Capítulo 4 - Um mistério na floresta

[EMMA'S POV]

Eu perdi a noção do tempo, e já era muito tarde. Voltei para casa e encontrei Gancho dormindo no sofá. E lá estava ela, outra vez: a culpa. A tv estava ligada e parecia que ele estava esperando que eu voltasse para casa. Suspirei e desliguei a tv. Silenciosamente me movi para o banheiro e decidi tomar um banho.

Enquanto me desnudava, descobri um pequeno chupão no meu seio esquerdo. Regina. Ao analisá-lo, encontrei outro no seio direito. Perfeito. Agora tudo que eu tinha que fazer era evitar sexo com meu namorado até que os chupões desaparecessem. Muito simples, quando você está namorando um maldito pirata.

Tomei provavelmente o banho mais rápido da história e fui para o meu quarto. Então, peguei uma camisola de seda perolada e caí na cama como uma madeira pesada. Gancho me perdoaria por não acordá-lo.

Talvez porque o banho foi tão rápido - ou talvez fosse apenas minha imaginação -, eu ainda podia sentir o cheiro de Regina em mim. Rolei na cama e fiquei olhando para o teto. Eu nunca considerei ter qualquer pensamento sobre Regina antes. Não de uma maneira sexual. Definitivamente não de uma forma romântica.

Eu procurei por meu telefone, mas não consegui encontrá-lo. Droga. Eu tinha deixado na casa da Regina? Isso não era nada bom. Definitivamente. Rolei na cama por horas antes de finalmente poder dormir. E quando eu consegui, sonhei com ela.

-x-

Eu acordei tarde. Felizmente, era meu dia de folga. Eu olhei em volta e decidi me levantar. Ser mulher às vezes era mais fácil do que ser homem, pensei. Não havia como conseguir esconder uma incrível ereção depois do sonho sexualmente selvagem que eu estava tendo com a Regina.

Eu fui lentamente ao banheiro, fiz xixi e escovei os dentes. Olhei no espelho, lavei o rosto e fui para a cozinha fazer o café da manhã. Gancho estava sentado à mesa. Culpa.

- Bom dia, amor. Dormiu bem? – Ele perguntou, comendo um pouco de cereal.

- Sim ... muito bem. – Eu menti. – Você?

- Teria dormido melhor se eu estivesse na sua cama. – Ele piscou com um sorriso no rosto e me puxou para o seu colo.

- Bom, você tava tão fofo dormindo no sofá, eu não queria te acordar.

- Tudo bem, Swan. Você provavelmente estava cansado da lidar com a Rainha Má, aposto.

- Por favor, pare de chamá-la assim. – Eu implorei com irritação. – Mas sim, ela me cansou. – Deus, ela conseguiu.

- Então, quais são os planos para hoje, querida? Chega de dar uma de babá, né? – Ele estava esperançoso, e eu não pude deixar de sentir pena dele. O que estava acontecendo? Costumava ser tão bom estar com ele. Eu fiz coisas impossíveis para salvá-lo, trazê-lo de volta para mim, mas agora... Agora eu não conseguia nem olhá-lo diretamente nos olhos sem sentir remorso ou culpa. E, absolutamente, não foi culpa dele. Ele foi ótimo.

Limpei a garganta, levantei-me e peguei uma tigela para colocar cereal. - Bem, há algumas coisas que preciso fazer na delegacia e, sim, tenho que ver a Regina novamente. Eu deixei meu telefone lá, de qualquer forma. – Parte disso era verdade. A maioria foi só porque eu não aguentava mais encará-lo. Eu precisava de um tempo sozinha para resolver tudo isso. As coisas estavam se movendo tão rápido com ele, e eu sempre tive problemas de comprometimento, mas agora... Havia uma questão totalmente nova em minhas mãos. Agora eu estava bagunçando a cabeça já bagunçada de Regina.

Comi o cereal rapidamente enquanto Gancho me contava como foi seu dia antes de vir para minha casa. Eu me esforcei para acompanhar a conversa, perguntando coisas aleatórias, eventualmente, mas meus pensamentos estavam tomando conta de mim. Meus pensamentos sobre Regina. Para minha sorte, Henry ligou para casa naquele momento. Saí da cozinha e fui ao banheiro para atender.

- Ei, garoto.

- Ei, mãe. O que aconteceu com o seu celular?

- Eu acho que eu deixei na Regina.

- Oh... Mamãe acabou de passar por aqui.

- Ela o que?

- Sim, ela disse que sentia minha falta, e que ela estava melhorando, mas... ela não parecia melhor. Tá acontecendo alguma coisa?

- Além da morte de Robin? Bem… - Sim, eu decidi foder sua mente ainda mais, não controlando meus hormônios - Não, não aconteceu. Eu acho que leva tempo, garoto. Acho que a gente deve dar um espaço pra ela.

- Sim… Talvez devêssemos. Mãe?

- Sim?

- Você pode... Ir mais uma vez esta noite, para se certificar de que ela tá bem? Suspirei.

- Henry, não tenho certeza se é uma boa ideia, quer dizer...

- Por favor, mãe? Eu não vou pedir de novo. Eu só tô preocupado.

- Certo, tudo bem! Mas esta é a última vez!

- Você é a melhor, mãe. Te amo!

- Amo você, também.

Eu me perguntei se Regina tinha comido alguma coisa. Mas só por sair de casa, já era um bom sinal. Certo? Talvez ela tivesse ido ao Restaurante da Vovó para comer alguma coisa ou fez alguma coisa sozinha. Ela é uma ótima cozinheira, e sua lasanha...

- Amor, você viu minhas botas? - Hook apareceu por trás, me assustando.

- Não… Não, não vi. Gancho, eu tô indo agora, te vejo mais tarde, ok?

- Ué, mas eu pensei... - Antes que ele pudesse terminar, eu o beijei levemente e acrescentei:

- Vou fazer valer a pena, prometo! - Ele sorriu e ergueu um polegar aprovadoramente.

Verdade seja dita: eu só queria sair de lá, para longe dele. Saí da casa rapidamente e comecei a andar pela cidade. Eu não tinha para onde ir, realmente. Andei devagar e me perdi em pensamentos por vários minutos. As pessoas passavam por mim e diziam olá ou acenavam, e eu acenava de volta. Eu mal conseguia distinguir seus rostos porque estava tão perdida em pensamentos.

Storybrooke era uma cidade incrivelmente pequena, e eu me vi de pé em frente à casa de Regina. Parei lá, como uma estátua, sem saber exatamente como proceder.

- Eu não tô lá, sabe.

Eu olhei por trás do meu ombro direito e vi Regina sorrindo para mim. Não havia sinais da Rainha Má nela, então sorri de volta.

- Sim, eu deixei meu telefone lá, eu queria saber se você tinha visto ele. - Ela pensou sobre isso por um segundo e respondeu.

Não, eu não o vi. Mas você é bem-vinda para entrar e procurar. - Eu sorri timidamente para ela, e ela abriu a porta e abriu caminho para eu entrar.

Eu entrei na casa e ela veio atrás de mim, fechando a porta atrás de nós.

- Você é bem-vinda para procurar em qualquer lugar, Emma. Apenas me informe se você não conseguir encontrá-lo. - E, com isso, ela começou a subir as escadas para o quarto.

Não foi tão ruim quanto eu imaginava. Ela estava sendo simpática, charmosa e educada. Tudo o que eu não tinha sido nos últimos dias. Revirei os olhos e comecei a procurar pelo maldito telefone. Depois de alguns minutos, não tive sorte no andar de baixo. Era hora de olhar para o andar de cima. Meu coração disparou mais rápido a cada passo.

- Regina? - Eu perguntei, cautelosamente. – Ele não tá aqui embaixo, posso olhar lá em cima?

- Sinta-se em casa, estou apenas trocando de roupa.

Comecei novamente a andar e fui para o quarto dela em busca do telefone. Depois de uns trinta segundos, encontrei-o debaixo da poltrona chique. Eu sorri para mim mesma. Regina então entrou no quarto, agora com sua saia vermelha colada, blusa preta e jaqueta preta. Ela estava deslumbrante. Agora que parei pra pensar nisso, ela sempre esteve deslumbrante. Então, por que a mudança repentina?

- Você tá... Incrível. –Engoli em seco. Ela olhou para mim e sorriu timidamente.

- Obrigada, Srta. Swan. Eu decidi que era hora de me arrumar um pouco. Alguma sorte com o seu telefone? - Eu tinha passado tanto tempo olhando para ela que quase me esqueci de responder à pergunta.

- Â? Sim! Sim, eu encontrei. Muito obrigada. Então, como você está se sentindo hoje? - Mordi meu lábio nervosamente.

- Eu estou melhor. Lutando contra a escuridão aqui dentro de centímetro por centímetro, eu diria. - Ela sorriu nervosamente, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha direita.

- Muito bom. - Nós duas estávamos olhando para qualquer lugar, menos uma para a outra. Alguns momentos desconfortáveis passaram. Regina mudou seu peso de uma perna para outra. Eu engoli em seco.

- Então...

- Eu... - Nós duas falamos ao mesmo tempo, e rimos. - Vá em frente, pode falar. - Eu disse, sorrindo.

- Oh, por favor, Srta. Swan. Eu sou todo ouvidos. - Regina tinha a habilidade de ser muito boa com palavras.

- Então, já que eu encontrei meu telefone, eu acho que eu... - Ela me interrompeu.

- Emma... Podemos conversar? – Era isso que eu temia. Eu exalei lentamente antes de responder:

-... Sim.

Regina pareceu aliviada e foi se sentar em sua cama. A segui e sentei ao lado dela a uma distância segura.

- Emma... - Ela começou, parando por vários segundos. Ela parecia estar analisando o impacto de cada palavra que ela diria. - Eu acho que isso... Essa coisa que está acontecendo conosco precisa parar. Meu coração acelerou e eu estava com medo de que ela fosse capaz de ouvir. Ela esperou ansiosamente antes de acrescentar - Então? O que você diz? - Pensei nisso por um segundo.

- Você está absolutamente certa, Regina. Acabou. Eu não sei o que aconteceu, eu... Nós apenas...

- Tá tudo bem, Emma. Eu sei que é difícil resistir a alguém como eu, mas... - eu ri.

- Desculpa, o que?

- Bom, é isso mesmo. Eu sei que tenho um corpo incrível e... - Eu ri novamente.

- Meu Deus, essa modéstia será a sua ruína. - Regina franziu a testa.

- Bom, como eu estava dizendo... Eu sei que era algo estritamente físico... Certo? - Ela perguntou retoricamente, mas aquilo era esperança em seus olhos? Ela poderia estar atrás de outra coisa?

- Eu amo o Gancho, você sabe. Meu namorado. - Regina assentiu em silêncio. Um silêncio penetrante caiu sobre nossos ombros.

- Bom, já que isso está resolvido, acho que você pode parar de vir aqui todos os dias. Tá vendo? Eu me sinto melhor agora, Srta. Swan. Eu visitei o Henry hoje. - Ela não parecia convincente, mas eu deixei ela falar. Quer dizer... O que mais eu poderia fazer?

- Certo. Eu prometi a Henry que iria vir aqui hoje, ele não aceitaria "não" como resposta. Você o conhece. - Regina sorriu. - Esse é o meu menino. - Nós duas rimos baixinho. - Depois desta noite, vamos voltar ao nosso antigo eu, certo? Como se nada tivesse acontecido. - Eu disse, mais para mim mesma do que para Regina.

- Certo. - Nós duas estávamos de novo olhando para o chão. Olhei em volta e só então percebi que a janela finalmente estava aberta depois de alguns dias.

- Você abriu a janela! - Eu disse, brilhantemente. Ela sorriu genuinamente de volta.

- Sim. E eu não tomei uma única gota de álcool hoje. - Regina disse, orgulhosa. Coloquei minha mão direita sobre a sua esquerda. Depois de alguns segundos, limpei a garganta e rapidamente tirei a mão. Regina se levantou rapidamente e foi se sentar na poltrona chique. Eu me pergunto se alguém mais a chama dessa forma, e sorri.

- Estou orgulhoso de você, sabe. - Eu disse, despertando Regina de seus devaneios. - Estou orgulhoso de você por hoje. Tudo o que você fez... Parece estar a um quilômetro de onde estava ontem. - Ela sorriu.

- Obrigada, Emma. Significa muito.

- Então, e sobre a escuridão? Está... Sob controle? - Regina de repente pareceu extremamente desconfortável, se mexendo na poltrona e cruzou a perna esquerda sobre a direita. Suas mãos estavam firmemente juntas e eu podia ver seus dedos brancos da pressão que ela estava aplicando.

- Sim... Por hora. E agora, isso é tudo que posso pedir. - Regina disse amargamente. – Eu... eu a vi no outro dia. - Seu rosto estava vazio e ela de repente estremeceu. - Na primeira noite que você veio aqui. Eu olhei no espelho e... - Sua voz falhou. - Não fui eu que vi. Era ela. E isso me assustou pra caramba. - Regina cruzou os braços sobre o peito em uma pose defensiva. Eu fui até a poltrona e me ajoelhei diante dela, colocando as duas mãos sobre as suas.

- Regina... Você não é mais ela. Eu sei que você está com medo, mas você tem pessoas que se importam com você, que amam você. Você tem Henry, e... E eu. - Eu engoli em seco, e ela me olhou nos olhos como um animal ferido.

- Obrigada, Emma. - Regina disse, não ousando olhar para mim agora. Eu exalei profundamente e sentei na cama. - É muito importante ter o seu apoio. – Seu rosto estava virado para a parede, então não consegui ler sua expressão. Naquele momento, recebi uma mensagem de David e isso me assustou. Eu tinha estado no limite nos últimos dias.

"Emma, definitivamente há algo estranho acontecendo na Floresta. Encontre-me na estação o mais rápido possível. "

- Regina, eu tenho que ir… Emergência policial. Eu voltarei à noite, tudo bem? - Regina assentiu e eu corri pelo corredor abaixo e porta afora. A estação ficava perto da casa de Regina, então cheguei lá em um piscar de olhos.

Uma vez lá dentro, procurei por David, que andava impaciente pelo escritório.

- Oh, aí está você! – Ele disse, vindo na minha direção.

- O que houve?

- Então, você se lembra dos relatos de avistamentos estranhos e algo sobre as árvores, certo?

- Sim, continue. - Eu fiz uma careta, tentando acompanhar. Cruzei os braços e esperei.

- Quando foi a última vez que você viu a Ruby? - Eu pensei sobre isso por um segundo, mas não conseguia me lembrar de quando tinha sido.

- Eu não sei... Desde que ela foi embora com a Dorothy, Eu acho. Por quê?

- Acho que ela pode estar de volta e lutando com alguma coisa.

- Como você pode ter tanta certeza? - Perguntei interessada, sentando na minha cadeira. David colocou fotos na mesa e me mostrou um padrão de marcas de garras nas árvores e pegadas no chão. Ele apontou para eles em ordem antes de continuar:

- Eu perguntei a Vovó quando minhas suspeitas começaram a crescer. Segundo ela, esses são os rastros dos lobisomens. E eu só conseguia pensar em Ruby, já que a Vovó está bem. - Pensei nisso por um tempo, antes de olhar para ele.

- Meu Deus. Se é a Ruby, algo terrível deve ter acontecido. - Ele assentiu. -Então, qual é o plano? - Perguntei.

- Eu estava pensando em ficar de olho na floresta à noite. Para ver se podemos descobrir alguma coisa. Felizmente, podemos encontrá-la e resolver esse quebra-cabeça.

- É uma boa ideia, pai. Quando você quer fazer isso?

- Eu estava pensando esta noite. - Eu gemi.

- Ah, pai… Eu prometi ao Henry que cuidaria de Regina mais uma noite… E tecnicamente este é o meu dia de folga. Podemos fazer isso amanhã? - David olhou para mim com um olhar indagador e desconfiado. Eventualmente, ele apenas disse:

- Tudo bem. Mas esperamos que ela não machuque ninguém. Até agora, ela está presa na floresta, mas não há como saber. Devemos alertar as pessoas?

- Não! Ela não é perigosa. Ela só precisa de ajuda. - David assentiu e começou a tirar as fotos da mesa. Sem dizer outra palavra, ele saiu da sala. Eu me perguntei se mamãe sabia.

Meu estômago roncou alto. Já era um pouco depois da hora do almoço e eu pude sentir os protestos vindo da minha barriga. Eu me perguntei se Regina tinha comido alguma coisa e decidi ligar para ela. Ela atendeu depois de três toques.

- Oi, Regina. Eu queria saber se você estava com fome...

- Bem, olá, Emma. De fato, eu estou.

- Legal! Quer dizer... Tudo bem. Ahn… Você gostaria de comer algo? Na Vovó?

- Isso seria legal. Te encontro lá em dez minutos.

- Ótimo. - Eu sorri. As coisas pareciam estar voltando ao normal. Ou, pelo menos, estávamos tentando. Meu trabalho era não deixar a rainha má voltar, então eu precisava que isso funcionasse.

Saí da estação e caminhei lentamente pelas ruas. Depois de alguns momentos, passei pela casa de Regina. Eu não pude reprimir um sorriso. Um pouco depois eu andei pelo hospital e virei à esquerda. Uma direita e mais alguns passos, lá estava: O restaurante. Entrei e sentei em uma das cabines do outro lado, animadamente esperando minha companhia.

Cerca de 30 segundos depois, ela chegou. Eu sorri para ela, e ela sorriu de volta. Regina andou lentamente em minha direção, sem perceber os olhares deploráveis e temerosos que as pessoas estavam atirando nela. Isso me deixou um pouco irritada, mas feliz, ao mesmo tempo, porque ela não viu. Ela entrou e se sentou na minha frente.

- Oi. - Eu disse, alegremente.

- Olá, Emma. - Disse Regina, sorrindo timidamente para mim. Naquele momento, Vovó veio até nós e anotou nossos pedidos.

- Vou querer batatas fritas e um hambúrguer, Vovó. Ah! E uma cerveja.

- Tão cedo, querida? - Ela perguntou, anotando.

- Sim... Semana difícil. - Eu sorri para ela.

- E você, Rainha M... Regina? - Regina sorriu amargamente para ela.

- Â... Eu... Eu estou bem.

- Regina. Você tem que comer. - Eu disse. Ela soltou um suspiro pesado e olhou para o cardápio.

- Um suco de laranja. Por favor. - Ela disse, simplesmente. Eu revirei meus olhos. - Eu não estou com fome, só isso. - Isso era uma mentira, eu sabia. Ela estava com fome, mas pareceu perder o apetite quando a Vovó quase a chamou de Rainha Má.

- Vovó… - eu perguntei antes de ela sair. - Você realmente acha que Ruby está lá fora na floresta? - A velha suspirou e deu de ombros. - Eu não sei. Poderia estar. Não a vejo há algum tempo. Mas o cheiro... Definitivamente é dela, mas há outra coisa.

- Mas a lua cheia se foi, como você explica a forma de lobo durar tanto tempo?

- Eu acho que... Quando você é capaz de controlar o lobo, você é também é capaz de soltá-lo quando quiser. Qual é a razão por trás disso... Eu gostaria de saber. Eu só espero que ela esteja bem. - Com isso, vovó saiu, murmurando para si mesma.

- O que aconteceu? - Regina perguntou com um olhar preocupado em seu rosto. Expliquei-lhe o que David me dissera antes, as fotos e os sinais. Regina franziu a testa. - Algo muito ruim deve ter acontecido. Algum sinal de Dorothy? -Sacudi a cabeça. Não havia nada de novo para adicionar à história. - Emma, você deveria checar isso hoje à noite. Eu vou ficar bem. - Ela me deu um sorriso tranquilizador.

- Não. Eu prometi ao Henry. Eu preciso fazer isso. - Com a menção do nome do nosso filho, Regina concordou. Ela não pareceu exatamente desapontada com o fato de eu ficar.

A Vovó trouxe logo nossos pedidos e os colocou diante de nós. Eu poderia dizer que Regina estava desconfortável com a presença dela, porque ela endureceu em seu assento e estava passando as mãos freneticamente em seus cabelos, mandíbula e cotovelos.

Depois que a Vovó partiu, ela se sentiu um pouco mais relaxada. Eu comi em silêncio, e Regina tomou pequenos goles de suco, não muito interessada na tarefa. Abri a cerveja e comecei a beber rapidamente. Regina olhou para mim com o canto do olho, mas não disse nada. Depois de um tempo, nós duas nos levantamos, deixamos o dinheiro no balcão e silenciosamente saímos da lanchonete.

Era uma caminhada de dois quarteirões até a casa dela, mas parecia que demoraria uma eternidade. O silêncio estava doloroso, e eu não pude pensar em nada para aliviar o nosso humor. Regina estava olhando cuidadosamente para qualquer outra direção que não a minha, até que ela perdeu a paciência depois de alguns passos.

- Isso é ridículo. - Com um aceno de mão, estávamos de volta à casa dela. O quarto dela. Suspirei de alívio.

- Agora, o que vamos fazer? - Eu olhei para ela incompreensivamente. Ela sorriu.

- Temos um dia inteiro pela frente. Agora são... - Ela olhou para o relógio – 15:30, e Henry quer que você durma aqui. Então, o que vamos fazer?

Se ela soubesse o que eu queria fazer… Eu tinha esperanças de que ela não pudesse ler meus pensamentos agora, e em vez disso, mudei de assunto.

- O que você sente vontade de fazer? Quer dizer, esta é a sua casa. Deve haver algo interessante aqui. - Regina sorriu e olhou para mim.