ÀS SUAS ORDENS
Capítulo 4: Tempo de Despertar

PV: SHINOBU

É o grande momento. As meninas carregam o senpai até o salão principal. Conforme disse a Kitsune, é o "julgamento final" do Keitaro. Afinal, precisamos saber por que o Urashima-senpai nos abandonou. Nunca tinha sentido uma tristeza tão grande quanto naquele dia, nem quando meus pais se separaram. Isto porque, quando meus pais se separaram, o Urashima-senpai estava lá, protegendo-me e dando-me forças. Quando Keitaro-senpai foi embora, senti um grande vazio. Não tinha ninguém mais para me dar força. E notei que as meninas também sentiram o baque.

A única que parecia não incomodada com o fato do senpai ir embora era Sarah; o que realmente a incomodou foi o fato que ninguém prestava atenção para ela. Como alguém pode ser tão egoísta? Não perceber que estavam todas sentidas, isso não se faz. Por falar nisso, o que o Urashima-senpai fez também não foi muito correto. Ir embora, assim, sem mais nem menos. Mas não o culpo totalmente, sei que as meninas também tiveram seus excessos. Mas o senpai poderia ter dado um ultimato, não ir embora de sopetão.

Sabe de uma coisa? Não sei realmente quem está com a razão. Um momento, penso que o senpai; outras horas, penso que somos nós. Talvez seja melhor ouvir o que Keitaro-senpai tem a dizer. Talvez o nome "julgamento final" seja exagerado, mas creio que uma discussão aberta, totalmente franca, seja o melhor para entender o que se passa com o senpai.


PV: KEITARO

E lá estou eu. Amarrado, amedrontado, suando frio. As meninas me encaram, mantendo um silêncio constrangedor. Parece que, desta vez, não tenho escapatória. Elas parecem àqueles monges da inquisição, prontos para atear fogo em mim. Não é exagero, quem já viveu com elas sabe o potencial de destruição que elas carregam consigo.

Após um tempo em que elas ficaram me avaliando, a Kitsune se ajoelhou e aproximou-se de mim. Devido ao cabelo, não conseguia ver os olhos dela, mas pude ver um sorriso aterrorizante bem estampado. E esse sorriso aumentava, transformando-se em uma gargalhada sinistra. A risada de Kitsune me pôs em pânico, temendo pelo pior – aquela mulher estava se comportando como uma psicopata. Foi quando o sorriso chegou num êxtase, ela ergueu o rosto bem próximo ao meu e...

"Keitaro, por que você foi embora?", falou Kitsune, com os olhos marejados. Aquilo me desconcertou, era um fato completamente desconexo com o clima anterior da sala.

"Isso mesmo, senpai! O que fizemos de errado? O que faltou neste lar?", perguntou Shinobu, também com os olhos marejados, e a voz um pouco embargada.

"Ara, Kei-kun, se você não dizer o que está errado não poderemos melhorar! Só queremos que você seja feliz!", completou Mutsumi, também um pouco emocionada.

"Fica, Keitaro, se você for embora, a pensão ficará sem graça!", ronronou Kaolla, agarrando-se ao meu pescoço. Desta vez, ela não exagerou no aperto; pelo contrário, foi algo bem delicado.

"Desculpa se não demonstro nada, mas sinto que você é importante aqui no Hinata-sou. Admito que tudo mudou ao chegares aqui. Fique, por favor...", pediu Motoko, em um tom bem comedido.

"Fique, é a única coisa que lhe peço...", completou Naru, em um tom um pouco neutro, quase sem emoção. Aquilo me decepcionou um pouco, devo concordar.

"Mano, não me deixe de novo! Já lhe perdi uma vez, não quero lhe perder de novo!", implorou Kanako, com a voz muito embargada e as lágrimas que pareciam mais uma cachoeira.

"E então, bobão? Um monte de mulheres lhe implorando e você não fala nada?", ameaçou Sarah, que se neutralizou ao receber o olhar desaprovador de todas.

"Keitaro-kun, a Sarah não deixa de estar errada. Todas estão pedindo que você fique, e eu também peço. Você é um dos poucos parentes que tenho, e esta pensão ainda precisa de um rumo. Não nos decepcione...", ponderou Haruka.

Eu não sabia o que dizer. Estava confuso, com um turbilhão de emoções me pertubando naquele momento. Demorou um pouco, mas decidi que devia fazer algo. E fiz. Pedi para a Kaolla se afastar um pouco e ela me atendeu prontamente.

"Muito bem, agora quero ser desamarrado. Pelo que sei, a escravidão é proibida neste país.", aleguei, sem encará-las. Ainda um tanto desconfiadas, Kitsune e Naru desfizeram os nós. Após isto, fiquei de pé e sentei-me no velho sofá. Pelo que a vovó Hina me contou, muitos casos de amor e muitos negócios foram concretizados naquele sofá. Pelo jeito, uma das decisões mais importantes da minha vida também ocorreria naquele móvel.

Pigarrei um pouco, e então disse: "Então, é consenso que eu fique? Só fico se for consenso."; então fiquei esperando uma resposta de todas. Todas menearam a cabeça em concordância, exceto por Sarah – que permaneceu imóvel, muito emburrada. Kaolla se aproximou pela direita e a Shinobu pela esquerda de Sarah, cutucando-a com os cotovelos. Foi quando, mesmo a contragosto, Sarah também meneou de forma positiva.

"Bom, já que é consenso, talvez eu fique...", disse, um pouco titubeante.

"Como assim, talvez? Acho que já lamentamos o fato de você ir embora e confirmamos que queremos sua presença aqui, o que mais falta?", disse Naru, irritada, "A não ser que... seu porco tarado!".

"Pare com isso, Narusegawa! É disso que estou cansado! Eu creio que seja um pouco mais do que apenas um bobalhão abusado, e essa insatisfação é que me levou a ir embora", ralhei. Foi quando notei que Naru parou e desviou o olhar dela do meu, com o rosto levemente vermelho.

"Bem, e o que você vai fazer a respeito disso? Você teria que provar o fato de que não é um trapalhão. E não adianta; todos nós temos algum defeito, e esse talvez seja o teu. Por que não te conformas? Gostamos de ti, mesmo agindo desse jeito, acho que só tu não notaste...", relatou Motoko, encarando-me serenamente. Aquilo me fez pensar um pouco mais, talvez até seja verdade...

"Pode ser Motoko, mas vocês querem que eu seja o gerente, e um kanrinrin agir assim não é muito aconselhável... Não esqueçam que a pensão está quase falida", argumentei.

"Então, seja homem e faça o que achas que deve ser feito!", ralhou Motoko. Aquilo atingiu como uma ameaça, e senti – pela primeira vez na vida – que deveria dar uma resposta à altura. Ainda meio tímido, levantei-me e visualizei a todas. De fato, todas esperavam uma resposta.

"Muito bem, já que é assim... Kanako, aproxime-se.", pedi. Minha irmã atendeu prontamente, com um belo sorriso. Parece que sou um dos poucos que conseguem tirar um sorriso da Kanako.

"Está bem. Voltarei a exercer as atividades de Kanrinrin, mas não morarei dentro da pensão. Se o Hinata-sou vai continuar a ser uma pensão feminina, não fica bem eu morar aqui dentro", dei o primeiro argumento. Fiz uma pequena pausa, só para verificar a reação delas.

"E onde você vai morar, então?", perguntou Mutsumi.

"Onde você mora atualmente, nos anexos da Casa de Chá Hinata. Aquilo também é patrimônio da família Urashima. Algum problema, Haruka-san?", foi o meu segundo movimento.

"Nenhum problema, Keitaro-kun...", afirmou Haruka. Com aquilo, estava quase tudo completo. Agora, preciso continuar o jogo.

"Certo. Kanako passa a morar no quarto do kanrinrin, e Mutsumi vem para cá. Sei que a Mutsumi alugava uma pequena peça lá, não vejo algum problema alugar uma peça maior aqui dentro. Algum problema para vocês duas?", foi a próxima cartada.

"Está ótimo, Kei-kun!", afirmou Mutsumi, bem contente.

"O que disseres está perfeito.", concordou Kanako. Senti que agora faria a grande jogada.

"Muito bem, agora a questão mais delicada: dinheiro. Eu assumirei somente a parte de manutenção da pousada e algum serviço externo que precise ser feito. A questão financeira, daqui por diante, é com a Kanako. Eu apenas a ajudarei nas questões administrativas, mas a arrecadação, controle das despesas e parte bancária são responsabilidade da Kanako.", afirmei, sem pestanejar. O sorriso da Kanako aumentou, enquanto que as outras ficaram alarmadas.

"Mas, senpai, isto está correto?", perguntou-me Shinobu.

"Está mais que correto, Shinobu-chan! Quando a Kanako assumiu a pensão como gerente substituta, nunca a pensão esteve tão bem de dinheiro. Creio que ela saiba das coisas. É pegar ou largar. Se vocês querem a minha presença aqui, terão que aceitar minhas condições", respondi, procurando sempre dar um ar de certeza no que falava.

"Ouviram o meu irmão, o dinheiro agora é comigo. Serei a principal aliada dele aqui dentro. E vocês já sabem como é: ou pagam em dia, ou estão no olho da rua. E isso vale para ti também, Kitsune!", falou Kanako, dirigindo um olhar ameaçador para Kitsune. A velha raposa só conseguiu engolir em seco, não fez um som de contestação.

"Bem, acho que a reunião está encerrada. Tenham todas um bom dia", finalizei, sem querer muita conversa com elas. Notei que todas saíram num misto de felicidade e decepção. Isso é muito estranho, como conseguem misturar dois sentimentos tão opostos? Bom, talvez porque hoje não foi um dia qualquer...

Depois da reunião, arrumei as minhas coisas e dirigi-me até a Casa de Chá. Agora, preciso arrumar a minha nova vida.


PV: HARUKA

Voltei para a Casa de Chá e fiquei preparando o recinto para a noite, que é quando recebo os meus clientes. Enquanto estava limpando a louça, escuto alguém entrando. Dirijo-me à entrada e lá está Keitaro, com as malas lotadas em cada mão. Alguma coisa a Mutsumi ajudou a trazer.

"Bem, Haruka-san, aqui estou...", falou Keitaro, fazendo a reverência tradicional de corpo.

"Sem formalidades, Keitaro... Agora você está em casa", afirmei. No fundo, estava muito feliz de ficar próxima a ele. Tenho tão poucos familiares, é bom ter alguém do mesmo sangue em casa.

"Bem, ainda não tenho como pagar, mas logo...", argumentou Keitaro. Tratei de interrompê-lo.

"Você é da família. O que é meu, também lhe pertence. Tudo isso é propriedade da família Urashima. Ao contrário de teus pais, não tenho interesse em privar os outros membros da família a tudo que tem direito", respondi, com um certo ressentimento. Afinal, meu irmão, desde que se casou, afastou-se de nós e só se envolve com a família da esposa dele. Achei que abrigar Keitaro não seria uma má idéia de alojar alguém tão estimado, e talvez provar a meu irmão que trato aquele jovem melhor que ele.

"Entendo, muito obrigado, Haruka-san...", agradeceu-me Keitaro, meio sem jeito.

"Bem... Então sejas bem-vindo! Mutsumi, mostre a ele o quarto, já que conheces o local tão bem...", disse, voltando às tarefas da Casa de Chá.

Enquanto realizo as tarefas, vou dando pequenos intervalos para ver como estão aqueles dois. Mutsumi parece muito feliz, mostrando tudo a ele e ajudando a desfazer as malas do rapaz. Keitaro é que parece um pouco distante, como se estivesse com um pé atrás. Logo, ele ajuda Mutsumi a fazer as malas dela. Confesso que vou sentir saudade da garota tartaruga, mas ela ainda vai continuar a ajudar-me nas tarefas. E fico feliz que o meu sobrinho agora vai ficar bem perto. Que droga, o jeito Keitaro de ser lembra-me um pouco do Seta... Se o Seta também tomasse uma decisão como o Keitaro tomou, talvez tudo mudasse na minha vida.

Ao término destes pensamentos, vejo que está tudo pronto para mais uma noite de trabalho. Vejo que Mutsumi e Kanako estão saindo junto com Keitaro. Fico um pouco curiosa.

"Ei, Keitaro, aonde vão? Já me intrometendo, posso saber?", perguntei.

"Sem problemas! Enquanto fazíamos a mudança, eu disse a Mutsumi que precisava aliviar um pouco o estresse, e ela deu uma idéia boa de irmos até Tóquio. Vamos curtir algum bar, ir num karaokê, fazer algo diferente", explicava Keitaro, "E achei legal convidar a Kanako, pois ela sai tão pouco, e pensei que seria oportuno convidá-la para comemorar a nova etapa da pensão. Mutsumi adorou a idéia."

No fundo, acho que Mutsumi queria era sair sozinha com Keitaro, mas ela nunca diria não a algo que Keitaro pedisse. Senti que seria uma boa idéia ele curtir a noite.

"Então, divirtam-se bastante", disse, acenando adeus. Parece que aqueles três estão muito felizes, mas gostaria de saber como estão as moradoras de uma certa pensão neste momento...


Capítulo escrito entre 16/11/2004 e 17/11/2004. Aos trancos e barrancos, esta saga vai se desenvolvendo, no meio de tantas provas da faculdade. Convido a todos a entrarem no Orkut e divertir-se nas comunidades de Love Hina, eu já estou cadastrado em cinco.

Agora, os reviews podem ser anônimos (eu liberei para que a pessoa não precise fazer login se quiser deixar um comentário), mas ainda peço a todos que deixem algo. E também peço que os leitores que estejam inspirados a também fazerem fanfics de Love Hina; esse tema é título de uma das comunidades de Orkut que estou filiado, a "Procura-se: fanfics de Love Hina", criada pelo Lexas.