A luz ainda não enchia completamente o quarto quando a Blair me acordou a dar-me beijinhos nos braços e a dizer "Tia, já é de manhã, vamos passear!". Não pude continuar a dormir por isso levantei-me e peguei-a ao colo para lhe dar um beijinho na testa, tomámos banho e lá foi ela escolher a nossa roupa outra vez. Hoje eu ia de calças slim de ganga escura, com um top comprido e vermelho de linho sem alças. Levava um gancho com uma flor vermelha e os meus D&G salto de cunha vermelhos. Mas ela ainda não tinha nada escolhido.

-Então não sabes o que queres levar? – perguntei eu agarrando a sua mãozinha pequenina.

-Sei, mas não tenho nenhumas calças como as tuas. – comentou ela fazendo beicinho.

-Então posso escolher eu a tua roupa hoje? – sugeri eu sorrindo. Ela acenou com a cabeça enquanto o seu sorriso voltava ao seu sítio natural.

Arranjei-lhe um top coral de linho largo e com aplicações rendadas e uns mini-calções de ganga. Calcei-lhe umas sandálias de salto pequenino que tinhamos comprado numa viagem à Califórnia e apanhei-lhe as partes da frente do cabelo atrás num pom-ponzinho. Ela foi a correr ao espelho que tinha no closet e começou aos saltinhos enquanto andava às voltas para se ver de todos os ângulos.

-Tia, eu estou linda! – exclamou com um enorme sorriso.

-Meu bem, tu és linda! – acrescentei meigamente.

-Vais levar-me já para casa? – perguntou ela pedindo que não com o olhar.

-O teu pai vai almoçar com a tua mãe, por isso só te levo lá depois do lanche. – respondi eu enquanto punha as toalhas no cesto da roupa para lavar e arrumava a cama.

-Então hoje vamos passear ao parque pode ser? – implorou ela.

-Claro meu anjo, e tomamos o pequeno almoço naquela pastelaria que tanto gostas. – sorri eu.

Eram talvez 11 horas quando vi uma silhueta que me era familiar a caminhar ao longe na nossa direcção. Era ele, vinha com os headphones nos ouvidos e quando ia a passar por nós parou e veio cumprimentar-nos. Blair olhou para ele e depois para o meu sorriso e perguntou:

-Tia, ele é o teu namorado?

Muito atrapalhados dissemos que não ao mesmo tempo e depois soltámos uma gargalhada. Ela tossiu "Por enquanto!" e eu lancei-lhe um olhar de quem diz "Não podes dizer isso!" então ela encolheu os ombros e começou a brincar com os seus caracóis, ainda segurando a minha mão.

Sentámo-nos os três num banco de jardim e ele disse:

-Bem, não é justo saberes o meu nome e eu não saber o teu.

O meu coração começou a bater a 1000 à hora e não sabia o que havia dizer, mas Blair antecipou-se:

-Chama-se Kirsten, mas deixo que lhe chames Kiki.

Ele olhou para o fundo dos meus olhos e por momentos tive medo que ele encontrasse a nossa história gravada neles mas passados alguns segundos ele riu e disse em tom de brincadeira:

-Está bem. E Kiki como se chama esta pequenina?

-Podias perguntar-me a mim, eu sei falar! – resmungou ela antes de continuar – Chamo-me Blair e tenho 4 anos.

-Prazer em conhecer-te Blair. – sorriu ele.

-Sim, o prazer foi todo teu. – comentou ela revirando os olhos, mas depois sentou-se no colo dele e acrescentou, antes de lhe dar um beijinho na cara – Estava a brincar, também gostei de te conhecer Robert.

-Como sabes o meu nome? – perguntou ele curioso.

-A minha tia falou de ti durante o sono. – revelou ela a rir.

-Parece que a Kiki anda a pensar muito em mim então... Mas agora tenho de ir andando. Ciau meninas.

Dissemos-lhe adeus e fomos almoçar. Perguntei-lhe se aquilo que ela tinha dito de eu falar dele enquanto dormia era verdade e ela disse que sim e que eu estava sem dúvida apaixonada por ele. Durante a tarde fomos para os baloiços e escorregas. Por volta das 16h fui levá-la a casa, foi Sophie que nos abriu a porta.

-Olá. Entra Blair. Adeus Kirsten. – disse ela azedamente. Mas antes que pudesse fechar a porta eu entrei e disse que queria falar com o meu irmão.

-E queres dizer-lhe o quê? – perguntou ela com o mesmo tom azedo de sempre.

-Algo que não vou falar contigo certamente. – rematei eu usando o mesmo tom que ela usara.

Passei pelo átrio de entrada e subi as escadas, ao chegar ao primeiro andar perguntei-me se deveria mesmo falar com ele ou esquecer o assunto. Arrisquei e bati à porta do seu escritório.