Título da Fic: Amor Sem Fronteiras

Autora: Kelen Potter

Contato: kelenvt (arroba) hotmail (ponto) com

Gênero: Romance/Geral

Status: Em Andamento

Fic UA (universo alternativo)

Disclaimer: Esses personagens não me pertencem, blábláblá... Esta fic tem apenas o objetivo de divertir...blábláblá.

Sinopse: Saori era uma garota rica, tinha tudo que queria, menos a felicidade. Era voluntária num orfanato, onde fingia ser pobre para ter amigos e fugir do seu mundo de futilidades. Tudo ia bem, até que acontece algo que muda sua vida, mas ela não sabe se pra melhor ou pior.

Amor Sem Fronteiras

IV – Encontros Indesejáveis

Quando Saori e June desceram para tomar o café, encontraram o Sr. Kido já sentado na cabeceira da enorme mesa na sala de jantar. Ele comia calmamente, e parecera nem notá-las se aproximar. Elas sentaram-se cada uma ao lado dele, de frente uma pra outra. Tatsumi serviu-as e logo se retirou.

Bom dia, garotas – Mitsumasa falou, encarando-as finalmente. – Foi bom o passeio ontem à noite?

Ah, sim papai, foi ótimo! – Saori deu um falso sorriso.

Julian deve passar aqui logo mais, e ele mesmo poderá me dizer o que achou do passeio...

June olhou intrigada para Saori, que apenas deu de ombros. Saori havia se esquecido completamente da mentira que inventara, pensava que seu pai nem mais se lembrava. Disfarçou a surpresa que sentia, e respondeu educadamente.

Claro, Julian poderá lhe descrever como foi a noite... Uma perfeita maravilha, né June?

A loira arregalou os olhos, sem saber o que dizer. Não teve parte na mentira, por isso ficou calada por uns instantes, até que Saori lhe deu um "pequeno" chute na canela.

Er... Sim, foi uma maravilha... – ela fez uma careta de dor quando Mitsumasa voltou sua atenção ao jornal que lia.

Saori suspirou, aliviada. Por enquanto havia se livrado de ser pega. Mas não teria muito tempo para pensar, pois a qualquer momento Julian Solo apareceria na mansão e sua mentira seria revelada. Franziu o cenho, preocupada. Saori ergueu o olhar e viu June lhe lançando olhares assassinos. Segurou o riso, e continuou a comer.

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Depois de tomarem o café da manhã, Saori e June foram para o quarto da primeira. Saori trancou a porta, observando a amiga sentar-se na espaçosa cama. Ela caminhou até ela e sentou-se ao seu lado.

Vamos lá, me diga, que história foi aquela de Julian? – June perguntou, apoiando o queixo na mão esquerda.

Sabe, meu pai não me deixaria sair se dissesse que iria jantar com uns amigos do orfanato, que além de ser pobres, são desconhecidos para ele. Então inventei uma história que iria ao shopping com Julian Solo e você. Entendeu agora?

Hum... Tá, mas como você vai fazer para confirmar isso? Afinal, seu pai disse que o Solo vem aqui ainda hoje, e aí não vamos ter como continuar com a mentira, né? – disse, pensativa.

Claro, mas vou dar um jeito nisso – Saori levantou-se e foi até o enorme espelho, admirando-se. – Por enquanto deixamos as coisas como estão. Pedirei ao Milo que me ligue quando o Solo chegar aqui, para eu poder voltar a tempo.

Tempo? – June indagou, arqueando a sobrancelha. – Tempo pra quê?

Pra nós irmos até o orfanato e voltarmos, ué! – Disse, virando os olhos.

Você é louca ou o quê? – June levantou-se, gesticulando irritada. – Seu pai já está desconfiado, e ainda você quer sair de novo? E se nós não chegarmos a tempo, hein? Aí, nos ferramos, e tudo por culpa sua!

Calma! – Saori voltou-se para ela, seu sorriso havia desfeito. – Preciso esclarecer umas coisinhas... Nada mais! Prometo que voltamos rápido.

June suspirou, derrotada. Não queria que nada de mal acontecesse a elas, por mais que quisesse ver Shun de novo, beija-lo outra vez. Seria muita burrice saírem agora, mas fazer o que? Quando Saori metia uma coisa na cabeça, nada a fazia voltar atrás.

Observou a amiga pegar o celular e ligar para alguém. Saori falava baixo, movimentando os braços a cada palavra mais forte. Rapidamente, desligou o celular e puxou a amiga para fora do quarto, sem ao menos dar alguma explicação.

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Seiya chegara tarde em casa. Depois de deixar Minu no orfanato, aonde ela morava, passou num barzinho que ficava na esquina de sua casa e tomou algumas cervejas. Ali, sentado no bar, relembrou de cada segundo do jantar. Era maravilhoso rever os amigos, aqueles que sempre foram seu porto seguro, como verdadeiros irmãos. Não se viam a mais de um ano, e pôde perceber como eles mudaram. Shiryu já não era tão brincalhão, passou a ser mais sério. O chinês demonstrava amar muito Shunrei, e vice-versa. Hyoga continuava o mesmo palhaço, mas agora não era mais mulherengo, galinha. Isso era facilmente percebido pelos olhares que ele lançava a Fleur. Em nenhum momento da noite o viu olhando para outra mulher, um fato raro de acontecer. Shun deixara seu lado infantil de lado, e amadurecera, tornando-se um homem praticamente, sem os gestos delicados e afeminados de antigamente.

Realmente, todos haviam mudado, e pra melhor. Tinha observado as garotas da mesa, e nenhuma superava a beleza de Saori, nem mesmo Minu (N/A: Sério?). Ela continha algo diferente, inexplicável. Seus olhos eram profundos, penetrantes. Durante a viagem de táxi, se pegara pensando inúmeras vezes naqueles lindos olhos verdes. Puniu-se mentalmente por tais pensamentos, pois tinha namorada, e ela não merecia isso. Depois de cinco garrafas de cerveja foi para casa, ou pelo menos tentou, porque sua embriaguez era tanta que não conseguia distinguir as pessoas dos cães que vagavam pela rua.

Acordou no outro dia com a cabeça rodando. Prometeu nunca mais beber, o que fazia raramente, de tanto que odiava pessoas bêbadas. Tomou um relaxante banho e resolveu ir até o orfanato. Minu não parecia nada bem quando a deixou no seu quarto, precisava conferir se ela conseguiria acordar esta manhã, pois tinha seus deveres como monitora do orfanato para cumprir.

Logo estacionava seu carro em frente do orfanato. Uma garota de cabelos verdes, que ele supunha ser Shina, varria o chão resmungando coisas inaudíveis. Passou por ela e notou-a o olhar de cima a baixo, o devorando com os olhos. Um arrepio percorreu o seu corpo, vislumbrando o olhar mais frio que já vira. Entrou no prédio e procurou pê-la namorada, mas não a encontrou em lugar algum.

Olá! Você viu a Minu por aí? – Seiya perguntou a uma garotinha que assistia televisão, entretida.

A tia tava conversando com a Marin, lá dentro – respondeu, sem desviar os olhos da tv.

Obrigado!

Seiya seguiu para a sala da diretora, na parte de trás do prédio. Marin era uma mulher de seus 28 anos, de aparência jovem, muito severa mas bondosa. Estava a alguns passos da sala quando ouviu os gritos estéricos. Marin estava brava, muito brava.

- ISSO FOI UMA IRRESPONSABILIDADE SUA! – ela gritava. – O QUE AS CRIANÇAS IRÃO PENSAR DEPOIS DE TÊ-LA VISTO NESTE ESTADO?

Desculpe-me Srta., mas...

MAS NADA! VÁ DEITAR-SE E VER SE CURA ESSA RESSACA, QUE AMANHÃ O SEU TRABALHO SERÁ DOBRADO, OUVIU BEM? DOBRADO!

Minu saiu correndo da sala da diretora. Só parou quando esbarrou em Seiya, caindo sentada no chão. Ele a olhou com pena, e ajudou-a a levantar.

Você está bem? – perguntou, gentil.

Não... A Ma-Marin está m-muito brava comigo – Minu chorava.

Tudo bem, vamos voltar para seu quarto sim? É melhor você descansar.

S-sim...

Era lastimável o estado que Minu se encontrava: ainda trajava o pijama de bolinhas amarelas (huahuahua) e calçava pantufas velhas; havia marcas de choro no seu rosto; seu cabelo estava todo desgrenhado e tinha profundas olheiras sob os olhos. Ela caminhou amparada por Seiya que a deixou deitada em sua cama, para descansar em paz.

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Eram quase dez horas da manhã quando Saori e June chegaram no orfanato. Entraram no pátio, cumprimentando as crianças que sorriam e abanavam as mãos para elas. Ao passar por Shina, que estava encostada na parede do prédio a olhando com desprezo, Saori virou o rosto, não antes de lançar-lhe um olhar de repulsa. Shina resmungou alguns palavrões que ela preferiu ignorar, e seguiu com June para dentro do orfanato. Algumas crianças estavam assistindo desenhos na televisão e nem perceberam-nas. June ficou ali com elas, enquanto que Saori se dirigiu para os aposentos de Minu. Ela caminhava de cabeça baixa, relembrando o jantar da noite passada. Nem percebeu quando alguém saiu do quarto da menina e acabaram se esbarrando.

Opa! Perdoe-me... Saori? – Seiya perguntou, espantado, percebendo o quão linda ela ficava sob a luz do sol.

Ahn... Olá, Seiya!

Saori sentiu um aperto no coração. Seiya saía do quarto de Minu, será que eles haviam passado a noite juntos? Eram namorados, tudo bem, mas pensar naquilo lhe embrulhou o estômago. Ruborizou sentindo-se tão próxima a ele. Seiya a olhava de uma forma estranha, um olhar indecifrável, o mesmo que ele a lançara na noite anterior. Ficaram se olhando por alguns segundos, até que Saori acordou para a realidade.

Er... A Minu está bem? – perguntou, desviando o olhar daqueles lindos olhos castanhos.

Sim, eu vim aqui hoje só para conferir mesmo... Estava preocupado – Seiya fechou a porta do quarto devagar, para não fazer barulho.

Ahh... Estão era isso... – Saori pensou alto, feliz.

O que você disse?

Er... Nada, nada... Vamos lá pra fora então? – perguntou, embaraçada, precipitando-se para o corredor oposto.

Sim, claro!

Seiya caminhava ao lado de Saori, olhando de esguelha para ela. Saori não ousava nem olhar para ele, de tanta vergonha que sentia. Suas mãos tremiam e ela sentia um grande impulso de beija-lo, mesmo estando ali, num orfanato cheio de testemunhas da infidelidade deles. Saori se repreendeu por pensar romanticamente sobre o namorado de sua melhor amiga. Sentia como se estivesse traindo-a. Chegaram na sala de estar, e observaram um casal de namorados se beijar, apaixonadamente.

Aew, Shun! – Seiya exclamou, divertido. – Arrasando corações!

Ah, olá Seiya, como vai? – disse Shun, afastando-se de June.

Eu que te pergunto, já passou a ressaca? – riu, assistindo o amigo ruborizar.

Bem, acho que já estou melhor, hehe... – Shun riu, sem graça.

Bem pessoal, eu e Shun combinamos de almoçar juntos, vocês não querem vir também?

O coração de Saori acelerou, pressentindo a proximidade que logo, logo estaria em relação ao Seiya. Ficou calada, esperando uma reação negativa dele. Saori pensou que ele recusaria o convite, pois Minu estava mal, de ressaca, e com certeza ele não aceitaria sair assim, só os quatro. Mas ela estava redondamente enganada.

Claro! Será ótimo, poderemos colocar o papo em dia, não é Saori? – Seiya a olhou carinhosamente, esperando uma resposta.

Claro, beleza!

Os quatro foram até o automóvel antigo de Seiya e dirigiram-se para um restaurante no centro da cidade. Não era nada comparado ao da noite passada, mas era muito confortável. Uma música suave tocava, deixando o ambiente muito convidativo. Os amigos sentaram-se no fundo do estabelecimento, e pediram os pratos do dia. Saori estava sentada ao lado de Seiya, de frente para June. Agradeceu mentalmente a ela, esta seria uma ótima oportunidade para conhecer seu "herói" melhor.

Enquanto esperavam o garçom trazer os pedidos, ficaram conversando. Saori tinha estampado no rosto um enorme sorriso, e não parecia querer desfaze-lo assim tão cedo. Sentia-se muito feliz, estando com seus amigos.

Eu sempre achei o Shun tímido – Seiya comentou, sorrindo maliciosamente. – Nunca pensei que algum dia o veria aos beijos com uma garota em público...

Nossa! Você era assim, tão tímido, meu amorzinho? – June perguntou, surpresa.

Huahua, não precisa nem responder Shun! – Seiya riu ao perceber o vermelhão do amigo.

Ai ai, o Seiya de sempre – Shun lamentou, acenando a cabeça negativamente. – Você não cresce nunca, hein?

Não, prefiro ser assim a ser um velho rabugento – respondeu, irônico.

Hahaha, você me lembra a Saori – June falou, olhando a amiga ruborizar. – ela é uma eterna criança.

June! – Saori censurou, ficando vermelha.

É sim senhora, sempre rindo, não importa as circunstâncias, e vive pra lá e pra cá, não sossega nunca!

Ah é? – Seiya sorriu para Saori. – Sabia que eu admiro essa "qualidade" nas pessoas? A vida é pra ser vivida, não para ser encarada como um dever que temos de cumprir corretamente.

Saori o olhou encantada. Ele era, com toda a certeza, um "gentleman", perfeito. Todos podiam sentir a vivacidade que ele emanava, o tornando uma pessoa extremamente simpática. Saori suspirou, numa cena que ela considerava típica de "garotinhas bobas apaixonadas". Censurou-se mentalmente.

O almoço foi servido e comeram em silêncio, às vezes parando para ouvir mais uma piadinha ou briguinha entre Seiya e Shun. June sentiu-se orgulhosa por ter feito a amiga ficar junto a Seiya por mais algum tempo. Ela notava o quanto Saori sofria calada. A pegara inúmeras vezes durante o almoço admirando Seiya, seus olhos chegavam a brilhar.

Bom dia, pessoal! – uma pessoa chegou enquanto comiam, apoiando-se na cadeira de Saori.

Jabu? – Seiya indagou, parecendo não acreditar que tivessem se encontrado justamente naquele lugar.

Eu mesmo, quem mais seria? – disse, sarcástico. – Olá, Saori! Sentiu saudades?

De repente ela sentiu asco, nojo daquele que a importunava sempre que podia. Jabu sentou-se ao seu lado, deixando-a entre ele e Seiya. Este último lançou um olhar atravessado para Jabu, demonstrando todo o desgosto que sentia. Jabu comeu rapidamente, olhando de vez em quando para Saori, de forma um tanto atrevida.

Como você nos achou aqui? – ela perguntou, quando todos já haviam terminado de comer.

Ah, eu não achei, apenas vim aqui e os encontrei – ele respondeu, passando o braço por cima dos ombros dela. – Tem algum problema?

Não, imagina – Saori sorriu falsamente. Por um momento ela pensou que teria um almoço feliz.

Então, quando vamos sair outra vez? – ele perguntou, chegando mais perto.

Er... Não sei, ando muito ocupada sabe...

Que tal sábado que vem? – Jabu disse, olhando de esguelha para Seiya. – Poderíamos ir a uma boate que tem aqui perto. Ela é ótima...

Seiya observava tudo com muita atenção. Não sabia porque, mas sempre que via Jabu sentia-se incomodado, como se ele fosse um completo estranho. Verdade que não se viam há muito tempo, mas isso era completamente diferente. Um sentimento de repulsa crescia dentro dele a cada momento, tornando a companhia do antigo amigo quase insuportável. Notou que Saori não gostava nadinha da petulância dele. Jabu era nada discreto, a paquerava constantemente. O clima estava tenso na mesa, ninguém mais agüentava aquela ladainha dele, sempre importunando Saori. Já estavam até de mau-humor.

Não, Jabu – Saori reclamava, tirando a mão dele de cima de seu ombro. – Não me ouviu? Eu estou muito ocupada.

Que isso! Quem é que estuda num sábado? Nem mesmo o maior cdf faria isso – ele disse, irritado.

Jabu – Seiya chamou, o olhando revoltado. – Deixa a garota em paz, não percebeu ainda que ela não quer sair com você?

Ele contorceu o rosto numa careta de ódio. Estava muito vermelho, parecia que ia pular em cima de Seiya a qualquer momento e arrancar-lhe a cabeça. Saori sentiu medo, nunca havia visto Jabu daquele jeito, ele era geralmente muito calmo. Observou, assustada, ele levantar-se e sair, não antes de lhe lançar um olhar assassino.

Tudo bem? – Seiya estava preocupado, Saori tinha os olhos arregalados.

Sim, tudo ótimo – ela respondeu depois de alguns segundos olhando para a porta do restaurante que fora fechada com força por Jabu.

Eu nunca o vi assim – Shun comentou, abraçando June. – O que deu nele? Será que finalmente se tocou que você não quer nada com ele?

Sei lá... – Saori sentiu medo ao lembrar do olhar que Jabu lançou-lhe. – Só sei que ele tava muito bravo.

Cuidado, Saori – Seiya advertiu-a, passando o braço pelo ombro dela. – Um homem apaixonado se torna uma fera quando rejeitado.

Ela estremeceu perante aquele toque. Seiya tinha a capacidade de tranqüiliza-la, e isso era estranho, pois haviam acabado de se conhecer. Saori não sabia como, mas eles pareciam se conhecer a muito tempo. As poucas conversas que haviam tido foram o bastante para perceberem que tinham muito em comum.

Os quatro amigos resolveram ir embora depois que Seiya e Shun dividiram a conta. Entraram no pequeno carro e voltaram para o orfanato.

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Já passava das duas da tarde quando o celular de Saori vibrou. Ela deu uma desculpa qualquer e saiu para o pátio. Abriu a bolsa e no meio de muitas bugigangas encontrou o seu pequeno celular.

Alô? – disse, olhando para os dois lados, verificando se não havia ninguém por perto.

Saori? Venha já pra casa, o engomadinho acaba de avisar que chegará aqui em quinze minutos.

Droga! To indo, Milo, segura as pontas aí pra mim!

Certo, tchau!

Saori desligou o celular e entrou na sala de estar do orfanato. June a olhou preocupada, pois o olhar da amiga denunciava que algo muito ruim acontecera ou iria acontecer. Levantou do sofá discretamente e caminhou até ela, perto da mesinha que ficava ao lado da porta.

O que houve? – perguntou June, num sussurro.

O Milo me ligou e disse que o Julian chegará lá em casa daqui quinze minutos.

Merda! O que vamos fazer?

Ir para casa... Já!

As duas voltaram para o sofá, aonde Shun e Seiya conversavam, animadamente.

Nós já vamos, pessoal – Saori disse, sorrindo.

Ahh, já? – Seiya levantou-se e ficou de frente para ela. – Por que não ficam um pouco mais? Daqui a pouco a Minu acorda...

Não Seiya, nós realmente temos que ir – Saori puxou June pelo braço, delicadamente, e afastaram-se dos garotos.

Tchau, amorzinho! – June beijou a mão e soprou um beijo invisível para Shun.

Ela e Saori saíram correndo pelo pátio e seguiram rua acima para o ponto de ônibus. No exato momento em que chegaram lá, o ônibus que iriam pegar chegou e então subiram nele. Enquanto não chegavam na mansão Kido, Saori pensava sobre sua condição. Estava apaixonada por alguém que era namorado de sua melhor amiga. Não sabia o que fazer, se não investisse nesse amor sofreria com certeza, mas se fosse em frente faria a amiga sofrer, e nem sabia se Seiya ficaria com ela. "Dúvida cruel", pensou, quando ela e June chegaram na frente do portão de sua casa.

Srta. Saori, Milo disse que tem algo muito urgente para falar com você – Camus comunicou, saindo da guarita.

Merda, mil vezes ,merda! – Saori resmungou, puxando June e correndo, desembalada, além do portão.

Saori acabara de lembrar que Julian Solo já deveria estar ali, conversando com seu pai e revelando que não estivera com ela na noite anterior. Avistou Milo, encostado na BMW, e foi até ele, com June em seu encalço.

Ele já está aí? – perguntou Saori, ofegante.

Sim, acabou de cheg...

Ela nem esperou ele terminar a frase. Correu para dentro da mansão e se dirigiu para a sala de estar. Nenhum sinal de Julian ou seu pai. Seguiu para a sala de jantar e também não os viu. Foi, então, para o único lugar que poderiam estar: no escritório de Mitsumasa Kido. Caminhou nervosa pelo estreito corredor que ligava aquela parte da casa ao escritório nos fundos da propriedade. Parou estática ao ouvir a voz de Julian. Encostou-se na soleira da porta com June ao seu lado, escutando o que se passava lá dentro.

Sinceramente, Senhor – Julian disse, num tom respeitoso. – Eu ficaria imensamente feliz se porventura sua filha quisesse sair comigo.

Eu também, Julian – ouviram a voz grossa e severa de Mitsumasa. – Que tal neste sábado? Vocês poderiam sair, ir a algum lugar que esses jovens de hoje em dia apreciam.

Mas... Será que ela gostaria? Digo, talvez ela não possa...

Bobagem! – Mitsumasa exclamou, num tom impaciente. – Ela vai querer sim, pode acreditar nisso. Você passa aqui a que horas?

Er... Às oito está bom? – a voz de Julian era vacilante.

Claro, ótimo!

Ouviram som de passos. Saori puxou June para trás de uma enorme e pesada cortina de veludo. A porta do escritório se abriu, e por ali passaram Mitsumasa Kido e Julian Solo, sorridentes. Saori esperou eles sumirem no corredor para sair de seu esconderijo. Suas mãos tremiam de raiva, não podia acreditar que seu próprio pai arranjara um encontro com a pessoa que ela mais detestava na face da terra.

Você está bem? – June segurou na mão dela.

Não... Não consigo crer nisso...

Saori correu de volta para a sala de jantar. De lá, observou Tatsumi despedir-se de Solo, fechando a porta logo em seguida. Esperou o mordomo voltar para a cozinha e subiu as escadas correndo. Foi direto para seu quarto, fechando a porta com força. Jogou-se na cama e começou a chorar. Era incrível que seu pai não se importasse com ela, com sua felicidade. Quantas vezes fora obrigada a ir a jantares da alta sociedade por pura vaidade dele? Quantas vezes deixara de sair com seus amigos para ficar em casa, recebendo grã finos idiotas "amigos" de seu pai? Quantas? Na verdade já perdera as contas. Lágrimas e mais lágrimas escorriam por seu belo rosto enterrado no travesseiro. De repente, a porta do quarto abriu-se e por ela entrou June, cautelosamente. Ela trancou a porta e deitou-se ao lado da amiga.

Não fica assim, Saori – passava a mão pelos cabelos da amiga, carinhosamente.

Como, Ju? Como? – Saori indagou, em meio a soluços. – Meu pai me despreza, Ju, ele não se importa comigo... Com minha vida idiota.

Não fale assim! Ele te ama, apenas não sabe como lidar com isso.

Há, que piada! – levantou o rosto e sentou encolhida, escorada na cabeceira da cama. – Como um pai não pode saber lidar com uma filha? Isso não existe! Desde pequena fui desprezada, tratada como uma estranha... Até os empregados me amam mais que meu pai.

June não falou mais nada. Sabia que Saori não se acalmaria tão cedo. Deixou a amiga chorar, pois fazia bem desabafar. Durante todos esses anos, desde o primário, ouvira as reclamações da amiga em relação ao pai. Já nem sabia mais como agir nessas situações. Abraçou a amiga e ficou ali, ouvindo os soluços que Saori dava. Nesse momento ela precisava de um ombro amigo, e isso era o máximo que June poderia fazer.

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Era noite quando Saori saíra do quarto. Ela tinha profundas olheiras e caminhava abraçada a June. Elas desceram as escadas e sentaram-se no sofá na sala de estar. Mitsumasa jantava tranqüilamente, com Tatsumi de prontidão ao seu lado, de pé.

Tatsumi, cadê a Saori? – perguntou, erguendo os olhos do prato quase vazio.

Ela não quis jantar, Senhor, disse estar indisposta.

Essas crianças de hoje em dia...

Saori ouvira o comentário do pai, e quase explodiu de raiva. Ele parecia nem ligar para o que ela sentia. Queria sair de casa, ir para qualquer lugar, desde que não tivesse que encontrar com seu pai, pelo menos naquela noite.

June, você disse que iria hoje numa boate com o Shun, né? – perguntou, olhando-a com um brilho nos olhos.

Sim, mas se você quiser eu fico aqui com você...

Que isso! Eu vou é junto com vocês – Saori parou, desfazendo o que seria o começo de um sorriso. – Isto é, se vocês não quiserem privacidade...

Ah, deixa disso, Saori! – June sorriu, abraçando a amiga. – Claro que você pode vir junto, os rapazes também irão.

Bom, se é assim, eu também vou!

As duas voltaram para o quarto de Saori. Já estava perto da hora que Shun combinara de passar na casa dela. Saori tirou um monte de vestidos do armário, mas não fazia a mínima idéia do que vestir. Já havia tomado banho e estava apenas de roupão em frente a um monte de roupas.

E então, June, o que eu visto?

June olhou para aquele montaréu de vestidos e coçou a cabeça, confusa. Com certeza Saori nunca fora a uma boate, pois suas roupas eram mais adequadas para um jantar de negócios, não para uma saída despreocupada com os amigos.

Sabe, acho melhor você se vestir lá em casa – sugeriu, depois de avistar uma saia comprida preta, com "discretos" babados.

É, você tem razão, eu não tenho nada que preste.

Saori colocou uma calça jeans surrada e uma regata branca. Ela e June desceram e foram até a sala de estar, aonde se encontrava o Sr. Kido.

Papai, será que eu posso ir dormir na casa da June? – Saori perguntou, com má vontade.

Tudo bem, mas já vou avisando que sábado que vem você sairá com Julian Solo.

Claro, papai... – falou, sarcasticamente.

Virou-se e saiu de casa. June a olhava preocupada, pois Saori tinha um brilho estranho nos olhos, um brilho que ela nunca vira. Seu olhar era obstinado, cheio de mágoa. Elas entraram no automóvel da mansão. Milo já as esperava lá dentro.

Para onde, garotas? - ele perguntou, olhando pelo retrovisor.

Para o inferno seria ótimo – Saori respondeu, ignorante.

Epa! Seu pai descobriu então o que vocês fizeram ontem?

Não, pelo menos achamos que não, mas Saori não está de muito bom-humor hoje...

Dá pra vocês calarem a boca e irmos embora de uma vez?

Claro... – Milo riu baixinho. - ... Estressadinha!

Saori bufou, cruzando os braços.

Continua...

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N/A: Olá pessoas! Eu naum estava muito inspirada, e acabou q este capítulo ficou muito podre... Mas eu prometo q o próximo fica melhor, ok? Claro, o capítulo cinco vai falar sobre o q aconteceu na boate hehe. Já deu pra perceber o quanto eu gosto da Minu, neh? (pijama de bolinhas amarelas... huahuahua) Bem, pois saibam q vai piorar para o lado dela huahuahauahua (eu sou má rs rs). Muito obrigada pessoal a quem leu a fic e ainda naum desistiu dessa porcaria ¬¬ Mas, mesmo assim, to fazendo o melhor q eu posso -.- Muitíssimo obrigada a quem deixou reviews, vlw mesmo!

N/A2: Só mais uma coisinha: por favor, deixem reviews, senaum eu naum continuo mais, pois continuar pra quê se ninguém lê minha fic? Entaum, please, deixem suas opiniões, eu agradeço de coração!

N/A3: O quinto capítulo será postado bem rapidinho, pois grande parte dele seria deste capítulo, mas como este capítulo ficou muito grande eu o dividi. Continuem lendo a fic... E naum esqueçam das reviews, hein?

Bjux...

Kelen Potter