Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem apenas Eurin e Alister são criações únicas e exclusivas para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 4: Sem noção do perigo.
I – O Convite.
Entrou rapidamente em casa, mal parando em Escorpião para falar com Cadmo, precisava pensar em algo, o tempo estava correndo; Alister pensou, apoiando-se nas paredes do corredor, ainda sentindo os efeitos do chute certeiro da amazona, num ponto bastante sensível de seu corpo.
-Droga; Alister resmungou, enquanto encaminhava-se para seu quarto.
Parou por um momento, vendo algo largado sobre a mesa da cozinha. Sabia que tinha alguma coisa para fazer, mas havia esquecido completamente; ele pensou, balançando a cabeça levemente para os lados.
Shion lhe mandara levar alguns mapas de estrelas para Alanis no observatório e esquecera. Mas depois faria isso, por hora tinha mais no que pensar.
-o-o-o-o-
-Idiota; Eurin resmungou, enquanto encaminhava-se para a casa.
Era só o que faltava, mal chegava ao santuário e tinha que ficar lidando com esse tipo de inconveniente; ela pensou, irritada.
Andava a passos tão rápidos que mal notou quando bateu em alguém, teria ido ao chão se a pessoa não houvesse lhe segurado pela cintura.
-Desculpe; a amazona murmurou, erguendo a cabeça e deparando-se com um jovem de cabelos pretos e orbes castanhos, quase amendoados.
-Imagina, eu estava distraído; Helio falou com um sorriso encantador, afastando-se. –Mas e você, não se machucou?
-Não, estou bem; Eurin respondeu, um tanto quanto desconfiada da amabilidade do cavaleiro.
-Me perdoe a indiscrição, mas você é a pupila da Isabel, não? –o taurino perguntou, com ar curioso.
-Sou; a jovem respondeu, deixando a desconfiança de lado, afinal, todos os cavaleiros dali, não deveriam ser pervertidos, como um certo alguém. –E você, é cavaleiro ou aspirante, se me permite a pergunta? –ela falou, fitando-o atentamente.
-Cavaleiro; ele respondeu com um sorriso sem graça. –Me desculpe, mas não me apresentei. Helio de Touro; o cavaleiro falou, estendendo-lhe a mão, gentilmente.
-Eurin de Carina; ela respondeu, aceitando o cumprimento, mas surpreendeu-se ao vê-lo abaixar-se parcialmente, dando-lhe um beijo delicado nas costas da mão.
-É um prazer conhece-la; Helio falou, fitando-a intensamente.
-Ahn! Bem...; Eurin balbuciou, sentindo a face aquecer-se por baixo da mascara. –Eu preciso ir; ela falou, puxando a mão o mais delicadamente possível.
-Só um minuto; o cavaleiro a deteve. –Me perdoe o atrevimento, mas pela manhã vi que suas técnicas se baseiam em rosas, então, pensei que bem... Poderia lhe convidar para conhecer o Jardim dos Deuses, um dia desses? –ele perguntou.
-Como? –a amazona perguntou confusa.
-É um dos poucos jardins no santuário, que não tem ligação com o Coroa do Sol; ele apressou-se em explicar.
-Bem...; Simplesmente não sabia o que responder, aquele cavaleiro poderia muito bem ser comparado ao Shaka, lhe passava confiança, diferente de uns e outros, que queria distancia; ela pensou. –Não sei, mal cheguei ao santuário, ainda tenho algumas coisas para resolver; ela justificou-se.
-Não precisa ser hoje, mas será um prazer mostrar-lhe esse jardim; Helio falou, com um sorriso gentil.
-Está certo... Um dia desses, quem sabe; Eurin falou, dando-se por vencida. –Obrigada pelo convite;
-Eu é que agradeceria, por ter sua companhia; ele falou, com um olhar enigmático. –Mas não vou tomar-lhe mais o tempo;
-Imagina; a amazona respondeu, sentindo a face aquecer-se mais ainda, com as gentilezas do cavaleiro. –Mas agora tenho mesmo que ir, até mais; ela completou.
-Até; Helio despediu-se com uma breve reverencia, antes de vê-la se afastar.
Fitou-a demoradamente, enquanto a jovem desaparecia na entrada do vilarejo das amazonas, Alister era um grande idiota, por considera-la apenas uma conquista; Helio pensou, balançando a cabeça levemente para os lados, dando um baixo suspiro, antes de se afastar, indo para o Cabo.
II – O Pedido.
Estava chegando em casa quando avistou próxima a ela, uma jovem de melenas violeta lhe esperando. Franziu o cenho, o que Alanis queria? –Eurin se perguntou.
-Algum problema, Alanis? –ela perguntou, vendo a amazona virar-se na sua direção.
-Estava lhe esperando; Alanis respondeu prontamente. –Vim saber se você já almoçou?
-Não; Eurin respondeu, estranhando a pergunta.
-Ahn! Poderia lhe pedir um favor, Eurin? –a jovem perguntou, cautelosa.
Deu um baixo suspiro, porque será que isso não lhe cheirava bem?
-Claro; ela respondeu.
-Poderia me ajudar no observatório, depois do almoço? –Alanis perguntou.
-Fazendo o que? –Eurin perguntou, desconfiada.
-Sabe o que é, chegaram alguns livros e mapas no observatório e bem... Gostaria que você me ajudasse a colocar em ordem, normalmente a Lya me ajuda, mas aquela tratante sumiu e sei que ela fez de propósito; Alanis completou, serrando os punhos, indignada.
-Está certo, vou almoçar, depois lhe encontro; a amazona respondeu, quase rindo da expressão dela, mesmo que não pudesse ver-lhe o rosto.
-Obrigada. Obrigada. Obrigada; Alanis agradeceu, saltitante. –Não sei o que faria se você não me ajudasse; ela completou.
-Ta, já entendi; Eurin falou, gesticulando displicente. –Até depois;
-Até; Alanis respondeu, vendo-a entrar em casa rapidamente.
III – Feliz Coincidência.
Recolheu todos os mapas que deixara sobre a mesa, já era por volta das cinco e meia, até chegar ao observatório, descendo todos os templos, chegaria por volta das seis, tempo suficiente para encontrar Alanis lá; ele pensou, deixando o Templo de Peixes.
Estava descendo os primeiros degraus para o próximo templo, quando viu Lya subindo as escadas, provavelmente indo falar com o mestre.
-Boa tarde, ou melhor, quase noite; ele a cumprimentou, cordialmente.
-Boa tarde; ela respondeu, sorrindo por baixo da mascara. –Mas me diga, esta indo pra onde, Alister?
-Observatório, esqueci esses mapas aqui em cima hoje cedo e só os encontrei agora de pouco; Alister respondeu.
-Há essa hora, Alister; Lya falou em tom de repreensão. –Alanis e Eurin vão te matar quando chegar lá; ela completou.
-Como? –ele perguntou, interessado.
-As duas estão a tarde toda arrumando o observatório e acredito que isso ainda vá até tarde; a jovem de melenas alaranjadas comentou.
-Mais que ótimo; Alister falou, sem conter a empolgação.
-Ahn? –Lya murmurou, confusa.
-Nada não, é que eu preciso perguntar umas coisas para a Alanis, só isso; ele apressou-se em responder.
-Se você diz; a jovem respondeu, meio descrente. –Bom, agora tenho que ir, tenho que falar com Ares; ela completou.
-Com o Ares, uhnnnnnnnnnnn; Alister murmurou, com um sorriso malicioso.
Antes que Lya pudesse reclamar, ele desatou a descer rapidamente as escadas, antes que a amazona o chutasse de lá.
-Idiota; Lya resmungou, enquanto dirigia-se ao ultimo templo.
-o-o-o-o-
Subiu em uma cadeira, tentando insistentemente organizar alguns livros, para encontrar espaço para os novos, só que a quantidade de poeira existente ali, conseguia atravessar a proteção da mascara, lhe dando tosse.
-Droga; Eurin resmungou, segurando-se nas prateleiras para não perder o equilíbrio. –Quantos séculos não limpam isso aqui? –ela perguntou, irritada.
-Já estamos acabando; Alanis avisou do andar de baixo, organizando outras coisas, enquanto Eurin permanecia no segundo andar, numa pequena biblioteca anexa a sala do telescópio.
-Quanto pó; a amazona de Carina continuou a resmungar.
IV – A Verdade.
-Alister, o que faz aqui? –Alanis perguntou, ao vê-lo entrar no observatório.
-Vim trazer os mapas, me desculpe à demora; ele respondeu, mostrando a ela os rolos que tinha nas mãos.
-Imagina, íamos começar a organizar os mapas agora, pode leva-los lá para cima pra mim, a Eurin esta lá; ela completou, distraída, pegando algumas caixas no chão.
-Ta certo; Alister respondeu, sem esconder o largo sorriso que moldava-lhe os lábios.
Subiu as escadas para o segundo andar, a passos lentos e felinos, procurando não fazer barulho. Encontrou a amazona sentada em frente ao telescópio, observando com atenção à noite lá fora já caia e as estrelas surgiam no céu, podendo ser apreciadas através da lente do telescópio com perfeição.
-Bela noite para se observar às estrelas, não?
Sentiu uma respiração quente chocando-se contra a lateral de sua face, desprovida de prata, não conseguiu conter um breve tremor que correu por seu corpo.
Virou-se lenta e cautelosamente, deparando-se com um par de orbes acinzentados lhe fitando com extrema atenção. Engoliu em seco, tentando manter-se controlada.
-Ah! É você! O que quer? -Eurin perguntou com ar entediado.
-Como assim, eu? –Alister perguntou indignado, vendo-a afastar-se rapidamente de si, indo até o outro lado da sala, continuando a arrumar os livros, ignorando completamente sua presença ali.
-Puff; a amazona resmungou, o ignorando.
-Hei, qual o seu problema? –o pisciano exasperou, aproximando-se.
-Você não tem nada melhor pra fazer, não? –Eurin perguntou, enquanto retirava um livro da prateleira, mas sentiu a mão de Alister fechar-se sobre a sua, virando-a rapidamente para trás, fazendo-a encostar-se nas prateleiras.
-Melhor do que estar aqui... Não; ele respondeu com um sorriso sedutor, deixando uma das mãos brincar distraidamente com uma mecha esverdeada que caia sobre o ombro da jovem.
Respirou fundo, desejando imensamente manda-lo para o Tártaro. Como era atrevido; Eurin pensou irritada.
-Idiota; ela falou, afastando a mão dele de seus cabelos, com um tapa.
-Ta legal, eu desisto; Alister exasperou, afastando-se bruscamente, deixando-a confusa. –Eu tento ser uma pessoa legal, mas você só me ataca; ele reclamou, fitando-a acusadoramente.
-O que? –Eurin perguntou, arqueando a sobrancelha por baixo da mascara. Ele era maluco ou o que?
-Que espécie de anti-social é você, que não permite que ninguém se aproxime? –Alister perguntou, voltando-se para ela com os orbes acinzentados serrados, nervosamente.
-Uma anti-social que detesta caras fúteis e metidos a donos do mundo como você...; Eurin respondeu ferina, aproximando-se do cavaleiro ameaçadoramente, fazendo-o recuar algumas passos. –...Que não se importa em ferir as pessoas se isso for lhe inflamar o ego. E quer saber, estou cheia de idiotas como você. Se você não se importa com a missão que recebeu ao se tornar cavaleiro, eu me importo com a minha e agradeceria se me deixasse em paz e procurasse outra idiota que esteja disposta a perder tempo com você, porque eu não estou; ela completou, saindo da sala deixando um Alister atônito para trás.
-Dessa vez você foi longe demais Alister; Alanis falou, entrando na sala, depois de quase ser atropelada por Eurin na escada.
Deu um baixo suspiro abaixando a cabeça, maldita hora que fizera aquela aposta com Helio; ele pensou, ainda ouvindo as palavras da amazona ecoarem em sua mente.
V – Um pedido inusitado.
Alongou os braços, ouvindo as costas estalarem, estava a tempo demais naquela posição; ele pensou, recostando-se na poltrona que estava. Ouviu passos apressados vindos do corredor e rapidamente colocou a mascara que jazia em um canto da escrivaninha.
Dois toques na porta e com um breve 'entre', viu-a se abrir. Arqueou a sobrancelha ao deparar-se com a amazona de Carina, o que Eurin queria àquelas horas? –Shion se perguntou.
-Desculpe incomoda-lo mestre, mas Ares disse que poderia encontra-lo aqui; Eurin falou polidamente.
-...; Shion assentiu, indicando uma poltrona em frente à escrivaninha para que ela se sentasse. –O que deseja?
-Gostaria de pedir sua autorização para treinar uma aprendiz; ela falou, com ar sério e porque não dizer tenso.
-Aprendiz, mas Eurin ainda não acha cedo. Você mal se sagrou como amazona; ele comentou, achando estranho o pedido inusitado.
-Na verdade não, mesmo porque já tenho em vista um sucessor e gostaria de começar seu treinamento o quanto antes, se possível em Gothland; ela completou, querendo estar o mais longe possível do santuário.
-Eurin, esta acontecendo alguma coisa? –Shion perguntou, fitando-a seriamente por trás da mascara.
-Não, porque? Deveria? –ela perguntou, sem esconder um 'Q' de sarcasmo no tom de voz.
-"Pelos Deuses, o que Alister andou aprontando dessa vez?"; ele se perguntou, lembrando-se do que Lya e Ares lhe contaram sobre as investidas do pisciano com ascendente em Escorpião. –Me responda você?
-Não; Eurin respondeu, veemente.
-Sinto muito Eurin, mas no momento não posso lhe dar uma resposta sobre o que me pediu; Shion falou, dando um baixo suspiro.
-Porque? –a amazona perguntou, indignada.
-Porque tomar decisões do tipo, não se faz de uma hora para outra. Como mestra você aprendera isso; ele falou, vendo-a serrar os punhos nervosamente, embora sua face continuasse inexpressiva, devido a mascara de prata.
-Está certo, desculpe incomoda-lo então; ela respondeu seca, levantando-se.
-Eurin; Shion chamou, antes que ela saísse.
-Sim?
-Recebi uma carta de Eduardo, perguntando como você estava; ele falou, sentindo o cosmo dela oscilar agressivamente. –Quer que eu mande uma resposta?
-Quero? –Eurin respondeu, voltando-se para o mestre, que por um momento tremeu, imaginando que ela logo conjuraria uma rosa sangrenta e acertaria em si. –Avise-o que a filha dele morreu no momento que ele a jogou no meio desse inferno e que não me importune mais, ou da próxima vez, irei pessoalmente manda-lo para o verdadeiro inferno que ele merece; ela completou, dando-lhe as costas e deixando a sala.
Balançou a cabeça levemente para os lados, mais essa. Quando Isabel lhe contara que os conflitos familiares que envolviam a pupila não eram apenas complicados, mas extremamente delicados, achou que ela estava exagerando, mas agora via que não.
Entretanto, muitas coisas ficavam claras. Conhecia a família de Eurin e sabia que a cada nova geração eles passavam o legado de que o primogênito deveria se tornar amazona ou cavaleiro, algo que achava errado, levando em consideração que os pais não pensavam se a criança desejava seguir esse caminho, mas por ser uma família de grande prestigio em Gotlhand, ninguém nunca reclamou sobre isso.
-Bastante arredia, não? –alguém comentou, surgindo atrás de si.
-Quem? –Shion perguntou, virando-se de lado ao ver um jovem de cabelos esverdeados e orbes rosados surgir a seu lado.
-Eurin; Ares comentou, casualmente.
-Ela tem seus motivos Ares; Shion falou, dando um baixo suspiro. -Mas mudando de assunto, poderia chamar Alister para mim, preciso conversar com ele; o ariano pediu.
-...; O cavaleiro assentiu, deixando a biblioteca, já imaginando o conteúdo da conversa entre o pisciano e o irmão.
VI – Um Anjo da Guarda.
Desceu as escadarias dos templos a passos rápidos, querendo passar o mais rapidamente por Peixes, sem correr o risco de encontrar com seu guardião no meio do caminho.
Ainda ouvia as palavras de Shion ecoando em sua mente, sobre a carta que recebera de seu pai.
-"Ainda tem o disparate de escrever, deveria manda-lo para o inferno de uma vez"; ela pensou, serrando os punhos com tamanha força que mal sentiu as unhas cravarem-se sobre a palma da mão, criando cortes profundos;
Parou por um momento, respirando fundo ao sentir um nó se formar em sua garganta, pensou que ao chegar ali poderia ao menos esquecer de metade das coisas que havia passado, mas tudo por culpa daquela maldita carta, toda sua calma e concentração se esvaiam.
-Lembrança-
Os orbes amendoados cintilaram de pura curiosidade, ouviu um barulho de algo se mexendo dentro do quarto e logo supôs que ela havia acordado. Sorriu, abrindo a porta com cautela, vendo as cortinas abertas, iluminando o berço de madeira.
Aproximou-se, vendo que ela realmente havia acordado. Sorriu, erguendo-se na ponta dos pés, tentando vê-la, mas ainda era muito pequena para alcançar a guarda do berço.
Virou-se para trás, deixando os olhos correrem por todo o cômodo, até encontrar um banquinho não muito longe de onde estava. Aproximou-se do mesmo, puxando-o para perto do berço.
Com cuidado, ergueu a barra do vestido florido e conseguiu subir no banquinho. Sorriu alegremente ao ver os bracinhos erguidos tentando alcança-la.
-Que bonitinha; ela sussurrou, colocando um braço para dentro do berço, brincando com a criança que estava ali.
Fazia pouco tempo que seus pais haviam lhe dado uma irmãzinha, ela era tão pequena e frágil, como uma boneca de porcelana; Eurin pensou, com os orbes brilhando.
Estava tão distraída, que mal notou quando a porta do quarto abriu-se com brusquidão.
-O que esta fazendo aqui? –Lygia perguntou, aproximando-se perigosamente.
-Mãe, ela acordou; Eurin avisou, voltando-se para a mãe sorrindo, mas rapidamente este morreu em seus lábios, quando a mesma deu-lhe um tapa no rosto, fazendo-a perder o equilíbrio e ir ao chão.
-Já não lhe disse que não quero você aqui; ela avisou, apontando para o berço.
-Mas...; A garotinha balbuciou, com os olhos rasos de lagrimas, sentindo o braço doer aonde batera com a queda. Não entendia porque a mãe não gostava que se aproximasse da irmã, alias, era jovem de mais para entender metade das coisas que eles lhe impunham.
-Seu pai já não lhe avisou o que você vai ter de fazer e que não deve ficar se apegando a esses sentimentalismos baratos; Lygia falou, aproximando-se dela, mal deixando-a levantar-se e já a arrastava para fora do quarto. –Não quero mais lhe ver aqui, ouviu bem? –ela vociferou.
Encolheu-se diante do olhar entrecortado dela.
-O que esta acontecendo aqui? –Eduardo perguntou, aproximando-se ao ouvir a voz alterada da esposa.
-Pai; Eurin murmurou.
-Quantas vezes já lhe disse que não quero lhe ver chorando, amazonas fortes jamais choram, quer matar a nossa família de vergonha? –ele perguntou, com um olhar gélido.
-...; Negou com um aceno.
-Ótimo, vá arrumar suas coisas, você vai embora amanhã; ele avisou, voltou-se para a esposa. –Vá ajuda-la a arrumar as coisas;
Com um olhar contrariado Lygia seguiu pelo largo corredor da casa, levando a criança consigo.
-o-o-o-o-o-
Segurou com força a sacola de viagens que tinha em mãos, sentindo o corpo tremer a cada passo que dava em direção a rodoviária, onde iria encontrar com aquela que lhe treinaria pelos próximos seis anos.
Estancou por um momento, respirando fundo, mas mal pode fazer isso, sentiu alguém lhe empurrar.
-Ande logo, Isabel não vai ficar esperando; Eduardo falou seco.
-...; Assentiu, apressando o passo.
Logo avistou uma jovem de melenas azuis os esperando, ela não parecia nenhuma pessoa fria e insensível como o pai vivia dizendo que uma amazona deveria ser. Conseguia sentir uma aura amistosa vindo dela, embora ainda não soubesse o que isso queria dizer.
-Não nos envergonhe; ele falou, antes de deixa-la, mal cumprimentando Isabel.
-Fim da Lembrança-
Respirou fundo, mas não foi capaz de conter que um soluço espaça-se de sua garganta. Não podia se dar ao luxo de ser fraca, não depois de tudo aquilo, mas mesmo depois de se tornar amazona, com todas as glorias de Isabel, não conseguia ignorar todo aquele inferno que passara para chegar até ali.
Encostou-se em um pilar de mármore, nem ao menos se importando em saber em que templo estava, deixou-se escorrer até o chão, retirando a mascara por um momento, passando a mão insistentemente pelos olhos para conter as lagrimas.
-Quem esta ai? –a voz do virginiano ecoou na frente do templo.
Recolocou a mascara rapidamente, levantando-se.
-Sou eu Shaka; Eurin respondeu, tentando manter a voz firme.
-Algum problema Eurin? –ele perguntou preocupado, elevando o cosmo, fazendo com que as luzes em frente ao templo se acendessem, enquanto se aproximava.
-N-não; ela respondeu, com a voz tremula.
Parou a poucos passos da jovem e mesmo estando de olhos fechados, ela sabia que era tão transparente para ele, que não precisava falar mais nada.
-Vem comigo, quero te mostrar uma coisa; ele falou, com ar calmo, indicando-lhe o interior do templo.
-Me desculpe Shaka, mas não quero incomoda-lo, e...;
-Não esta; o cavaleiro a cortou, encaminhando-se para dentro do templo, dando a entender que ela deveria segui-lo sem arrumar desculpa alguma, para ir embora.
Seguiu-o pelo interior do templo, surpreendendo-se com o quão metódico ele era, tudo perfeitamente organizado e a decoração do templo era impressionante, em todos os cantos via telas retratando passagens da historia indiana, as cores das paredes eram claras, que variavam entre amarelo e azul bem claro, criando um ambiente bastante reconfortante.
-Digamos que é mal do signo; Shaka respondeu com um meio sorriso, parando em frente a uma porta com entalhes de nenúfar.
-Uhn? –ela murmurou confusa.
-Ser metódico; ele respondeu, fazendo as portas se abrirem.
-Desculpe, eu não...; Eurin balbuciou, pensando que o mesmo lera seus pensamentos.
-Não li seus pensamentos; o virginiano respondeu, vendo-a voltar-se em sua direção, aparentemente surpresa. –Já estou acostumado que as pessoas pensem dessa forma quando entram aqui; ele justificou, ouvindo um discreto suspiro de alivio. –E acredite, não sou dado a ler o pensamento das pessoas, mesmo porque, prefiro que elas falem o que pensam, do que terem alguém invadindo-lhes a privacidade; Shaka completou, indicando para que ela entrasse.
-...; Eurin assentiu, mas antes que desse um passo para dentro da sala, estancou ao ver um imenso jardim, como não o vira do lado de fora? –ela se perguntou.
-Essa é Twin Sall; Shaka explicou, apoiando a mão sobre seu ombro, guiando-a para o interior do jardim. –É um lugar agradável para se meditar, dizem na Índia, que ao pé das arvores gêmeas era onde Buda sentava-se para meditar; ele explicou.
-Lindo; ela sussurrou, deixando os olhos correrem por todo o campo florido que tinha a sua volta. Era como se estivesse em uma dimensão completamente alternativa ao mundo lá fora.
-Costumo meditar aqui, naqueles momentos que surgem duvidas e incertezas. Quando quiser um lugar calmo para pensar, fique a vontade para vir até aqui a qualquer hora; Shaka completou.
-Obrigada, mas...;
-Não é incomodo algum, não se preocupe; ele a cortou, antes mesmo que Eurin completasse o pensamento.
-...; Eurin assentiu, sorrindo por baixo da mascara.
Realmente, nada melhor do que estar naquele lugar para pensar, descansar a mente de tudo lá fora. Era incrível como cada guardião tinha uma personalidade completamente diferente, enquanto queria distancia de uns, de outros, só tinha a agradecer aos deuses, por tê-los colocado em seu caminho.
VII – Ultimato.
Abriu a porta, encontrando a figura imponente do Grande Mestre do outro lado da escrivaninha lhe esperando, embora ele estivesse usando uma mascara, sabia que Shion lhe fuzilava com o olhar.
-Mandou me chamar, mestre? –Alister perguntou, vendo-o silenciosamente indicar-lhe a poltrona vazia.
-Quero conversar com você sobre um assunto importante; Shion começou, com um tom frio de voz, pouco usual de sua personalidade.
-E o que é? –ele perguntou, cauteloso.
-Quero que se afaste de Eurin; o ariano respondeu, a queima roupa.
-Como? –o pisciano perguntou, arqueando a sobrancelha. –"Até ele";
-Isso mesmo que entendeu; Shion falou, veemente.
-Mestre, não sei o que esses fofoqueiros andaram falando para o senhor, mas eu não tenho nada com essa amazona; ele se defendeu.
-Alister, não se faça de inocente, porque eu não sou idiota para acreditar nisso; Shion vociferou. -Não é porque estou o tempo todo aqui em cima que não sei o que acontece na arena ou nos arredores do santuário; Shion falou, fazendo o pisciano estremecer.
Engoliu em seco, o que será que o mestre sabia para lhe falar dessa forma.
-Eurin não é mais uma daquelas amazonas infames que só estão aqui pelo status e não pela missão que a deusa lhes confiou ao serem sagradas. Ela tem seus objetivos a seguir e não precisa de nenhum Don Juan para lhe atrapalhar;
-Mestre, não sei o que andaram lhe falando, mas...;
-Cale-se, ainda não terminei de falar; Shion falou, pegando-o de surpresa.
-...; Alister assentiu, abaixando os olhos.
-Vou lhe dizer apenas mais uma coisa e é melhor que guarde muito bem as minhas palavras; o ariano falou em tom perigoso. –Eliot pode ter sido um anjo de mestre para você, seus pais podem ter sido as melhores pessoas do mundo, deixando que você escolhesse estar ou não aqui. Mas nem todos tiveram o mesmo privilegio que você, então não torne a vida de Eurin um inferno maior do que já é, apenas por um capricho; ele completou.
-Uhn? –murmurou, com um olhar confuso. Do que ele estava falando?
-Se eu souber que você a esta perseguindo de alguma forma, acredite... A Austrália vai ser o lugar mais perto, se comparado ao lugar que vou lhe mandar; ele avisou, levantando-se de maneira tão imperiosa que o pisciano imaginou-se encolher diante dele.
-...; Assentiu freneticamente.
-Agora pode ir; Shion falou, dando por encerrada aquela conversa.
Deixou rapidamente o ultimo templo, com mil e uma perguntas sobre o que o mestre queria dizer, até chegar em casa.
Continua...
