(N/A): Olá, pessoal. Bom, eu ando meio triste com a fic, justamente pelos poucos comentários. É bem ruim você escrever uma história sem saber se está no caminho certo ou se está completamente errada. De qualquer forma, eu não vou desistir disso aqui, até mesmo em respeito às poucas pessoas que comentam; já fiz isso uma vez e me arrependi, então dessa vez eu vou até o fim. No mais, como esse capítulo é bem curto, resolvi postar de uma vez.
Como eu tinha dito, não costumo responder comentários porque fica meio sem sentido eu sempre dizer ''obrigada pelo elogio'' para todo mundo, até porque vocês já sabem que sou imensamente grata a todos que acham isso. Mas sempre que houver alguma dúvida/pergunta, faço questão de responder. Portanto...
Biancah: Olha, dizer que é um bom curso ou não é bem relativo. Tem seus altos e baixos e com certeza é bem diferente do que eu imaginei. Entrei no curso de Letras iludida, achando que ia pra lá aprender a escrever, quando na realidade é bem mais que isso. Acabei gostando por pura sorte. O que eu posso te dizer, de forma geral, é que você precisa de duas coisas para cursar Letras: paciência, porque é um curso que demora a se mostrar como realmente é, e um amor imenso por leitura. No mais, se tiver mais alguma dúvida específica, é só dizer (ou mandar um email, se não se sentir à vontade aqui: deyse_fb arroba hotmail ponto com). E eu não tenho conta no Pottermore. Ah!, e eu adoro Lendo o Futuro II :)
Quem mais tiver alguma questão e não quiser fazê-la por comentário, meu email está disponível a todos.
Beijos,
Lis Black.
Cap. III – A verdade?
No caminho até o 4º andar, Lily se concentrou principalmente em não esbarrar em mais ninguém: não achava que suportaria ser chamada mais uma vez de senhora. Ela também procurava não olhar muito ao seu redor, para evitar que algum suposto conhecido a parasse para conversar um pouco, de modo que andou de cabeça baixa todo o percurso. Deu uma olhada, antes de começar a subir as escadarias do hospital, na ficha de Severus Snape que ela havia recebido do recepcionista: parecia que ele tinha sido azarado por algum desconhecido e hoje estava apenas com metade das pernas com ossos. Isso fez Lily estremecer: ela ainda não conseguiu entender porque tinha se decidido pela profissão de curandeira, já que até onde se lembrava, tinha pavor de hospital e queria trabalhar no Ministério – alguma coisa deveria ter acontecido para ela mudar de idéia.
Talvez não tivesse ido tão bem nos NIEM's e ser curandeira tenha sido a sua única opção. Isso fez outra sombra de pavor atravessar o seu corpo. Ao levantar o rosto, finalmente se deparou com o corredor de Danos Causados por Feitiços. Fez uma careta ao seguir para a sala indicada no prontuário de Snape, respectiva à Enfermaria Urquhart Rackharrow para Feitiços e Azarações, e estremeceu ao ver seu nome ao lado do indicativo que mostrava o curandeiro responsável.
- Sinceramente, Merlin não entende nada de acabar com os problemas das pessoas. Ele devia ser demitido por incompetência, isso sim. – ela resmungou, antes de adentrar na enfermaria, sem olhar novamente para o seu nome dependurado na parede.
Olhando ao seu redor, Lily notou que apesar de haver várias macas, só tinham duas pessoas no recinto; ela se lembrou do que o homem da recepção tinha dito sobre Snape e o outro paciente brigarem sem parar e pensou que talvez isso fosse a causa das outras pessoas cujos prontuários estavam nas mãos dela não estarem presentes. Lily se ficou na dúvida se perguntar onde estava os demais pacientes estaria na lista de perguntas idiotas criada por Liana. Balançou a cabeça, tentando focar apenas nas suas ações seguintes e caminhou para a maca que estava mais próxima à porta.
- Hey, Lils! Porque diabos você está indo para a cama do Seboso? Eu sou prioridade aqui, lembra? – Lily ficou estática ao mirar o rosto do homem que havia se dirigido a ela com tanta intimidade.
- Sirius Black? – ela gritou, a boca escancarada. Sabia que havia escutado várias vezes o nome Black quando se dirigiram a um de seus pacientes, mas nem em seu pior pesadelo Lily podia imaginar que se referia exatamente ao Sirius Black.
- Eu acho que não mudei de nome de ontem para hoje. – Sirius comentou, ainda sorridente.
- Como sempre, uma resposta idiota para uma pergunta mais idiota ainda. – resmungou Snape.
Severus parecia abatido, mas com certeza ainda estava muito bem disposto para alguém que não tinha metade dos ossos das pernas.
- Ah, Snape, vá lamber sabão. – soltou a ruiva, para delírio se Sirius, enquanto Snape virava para o lado, fingindo ir dormir – Então, errr... Black? – ela começou, caminhando na direção de Sirius – Como você está se sentindo?
Ela tentou sorrir, enquanto ele a olhava curiosamente, piscando os olhos várias vezes.
- Bem, claro. – ele a estudou mais um pouco – Ah, entendi, ruiva. Hoje você está a fim de bancar a curandeira durona, não é? Sem problemas – ele se sentou, a postura ereta – Eu posso ser o paciente bonzinho... Isso vai ser divertido. – ele completou, animado.
Lily o olhava descrente. Não conseguia ver porque ele estava ali, mesmo que lesse em seu prontuário a expressão furúnculos generalizados e muito menos conseguia imaginar de onde Sirius e ela tinham adquirido tamanha intimidade a ponto de ele poder chamá-la de ruiva com tanta naturalidade. Só então se lembrou que era noiva de James Potter e isso talvez respondesse à sua segunda pergunta, embora não conseguisse deixar de exibir uma expressão de desgosto quando pensou nisso.
- É, exatamente isso. – concordou, agradecendo a escapatória que Sirius havia lhe dado – Então, furúnculos, certo? – ela avaliava cada palavra antes de pronunciá-la.
- Desde ontem, você não lembra? – Lily se apressou em concordar com a cabeça – Você já conversou com a Liana sobre isso?
- Com a Lia? – Lily arqueou uma única sobrancelha, já imaginando que o que viria a seguir seria uma conversa da qual ela não entenderia nada.
- Claro, ué. Ela está ao menos arrependida? – a voz de Sirius demonstrava uma esperança que Lily não ousou destruir.
- Arrependida. Sim. Muito. – ela afirmava, mordendo o lábio inferior – Muito arrependida, Black, você nem imagina quanto. Ela mal consegue conviver com a culpa.
- Céus, não é para tanto! São só uns furúnculos! – Sirius agora demonstrava preocupação, enquanto Lily se amaldiçoava por confirmar algo que ela não tinha idéia do que seria – Escute, diga para ela que eu a perdôo, ok? Isso, claro, se ela aceitar sair comigo na sexta que vem e também parar de reprimir todas as candidatas que se oferecem para por fim à carência que ela causa em mim.
- Fala sério, Black! Você ainda corre atrás da Liana? – ela não podia se conter, as mãos na cintura, o olhar incrédulo – Isso é contagiante, por acaso? Alguma doença de persiga a mulher que não lhe suporta que você e o Potter tem? Por favor! Será que vocês não percebem que a gente nunca vai cair nas graças de vocês?
O que se seguiu foi um silêncio mórbido. Inclusive Snape, que a todo custo tentara realmente dormir, estava olhando descrente para Lily, que ficava cada vez mais vermelha com o passar dos segundos. Sirius abriu a boca o máximo que pôde e então se levantou aos poucos da cama, ficando em frente a Lily e colocando a mão na testa da ruiva, como se verificasse a sua temperatura corpórea.
- Isso que você tem é o quê? Tensão pré-casamento ou algum tipo raro de febre draconiana? – ele a olhava, preocupado.
- Black, não seja infantil. – ela queria gritar e fugir daquele lugar, mas obviamente já havia feitos estragos suficientes na frente de Sirius e, o que era pior, na presença de Snape. Ela podia sentir os olhares do seu antigo amigo a fuzilarem pelas suas costas – Eu estou perfeitamente bem.
- Bem? Bem louca, só de for. – Snape agora se sentara na cama – Black, vocês a enfeitiçaram para que ela se casasse, é isso?
Sirius revirou os olhos e fingiu não ter ouvido.
- Eu estou no meu mais perfeito estado, Snape. Ninguém me enfeitiçou para que eu me casasse. – ele fitou Severus, a fim de parecer mais convincente – Eu amo o Pot... O James, ok? Amo. E, de todo o meu coração, você não vai querer que nós discutamos nesse exato momento a real causa para você desejar que eu esteja me casando à força. – as palavras de Lily pareciam diminuir Snape a pó, então ela lhe deu as costas – Sirius, você não pode se levantar, ok? Deite-se se não quiser que eu diga a Liana que você desistiu dela.
Mesmo com a ameaça que teria feito Sirius estremecer, ele deu uma última olhada para Lily e deitou-se.
- Jura que está bem? – ele perguntou, fazendo um bico.
- A curandeira aqui sou eu, Sirius. – ele revirou os olhos, visivelmente se esforçando para chamá-lo pelo primeiro nome – Agora vá, me mostre esses furúnculos, que eu não vejo nenhum.
- Ah, aquela poção de ontem melhorou bastante, todos os do meu rosto sumiram sem deixar marcas. Você um anjo, Lils, eu não sei como iria sobreviver se meu rosto ficasse com algum indício de pus. Mas o que realmente me preocupa – ele assumiu um ar sombrio – são outros. Eu acho que não tem mais nenhum deles, mas não tenho como checar se ficou alguma marca lá, então seja boazinha e faça isso por mim.
- Outros? Que outros? – Lily perguntou, confusa.
- Esses, claro. – ele virou de bruços e baixou as calças.
Lily piscou os olhos, como se não acreditasse no que visse. E, no segundo seguinte, desmaiou.
(...)
- Ela não me parece bem. – uma voz feminina soou distante na memória de Lily, como se não passasse se uma lembrança vaga, como aquelas que ela ainda mantinha do ritual que realizou com a fonte. E como naquela vez, a ruiva lutava para abrir os olhos, sem nenhum sucesso.
- Claro que ela não está bem, ELA DESMAIOU! – uma voz grave berrou ao fundo, claramente irritada.
- Ah, James, não seja grosso. Ela SÓ desmaiou. Além do que, a Lia já está vindo e vai passar na farmácia antes. – a mesma voz feminina tentava acalmar James.
- Ridículo. É só o que eu tenho a dizer. Ela estava em um hospital, Melina! Para que raios você a trouxe aqui? O mais lógico seria ficar lá, qualquer um sabe disso. – ele ainda não se acalmara completamente, mas tinha reduzido o tom de voz – Mas não, você prefere tratá-la com remédios trouxas! Onde você enfiou o seu cérebro, hein? Aliás, você ainda tem um cérebro?
- James Potter, eu só não lhe respondo a altura porque eu não estou disposta como você a usar termos tão baixos. – ela ameaçou e em seguida Lily pode sentir os olhares voltando-se para ela – Lily? Hora de acordar, não acha?
Essa expressão, mas que outra coisa, pareceu dar forças a Lily e ela abriu os olhos.
- Acordar? – ela mirou Melina – O quê, chega de pesadelo? Tenho dezessete anos de novo?
- Está vendo? – a voz de James vagou pelo recinto – Ela está DELIRANDO! Ok, Lil, vamos aparatar para o St. Mungus. – ele se aproximou, mas logo foi detido.
- Potter, não se aproxime! – berrou a ruiva, sentando-se na cama, com Melina ao seu lado – Que diabos! – ela o mirou de cima a baixo – Pelo menos agora você está vestido...
Imediatamente, ela foi fuzilada pelos olhares de Melina.
- Quer dizer... Assim... Oi, James. – a ruiva sorriu amarelo.
- É pior do que eu pensava. – ele concluiu, falando baixo e coçando a nuca.
- Ah, James, vai dar um passeio, vai. – Melina levantou-se e começou a empurrar James para fora do quarto – Vai ver tv na sala, vai fazer um suco de amora, vai conjurar comida para um mendigo, vai contar diabretes, acende um incenso, sei lá, qualquer coisa. Mas vai fazer isso fora daqui. – ela fechou a porta na cara do garoto antes que ele pudesse dizer alguma coisa.
- Obrigada. – Lily disse em um suspiro.
- Eu não queria que ele continuasse pensando que eu estava tentando te matar trazendo você para casa e acabasse me azarando. – a outra respondeu, dando de ombros e sentando ao lado de Lily – Além do quê, com ele aqui, você nunca ia se acalma e, Lily... Eu preciso que você fique calma. – completou, tentando manter a voz o mais tranquila possível.
- É tão ruim assim? – Lily perguntou, temendo a resposta.
- Você desmaiou quando viu o traseiro do Sirius, Lils. – Melina ria escancaradamente.
- Eu... Vi... Black... COMO É QUE É?
- Ah, mas que exagero. – Melina ainda sorria – Digamos que você foi examiná-lo, só que problema dele estava localizado...
- NA BUNDA! – Lily berrou, horrorizada – Ok, isso já está saindo do controle. Mel, me tira daqui, POR FAVOR! Eu EXIJO voltar para 1977, onde eu estava segura de qualquer homem que resolvesse tirar a roupa na minha frente. – ela sacudia a amiga pelos ombros – Diabos, primeiro o Potter, depois isso... Eu vou ter um treco, dá para entender?
- Lily, você já viu homens pelados antes... Você examinou o Sirius ontem, inclusive no traseiro... Você mora com o James. Acredita realmente que nada de mais, digamos, sério, aconteceu entre vocês?
Lily pareceu parar para pensar por um segundo, até voltar a gritar de tal forma que James imediatamente irrompeu pela porta do quarto.
- É isso que você chama de cuidar de uma pessoa? Eu vou levá-la ao hospital agora. – James caminhou até Lily e envolveu seus braços do ombro da ruiva, que ainda gritava em excesso para protestar.
- James, pare com isso. A Lily não tem nada demais, é só uma crise de nervos. Além disso, a Liana vai chegar em um minuto...
- Eu não vou ficar parado enquanto assisto você deixar a Lil estourar as próprias cordas vocais. – ele olhava para Melina mais sério do que já fizera na vida – A Lily vai para o St. Mungus e você não vai fazer nada contra isso.
- LILY, PARA DE GRITAR! – Melina berrou, fazendo com que Lily ficasse muda instantaneamente – Ótimo. Agora você quer, por favor, dizer ao James que você está bem, só um pouco histérica? – ela olhava para Lily como se fosse capaz de matá-la caso ela não dissesse o que lhe fora pedido.
- Eu... Bem... Um pouco histérica. – ela deixava palavras soltas no ar, enquanto reprimia novos gritos – Tô bem.
- Perfeito. Vamos ao médico, Lil. – James começou a guiar Lily para fora do quarto, mas ao chegar na porta, esbarraram com Liana.
- Ops. Aonde os pombinhos vão? – ela perguntou, sorridente, uma bolsa enorme nas mãos.
- Não vem você também, Lia. – James agora segurava Lily completamente, já que ela parecia fraca demais para se manter em pé sozinha – Nós vamos ao médico.
- James...
- MELINA, VOCÊ QUER CALAR A BOCA? – ele começou, sem olhar para a garota às suas costas – A Lily já surtou meia dúzia de vezes, já gritou o suficiente para chamar a atenção de todos os vizinhos de todo o prédio, então pare de me dizer que ela está bem! Eu vou me casar em duas semanas e para isso, por incrível que possa parecer, eu preciso de uma noiva! Ela – ele apontou para Lily – é a mulher que eu amo e eu não vou deixar que ela fique louca enquanto você insiste em mantê-la nessa droga de quarto!
- Seu estúpido! Grosso! – Liana começou, caminhando até Lily – Você não entende! Não sabe de nada, seu arrogante! Como você grita desse jeito com Mel? Você tem todo o direito de ficar nervoso, mas ignorante, jamais! Muito me espanta que a Lily realmente queira se casar com você. – ela agarrou a ruiva pelo braço esquerdo e puxou-a para si, fazendo com que James fizesse o mesmo com o braço direito de Lily, que permanecia calada, os olhos deslocados.
- Gente... – começou Melina.
- Eu não acho que as razões que ela tem para se casar comigo sejam de sua conta. – James respondeu, puxando Lily mais para si.
- Pessoal... – Melina dizia baixinho, tentando chamar para si a atenção.
- E eu não acho que o tratamento da Lily lhe diga respeito, considerando que você é a única pessoa nesse quarto que não sabe o que ela tem!
- Lia... James...
- É? E você sabe? O quê, alguém lhe contou na recepção do St. Mungus? – debochou James, o conhecido sorriso maroto em sua face.
- VOCÊS VÃO RASGAR A LILY! – gritou por fim Melina, o rosto extremamente vermelho.
James e Liana soltaram Lily instantaneamente e a ruiva caiu no chão, novamente desmaiada.
- Viu o que você fez? – gritaram ao mesmo tempo James e Liana, um apontando para o rosto do outro.
- Eu não mereço, não mereço... – Melina resmungou, olhando par Lily.
Sozinha, ela levantou a amiga do chão e deitou-a novamente na cama. Pegou um litro de álcool que Liana trouxe em sua bolsa e fez com que Lily o cheirasse, o que a despertou de forma gradual, impedindo que ela tivesse outro ataque.
- Vocês não querem se matar do lado de fora do quarto e me deixar cuidar dela? – perguntou Melina, olhando para James e Liana.
Os dois permaneciam estáticos, o olhar baixo e envergonhado. Lily os mirava, curiosa e silenciada, como se não lembrasse de nada que havia acabado de ocorrer. Com algum esforço, ela sentou-se na cama, com Melina ao seu lado. Respirou fundo e tomou a feição mais séria que tinha exibido nas últimas horas.
- Deixe que fiquem. – ela disse, quase baixo demais para que todos escutassem.
- Lil...
- Não, Mel. – ela olhava diretamente para James – O Potter precisa saber.
