coisa que me atormenta desde pequena. - Sirius franziu a testa. - Eu não posso contar.

- Ok, ok. Isso é um direito seu. - O moreno olhou para a amiga e aproximou-se. - Desculpe se eu exagerei um pouco. Mas você tem estado muito estranha ultimamente.

- Um dia eu vou te contar tudo.

Anna riu e os dois se abraçaram.

- Sirius, você pode me soltar? - Anna pediu com um ar divertido depois de dez minutos abraçada com o amigo.

- Precisa mesmo?

A loira empurrou o moreno e deu um leve tapa no braço do amigo.

- Mas você não toma jeito, hein, seu cachorro? Coitada da Deaborn.

- Coitado de mim. Você não sabe o que aquela loirinha é capaz de fazer. - Sirius disse rindo, mas logo depois, levantou a sombrancelha. - Até você está sabendo?

- Não só eu, como Hogwarts inteira. Você se acha esperto, mas eu escutei os foras que você levava desde o ano passado. - Anna contou, tirando vantagem.

- Ouvindo atrás da porta?

- Acredite, não foi só eu. - Anna piscou.

Os dois riram com vontade.

- Vamos descer? - Perguntou Anna.

- Primeiro as damas. - Sirius estendeu a mão numa reverência ridícula.

Anna seguiu caminho para aula e Sirius foi procurar os amigos que ainda não tinham entrado na sala de Minerva.

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A noite estava muito bonita. Apesar de muitas nuvens cobrirem o céu, a lua crescente estava brilhando intensamente.

O castelo estava escuro e todos já estavam dormindo. Já eram quase 3 horas da manhã e mesmo assim uma única luz podia ser vista na Torre Sul. Uma luz fraca, mas em meio ao breu, esta fazia muita diferença. Vinha do Salão Comunal da Sonserina.

Uma bela garota de cabelos pretos escorridos até a cintura e olhos de um azul celeste estava sentada em frente à lareira com a varinha acesa ao lado. Era muito bonita, mas muito fria. Tinha o sangue frio, era cruel. Mas algo a incomodava. Incomodava tanto que a morena não conseguiu pregar o olho.

Bellatrix Black não era de se preocupar muito. E se estava assim, é porque algo muito perigoso estava acontecendo. Ou iria acontecer...

- Maldita sangue-ruim. - A menina levantou de repente, com os olhos faiscando de raiva.

Foi para o dormitório ver se conseguia dormir. Rolava na cama, mas mantinha os olhos abertos.

- Aquela Grifinória maldita não vai tirar meu sono. Não vai mesmo. Nox!

Virou para o canto, fechou as cortinas e finalmente, Bellatrix adormeceu.


N/A: Mais um capítulo! Bem, hj serei breve... REVIEWS, por favor, por favor, por favor!! E obrigada a tds q estão dxando seus recadinhos aqui... xD