BLEACH pertence à Kubo Tite.


TRATAMENTO (Parte II)

(Tratamento: Ação de cuidar de pessoa(s); maneira de interagir com alguém; trato.)


Música: Golden Time Lover – Sukima Switch

Eu vou fazer um rosto inexpressivo com todas as minhas forças
Me arraste para um mundo de ilusão
Sair desse interminável jogo do prazer
E pular para a linha da vitória

-x-

Grimmjow olhou para a pequena pilha de papel em cima de sua mesa, suspirando pesadamente e passando a mão esquerda sobre seu cabelo azulado. Estava atolado de trabalhos escolares e de relatórios sobre suas consultas, que tinha que entregar de tempos em tempos para sua superior Unohana. Ou, como ele gostava de chamá-la, "demônio em pele de anjo". Não sabia como uma mulher como aquela, no auge dos seus 46 anos, conseguia comandar tão bem todo o departamento de medicina da Soul Societey e ainda o curso de psicologia com um doce sorriso maternal no rosto. Ela era realmente digna de toda a sua admiração (e medo).

O homem de cabelos azulados terminou suas divagações e sua pequena pilha de serviço e sorriu, espreguiçando-se e olhando para o relógio. Já era quatro horas da tarde e ele sequer havia almoçado; estava dês das sete horas da manhã preenchendo e arrumando os relatórios de seus atuais pacientes sem pausa, somente comendo vários pacotinhos de Pocky durante esse tempo. Decidiu ir ao restaurante da faculdade-hospital para se entupir de alguma comida gordurosa e se encontrar com alguns velhos colegas de estudo.

Levantou-se e pegou seu cassaco negro, que constratava com sua blusa azul e sua calça jeans meio desbotada e enfeitada com algumas correntes, mas que combinava perfeitamente com seu sapatênis preto. Vestiu o cassaco, e enquanto arrumava sua mesa guardando os papéis e documentos em cada um dos seus devidos lugares, Yl Forte abriu a porta e foi falar com seu chefe.

- Ah, boa tarde; eu não te vi por aí o dia inteiro, Grimmjow-sama. – o loiro colocou um pacote pardo, grande e volumoso na cadeira da mesa de Grimmjow, ajudando-o a guardar os papeis.

- Eu estava trancado aqui, me matando durante o dia inteiro preenchendo esses papéis, que deviam ser a SUA responsabilidade, oxigenado. – Yl Forte só deu de ombros, acostumado com o humor de seu amigo.

- Que eu saiba, fazer seu trabalho sobre os neurônios de psicopatas sexuais não estava no meu contrato quando eu decidi trabalhar com você. – Grimmjow grunhiu algo indecifrável para o loiro, enquanto pegava alguns livros e guardava nas prateleiras próximas. - Me desculpe, eu tive uma palestra, e não pude deixar de comparecer, valia quase metade dos meus pontos o relatório sobre ela e...

- Já chega, Yl Forte. – Grimmjow pegou o pacote pardo que seu empregado trouxe e colocou no peito do loiro, fazendo o mesmo se calar. – Eu sei muito bem das suas e das minhas obrigações. Não precisa se desculpar. – Sorriu para Yl Forte e se encaminhou para a porta. – Mas isso será descontado em seu fim de semana.

- ... Eu devia ter esperado por isso. – Suspirou, e viu Grimmjow abrindo a porta e se preparando para sair. – Ei, aonde você vai?

- Vou comer algo e ir para casa, não sei o que é comida de verdade há dois dias. – disse com a mão na maçaneta e olhando para Yl Forte com uma expressão de "você é idiota?".

- Acho que não, chefinho. – Estendeu o pacote para Grimmjow. – Essas daqui são as fichas dos novos pacientes da semana que vem, você tem que dar uma olhada nela – Grimmjow deixou um pelo palavrão sair baixo de sua boca - ...e me dizer quais casos que você quer pegar para então eu levar para Unohana-sama...

- Vamos fazer assim, Yl-chan: - pegou o pacote e tirou o bolo da folhas que estavam lá, sem ao menos se dignar em olhar uma se quer. Dividiu o conteúdo do pacote em dois montes em cima de sua mesa e apontou para o monte da direita. – Esses são os casos que eu pego, então você entrega essa outra parte – apontou para o monte da esquerda – para Unohana-senpai e depois você volta aqui e peneira os casos que eu peguei para somente sete, ou melhor, cinco casos! – Estendeu a chave do consultório para um loiro surpreso e sem reação. – Eu vou ter sim meu descanso, desfrute do consultório como quiser, mas termina antes das noves por que não quero ver você dormindo aqui de novo e babando no meu sofá. – Abriu a porta completamente, murmurando um "Tchau, tchau" e saindo rápido de perto do consultório. Estava com fome, e isso só piorava seu humor. Não iria ser mais pessoas problemáticas que iriam atrapalhar seu almoço, não mesmo.

-x-

Dentro do consultório, Yl Forte proclamava maldiçoes para seu chefe, além de chamá-lo se "sem coração" e "egoísta que só pensa no seu próprio estomago". Com certeza não daria para terminar nem metade daquelas fichas de pacientes por agora, teria que levar trabalho para casa. Fez como seu "chefe-sem-coração" mandou e entregou a parte esquerda do monte para Koketsu Isane, a assistente pessoal de Unohana e clinica geral. Voltou para o consultório e levantou as mangas de sua camisa pólo branca com leves linha pretas verticais, e retirou seu tênis verde claro (que não combinava nada com sua calça preta, mas "conversava" com todo o restante da roupa, fazendo um look bem casual e descolado, na opinião do loiro) para ficar mais á vontade. Prendeu seus longos cabelos loiros num fraco coque com uma caneta para não se incomodar com algumas mechas que atrapalham sua visão na hora de escrever. Sentou-se na cadeira de seu chefe, e começou a estudar cada uma das fichas. Não estava nem na quinta folha quando sentiu seu celular vibrando no bolso. Atendeu sem ver quem era, não tirando os olhos da folha e sua lapiseira da boca.

- Moshi moshi? – disse meio abafado por causa do objeto entre seus lábios e sem atenção por causa do trabalho.

- ...Eu não acredito que você atende as pessoas com lápis na boca, aliás; eu não acredito que você AINDA tem essa mania!

- Szayel?! – deixou a folha de lado, devido à surpresa – O que você... – lembrou-se da lapiseira e tirou da boca, num movimento brusco – O que você quer? Eu to trabalhando.

- Humpf. Foi bom você ter tirado essa caneta da boca, sabe como eu odeio isso.

- Era uma lapiseira. E eu vou desligar se você não falar por que me ligou.

- NÃO! – "Ele é tão paciente no telefone quanto Ulqui-chan.", pensou o gênio. – Então, é que eu cansei de ter que dormir nos fundos da biblioteca do Stark, sabe?

- Nossa, achei que você tinha aprendido a pular o muro de casa. – Yl Forte disse sarcástico, com um sorriso no rosto e voltando os olhos para as folhas.

- É, vá rindo. Mas eu queria perguntar que hora que você vai sair do trabalho hoje.

Yl Forte pensou por um momento, se falava a verdade ou não para seu irmão. Gostava de encher o saco do rosado, por que ele sempre se achava tão dono do mundo, só por que o livro que ele escreveu ficou em segundo lugar nos mais vendidos e por isso ele nem precise trabalhar, já que vivia praticamente só com o dinheiro das vendas. Decidiu falar a verdade, por que seria bom Szayel ajudá-lo em seu trabalho. Não sabia o porquê, mas seu irmão tinha um grande interesse por psicologia e constantemente o ajudava a selecionar algumas fichas. – Eu devo sair daqui umas noves, dez e meia. Grimmjow me encheu de trabalho, tenho que levar uma parte para casa e terminar aí. Quer me ajudar?

- Está selecionando fichas?

Yl Forte quase sorriu, ao sentir a voz animada de seu irmão. – É, estou selecionando sim. Por que queria saber as horas?

- Ah... – sentiu Szayel hesitar – É por que meu carro já está arrumado, aí eu estava pensando... em te pegar aí, para você não fugir com a chave de novo, é claro.

- Passe num restaurante e pegue comida chinesa para mim. Ouviu um irritado "você não manda em mim!" de Szayel, mas sabia que ele iria pegar a comida. – Eu vou desligar, ao contrário de você, eu tenho que trabalhar.

- Desculpe por eu ter nascido um gênio e você não.

- Aprenda a pular o muro de casa.

- NÃO! Espere-me aí umas... oito e meia, ok? Tchau, irmãozinho! - Szayel nem deu tempo para Yl Forte se despedir, desligou o telefone logo. Yl Forte ficou olhando um tempo para o telefone, como se assim pudesse visualizar o rosto fino e exibido de seu irmão. Balançou a cabeça, decidido em tirar esses pensamentos da mente, e voltou sua atenção para as fichas. Automaticamente, colocou a lapiseira na boca e começou a brincar com ela. Sem perceber, deu um leve e satisfeito sorriso. Nem sempre trabalho de mais era ruim.

-x-

Ulquiorra olhou para suas mãos, enquanto estava sentado no banco da biblioteca "Hueco Mundo". Era uma biblioteca completamente branca, com detalhes pretos, parecia um castelo de mármore. Tinha várias prateleiras logo na entrada, que era de vidro com um grande "Hueco Mundo" escrito de preto na superfície. O balcão, local onde estava, encontrava-se na parede direita e ocupava todo o espaço, dando para o balconista um visão privilegiada de todas as estantes com livros e da área de leitura, logo atrás das prateleiras. A área de leitura constituía-se por mais ou menos vinte mesas de tampo de vidro, cada uma com quatro cadeiras pretas em cada ponta, aonde vários estudantes iam para lá para poder ler e estudar; além de tirarem Xerox na máquina que havia lá. Mais atrás da biblioteca, num espaço onde somente amigos mais íntimos do dono tinham acesso, havia a casa de Stark, dono da biblioteca e sócio de Ulquiorra.

O garoto realmente gostava do ar da biblioteca, onde uma suave música clássica tocava e adentrava em seus ouvidos e o fazia fechar os olhos e mover seus dedos de encontro ao balcão, seguindo as notas profundas com os dedos. Era como se estivesse tocando piano. Em sua infância, ele foi educado com vários tipos de instrumentos, mas somente o piano acalmava seu coração. Era o som da grande caixa de madeira o preferido de sua mãe, então ele se esforçava para tocar mais belamente para ela. Ulquiorra era considerado um prodígio na música quando criança, mas nada disso parecia amolecer o coração do seu pai. Seu pai, que o havia obrigado, mesmo a tantos quilômetros de distância a preencher aquela ficha psiquiátrica. Lembrou-se que o nome do lugar onde ficava o consultório era na mesma faculdade-hospital onde ele havia ficado há cinco dias, quando ele tentou se afogar e ele te salvou. Qual era o nome dele mesmo? Anjo? Repreendeu-se mentalmente, tentando lembrar, enquanto seus dedos ainda trabalhavam no balcão 'tocando' a música. Era uma música meio agressiva, mas que o acalmava por dentro. Era como...

Grimmjow.

- Se alguém quisesse assaltar a biblioteca, teria feito a tempo. – Ulquiorra abriu lentamente os olhos, para dar de cara com Szayel olhando sério para ele. Não acreditava em sua mente, comparou aquela música com Grimmjow! Mas pelo menos conseguiu lembrar-se do nome do homem. – Está tudo bem com você, meu bem? Szayel disse preocupada, dando um passo à frente e passando a mão na bochecha esquerda de Ulquiorra. Foi somente nesse momento que o garoto de olhos esmeraldinas percebeu que estava chorando silenciosamente.

-... Está tudo bem, Szayel. – Retirou suavemente a mão de seu rosto. – Eu só fiquei tocado um pouco com a música, só isso.

- Eu já disse para o Stark-san colocar uma música mais animada aqui; parece que estamos num eterno velório, escutando isso! – Szayel gesticulava enquanto Ulquiorra ia para trás do balcão, limpando o rosto para atender um grupo de quatro jovens que acabara de entrar na loja. Szayel continuava com seu pequeno discurso, procurando Stark em algum canto. – Eu aposto que ele deve estar dormindo em algum lugar, e deixando você sozinho para cuidar da loja! Stark, seu preguiçoso, cadê você?! – Alguns dos estudantes riram observando o comportamento do homem de cabelos cor de rosas, enquanto Ulquiorra recebia o dinheiro referente ás compras.

- Você parece muito animado, Szayel. Aconteceu alguma coisa boa? – Stark disse levantando-se de uma das mesas de estudo, onde á pouco estava dormindo.

- Anh? Que? – Szayel corou um pouco, e arrumou seus óculos para disfarçar o embaraço. – N-não aconteceu nada, Stark-san.

- Sei... – o homem de cabelos castanhos, vestido de terno mas sem gravata disse, bocejando e se apoiando no balcão com uma das mãos, ficando assim perto de Ulquiorra. – E você, Ulqui-chan? Parece mais desanimado que o normal.

- ... – Ulquiorra decidiu não responder. Estava quase na hora de fecharem a loja, afinal ela fechava as nove horas e já era quase oito e meia. – Eu ouvi Szayel conversando algumas horas atrás com seu irmão.

- ULQUIORRA! – Szayel ficou completamente desesperado. Era raro as épocas quando ele se dava bem com seu irmão, e agora vinha seus dois amigos para zombarem dele.

- Nossa... acho que você não arrumou uma namorada é por causa disso. Fica tempo de mais se preocupando com seu irmão... não tem tempo de pensar em outras coisa, né? – Stark disse com uma voz carregada de duplo sentido, apesar do tom preguiçoso. Szayel tacou um livro nele, que conseguiu desviar habilmente.

- Não taque os livros, Szayel. Não é você que os restaura. – Ulquiorra o repreendeu.

- Humpf. Mas e você, Ulqui-chan? E o bonitão que te salvou? – Ulquiorra ficou tenso, enquanto saía de trás do balcão e começava a organizar alguns livro ao mesmo tempo em que Stark mudava a placa da loja de "ABERTO" para "FECHADO".

- Não sei nada sobre ele, nem quero saber. Você sabe disso. – o garoto de cabelos cor de ébano apertou a ponte do nariz. – Por favor, vamos falar de outro assunto? – lembrar de Grimmjow era tudo que Ulquiorra menos queria, por agora.

- Hum, ok. Já sabe em que consultório você vai consultar? – Szayel perguntou. Szayel e Stark eram os únicos que sabiam de sua condição, o primeiro por ser seu amigo e o segundo por ser seu sócio.

- Seis, eu acho. – Ulquiorra disse enquanto colocava seu casaco verde escuro em cima de sua roupa, que constituía numa blusa, calça e tênis All Star, ambos pretos, além do cinto verde claro. Não podia negar, gostava de verde e preto. Szayel abriu a boca, pronto para falar alguma coisa, mas Ulquiorra virou as costas, dando o assunto por encerrado.

-x-

O garoto de cabelos cor de ébanos se despediu de seus amigos, vendo Stark murmurar algo sobre "buscar Lilynette na casa da uma coleguinha dela" e Szayel gritando algo como "estou atrasado!"

Foi andando lentamente até sua casa, vendo algumas nuvens no céu cobrindo as estrelas. Lembrou-se do quando foi na lavanderia buscar sua roupa, e que se surpreendeu quando percebeu que havia colocado o casaco de Grimmjow para lavar. Não podia entregar o casaco; não sabia onde ele morava, não sabia nada sobre o homem de cabelos azuis. Decidiu que, quando fosse na faculdade-hospital de manha, para sua primeira tortura... ou melhor, consulta, tentaria achar a mulher Inoue e o quatro-olhos Ishida para poder entregar-lhes o casaco de Grimmjow.

E assim, então, cortar qualquer ligação que um dia teve com ele.

-x-

Szayel chegou doze minutos atrasado. Ele era uma pessoa perfeccionista e que odiava atrasos, por isso não tolerava nem mesmo seus próprios deslizes. Talvez seja por isso que ele comprou uma porção extra de batatas, no restaurante chinês, e não por que seu irmão adora batatas fritas. Talvez.

Entrou no prédio de psicologia, agradecendo aos céus pelo chefe de Yl Forte não estar lá. Grimmjow podia ser sim um gato, mas sua personalidade era tão boa quanto a de uma gato de rua sacana, na opinião de Szayel.

Szayel bateu levemente na portar de número seis, ouvindo um cansado "Entre". Abriu a porta, tomando cuidado para não deixar os pacotes de comida caírem.

- Ora ora... Olha o que acontece quando não se nasce um gênio. Fica atolado de papéis. Os únicos papéis que eu fiquei atolado era folhas para autografar. – o rosado falou com desdém, olhando para a pilha de papéis onde atrás estava seu irmão.

- Livro que ficou em segundo lugar. Grande coisa. – Yl Forte bufou, passando a mão sobre alguns fios que teimavam em cair sobre sua testa.

- Cale-se. – Szayel rosnou, trincado os dentes. – Trouxe batatas para você, apesar de que deveria ter comido tudo se soubesse que você ia me tratar assim. – Szayel estendeu o pacote para o irmão, que não fez questão de retrucar o homem de cabelos cor de rosa. Szayel achou estranho, e foi então que realmente olhou para o loiro.

Seu irmão estava sentado, meio curvado e apoiava o cotovelo esquerdo na mesa e a cabeça em cima da mão esquerda enquanto estendia o braço direito para o pacote de comida chinesa. Ele tinha retirado os tênis para ficar mais a vontade, e sua expressão era de alguém realmente fatigado. Seus olhos estavam meio fundos e vermelhos, e a cansaço era visível nas suas costas.

Szayel nunca soube o que era ficar cansado de tanto trabalhar, tudo em sua vida tinha vindo fácil. Ele morava com sua mãe quando seus pais se separaram, e Yl Forte com seu pai. Viveu longe da convivência do irmão até os dezoito anos, quando seus pais decidiram fazer uma nova audiência sobre a separação. Infelizmente, o local onde estavam foi atingido por um forte terremoto, que acabou matando seus pais. Szayel se viu obrigado a se mudar para a casa do irmão e ser sustentado por ele. As brigas eram muitas, mas diminuíram consideravelmente depois que Szayel começou a escrever e, consequentemente, a se sustentar com o dinheiro das vendas de seus livros. Não sabia explicar o porquê de até hoje estar morando com o irmão, já que o rejeitara bastante quando eles eram mais novos. Pretendia achar a resposta continuando do lado do irmão, atazanando-o até ele explodir e atacá-lo com seus punhos. Sorriu lembrando-se das várias brigas que tivera com seu irmão, o loiro sempre ganhando, já que era mais alto e mais forte.

Yl Forte olhou para seu irmão por entre os fios de cabelo sobre seu olho, e jurou ver Szayel corar levemente. "Devo estar realmente cansado." – Ei.

- Ah? O que foi? – o rosado tentou restaurar a compostura, olhando para qualquer ponto que não fosse Yl Forte.

- Me dê comida. – e arrancou o pacote das mãos de Szayel.

- Você está ficando que nem seu chefe, comendo essas porcarias. – disse Szayel sentando-se na cadeira de frente a Yl Forte. O loiro deu de ombros, e começou a comer. Quando terminou, começou a arrumar o consultório, dando graças aos céus por não precisar varrer o cômodo. Szayel ajudou um pouco, e quando os irmãos perceberam, já era quase dez horas da noite. – Puxa, ainda bem que eu vim de carro. Não vou deixar você fugir com a chave de novo. – disse apontando um dedo acusador para Yl Forte.

O loiro apenas olhou seu irmão de cima a baixo, observando a camisa branca por cima da camiseta vermelha, a calça jeans azul marinho e os sapatos de couro claro, cor de marfim. Levantou uma sobrancelha, balançando a cabeça. Desde quando reparava em seu irmão idiota e egocêntrico? Começou a discutir com ele um assunto qualquer, conduzindo-o para fora do consultório e trancando o cômodo. Saíram logo do prédio, e adentraram o Honda Civic de Szayel.

- Eu já disse, eu só estava preocupado com Grimmjow.

- Você se preocupa mais com ele do que com seu irmão.

Yl Forte riu, cansado – Você é que só se importa com você! – Apoiou a cabeça no vidro do carro, usando o braço da porta como um suporte. Fechou os olhos e começou a explicar – Grimmjow pulou no mar para salvar uma pessoa... E quase morreu junto dela. Eu fiquei preocupado, antes de tudo, ele é meu amigo.

O carro parou em um sinal, e Szayel aproveitou para processar rapidamente essa informação. Olhou diretamente para Yl Forte – Isso foi a cinco dias atrás?

- Sim, foi sim. Como você sabe? – Yl Forte abriu os olhos, ficando momentaneamente perdido no profundo dourado de Szayel.

-... Eu deduzi, só isso. – Szayel voltou a atenção para as ruas, um mudo modo de dizer que o assunto estava encerrado.

Logo os dois irmãos estavam em casa, e Szayel começou a ajudar Yl Forte. Os dois estavam na mesa da cozinha, lendo o restante das fichas que Yl Forte havia separado. O loiro tinha adiantado bastante trabalho, como Szayel percebeu, mas agora estava completamente acabado. Yl Forte se esforçava para manter seus olhos abertos, a fadiga de tantos dias ameaçando romper de uma vez só. Desistiu.

- Eu desisto, Szayel. – jogou a cabeça para trás da cadeira, fechando os olhos. - Pode me chamar de perdedor, idiota, e o que você quiser, mas hoje não dá.

Szayel deixou a folha que ele esteve olhando surpreso e sério por mais de meia hora, e decidiu colocá-la junto das outras quatro fichas escolhidas para serem os casos que Grimmjow iria cuidar. A sorte estava lançada agora, ele sabia; mas se realmente existia uma coisa chamada destino, ele estava no meio dele, com certeza.

Levantou seus olhos para Yl Forte, completamente derrotado por um monte de folhas. Viu o irmão movimentar o ombro, acariciando o local e fazendo uma careta de desconforto. Levantou-se, e ficou de pé atrás do irmão.

- Szayel, o qu...? – Yl Forte foi calado pelas mãos de Szayel nos seus ombros, fazendo movimentos suaves mas ao mesmo tempo firmes. Deixou uma pequena exclamação escapar de sua garganta. Não podia acreditar, Szayel estava fazendo massagem nele, fechou os olhos quando os dedos de seu irmão passaram por sua nuca. Agradeceu aos céus por estar com o cabelo preso, assim podia desfrutar mais da massagem.

- Eu percebi que você estava muito tenso... – Yl Forte se arrepiou ao sentir a voz de Szayel tão perto de seu ouvido. – Então eu decidi fazer algo para te aliviar e te... agradecer.

- A gra... decer? – Yl Forte perguntou, tonto, sentindo as mãos mais firmes e o corpo de Szayel mais próximo do seu.

- É, agradecer por me deixar morar com você quando nossos pais morreram. – Szayel passou dos ombros para o pescoço, colando sua cabeça ao lado da de Yl Forte e acariciando o peitoral de seu irmão, enquanto soltava o grande cabelo loiro. Yl Forte agarrou os cabelos de Szayel, completamente embriagado com os toques dele. – Arigatou... – Szayel disse no ouvido direito de Yl Forte e sugou o lóbulo da orelha do irmão. Yl Forte arfou alto, enquanto as mãos e a boca de Szayel torturavam-no. Um pensamento rompeu sua mente: não era sempre ele que comandava as suas brigas? Por que agora, ele não iria comandar?

Szayel arfou em surpresa quando Yl Forte levantou num pulo e prendeu o mais novo na parede da cozinha, segurando os pulsos do rosado acima da cabeça do mesmo. Colou seu corpo no dele, vendo Szayel fechando os olhos e gemendo levemente. Szayel não sabia o que aconteceu, o que houve para ele atacar e ser atacado assim por sua irmão, mas era bom, oh Deus, era muito bom e ele queria muito que o loiro continuasse. Yl Forte respirou bem perto de sua orelha esquerda, enquanto sentia Szayel arfar. Deu um pequeno sorriso triste.

- Szayel... – começou. Bateu os pulsos de Szayel na parede, fazendo o mais novo abrir os olhos em dor e olhar para ele com uma expressão de dúvida e dor. Tudo que Szayel via na expressão de Yl Forte era raiva. – Aprenda seus próprios limites. – com isso, o loiro soltou Szayel e subiu as escadas rumo ao seu quarto, enquanto um Szayel confuso e machucado deixava a gravidade fazer seu trabalho e levá-lo para baixo.

Bata palmas de frente à face da adversidade, me anime
Ataque com seus dentes seguindo seu próprio estilo
Atenção, é perigoso ultrapassar os seus limites


Próximo capítulo: DESENVOLVER

(Desenvolver: tornar-se maior, mais forte, volumoso, crescer, ir à frente, avançar, progredir)


Pocky é um tradicional biscoito japonês produzido pela Ezaki Glico desde 1965, o qual consiste em um palito doce coberto sabor chocolate ou morango. Atualmente existe todo o tipo de sabor de Pocky, sendo divulgado também em desenhos animados (animes), seriados e novelas japonesas.

Moshi moshi significa Alô, em japones.

Arigatou significa Obrigado,em japones.

Nota da autora:

Desta vez eu tenho que me explicar. Final de ano, final de terceiro ano, provas, maldita literatura, maldita matemática, que me fizeram estudar até fevereiro! Fiquei de dependencia em matemática e literatura, sendo que uma (lite.) eu consegui eliminar na prova que tive em dezembro, mas matemática não, então tive que fazer a prova de fevereiro (mas passei /o/).

Em janeiro, o que me deixou sem escrever foi os problemas de saúde. Agradeço aso céus por meu plano ser particular, se não eu estava frita. Literalmente. Tive que tirar um tumor (benigno) do meu seio esquerdo; não podia rir, levantar o braço, digitar, corrar, falar alto, enfim, não podia fazer nada. Tão logo eu melhorei, tive que fazer a prova de matemática e esperar pelo resultado. Mas emfim, passei, vou jogar uma bomba na escola (-n), e começar a fazer cursinho para entrar na federal.

O capítulo 5 já está pronto (na minha cabeça, só falta passar pro papel). Antes do fim desse mês eu vejo se consigo postar ele, afinal ainda tenho o curso de ingles e estou a procura de um emprego.

Amanha, quando der, respondo as reviews do capítulo 3. Quando eu postar o cinco, respondo as do capítlo 4 e assim por diante. O brigada a todos que mandaram rewies =3

Essa fic é meio longa sim, nessa capítulo eu desenvolvi mais Yl FortexSzayel, mas GrimmUlqui é o casal principal, não precisem ficar com medo. No cinco tem mais. Uma gato preso com um morcego... alguém vai se machucar. rsrsrs

Se alguém ainda continua lendo, mande review. Nem que seja me xingando pela demora.

ps.: Eu posso demorar muito tempo pra atualizar, mas não vou excluir essa fic e vou concluí-lá. A gente não vive só na frente do computador escrevendo. =/