"Tiago foi em direção à janela e lá estava a coisa mais incrível que já vira desde que se entendia por gente: no chão haviam vários homens vestidos com capas negras, os quais estavam atacando o castelo e formando nuvens cinzentas no céu. Tudo isso era iluminado por enormes bolas de fogo, que voavam de todos os lados. Um relâmpago passou pelo céu e ouviu-se um trovão.
- Por Merlin! Estão nos atacando! – Tiago gritou".
Capítulo 4
A Primeira Desventura
- O que? – Louie exclamou – Onde está a honra desses homens? Não se ataca sem aviso entre Magus!
- Eles nunca tiveram honra, Louis Catherine! Você sabe disso! – Paul gritou indo em direção a ela.
- Notícia de última hora! – gritou Lilly que estava agora ao lado de Tiago no parapeito da janela – Vai chover!
- Por Augustus! – gritou o casal mais velho
- Quem é o louco que está fazendo isso? Uma coisa dessas pode acabar com os guerreiros do fogo! Não só os nossos, mas os deles também! – disse Louis.
- Deve ser a intenção – Lílian falou, e mais um relâmpago iluminou o cômodo, seguido de um novo e assustador trovão –, mas ainda não conseguiram fazer chover!
- São só homens. – a ruiva mais velha sorriu – Eles nunca sabem como lidar com água!
- Temos que ir até lá! Todos já estão lá embaixo defendendo o castelo! – Lílian gritou desesperada – E não parecem em vantagem. São poucos!
Sem pensar duas vezes, Louis e Paul seguraram os dois mais jovens pelo braço e pularam pela janela vagarosamente, descendo como se estivessem flutuando. Tiago viu que o vestido de Lilly ainda pesava, ela parecia desconfortável. Ele fez uma expressão concentrada e disse:
- Levis! – imediatamente ela sentiu como se não estivesse vestindo nada.
- Fique junto comigo Lílian! – gritou Louie – Juntas podemos lutar melhor!
- Certo! – ela gritou em resposta.
- Paul, Tiago, – a Magus gritou novamente – se começar a chover corram para o castelo! Não se arrisquem!
- Não se preocupe, Louie. Ficaremos bem! – Paul respondeu tranqüilamente.
- Que a magia dos quatro elementos nos proteja! – ela gritou quando pousaram em meio a uma enorme ventania – Preste atenção, Lílian. – Lilly viu a coroa dela sumir e sentiu que a sua desaparecera – Os que atacam rapidamente com fogo são desse elemento. Não os ataque com água, é cruel demais. Apenas os enjaule numa gaiola de água e os teleporte para a prisão do castelo. Vou lhe mostrar como é. Quanto aos outros, pode atacar como lhe vier a cabeça.
- Certo! – ela gritou em resposta, tirando os cabelos que lhe voavam a frente do rosto.
Louis levantou a mão direita e falou em alto e bom som o encantamento direcionando-o aos homens que atacavam de longe, porém mais rapidamente, com fogo:
- Aqua Carcer! – Lílian pôde ver uma esfera de água envolver um dos homens, sem tocá-lo e este fraquejar – Peragro Castellum Carcer! – viu então a esfera girar e sumir.
- Aqua Carcer! – disse Lilly, concentrada e uma enorme esfera brilhante envolveu três homens de uma vez - Peragro Castellum Carcer! – a esfera fez o mesmo que sua antecessora.
- Você aprende rápido, garota. – Louis sorriu enquanto desviava de uma bola de fogo enorme que viera em sua direção – Que tal tentarmos juntas? Vão nos agradecer por não pegarem a chuva que está para cair.
- Vamos lá! – a ruiva mais nova gritou para sua voz sobressair ao som do vento – Um... – levantou a mão direita – Dois... – ela viu Louie fazer o mesmo – Três!
Uma enorme luz azul irrompeu de onde elas estavam, fazendo uma esfera com quase quinze metros de diâmetro a qual foi envolvendo cada um dos Magus de fogo.
- Agora os teleportamos. – elas disseram em uníssono o encantamento que teleportaria os Magus presos – Perfeito Lilly!
A luta prosseguia, entretanto, sem os preciosos guerreiros de fogo, os Magus rebeldes estavam em desvantagem. Lílian sentiu uma crescente sensação de nervosismo. Tinha medo do que poderia lhes acontecer. Por um instante desejou voltar para Hogwarts, onde estaria segura e feliz. Desviou de algumas flechas encantadas. Teve o vislumbre de Tiago sorrindo enquanto fazia um Magus quase virar do avesso para desviar de suas lanças de fogo. Ele sempre gosta de estar por cima. Não resistiu a sorrir também. Como poderia alguém gostar tanto de um risco. "O que é a vida sem risco, Evans?", a voz dele ecoou nos ouvidos da ruiva. Ele tem razão, pensou ela. Claro que não! Desde quando eu concordo com Tiago Potter? O sorriso que lhe enfeitava o rosto aumentou e ela tirou alguns fios de cabelo que teimavam em grudar em seus lábios. É. Tem sim. Toda a razão. A vida não é nada sem o risco. E que tipo de grinfinória sou eu? Onde está minha coragem inabalável? Um novo relâmpago iluminou a face de Tiago. Nele, respondeu ela mesma, ainda mirando o rosto travesso de Tiago. O som de um trovão a despertou de seus devaneios. Péssima hora para discussões internas, Lilly. Ela suspirou, feliz. É hora de correr os riscos. Rapidamente se abaixou, desviando de um enorme bumerangue de fogo que foi rapidamente devolvido ao seu feitor por Tiago. Seus olhares se encontraram, ele sorriu daquele modo que a fazia se derreter, mas logo desviou o olhar para atacar um Magus de capa negra que tentava acertar jatos d'água em Paul. Minha vez, Lilly pensou, satisfeita.
- Glacies Lanceas! – disse vagarosamente Lílian, e pequenas lanças de gelo se formaram a partir de uma luz prateada que a envolveu, ela direcionou-as para sua direita, o que deu a Louie uma idéia.
- Agüente aí – ela se concentrou – Ventus Torqueo! – um enorme tornado foi se formando em torno dela.
Tiago tornou a olhar para Lílian. Ela estava concentrada em manter as lanças ao seu lado, o vestido e os cabelos voando para todos os lados.
- Hey, Paul, vamos ajudá-las? – Tiago gritou tentando manter seus óculos no lugar e desviando-se de um novo relâmpago – Ignis Lanceas! – dessa vez lanças de fogo se formaram e ele as direcionou para a sua esquerda
- Ótimo, rapaz! – concentrando-se como a noiva, Paul falou: – Ventus Torqueo!
Tanto Paul quanto Louis envolveram as lanças de Tiago e Lílian, respectivamente, com o tornado criado por eles. Depois uniram os seus próprios tornados de fogo e gelo um com o outro, com alguma paciência. Alguns dos homens de capa preta viram o que eles pretendiam fazer e uma enorme onda foi mandada na direção de Paul. Lilly parou na frente dele e gritou "Rursus!", com a mão direita esticada em sinal de "pare". Tiago viu a onda voltar de forma obediente em direção aos homens que a conjuraram assustando-os e derrubando-os violentamente. Nesse momento a fusão dos furacões de Louis e Paul havia terminado e um furacão de proporções incríveis foi em direção aos que atacavam o castelo.
- Retirada! – gritou um deles e logo haviam poucas capas pretas espalhadas no chão. A grande maioria dos rebeldes aparatara ou se escondera na floresta.
O furacão se desfez vagarosamente após permanecer girando próximo à floresta por alguns instantes. A ventania cessou, mas a chuva ainda ameaçava. Dezenas de pessoas andavam pelos jardins do castelo teleportando homens alguns Magus para o hospital e outros para a prisão.
Lilly olhou em torno e viu um menino próximo à escadaria que dava acesso à entrada do castelo, o qual gritava, parecia estar com a perna machucada. A ruiva arrumou seu vestido, imaginou, risonha, como deveria estar sua aparência e foi na direção do garoto. Ele havia se queimado durante a luta.
- Acalme-se. – disse docemente – Vou fazer passar.
- Não! Não encoste! – disse ele desesperadamente.
- Não vou te machucar. Fique tranqüilo. – tentou novamente direcionar a mão direita para a perna do garoto, mas ele não permitiu.
- Vai doer! Já está doendo! Alguém me ajude! – Tiago aproximou-se e tocou o ombro do garoto.
- Você me viu lutar? - perguntou o recém chegado.
- Vi! Foi demais! – ele exclamou fazendo uma nova careta de dor.
- Meu elemento é fogo e essa ruiva a sua frente fez a minha mão esquerda parar de ser corroída pela água conjurada. – o garoto olhou admirado para ela.
- Você pode me curar? – ela fez que sim com a cabeça – Por que não disse logo?
- Você não permitiu, criança.
- Não sou como uma criança! Sou mais poderoso que metade dos Magus daqui! – ele interpelou-a.
- Eu acredito que sim. Desculpe. – ela afirmou – Posso te ajudar agora?
- Sim, – ela colocou a mão sobre a perna machucada do garoto – cuidado, sim?
- Claro. – ela sorriu – Sano! – novamente a luz azul envolveu sua mão e quando ela sumiu não havia sinal da queimadura.
- Que ótimo! Melhorou! – ele sorriu radiante e se pendurou sobre ela – Obrigado!
- Não há de quer! – ela colocou-o no chão – Agora vá para dentro, vai chover.
- Não sou do fogo! Sou do vento. Não viu que fui eu que ajudei a formar o tornado? – ele sorriu orgulhoso – Meu pai me ensinou!
- Mesmo assim. – disse Louie, enquanto se aproximava – Foi uma noite tempestuosa. É melhor entrarmos e descansarmos.
- Sim, majestade. – fez uma reverência engraçada e correu em direção ao castelo.
- Ti! Você foi incrível! – Lilly gritou jogando-se sobre ele – Vi quase tudo o que você fez! Acabou com eles!
- Você também foi maravilhosa, ruivinha. – abraçou-a com mais força – Tenho que tomar cuidado com você
- Claro que não! – disse ela claramente ofendida – Nunca mais vou te machucar!
- Tudo bem, eu sei. – Tiago abraçou-a girando-a no ar e colocou-a no chão de volta – Venha, precisamos descansar.
- Sim! Vamos! – ela sorriu cansada – Estou exausta. Preciso de um banho urgente!
- Claro. Posso ajudar, se quiser. – ele ignorou o olhar de censura que ela lhe lançou e virou-se para os outros dois – Nós vamos para os nossos aposentos, mas não hesite em nos chamar. Boa noite, Paul, Louis. – fez uma reverência.
- Boa noite Louie, Paul! – Lilly imitou a reverência de Tiago – Durmam bem.
- Boa noite. – disseram os dois e os mais jovens se viraram em direção ao castelo.
- Hey, Lílian! – Paul chamou.
- Pois não? – respondeu.
- Obrigado por ter salvado.
- Não foi nada, disponha. – ela se virou novamente e, sorrindo, foi com Tiago para o castelo.
- Onde será que está papai? – questionou Louis enquanto observavam o casal ir embora
- Ocupado na sala com o Conselho, suponho.
- Precisamos falar com ele.
- Sim, precisamos. Mas quando amanhecer será melhor – ele seguiram rumo as escadas, de mãos dadas, quando as primeiras gotas de chuva começaram a cair.
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- Nem acredito em tudo o que aconteceu hoje, Tigui. – disse Lílian quando chegaram aos seus aposentos. Ela foi até a cama e se recostou-se nas várias almofadas azuis que lá haviam.
- Eu também não. Foi absolutamente incrível! – ele subitamente ficou sério e seguiu-a, sentando-se ao pé da cama – Lilly, você já pensou em como vamos voltar para Hogwarts? – perguntou incerto.
- Bem... Sinceramente, não. Não estive muito preocupada com isso. Acho que na hora certa tudo acontece.
- Espero que sim. Temos que resolver o agora, mas confesso que estou preocupado com nossa volta.
- Vai dar tudo certo. – ela se aproximou dele e sorriu afagando-lhe o rosto – Vou tomar um banho!
Foi em direção à porta de onde Paul saiu, mais cedo e abriu-a.
- Nossa Senhora! – gritou fazendo Tiago ter um sobressalto.
- Que houve? – foi na direção dela, mas estancou ao ver o banheiro de seu quarto.
- É imenso! – sussurrou Lílian.
- Parece a área de piscina lá de casa. – ele afirmou.
- Sabe o banheiro dos monitores? – ele fez que sim com a cabeça – É muito grande, mas não dá metade desse aqui.
Havia uma piscina, com cerca de doze metros de largura por sete de comprimento, e várias torneiras do lado oposto; uma penteadeira cheia de produtos na parede à esquerda deles; uma estante de livros no canto a direita; e à frente, do outro lado da piscina, uma mesa talhada em madeira cor-de-marfim com uma cadeira em cada extremidade, havia uma janela fictícia que mostrava uma lua cheia e estrelada com cortinas douradas e creme.
- Uh-lá-lá! – ela sorriu radiante – Quem entrar por último é a irmã de Merlin!
Ela correu na direção da piscina e foi tirando a roupa até lhe sobrar uma espécie de colã, ela pulou dentro d'água enquanto Tiago se mantinha parado, só observando.
- Lilly, – ele perguntou cauteloso – será que eu posso tomar banho?
- Mas... – ela fez uma expressão confusa e então entendeu o que ele quisera dizer e começou a gargalhar – É claro que pode, Ti! Só não pode tocar ou ser tocado por água mágica. A conjurada e enfeitiçada, entende?
- Ah! Então tá. – sorriu animado enquanto tirava a roupa – Prepare-se, mocinha, porque a irmã de Merlin, aqui, vai te pegar.
Ele deu um salto de ponta dentro d'água e sentiu relaxar os músculos e a mente, e emergiu balançando a cabeça como se quisesse espantar todas as lembranças do dia de hoje, espalhando água para todos os lados.
- Hey, qual o nome da irmã de Merlin? – ela perguntou de longe.
- Tiago Potter, ao seu dispor. – falou indo na direção dela.
- Uau! – ela sorriu chegando também para trás – Que honra conhecê-la!
- Não brinque comigo, Lílian Marianne Evans.
- E por que não deveria, Tiago Mathew Potter?
- Porque quem brinca com fogo – ele estendeu a mão esquerda e acendeu uma chama – pode se queimar.
- Nossa! – ela fez cara de falsamente surpresa ao mesmo tempo em que sentia a borda da piscina atrás dela e parava – E se eu quiser me arriscar?
- Arriscar se queimar? – questionou o moreno.
- Uhum. – ela sorriu e levantou a mão direita – Contanto que você esteja disposto a se molhar.
- Você não faria isso, faria? – parara a cerca de um metro dela.
- Talvez... – ela agora controlava parte da água da piscina, fazendo-a subir a altura das torneiras e formar um pequeno redemoinho. Levando a mão à altura da cabeça e girando-a calmamente, Lilly fez com que as torneiras próximas abrissem, logo toda a piscina estava repleta de espuma e bolhas de sabão e um odor peculiar de vários óleos aromáticos os envolveu – Então, vai se arriscar?
- Vou. – ele deu mais um passo a frente, um pouco mais sério – Lílian... Não devia fazer isso comigo, sabia?
- E por que? – perguntou mostrando interesse.
- Porque é maldade. Crueldade brincar com alguém que sente algo... Assim por você. – ele colocou uma mão de cada lado dela apoiando na borda – Você sempre foge de mim. Não sabe como pode ser doloroso saber que você não sente nem metade do que eu sinto por você. Que não me quer... – engoliu em seco – Como eu te quero. – abaixou a cabeça e riu tristonho – E ainda ameaça me derreter.
- Tigui, não fala isso. – ela falou nervosamente – Sabe que eu nunca ia te fazer mal. Não intencionalmente, pelo menos. Sabe que eu nunca ia brincar com seus sentimentos. Sei que seria maldade e crueldade. – respirou profundamente e tocou-lhe o rosto com as mãos trêmulas – Mas você não pode dizer que eu não gosto de ti do mesmo modo que você gosta de mim. E também não pode dizer que eu não te quero. – ele levantou a cabeça e permaneceu alguns segundos olhando-a.
E dessa vez ela não desviou os olhos. Ela não tentou esconder-se dele. Manteve os olhos cor de esmeralda fixos nos dele sem fraquejar. E ele pôde ver, o mesmo brilho que sabia estar nos dele, o mesmo brilho de carinho, preocupação e amor, que qualquer um veria em seus próprios olhos, estava lá, nos olhos dela.
- E aí? Vai me beijar de vez ou vou ter que esperar até amanhã? – ela perguntou gracejando e tirando a mão do rosto dele.
- Vai ter que esperar um pouco. Preciso me acostumar com essa idéia. – ela revirou os olhos fazendo uma cara entediada e ele sorriu.
- Se demorar demais eu desisto. – insinuou ela.
- Desiste? – ele prensou-a contra a borda da piscina – Acho que não.
- Eu... Eu... Eu não... – ela gaguejou e ele levou os dedos até os lábios dela, silenciando-a. Na pôde evitar sorrir, Lílian Evans sem palavras era algo tão raro quanto o canto de uma fênix.
- Falta uma coisa. – afirmou contemplando-a com os olhos apertados e assumindo o olhar mais famoso dos Potter, o olhar que os identificava entre todos, o mesmo olhar que assumiam quando viam o pomo de ouro, o olhar de desejo e determinação, aquele que só algo que realmente cobiçavam era capaz de despertar. O olhar calculista e ao mesmo tempo carinhoso teve um efeito devastador sobre Lilly.
- O... O... quê? – ela fez a expressão questionadora que ele conhecia bem e desviou seus olhos, passando a mirar a água.
A ruiva tentava disfarçar, mas sentia seu corpo tremer, não de frio, mas de nervosismo. Ela sabia que podia fazê-lo sair dali se quisesse. Sabia que podia fazê-lo dormir no divã do quarto, ele não reclamaria. Talvez ficasse chateado, decepcionado, mas respeitaria. Esse pensamento fê-la pensar que não havia nada de errado em aceitar, por fim, os infindáveis convites de Tiago Potter para sair. Ele é tudo o que qualquer garota de Hogwarts queria. A não ser quando azara, maravilhosamente bem, o Severus Snape ou qualquer outro, ela acrescentou em pensamento. Ou quando bagunça os cabelos. Se bem que ele parara de fazer aquilo há alguns dias. Ele também adora fazer loucuras com seus amigos. Desrespeitar regras. Sorrir lindamente para todos. E todas. Ele é inteligente, é carinhoso. É prepotente às vezes. É bonito e divertido. É popular e metido. Mas eu também não sou tão impopular, sou? Ele pode ser o melhor amigo do mundo. E o mais irritante também. Aceitar sair com Tiago Potter é, sem dúvidas, um risco ocupacional. Riscos. Ela se lembrou das palavras dele, e de outras, de autoria do melhor amigo dele. "Às vezes é preciso ser irracional, Evans". Posso me arrepender amanhã, ela pensou enquanto sentia-o olhá-la curiosamente, mas vou poder dizer que uma vez na vida segui o conselho de Sirius Black.
- Tudo bem? – ele perguntou quando ela finalmente levantou a cabeça.
- Perfeitamente bem.
Ela viu-o abrir a boca para dizer algo mais, mas não podia permitir que ele dissesse nada. Aproveitando-se da curtíssima distância entre os dois ela fechou os olhos e colou seus lábios. Ele se assustou com a repentina atitude, ela percebeu e sorriu de encontro a sua boca. Mas definitivamente ele havia gostado, pôde concluir ela assim que ele sorriu de volta para ela e tomou o comando do beijo rapidamente. Tiago escorregou uma de suas mãos até a nuca da ruiva e desceu a outra até as suas costas, estreitando-a em seus braços. Ela simplesmente enlaçou o pescoço dele com os dois braços e ficou lhe afagando o cabelo, num gesto gentil e afetuoso. Quando, depois do que pareceram poucos segundos, se separaram puderam ver em torno de si um show de dar inveja a qualquer Magus.
Água e fogo se misturavam numa dança frenética sobre suas cabeças, pareciam desenhar letras, mas eles não puderam decifrá-las, em parte porque não conheciam a linguagem usada nas palavras e em parte porque estavam encantados demais com aquele belo show enfeitado pelas bolhas de sabão para pensar em ler.
- Que demais! – ela exclamou.
- Absolutamente maravilhoso. – comentou ele, para depois virar-se para ela – Nunca desde que nos tornamos amigos de novo, sequer imaginei que você fosse me beijar algum dia.
- Anh... Nem eu. – ela sentiu o rosto esquentar e desviou novamente os olhos.
Dessa vez ele não permitiu, tomou o rosto dela nas mãos e fê-la mirá-lo com delicadeza.
- Quando eu digo que não imaginava, não quero dizer que não fosse o que eu mais queria na vida.
- Eu... Eu não sei o que... O que deu... Em... Em... Em mim. Quando percebi... – ela falou, vacilante.
- Eu sei. – ele sorriu.
- Eu... Achei perfeito. – ela falou rapidamente, como se quisesse que ele não a entendesse.
- Sim. Melhor do que nos meus maiores devaneios.
- Devaneios? – ele simplesmente confirmou com um gesto da cabeça e beijou-a novamente. Desta vez, devagar e carinhosamente, como se quisesse expressar tudo o que era capaz de sentir, isso a fez quase implorar por mais. Enquanto ela deslizava uma das mãos pelos ombros e em seguida atingia as costas dele, sentiu-o apertar sua cintura e deslizar a outra mão até seus molhados cabelos rubros. Ficaram ali, daquele jeito até que Tiago se afastou e os trouxe de volta à realidade.
- Vamos sair daqui.
Ela saiu da piscina e vestiu um roupão que estava pendurado numa das pilastras do local. Estendendo o outro para ele, que pegou e agradeceu.
- Estou com fome. – disse ela timidamente enquanto ele vestia o roupão que lhe fora entregue.
- Eu estou morto de fome! – ele exclamou olhando em volta, será que têm elfos domésticos aqui?
- Não sei... Hmmm... Essa mesa deve servir pra algo, né? – ela sentou numa das cadeiras e pegou o cardápio – Tigui, que você quer comer?
- Algo simples, Lilly. – ele sorriu colocando sua cadeira próxima à dela – Bife ao molho madeira, arroz branco, lasanha a quatro queijos... – à medida que ele falava as coisas iam aparecendo na mesa.
- Eu quero strogonoff e salada de atum pra completar, então? Ah! E suco de morango. – os pedidos apareceram todos, segundos depois. Eles viriam a descobrir mais tarde através do menu sobre a mesa que só o que se precisava fazer era sentar-se a mesa e pedir.
O resto do jantar correu tranqüilamente, eles conversaram e comeram por cerca de uma hora, até que Lílian anunciou estar cansada e com sono.
- Eu acho que vou dormir, Ti.– ela disse bocejando – Não quero nem imaginar a cara de Sirius se souber que por causa do meu "capricho noturno" paramos aqui. – o moreno riu.
- Eu também. Almofadinhas nem imagina o que perdeu. – ele bateu duas vezes sobre a mesa, como estava escrito no cardápio, e tudo desapareceu – Vamos?
Eles se levantaram e atravessaram o cômodo indo para o quarto. Em alguns minutos estavam devidamente vestidos para dormir.
- Ai... Que dia enorme! – disse Lilly se jogando na cama.
- É. Merecemos descanso. – ele se deitou ao lado dela – Boa noite Lílian.
- Boa noite, Tigui. – ela respondeu fechando os olhos.
- Lílian? – ela abriu os olhos novamente e encontrou-o há centímetros dela, o olhar Potter lhe analisando.
- Sim?
- Nada. – ele sorriu e deu-lhe um leve beijo, rolou para o lado e fechou os olhos.
Ela se aconchegou nos braços dele e fechou os olhos, feliz como nunca imaginou estar. Tiago não ficava atrás, amedrontado com a possibilidade de acordar daquele sonho. Logo ambos se renderam ao cansaço e à felicidade.
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O dia amanheceu belo como nunca, o céu estava límpido e o sol brilhava como nunca em Insula Magus. Quando já era cerca de uma hora da tarde era possível ver duas pessoas andando apressadamente até o quarto dos exóticos hóspedes.
- Não se preocupe, Paul, eles são boa gente, vão nos ajudar. – disse a ruiva pacientemente.
- E se eles simplesmente voltarem para seu tempo e esquecerem da ilha? – ele moveu as mãos nervosamente – Não os conhecemos tão bem assim.
- Paul Lionel! Eles são como nós! Vão nos ajudar. Agora, cale-se. – ela bateu a porta três vezes.
Lá dentro um preguiçoso moreno assistia uma animada ruiva se arrumar, extasiada com todas as opções que tinha.
- Quem é? – ela respondeu gentilmente.
- Louis e Paul, Lílian. Podemos entrar? – ela perguntou.
- Claro! – a ruiva mais jovem abriu a porta animada – Bom dia!
- Bom dia, querida. – Louis sorriu, viemos trazer noticias e, como não poderia deixar de ser, pedir um favor.
- Sentem-se. – Tiago falou aproximando as poltronas da cama onde ele estava sentado – Então, falou com seu pai?
- Sim! – ela respirou profundamente – O ataque de ontem foi para nos distrair e pegar alguma das pedras.
- Ah! Esquecemos de contar. – interpelou Tiago – Ontem quando nos escondemos atrás da alga, era Jack, ele falava com outro homem sobre faltarm duas pedras.
- Sim! Justamente. Mas meu irmão ainda tem a branca. – ela sorriu – Ele sempre foi bem ciumento com suas coisas. E meu pai possui a marrom.
- Certo. Que mais? – questionou Tiago.
- Ontem eles resolveram se mostrar de vez, isto é, os Magus do outro lado que estavam infiltrados aqui, foram para lá. Estamos em minoria visível. E aí é que entra o favor que precisamos lhes pedir. – explicou Paul.
- Queremos que vocês vão para seu tempo e tragam mais de vocês para nos ajudar. Será por pouco tempo. E não pediríamos se não fosse muito importante.
- Vocês sabem como voltamos? – perguntou Lilly.
- Na verdade não. Pensamos que vocês poderiam usar algum tipo de comunicação e levá-los até a sala secreta. Se eles tiverem esse destino, algum objeto aparecerá para eles também. – explicou Louie.
- Mas só devem trazer amigos de confiança. – completou o moreno mais velho.
- Como sabem que eles podem ser Magus? – perguntou Lílian.
- É normal que em todas as épocas, mesmo que sem saber, os Magus estejam juntos. – Paul afirmou.
- E então, faremos um treinamento para a batalha. Se forem tão talentosos quanto vocês, sei que poderemos vencer.
- Certo. – Lilly olhou para Tiago – Quem traremos?
- Sirius, – ele falou imediatamente e ela fez cara de que esse já era óbvio – Remo, Pedro.
- Lice, Eve e Nat? – ela perguntou e ele assentiu – Frank também.
- Pode ser. Esses são os de confiança total.
- Bem, acho que é essencial que saibam como se comunicar, primeiramente.
Tiago sorriu, animado.
- Eu sei. O espelho de duas faces. Espero que funcione. – ele tirou um espelho retangular comum do bolso interno da capa sobre a cômoda e pigarreou – Sirius Almofadinhas Black!
Inicialmente nada ocorreu, mas, segundos depois o espelho escureceu e começou a formar os rostos de Black e Lupin.
- Pontas, meu ídolo! Onde você se meteu com a ruivinha? – Sirius sorriu maliciosamente e cerrou os olhos – E que pijama bizarro é esse?
Continua...
Meu projeto de glossário:
Encantamento / Tradução / Significado na história.
Levis! / Leve / "Leveza!";
Aqua Carcer! / Água Prisão / "Prisão de Água!";
Peragro Castellum Carcer! / Viagem Castelo Prisão / "Viaje a prisão do Castelo!";
Glacies Lanceas!/ Gelo Lanças / "Lanças de Gelo";
Ventus Torqueo! / Vento Furacão / "Twister!";
Rursus! / Retorne / "Retorne!".
Olá!
Bem, fiquei superfeliz com os comentários! Queria pedir vocês pra fazer uma propagandasinha. Sabe como é, fic nova e pans. De qualquer jeito, obrigada.
Que acharam? Eu adorei escrever este cap. As coisas acontecem rápido mas dá pra sentir tudo na essência.
Deixem reviews aí, pessoal, façam uma garota feliz!
Deh: aaah! que bom que você gostou! Que tal esse? Adorei por Sirius na história, já tava fazendo falta. Agora a história fica melhor, espero. Não demorei muito, demorei? Brigada! E não deixa de comentar. Beijos.
Larya-e-Phallan: ah sim, muita imaginação! Vai continuar assim, sim. Não demorou, demorou? Ah, os nomes. Hehe, éh que eu acho que Tiago e Lílian dão margem a mais apelidos e fica menos repetitivo, mas se acharem melhor eu troco! Um beijo, obrigada! Gostou desse? D
Melfice Black: a gente sempre se esbarra. )
Ivy Potter: Você não deixa Review mas add a fic, então de qualquer jeito, obrigada.
Gente, eu li Dealthy Hallows em julho mas nem comentei: foi mais que o esperado, foi lindo e deixou gostinhos de quero mais. Que vocês acharam?
Beijos,
Diana. morrendo de pressa x
