Capítulo 4- Posse.

Sua. Não importava o quanto Ana-Lucia Cortez refutasse isso. Ela era sua. Toda sua. Foi o que Sawyer pensou na manhã seguinte ao vê-la deixando sua tenda para correr na praia. Diferente de outras vezes em que a vira, naquela manhã ela usava um short jeans apertado para acompanhar seu usual top preto. Nada de calça jeans. O short delineava bem demais seu empinado traseiro e as pernas torneadas de grossas panturrilhas estavam à vista de todos. Isso não era nada bom. Sawyer reparou que o estúpido do Steve/Scott estava olhando demais para ela enquanto degustava uma manga.

Mas também, poderia culpá-lo? Era impossível não notar que ela parecia diferente. Sua pele bronzeada estava luminosa e um meio sorriso formava-se em sua face delicada e bonita. Ela ergueu os braços levemente para prender os cabelos cacheados em um rabo de cavalo, o que remeteu Sawyer à sensação de seus dedos se embrenhando nos fios sedosos, puxando-os e sentindo-a estremecer em seus braços.

Ficou observando-a e era como se ela estivesse fazendo tudo em câmera lenta, amarrando os cabelos e então esticando todo o corpo, preparando-se para sua corrida matinal. Steve/Scott continuou fitando-a de um jeito tão intenso que começou a deixar Sawyer incomodado. Mas ele não saiu do lugar, continuou apenas observando, mesmo quando o homem se aproximou dela e lhe ofereceu uma suculenta e enorme manga rosa.

Da distância em que ele estava não podia escutar o que diziam, mas viu Ana-Lucia sorrir uma ou duas vezes para Steve/Scott. Ele nunca a vira sorrir para ninguém a não ser para ele mesmo, e isso apenas quando estava nua e vulnerável o bastante para permitir a si mesma um sorriso. Então por que ela sorria tão abertamente para Steve/Scott?

Ela aceitou a manga que o homem lhe oferecia e em seguida ele se afastou, sorrindo e acenando para ela como um bobo. Ana ficou segurando a manga e a cheirou com prazer antes de virar-se e olhar na direção de Sawyer. Ele não gostou nada de ser flagrado olhando-a, então se virou rapidamente para o outro lado e acenou para Jin que vinha mais adiante.

Ana sorriu consigo mesma. Ela sabia que Sawyer a estava observando desde o momento em que ela pusera os pés para fora de sua barraca. Seu. Não importava o que ele estivesse pensando naquele momento ao olhar para ela. Ele era seu. Aquele caipira lindo, tarado e estúpido era seu. Ele era a razão para que todos os músculos de seu corpo estivessem deliciosamente doloridos naquela manhã. Por isso precisava de uma corrida na praia, para extravasar toda aquela louca empolgação que estava sentindo desde que fizera sexo com a pessoa mais improvável naquela ilha.

Será que ele fazia ideia do quanto ficava bonito com aquela barba por fazer, os cabelos loiros em desalinho, o jeans justo que moldava suas pernas fortes e o traseiro irresistível? Ana prometeu a si mesma que ainda iria beliscar aquele bumbum até deixá-lo vermelho. Ou melhor, iria deixar a marca de seus dentes nele assim que tivesse chance.

Ela riu do próprio pensamento. Era incrível como as coisas tinham mudado para ela em apenas três dias. Há apenas três dias atrás ela não conseguia pensar em outra coisa que não fosse sua vingança contra o homem que a agredira na escotilha. Fora por causa dele que tinha ido atrás de Sawyer. Agora, depois de tudo o que tinha acontecido entre ela e o cowboy, se vingar parecia coisa sem importância. Antes de Sawyer, Ana não estava de fato vivendo, constatou. Ela apenas sobrevivia, dia após dia esperando que alguma coisa acontecesse para tirá-la do torpor que a acompanhava desde que caíra naquela ilha tendo que lidar com todo o tipo de situações terríveis.

Mas agora, diante dos últimos acontecimentos, por mais que um romance soasse como bobagem para uma mulher vivida como ela, e tendo a plena consciência de que seu envolvimento com Sawyer não passaria do sexual, Ana sentia que a vida na ilha se tornara mais interessante. Parecia sentir tudo com muito mais intensidade do que antes porque agora prestava atenção no paraíso ao seu redor. Conseguia ver a beleza do verde da selva, ouvia o barulho agradável do mar e sentia a areia fina e fofa da praia debaixo de seus pés, além de ter os olhos azuis brilhantes de Sawyer completamente voltados para ela, não importava que ele estivesse fingindo olhar para o outro lado. Ana sabia que por alguma razão louca, ela ganhara a atenção dele quando o desafiara roubando-lhe a arma. Fora por isso que ela vestira aquele short naquela manhã, uma das poucas peças de roupa que tinha conseguido para si, para chamar a atenção dele, para seduzi-lo já que agora conhecia o poder atrativo que tinha sobre ele.

No entanto, aquela tática não chamara apenas a atenção de Sawyer. Outros homens na praia pareciam ter notado as mudanças internas que se refletiam em Ana de dentro para fora. Mas ela não dava a mínima para isso. Finalmente, depois de mais de 48 dias naquela ilha Ana-Lucia sentia-se feliz apenas por respirar. Resolveu mandar pro inferno sua ideia de vingança e ficar bem longe do prisioneiro na escotilha. Já estava cansada de tanto sofrimento e desconfiança. E daí que o resgate não vinha? E daí que quase todo mundo naquele acampamento a odiasse por ter matado Shannon? Já era hora de tirar o peso do mundo de seus ombros. Estava em uma ilha paradisíaca e curtiria a vida. O que mais poderia fazer?

Ana correu pela areia da praia e deixou o vento fresco da manhã tocar seu rosto quando colocou os pés na água aquecida pelo sol, as ondas batendo forte contra suas pernas.

- Gosto do sorriso no seu rosto.- disse de repente uma voz grave vinda detrás dela.

- Como sabe que eu estou sorrindo, Eko?- Ana indagou sem se voltar para ele.

Eko mergulhou os pés na água e postou-se ao lado dela, os olhos apertados por causa da luz forte do sol incidindo diretamente sobre o rosto dele.

- Apenas sei.- respondeu ele.

- Quer dizer então que além de padre você é vidente agora?- ela o provocou.

- Não é preciso ser vidente para perceber que você abriu seu coração.

Ana ergueu uma sobrancelha.

- Vai adiantar se eu disser que não faço ideia do que você está falando.

Eko riu suavemente e respondeu, enigmático:

- "Matos tem olhos e as paredes têm ouvidos, Ana-Lucia." Além disso, a floresta sussurra nesse lugar, já devia saber.

Ela olhou para ele, assustada.

- Gosto de fazer caminhadas, sozinho na floresta. Nunca se sabe o que se pode encontrar.

- Ora, Eko... – ela começou a falar, sem saber muito que dizer.

- Não se preocupe. Seu segredo está seguro comigo. Aproveite a vida. Você merece. – Eko disse por fim e se afastou usando seu cajado para se apoiar na areia fofa.

Ana não quis nem pensar no que Eko poderia ter visto ou ouvido, mas sabia que podia confiar nele, que seus pecados secretos não seriam revelados a ninguém. Seria como um segredo de confissão embora ela não o tivesse confessado verbalmente.

Movida por aquele sentimento repentino de alegria e liberdade, Ana correu pela beira da praia e aproveitou toda a manhã.

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"Tenho muitas coisas. Mas do que ela precisa primeiro?"- Sawyer pensou analisando suas coisas dentro de sua própria tenda. Sabia que Ana-Lucia queria uma arma, afinal de contas fora por causa disso que tudo tinha começado, mas ele não estava disposto a dar uma das armas a ela. Mas podia dar outras coisas. O abrigo dela, por exemplo, fora no que pensara na noite anterior. A tenda dela precisava de uma estrutura melhor e de uma lona sem buracos para que quando chovesse ela não se molhasse. E ele cuidaria disso. A partir de agora Ana-Lucia teria todo o conforto que aquela ilha pudesse proporcionar porque Sawyer cuidaria dela. Não lhe faltaria nada.

Sentindo-se feliz com sua decisão, Sawyer pegou um machado e foi para a selva. Algumas toras de bambu seriam suficientes para fazer um abrigo resistente. Chegando ao local onde havia boa quantidade de bambu para cortar, Sawyer tirou a camisa e iniciou o trabalho. Trabalhava contente pensando no quanto Ana-Lucia ficaria feliz quando tivesse um abrigo decente para dormir e em como ela lhe agradeceria por isso.

Ele trabalhou incansavelmente por algumas horas e quando conseguiu o número de toras que precisava para consertar o abrigo de Ana, o barulho de grama sendo pisada o surpreendeu. Alguém se aproximava. Sawyer segurou o machado entre as mãos e ficou preparado para quem quer que fosse que estivesse se aproximando dele.

- Quem está aí?- ele perguntou, inseguro.

Ana-Lucia apareceu detrás das árvores com um sorriso malicioso no rosto. Segurava um cantil com água nas mãos. Vestia as mesmas roupas de mais cedo, mas os cabelos estavam soltos.

- Hey, cowboy, muito ocupado?

A pergunta inocente dela teve um duplo sentido na mente de Sawyer. Ele abaixou o machado e saboreou com os olhos a visão do short apertado que Ana-Lucia usava e que moldava tão bem suas coxas grossas.

- Uau!- ele suspirou sem nenhum pudor, devorando-a com os olhos. – Você é como o meu parque de diversões particular, morena.

- Se isso era para soar romântico, caipira, esqueça, você não nasceu pra isso.- ela atirou o cantil de água nas mãos dele. – Palavras sujas combinam muito mais com você... – Ana o provocou.

- Se falar sujo te deixa excitada, eu posso começar agora mesmo.- Sawyer devolveu a provocação, tomando um longo gole de água do cantil. Um pouco da água derramou enquanto ele bebia e um filete líquido escorreu pelo peito nu dele, mesclando-se ao seu suor devido ao trabalho intenso ao sol.

Ana-Lucia lambeu os lábios num gesto deliberadamente sensual e disse:

- Você ainda não respondeu à minha pergunta.

- Ah, sim.- disse ele retirando o excesso de água da boca com as costas das mãos. – Você perguntou se eu estou muito ocupado, bom, talvez eu esteja, depende do que você queria brincar, Lucy. Sou todo ouvidos.

Ela se aproximou dele e notou as toras de bambu que ele já havia cortado.

- Pra que tudo isso? Sua cabana me parece ter madeira suficiente.

- Não é para a minha cabana.- Sawyer limitou-se a responder.

- Não?- ela retrucou, chegando mais perto dele. Sawyer largou o cantil de água metade vazio no chão e passou seus braços pela cintura dela, fazendo com que Ana encostasse seu corpo ao dele. - Você não se cansa de me assediar?- falou ela sentindo o cheiro gostoso do corpo dele, mesmo suado era inebriante.

- Eu me pergunto quem está assediando quem agora.- respondeu ele, sentindo a mão pequena de Ana em sua nuca puxando o rosto dele para perto do dela e beijando-o.

Sawyer suspirou e deslizou suas mãos pelas costas dela, aproveitando para agarrar o traseiro de Ana e apalpá-lo da maneira que quisesse. Lambendo os lábios dela, ele sussurrou:

- Descobri hoje que gosto muito da sua bunda nesse short apertado.- disse ele enchendo as mãos no bumbum dela.

- É mesmo?- Ana retrucou. – E eu descobri hoje que ver você no meio da floresta... – ela o beijou. - ...suado... – beijou-o de novo. - ...e sem camisa, cortando madeira, me deixa muito excitada... – mais um beijo estalado.

- Isso é bom... – Sawyer gemeu no pescoço dela. – O que vamos fazer sobre isso?

- Você não vai fazer nada!- disse ela. – Vai ficar bem quietinho enquanto eu...

Ela deu um último beijo nos lábios dele e deslizou os lábios pelo peito dele devagar, descendo.

- Enquanto você faz o quê, baby?- Sawyer indagou com a respiração entrecortada, vendo Ana-Lucia beijar sua barriga e abrir o botão metálico de sua calça antes de puxar o zíper para baixo, ficando de joelhos.

- Cala a boca, caipira! Agora você vai ser o meu parque de diversões!

- Ai, meu Deus! Você é tudo o que eu sempre sonhei!- Sawyer exclamou, sentindo as pernas ficarem fracas de repente.

Ana sorriu, maliciosa e colocou sua mão no membro dele, acariciando por cima da cueca antes de colocá-lo para fora e continuar com as carícias.

- Você quer me matar?- perguntou ele, zonzo de tesão olhando para Ana tocando-o daquela maneira tão íntima no meio da selva à luz do dia.

- Não seria bom morrer de prazer?- ela perguntou, sem parar os movimentos que fazia.

Sawyer gemeu.

- Eu já te disse que agora você é meu, Sawyer?

- Oh, sim!- ele gemeu mais uma vez.

- Só meu!- Ana repetiu, beijando o pênis dele antes de começar a acariciá-lo com a língua bem de leve.

- E ainda tem gente que quer ir embora dessa ilha.- Sawyer comentou e Ana não pôde deixar de rir.

- Se continuar me fazendo rir, baby, não vou conseguir te levar muito longe.- ela passou suas unhas bem de leve pelas coxas dele enquanto o tomava novamente em sua boca. Sawyer grunhiu e suas mãos caíram sobre os cabelos dela, os dedos mergulhando nos fios negros.

- Você é maravilhosa, Lucy...tão bom...

- Você é gostoso... – ela elogiou tomando o máximo que podia dele em sua boca.

- Deus!- ele gemeu. – Preciso sentar...

Ana riu baixinho e se levantou. Sawyer a agarrou e a trouxe consigo para o chão. Ana o beijou na boca e ele agarrou os seios dela sob a camiseta preta antes de erguê-la e lamber um seio. Ela o empurrou gentilmente e retomou sua deliciosa tarefa de explorá-lo com sua língua.

- Oh, Ana!- ele gemeu alto sentindo que estava perto de gozar. Se ela continuasse com toda aquela provocação, ele não iria durar muito tempo. Mas ela não parou, continuou provocando-o ao limite, beijando-o e o sugando. Quando ela esfregou seus seios no corpo dele e os roçou em seu membro, Sawyer sentiu que ia explodir de tanto prazer. – Preciso ficar dentro de você... – ele implorou.

- Não!- disse ela deslizando as pontas dos dedos pelo pênis dele, fazendo pressão em pontos que o enlouqueciam. Ele se perguntava como ela saberia disso se estavam juntos há tão pouco tempo.

- Ana... – ele implorou, mas ela o abocanhou e apertou seus lábios ao redor dele, levando-o ao clímax.

Sawyer não acreditou quando seu próprio grito de prazer ecoou em seus ouvidos. Ana sorriu de satisfação por levá-lo tão longe.

- Você está bem, cowboy?- ela perguntou deitando a cabeça no peito dele. Sawyer a olhou. A luz do sol parecia irradiar diretamente sobre ela, em seus olhos, rosto e seios.

- Nunca estive melhor, muchacha... – disse ele acariciando o rosto dela e puxando-a para um beijo, mas Ana não o beijou de volta. Ao invés disso, ela levantou-se e ajeitou a blusa no lugar.

- Onde você vai?- Sawyer perguntou, incrédulo.

- Voltar para a praia.

- Mas eu... – ele começou a dizer sentindo que seu corpo ainda não estava satisfeito. Ele só ficaria satisfeito depois que estivesse dentro dela e a sentisse por inteiro. Mas, Ana não parecia muito disposta a continuar com a brincadeira.

- Até mais, cowboy!- disse ela caminhando para longe dele e pegando o caminho da praia. – Mas se você me quisesse de verdade, não me deixaria escapar... – ela acrescentou, rindo e se afastando depressa dele.

Sawyer balançou a cabeça negativamente, e sorrindo, levantou-se depressa, fechando o zíper das calças, pegando sua camisa e indo atrás dela.

- Hey! Não pense que as coisas vão ficar assim não...eu vou pegar você...

Ele correu pela floresta, bem-humorado, disposto a encontrar Ana, agarrá-la e fazer amor na relva. Podia ouvir os passos das botas dela na grama.

- Eu vou te achar! Prepare-se para o que vai acontecer agora!- o tom de voz dele era divertido, porém ansioso. – Chica!

No entanto, a animação dele deu lugar à frustração quando ele ouviu passos bem próximos dele e se lançou sobre Charlie, agarrando o pequeno inglês e estreitando-o em seus braços.

- Mas que diabos você está fazendo?- Charlie perguntou assustado.

- Ah, é você, maldito hobbit!- Sawyer exclamou, irritado, soltando Charlie.

- E quem você pensava que era pra me agarrar desse jeito?- ele retrucou, curioso.

- Não é da sua conta!- disse Sawyer deixando Charlie parado no meio da selva sem entender nada. Mais uma vez Ana-Lucia tinha lhe pregado uma peça, mas ele não iria desistir dela, não ainda. Não depois de ter provado da delícia que era estar com ela.

Agora que a conhecia um pouco melhor, ele já não pensava nela como uma mulher obcecada e bruta, mas sim como uma pessoa interessante e carinhosa o bastante para lhe dar bons momentos naquela ilha. Se tinham mesmo que ficar lá por que então não tornar a estadia mais agradável? Ele ainda não podia acreditar no que ela tinha feito com ele ali na selva há poucos minutos atrás. Seu corpo ainda estava excitado, ansiando por mais. Mas ele teria mais, ainda naquela noite, podia apostar.

Foi pensando nisso que ele retornou ao lugar onde estivera antes para buscar as toras de bambu que tinha cortado para melhorar o abrigo de Ana-Lucia.

Continua...