Disclaimer: Eu não possuo Harry Potter ou qualquer um dos personagens. Nem a história de Harry Potter e a Câmara Secreta. Tudo pertence à magnifica J. K. Rowling. Mas eu estou pegando emprestado para essa história ;)

A / N: Os trechos originais do livro estão em negrito.

A / N²: Embora eu escreva a maioria dos nomes em inglês vou manter Carlinhos (Charlies) e Gui (Bill) em português. Por que acho que nem todos sabem o equivalente em inglês.

Finalmente terminei esse capitulo! Peço desculpas pela demora, vocês são uns amores me mandando reviews e eu sumo, mas deu um trabalho imenso comentar algumas partes. Eu me senti tentada a fazer Alice usar um feitiço silenciador em todos. Sinceramente eu não gostei de como o capitulo ficou, mas não consigo pensar em nada melhor no momento. Agora Harry vai para Hogwarts e fica mais fácil de escrever. (E não ajuda minha mente viajar para os outros livros enquanto eu escrevo sobre esse). Eu sinto que deveria falar algo mais, só que nada me vem a mente no momento e eu me sinto pressionada a postar logo =p

Respondendo as reviews:

Infinity21: Eu entendo que James é um maroto e em uma situação comum ele seria o primeiro a implicar com Ginny, mas ele também é o único que teve uma paixão não correspondida e pode se por no lugar dela. Eu acho que durante esse capitulo e os próximos eu explico melhor meu ponto de vista sobre o comportamento do James.

Kika de Apus: Eu vou dizer quais são os Mandamentos Marotos, mas vai demorar bastante ainda. Até o próximo livro, provavelmente ;).

Karoline Costa: Desculpe, eu devo estar ficando cega, mas eu ainda não achei a pergunta que você me fez e eu não respondi =( Desculpe e não me mate.

Julia Mozzart: Acredito que o Snape saiba sobre os apelidos, já que no Prisioneiro de Azkaban ele pergunta se Harry não tinha obtido o mapa diretamente dos fabricantes. Eu acredito que todos próximos a eles tenham ouvido os apelidos e saibam a quem se refiram, embora não entendam o porquê nos nomes estranhos, e Snape andava atrás deles para descobrir o segredo do Remus e ouviu os apelidos também.

Lis Black: Estudante de Letras? Vou me esconder para não ser morta. Eu imagino que tenha vários problemas de pontuação, nunca gostei de pontuar e a vírgula não gosta de mim. E eu admito que estou com preguiça de rever os capítulos, principalmente desse livro. E sim, estão betando a fic, mas a correção ainda está no começo da Pedra Filosofal. Prometo que tomarei mais cuidado com o português no próximo capitulo.

E quanto aos personagens. Eu imagino que Sirius e James tinham uma inteligência acima da média, no estilo Hermione. Visto que eles viraram animagos ilegais e fizeram o mapa. E a própria McGonagall disse que eles eram excecionalmente brilhantes. Snape escrevia seus próprios feitiços então penso que ele também era inteligente. Lily idem pelos comentários do Horace em Enigma do Príncipe. Remus, eu imagino, era do tipo bem esforçado por querer superar o preconceito contra ser lobisomem e tudo mais. E estou fazendo Frank e Alice inteligentes apenas para continuar com a ideia de que eram pessoas com inteligência acima da media lendo o livro. O que torna mais fácil de perceber detalhes. E algo que eu sempre gostei em Harry Potter é que as pistas estão lá, e é possível descobrir se você prestar atenção. E tem outros detalhes que eu sempre me perguntei por que tinha acontecido de tal forma, ou por que não tinham feito a coisa x no momento y e eu uso a fic para passar isso ;) Mas levarei isso em consideração daqui para frente.

Eu realmente estou insatisfeita com esse capítulo, mas boa leitura!


...


A menina abriu o livro preguiçosamente, e procurou o próximo capitulo como se passasse pagina por pagina apenas para ver James resmungar de ansiedade. Com um movimento bem devagar ela pôs o dedo embaixo do próximo titulo e leu: Capítulo Quatro: Na Floreios e Borrões.


...


— Esse capítulo vai ser um tédio, o título é a loja mais chata do Beco Diagonal. — gemeu Sirius.

— Isso significa que Harry vai comprar o material nesse capitulo. — disse Remus ignorando o amigo.

— E o Beco Diagonal é um lugar que sempre vale a pena visitar. — comentou Lily feliz. Ela amava o Beco Diagonal.

James esta feliz, mas ele esperava ler mais sobre as férias de Harry. Ele não tinha esquecido que o nome do livro era Câmara Secreta e tinha certeza viria a tona quando Harry voltasse pra Hogwarts, ele queria mais tempo para ler sobre seu filho se divertindo.

A vida na Toca era a mais diferente possível da vida na Rua dos Alfeneiros.

— Eu nunca imaginaria isso. — comentou Severus com ironia.

Os Dursley gostavam de tudo limpo e arrumado; a casa dos Weasley era cheia de coisas estranhas e inesperadas. Harry teve um choque na primeira vez que se mirou no espelho sobre o console da lareira da cozinha, pois o espelho gritou: "Ponha a camisa para dentro, seu desleixado!"

— Ainda bem que não temos um espelho desses no dormitório. — falou Sirius — ele nunca calaria a boca quando James estivesse no campo de alcance.

Como James sempre estava vestido para combinar com o estado de seu cabelo, como se acabasse de desmontar de uma vassoura realmente rápida num dia de vento, não pode retrucar o comentário de Almofadinhas.

O vampiro no sótão uivava e derrubava canos, sempre que sentia que a casa estava ficando demasiado quieta, e as pequenas explosões que vinham do quarto de Fred e George eram consideradas perfeitamente normais.

— Como explosões podem ser consideradas normais? — perguntou Frank.

— Acredite, quando você vive com pessoas como esses dois — Remus apontou para os marotos morenos — ou os gêmeos, o silencio se torna mais preocupante que qualquer barulho.

Porém, o que Harry achou mais fora do comum na vida em casa de Rony não foi o espelho falante nem o vampiro baterista: mas o fato de que todos pareciam gostar dele.

Alice fez uma pausa meio surpresa com o pensamento de Harry. Era verdade, mas era uma verdade muito deprimente. Frank abraçou a namorada sem saber o que comentar.

Remus olhava para seus amigos, deprimido. Todos eles tinham morrido e ninguém pode olhar por Harry? Essa dúvida não saia da sua mente.

"Eu vou mudar isso, Harry vai crescer com os pais." Pensava Sirius fervorosamente. Ele sabia exatamente como era a sensação de estar numa casa onde todos pareciam gostar de você, quando na sua própria casa isso não acontecia. Era o que ele sentira a primeira vez que foi a casa de James, e lamentava profundamente que o afilhado tivesse que se sentir assim. "Mas o livro está aqui para dar uma chance de mudar, e fazer com que Harry tenha família." ele continuava pensando.

Severus olhava chateado na direção de Lily, sabendo o quanto isso deve ter ferido a ruiva, mas ele não poderia falar nada para consola-la já que seu Eu Futuro parecia ser umas das pessoas que não gostavam do Harry, e ele ainda estava conflituoso sobre como seu Eu Presente se sentia em relação ao garoto.

James sequer podia começar a entender uma ponta do que Harry teria sentido. Pontas sempre fora muito amado pela sua família, até mesmo com um certo exagero. E ouvir sobre como seu filho pensava que era estranho estar num lugar onde todos gostavam dele cortava realmente fundo. Ele tinha tanto e seu filho tão pouco, tudo que ele queria nesse momento era estar com Harry para mostra-lo que muitas pessoas gostavam dele.

Lily tinha os mesmos pensamentos enquanto descansava a cabeça no ombro de James. A parte que mais a incomodava sobre ter morrido não era a morte em sim, e sim que seu filho não tinha sido bem cuidado. Um dos piores pesadelos de uma mãe. Mas Harry estava errado em pensar que ninguém gostava dele, tinha uma sala cheia de pessoas que se preocupavam com ele.

— Nós amamos você Harry. Todos nessa sala amamos você. E eu vou garantir que você saiba o quão amado você é. — era inegável a emoção no tom de voz da ruiva.

James pensou que Snape amar seu filho era esticar a verdade ao ponto de ruptura. Porém ele havia protegido Harry no livro anterior e isso era mais do que ele esperaria de Snape.

A Sra. Weasley se preocupava com o estado das meias dele e tentava forçá-lo a repetir a comida três vezes por refeição. O Sr. Weasley gostava que Harry se sentasse ao lado dele, na mesa do jantar, para poder bombardeá-lo com perguntas sobre a vida com os trouxas, pedindo-lhe para explicar como funcionavam coisas como as tomadas e o correio postal.

— Parece com seus pais. — comentou Sirius — Só que o tio Charles não fala sobre a vida dos trouxas, ele costuma pedir para não destruirmos o colégio e os planos que temos para o futuro e coisas assim.

Fascinante! — exclamou, quando Harry lhe contou como se usava o telefone. — Engenhoso, verdade, quantas maneiras os trouxas encontraram de viver sem o auxílio da magia.

— Ele tem um ponto lá. — concedeu Frank — É impressionante a criatividade dos trouxas para fazer as coisas sem magia.

— Visto que os trouxas não sabem que magia existe, eu diria que é uma necessidade. — respondeu Lily.

Harry recebeu notícias de Hogwarts, numa bela manhã, cerca de uma semana depois de chegar à Toca. Ele e Rony desceram para tomar café e encontraram o Sr. e a Sra. Weasley e Ginny já sentados à mesa da cozinha. No instante em que viu Harry, Ginny sem querer derrubou a tigela de mingau no chão fazendo um estardalhaço.

James sentiu simpatia pela menina, ele realmente fazia coisas idiotas quando Lily estava por perto. Mesmo agora ele tinha ainda tinha medo de fazer algo errado e afastar a menina outra vez.

A garota parecia muito propensa a derrubar coisas sempre que Harry entrava.

Remus, Sirius e Alice caíram na gargalhada.

— E eu que achava que só Pontas fazia coisas idiotas. — Sirius riu

— Eu não derrubo as coisas. — James tentou se defender sabendo que era inútil. Seus amigos não lhe davam uma folga nesse sentido. E ele sequer poderia revidar. Alice já tinha conquistado o garoto que queria e era feliz com Frank. Aluado era completamente obcecado com o lance de ser um lobisomem e evitava qualquer tipo de relação. Uma paixão parecia impossível na mente do maroto lupino. E Almofadinhas era... Almofadinhas. Depois de viver numa família conhecida por casamentos arranjados e sabendo que muitas meninas o queriam para fazer parte da família Black. Sirius se tornara completamente cínico com amor e relacionamentos. Todas as suas relações eram passageiras e ele afirmava ser feliz assim. Então James por ser o único com uma paixão não correspondida era vitima de todo o tipo de gozações.

— Mas costuma esquecer o que está falando ou fazendo. — retrucou Remus — causando as situações mais divertidas.

Severus se sentia divido entre a vontade de sorrir, afinal Potter estava sendo zombado pelos seus amigos. E a raiva por saber que o motivo da zombaria era sua suposta paixão por Lily.

A ruiva olhou para James meio que surpresa. Ela nunca pensara realmente o que acontecia quando ela rejeitava o moreno. Saber que seus amigos o gozavam por isso e lembrando a forma que ela tratou James muitas vezes, a fazia se sentir um pouco culpada.

Ela mergulhou debaixo da mesa para apanhar a tigela e reapareceu com o rosto rubro como um sol poente.

— Ao menos você não é ruivo. — disse Alice tirando sarro do amigo.

Harry, fingindo não notar, sentou-se e aceitou a torrada que a Sra. Weasley lhe oferecia.

James aprovou silenciosamente o comportamento de Harry para não constranger Ginny. Algo que seus amigos poderiam ter umas lições.

— Cartas da escola — disse o Sr. Weasley, passando a Harry e Rony envelopes idênticos de pergaminho amarelado, endereçados com tinta verde. — Dumbledore já sabe que você está aqui, Harry, ele não perde um detalhe, aquele homem.

— Eu espero que ela esteja errada quanto a isso, já que significaria que Dumbledore saberia o quão maltratado Harry é na casa da minha irmã. — comentou Lily mantendo o tom de amargura no mínimo. Ela não poderia esquecer como Tuney tratava seu filho, mas remoer isso o tempo todo não ajudaria em nada.

James torcia silenciosamente para Lily ter razão. Os livros estavam destruindo lentamente a imagem que ele tinha do bom diretor.

Vocês dois também receberam — acrescentou ele, quando Fred e George entraram descontraídos, ainda de pijamas.

— E eles não gritaram e saíram correndo por Harry estar sentado a mesa. — Sirius não resistiu dar uma alfinetada. Pessoas apaixonadas eram tão fáceis de provocar.

Durante alguns minutos fez-se silêncio enquanto todos liam as cartas. A de Harry mandava-o tomar o Expresso de Hogwarts como sempre na estação de King's Cross, no dia 1º de setembro. Trazia também uma lista dos novos livros que ia precisar para o próximo ano letivo.

MATERIAL PARA OS ALUNOS DA SEGUNDA SÉRIE:

O Livro Padrão de feitiços, 2ª série

de Miranda Goshawk

Como dominar um espírito agourento

de Gilderoy Lockhart

Como se divertir com vampiros

de Gilderoy Lockhart

Férias com bruxas malvadas

de Gilderoy Lockhart

Viagens com trasgos

de Gilderoy Lockhart

Excursões com vampiros

de Gilderoy Lockhart

Passeios com lobisomens

de Gilderoy Lockhart

Um ano com o Iéti

de Gilderoy Lockhart

— É impossível esse imbecil ter escrito sete livros. — Frank resmungava em voz baixa enquanto os outros conversavam.

— Sete livros do Lockhart? — perguntou James incrédulo. — Quem seria louco de recomendar isso para os alunos do segundo ano? Parece uma forma de torturar os alunos.

— Provavelmente uma bruxa fã. — disse Sirius olhando para Alice, todos os marotos sabiam que ela achava Lockhart bonito durante a adolescência.

— Pode ser o próprio Lockhart que foi nomeado professor, depois de Quirrell não seria surpreendente. — opinou Remus.

Todos pareciam horrorizados com a perspectiva de Lockhart ser professor. Embora Alice por um motivo diferente dos demais, ela seria alvo de brincadeiras durante todo o livro, caso isso acontecesse.

Fred, que terminara de ler a lista, deu uma espiada na de Harry.

— Mandaram você comprar todos os livros de Lockhart também! — admirou-se. — O novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas deve ser fã dele, aposto que é uma bruxa.

— Então é provável que todos os alunos tenham que comprar todos esses livros. — Remus se lamentou. — Uma grande quantidade de dinheiro investida em livros de um homem que não consegue duelar sem jogar a própria varinha longe.

Até Severus estava se lamentando pelo gasto inútil de dinheiro. Ele próprio tinha que usar livros que foram de sua mãe, e poderia imaginar o que esse gasto acarretaria para alguns alunos.

Ao dizer isto, o olhar de Fred cruzou com o de sua mãe e ele rapidamente voltou a atenção para a sua geléia.

— Esse material não vai sair barato — comentou George, lançando um olhar rápido aos pais. — Os livros de Lockhart são bem carinhos...

James se sentiu mal pelos Weasley, afinal eles estavam ajudando Harry. E ele sabia como era para alguém não poder comprar o material escolar. Não por experiência própria, mas Remus era o mais humilde dos marotos e ele próprio e Sirius sempre arrumavam um modo de comprarem livros a mais, ou esqueceram que já haviam comprado e seria um desperdício se Remus não os usasse.

— Daremos um jeito — disse a Sra. Weasley, embora tivesse a expressão preocupada. — Espero poder comprar a maioria do material de Ginny de segunda mão.

Severus tentou não pensar na semelhança com a sua própria situação.

— Ah, você vai entrar para Hogwarts este ano? — perguntou Harry a Ginny.

Ela confirmou com a cabeça, corando até a raiz dos cabelos flamejantes e enfiou o cotovelo na manteigueira.

— Viu Pontas, ao menos você nunca fez isso. Nas vezes que Lily ter perguntou algo sem gritar você apenas olha para ela como idiota e nunca responde. — Sirius aproveitou a chance para tirar sarro do amigo.

Felizmente ninguém viu exceto Harry porque, naquele momento, o irmão mais velho de Rony, Percy, entrou na cozinha. Já estava vestido, o distintivo de monitor em Hogwarts preso no suéter sem mangas.

— Ele usa o distintivo em casa? — perguntou James surpreso. — Nem mesmo Aluado era tão ruim.

— Eu não fiquei todo bobo por ser monitor. — resmungou Remus.

— Você apenas olhava o distintivo por horas a fio, como se ele fosse conversar com você. — acrescentou Sirius.

Remus deu os ombros. Ele apenas fazia isso porque não acreditava que Dumbledore tinha nomeado um lobisomem como monitor.

— Dia — disse Percy animado. — Lindo dia.

Sentou-se na única cadeira desocupada, mas quase imediatamente levantou-se de um salto, erguendo do assento um espanador de penas cinzentas que parecia estar na muda — pelo menos foi isso que Harry pensou que fosse, até ver que a coisa respirava.

— Imagino que seja a coruja idosa. — suspirou Alice com pena do bicho. Ela adorava animais.

— Erroll — exclamou Rony, recolhendo a coruja inerte da mão de Percy e extraindo uma carta que ela trazia presa sob a asa. — Finalmente chegou a resposta de Hermione. Escrevi a ela avisando que íamos tentar salvar você dos Dursley.

— E por que você não avisou ao Harry que ele iria ser salvo? — resmungou Snape se lembrando de como Lily ficara aflita durante o capitulo. Saber que seu filho seria salvo em breve teria aliviado parte do seu sofrimento.

Ele levou Errol até um poleiro na porta dos fundos e tentou fazê-lo encarrapitar-se, mas a coruja tornou a desmontar, por isso Rony a deitou na tábua de escorrer, resmungando "Patético".

— Ela é idosa, você deveria agradecer por ela se esforçar para entregar sua carta. — Alice cruzou os braços.

Em seguida ele abriu a carta de Mione e leu-a em voz alta.

Queridos Rony e Harry, se estiver aí.

Espero que tudo tenha corrido bem, que Harry esteja bem e que você não tenha feito nada ilegal para tirá-lo de lá, Rony, porque isso criará problemas para o Harry também.

— É bom saber que ao menos Hermione tem bom senso. — disse Lily aliviada. Ela tinha a impressão que se deixasse Ron e Harry sozinhos, eles seriam tão ruins como Sirius e James.

Tenho estado realmente preocupada e, se Harry estiver bem, por favor, mande me dizer logo,

— Se tiver mal ela prefere não saber. — Sirius não perdia a chance de implicar com Hermione.

mas talvez seja melhor usar outra coruja, porque acho que mais uma entrega talvez mate essa aí.

Alice olhava para o livro aflita, querendo ajudar a coruja.

Estou muito ocupada, estudando, é claro...

— Mas eles estão de férias. — Sirius suspirou.

— Você já estudou nas férias. — provocou Remus sabendo que seus amigos tinham estudado para ser animagos em todas as horas possíveis, algo pelo que ele seria eternamente grato.

— Mas não a matéria da escola. Só coisas divertidas. — corrigiu James sabendo ao que o amigo se referia.

— Como é que pode! — exclamou Rony horrorizado. — Estamos de férias!

E vamos a Londres na próxima quarta-feira comprar os livros novos. Por que não nos encontramos no Beco Diagonal?

Mande notícias do que está acontecendo, assim que puder.

— Acho que eles entenderam que você quer noticia, desde a primeira vez que você disse. — brincou Frnak.

Afetuosamente,

Mione.

— Bom, isso se encaixa perfeitamente. Podemos ir comprar todo o material de vocês, também — disse a Sra. Weasley, começando a tirar a mesa. — Que é que vocês estão planejando fazer hoje?

Harry, Rony, Fred e George estavam pensando em subir o morro até um pequeno prado que pertencia aos Weasley. Era cercado de árvores que bloqueavam a visão da cidadezinha embaixo, o que significava que podiam praticar quadribol lá,

James sorriu completamente extasiado. Seu filho poderia jogar Quadribol nas férias.

desde que não voassem muito alto. Não podiam usar bolas de quadribol de verdade, pois seria difícil explicar se escapulissem e sobrevoassem a cidade;

— O Balaço seria realmente difícil, mas a Goles é uma bola comum e o pomo você pode falar que é um projeto para feira de ciências, algo controlado por controle remoto. — disse James.

Lily, Remus e até mesmo Severus encararam James surpreso. Uma coisa era ele ter tido Estudo dos Trouxas, mas saber isso era impressionante.

— Pontas deixou escapar o pomo uma vez e uma trouxa viu. E ela perguntou se ele tinha feito pra feira de ciências. E ela mostrou um cachorro que era controlado a distancia por algo eletrônico. — explicou Sirius. Ele tinha gostado da menina porque ela escolheu um cachorro para o projeto.

Frank e Alice encaram a conversa confusos. Nenhum dos dois sabia o que era controle remoto. Alice deu os ombros e continou a ler.

em vez disso, atiravam maçãs uns para os outros.

— Teria sido mais inteligente enfeiçar as frutas para se comportarem como as bolas. Um limão para o pomo. Um melão para a goles e duas jacas para balaços.

Lily fez uma careta de desgosto ao imaginar ser acertada por uma jaca voadora.

Revezaram-se para montar a Nimbus 2000 de Harry, que era, sem nenhum favor, a melhor vassoura; a velha Shooting Star de Rony muitas vezes perdia na corrida para as borboletas que apareciam.

Shooting Star? Perguntou James incrédulo. Eu tive uma um ano antes de entrar para Hogwarts.

— Deve ter sido de algum irmão dele. — Remus lembrou ao amigo que nem todos compravam as vassouras lançadas todo ano.

Cinco minutos depois os garotos estavam subindo o morro, as vassouras nos ombros. Tinham perguntado a Percy se queria acompanhá-los, mas ele respondera que estava ocupado. Harry até ali só tinha visto Percy às refeições; ele passava o resto do tempo trancado no quarto.

— O que é bom, visto que ele é um chato insuportável. — comentou Sirius.

— Gostaria de saber o que ele está aprontando — disse Fred, franzindo a testa. — Está tão mudado. O resultado das provas dele chegou um dia antes de você; doze N.O.M.s e ele nem cantou vitória.

— Doze? — engasgou Alice — Que tipo de pessoa tira doze .s? Eu quase morri pra tirar oito. A pessoa tem que estudar dia e noite!

Severus tinha feito nove mais ele não iria compartilhar essa informação.

Frank cruzou os braços, ele tinha conseguido dez e era uma ótima marca.

Remus olhou acusadoramente para seus amigos. Ele tinha feito oito como Alice, o fato de ser lobisomem tirava um importante tempo de estudo.

— É impossível qualquer um de vocês ter feito doze. Eu fiz doze e nenhum de vocês pegou matéria o suficiente para isso. — disse Lily olhando para os rapazes. Com os marotos tudo era possível.

— Não olhe para mim, eu fiz onze, tenho coisas melhores para fazer do que perder meu tempo sentado fazendo provas. — disse Sirius olhando para James.

— Você pode continuar lendo. — James tentou fugir do assunto.

— Não pode não, quantos N.O.M.s você fez? — Lily perguntou estreitando os olhos.

— Quinze, mas não é grande coisa. — James tentou se explicar.

— Não é grande coisa? Como assim não é grande coisa? Deve ter sido o record do ano. Foi por isso que Dumbledore te nomeou monitor-chefe? Como você fez quinze? — Lily disparou pergunta atrás de pergunta sem dar tempo pro moreno responder.

Quando ela fez uma pausa para pegar o folego James explicou:

— Não foi nada demais. Eu estava comentando como os professores exageravam com isso de estuda muito, quando a matéria do quinto ano era tão fácil. Dai Rabicho, sabem Peter, me disse que isso era porque eu não fazia as mesmas matérias que ele. Então eu decidi fazer todas as matérias dele, além das minhas. Eu perguntei a Minnie se eu podia fazer as provas e ela disse que nada impedia um aluno de tentar. Embora sem a preparação adequada não seria possível e blá blá blá. — James contava a historia como se alunos pedirem para fazer N.O.M.s a mais acontecesse todos os dias. — Então eu dei uma lida na matéria de Rabicho e fiz as provas. Almofadinhas começou fazendo junto comigo, mas ficou entediado.

— E quando essa aposta foi feita? — perguntou Lily tentando entender como o maroto poderia ter aprendido o conteúdo de cinco anos de educação mágica lendo.

James olhou para Remus como se a pergunta tivesse sido dirigida ao lobisomem.

— Um mês antes dos exames se eu não me engano. — Remus respondeu.

— Foi por isso que Peter saiu vestido de havaiana dançando ula ula no primeiro dia de aula do sexto ano? — perguntou Frank, que lembrava de ter ouvido algo sobre perder uma aposta.

— Foi, hilário neh? — Sirius sorria só de lembrar. — Você imagina que após cinco anos ele sabe melhor que apostar contra a gente.

Severus apenas olhava a conversa sentido a pontada familiar de raiva e inveja. Era fácil fazer esse tipo de coisa quando não tinha com o que se preocupar. Ele se perguntou se Potter seria tão bom se não tivesse o mundo a sua disposição.

Alice ainda rindo da lembrança, voltou a ler.

— Níveis Ordinários em Magia — explicou Gorge, vendo o olhar intrigado de Harry. — Gui recebeu doze também. Se não nos cuidarmos vamos ter outro monitor-chefe na família. Acho que não iríamos suportar a vergonha.

— Eu sempre disse que se tornar monitor era uma vergonha. Monitor chefe então é algo que eu não tenho palavras para descrever o tamanho da desgraça. — Sirius alfinetou os amigos.

Remus ignorou acostumado com esses comentários desde que se tornara monitor. E James não ligava pro que Almofadinhas falasse a esse respeito, desde que descobrira quem era a Monitora-Chefe.

Gui era o filho mais velho dos Weasley. Ele e o irmão logo abaixo, Carlinhos, já tinham terminado Hogwarts. Harry nunca vira nenhum dos dois, mas sabia que Carlinhos estava na Romênia estudando dragões e Gui, no Egito, trabalhando no banco dos bruxos, o Gringotes.

— Monitor-Chefe e trabalhando no Gringotes. Aposto que Gui deve ser a versão mais velha de Percy. — disse Alice para implicar com James pelo cargo.

— Não sei como mamãe e papai vão poder comprar todo o nosso material escolar este ano — disse George depois de algum tempo. — Cinco conjuntos de livros do Lockhart! E Ginny precisa de vestes, uma varinha e todo o resto...

James sentiu uma pontada de constrangimento. Eçe não podia imaginar como os Weasley se sentiam em relação a falta de dinheiro, e ainda assim eles estavam acolhendo Harry.

Harry não disse nada. Sentiu-se um pouco constrangido. Guardado no cofre subterrâneo do Banco de Gringotes, em Londres, havia uma pequena fortuna que seus pais lhe haviam deixado.

— Pequena? — brincou Frank — comparada a que? A todo ouro do Gringotes.

— Harry teve acesso apenas ao dinheiro da família, as joias e outras coisas estão num cofre separado. — respondeu James perdendo completamente o tom de brincadeira que Frank tinha usado.

Severus revirou os olhos. Potter nunca deixaria de ser exibido.

Naturalmente, era somente no mundo dos bruxos que ele tinha dinheiro; não se podia usar galeões, sicles e nuques em lojas de trouxas. Ele nunca mencionara aos Dursley sua conta no Banco de Gringotes, pois achava que o horror que eles tinham à magia não se estenderia a um montão de ouro.

— Harry certamente tem um ponto, não vejo Tuney dizendo não a montes de dinheiro sem importar a origem. Apenas olhe para o marido dela. — comentou Severus mordaz.

A Sra. Weasley acordou-os bem cedo na quarta-feira seguinte. Depois de comerem rapidamente uma dúzia de sanduíches de bacon cada um,

Sirius sentiu a barriga roncar. Esse já era o quarto capitulo sem comida.

eles vestiram os casacos e a Sra. Weasley apanhou um vaso de flor no console da cozinha e espiou dentro dele.

— Estamos com o estoque baixo, Arthur — suspirou. — Teremos que comprar mais hoje... Ah, muito bem, hóspedes primeiro! Pode começar, Harry querido!

E ela lhe ofereceu o vaso de flor.

James fez uma careta. Ele detestada Flu. Vassouras eram formas muito melhores para se viajar.

Harry olhou para os Weasley, que o observavam.

— Q-que é que eu tenho que fazer? — gaguejou.

— Ele nunca viajou de pó de flu. Pobre Harry. A primeira vez é sempre pior. — Remus se lamentou.

— Ele nunca viajou com Pó de Flu — disse Rony de repente. — Desculpe Harry, eu me esqueci.

— Nunca? — admirou-se o Sr. Weasley. — Mas como foi que você chegou ao Beco Diagonal para comprar seu material escolar no ano passado?

— Fui de metrô...

— Verdade? — exclamou o Sr. Weasley animado. — Havia escapadas rolantes? Como é que...

Os que conheciam as escadas rolantes estavam rindo.

— Me pergunto o que é uma escapada rolante. Será que é quando você da uma fugidinha com uma gordinha, tem uma ladeira no caminho? — perguntou Sirius

Alice voltou a ler antes que Sirius pudesse falar mais besteira.

Agora não, Arthur — disse a Sra. Weasley. — O Pó de Flu é muito mais rápido, querido, mas meu Deus, se você nunca o usou antes...

— Todos tiveram uma primeira vez usando pó de flu. — Severus revirou os olhos para o drama.

— Ele vai conseguir, mamãe — disse Fred. — Harry observe a gente primeiro.

Fred apanhou uma pitada de pó brilhante no vaso de flor, foi até a lareira e atirou o pó no fogo.

Com um rugido, as chamas ficaram verde-esmeralda e mais altas do que Fred, que entrou nelas e gritou "Beco Diagonal!" e desapareceu.

— Porque isso realmente o ensinou como sair na lareira correta. — Snape comentou no seu habitual sarcasmo.

— Você precisa falar bem claro, querido — disse a Sra. Weasley a Harry quando George mergulhou a mão no vaso. — E se certifique se está saindo na grade certa...

— Na o quê certa? — perguntou Harry nervoso enquanto as chamas rugiam e arrebatavam George de vista.

— Bem, há um número enorme de lareiras de bruxos para você escolher, sabe, mas se você falar com clareza...

— Eles não estão sendo tranquilizadores para alguém que nunca andou de flu. — Frank concordou com Severus.

— Ele vai acertar, Molly, não se preocupe — disse o Sr. Weasley, servindo-se de Pó de Flu, também.

— Mas, querido, se ele se perder, como é que iríamos explicar à tia e ao tio dele?

— Tenho certeza que eles não vão se importar. — murmurou Severus.

— Eles não se importariam — tranqüilizou-a Harry. — Duda ia achar que teria sido uma piada genial se eu me perdesse dentro de uma lareira, não se preocupe.

Sirius controlou o riso ou a ruiva mataria. Mas na verdade era uma piada genial alguém perdido dentro da lareira.

— Bem... está bem... você vai depois de Arthur — disse a Sra. Weasley. — Agora, quando entrar no fogo, diga aonde vai...

— Tire os óculos! — James gemeu. Uma das coisas que ele mais odiava ao usar a lareira era que seus óculos sempre caiam.

— E mantenha os cotovelos colados ao corpo — aconselhou Rony.

— E os olhos fechados — recomendou a Sra. Weasley. — A fuligem...

— Não se mexa — disse Rony. — Ou pode acabar caindo na lareira errada...

— Acho que Harry vai acabar se confundindo com tantos conselhos. — falou Frank

— Mas cuidado para não entrar em pânico e sair antes da hora; espere até ver Fred e George.

— E como ele vai ver se a Sra. Weasley disse para manter os olhos fechados? — Severus perguntou

Harry, fazendo força para guardar tudo isso na cabeça, apanhou uma pitada de Pó de Flu e avançou até a beira do fogo. Inspirou profundamente, lançou o pó nas chamas e entrou; o fogo lhe lembrou uma brisa morna; ele abriu a boca e imediatamente engoliu um monte de cinzas quentes.

— B-be-co Diagonal — tossiu.

Os marotos, Alice e Frank trocaram um olhar preocupado e Lily soube que gaguejar significava problemas.

A sensação era de estar sendo sugado por um enorme ralo. Ele parecia estar girando muito rápido... o rugido em seus ouvidos era ensurdecedor... e tentou manter os olhos abertos, mas o rodopio das chamas verdes lhe dera enjôo... uma coisa dura bateu no seu cotovelo e ele o prendeu com firmeza junto ao corpo, sempre girando... agora a sensação era de mãos geladas esbofeteando seu rosto... apertando os olhos por trás dos óculos ele viu uma sucessão de lareiras indistintas e relances de aposentos além... os sanduíches de bacon reviravam em sua barriga... ele tornou a fechar os olhos desejando que aquilo parasse e então... caiu, de cara no chão, em cima de uma pedra fria e sentiu a ponta dos óculos se partir.

Alice fez uma pausa na leitura com uma careta. — Harry realmente precisava ser tão descritivo? Agora sou eu que não quero mais andar de flu.

Tonto e machucado, coberto de fuligem, ele se levantou desajeitado, segurando os óculos partidos na frente dos olhos.

James gemeu. Se Harry tivesse a miopia tão forte quando a dele. Estaria quase cego sem óculos.

Estava totalmente sozinho, mas onde estava ele não fazia idéia. Só sabia dizer que estava de pé numa lareira de pedra, em um lugar que parecia ser uma loja de bruxo grande e mal-iluminada

Sirius pensou que era melhor ir parar num lugar publico que na casa da sua adorável mãe, por exemplo.

— mas nada que havia ali tinha a menor probabilidade de aparecer numa lista de material escolar de Hogwarts.

— Não gosto do som disso. — gemeu Lily. Ela tinha esperanças que Harry fosse parar na Floreios e Borrões por causa do titulo do capitulo.

Um mostruário próximo continha uma mão murcha em cima de uma almofada, um baralho manchado de sangue e um olho de vidro arregalado.

Sirius levantou uma sobrancelha. Parecia com a descrição do Largo Grimmald número 12. E nenhum lugar que lembrasse sua casa seria um lugar agradável para Harry estar.

Máscaras diabólicas o espiavam das paredes, uma variedade de ossos humanos jazia sobre o balcão e instrumentos pontiagudos e enferrujados pendiam do teto,

— Pare de olhar para coisas assustadoras a saia já daí. — ordenou Lily.

— Se Harry não sabe onde está talvez seja mais perigoso sair que ficar. — comentou Frank ganhando um olhar feio de James em resposta.

— Harry vai ficar bem, o nome do capítulo é Floreios e Borrões. Então de alguma forma ele vai escapar. — James consolou Lily passando a mão pelos cabelos da ruiva, e ainda olhando feio para Frank. Lily se preocupava o suficiente sem esse tipo de comentários.

E o que era pior, a rua estreita e escura que Harry via pela vitrine empoeirada da loja decididamente não era Beco Diagonal.

— Provavelmente é a Travessia do Tranco, e nesse caso, Harry deve sair daí urgentemente. — falou Sirius que conhecia a rua pelas vezes que foi obrigado a acompanhar sua mãe quando ia de compras.

Severus cruzou os braços. Esse seria um lugar perigoso para um rapaz com a fama que Harry tinha em relação ao Lorde das Trevas. Mas ele não precisava do olhar feio de Potter para saber que comentários desse tipo em voz alta só serviam para agitar Lily.

Quanto mais cedo saísse dali melhor. Com o nariz ainda doendo por causa da batida na lareira, Harry se encaminhou depressa e silenciosamente para a porta, mas antes que cobrisse metade da distância, duas pessoas apareceram do outro lado da vitrine — e uma delas era a última pessoa que Harry queria encontrar estando perdido, coberto de fuligem, com os óculos partidos: Draco Malfoy.

— Como se ter ido parar nessa loja asquerosa não fosse azar suficiente. — reclamou Lily se perguntando por que tudo sempre parecia ir mal para Harry.

James abraçava a ruiva para acalma-la, enquanto pensava que seu filho deveria andar com a Capa da Invisibilidade sempre no bolso. Era útil para situações como essa que pareciam ocorrer com Harry com mais frequência que o normal.

Harry olhou depressa a toda volta e viu um grande armário preto à esquerda; correu para ele e se fechou dentro, deixando apenas uma frestinha na porta para espiar. Segundos depois, uma sineta tocou e Malfoy entrou na loja.

Todos ficaram aliviados por Harry ter conseguido um esconderijo rapidamente.

O homem que entrou atrás dele só podia ser o pai. Tinha a mesma cara fina e pontuda e olhos idênticos, frios e cinzentos. O Sr. Malfoy andou pela loja examinando descansadamente os objetos expostos e tocou uma campainha em cima do balcão antes de se virar para o filho e dizer:

— Não toque em nada, Draco.

Malfoy, que esticara a mão para o olho de vidro, retrucou:

— Pensei que você ia me comprar um presente.

— Ele quer um presente dessa loja? Ele não faz ideia do quão perigoso algum desses objetos são? — perguntou Remus entre surpreso e indignado.

— É provavelmente por isso que ele quer. — respondeu Sirius venenosamente.

— Eu disse que ia lhe comprar uma vassoura de corrida — disse o pai tamborilando no balcão.

— De que me serve uma vassoura se não faço parte do time da casa? — respondeu Malfoy, com a cara amarrada. — Harry Potter ganhou uma Nimbus 2000 no ano passado. Permissão especial de Dumbledore para ele poder jogar pela Grifinória. Ele nem é tão bom assim, só que é famoso... famoso por ter uma cicatriz idiota na testa...

— Oh! Draquinho esta com ciúmes do Harry. — zombou Alice.

Malfoy se abaixou para examinar uma prateleira cheia de crânios.

— ... todo mundo acha que ele é tão sabido, o maravilhoso Potter com sua cicatriz e sua vassoura...

— Porque derrotar o Lorde das Trevas e vencer no Quadribol está tudo no mesmo nível. — zombou Severus olhando para James.

"Ignore-o", pensava James, "Se vocês brigarem só ira irritar Lily, e ela já têm muito para se preocupar com os livros.".

Snape o tempo todo não era a forma certa de agradar Lily.

— Você já me contou isso no mínimo dez vezes — disse o Sr. Malfoy, com um olhar de censura para o filho. — E gostaria de lembrar-lhe que não é prudente demonstrar que não gosta de Harry Potter, não quando a maioria do nosso povo acha que ele é o herói que fez o Lord das Trevas desaparecer... ah, Sr. Borgin.

— Eles estão na Borgin & Burkes. — esclareceu Sirius — A maior loja da Travessa do Tranco. A boa noticia é que não fica longe do Beco Diagonal.

Um homem curvado aparecera atrás do balcão, alisando os cabelos untados de óleo para afastá-los do rosto.

— Sr. Malfoy, que prazer revê-lo — disse o Sr. Borgin untuoso como os seus cabelos. — Encantado, e o jovem Malfoy, também, encantado. Em que posso servi-los? Preciso lhes mostrar, chegou hoje, e a um preço muito módico...

James fez uma careta pro livro. Ouvir objeto das trevas sendo negociados não era algo que ele queria ouvir. Na verdade, ele estava contando os segundos para que Harry saísse da loja.

— Não vou comprar nada hoje, Sr. Borgin, vou vender — disse o Sr. Malfoy.

— Vender? — O sorriso se embaçou levemente no rosto do Borgin.

— Ele não gosta de comprar coisas das famílias mais antigas, porque sabem o valor real dos objetos e ele não consegue uma boa margem de lucro. — explicou Sirius com voz de tédio. — Ele quase chorava quando minha mãe aparecia para vender algo.

— O senhor ouviu falar, é claro, que o Ministério está fazendo mais blitze — disse o Sr. Malfoy, puxando um rolo de pergaminho do bolso interno do casaco e desenrolando-o para Sr. Borgin ler. — Tenho em casa uns, ah, objetos que podem me causar embaraços, se o Ministério aparecesse...

— O que significa que são altamente ilegais, se ele não pode simplesmente comprar o silencio do funcionário. — esclareceu James.

O Sr. Borgin encaixou um pincenê na ponta do nariz e percorreu a lista.

— O Ministério certamente não ousaria incomodá-lo, não é, meu senhor?

— O Ministério não deveria se importar com quem é rico ou não. Justiça é igual para todos. — resmungou Lily com raiva. Ao ver Frank, James e Sirius trocarem um olhar que dizia que os três sabiam por experiência própria que não era assim, que as coisas funcionavam, a ruiva acrescentou. — Eu sei que as coisas estão longe de ser dessa forma na pratica, mas não quer dizer que esteja correto e que todos devemos nos conformar com isso.

Severus sufocou um suspiro exasperado. As coisas que Lily defendia eram ótimas na teoria, mas uma causa perdida pra se por em pratica. A ruiva ainda acreditava em coisas como: a verdade sempre prevalece, o bem vence o mal, etc. Coisas que não funcionavam muito bem no mundo real.

O Sr. Malfoy crispou os lábios.

— Até agora não me visitaram. O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito, mas o Ministério está ficando cada vez mais intrometido. Há boatos de uma nova lei de proteção aos trouxas: com certeza aquele bobalhão pulguento, apreciador de trouxas, Arthur Weasley está por trás disso...

— Então é por isso que ele esta preocupado. É um funcionário que ele não pode subornar. — sorriu Alice.

Harry sentiu uma onda escaldante de raiva.

— ... e como vê, alguns desses venenos poderiam fazer parecer...

— Que você está pensando em torturar ou matar alguém? — acrescentou James.

— Alguns venenos são usados em partes de antídotos. — defendeu Lily que amava poções e sabia que alguns ingredientes perigosos poderiam ser usados para algo bom. — Não é o veneno em si que é mal, e sim o uso dado para ele.

— Certamente Malfoy pensou em fazer antídotos e distribuir por ai. — resmungou James.

Lily apenas deu os ombros em resposta. Ela queria defender os ingredientes, não Malfoy.

— Compreendo, meu senhor, naturalmente — disse o Sr. Borgin. — Deixe-me ver...

— Pode me dar aquilo? — interrompeu Draco, apontando para a mão murcha sobre a almofada.

— Ah, a Mão da Glória! — disse o Sr. Borgin, abandonando a lista de Malfoy e correndo para perto de Draco. — Ponha-lhe uma vela e ela dá luz apenas a quem a segura! A melhor amiga dos ladrões e saqueadores! O seu filho tem ótimo gosto, meu senhor.

— Tenho certeza que Lucius amará ouvir que seu filho tem o gosto igual o de ladroes e saqueadores. — comentou Severus com sarcasmo. Ele tinha conhecido Malfoy em Hogwarts e sabia que veria isso como um insulto implícito.

— Espero que o meu filho venha a ser mais do que um ladrão ou um saqueador, Borgin — disse o Sr. Malfoy com frieza, ao que o Sr. Borgin respondeu depressa:

— Sem ofensa, meu senhor, não tive intenção de ofender...

— Ao menos não na sua frente, tenho certeza que o ofenderá muito pelas costas assim que ele sair. — falou Sirius

— Mas, se as notas dele não melhorarem — disse o Sr. Malfoy com maior frieza ainda —, pode ser que ele realmente só tenha talento para isto.

— Essa não é a forma correta de se incentivar uma criança. — criticou Frank.

— Tenho certeza que ser um bom pai esta no final da lista de coisas com as quais Lucius se preocupa. — comentou Sirius amargo — Riqueza, poder, status de sangue. Essas são as prioridades, a família é apenas um meio para um fim.

Remus pôs a mão no ombro do amigo, sabendo que ele falava mais de sua própria família que sobre os Malfoys.

— Não é minha culpa — retrucou Draco. — Todos os professores têm alunos preferidos, aquela Hermione Granger...

— Lucius vai odiar ouvir que do seu próprio filho que ele é pior aluno que uma nascida trouxa. — comentou Severus. Ele pegou o olhar de Lily e soube que ambos estavam pensando em uma palavra muito mais ofensiva. Snape não pode deixar de se perguntar se aquele dia sempre estaria entre eles. Ele tinha prometido a si mesmo evitar aquela palavra a todo custo.

— Pensei que você sentiria vergonha se uma menina que nem pertence a família de bruxos passasse a sua frente em todos os exames — comentou com rispidez o Sr. Malfoy.

— A única vergonha que Draco deveria sentir era ter você como pai. — retrucou James.

— Ha! — exclamou Harry baixinho, satisfeito de ver Draco com cara de quem está ao mesmo tempo envergonhado e aborrecido.

— É a mesma coisa em toda parte — disse o Sr. Borgin, com sua voz untuosa. — Ter sangue de bruxo conta cada vez menos em toda parte...

— É impossível continuar se casando apenas entre as famílias de sangue puro, não há bruxos o suficiente. Se as pessoas conseguissem enxergar o obvio. — se lamentou Frank.

— Não para mim — respondeu o Sr. Malfoy, com as narinas tremendo.

— Não, meu senhor, nem para mim — disse o Sr. Borgin, fazendo uma grande reverencia.

— Isso porque vocês são dois idiotas. — murmurou Sirius.

— Neste caso, talvez possamos voltar à minha lista — disse o Sr. Malfoy rispidamente. — Estou com um pouco de pressa, Borgin, tenho negócios importantes a tratar hoje em outro lugar.

— Ou precisa se livrar desses itens o mais depressa possível — concluiu Remus.

Os dois começaram a barganhar. Harry observou nervoso que Draco se aproximava cada vez mais do lugar em que ele estava escondido, examinando os objetos à venda. Draco parou para examinar um grande rolo de corda de enforcar e para ler, rindo, o cartão colocado em um magnífico colar de opalas. Cuidado: Não toque. Amaldiçoado — Tirou a vida de dezenove donos trouxas até hoje.

— Qual a graça de um colar que tirou a vida de dezenove pessoas? — perguntou Alice horrorizada.

Draco se virou e notou o armário bem em frente. Adiantou-se... esticou a mão para o puxador e...

Alice fez uma pausa dramática e todos olharam para o livro, apreensivos.

— Fechado — disse o Sr. Malfoy ao balcão. — Vamos, Draco!

— Não me assuste desse jeito. — reclamou Lly que já tinha imaginado vários cenários onde Harry era descoberto.

Harry enxugou a testa na manga ao ver Draco se afastar.

— Bom dia para o senhor, Sr. Borgin. Aguardo-o amanhã em casa para apanhar a mercadoria.

— E aposto que agora ele vai falar o que realmente pensa dos Malfoys. — comentou Sirius

No instante em que a porta se fechou, o Sr. Borgin abandonou seus modos untuosos.

— Bom dia para o senhor, Senhor Malfoy, e, se as histórias que correm forem verdadeiras, o senhor não me vendeu metade do que tem escondido em sua casa...

— Ele provavelmente só vendeu o que não conseguiu esconder. — concordou Remus.

E, continuando a resmungar ameaçador, o Sr. Borgin desapareceu no quarto dos fundos. Harry esperou um pouco, caso ele voltasse, e, em seguida, o mais silenciosamente que pôde, saiu do armário, passou pelos mostruários de vidro e pela porta afora.

Harry olhou para os lados, segurando os óculos partidos. Saíra em uma ruela sombria que parecia totalmente ocupada por lojas que se dedicavam às Artes das Trevas. A que ele acabara de deixar, a Borgin & Burkes, parecia ser a maior, mas em frente havia uma grande coleção de cabeças jívaras na vitrine, e duas portas abaixo, uma enorme gaiola pululava com gigantescas aranhas negras. Dois bruxos mal vestidos o observavam da sombra de um portal, cochichando entre si.

James apertou suavemente a mão de Lily, ambos se sentiam extremamente nervosos por Harry estar andando sozinho num local tão perigoso. A ruiva fez uma anotação mental para não deixar Harry usar Flu no futuro.

Apreensivo, Harry saiu caminhando, tentando segurar os óculos no lugar e esperando, sem muita esperança, conseguir encontrar uma saída daquele lugar.

— Isso não é hora para ser pessimista. — reclamou Sirius. Harry tinha um dom de fazer as coisas ainda piores do que eram com esses pensamentos.

Uma velha placa de madeira, pendurada acima de uma loja que vendia velas envenenadas, informava que ele se encontrava na Travessa do Tranco. Isto não adiantou muito, pois Harry nunca ouvira falar naquele lugar.

Frank suspirou. Harry realmente precisava se informar melhor sobre o mundo mágico.

Imaginou que talvez não tivesse falado com bastante clareza ao entrar na lareira dos Weasley porque tinha a boca cheia de cinzas. Pensou no que fazer, tentando ficar calmo.

— Apenas continue procurando uma saída e não peça informações. — aconselhou Sirius. Se percebessem que Harry estava perdido...

— Não está perdido, está, querido? — disse uma voz ao seu ouvido, assustando-o.

— Se afaste dela. — gemeu James. Ele só iria respirar aliviado novamente quando Harry saísse desse lugar perigoso.

Uma bruxa idosa estava ao lado dele, segurando uma bandeja com objetos que se pareciam horrivelmente com unhas humanas. Ela riu dele mostrando dentes cobertos de limo. Harry recuou.

— Estou bem, obrigado — disse. — Só estou...

— Não fale com estranhos. — reclamou Lily. — Isso não é hora para ser educado.

Você esta reclamando porque Harry está sendo educado? — perguntou Sirius incrédulo.

— Estou reclamando dele estar se colocando em risco por ser educado com uma estranha. — Lily respondeu estreitando os olhos. Ela tinha certeza que Sirius destorceria essas palavras no futuro.

— HARRY! O que você está fazendo aqui?

— Quem poderia saber o nome de Harry num lugar desses? — perguntou Remus surpreso.

O coração de Harry deu um salto. O da bruxa também: as unhas cascatearam por cima dos seus pés e ela começou a xingar ao mesmo tempo que a forma maciça de Hagrid, o guarda-caças de Hogwatts, veio se aproximando em grandes passadas, seus olhinhos de besouros negros faiscando por cima da barba arrepiada.

James e Lily suspiraram aliviados. Harry estaria seguro ao lado de Hagrid.

— E o que Hagrid está fazendo num lugar desses? — perguntou Severus venenosamente. Era um lugar estranho para o Guarda-caças aparecer.

— Tenho certeza que ele tem um bom motivo para andar por lá, diferente de outras pessoas que só procuram coisas sobre Artes das Trevas. — respondeu Sirius deixando claro que Snape se incluía entre essas pessoas.

Ambos se olharam como se estivessem esperando o outro sacar a varinha, mas após alguns segundos sem que fizesse outra coisa a não ser se olhar, Alice voltou a ler?.

— Hagrid! — exclamou Harry revelando alívio na voz rouca. — Eu me perdi... Pó de Flu...

Hagrid agarrou Harry pela nuca e afastou-o da bruxa, derrubando a bandeja que ela levava. O guincho que ela soltou acompanhou-os durante todo o trajeto pelas ruelas tortuosas até tornarem a ver a luz do sol. Harry divisou à distância um edifício de mármore muito branco que já conhecia: o Banco de Gringotes. Hagrid o levara direto ao Beco Diagonal.

Lily não pode evitar sorrir a menção do Beco Diagonal. Principalmente porque Harry finalmente saiu daquela Travessa horrível

— Você está horrível! — exclamou Hagrid, espanando a fuligem que cobria Harry com tanta força que quase o derrubou numa barrica de bosta de dragão à porta da farmácia.

— Tenho certeza que derruba-lo melhoraria muito a aparência de Harry. — brincou Sirius, mas se calou ao ver que a ruiva segurava a varinha numa mão, como se estivesse esperando um motivo para azara-lo.

— Se esquivando pela Travessa do Tranco, não sei, não, um lugar suspeito, Harry, não quero que ninguém o veja lá...

— E quanto a ser visto lá? — perguntou Severus com malicia.

A única coisa que o salvou de um feitiço de Sirius era que Lily ainda segurava a varinha.

Isso eu percebi — disse Harry, abaixando-se quando Hagrid fez menção de espaná-lo outra vez. — Eu lhe falei, eu me perdi, e o que é que você estava fazendo lá?

Eu estava procurando repelente para lesmas carnívoras — rosnou Hagrid. — Elas estão acabando com os repolhos da escola. Você não está sozinho?

— Como eu disse, Hagrid tinha um bom motivo. — Sirius olhou para Snape o desafiando a contradize-lo.

— Estou na casa dos Weasley, mas nos separamos – explicou Harry. — Tenho que encontrá-los...

Os dois começaram a descer a rua juntos.

— Por que é que você nunca respondeu as minhas cartas?— perguntou Hagrid a Harry enquanto caminhavam (o garoto tinha que dar três passos para cada passada das enormes botas de Hagrid).

— Harry! Você não escreveu para Hagrid depois que estava seguro na casa de Ron? — perguntou Lily meio chateada com a atitude do filho. Hagrid teria ficado preocupado.

Harry explicou tudo sobre Dobby e os Dursley.

— Trouxas nojentos — rosnou Hagrid. — Se eu tivesse sabido...

— Ainda dá tempo de azara-los. — incentivou Sirius.

James apenas assentiu com cabeça. Era bom de Hagrid se preocupar com Harry. Mas não via o que ele podia fazer contra os Dursley. Não é como se o gigante pudesse entrar lá a amaldiçoar todos como James certamente gostaria de fazer.

— Harry! Harry! Aqui!

Harry ergueu os olhos e viu Hermione Granger parada no alto das escadas brancas de Gringotes. A garota desceu correndo ao encontro deles, os cabelos castanhos e fartos esvoaçando para trás.

— Sempre as melhores descrições. — Frank sorriu.

— Que aconteceu com os seus óculos? Alô, Hagrid... Ah, que maravilha rever vocês... Vai entrar no Gringotes, Harry?

— Tome folego para que ele possa responder. — implicou Sirius.

— Assim que eu encontrar os Weasley — respondeu Harry.

— Você não vai ter que esperar muito — disse Hagrid com sorriso.

Harry e Hermione se viraram: correndo pela Rua cheia de gente vinham Rony, Fred, George, Percy e o Sr. Weasley.

— Harry — ofegou o Sr. Weasley. — Tivemos esperança de que você só tivesse ultrapassado uma grade de lareira... — Ele enxugou a careca reluzente. — Molly está alucinada... aí vem ela.

— Não havia muito o que eles pudessem fazer a não ser ir procurando de lareira em lareira. — disse Remus compreendendo o desespero dos Weasley.

— Onde foi que você saiu? — perguntou Rony.

— Na Travessa do Tranco — informou Hagrid de cara feia.

Que ótimo! — exclamaram Fred e George juntos.

— Não é ótimo. — responderam James e Sirius juntos. James porque detestava Arte das Trevas de qualquer espécie e Sirius porque par seu próprio pensar conhecia bem o lugar e sabia como era perigoso.

— Nunca nos deixaram entrar lá — comentou Rony invejoso.

— Ainda bem — rosnou Hagrid.

A Sra. Weasley aproximava-se correndo, a bolsa balançando loucamente em uma das mãos, Ginny agarrada à outra.

— Ah, Harry, ah, meu querido, você podia ter ido parar em qualquer lugar...

— Não nos lembre disso. — murmurou Sirius.

Tomando fôlego ela tirou uma grande escova de roupas da bolsa e começou a escovar a fuligem que Hagrid não conseguira espanar. O Sr. Weasley apanhou os óculos de Harry, deu-lhes uma batida com a varinha e os devolveu, como se fossem novos.

— Ele devia ter falado o feitiço em voz alta para que Harry pudesse aprender. — comentou James sabendo por experiência própria quem em Hogwarts óculos tendiam a quebrar com frequência,

— Bom, tenho que ir andando — disse Hagrid, cuja mão era apertada pela Sra. Weasley ("Travessa do Tranco! Se você não o tivesse encontrado, Hagrid!"). — Vejo vocês em Hogwarts! — E o guarda-caças se afastou a passos largos, a cabeça e os ombros mais altos do que os de todo mundo na rua cheia.

— Adivinhem quem eu encontrei na Borgin & Burkes? — perguntou Harry a Rony e a Hermione enquanto subiam as escadas do Gringotes. — Malfoy e o pai dele.

— Lucius Malfoy comprou alguma coisa? — perguntou o Sr. Weasley sério logo atrás deles.

— Teria sido bom se ele tivesse comprado, assim o Sr. Weasley saberia o que procurar. — comentou james.

— Não, ele estava vendendo.

— Então está preocupado — comentou o Sr. Weasley com cruel satisfação. — Ah, eu adoraria pegar Lucius Malfoy por alguma coisa...

— Tenha cuidado, Arthur — disse a Sra. Weasley com severidade quando eram cumprimentados pelo duende à porta do banco. — Aquela família significa confusão. Não abocanhe mais do que você pode mastigar.

Alice olhou para o livro, chocada.

— Isso foi algo muito rude para dizer ao próprio marido. Ela pode não ter tido a intenção, mas parece que ela não tem fé na capacidade dele.

— Ela está com medo de que algo aconteça ao marido. — apaziguou Frank.

— Então você não acha que sou adversário para o Lucius Malfoy? — respondeu o Sr. Weasley indignado, mas foi distraído quase no mesmo instante pela visão dos pais de Hermione, que estavam parados nervosos no balcão que ia de uma ponta a outra do saguão de mármore, esperando que Hermione os apresentasse.

— Mas vocês são trouxas! — exclamou o Sr. Weasley encantado. — Precisamos tomar um drinque! Que é que têm aí? Ah, estão trocando dinheiro de trouxas. Molly, olhe! — Ele apontou excitado para as notas de dez libras na mão do Sr. Granger.

— Eu imagino que os Grangers vão pensar que ele é meio louco. — riu Remus.

— Um pouco. Mas eles vão ficar felizes por conhecerem bruxos adultos. Meus pais sempre quiseram conhecer alguns, dizem que tem muitas perguntas para fazer. — Lily deu os ombros.

— Te encontro lá no fundo — disse Rony a Hermione quando os Weasley e Harry foram conduzidos aos cofres subterrâneos por outro duende de Gringotes.

Chegava-se aos cofres a bordo de vagonetes pilotados por duendes, que os manobravam em alta velocidade por trilhos de bitola estreita através dos túneis subterrâneos do banco. Harry curtiu a viagem vertiginosa até o cofre dos Weasley, mas se sentiu muito mal, muito pior do que se sentira na Travessa do Tranco, quando eles o abriram.

Lily deu um pequeno sorriso. Harry provavelmente iria se sentir mal por ter mais dinheiro que os Weasley, e depois de como Tuney o havia criado era quase um milagre.

Havia uma pequena pilha de sicles de prata lá dentro e apenas um galeão de ouro.

James sentiu uma pontada de culpa, ele tinha mais que isso com ele neste exato momento. Isso era menos do que ele comprava em doces para levar para o colégio. Ele sempre soube que tinha mais dinheiro que a grande maioria das pessoas. Porém era a primeira vez que se sentia culpado por isso. Talvez porque os Weasley estivessem abrigando Harry, a única certeza era que alguma coisa o tinha atingindo dessa vez, fazendo-o questionar todas as vezes que gastara dinheiro à toa.

A Sra. Weasley tateou pelos cantos antes de varrer tudo para dentro da bolsa. Harry se sentiu ainda pior quando chegaram ao seu cofre. Tentou bloquear a visão do conteúdo enquanto enfiava, apressadamente, mãos cheias de moedas em uma bolsa de couro.

— Não é sua culpa que você tenha mais dinheiro que eles. — disse Alice simpaticamente.

James não prestou atenção. Ele estava vivenciando os mesmos sentimentos que Harry.

De volta aos degraus de mármore, eles se separaram. Percy murmurou qualquer coisa sobre a necessidade de comprar uma pena nova. Fred e George tinham visto um amigo de Hogwarts, Lino Jordan. A Sra. Weasley e Ginny iam a uma loja de vestes de segunda mão. O Sr. Weasley insistia em levar os Granger ao Caldeirão Furado para tomar um drinque.

— Vamos nos encontrar na Floreios e Borrões dentro de uma hora para comprar o material escolar — disse a Sra. Weasley, se afastando com Ginny. — E nem pensar em entrar na Travessa do Tranco! — gritou ela para os gêmeos que seguiam na direção oposta.

— Ela deveria fazer o mesmo aviso ao Ron. — comentou Remus — ou ele pode alegar que ela disse que apenas os gêmeos foram avisados para não entrar na Travessa do Tranco.

Frank ia perguntar de onde Remus tirara essa ideia, mas um olhar para Sirius e James e ele sabia a resposta.

Harry, Rony e Hermione caminharam pela rua tortuosa, calçada de pedras. A bolsa de ouro, prata e bronze que retinia alegremente no bolso de Harry estava pedindo para ser gasta, de modo que ele comprou três grandes sorvetes de morango e manteiga de amendoim, que os três lamberam felizes enquanto subiam o beco, examinando as vitrines fascinantes das lojas.

Sirius e Remus trocaram um sorriso.

— Qual a graça? — perguntou James confuso.

— É praticamente a mesma coisa que você faz todo ano quando saímos do Gringotes. — Remus respondeu para o amigo.

Lily sorriu. Uma coisa que ela sempre admirara nos marotos era o senso de amizades dele. E seria mais que feliz se Harry tivesse herdado isso.

Rony admirou, cobiçoso, um conjunto completo de vestes da grife Chudley Cannon, na vitrine da Artigos de Qualidade para Quadribol, até que Hermione puxou os dois para irem comprar tinta e pergaminho na loja ao lado.

— E isso é algo que Aluado precisa fazer com Pontas todos os anos. — Sirius riu.

Na Gambol & Japes — Jogos de Magia, eles encontraram Fred, George e Lino Jordan, que estavam fazendo um estoque de fogos de artifício Dr. Filisbuteiro, que disparavam molhados e não aqueciam, e num brechó cheio de varinhas quebradas, balanças de latão empenadas e velhas capas manchadas de poções, os garotos deram de cara com Percy, profundamente absorto na leitura de um livro muito chato intitulado Monitores-chefes que se tornaram poderosos.

— Ah Pontas, já sei o que te dar de presente de natal. Tenho certeza que será uma leitura fascinante. Não se preocupe, comprarei um pra você também, Lily. — Sirius riu.

Remus por sua vez franziu o cenho.

— Ele está ficando um pouco obcecado com o cargo.

Severus não iria comentar em voz alta,, mas após ouvir sobre o cofre dos Weasley ele poderia entender o desejo de Percy de ser poderoso para mudar a forma que vivia. Era algo que ele próprio sentira durante toda sua vida.

Um estudo dos monitores-chefes de Hogwarts e suas carreiras — leu Rony alto na quarta capa. — Parece fascinante...

— Acho que nem Frank conseguiria ler esse livro. — James brincou.

Frank deu os ombros. Ele gostava de ler, mas poderia pensar em centenas de livros que leria antes desse.

— Dêem o fora — disse Percy com rispidez.

— E claro que ele é muito ambicioso, o Percy já planejou tudo... Quer ser Ministro da Magia... — comentou Rony para Harry e Hermione em voz baixa quando deixaram o irmão sozinho.

— Não duvido que tenha sido isso mesmo que ele planejou. — riu Alice.

Uma hora depois eles rumaram para a Floreios e Borrões. Não eram de maneira alguma os únicos que se dirigiam à livraria. Ao se aproximarem, viram, para sua surpresa, uma quantidade de gente que se acotovelava à porta da loja, tentando entrar. A razão disso estava anunciada em uma grande faixa estendida nas janelas do primeiro andar.

GILDEROY LOCKHART

autografa sua autobiografia

"O MEU EU MÁGICO"

hoje das 12:30h às 16:30h

Frank escondeu a cabeça entre as mãos. Harry realmente tinha que ir no Beco Diagonal no mesmo dia que esse inútil dava autógrafos?

— Vamos poder conhecê-lo! — gritou Hermione esganiçada. — Quero dizer, ele é o autor de quase toda a nossa lista de livros!

— Alguém tem uma queda. — Sirius falou olhando para Alice. — Ou deveria dizer alguém mais tem uma queda?

— Diga isso e eu garantirei que você não possa dizer mais nada por um longo tempo. — respondeu Alice.

A aglomeração parecia ser formada, em sua maioria, por bruxas mais ou menos da idade da Sra. Weasley. Um bruxo de ar atarantado estava postado à porta, dizendo:

— Calma, por favor, minhas senhoras... Não empurrem, isso... cuidado com os livros, agora...

— O único motivo para se empurrarem é se afastar desse infeliz o mais depressa possível. — Frank resmungava.

Harry, Rony e Hermione espremeram-se para entrar na loja. Uma longa fila serpeava até o fundo da loja, onde Gilderoy Lockhart autografava seus livros. Cada um dos meninos apanhou um exemplar de O livro padrão dos feitiços, 2ª série, e se enfiaram sorrateiros no início da fila onde já aguardavam os outros meninos com o Sr. e a Sra. Weasley.

— Ah, chegaram, que bom! — disse a Sra. Weasley. Ela parecia ofegante e não parava de ajeitar os cabelos. — Vamos vê-lo em um minuto...

— Eu não acredito que ela esta fazendo isso para ver esse completo imbecil. — Frank não conseguia conter as ofensas, ele não entendia o que as mulheres poderiam ver num imbecil como esse.

Aos poucos Gilderoy Lockhart se tornou visível, sentado a uma mesa, cercado de grandes cartazes com o próprio rosto, todos piscando e exibindo dentes ofuscantes de tão brancos. O verdadeiro Lockhart estava usando vestes azul-miosótis que combinavam à perfeição com os seus olhos; seu chapéu cônico de bruxo se encaixava em um ângulo pimpão sobre os cabelos ondulados.

— Exibido. — Lily murmurou em apoio da Frank. Ela não entendia as pessoas que tinham necessidade constante de chamar a atenção.

Um homenzinho irritadiço dançava à sua volta, tirando fotos com uma máquina enorme que soltava baforadas de fumaça púrpura a cada flash enceguecedor.

— Saia do caminho, você aí — rosnou ele para Rony, recuando para se posicionar

em um ângulo melhor. — Trabalho para o Profeta Diário.

— Como se isso importasse para alguém. — murmurou Sirius.

— Grande coisa — disse Rony, esfregando o pé que o fotógrafo pisara.

Gilderoy ouviu-o. Ergueu os olhos. Viu Rony — e em seguida viu Harry Potter. Encarou-o. Então se levantou de um salto e decididamente gritou:

— Não pode ser, Harry Potter!

Lily gemeu. Agora Harry seria o centro das atenções.

A multidão se dividiu, murmurando agitada; Lockhart adiantou-se, agarrou o braço de Harry e puxou-o para frente. A multidão prorrompeu em aplausos. A cara de Harry estava em fogo quando Lockhart apertou sua mão para o fotógrafo, que batia fotos feito louco, dispersando fumaça sobre os Weasley.

— Esse imbecil esta usando Harry para atrair a atenção. — falou Frank acusatoriamente, olhando para a namorada.

— Eu sei querido, eu sei. — Alice não perdeu tempo tentando explicar que tinha tido uma queda por Lockhart quando ela tinha doze, ela achava Frank bonitinho quando estava com ciúmes.

— Dê um belo sorriso, Harry — disse Lockhart por entre os dentes faiscantes. — Juntos, você e eu valemos uma primeira página.

— Harry vale uma primeira pagina. Você só quer aproveitar a oportunidade. — Severus resmungou. Uma coisa que ele concordava com os marotos era que Lockhart era um idiota.

Quando ele finalmente soltou a mão de Harry, o garoto não conseguia sentir os dedos. E tentou se esgueirar para junto dos Weasley, mas Lockhart passou um braço pelos seus ombros e segurou-o com firmeza ao seu lado.

— Deixe meu filho em paz, ele não gosta dessa atenção. — reclamou Lily olhando para James.

O moreno levantou as palmas das mãos em sinal de rendição. Ele gostava de atenção, mas não o suficiente para se comportar igual Lockhart.

— Minhas senhoras e meus senhores — disse em voz alta, ao mesmo tempo que pedia silêncio com um gesto. — Que momento extraordinário este! O momento perfeito para anunciar uma novidade que estou guardando só para mim há algum tempo!

— Porque eu sinto que ninguém gostará dessa novidade? — Remus perguntou.

"Quando o jovem Harry entrou na Floreios e Borrões hoje, ele queria apenas comprar a minha autobiografia, com a qual eu terei o prazer de presenteá-lo agora." A multidão tornou a aplaudir. "Ele não fazia idéia", continuou Lockhart, dando uma sacudidela em Harry que fez os óculos do menino escorregarem para a ponta do nariz, "que em breve estaria recebendo muito, muito mais do que o meu livro O meu eu mágico. Ele e seus colegas irão receber o meu eu mágico em carne e osso. Sim, senhoras e senhores, tenho o grande prazer de anunciar que, em setembro próximo, irei assumir a função de professor de Defesa contra as Artes das Trevas na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts!"

Todos os garotos reviraram os olhos em desgosto. Menos Frank que parecia atordoado pela noticia.

— Os professores realmente caíram de nível. — Lily se lamentou. Como Harry aprenderia algo com um professor como esse.

Alice se resignando ao fato de ouvir gracinhas sobre Lockhart o resto do livro, voltou a ler.

A multidão deu vivas e bateu palmas, e Harry se viu presenteado com as obras completas de Gilderoy Lockhart. Cambaleando sob o peso dos livros, ele conseguiu fugir das luzes da ribalta para a periferia do salão, onde Ginny estava parada com o seu novo caldeirão.

— Fique com eles — murmurou Harry para a menina, virando os livros no caldeirão. — Eu vou comprar os meus...

Lily sorriu, feliz com a generosidade do seu filho.

— Oh. Tenho certeza que Ginny nunca mais irá se separar desses livros — Sirius gargalhava imaginando como seria se fosse Lily que desse os livros para James.

— Aposto que você adorou isso, não foi, Potter? — disse uma voz que Harry não teve problema em reconhecer. Ele endireitou o corpo e se viu cara a cara com Draco Malfoy, que exibia o sorriso de desdém de sempre.

— Era tudo o que faltava, Draco Malfoy. — reclamou James. Já era ruim o suficiente Harry estar na mesma loja que Lockhart, adicionar Malfoy era tortura.

"O Famoso Harry Potter", continuou Malfoy. "Não consegue nem ir a uma livraria sem parar na primeira página do jornal."

— Sinto uma certa inveja nessas palavras? — perguntou Sirius malicioso. Ele tinha certeza que Draco adoraria ser primeira pagina no jornal.

— Deixe ele em paz, ele nem queria isso — disse Ginny. Era a primeira vez que falava na frente de Harry. E olhava feio para Malfoy.

— E ela salta em defesa de Harry, porque isso me parece familiar? — Remus fingiu pensar enquanto olhava para James.

— Talvez porque um certo Pontas faça isso com frequência. Você não se lembrou imediatamente porque Harry não grita como Lily. — Sirius respondeu fingindo seriedade.

A ruiva não pode deixar de pensar quantas vezes James ouvira piadinhas como essa, e se ele realmente levava tudo na esportiva ou era só fachada. Mas esse não parecia ser o momento para perguntar.

— Potter, você arranjou uma namorada! — disse Malfoy arrastando as sílabas.

— Eu realmente não entendo como isso poderia ser considerado uma ofensa. — Frank deu os ombros.

Ginny ficou escarlate enquanto Rony e Hermione lutavam para chegar até eles, sobraçando pilhas de livros de Lockhart.

— Ah, é você — exclamou Rony, olhando para Malfoy como se ele fosse uma coisa desagradável, grudada na sola do sapato.

— Eu jogaria meu sapato fora se isso acontecesse. — Sirius resmungou. — Embora a perspectiva de ameaçar Malfoy de ser pisado parece promissora.

— Aposto como ficou surpreso de ver Harry aqui, hein?

— Não tão surpreso como estou de ver você numa loja, Weasley — retrucou Malfoy. — Imagino que seus pais vão passar fome um mês para pagar todas essas compras.

Lily ficou horrorizada com a rudeza desse comentário. Draco tinha apenas doze e já pensava assim. Olhando para a mão de James entrelaçada com a dela, ela pensou que apesar do moreno não ser perfeito e ter cometido diversos erros no passado, chegando a ser cruel algumas vezes, ele poderia ter sido muito pior.

Rony ficou tão vermelho quanto Gina. Largou os livros no caldeirão, também, e partiu para cima de Malfoy, mas Harry e Hermione o agarraram pelo casaco.

— Deixem ele ir, Draco merece outra surra. — incentivou Sirius.

— Rony! — chamou o Sr. Weasley, que procurava se aproximar com Fred e George. — Que é que está fazendo? Está muito cheio aqui, vamos para fora.

— Ora, ora, ora, Arthur Weasley.

Era o Sr. Malfoy. Estava parado com a mão no ombro de Draco, com um sorriso de desdém igual ao do filho.

— Pior que Maldoy filho, somente Malfoy pai. — Remus gemeu.

— Lucius — disse o Sr. Weasley, dando um frio aceno com a cabeça.

— Muito trabalho no Ministério, ouvi dizer — falou o Sr. Malfoy. — Todas aquelas blitze... Espero que estejam lhe pagando hora extra!

— Tenho certeza que ele trabalharia de graça, se isso colocasse pessoas como você atrás das grades. — cuspiu James.

Ele meteu a mão no caldeirão de Ginny e tirou, do meio dos livros de capa lustrosa de Lockhart, um exemplar muito antigo e surrado de um Guia Sobre Transfiguração Para Principiante.

— É óbvio que não — concluiu o Sr. Malfoy. — Ora veja, de que serve ser uma vergonha de bruxo se nem ao menos lhe pagam bem para isso?

— A única vergonha de bruxo é você! — James e Sirius gritaram ao mesmo tempo.

O Sr. Weasley corou com mais intensidade do que Rony e Ginny.

— Nós temos idéias muito diferentes do que é ser uma vergonha de bruxo, Malfoy.

— Visivelmente — disse o Sr. Malfoy, seus olhos claros desviando-se para o Sr. e Sra. Granger, que observavam apreensivos. — As pessoas com quem você anda, Weasley... E pensei que sua família já tinha batido no fundo do poço...

Alice parecia estar fazendo força para não rasgar o livro em pedaços. Frank e Remus olhavam feio para o livro. Sirius resmungava ao sobre trancar Malfoy num poço fedorento por um lago tempo enquanto rabiscava no pergaminho. James segurava mais fortemente a mão de Lily enquanto Severus dava olhares furtivos para a ruiva que mordia os lábios. Sendo a única nascida trouxa na sala, Lily sentia essas ofensas como algo pessoal.

Ouviu-se uma pancada metálica quando o caldeirão de Gina saiu voando; o Sr. Weasley se atirara sobre o Sr. Malfoy, derrubando-o contra uma prateleira. Dúzias de livros de soletração despencaram com estrondo em sua cabeça; ouviu-se um grito "Pega ele, papai" — dado por Fred e George; a Sra. Weasley gritava "Não, Arthur, não"; a multidão estourou, recuando e derrubando mais prateleiras.

— Quebre o nariz dele! — gritou Sirius animado.

James sorria aprovando completamente o comportamento do Sr. Weasley. E o prazer era evidente na voz de Alice quando ela voltou a ler.

— Senhores, por favor, por favor! — pedia o assistente, e, depois, mais alto que a algazarra reinante. — Vamos parar com isso, cavalheiros, vamos parar com isso...

Hagrid caminhava em direção aos dois atravessando um mar de livros. Num instante ele separou o Sr. Weasley e o Sr. Malfoy. O Sr. Weasley com o lábio cortado e o Sr. Malfoy fora atingido no olho por uma Enciclopédia dos sapos. Ele ainda segurava o livro velho de Ginny sobre transfiguração. Atirou-o nela, os olhos brilhando de malícia.

— Aqui, tome o seu livro, é o melhor que seu pai pode lhe dar...

— Que é muito mais do que você jamais dará a Draco. — respondeu Sirius e não se refiria a um livro.

E, desvencilhando-se da mão de Hagrid, chamou Draco e saíram da loja.

— Você devia ter fingido que ele não existia, Arthur — disse Hagrid, quase erguendo o Sr. Weasley do chão enquanto este endireitava as vestes. — Podre até a alma, a família toda, todo mundo sabe disso. Não vale a pena dar ouvidos a nenhum Malfoy. Sangue ruim, é o que é. Vamos agora, vamos sair daqui.

— Hagrid tem razão, isso não é um bom exemplo para as crianças. — comentava Remus, mas o tom de riso na sua voz desmentia a severidade das palavras. Ele também gostara de ver Lucius apanhando.

O assistente parecia querer impedi-los de sair, mas mal chegava à cintura de Hagrid e pareceu pensar duas vezes. Eles subiram apressados a rua, os Granger tremendo de susto e a Sra. Weasley fora de si de fúria.

— Um belo exemplo para os seus filhos... saindo no tapa em público... que é que o Gilderoy Lockhart deve ter pensado...

— Como se alguém se importasse com o que ele pensa. — Frank voltou a resmungar.

— Ele provavelmente achou maravilhoso, já que uma briga sempre atrai atenção. — comentou Remus.

— Ele estava satisfeito — informou Fred. — Você não ouviu o que ele disse quando estávamos saindo? Perguntou àquele cara do Profeta Diário se ele podia incluir a briga na notícia, disse que tudo era publicidade.

— Eu duvido que Lucius vá permitir que façam publicidade negativa dele no jornal. — comentou Sirius azedo. Seria uma ótima foto de primeira pagina Lucius sendo atingindo no olho por um livro sobre sapos.

Mas foi um grupo mais sereno que voltou à lareira do Caldeirão Furado, de onde Harry, os Weasley e todas as compras iriam retornar à Toca, usando o Pó de Flu. Eles se despediram dos Granger, que iriam atravessar o bar para chegar à rua dos trouxas, do outro lado; o Sr. Weasley começou a perguntar ao casal como funcionavam os pontos de ônibus, mas parou de repente ao ver o olhar da Sra. Weasley.

— Alguém vai dormir no sofá hoje. — Sirius cantarolava.

Harry tirou os óculos e guardou-os bem seguros no bolso antes de se servir do Pó de Flu. Decididamente não era o seu meio de transporte favorito.

— Nem o meu. — James concordou com o filho.

— Nós vamos comer depois que Harry chegar a Hogwarts. — Remus disse pegando o livro que Alice oferecia — Se contente com as sobras que eu tenho certeza que estão escondidas no seu bolso.

Sirius suspirou dramaticamente tirando os olhos da mesa que parecia tão convidativa.

— Você parece sempre que está morto de fome — Remus comentava enquanto procurava o capítulo certo, e mal conseguiu esconder uma careta de desgosto quando encontrou. Além das recordações sobre sua própria condição o próximo titulo lembrava um incidente muito desagradável. Se preparando mentalmente para as reações leu o próximo titulo em voz alta.: Capítulo Cinco: O Salgueiro Lutador.


Nota da Autora: (04/11/2011): Eu sei que praticamente sumi. E não tenho uma boa desculpa, só a verdade. Eu fiz uma prova para um concurso de estágio. E a minha nota de redação foi muito abaixo do que eu esperava. Agora me sinto insegura de escrever qualquer coisa =/ Eu não larguei a fic, só não estou conseguindo escrever mais nada =( Quando minha auto-confiança voltar eu continuo com a fic.