Desculpem a demora.


Patient Love

Cap 4 – Rewrite

Edward Cullen estava completamente fora de seu elemento sentado ali em uma das poltronas da sala de Charlie. Seus sapatos pretos que brilhavam e o terno que parecia ter sido costurado em seu próprio corpo gritavam que ele era um homem de poder. Isso e o jeito que seus ombros se firmavam em uma postura que eu estava acostumada a ver nos personagens poderosos dos filmes que eu assistia.

Até meu pai parecia um pouco intimidado.

Charlie se materializou atrás de Edward Cullen tão logo ele se apresentou a mim. Depois disso a situação virou um caos com repórteres surgindo de todos os lados querendo saber o que Edward Cullen queria conosco.

O tom e a intimidade com que a impressa falava com o homem sentado na sala da minha casa e a horda de seguranças particulares ao lado de fora também confirmavam minhas suspeitas de aquele homem não era uma pessoa qualquer.

Por alguma razão Charlie permitiu que aquele homem entrasse em nossa casa e agora estávamos nós três na sala presenciando um silêncio quase enlouquecedor enquanto Sue e Lucy estavam na cozinha.

Eu vi Edward Cullen mexendo na pasta de couro que trazia em suas mãos. Seu pomo de adão se mexeu como se ele estivesse se preparando para dizer algo.

Eu analisava a imagem dele e tentava encontrar algum sinal que comprovasse a informação que ele era irmão do monstro que tirou de mim minha vida, mas não conseguia achar. Certo que os olhos e os cabelos eram da mesma cor, mas nem isso eram iguais. Os olhos de Edward Cullen eram verdes brilhantes, e revelavam algo bom por trás do brilho. Os olhos de Riley eram verdes, mas eram vazios de emoções.

"Eu queria dizer que não há palavras que possam expressar o quão eu sinto muito pelo o que meu irmão fez com você, Isabella" Ele começou depois de alguns segundos.

"Mas você não veio aqui expressar suas desculpas, veio?" Charlie cortou. Meu pai não era do tipo que se deixava enrolar. Eu senti sua mão encontrar a minha sobre o estofado do sofá.

"Não" Edward respondeu. "Eu planejava vir a Forks e expressar minhas desculpas e oferecer minha ajuda no que vocês precisassem assim que as coisas acalmassem e Isabella estivesse mais adaptada. Entretanto, vi uma declaração da senhora Renée Volturi ontem a noite e decidi adiantar minha vinda à cidade. Eu gostaria de pedir que..."

"Renée Volturi está louca. Eu estou perfeitamente bem e não tem a menor cogitação de entregar minha filha a alguém. Lucy é minha filha e eu vou criá-la. Minha mãe não aceita esse fato, por isso a declaração absurda." Eu o cortei antes de mais uma vez escutar o absurdo que minha mãe havia falado.

Para minha surpresa, ele pareceu rir de alivio.

"Em minha linha de trabalho, é essencial que eu entenda as pessoas, e pelo que percebi, Renée Volturi não parecia ser a pessoa mais qualificada a falar por você. Por isso vim diretamente aqui. Mas confesso que fico aliviado em saber que minha sobrinha será bem cuidada a partir de agora."

"Ela sempre foi bem cuidada. Em meio a todas as coisas que vivemos, eu sempre fiz de tudo para que ela ficasse sempre bem. Era isso que queria?" Respondi um pouco cortante. Eu não permitiria que ninguém pensasse o contrário.

"É claro que sim. Como eu disse, eu pretendia vir a Forks desde sempre." Ele respondeu. Dessa vez retirando uns papeis de dentro da pasta de couro que trazia. "Meus pais se separaram quando eu tinha sete anos de idade. Minha mãe se mudou para Port Angels para ficar perto da minha avó, eu continuei a morar em Seattle com meu pai, tanto por ter uma melhor educação quanto por minha mãe não querer criar uma criança em sua nova vida. Eu tinha dez anos quando ela teve Riley fruto de seu casamento com o segundo marido, Joseph Biers. Eu não vou fingir que levei isso muito bem, pois não seria verdade. Eu vi meu meio irmão um total de cinco vezes antes de receber a noticia de Elizabeth e Joseph haviam morrido em um acidente de carro. Riley já tinha 15 anos na época."

"Eu não entendo como toda essa informação é de nosso interesse, senhor Cullen." Meu pai o cortou cruzando os braços. "Minha filha foi submetida a quase seis anos de tortura, sendo estuprada e trancafiada em um porão sem direito nem mesmo a luz do sol. Se está aqui tentando de alguma forma justificar os crimes de seu irmão, eu sinto muito, mas não vai funcionar."

"Eu não vim aqui justificar as ações de Riley." Edward se apressou. "Mas para chegar onde eu quero, preciso começar desde cedo. Como eu dizia, eu perdi o contato com minha mãe e não vi Riley crescer. Mas ele era menor de idade quando Elizabeth morreu, e eu fui acionado como novo tutor de Riley. Joseph Biers tinha outro filho de um relacionamento anterior, James Biers, mas ele fazia faculdade na Austrália na época, e assim sobrou para mim a responsabilidade de cuidar do meu meio-irmão que eu mal conhecia."

Ele pausou, tomando um pouco do café que Sue havia nos servido.

"Eu não fui o melhor dos tutores. Eu tinha vinte e cinco anos na época. Estava assumindo a empresa do meu pai e curtindo a juventude, e de repente eu era responsável por um adolescente complicado. Tentando facilitar minha vida, eu o levei para Seattle e o coloquei na melhor escola particular da região. Ele ficava na escola a maior parte do tempo e quando não estava ele se trancava no quarto. Riley sempre foi difícil, ele não falava muito comigo, na escola se isolava e não tinha muitos amigos. Eu pensei que era por causa da morte repentina dos pais, mas depois descobri que o isolamento já era algo que ele fazia em sua escola anterior. De qualquer modo, não tive como descobrir exatamente o que havia de errado. Ele se negava ir a consultas, não conversava nem mesmo com uma amiga minha que é psicóloga. Quando completou 18 anos, ele arrumou suas coisas e disse que voltaria para Port Angels. A casa de Elizabeth e Joseph era legalmente dele e ele tinha dinheiro suficiente pra ir embora."

"Ele nunca interagiu de verdade com Lucy" Eu comentei analisando a conversa "Era só comigo. Sempre só comigo, e nós não conversávamos muito. De vez em quando me contava alguma coisa sobre seu dia, mas nunca se abriu muito também. De vez em quando parecia que ele estava em outro mundo."

Edward concordou com a cabeça.

"Sim, ele sempre foi assim. Eu ainda não faço ideia do que o motivou a fazer o que fez com você e a matar uma pessoa, eu deveria ter cuidado dele, deveria ter prestado atenção a ele e tentando ser um irmão melhor, mas ao invés disso resolvi o deixar em paz. Admito que eu nunca perdoei minha mãe por me abandonar quando era criança, acho que essa raiva fez com que eu nunca me conectasse a Riley como um irmão deveria. Mas isso não é o problema para vocês lidarem, eu vim aqui falar de uma detalhe de interesse de vocês e que precisa ser resolvido pois terá interesses de várias pessoas e nenhuma delas é mais importante que você, Isabella. A parte delicada. Bom, meu pai é o fundador da Cullen Corporation, ele começou a investindo em uma rede hotéis falida e hoje atuamos em diferentes mercados ao redor do mundo. Quando meus pais se separaram, minha mãe recebeu uma boa fortuna para se manter. Com sua morte, esse valor ficou divido entre eu e Riley, mas como eu já sou herdeiro natural do meu pai e realmente não precisaria, Riley ficou com a maior parte significante da herança da minha mãe. Eu falo de milhões" Edward falava isso com a expressão mais séria que poderia ter em seu rosto.

Eu vi sua mão estendendo o papel que trazia na pasta de couro em minha direção, para que eu pegasse.

"Mas havia uma condição. Riley deveria concluir a faculdade para que tivesse direito ao valor, caso contrário, eu ficaria com o dinheiro e teria que lhe dar uma mesada para se manter. Acontece que Riley nunca fez faculdade. Ele se mudou para Port Angels e conseguiu emprego em uma loja do shopping e depois na administração do shopping. De fato, no dia em que ele matou o homem em Port Angels, ele havia ido à Seattle mais cedo me pedir sua mesada adiantada e eu lhe neguei, o valor o equivalente a dois meses e ele se negou a me dizer a destinação do mesmo."

"Eu não quero o dinheiro dele"

Não havia valor no mundo que cobrisse o que ele fez. Eu queria justiça, que ele fosse preso e pagasse por seus crimes.

Edward balançou a cabeça.

"Esse dinheiro é de sua filha por direito. Ela é filha dele e tem direito a uma pensão. Eu falei com meus advogados e me certifiquei. Eu não posso lhe passar ainda o valor da herança de Riley, preciso esperar uma determinação judicial, mas visto as circunstâncias, posso dar uma parte da mesada a você como pensão alimentícia."

Eu finalmente olhei os valores descritos no papel em minhas mãos. Meu coração se apertou por um minuto e me engasguei com o próprio ar.

Riley deveria receber uma herança de 17 milhões de dólares caso se formasse em uma faculdade. Caso contrário, deveria receber uma mesada de 50 mil dólares até que os 17 milhões fossem liquidados. Por mês. Em minha cabeça rodavam mil perguntas por minuto. O que ele poderia querer com 100 mil reais de uma vez? Por que ele ainda trabalhava tendo uma mesada naquele valor ao todo? Por que ele não usava o dinheiro que tinha para viver sua vida?

"Eu não posso aceitar isso." Eu disse sem mais palavras em minha cabeça.

Eu sentia como se estivesse conseguindo enxergar apenas a ponta do Iceberg. Como se tivesse uma história muito mais profunda a ser contada.

"É direito de sua filha, Isabella. Vocês acabaram de sair de um cativeiro. Vão precisar de advogados, fazer acompanhamento médico e eu quero ajudar. Você tinha apenas 17 anos quando foi sequestrada, eu vi as reportagens, eu lembro do seu pai chorando por seus planos interrompidos. E eu quero lhe dar a chance que ele roubou, que vocês tenham um futuro. Independente de qualquer decisão judicial, eu quero te devolver a chance de um futuro que meu irmão roubou de você. É minha responsabilidade. Se eu tivesse prestado mais atenção ao meu irmão, se eu tivesse sido menos egoísta, talvez isso não tivesse acontecido com você. "

Eu sacudia minha cabeça em um gesto negativo. Charlie apertava minha mão livre e tentava olhar os valores descritos no papel.

Eu tremia sem nem saber o motivo.

Mas eu sabia que a culpa não era de Edward Cullen. Não havia sido que ele havia parado meu carro no meio do nada e me sequestrado. Não havia sido ele que havia me estuprado e torturado e trancafiado em um quarto. Que culpa ele tinha?

"A culpa não é sua" Eu afirmei encontrando seus olhos e percebendo pela primeira vez a angustia que eles guardavam. Percebi que ele tinha um pouco de olheiras e parecia falar a verdade.

"Eu acho que esse tipo de coisa é muito delicado para ser decidida dessa forma. Se isso era tudo que tinha para falar conosco, eu acho melhor dar uns dias para minha filha pensar em sua proposta e depois dar uma resposta pensada" Charlie finalmente falou após todo o discurso de Edward. Ele estava certo.

Por muito tempo eu havia pensado apenas em sair daquele porão. Eu sonhava em abraçar meus pais e rever meus amigos. E agora eu finalmente havia realizado esse desejo, e agora não sabia que caminho seguir. Eu nem sabia como seguir algo ao todo.

Parte de mim sentia como se eu fosse uma estranha roubando a identidade de Isabella. Há muito tempo atrás a Isabella Swan queria se mudar para Nova York e estudar Administração. A Isabella queria ter um pequeno apartamento e trabalhar em uma organização pequena que ajudasse as pessoas que precisassem de algum tipo de ajuda. A Isabella queria morar em Nova Iorque por alguns anos antes de encontrar a alma gêmea e ir morar em uma comunidade mais familiar e ter seus filhos.

E de repente eu estava assumindo a identidade daquele jovem que havia desaparecido. Eu não tinha como seguir em frente a partir daquela tarde em que tudo acabou. Eu sabia que Charlie não teria como pagar uma faculdade e ao mesmo tempo me ajudar a manter um apartamento e todos os custos de vida que eu e Lucy precisávamos.

Eu tinha consciência que precisaria de ajuda profissional para me reencontrar. Para ser bem sincera, eu queria mais que tudo conversar com uma pessoa que apenas me ajudasse a me encontrar. Eu sabia que agora eu não conseguiria me mudar para outra cidade longe da segurança do meu pai, nem sei se conseguiria sair da casa dele ao todo. Mas por outro lado sabia que não poderia morar com ele e Sue para sempre, eles precisariam ter a própria vida em algum momento. Eu sabia que Lucy precisaria de um bom seguro de saúde e outras coisas.

Eram tantas coisas.

E agora eu tinha um estranho me oferecendo muito dinheiro.

"Esse não seria o único detalhe que gostaria de tratar com vocês" Edward falou respondendo a Charlie.

Ele era um homem bonito, mas misterioso. Pelas minhas contas, deveria ter por volta de seus 35 anos mais ou menos.

"O que mais?" Eu perguntei um pouco com medo do que poderia responder.

"Mais outras coisas. Primeiramente a respeito do outro meio irmão de Riley, James Biers. Bem, eu e James nunca nos demos muito bem. Até hoje ele briga para controlar a herança de Riley, o que nunca lhe foi concedido. Eu nunca gostei de Joseph Biers e muito menos de James, há algo neles que sempre me deixou inquieto. Joseph não era um homem de posses, e minha mãe era uma mulher milionária, algo em mim sempre me fez suspeitar que talvez o interesse fosse a chave para o casamento deles. O caso é que James é um interesseiro assumido, eu gostaria de deixar vocês avisados que ele é capaz de qualquer coisa por dinheiro, e ele não hesitaria em usar a declaração de sua mãe ontem como maneira para conseguir ter acesso ao dinheiro de Riley."

"Você acha que ele tentaria tirar Lucy de mim?" Perguntei assustada.

Edward Cullen riu gargalhando como se eu tivesse dito a mais engraçada das piadas.

"Eu tenho absoluta certeza. Você ficaria surpresa com as coisas que ele fez para ganhar dinheiro. Ele até mesmo entrou na justiça para tentar ser herdeiro da fortuna da minha mãe."

"Ele não sabe com quem está se metendo" Charlie sussurrou do meu lado "Minha neta não vai sair de perto da gente"

"É claro que não. Eu estou aqui para ajudar no que precisar. Tenho os melhores advogados do país para assegurar todos os direitos que Isabella e Lucy têm. Eu falo sério quando digo que estou aqui para ajudar vocês."

Suas palavras foram para meu pai, mas seus olhos fixaram-se nos meus. Eu senti meu corpo se arrepiar de uma forma estranha.

"A outra coisa que eu gostaria de dizer é que contratei detetives particulares para encontrarem Riley. Essa manhã fui informado que encontraram o carro dele em uma revendedora de veículos na Califórnia. Aparentemente ele o trocou por uma caminhonete."

"Onde na Califórnia? A policia já tem essa informação? A chefe de policia de Port Angels não me avisou sobre isso." Charlie falou se ajeitando no sofá.

Edward parecia meio tenso.

"Meus investigadores já estão em contato com a policia para tomarem as devidas providências. Charlie, ele estava em Humboldt County."

"A montanha mortal?" Charlie parecia incrédulo, e Edward apenas concordou com a cabeça.

Eu estava confusa.

"Do que vocês estão falando? Se você sabe onde ele está isso é bom, não é?" Eu perguntei olhando entre os dois homens da sala.

"Bella, esse lugar é conhecido por pessoas desaparecerem sem deixar nenhuma pista. As pessoas sobem a montanha para sumir." Charlie respondeu. "Nem a policia tem coragem de entrar em algumas áreas."

"A região é conhecida pela produção de drogas. Muitos jovens vão para sumir. São historias perturbadoras. Além disso, o homem que Riley matou no bar foi identificado como Laurent Fouch, um francês que foi dado como desaparecido em 2008, o último lugar que foi visto foi em Eureka." Edward explicou. " De qualquer forma, a boa noticia é que Riley está bem longe de você e Lucy, Isabella. Entretanto, logo sairá na impressa algo sobre minha relação com Riley, e por isso eu gostaria de disponibilizar uma equipe de seguranças para Lucy e Isabella. Pelo menos temporariamente. A policia não poderá manter guarda por muito mais tempo, e eu me sentiria muito melhor sabendo que vocês estão em segurança."

"Eu sou o chefe de policia dessa cidade..."

"Com todo respeito, chefe, mas ainda assim sua filha foi sequestrada. Perdão por ser tão intrusivo. Poucas pessoas sabem da minha relação com Riley, então ele nunca precisou de seguranças. Mas há uma multidão de repórteres na porta e eles já devem ter descoberto a natureza da minha visita. Eu quero garantir a segurança das duas."

Eu tive um calafrio lembrando que existiam pessoas com más intenções no mundo. E se Riley reaparecesse quando os policiais saíssem? E se alguém tentasse entrar aqui em casa para fazer alguma maldade? E se acontecesse algo com Charlie ou Sue ou Lucy?

"Talvez pudéssemos aceitar por algum tempo" Eu disse. Eu não queria ter que aceitar algo vindo da família de Riley, mas Edward em pouco tempo estava me fazendo sentir confiança de que ele era uma boa pessoa.

Edward sorriu parecendo aliviado com minha resposta.

"Chefe, faço questão que escolha a equipe. Desculpa por interferir dessa forma, mas eu me sinto responsável por tudo que Riley fez..."

"Tudo bem, eu entendo seu posicionamento. Meus policiais não podem manter guarda por muito mais tempo mesmo, e seria bom ter um reforço. Eu não dormirei bem até que Riley não seja mais uma ameaça de fato."

"Obrigado, chefe" Ele deu um sorriso torto que formou uma pequena covinha em sua bochecha esquerda. "Eu teria um último pedido antes de encerrar minha visita."

"O que você quer?" Eu perguntei um pouco confusa com o que eu poderia lhe oferecer.

"Riley é meu meio-irmão e ele destruiu sua vida. Tenho apenas uma idéia do pesadelo que ele deve ter feito vocês todos passarem, e não há nada que eu diga, faça e ofereça que pode corrigir os erros dele. Eu sei que temos algumas semelhanças físicas e que eu possa ser algo lhe incomode, mas Lucy é minha família. Eu tenho amigos que são quase como minha família, mas ela é a única família real que eu poderia dizer que tenho hoje em dia, tirando Riley é claro. Eu gostaria muito de, no futuro, quando vocês estiverem mais confortáveis, poder fazer parte da vida dela e ter a oportunidade de ser um tio melhor do que fui um irmão. Mas eu entendo se isso for pedir demais."

Seus olhos verdes brilhavam enquanto pareciam penetrar no meu. Algo neles me enfeitiçavam e pareciam contar uma historia que eu ainda não entendia. Era um olhar sincero, porém triste e cansado. Solitário, um olhar que eu vivi por muito tempo. Por alguma razão aqueles olhos verdes não me infiltravam medo. Por alguma razão eu sentia como se estivesse no lugar dele fazendo o apelo.

E isso me deixava assustada.

Eu deveria ter medo, repúdio e ódio dele. Mas eu não sentia nada daquilo.

"Edward, por muitos anos eu fiquei presa em um porão iluminado por luzes artificiais, sozinha, assustada e perdida. Quando eu descobri que estava grávida eu senti tanto medo, eu não sabia de nada. Até que eu senti ela se mexendo dentro de mim. Eu sentia uma vida ali no meio daquela tragédia. E quando ela nasceu, foi como se o sol estivesse nascendo ali só pra mim, me energizando e me mostrando que eu poderia ter um caminho, que eu precisava lutar. Lucy significa luz, e ela iluminou minha vida de uma forma que eu jamais conseguirei explicar. Eu jamais vou deixá-la para ser criada por outras pessoas como minha mãe sugeriu, mas eu sempre desejei a dividir com pessoas que pudessem a amar como ela merece. Eu acredito que com um tempo possamos trabalhar em alguma coisa. Eu só espero que tenha paciência. As coisas ainda são muito confusas pra mim."

Ele riu torto novamente, e ali eu tive a confirmação de que poderia confiar em suas palavras, pois aquele sorriso e aquele olhar eram exatamente iguais aos de Lucy.

E como se meu pensamento a tivesse conjurado, eu escutei Lucy gritando por mim e só tive tempo virar minha cabeça em direção ao corredor que levava à cozinha antes de sentir seu corpo se jogando em cima de mim. Ainda bem que consegui abrir meus braços para recebê-la sem machucá-la.

Seu corpinho tremia contra o meu e eu não entedia o que estava acontecendo.

Percebi Charlie se levantando e indo à cozinha e vi Edward também se levantar e se posicionar na minha frente como uma barreira de proteção.

"Lu, o que houve?" Eu perguntei segurando seu rostinho entre minhas mãos. Havia lágrimas em seus olhos e seu nariz estava vermelho.

"A tia má de ontem ta na cozinha. Ela disse coisas feias para tia Sue e disse que me levaria embora. Eu não quero ir embora. Eu quero ficar aqui" Ela respondeu e escondeu o rosto em meu pescoço.

"Charlie, pelo amor de Deus, seja razoável. Eu passei a noite refletindo e acredito que tenha reagido mal a toda situação, agora pensei melhor e vim resolver minha situação com a minha filha, eu tenho esse direito." Eu ouvi a voz de Renée da cozinha. Como não havia ouvido antes eu jamais entenderia. Mas agora ela parecia meio exaltada.

"Está tudo bem, Isabella?" Edward perguntou se virando em minha direção. Seus olhos pararam em Lucy, entretanto.

"Aparentemente temos visitas da minha mãe, hoje. Ela não é tão compreensiva quanto você." Respondi forçando um riso. Parte de mim estava curiosa para ir na cozinha descobrir o que Renée queria, outra parte de mim queria ficar naquela sala com Edward Cullen e pedir que eles chamassem os seguranças para me ajudar. Deus sabe que eu não estava com energia suficiente para mais um embate com minha mãe.

"Quem é o moço?" Lucy perguntou sem tirar o rosto do meu pescoço. Até Edward ouviu e ele parecia curioso por minha resposta.

Eu a ajeitei em meu colo a fiz sentar em minhas pernas, seu corpo de frente pro meu e suas pernas abraçando minha cintura.

"O nome dele é Edward, ele é um amigo da mamãe que veio nos ver" Eu respondi limpando os as manchas de lágrimas que desapareciam.

Percebi que não conseguia mais escutar o que se passava na cozinha, parte de mim esperava que Charlie houvesse conseguido se livrar de Renée.

"Você quer dizer um oi pra ele?" Perguntei.

Lucy o olhou rapidamente por alguns segundos antes de se virar para mim novamente e dizer um rápido não e se esconder novamente entre meus cabelos.

"Desculpa, as coisas ainda são meio estranhas para nós duas"

"Tudo bem, eu entendo, eu vim sem avisar nem nada. Acho melhor eu ir embora e deixar vocês descansarem um pouco" Ele respondeu baixinho.

Eu me levantei para levá-lo até porta, mas não tive tempo de dar um passo antes da minha mãe aparecer na sala usando um look que parecia ter saído diretamente de uma passarela de moda.

"Edward Cullen, que coincidência encontrar você aqui"


Bom, Bella parece que não descanso.

O que pode ser que Renée queira? O que James pode representar e o Riley é um enigma.

Pelo menos ela tem o Charlie e o Edward do lado dela. Em breve teremos mais personagens novos.