Após ler HetaOni, certifique-se que você não está falando coisas sem sentido

Boa leitura


Cap. 04

Ao som do piano

Canadá não se importava se todas as nações o miravam com descrença. Ao menos atenção ele tinha agora, e nem precisou gritar. Estava pronto para defender o irmão, ainda que não fizesse idéia de como começaria a explicar os fatos. Felizmente não precisou. Russia fez isso por ele.

_ Canadá tem razão. Quando aquela coisa apareceu, pensei que era esse amigo que América nos tinha apresentado antes, mas não era.

_ Estamos enganados? _ Japão indagou.

Canadá balançou a cabeça confirmando:

_ Eu moro perto do América e me encontro com Tony várias vezes. Eles realmente são parecidos. Mas mesmo assim... Tony nunca atacaria América.

De repente todos recuaram um passo, surpresos demais com a notícia.

_ Atac... _ China tentava formular uma frase _ Aquilo atacou ele?

_ Somente um de nós foi atacado. América foi jogado contra a parede, mas ainda estava consciente e atirou naquilo. Não teve nenhum efeito, mas... _ A voz de Canadá ia ficando cada vez mais fraca e algumas poucas lágrimas brotavam de seus olhos, embora se negassem a cair.

Inglaterra assistia ao jovem perplexo. Canadá tinha um coração bom demais para encenar sobre algo tão sério e aquela expressão triste só fazia o britânico materializar a possível cena em sua cabeça. Onde quer que estivesse, América estava machucado.

_ Como eu disse, pensávamos que era amigo de América _ Russia continou o depoimento _ Mas quando aquilo o atacou e América lutou sério... Nós nos demos conta de que estávamos errados

_ Então foi por isso que ouvimos os tiros! _ Inglaterra exclamou nervosamente.

_ Não tínhamos idéia do que fazer. Ele ficou encurralado e quando tentamos fazer algo, gritou para ficarmos longe.

_ Eu pensei que a coisa estava somente atrás de América. _ Canadá prosseguiu com voz de culpa _ Ela era muito forte pra nós três, então nós corremos pra chamar a atenção daquilo. Eu não podia lutar, então... Baixei minha guarda por um momento. Quando eu voltei, a criatura e América foram... Embora. Eu... Eu sinto muito por todo problema que eu causei a você, Russia.

Todos olharam para Russia, que pareceu ligeiramente surpreso. Talvez sensibilizado (ou algo próximo disso) com as palavras do mais novo, o país do gelo balançou a mão como quem pede para "deixar pra la":

_ Não, você não foi totalmente uma carga. Bem, confesso que é difícil lutar protegendo alguém… Mas se quiser me agradecer fazendo algo como "torna-se um com Rússia"... _ Riu sem querer e fitou os demais _ Em todo caso, nós quisemos salvá-lo, mas não sabíamos pra onde eles tinha ido. Decidimos procurar na sala de jantar e então a coisa apareceu outra vez na cozinha e China se uniu a nós.

Enquanto a história era contada, Itália ouvia estalos vindo da lareira e decidiu conferir.

_ Em outras palavras, três de nós estão desaparecidos. _ Russia concluiu _ América não estar por trás disso e devemos esperar o pior.

_ Au! _ Itália chiou de repente, chamando a atenção de todos.

_ O que houve? _ Inquiriu Alemanha, já forçando as sobrancelhas pra baixo

_ Tem alguma coisa na caixa de madeira que eu queimei... Só um minuto...

_ Tome cuidado.

_ Ahá! Peguei... Quente! Quente! Ufa. _ Abriu as mãos para ver o que era _ Uma chave! É uma chave para alguma sala!

_ Já é um começo _ Falou Japão convicto _ Encontrarmos uma maneira de escapar era nossa prioridade, mas agora temos que salvar nossos amigos. Se estivermos juntos, vamos achá-los. Aqueles três são bem tenazes. Tem que estar em algum lugar…

Russia passou os dedos pelo seu cachecol e escondeu o que poderia ser um sorriso:

_ Amigos, heim...? Soa bem. Eu estava surpreso antes, mas a próxima vez que eu encontrar essa coisa, terei muito para agradecer a ela.

_ Então vamos logo. _ Inglaterra deixava clara a sua impaciência _ Não quero mais ninguém deixado pra trás.

_ Eu tenho um plano _ Japão falou levantando três dedos das mãos _ Vamos nos dividir em três grupos, já que temos muito o que fazer. Todos os grupos tem que ter, pelo menos, duas pessoas.

_ É, aqui tem tantas salas... _ Itália suspirava enquanto cruzava os braços e olhava para o teto _ Aquelas que podemos abrir, as que nós não podemos abrir e as que ainda não checamos.

_ Sim, por isso vamos nos dividir. Agora, nossos relógios estão dessincronizados, então...

De repente algo esmurrou a porta com tanta força que quase a quebrou. O susto foi tão grande que Itália soltou um berro e pulou pra trás enquanto China, Russia e Japão se levantavam rapidamente das cadeiras.

Junto com os murros se ouvia aquele chiado característico vindo do morador da casa. Canadá sentia um mal estar sem tamanho e tentava se apoiar debilmente na mesa antes que caísse sobre os próprios pés.

_ Ele nos encontrou. _ Japão tentava não demonstrar o próprio receio _ Essa sala já não é mais segura.

Outro murro na porta, e dessa vez foi capaz de fazer o chão tremer. Itália rapidamente se jogou em Alemanha, que o abraçava sem tirar os olhos da entrada da sala.

_ E aqui alguma vez foi seguro? _ Inglaterra questionava tenso _ Shit! O que vamos fazer agora?

_ Eu vou lidar com essa coisa. É melhor Alemanha e Itália irem até a sala dessa chave que estava na caixa de madeira.

_ Então eu vou lutar com você, Japão. _ China correu para perto do irmão.

Outro murro, e as dobradiças da porta começaram a ceder. Russia olhava para o pedaço de madeira com um olhar levemente sádico.

_ Posso ficar com vocês? Eu realmente tenho assuntos a tratar com aquilo.

Mais uma batida furiosa. Inglaterra correu até Canadá e agarrou seu braço, fazendo o americano voltar a si:

_ Canadá, venha comigo. Vamos à sala do piano! Os outros nos encontrarão la!

Quando finalmente a criatura quebrou o obstáculo, avançou rapidamente em Japão, que conseguiu saltar a tempo de se desviar.

_ VÃO! _ O asiático gritou, indo de encontro à criatura.

Itália usou sua melhor corrida, puxando como podia Alemanha pela mão, enquanto Inglaterra fugia segurando firmemente o braço de Canadá.

Dentro da sala, o monstro conseguiu prensar Japão na parede e acertar um golpe tão violento em seu peito que o asiático jurou que seu coração pararia de bater. Sangue saiu pela sua boca, e o mundo só foi parar de girar quando ouviu a voz de China.

_ LARGUE ELE!

Cada palavra foi seguida de hits tão violentos que a criatura sentiu dor. Largou Japão para trocar de alvo, mas antes que conseguisse segurar China, uma lâmina afiada fo atirada em sua pele, perfurando-a e dando tempo da nação fugir.

Logo os dois irmãos se uniram a Russia.

_ Não é com frequencia que nós três fazemos algo juntos… _ O senhor do gelo comentou _ Isso chega a ser engraçado.

Japão mirou seus dois aliados antes de se voltar para o oponente, que jogava a arma de Russia para longe e lentamente se aproximava:

_ Eu queria que nós trabalhássemos juntos de uma forma um pouco mais harmoniosa.

_ Huh? _ China mirou o irmão com repentina incredulidade _ Espero que não queira que nós três sejamos amigáveis e sorridentes.

_ Eu acho que uma união como essa seria muito adequada.

O oponente afastou as pernas e os braços, fechando os punhos e encarando os três. China respirou fundo:

_ Japão, quando voltarmos pra casa, eu farei seu prato chinês favorito, então dê o seu melhor.

_ Ganhei mais um motivo pra escapar.

_ Eu também quero comer _ Russia olhou para China como se estivesse sentido por ter sido deixado de lado _ Se saírmos sãos e salvos, posso dar uma passada na sua casa? Você não vai se incomodar, vai?

_ Se saírmos sãos e salvos, eu irei pensar no seu caso.

O monstro repentinamente bateu no chão, fazendo os três perderem o equilíbrio, e tratou de atacar Russia, mas Japão avançou com sua espada em sincronia com dois golpes de kung-fuu potentes do irmão mais velho.

Russia conseguiu escapar e pegar sua arma de volta, mas antes de atacar, seus olhos se cruzaram com aqueles enormes e bizarros da fera ao seu lado. Três contra um. Se aquilo intimidou ou não o adversário, era um mistério, mas o mostro novamente sumiu antes de levar qualquer outro golpe.

_ De novo? _ China pisou no chão impaciente _ Isso nos ataca pra depois sumir... Não dá pra saber se ganhamos ou perdemos.

_ Talvez isso nunca termine e fique sempre reaparecendo _ Russia piscava realmente sem saber como reagir _ Sabe... Isso já está ficando cansativo.

Deixou os irmãos asiáticos conversarem sozinhos enquanto se aproximava da lareira tentando identificar um barulho que o incomodava. Japão, por sua vez, tirava a poeira da roupa, até se deparar com o olhar preocupado de China.

Tinha que reconhecer o espírito virtuoso do irmão mais velho. China era dono de uma personalidade fantástica que mesclava a tradição e o instinto acolhedor de um ancião com a graça e a festividade de uma criança. Coisas que Japão, por não ser bom com palavras, jamais conseguiria confessar ou, mesmo, demonstrar.

_ Você não se machucou, certo? _ O mais velho quis saber.

Japão saiu de seus devaneios.

_ Não. Seu apoio foi perfeito. _ Passou a olhar, sem emoção, para o local onde a criatura estava _ Ele pareceu mais forte comparado com o que era antes. Se eu tivesse lutado sozinho, não teria chances.

Os olhos de Japão pareciam mais melancólicos.

_Muito obrigado pela ajuda. _ Murmurou por fim.

_ Ah. Nada. Hm... E você ainda não me contou como sua roupa manchou de tomate.

_ Itália acordou assustado quando o monstro atacou e começou a jogar tomates para espantá-lo, mas acabou me acertando. O cheiro ficou insuportável e o jeito foi usar a roupa como combustível na lareira.

Do nada, uma sílaba de insatisfação saiu da boca de Russia e o som de algo se quebrando foi ouvido.

_ Hn? _ Japão se aproximou dele _ Aconteceu alguma coisa?

_ Nada de mais. O "tic tac" desse relógio estava muito forte, então eu o quebrei. Me desculpe se era alguma pista, mas isso estava realmente irritante.

_ Um relógio...? _ o asiático fitou os pedaços de um relógio comum de corda. _ Agora que você mencionou isso, eu não sei que horas são nessa casa. Nossos relógios estão fora de sincronia.

China fez uma careta enquanto encolhia a manga da roupa para checar as horas:

_ O tempo está realmente estranhos, aru. Mesmo que nós tivéssemos vindo na frente do grupo do Japão, eles tem estado aqui por muito tempo. Em todo o caso... São 11:42 no meu relógio.

_ Huh? _ Russia checou o próprio relógio _ Mas o meu está sincronizado com o seu, China.

_ Sério?

_ O que? _ Japão rapidamente conferiu o seu _ Arh! São 11:42 no meu também... Mas era 6:00 agora há pouco.

_ Será que foi por que quebrei o relógio?

_ É possível. _ China falava impressionado _ Pelo menos neste quarto o tempo está certo. Talvez nós possamos trazer o tempo de volta ao normal se quebramos os relógios.

Japão assentiu com um breve movimento na cabeça:

_ Então nós iremos quebrar os relógios desse quarto. _ Sugeriu _ Se nós fizermos isso, talvez... Talvez... _ Diminuiu o ritmo de suas frases gradativamente, certo de que havia algo errado com elas _ Possamos salvar... França e... América, certo?

Russia e China ergueram as sobrancelhas, mas antes que algo fosse dito, ouviu-se um repentino som eletrônico.

_ Russia, seu celular. _ China o alertou.

_ Huh? _ O senhor do gelo tirou o aparelho do bolso do casaco _ Incrível... Assim que o tempo se ajeitou, o telefone começou a funcionar… Ou não. A antena não está no topo. Bem, vou colocar no viva-voz. _ Apertou a tecla para atender _ Quem é?

De repente uma nota musical soou de algum lugar e logo a ligação caiu.

_ Parece que a linha foi cortada. _ Russia sibilou olhando para o próprio aparelho.

_ Um bug? _ China arriscou.

_ Eu nunca ouvi falar em um bug de telefone _ Comentou Japão caminhando para a porta _ O que acabamos de ouvir foi um piano. É melhor nos encontrarmos com Inglaterra.

Sem mais nada a fazer naquela sala, todos foram embora.


Itália e Alemanha andavam pelo andar mais baixo procurando a porta a ser destrancada por aquela chave.

_ Sabe, aquele cara ficou um pouco maior do que a última vez que nós o vimos, você não acha? _ O Veneziano falava pensativo _ Acho que devíamos voltar pra ajudá-los.

_ Temos que confiar naqueles três. É melhor entendermos totalmente essa casa. Vamos procurar nesses quartos mais uma vez.

Itália saiu andando à frente, experimentando a chave nas portas que encontrava naquele andar. Cercando-o como um guarda-costas, estava um Alemanha bem alerta a qualquer movimento. O loiro seguiu o menor enquanto o via tentar abrir porta por porta sem sucesso, até que adentraram um corredor cheio de salas em estilo japonês.

Nele havia uma porta trancada.

_ Vee...! Alemanha, a chave entrou aqui! _ Itália, feliz, destrancou-a.

Alemanha olhou para os lados a procura de algo suspeito, enquanto Itália, distraído, abria a porta sem tirar os olhos do loiro. Foi de repente que Alemanha olhou para frente e viu a criatura com os braços abertos na frente do amigo.

_ITÁLIA! _ Puxou-o pelo braço bruscamente e disparou cinco tiros de pistola, fazendo a criatura recuar lesionada.

Alemanha nunca soube como correu tão rápido para longe dali, nem como conseguira fazer isso com Itália em seus braços. De fato era mais forte do que pensava, pois o peso do Veneziano não fazia muita diferença. Sabia que a criatura estava o seguindo, mas não olhou para trás.

Entrou no primeiro banheiro que encontrou e passou o trinco na porta imediatamente, deixando Itália novamente no chão.

_ Ar...! Ar...! _ Trêmulo, Veneziano cravou seus dedos na roupa do amigo, que o abraçou automaticamente e manteve-se em alerta _ Foi assustador...

_ Xiu.

Procurou ouvir qualquer barulho. Nada. A coisa já tinha ido embora.

_ Itália, eu vou vasculhar o resto dos quartos. Você fica aqui.

_ Não! _ Itália afundava seu rosto no ombro do amigo e cerrava os dentes. Para a surpresa do loiro, o rapaz estava choroso _ Eu vou com você... Eu to com muito medo... Mas vou com você! Não me deixe sozinho de novo!

_ Itália...

Mesmo sem compreender o amigo, Alemanha absteve-se de fazer qualquer pergunta. Permaneceram quietos por algum tempo. Itália mantinha uma expressão sofrida muito incomum enquanto sentia seus cabelos acariciados. Havia algo que ele queria desabafar, mas não sabia como. Não podia.

O menor se afastou e enxugou as próprias lágrimas com a mão. Respirou fundo, recobrando as forças, e olhou decidido para o amigo, que agora abria a porta do banheiro.

Realmente a criatura tinha ido embora.

Alemanha segurou a mão do amigo e seguiu com ele pelo assoalho. Caminharam até a sala de jantar em busca de indícios, até abrirem uma porta anexada à cozinha.

Acabaram chegando a um compartimento fechado, com algumas bancadas.

_ Nada. _ Alemanha concluiu.

_ Não... Espere, eu... Eu sei que... Tem alguma coisa aqui...

_ Hn?

_ Em algum lugar... Eu... Lembro...

As mãos de Veneziano se arrastaram em uma das bancadas e começaram a fazer alguma força contra ela. O rapaz arrastou o objeto e logo um cofre se revelou por trás daquilo, para a surpresa de Alemanha.

_ Itália...? Como...!

_ Isso! Um cofre! _ Ele tentou abri-la, mas era em vão _ Está trancado.

_ Claro que está! Senão não seria um cofre! _ Apontou para os quatro dígitos _ Precisa de uma senha de quatro dígitos. Viu?

_ Ah.

_ Vamos dar mais uma olhada.

Os dois saíram do local e andaram até a sala recém aberta. Era um corredor com quartos tradicionalmente japoneses, sem muitos móveis. Numa delas, Itália achou um armário vazio... Ou quase vazio, se não fosse por um mísero pedaço de papel.

_ Ei! Ei, Alemanha, olhe! _ Com um súbito sorriso de orelha à orelha, Itália ergueu o que encontrou _ É um papel com dois dígitos zeros coloridos. É igual ao que o Japão achou!

_ Deixe-me ver isso...

De repente o celular de Itália tocou.

_ Huh? Meu celular funciona aqui? _ Pegou o aparelho e olhou a tela _ Vee...! É uma chamada não identificada! _ Colocou-o no ouvido _ C... Ciao?

Uma nota musical foi ouvida e logo a ligação caiu.

_ Huh?

_ O que foi? _ Indagou Alemanha.

_ Eu não tenho certeza... Mas acho que ouvi um som... E a ligação foi cortada. Um som de um piano.

_ Piano, não? Hm... Vamos então até o Inglaterra. Os outros provavelmente se juntarão a nós.


Quando Inglaterra entrou na sala do piano, fechou aporta e olhou Canadá dos pés à cabeça, como se quisesse ter certeza de que não faltava nenhum pedaço. Talvez porque, mesmo que o europeu não o tenha criado desde a infância como ocorreu com América (mas tão somente tomado de França, assim como Seychelles), Inglaterra ainda nutria uma certa simpatia pelas suas ex-colônias. Tanto que era um dos poucos, senão o único, a sentir a falta do americano no G8 (embora sempre demorasse a perceber que o faltoso era Canadá).

Ou então porque o Reino Unido da Grã-Betanha e Irlanda no Norte era tão velho que dificilmente conseguia ver que as nações mais novas podiam cuidar de si. Aliais, o fato de Inglaterra ver suas antigas colônias como crianças incomodava América, mais do que qualquer outra nação no mundo todo.

_ Ok, Canadá, vamos examinar essa sala.

_ Ah, claro. Hm... Primeiro, esse piano _ O mais novo contornou o instrumento e mexeu nos próprios óculos ao olhar para as teclas _ Isso tem números, olhe.

O europeu aproximou-se do rapaz e se deparou com os números coloridos riscados grosseiramente nas teclas do piano, formando essa sequencia: 2, 3, 5, 1, 4, 7,2, 8, 3, 6, 9, 5.

_ Havia algo que precisássemos de números? _ Inglaterra inquiriu.

_ Não.

_ Hm...

_ Números… Eles tem que ser um código para algo. Alguma coisa que use números... _ Massageava o próprio queixo pensativo _ Números… Enigmas… Segurança... Talvez um lacre de segurança… Mas essa casa não é de alta tecnologia... Então... Um cofre... Ou algo assim.

_ Hei! No quarto ao lado tem muitos livros! Eu vou até lá e você me espera aqui.

_ Oh, sim, tome cuidado.

Inglaterra fechou a porta e foi embora, deixando o americano sozinho com seus pensamentos:

_ Ahn... O que eu estava pensando mesmo...? _ Baixou a cabeça _ Ok. Primeiro, o piano... Deus, América só nos coloca em problemas. Por que ele não tem um pouco de consideração?

De repente ouviu um "clic" e alguém abriu a porta.

_ Inglaterr... AHH...!

Quem acabara de entrar fora justamente aquele monstro, que agora andava debilmente e olhava para os lados como um bicho sedento por um pedaço de carne crua. Canadá cobriu a boca sem ter forças para reagir, e a medida que a criatura se aproximava, seu estado piorava. As pernas estavam bambas, o coração há mil por hora e o cérebro estava, praticamente, fora de funcionamento.

Viu o monstro olhar para todos os lados, e até se aproximar dele cada vez mais. Todavia, a criatura agia como se não houvesse ninguém ali.

"Por que isso têm que acontecer logo quando estou sozinho? Será Todos os outro foram mortos?" Suou frio "Não, nem posso pensar nisso"

O monstro chegou bem perto de Canadá, cujo corpo sequer se movia. No entanto, ao invés de atacar a nação, o monstro olhou para o piano.

"Ele não consegue me ver".

A criatura deu meia volta e foi embora, caminhando pesada e lentamente. Quando finalmente o perdeu de vista, Canadá abraçou seu urso e se encostou no instrumento aliviado.

_ Komagorou, o que essa casa tem? Aconteceu todo tipo de coisa estranha comigo hoje. Eu nem sei se rio ou se choro...

A porta se abriu novamente e Canadá se forçou contra o objeto. Felizmente quem a abriu foi Inglaterra.

_ Não tem nada de especial naqueles livros.

_ Sério...?

O europeu, ao notar o estado do mais novo, franziu o cenho:

_ Aconteceu alguma coisa?

_ Não... Eu vejo agora... Como o fluxo do tempo ficou estranho... Você não encontrou ele...

_ Heim?

_ Eu acho que a criatura não virá a esse quarto por enquanto... Isso... Isso é tudo que posso dizer.

Alguns minutos depois, a porta foi novamente aberta e logo Japão, China e Russia se juntaram a eles, seguidos de Itália e Alemanha. Não demorou para que começassem a relatar o que encontraram durante o tempo que estiveram separados.

_ ...E quando quebramos os relógios, ajustamos o tempo _ Japão explicava _ Então é isso que temos que fazer. Já quebramos os relógios no primeiro e segundo piso.

_ Nós achamos esse pedaço de papel e um cofre numa sala dentro da cozinha. _ Itália mostrou a pista.

_ Um cofre? _ Canadá inquiriu surpreso _ Talvez os números da senha… Seria algum tipo de indício? Talvez tenha alguma relação com o papel...

De repente um celular tocou e Inglaterra corou desconsertado ao perceber que era o seu.

_ Ah... Desculpe... _ Pediu como um bom cavalheiro após um leve descuido _ É o meu.

_ De novo? _ China franziu o cenho _ O de Russia tocou agora a pouco. Só que caiu e... Ouvimos um piano.

_ O meu também tocou! _ Itália afirmou surpreso _ E também ouvi um piano!

_ Piano? Ah, esperem, eu vou atender.

Inglaterra mal colocou o telefone no ouvido e uma nota musical soou no mesmo momento que a ligação foi cortada.

Silêncio.

O europeu desligou o celular e olhou para todos calado. Não precisava dizer nada para que todos tirassem as mesmas conclusões.

_ É, foi realmente um piano. _ Japão falava piscando sucessivamente _ Mas ouvimos uma nota diferente quando o de Rússia tocou. Italia, você também ouviu?

_ Sim. Quando minha ligação caiu, foi uma nota diferente que eu ouvi.

_ Tudo isso são indícios... Quem sabe se desvendarmos isso, possamos logo encontrar América e França.

De repente todos abriram mais os olhos.

_ Que? _ Itália foi o primeiro a contestar...

_ Do que você está falando? _ ...Seguido de um confuso Inglaterra.

_ Ahn... Eu disse algo errado?

China abriu a boca e balançou a cabeça sem entender, até que recorreu instintivamente ao olhar de Russia.

_ Russia...

_ Sim, eu sei. Está tudo bem.

_ Perdão? _ Japão continuava confuso.

_ Você perguntou se disse "algo errado". _ Inglaterra interveio _ Não que eu me importe em lhe corrigir, mas… Pobre Prússia.

_ Huh?

_ É, Japão _ Itália se aproximou do amigo _ Por que disse "América e França"? Quem nós temos que salvar é França e Pussia.

Foi a vez de Canadá exclamar incrédulo:

_ Como é!

_ V... Vamos, o que há de errado com vocês? _ Inglaterra abria os braços impaciente _ Nós estamos aqui pra salvar América, não estamos? Nem França nem Prússia vieram a este lugar.

Alemanha ergueu as sobrancelhas pensando seriamente se deveria lembrar a Inglaterra que fora ele que mencionou o nome de Prussia segundos atrás.

_ Somente América? _ Japão hesitava _ Não, espere um minuto. B… Bem, América disse no lugar do encontro que quis vir… E eu disse… Eu tinha ido com ele… Então eu vim pra ca com América...

_ Espere, Japão... _ Itália apoiou as mãos em seus ombros preocupado _ O que está acontecendo com você? Nós três viemos com Prussia, lembra? América não veio e França se separou de Russia e dos outros...

China mirava tudo incrédulo.

_ Esperem! _ Inglaterra insistia _ América foi o único que desapareceu, não? Por que vocês insistem em falar desses dois?

Um silêncio se instalou na sala, enquanto todos se olhavam confusos. Japão abandonou os braços ao lado do corpo e abriu a boca sem entender:

_ O que está acontecendo...?

Continua


Hehehe! Gente, antes de qualquer coisa é preciso corrigir as informações que andamos dando. A pessoa que traduz o game de japonês para inglês deixou um comentário no f.f-net explicando.

"A pessoa que fez o jogo se chama Tomoyoshi. NicoNico é o nome do site onde a série foi originalmente postada. Segundo, a Tomoyoshi é, até onde eu sei, a única artista (eu também pensei que fossem quatro ou cinco, no início). As imagens esquisitas de alguns personagens (Alemanha, Inglaterra, etc) se devem ao fato de que HetaOni é uma paródia de um jogo chamado Aooni, em que os personagens tinham essa aparência engraçada."

Hahuahauha! Então foi pessoal mesmo a sacanagem que fizeram com o Inglaterra e o Alemanha XD

E se estiver lendo isso, Gemini Artemis, queremos muito o resto do game em inglês porque queremos MUITO ver a atitude linda do Inglaterra para salvar Itália! E de preferência o script do Hetaoni17, parte II, também (Quer dizer, se Tomoyo-dono já tiver postado,of course). Sim, somos suas fãs ^^ (E sabemos que isso tudo dá trabalho, mas... º-º)

E obrigada, Bibi entre as Bis. Rsrsrs. Capítulo postado nesse domingo, conforme pedido XD Que bom que deu pra atender, não? Um abraço!

Bem, por fim, aos que acompanham o jogo, repararam que, na hora de escolher com qual dos grupos vai se jogar primeiro, a jogadora escolheu mover o grupo de Itália, depois o de Japão e por último o de Inglaterra. Bem, resolvemos começar pelo grupo do Japão porque... Bem, fica mais fácil de narrar.

Bem, vamos ver uma ficha... Hm... Ah, claro!

Russia!

Arma: Cano (Parece um cano de água comum... Céus! Mudou!)

Cabeça: Bandana azul

Corpo: Roupa imaculável (Protege-o contra o frio)

Acessórios: Vodka (Ele fica extremamente perigoso quando bebe isso)

O nome do ataque dele é Kolkhoz. Ficou legal, porque kolkhoz era uma espécie de propriedade agrícola coletiva existente na União Soviética. ^^

Se gostaram, comentem! ^^ Abraços!