Capítulo 4

Depois de assistir à despedida do Ichigo e da Rukia, foi para casa. Precisava de um tempo sozinha para pensar sobre o que ia fazer. Agora que o shinigami substituto perdera os poderes, haveria mais trabalho com os hollows.

−Eu já sei! Falou entusiasmada. – Vou treinar para ficar mais forte. Talvez o Hachi-san me possa ajudar! Mas … Eu não sei onde os Vaizards estão! Acho que vou falar com o Urahara-san.

Pegou na bolsa, calçou os sapatos e saiu rapidamente de casa. Estava com um pequeno sorriso, algo que agora vêm raramente na Deusa de Karakura. Poderia finalmente ficar forte o suficiente para acompanhar os amigos, e para além disso, era a oportunidade perfeita para ocupar a mente. Assim não andava sempre a pensar no ruivo nem nos seus últimos dias que haviam sido péssimos. Chegou em poucos minutos à loja do loiro, pois estava de tal maneira excitada que foi até lá praticamente a correr. Para sorte dela a Ururu estava a varrer a frente da loja.

– Ururu-chan, o Urahara-san está cá?

– Sim! Eu vou chamá-lo! Entrou na loja e desapareceu do campo de visão da ruiva. Pouco depois, a menina apareceu acompanhada do lojista.

– Inoue-san! Que bons ventos a trazem?

– Posso falar consigo Urahara-san?

– Claro! Voltou a sua atenção para a menina que estava com a vassoura na mão. – Ururu-chan, depois avisa-me se vier algum cliente!

– Sim!

– Anda comigo, Inoue-san! Conversaremos no meu escritório!

Caminharam pelo corredor até entrarem numa das últimas salas do edifício para terem mais privacidade.

– Então, o que queres falar comigo, Inoue-san?

– Eu quero treinar para ficar mais forte! Falou com um olhar determinante e decisivo, impossível de lhe ser negado o que quer que seja.

− Queres a minha ajuda, é isso? Deu um sorriso de lado. – Mas devo dizer que estou impressionado por quereres treinar os teus poderes! Falou com uma expressão indecifrável, algo que só acontecia quando ele sabia de alguma coisa mas fingia o contrário. – Decerto que isto não tem nada a ver com o Kurosaki-san, não é Inoue-san? Direto ao ponto. A ruiva já não estava surpresa por isso, afinal o lojista era muito sábio, apenas não o mostrava.

− Agora que o Kurosaki-kun perdeu os poderes, eu preciso de me esforçar para eliminar os hollows que aparecem na cidade, óbvio que preciso de treinar os meus poderes, da maneira como estou agora não irei conseguir fazer nada! Para além disso, eu queria treinar com o Hachi-san, já que os nossos poderes são semelhantes!

− Entendo! Realmente, ele é a pessoa mais indicada para te ajudar. Mas ainda não percebi o que queres de mim!

− É que eu não sei se eles ainda estão na cidade! Vim aqui para lhe perguntar se sabe onde eles estão!

− Estou a ver! Estás com sorte Inoue-san, eles deram-me a morada antes de se mudarem para outro local!

− Sério?! Será que eles não vão ficar chateados por me estar a dar a morada deles?

− Claro que não! O Hachi vai ficar contente por te ver!

Agarrou o papel com a morada dos Vaizards e saiu praticamente a correr da loja do Urahara. O loiro simplesmente sorriu por debaixo do leque, sinal de que pensava em algo sobre a novidade que acabara de descobrir. A Inoue, aproveitou para fazer o seu almoço favorito antes de se dirigir ao local onde estavam os amigos. Podia-se dizer que quando saiu de casa estava com uma cara de satisfação. Já há muito tempo que não comia a sua comida predileta. A tarde já ia a meio quando se dirigiu para o oeste da cidade. Pela morada que estava indicada no papel, chegou até um edifício bem no limite da cidade, abandonado para os residentes da cidade, ocupado para aqueles que apenas tinham esse conhecimento. Como sempre, estava protegido por uma barreira poderosa. "É bem a cara do Hachi-san!" Pensou alegremente por ter finalmente a oportunidade de rever os amigos. Tal como na primeira vez, esgueirou-se pela barreira, alertando os que estavam dentro dela, da chegada de uma visita.

– O que foi Hachi? Perguntou Kensei ao ver a inquietação do gorducho.

– Temos uma visita!

– Quem é?

– Alguém que eu não esperava ver tão cedo! - Olhava para cima das escadas com um sorriso. Os companheiros apenas olhavam interrogativos, e numa posição defensiva só para prevenir, para o local onde o gorducho sustentava o olhar, pois não sabiam a quem é que o Hachi se estava a referir. Assim que viram a ruiva aparecer ali e descer as escadas, deram um sorriso e saíram das suas posições defensivas.

– Boa tarde pessoal! Desculpem entrar sem permissão, mas eu precisava de falar com o Hachi-san!

– Orihime-chan, que saudades! Já estávamos a precisar de uma presença tão feminina e divina como a tua! – Shinji abraçou-a como da primeira vez, na escola de Karakura, deixando-a um pouco desconfortável.

– O que queres dizer com isso? Eu também sou uma mulher! Hyori gritou furiosa pelo comentário feito.

– Tu és uma exceção! - Falou de maneira calma e indiferente só para a provocar. Apenas lhe valeu uma valente chinelada na cara, que lhe pôs um nariz a sangrar.

– Boa tarde Orihime-san! Em que te posso ajudar? - Falou para ela sem se importar com os dois que discutiam.

– Eu queria que me ajudasses a treinar!

Todos os vaizards, incluindo os que brigavam, ficaram surpresos com o pedido, tomando atenção na conversa entre a ruiva e o gorducho.

– Treinar?! Porquê?

– Eu quero ser mais forte. Agora que o Kurosaki-kun perdeu os poderes, eu preciso de me fortalecer, senão não serei capaz de defender a minha cidade e os meus amigos. Para além disso, eu ainda não sei tudo sobre os meus poderes! Estava com o olhar distante. Estava a lembrar-se do seu cativeiro e de Las Noches. Quando a levaram para lá o Aizen disse-lhe o que eram os poderes dela, no entanto, nunca tivera oportunidade para os treinar, como é óbvio, o ex-capitão nunca iria permitir isso. Voltou à realidade quando chamaram o seu nome.

– Orihime-chan! Tens a certeza disso? - Perguntou o louro prevertido seriamente.

– Sim! - Colocou outra vez aqueles olhar decisivo que não leva não como resposta.

– Nesse caso nós ajudaremos!

– Terei todo o prazer em ajudar! – Falou a lésbica já com um sorriso.

– Vê lá se te controlas Lisa-chan! Ela vai pensar que és uma tarada! – Comentou Love.

– Ela é uma tarada! Passa o dia inteiro a ler revistas de mulheres nuas. – Rematou Rose para provocar.

– Como é que é? Vocês querem apanhar?

– Acalmem-se, por favor! Estão a assustar a Orihime-chan!

– Oi! Hyori chamou a atenção de todos. – Porque é que temos de ajudar no treino? Nós não temos nada a ver com ela!

– Não sejas assim! Ela é amiga do Ichigo, por isso nossa! Para além disso, é graças a ela que o Hachi tem a mão que perdeu. – Explicou Shinji.

– Se acharem que incomodo eu vou-me embora!

– Não é preciso! A Hyori está apenas a ser rude e idiota como sempre! – Falou kensei rudemente.

– Eu não estou a ser rude nem idiota! - Gritou furiosa. – Façam o que quiserem, mas não contem comigo!

– Como quiseres sua idiota! Isto valeu-lhe outra chinelada bem no meio da cara.

– Então quando queres começar? – Perguntou-lhe o gorducho.

– Por mim pode ser já amanhã! Depois das aulas!

– Então já está decidido! Agora, Orihime-chan aceitas sair comigo?

– Desculpa Hiraku-kun, mas não posso. Eu já combinei de jantar com a Tatsuki-chan! - Mentiu para se livrar do rapaz.

– Mas não precisa de ser hoje! Outro dia, pode ser? - Perguntou esperançoso.

– Sim! Vou gostar imenso de me divertir com um amigo! - Teve de dizer a última parte para o rapaz saber que era apenas amizade, nada mais.

– Obrigada Orihime-chan! Tu és a pessoa mais gentil e querida que eu conheço! - Deu-lhe outro abraço, deixando desconfortável novamente.

– Bem, eu tenho de ir! Até amanhã pessoal e obrigada! - Libertou-se do abraço e foi embora rapidamente para não haver mais abraços daqueles. Quando chegou à rua, o sol já estava a mandar os seus últimos raios de luz. Foi para casa calmamente a pensar se realmente aquela tinha sido a melhor escolha. Quando chegou ao seu destino, teve uma surpresa.

– Por onde andaste Orihime? Tentei telefonar-te mas não me atendeste! – Tatsuki estava irritada com a amiga. A ruiva havia simplesmente desaparecido por um dia e não tinha dito nada sobre onde estava.

– Olá Inoue-san!

– Olá! Está tudo bem Inoue-san?

– Olá pessoal! Eu tive algumas coisas para fazer! O que estão a fazer aqui? – Perguntou surpresa ao ver Keigo e Mizuiro ali junto da Tatsuki.

– Viemos convidar a nossa Deusa para uma saída com os amigos!

– E não digas não! Porque tu vens connosco! – Falou logo a morena para evitar que ela fugisse como tem feito ultimamente.

– Eu não ia dizer não! Até acho uma boa ideia! - Deu um sorriso que contagiou os restantes. - Sentia-se feliz por saber que os amigos se importavam com ela. De qualquer forma, assim não teria de jantar sozinha.

– Então vamos! - Keigo gritava enquanto corria feito parvo pela rua.

– Rápido! Vamos! – Inoue imitou o amigo escandaloso, mas não com tanto alarido.

– Já tinha saudades de ver parte daquele brilho! - Falou enquanto observava a melhor amiga. – É melhor irmos, senão aqueles dois ainda fazem um escândalo maior do que já estão a fazer!

O grupo seguiu para um dos restaurantes mais conhecidos da cidade, entre os jovens. O estabelecimento era amplo, com bastantes mesas. Era bem decorado, mas o que mais atraia os jovens eram os preços baixos e o cardápio bastante chamativo. Quando lá chegaram encontraram a Chizuru numa mesa reservada para mais do que uma pessoa.

– Orihime-chan! - Lançou-se para cima da ruiva, mas foi ao chão antes de lhe poder tocar.

– Tatsuki-chan! Não era preciso fazeres isso! Estás bem Chizuru-chan? - Perguntou preocupada.

– Sim! Obrigada Orihime-chan. És a pessoa mais gentil que eu conheço!

– Vá, vá! Vamos acalmar-nos. A nossa mesa está reservada! – Comentou Mizuino, como sempre agindo como um adulto.

– Mesa reservada? Inoue estava confusa. Ninguém lhe tinha falado em mesa reservada. Começou a ficar desconfiada de que escondiam alguma coisa.

– Sim! Hoje nós vamos ter um jantar em grupo. Nós e mais três que ainda estão por chegar! – Explicou a morena.

– Quem? - Perguntou entusiasmada.

– Nós! O quincy pronunciou-se enquanto ele, Sado e Ichigo se dirigiam para o grupo. – Boa noite pessoal!

– Boa noite! Porque é que vocês não me disseram que queriam fazer um jantar de grupo?

– Agora não é hora para explicações. Vamos comer, eu estou cheia de fome! - Tatsuki desviou do assunto para não ter de responder aquela pergunta. Se tivesse de dizer a verdade à amiga, a noite iria acabar mal. O jantar era uma maneira de animar a ruiva e de trazer algum do seu antigo brilho. Até agora tinham tido sucesso e não pretendiam fazê-la ficar pior.

Sentaram-se todos na mesa reservada para eles, abriram os cardápios e escolheram após alguns minutos. Não demorou muito tempo para os pedidos estarem à sua frente, prontos a comer. A meio do jantar, a ruiva sentiu-se mal disposta e foi à casa de banho. Depois de se ter recomposto, saiu do WC e dirigiu-se calmamente de novo para a mesa. Antes que estivesse de novo sentada, ouviu um choro de bebé. Esteve tentada a seguir o barulho mas quando os seus olhos pousaram sobre uma mulher com o filho no colo a tentar acalmá-lo, decidiu sentar-se e continuar o seu jantar.

– Este choro está a dar-me os nervos! Disse frustrado, depois de já estar a ouvir o bebé a chorar por algum tempo.

– Não sejas assim Keigo-kun! Tu também já foste um bebé. Eu vou ver se consigo acalmar aquele anjinho! - Levantou-se decidida a ajudar a senhora a acalmar o filho. – Peço desculpa! A senhora precisa de ajuda? Este pequeno anjinho parece estar bem agitado.

– É! Parece que não consegue dormir. Eu chamo-me Masuki!

– Eu chamo-me Inoue Orihime. Muito prazer em conhecê-la!

– Queres pegá-lo ao colo? - Perguntou ao ver os olhos da rapariga com vontade de pegar no filho.

– Posso? - A mulher apenas assentiu com a cabeça e colocou o filho nos braços da ruiva. – É mesmo um anjinho! - Passaram-se alguns minutos e o bebé parou de chorar. Até se pôs a rir quando a Inoue lhe lançou um lindo sorriso! – É mesmo uma gracinha. Tem um lindo sorriso!

– Tens muito jeito com crianças. Normalmente ele chora ainda mais no colo de estranhos!

– Eu adorava um dia ter um filho tão lindo quanto o seu! Bem, parece que ele se acalmou. Está na altura de voltares para o colo da tua mãe! - Voltou a coloca-lo nos braços da mãe.

– Obrigada! Tenho a certeza que um dia irás ser uma ótima mãe!

– Obrigada! Foi um prazer conhecê-la e a esse anjinho também.

– O prazer foi todo meu!

A ruiva voltou para a mesa sob o olhar atento dos amigos. Estava com um sorriso triste, apenas decifrável para a melhor amiga. Depois da sua desilusão com o ruivo, não queria abrir o coração para mais nenhum homem. No entanto, aquela criança fez-lhe perceber que essa decisão talvez tivesse consequências demasiado negativas na sua vida.

– Hime-chan! Chizuru abraçou-a. – A minha vénus é perfeita em todos os sentidos!

– Não é bem assim! Não existe ninguém perfeito! " Se eu fosse perfeita talvez conseguisse o amor do Kurosaki-kun!" Concluiu em pensamento. O último pensamento fez com que a sombra de tristeza que estava nos seus olhos aumentasse.

– Para com isso! Estás a deixá-la desconfortável! Assim que a morena viu a tristeza aumentar nos olhos da amiga tentou fazer o possível para ninguém mais notar. – Já agora, Orihime, a minha mãe perguntou se amanhã queres ir lá a casa jantar!

– Amanhã! Falou pensativa. – Não vai dar. Tenho uma coisa super, híper, mega importante para fazer!

– Uma coisa importante?! O quê? – Perguntou Ichigo curioso.

– Vou apenas buscar umas coisas a um lugar!

– Já sei! Vais comprar um presente para me ofereceres e declarares o teu amor! – De novo Keigo sonhava muito alto.

– Achas mesmo que ela gostaria de alguém como tu?

– Não digas isso Mizuiro! Pensava que eras meu amigo! - Disse a chorar como numa cena dramática.

– Precisas que algum de nós venha contigo? – O ruivo novamente perguntou.

– Não achas que estás a ser intrometido de mais, Kurosaki? Se ela não pediu é porque não precisa! "Eu não vou deixar que venhas com ela. De certeza que ela ainda não sabe sobre o Kurosaki e a Kuchiki-san. Eu não vou deixá-la sofrer!". – O que Ishida não sabia era que a ruiva já tinha conhecimento do relacionamento dos dois.

– Eu não preciso de ir acompanhada! Eu sei cuidar de mim! - Disse sorrindo, para tentar esconder a deceção que sentiu ao ver os amigos tratarem-na como se fosse de vidro e frágil de mais.

– Se tens tanta certeza! Tatsuki inclinou-se e falou-lhe baixinho no ouvido. – Depois contas-me tudo, sim? - A ruiva apenas assentiu positivamente. Estiveram mais uma hora no restaurante e depois seguiram para casa.

O dia seguinte despertou, e os jovens de Karakura dirigiram-se para a escola. Na turma do ex-shinigami substituto, estavam quase todos presentes quando chega a ruiva. Estava com uma aparência cansada e dava a impressão de estar exausta.

– Bom dia! - Disse com um sorriso, mas sem o entusiasmo normal. A Tatsuki, o Ishida e o Sado notaram logo a diferença quando não ouviram o famoso "Bom-dia Kurosaki-kun".

– Orihime, estás bem? – Tatsuki interrogou-a preocupada.

– Sim! - Tentava não olhar diretamente na cara dos amigos, para não notarem o cansaço. – Porque perguntas?

– Normalmente costumas entrar bastante mais alegre!

– Acho que hoje estou um pouco sem energia.

A ruiva estava exausta pela falta de descanso. Infelizmente os pesadelos continuavam até agora e o seu corpo estava a mostrar sinais de cansaço que já não podiam ser tapados com maquilhagem. No entanto, quando disse apenas "Bom dia", era de propósito. Nas horas que ficou acordada depois de acordar de um horroroso pensamento, decidiu que não poderia agir mais como a rapariga que era em relação ao Ichigo. Iria tratá-lo como os seus amigos e não como aquele que é dono do seu coração. Decidiu fechar o coração e não iria permitir a entrada de amor, paixão, esperança. Apenas iria viver com a amizade dos amigos.

Sentaram-se todos nos seus devidos lugares, para assistirem às aulas. Chegou ao meio dia e foram-se todos embora, já que não tinham aulas de tarde. A Inoue saiu a correr para não ser parada pelos amigos e foi para casa. Fez o seu almoço e depois de o comer, dirigiu-se para o esconderijo dos Vaizards.

– Olá Inoue-san!

– Olá pessoal!

– Orihime-chan! Como está a minha Deusa? – E como sempre Shinji atirava-se à loura para a abraçar.

– Mais bonita a cada dia! – Comentou Lisa com um sorriso maroto.

– Já começou com as taradices! – Murmurou Rose, sentindo pena da ruiva por ter de aturar tantos prevertidos.

– Eu não sou tarada! - Gritou furiosa e vermelha na cara.

– Claro que não! Love falou ironicamente e com uma expressão engraçada.

– É melhor pararem com isso! – Kensei finalmente falou autoritariamente para pôr fim à discussão.

– Vamos começar o treino Inoue-san? Perguntou Hachi.

– Sim! - Afastaram-se um pouco dos outros e sentaram-se no chão.

– Primeiro vou pedir-te que medites! A meditação permite obter o controlo sobre o teu espírito e poder! Por isso vais ter de o fazer todos os dias!

– Mas eu não sei como o fazer?

– Tens de cruzar as pernas como eu, fechar os olhos e tirar tudo da tua mente. Esquece os teus problemas. Tenta encontrar os teus poderes! Como sabes eles fazem parte da tua alma, por isso o que vais encontrar é o teu espírito! Falou detalhadamente e pausadamente para ela apanhar tudo o que era dito.

– Sim!

Cruzou as pernas e fechou os olhos. Colocou a sua mente na completa escuridão. Tentou encontrar algum sinal dos seus poderes e espírito mas não estava a conseguir. " Será que estou realmente preparada para isto? Estou a fazer isto por mim ou para ser reconhecida pelos outros!" Devido à frustração começou a encher a mente de pensamentos e perguntas. Eram questões retóricas por isso não teriam resposta. Mas para sua surpresa alguém falou.

− Quem é? Perguntou a ruiva sobressaltada.

− Alguém que esteve sempre ao teu lado! Falou uma voz na escuridão.

− Onde estás?

− Ainda não me podes ver! Apenas podes ouvir! Antes de mais, eu chamo-me Rikka.

− Porque é que eu não te posso ver?

− Isso, minha querida, não te poderei responder. Apenas vim até à tua presença para te avisar que se continuares a prosseguir com o treino sem estares preparada, as consequências serão devastadoras. Precisas de esclarecer todas as tuas dúvidas e só depois decidir o que queres fazer!

− O que queres dizer com isso? Eu não entendo e estou tão confusa! Ultimamente são poucos os momentos em que tenho alguma clareza e um pouco de felicidade!

− Eu sei o que decidiste em relação ao shinigami substituto, mas continuas em dúvida sobre o que realmente deves fazer. E não é só com ele, mas sim em relação a tudo!

− Sim! … Rikka, tu és parte do meu poder, não é?

− Sou, mas não digo mais do que isso. Quando estiveres preparada eu apresentar-me-ei pessoalmente e contarei tudo!

Havia passado quase uma hora desde que a Inoue começou a meditar. O Hachi observava curioso a rapariga e as várias feições que ela fazia durante todo o processo.

– Então como está a correr o treino? – Shinji aproximou-se curioso para saber como estava o treino.

– Já faz quase uma hora em que ela está assim! Parece que ela conseguiu o que lhe disse para fazer.

– Isso é bom, não é?

– Sim! Respondeu com uma expressão confusa.

– Então o porquê dessa cara? – Perguntou Lisa.

– É surpreendente! Normalmente demora algum tempo para nos harmonizar com o nosso espírito e poderes!

– Isso é bom ou mau?

– Não sei! Só depois de mais alguns dias de treino poderei ter respostas!

Passaram-se mais alguns minutos e a ruiva abriu os olhos. Ficou surpreendida quando viu todos os vaizards ali à sua frente com olhar curioso.

– O que foi? Porque me olham assim?

– Estiveste praticamente uma hora a meditar! – Respondeu o louro.

– Tanto tempo? Para mim pareceu só alguns minutos!

– Então Inoue-san, conseguiste alguma coisa? – Perguntou-lhe o gorducho.

– Muito pouco! Conheci, bem… não foi conhecer. Apenas uma voz que falou comigo. O nome dela era Rikka. Disse-me que ainda não estava preparada para fazer o treino. Primeiro tenho que esclarecer as minhas dúvidas!

– Rikka!? Estranho, eu não me lembro de nenhuma das tuas fadas ter esse nome!

– Isso porque era alguém completamente diferente. Eu não vi o rosto, corpo sequer, mas sei pela voz que era alguém diferente.

– Interessante!

– O que é que isso quer dizer? – Desta vez foi Kensei que perguntou revelando a sua curiosidade.

– Tal como já tinha dito uma vez, as presilhas da Inoue-san são como uma zampakutou! Eu penso que as seis fadas são a primeira libertação. O Shikai! Esta voz desconhecida pode ser aquilo a que chamamos de verdadeira forma da zampakutou. Ou seja, a segunda libertação, Bankai!

– Como é isso possível? Eu não sou nenhuma shinigami!

– O melhor seria esperar mais algum tempo e então procurar respostas!

Inoue preparava-se apara ir embora quando Shinji a surpreende outra vez com a pergunta que lhe tinha feito da primeira vez.

– Não posso Hiraku-kun! Preciso de ir buscar uma coisa urgentemente!

– Então, voltas amanhã outra vez, não é?

– Sim!

Despediu-se dos vaizards e foi para casa. Tomou um banho, comeu qualquer coisa e seguiu para o hospital. Iria finalmente buscar os exames que havia feito. Assim que lá chegou foi recebida pelo pai do seu amigo, Ishida Uryu.