Autora: Carissa Black
Rate: M só para garantir
Disclaimer: não sou dona de nada, apenas uma super fã de HP
Recado: essa trama contém slash e mpreg (gravidez masculina), estão todos avisados!
Pares: OB(HP)/DM; SB/RL; LP/JP; RW/HG; NM/LM entre muitos outros que vão se formar ao longo da história.
Capítulo 3
Orion correu o mais rápido que pode, passou ventando pelo Caldeirão Furado e perdeu-se nas ruas movimentadas da Londres trouxa. Tudo o que desejava era pôr a maior distância possível entre ele e seu passado. Não, ele não corria daqueles que mais amor lhe deram quando estavam vivos. Ele fugia daquilo que certamente viria se permanecesse onde estava, a verdade. Todos iriam querer saber o porquê de sua chegada naquela dimensão, tentariam descobrir o que tinha acontecido e isso não podia acontecer! Ele estava livre! Livre!
Se as pessoas descobrissem o que ele havia feito, não demoraria muito para esperarem que ele fizesse o mesmo aqui. As pressões recomeçariam, as batalhas, os fracassos...as mortes. Orion não tinha certeza se poderia agüentar perder sua família novamente. Provavelmente não. Então, era melhor que não se arriscasse, não era? Ele não poderia perder o que não tinha, não é mesmo? A frustração que o inundava parecia divertir-se com seus pensamentos turbulentos. Rindo do óbvio: não havia para onde correr.
Tão preocupado estava em correr para longe, que não percebeu em qual direção seguia. Quando uma fisgada de dor em seu lado esquerdo o obrigou a parar e sua respiração começou a voltar o normal, seu cérebro finalmente pareceu compreender o problema em que estava: perdido, total e completamente perdido. Ótimo. Era tudo o que precisava, pensou. Agora só faltava ser assaltado por algum bêbado armado. Já imaginando o que faria se de fato isso ocorresse, não reparou na menina que se aproximava dele por trás. O que em sua cabeça sem dúvida justificava o salto que deu quando uma mão tocou seu ombro, para não falar na mão que voou para varinha. Graças a Deus, tivera o bom senso de não a puxar para fora! (Não conseguia nem imaginar como explicaria aquilo se o tivesse feito.)
"Você está bem?" perguntou a garota quando ele deu um pulo antes de se virar para encará-la. "Não precisa se preocupar, no momento não estou mal intencionada" disse com um sorriso zombeteiro. Era uma jovem alta, talvez uns centímetros a mais que ele, cerca de 17 anos, cabelos longos e escuros com mexas rosa-choque. Um piercing no nariz e outro no umbigo, que estava à mostra. Usava tope e calças pretas, com uma camisa aberta de um tom um pouco mais escuro que suas mexas por cima do conjunto. Olhos castanhos analisando-o criticamente.
"Desculpa, eu...estou um pouco perdido. Acho que me deixei levar pela imaginação." Deu um sorriso embaraçado e passou a mão pelos cachos negros, o olhos da jovem acompanhando seus movimentos.
"Você não é daqui, é? Nunca o vi por essas bandas antes?"
"Ah não, eu acho que nunca estive por aqui" respondeu, olhando em volta. Certamente ele não se lembrava de ter estado em um lugar parecido antes. O bairro tinha muros pichados, prédios demolidos ou a caminho de ser. Algumas lojas de aparência dúbia encontravam-se em ambos os lados da rua e seu olhar se deteve em uma diretamente atrás da garota a sua frente: Frenéticos – Tatoos e Piercings. Ela pareceu notar para onde olhava porque logo virara-se e apontara naquela direção.
"Aquela é a loja do meu mano. Eu vi você pela vitrine, perecia estar com problemas. Achei que deveria bancar a boa samaritana e vim ver se precisava de ajuda" voltando-se para ele novamente, estendeu a mão: "Meu nome é Bel, de Belinda, mas se repetir isso em voz alta nem os tiras conseguirão juntar todos os pedacinhos" e Orion teve de concordar, ela parecia bem capaz de cumprir a promessa. Sorrindo, um pouco mais calmo, apertou sua mão.
"Orion, prazer em conhecê-la."
Bel levantou as sobrancelhas, seu sorriso se alargando.
"Carinha educado você, heim!" Recebendo um sorriso embaraçado do outro, que apenas deu de ombros. Ele tivera que aprender desde cedo a ser polido ou lidar com as conseqüências, e entre um e outro, preferia a opção menos dolorosa. "Orion, você disse? Teus velhos deviam ser vidrados em astronomia, não?"
"Um pouco" disse o menino, deixando escapar um sorriso enigmático.
"Bem, porque não me conta o que estava te incomodando? Afinal eu tenho um trabalho para desempenhar aqui!"
"Trabalho?" Será que ela tinha largado seu serviço para ajudá-lo? Uma pontada de culpa o fez encolher um pouco os ombros. Bel pareceu notar sua reação, pois emendou rapidamente:
"Claro! Minha boa ação do dia, lembra?"
"Boa...ah!
"E então, vai ou não vai me dizer qual era o seu problema? Eu não posso ajudar se não souber o que é. E deixe-me avisá-lo, meu amigo, levo meu trabalho muito a sério!" Certamente ela tentava, pensou o garoto, notando como os cantos de sua boca lutavam param conter o sorriso maroto que ameaçava descreditá-la.
"Certo, bem talvez você possa me ajudar mesmo. Eu meio que me perdi, sabe? E não me lembro muito bem qual o caminho que tomei antes de..." mas deteve-se antes de pronunciar a palavra fugir, esse problema não planeja discutir. Infelizmente, Bel tinha planos diferentes.
"Você estava correndo, eu vi. Parecia muito preocupado. Foi assaltado ou coisa parecida?"
"Coisa parecida" e parou por ai.
A garota entendeu o recado e não forçou a barra, entendia muito bem a necessidade de manter algumas coisas caladas. Privacidade era um culto em sua casa. Nem maluco tinha coragem de entrar em seu quarto sem ser convidado, pois estaria condenando a si mesmo. Tomando uma decisão de momento, ela agarrou o braço do menino e o arrastou para o outro lado da rua.
"Sei exatamente do que você precisa!" disse com animação evidente.
"Do que?" perguntou o outro espantado.
"Um dia light! Só diversão e nenhuma preocupação!"
"Mas eu preciso encontrar o caminha de volta e..."
"Você sabe seu endereço, não sabe?"
"Sei mas..."
"Então depois você só precisa pegar um táxi, ora! Dã!"
E para aquela pérola de bom senso, Orion não teve resposta. Era verdade, podia pegar um táxi a qualquer momento e mesmo se não soubesse o endereço o Nôitibus Andante existia justamente para solucionar tais problemas, não é mesmo? Cara, ele tinha entrado em pânico por nada! Não ter pensado nisso era prova cabal do estado em que estava sua mente naquele momento e desse jeito não faria bem algum voltar mesmo. Talvez Bel estivesse certa. Um dia sem preocupações poderia ajudá-lo a colocar a cabeça no lugar. Ou não – murmurou uma pequena voz dentro de si.
"O que você quer dizer com diversão exatamente?" Cautela afinal nunca era demais.
"Bem, você me parece ser um cara legal. Então eu pensei em te dar meu tratamento VIP: compras, cinema e um jantar no melhor point do momento. O que acha? Topa?"
"É, acho que sim...parece um programa inofensivo" mas vendo o sorriso malicioso no rosto da nova amiga ele achou que talvez aquela não tivesse sido de fato uma boa idéia.
"Ah é! Bem inofensivo, não se preocupe! Acho que o primeiro passo deve ser o piercing, o que prefere: na língua ou na sobrancelha, pessoalmente eu prefiro a primeira opção..." continuou a outra com voz inocente, empurrando-o para dentro da loja do irmão.
"QUÊ!!!"
"Merlim, que dia!" exclamou quando por fim entrou no Beco Diagonal. Bel o arrastara para cima e para baixo: primeiro os piercings, um na língua e outro na orelha (que a amiga "esqueceu" de dizer o quanto doíam); depois foram a um shopping local e compraram as roupas mais loucas que encontraram (segundo Bel aquela era uma forma de expressão e Orion só aceitou o argumento porque de fato gostara delas). Assim que pagaram pelas roupas, os dois escolheram as mais esdrúxulas para usar e foram se trocar no vestiário da loja. Bel agora usava um vestido curto roxo, com os dizeres VADIA: UM ESTILO DE VIDA em preto no peito. Orion, por sua vez, escolheu algo que considerava menos agressivo: usava uma calça jeans escura, artisticamente rasgada, e uma camiseta preta com uma águia dourada na frente.
Entraram no cinema um minuto antes da seção começar e quase se mijaram de tanto rir logo no começo de "Gloss e Gliter", que mostrava uma paródia dos clipes musicais nos anos 70. O filme foi rápido, mas tudo que é bom dura pouco quando a gente esta se divertindo, e logo os dois estavam se dirigindo a praça de alimentação. Como Orion estava restrito a líquidos e caldos (gelados de preferência), ambos decidiram jantar taças enormes de sorvete com calda de menta, uma novidade que ambos aprovaram. Ele não pode deixar de notar que, com exceção do café da manhã completo que tomara naquele dia, antes de ir ao Gringotts, tudo o que consumira fora sorvete. Não que estivesse reclamando, pelo contrário! Achava o máximo!
Porém a hora de despedirem chegara e ambos combinaram de se encontrar dali a dois dias na mesma sorveteria que acabavam de deixar, por volta do meio-dia. Satisfeito com a nova amizade que fizera e mais animado com a perspectiva de voltar a vê-la em pouco tempo, Orion caminhou na direção contrária aquela que Bel tomara e quando não viu ninguém ao seu redor, chamou o Nôitibus. A viagem demorou mais do que as que fizera anteriormente, uma vez que precisaram fazer diversas paradas pela Inglaterra e apenas duas horas depois, por volta das onze e meia da noite, é que pôde finalmente desembarcar na frente do Caldeirão Furado.
O estômago, protestando veementemente contra a escolha de condução, só era superado pela dor no local de seus novos piercings que – apesar de serem feito com aço cirúrgico e portanto anti-alérgico – demorariam alguns dias para desinflamar. Isso se aplicasse corretamente o creme que recebera nos dois locais perfurados, ao menos uma vez por dia. 'Vendo pelo lado positivo' pensou Orion, enquanto subia as escadas para o apartamento dos Logans, 'pelo menos assim eu não poderei dar qualquer tipo de explicação, hã talvez ele até pudesse prolongar a conversa por mais alguns dias'. Contudo, assim que entrou no apartamento, todos os seus planos voaram pela janela e ele só conseguiu pensar, aturdido, que alguém lá em cima devia ter um sério problema com ele.
"Onde você esteve?!"
Quando Sarah entrara em casa, depois de um dia daqueles no hospital, tudo o que mais desejava era um banho prolongado, uma xícara de chá e sua cama. Se Orion estivesse com um daqueles pratos saborosos que sabia fazer, prontos e apenas esperando que se servisse, ela também não se faria de rogada. Entretanto, seus planos para aquela noite foram imediatamente interrompidos quando saiu de sua lareira e deu de cara com cinco rostos ansiosos encarando-a com preocupação. Mentalmente registrando quem estava a sua frente – Henry, Tyler, Sírius, Remus e Andrômeda – ela logo se deu conta de quem exatamente estava faltando. Sentindo os primeiros sinais de pânico percorrendo suas veias, ela indagou:
"O que houve? Por quê estão todos aqui? Cadê o Ori?!"
"Calma amor, não é o momento para deixar o pânico falar mais alto. Não sabemos onde Orion está no momento, mas tenho certeza de que ele logo estará de volta." Sua voz, porém, não parecia muito convincente, nem a seus próprios ouvidos. Respirando fundo, tentou expressar-se de outra forma:
"Por que não nos sentamos novamente e tentamos explicar o que aconteceu até aqui para minha esposa enquanto esperamos pelo garoto? – e indicou os sofás, para que todos retomassem seus assentos, abandonados quando o floo ascendeu.
Meia hora mais tarde, finda toda aquela extravagante explicação, Sarah não estava menos confusa do que no início. Mas sabia, se somente em seu coração, que tudo o que ouviu era verdade, mesmo sendo pouco plausível. E como conhecia os Black de longa data – uma vez que eles haviam dado grande apoio a construção da loja de seu marido, parente distante de Sírius – sempre achara que Orion devia ter algum tipo de relação de parentesco com essa família, suas feições eram por demais parecidas: o queixo arrebitado, as sobrancelhas arqueadas...
"Bem. Eu não posso dizer que tudo isso faz muito sentido, mas sempre achei que Ori tivesse alguma relação de parentesco com os Black. Ele certamente possui algumas das características físicas que sempre associaram a família de vocês uns os outros." Seu comentário recebeu três sorrisos de gratidão por parte de seus convidados e um resmungo de desaprovação de seu marido.
"Você sabia e nunca me disse nada?"
"Eu não sabia, Henry, apenas suspeitava."
"Então por que não comentou comigo suas suspeitas? Nós poderíamos ter conversado sobre suas dúvidas com Orion, aproximar o assunto com calma e talvez introduzi-lo a sua família aqui e..."
"Henry, você esta me culpando por essa confusão?" a voz de Sarah saiu calma, mas a raiva contida não passou despercebida.
"É claro que não, eu apenas..."
"Gente! Será que dá para vocês se pegarem depois? Eu acho que o momento seria gasto de maneira bem mais produtiva se a gente começasse a pensar nos possíveis lugares que Ori poderia ter ido se ele não veio para cá. E, por falar em produtivo mãe, eu tô com um pouquinho de fome."
As horas passaram lentamente, eles haviam pedido comida fora e jantado na sala, de onde tinham uma visão melhor da porta e do floo. Depois de comerem, a conversa não demorou muito para morrer, a angustia e preocupação fechava a garganta de todos. Os Logan, em acordo tácito, decidiram esperar por Orion para revelar o que sabiam a seu respeito. Mas Sarah e Henry, sabendo como o menino era importante para os Black, pretendiam contar o que sabiam mesmo que o garoto não desse permissão. Por mais que o adorassem, era óbvio que o menino precisava de uma família que o amasse incondicionalmente e àqueles dois estavam preparados para fazer exatamente isso. Não que Sarah estivesse mais feliz com isso, ela tinha se apegado muito a Ori, que tornara-se um segundo filho. Os dois tinham muito em comum e ela faria questão que ele soubesse que com os Logans sempre encontraria um lar. Seria difícil vê-lo partir.
Tyler e Henry aparentavam calma, mas com aqueles dois as aparências sempre foram apenas isso, aparências. Eles poderiam estar fervendo por dentro, mas suas expressões não se alterariam nem por um segundo se assim desejassem. Pedras, é o que eles eram – pensou Sarah, com uma ponta de inveja, pois sabia que sua própria face revelava muito mais do que desejaria. Uma rápida olhada para Andy, sua amiga e antiga companheira de quarto em Hogwarts, e ela soube que eles não eram os únicos a aparentar um falso senso de calma. 'Danem-se eles! Malditas pedras'. Olhando para os outros dois, soltou um suspiro de alívio, felizmente não estava sozinha em sua aparente angústia.
Remus, que conseguira se acalmar um pouco antes de chegar a casa dos Logans, voltara a entrar em pânico a medida que as horas passavam, o pavor de que algo tivesse acontecido a seu menino antes mesmo de ter a chance de conhecê-lo o apavorava. Ele parecera tão abalado quando os vira, podia jurar que vira uma grande doze de dor naqueles olhos dourados. Dourados como os seus em noite de lua cheia. Teria ele herdado também sua maldição?
Sirius estava quase subindo pelas paredes de tanta ansiedade! Fazia horas que esperavam pelo menino e até então não tinha havido nenhum sinal dele. Horas! Merlim, já era quase meia-noite e ele ainda não regressara! Que criança estaria segura nas ruas até essa hora? Especialmente seu menino, seu belo menino. Nossa, ele era perfeito! Não fazia a menor idéia de como aquilo acontecera, como era possível que o garoto fosse deles, mas era! Ele estava aqui! Era deles, seu e de Remus. Como não era importante, o que importava era tê-lo com eles o mais rápido possível. 'O resto viria depois, com o tempo' pensou olhando para o floo e a porta, alternadamente.
Alguns minutos mais tarde o barulho da tranca da porta girando chamou a atenção de todos, que em um instante estavam de pé e parados a sua frente. Orion entrou, os caracóis negros completamente despenteados, o corpo curvado de cansaço, usando roupas estranhas que certamente não usara naquela manhã. Por um instante eles apenas o observaram – a procura de algum dano – e soltaram coletivamente a respiração, que nenhum percebera ter prendido, quando notaram que não havia nada de errado com ele. Orion mostrou-se claramente surpreso ao ser recebido por todas aquelas pessoas, e uma boa dose de pânico começou a infiltrar-se em seu olhar. Sarah, porém, não demorou muito a quebrar o silêncio:
"Onde você esteve?!"
Orion olhou para Sarah e dela para cada uma das pessoas ali reunidas, quando seus olhos encontraram aqueles de Remus e Sirius, sua respiração falhou e ele sentiu uma imensa vontade de chorar. Em sua dimensão, os dois haviam perecido na primeira e última batalha da Segunda guerra contra Voldemort. Muitos tiveram o mesmo destino, mas aqueles dois lutaram bravamente para protegê-lo e morreram por isso. Por que ficaram entre ele e Voldemort! A raiva que sentiu no momento em que as duas pessoas que mais chegaram perto de ser sua família caíram, vencidas por aquele monstro, fora a grande responsável pela vitória da Luz naquela noite. Mas jamais poderia se perdoar por sua ação tardia, que os dois precisassem morrer para que ele finalmente fizesse seu trabalho o amargaria para sempre. Com esses pensamentos mórbidos serpenteando em sua mente, o menino desviou o olhar para o chão e tentou pensar numa maneira apropriada de se livrar daquela enrascada.
"E então mocinho, o que tem a nos dizer? Tem alguma idéia de que horas são?"
"De-de'cupa, Sa'a. Eo pe'di a ho'a" falou, a língua inchada enrolando suas palavras.
"Você está bêbado?" perguntou ela, estreitando os olhos ao perceber sua dificuldade. Suas palavras caíram como chumbo no silêncio que se fez e todos começaram a falar ao mesmo tempo, alarmados. Mas detiveram-se em tempo quando Orion balançou a cabeça em resposta a pergunta.
"O que aconteceu então? Qual o problema?" e seus olhos percorreram novamente o corpo do garoto, temendo ter deixado alguma coisa escapar da primeira vez. Mas Ori interrompeu sua analise ao murmurar alguma coisa em voz baixa.
"Desculpe querido, o que foi que você disse?"
"Pie'cing" disse novamente, dessa vez apenas um pouco mais alto.
"O QUÊ!" exclamaram Sarah e Remus, incrédulos. Os outros quatro, que assistiam a cena, não entenderam o que havia sido dito e o porquê daquela reação por parte de ambos. Sendo puro sangues, nenhum tinha muito contato com o mundo trouxa, e o termo que ouviram passou diretamente sobre suas cabeças.
Sarah não perdeu um só momento, tomando o garoto pela mão, levou-o para seu quarto onde possuía um pequeno armário com todos as aparatos e poções disponíveis a um profissional de sua área. Tyler não demorou a segui-los, querendo ouvir tudo em primeira mão. Coube, portanto, a Remus explicar o que estava acontecendo aos demais. Respirando fundo para se acalmar, pois realmente não estava nem um pouco satisfeito com aquela situação, o lobisomem começou a falar.
"Sente aqui Ori." Disse a matriarca dos Logans, indicando a cama de casal. Enquanto os dois meninos se acomodavam, Sarah foi até o armário de canto feito em madeira trabalhada (como a maioria das mobílias do apartamento), localizado à esquerda de quem entrava, e começou a revira-lo.
"Você está bem, cara?" perguntou o amigo, sentando ao seu lado. Ele deu de ombro, no momento essa era melhor resposta que conseguia pensar, sua cabeça zumbia de ansiedade. O outro, contudo, não pareceu afetado pelo silêncio dele e foi adiante:
"Então, Ori, o que é esse tal de picing? E de onde vieram essas roupas? Eu achei que nós faríamos compras juntos" sua voz soando um pouco desapontada no final. O outro percebeu e tentou explicar, mas seu rosto se contraiu em uma expressão de dor por seus esforços. Tyler balançou a cabeça e deu duas palmadinhas nas costas do amigo, mostrando que não guardava ressentimentos.
"O termo á piercing, Tyler, não picing. Agora, por favor espere até eu solucionar esse problema antes de enchê-lo com suas perguntas. Acredite, eu também tenho algumas" atalhou sua mãe, lançando um olhar significativo ao menor dos dois. Este, por sua vez, começava a questionar a inteligência de ter saído da cama naquele dia. "Bem, querido, deixe-me ver o estrago. Humm, sim. Era como eu pensava, um processo lento de cicatrização. Bem, essa poção acelerará o processo para uma duração de poucos segundos. É claro que o melhor seria tirar essa coisa bárbara da sua boca e passar um creme capaz de fechar o músculo perfurado como se nada tivesse acontecido. Não sei como teve coragem de fazer uma coisa dessas!" e com isso entregou-lhe a poção, que em poucos segundos fez sua mágica.
"Dói muito para fazer um?" perguntou Ty e Orion confirmou com a cabeça.
"Bem mais que o brinco" emendou, logo depois se arrependendo, quando Sarah veio para cima ele.
"Como é que é? Você tem outro dessas coisas?"
"Só mais um..." disse e levantou os cabelos que cobriam sua orelha esquerda. O pequeno símbolo chinês da liberdade, feito em aço cirúrgico como o piercing da língua, cintilou inocentemente de sua posição.
"Orion, meu querido, você tem um bocado a explicar..." porém antes que Sarah pudesse terminar o que dizia, um grito ultrajado partiu da sala fazendo com que se contraíssem.
"ELE O QUÊ?!"
Orion empalideceu ouvindo a voz de Sirius. Parece que Remus finalmente havia conseguido convir aos outros o que exatamente significava um piercing. Merlim que o guardasse! Estava ferrado!
Assim que o três entraram na sala os demais voltaram-se para eles, todos os olhares indo novamente para Orion. Sarah apertou com carinho a mão do menino, que segurava na sua, e guiou-o para um dos sofás, sentando ao seu lado. Tyler sentou do outro e os três ficaram de frente para Sirius, Remus e Andrômeda. Henry acomodara-se em uma poltrona ao lado, entre os dois sofás. Limpando a garganta para chamar a atenção dos presentes, ele disse:
"Acho que todos nós gostaríamos que Ori explicasse onde esteve primeiro, não?" quando todos acenaram que sim, ele voltou-se para o menino e, em tom gentil mas firme, perguntou: "E então, Orion? Onde esteve até agora?"
"E-eu fui... estava...eu " respirou fundo para se acalmar e tentou outra vez "eu corri muito depois que saí da loja, não sei bem pra onde ou por quanto tempo. Eu acabei me perdendo um pouco" disse dando de ombros, os olhos fixos no chão "e então Bel apareceu e nós".
"Bel?" Tyler questionou, erguendo uma sobrancelha. Ao que o amigo simplesmente confirmou com um aceno de cabeça, lançando-lhe um olhar significativo. Ambos teriam tempo para conversar mais tarde.
"Nós passamos o resto do dia juntos e ela me mostrou alguns lugares bem legais da Londres Trouxa. Eu sinto muito ter preocupado vocês, acho que não estou muito acostumado com isso. Meus guardiões não ligavam muito para o horário que eu chegava em casa, então essa hora e até bem cedo para o que estou acostumado."
"Como assim, seus guardiões não ligavam?" Remus franziu o cenho, perplexo e ardendo de raiva. Sirius não estava muito atrás, ainda mais quando o menino deu de ombros como se aquilo fosse normal.
"Eles nunca me quiseram por perto..."
"Ori, talvez fosse melhor começar essa história desde o início. A única coisa que eles sabem é o que foram capazes de deduzir sozinhos: que você é filho deles. Como isso é possível e de onde você veio nós achamos melhor esperar que estivesse aqui para contar."
"Quer, quer dizer que os dois são meus pais? Eu sabia que Remus era, mas nunca me disseram que"
"Você não sabia que era meu filho, um Black?" surpreendeu-se Sirius, um pouco indignado.
"Dumb-Dumbledore só mencionou Remus." Argumentou o menino, mordendo o lábio e contendo as lágrimas. Merlim, aquilo era difícil! Mas ele já viera até aqui, precisava continuar...
"Dumbledore o quê?!" explodiu o outro, enquanto Remus se esforçava para não fazer o mesmo.
"Orion, querido, por que não nos trás aquele seu livro especial e começa a história bem do início, dessa vez incluindo um pouco dos últimos 14 anos de sua vida, heim?" atalhou a medi-bruxa, tentando conter a tempestade que se armava.
O menino suspirou aliviado, endereçou-lhe um olhar agradecido e foi até seu quarto, buscar o livro "O Fluxo da Magia", que vinha estudando desde que chegara a esse mundo. Com ele na mão, assim como o álbum de fotografias que Hagrid lhe dera para provar o que dizia, ele voltou a sala é começou a explicação. Uma hora mais tarde, dito tudo que considerava essencial mas deixando de lado sua participação na batalha contra Voldemort, Orion estava pronto para encerrar o dia e ir para cama. Estava exausto!
Sirius e Remus tinham inúmeras perguntas, mas sabiam que nem mesmo Orion poderia responder a todas elas. Olhando para o álbum, era impossível não acreditar no que viam; as fotografias eram verdadeiras como Andy discretamente confirmara e todos que estavam nas fotos eram de alguma forma diferentes de seus contra-partes nessa dimensão. Mas era tão estranho, ver provas de outra vida que não aquela que eles viviam.
"Então nesse seu mundo, nós nunca soubemos que você era nosso filho?" quis confirmar Remus, achando tudo aquilo terrível demais para imaginar.
"Não, ninguém sabia. Nem mesmo eu. Até poucos dias atrás meu nome era Harry Potter e por esse nome todos me conheciam. Minha aparência só mudou quando o glamur se dissolveu, poucos dias depois que cheguei aqui, no meu aniversário."
"Então foi por isso que James recebeu uma mensagem de vocês dizendo algo sobre Harry e se ele havia desaparecido ou algo sim" lembrou Sirius, que estava com James quando este quase teve um ataque cardíaco ao receber a nota de uma coruja estranha à mesa do café. Somente quando Harry juntou-se a eles é que seu amigo parou de hiperventilar.
"É verdade. Orion parecia muito com o filho de James, apesar dos olhos serem um pouco mais claros e largos que o verdadeiro, se bem me lembro..." analisou Henry, mas seu olhar foi atraído por um movimento brusco do sofá ao lado, em que estavam sua esposa e os dois garoto. Tyler recostara-se para trás, exausto, e Orion parecia tentado a fazer o mesmo. Os outros adultos perceberam o cansaço deles e decidiram encerrar a noite. Todavia, ainda existia uma última pergunta a ser feita. Remus voltou-se para o filho recém descoberto, com a voz embargada. Ele podia ver o quanto aquela situação esteve perturbando seu menino, seu olhar não escondia a dor de tempos passados. Seria difícil para Orion ver os dois e não se lembrar dos pais que perdera, contudo Remus daria o máximo de si para que seu filhote fosse feliz dessa vez.
"Orion, eu entendo que tudo isso seja muito difícil para você – com tudo o que já passou – mas ficaríamos muito felizes se você aceitasse vir morar conosco. Sei que ainda não nos conhecemos, mas eu gostaria muito que nos desse a oportunidade de tentar e ver se podemos ser uma família...o que me diz?" E embora sua voz estivesse calma e controlada, o tremor em seu tom e a hesitação com que pronunciara cada palavra tornou evidente a apreensão que tinha em ouvir uma recusa.
O menino tirou os olhos do chão, que encarara pela maior parte da noite, e mirou os olhos castanho-claros de seu pai, engolindo em seco antes de responder, afirmou com rouquidão que gostaria muito de tentar e recebeu um abraço apertado dos dois homens, os quais muito relutantemente se afastaram para que o garoto pudesse se despedir dos demais.
Quando todas as suas coisas estavam guardadas em seu baú e Orion já se despedira dos Logans, com promessas de revê-los no dia seguinte para seu turno na loja, a nova família partiu. Andrômeda logo atrás deles, parando apenas para combinar de tomar um chá com Sarah na manhã seguinte e colocar a conversa em dia.
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Eu espero que tenham curtido a capítulo. Não se preocupem que no próximo capítulo haverá mais ação entre a nova família. Infelizmente não tenho tido muito tempo para escrever, mas peço que todos que gostaram dessa fic sejam pacientes, pois por mais que demore os novos capítulos vão sair. Se for possível mandem reviews, eu aceito de tudo (desde que não sejam ofensivos em demasia).
Até breve!
Carissa
