Aquele banheiro tornou-se estranhamente frio sem o corpo do outro sobre o seu. Abraçou-se às próprias pernas, perturbado com o que ocorrera, mas ao se dar conta de o que ocorrera, ocorrera dentro daquela banheira cheia de água, pulou de lá de dentro, escorregando no percurso e quase caindo, não fosse o apoio que a privada lhe deu.

Um suspiro escapou de seus lábios ao dar-se conta de que suas pernas fraquejavam por conta das "atividades conjuntas".

Aquilo era confuso! Por que diabos fizera aquilo? Não fazia o menor sentido. Se antes mesmo estava xingando o outro por ter-lhe beijado à força, por que praticara masturbação conjunta comele? Não que ele tivesse feito alguma coisa, mas isso apenas o irritava mais.

As palavras de Mustang ainda ecoavam em seus ouvidos, naquele tom tão espontâneo e relutante, como se tivesse medo daquilo.

Tudo aquilo era pior do que parecia, afinal, agora não sabia o que o movera àquilo. Não o detestava? O que sentia? E nem ao menos sabia como encará-lo depois daquilo.

-x-

Saiu do banheiro a passos incertos, encontrando o mais velho largado à poltrona, a camisa largada ao lado, molhando o grande tapete. Sua nudez disfarçada apenas por uma toalha felpuda que descansava em seus ombros. O olhar perdido na paisagem cinzenta que a janela lhe oferecia.

Caminhou silencioso até a cama, onde pôde notar que os lençóis haviam sido trocados. Lançou outro olhar na direção do coronel, que mais parecia uma estátua, não fosse a respiração lenta e pesada. Não pode deixar de desejar que nada daquilo tivesse acontecido ao ver que não sabia como proceder agora - ou mesmo como se sentia.

Acabou por soltar um suspiro quando se jogou à cama, o que pareceu despertar o mais velho de seus devaneios, fazendo-o encarar os orbes dourados de maneira quase desanimada, não fosse o eterno ar superior que ostentava sob qualquer situação - e uma ponta de preocupação. – Está se sentindo melhor Edward? – perguntou sério. – Não é melhor você deitar?

– Eu to bem, não se preocupe. – murmurou mau-humoradamente, corando levemente.

O coronel apenas soltou um muxoxo enquanto se levantava, amarrando a toalha à cintura. Caminhou em direção a cama, abaixando para poder encarar o loiro no olhos. – Não tente dar uma de herói Fullmetal. Você está fraco e precisa descansar o máximo possível – repreendeu-o ainda naquele tom sério que não transmitia emoções.

– Não quero ficar deitado que nem um idiota. – resmungou contrariado, virando o rosto na direção oposta a presença do homem.

– Não dê uma de teimoso e durma um pouco. – respondeu naquele jeito que seria comum, não fossem os acontecimentos anteriores. – Vou sair e volto logo, por isso aproveite e durma um pouco.

O garoto nada disse, apenas ficou a pensar se queria mesmo ficar sozinho.

A resposta era "não".

Observou silenciosamente o coronel sumir de vista rumo ao banheiro e voltar pouco depois em roupas civis. Viu-o lançar um discreto olhar de esguelha antes de sair sem sequer se despedir.

– Mustang... – chamou-o antes que conseguisse se conter.

– Hum...? – respondeu o outro um pouco surpreso.

O loiro abriu e fechou a boca algumas vezes, antes de soltar um bufo mal-humorado e virar a cara irritadamente. – Não demora. – grunhiu, cruzando os braços.

Se o menino estivesse olhando na direção do homem, veria que este quase sorriu. – Certo.

-x-

Em bem da verdade, preferiria andar por aí a fim de por alguma lógica nos fatos recém ocorridos, mas sabia que estava mais do que na hora de ir ver como a garota estava. Pois devido à chuva, provavelmente ela ainda estava lá.

Entrou no quarto e a encontrou de toalha, recém saída do banheiro.

– Cheguei a pensar que havia me abandonado aqui. – disse ela em tom leviano, enquanto rumava à cama.

– Tive de atender uma emergência.

– Ainda bem que voltou... – tornou maliciosamente, enquanto se aproximava em ar felino. – Estava com saudades...

Permaneceu estático, mesmo com a aproximação da garota, reparando agora em como em alguns pontos ela era diferente do pequeno Elric.

– Sabe, bem que nós poderíamos repetir a dose, não é?

– Eu-... – começou, mas foi calado por uma boca ávida e pelos bracinhos que se engancharam em sua roupa. Segurou a cintura da menina a fim de afastá-la, mas um berro irado fez esse serviço, fazendo os dois virarem em direção a porta, onde havia um furioso Edward.

Era pra ISSO que você saiu?! – berrou novamente o menino, rubro de raiva.

– Edward... – tentou começar, mas foi interrompido pela revolta do garoto.

Você acha divertido brincar com os outros? –perguntou, baixando assustadoramente o tom de voz. – Quer foder essa daí e depois procurar outra pra comer? E depois ia voltar e tentar mais-..? – não conseguiu terminar a frase ao se dar conta que se formara uma platéia às suas costas, na porta do quarto. Virou-se e saiu sem mais nem menos. – Espero que tenha se divertido coronel. – disse friamente, saindo para o corredor em meio a multidão.

– Edward... – saiu atrás do menino, deixando a loira sem entender nada. – Espere.

– "Espere" o cacete! Some da minha cola sua raposa pervertida!

– Você está sendo ridículo Fullmetal.

Eu estou sendo ridículo?! Ótimo, por que se é assim você está agindo como cafetão.

– Se fosse assim estaria ganhando algo com isso, não perdendo meu tempo. – respondeu sarcástico, mesmo sabendo que isso só pioraria a situação.

– Você não ganhou nada? E Eu? Parece que ganhei algo? Você me usou! E pior, eu deixei você me usar!

– O que te faz pensar que o usei?

– Talvez o fato de você ter me tocado na banheira e depois eu encontrá-lo aos amassos com uma loira?! – usou de sarcasmo também, tentando manter distância dele no corredor, enquanto se esquivava dos ouvintes.

Ouviram alguém soltar uma exclamação ao ouvir aquilo, causando uma avalanche de comentários das pessoas que antes assistiam em absoluto silêncio.

– Vamos conversar em outro lugar. – disse o moreno, ignorando o burburinho.

– Onde? Na sua cama? Não, muito obrigado!

– Vamos conversar no quarto.

– Não quero conversar com você! – berrou o menino em outro acesso de fúria, acentuado pelo constrangimento de ser o centro das atenções ali.

– Edward, estamos chamando atenção aqui. Isso é péssimo e você sabe disso. Por isso vamos voltar para o quarto, e lá nós conversamos como adultos. – tentou por um pouco de bom-senso na cabeça irada do menino, mas este parecia pouco interessado em lhe ouvir.

– Não vou a lugar nenhum com você!

– Pois é melhor vir por bem, ou terei de te carregar à força.

– Você não faria isso. – surpreendeu-se

– Ah, se não faria... – respondeu sem margens a dúvidas.

O burburinho aumentou, mostrando que já estava mais do que na hora de "terminarem o show".

– Ok... – concordou finalmente, seguindo o coronel rapidamente para longe dos olhares curiosos.

-x-

– Ótimo, agora explica. – mandou o menor em ar cínico.

– Estava com essa garota antes de encontrá-lo na rua-. – começou.

– Muuuito bom saber disso... Nossa, que alívio saber que a loira também caiu na tua... – atalhou-o irônico, cruzando os braços.

– Agradeceria se não me interrompesse garoto, pois ao que sei, o interessado em saber é você.

– Engraçado, por que "ao que sei", quem quis conversar foi você.

– E ainda quero, garoto. Mas sem interrupções e besteiras.

– Ok então. Continue.

– Fui para vê-la e saber como estava, já que a larguei sozinha por sua causa. Mas quando entrei no quarto ela estava daquele jeito e me beijou. Quando você chegou, queria afastá-la de mim, mas ao que parece, Fullmetal tem também o dom de chegar na hora errada. – disse levemente contrariado, enquanto se acomodava na poltrona em que estivera mais cedo.

– Você pegou ela depois de me agarrar a força no quartel! E pela atitude calorosa dela, você com certeza a fodeu. – reclamou o loiro, cruzando os braços em ar inquisidor

– Sim, eu dormi com ela, por assim dizer. – concordou o coronel, sem o menor escrúpulo. – Mas acho que até mesmo você consegue entender o por quê.

– Como assim?! – realmente não entendera o que o moreno queria dizer, e aquela expressão séria e inabalável o estava incomodando.

– Ora, ora... vai me dizer que não notou nada de familiar nela? – não conseguiu evitar o tom sarcástico acentuado pela expressão confusa do menor. – Digamos que nunca fui um grande apreciador de loiras, mas como evitar quando aquela se parecia tanto com você?

A expressão do menor passou da confusão para a surpresa, arrancando um sorrisinho do moreno.

– Sim, pode-se dizer que a culpa é toda sua Fullmetal. – disse divertido, mas logo sua expressão voltou ao ar grave de antes. – Não sei o que passou por sua cabeça para pensar que menti para você quando disse que o amo.

Por algum motivo o menino se sentia extremamente idiota com aquilo, mas não poderia deixar tão barato assim. – E como você queria que eu acreditasse nas palavras de um conquistador? – perguntou sério.

– Por que se eu apenas estivesse querendo te usar, como me acusou, me ateria a encher seu ego, ou mesmo se dissesse algo tão sério assim, diria antes de conseguir o que queria. Afinal, por que usaria destes métodos se já tivesse o que queria?

– E se você quisesse mais que aquilo?

– Edward, eu sempre quero mais de você.

– Mas a loira-!

– Se eu não te conhecesse, Edward, diria que está com ciúmes. – tentou brincar, mas ao ver o rubor que tomou as bochechas do pequeno não pôde deixar de pensar em acreditar um pouco naquilo.

Cala a boca! – murmurou mau-humoradamente, virando o rosto.

– Ed-... – começou o maior, se aproximando de seu objeto de desejo, mas não teve coragem de tocá-lo.

– Cala a boca! – disse mais alto o menino, enrubescendo ainda mais.

– ...Não estava brincando quando disse que te amo. – disse, tomando coragem para acariciar os fios dourados, fazendo-o relaxar significativamente.

– Cala.. – sussurrou o garoto, semi-serrando os olhos àquele contato.

Abraçou o menor de maneira protetora, sem deixar de acariciar os cabelos sedosos e se surpreendeu ao sentir os dedos finos se agarrarem às suas roupas.

Afastou-se apenas o suficiente para poder capturar seus olhos, que brilhavam com uma luz diferente, hesitante.

– Eu não entendo o que sinto. – admitiu o menino em ar culpado, afastando-se um pouco mais.

– Posso tentar te fazer entender? – perguntou, inclinando-se ao seu ouvido, fazendo-o se arrepiar.

Não disse nada, apenas fechou os olhos, esperando o que viria e, como esperava, logo os lábios mais experientes roçavam aos seus num pedido mudo por permissão. Não pensou duas vezes antes de invadir o espaço da boca maior, sua língua explorando aquele local úmido e quente.

Não conseguia explicar o porquê, mas a falta de jeito do menor lhe era tão deleitosa quanto a sensação de calor que sentia em seu peito. Chegava a se sentir patético às vezes, mas não poderia evitar. Era a ele que desejava.

Logo, como era de se esperar, os toques se intensificaram e a necessidade de algum lugar para se escorar se fez presente.

Caminhou com o menor até a parede mais próxima, onde encostou-o um pouco bruscamente para logo começar a se livrar das roupas de ambos. Mal arrancou a camisa do pequeno e logo começou a lhe distribuir beijos e carícias pelo peito liso, arrancando gemidos e suspiros indefesos do outro.

Retrocedeu em seu caminho - apesar de sua vontade ser outra -, voltando a beijar o pescoço macio, para logo chegar à orelha do loiro sussurrando seu pedido, que foi respondido com um gemido tímido e faces coradas. – Por favor... – sussurrou lascivamente, conseguindo um rosto quente enterrado em seu peito de maneira constrangida.

– Seu pervertido... – murmurou o menino num leve ar de irritação, o que indicava que estava realmente constrangido.

Riu ao ouvir aquilo, depositando um beijo terno no pescoço alvo. Beijo que foi correspondido com uma língua quente no seu pescoço, fazendo-o suspirar audívelmente.

– Se você pensa... – começou o garoto decidido, passando a mão por dentro de sua blusa, lhe despertando outro arrepio. - que vou ficar submisso às suas vontades está errado coronel.

– Hum... até que para um garotinho inexperiente... você está me saindo muito malandro, Fullmetal. – disse entre suspiros o maior, um sorriso ladino brincando em seus lábios. – Mas... – pressionou seu quadril contra o menor de maneira maliciosa. – Eu não esqueci do meu pedido.

O garoto tornou a corar, encarando o moreno em ar pudico.

– Você quer mesmo fazer isso?...

– Preciso saber o seu gosto. – disse seriamente, passando as mãos pelo tronco do garoto. - Não fique com vergonha... você vai gostar. – terminou sua frase passando a mão levemente sobre o sexo menor, arrancando um gemido especialmente alto.

– Pervertido... – murmurou quase sem forças, desejando internamente um contato maior.

Não pôde mais se conter ao ver os orbes dourados se fechando, escondendo o intenso brilho de desejo que se podia ler ali. Levou as mãos ao cós da calça, arrancando-a juntamente com a cueca, deixando-as esquecidas nos tornozelos do garoto para então finalmente dar atenção a ereção do jovem, que pulsava de necessidade.

Sugou delicadamente a cabeça do sexo menor, causando um leve espasmo e um longo gemido de prazer. Passou a língua desejoso por toda a extensão, fazendo outro gemido ansioso escapar pelos lábios do menor, que os tapava com uma das mãos.

Não era só desejo que sentia naquele momento em sua forma mais pura, mas também uma adoração por cada reação do menor. Queria mais reações, mais e mais gemidos.

Levou toda a extensão dele à boca, sugando com gosto aquela parte sensível do corpo menor, quase levando o pequeno a loucura

– R-Roy-!...i-isso-... – tentou dizer, mas os choques de prazer eram violentos demais, fazendo-o gemer e suspirar incontrolavelmente, enquanto se tornava cada vez mais difícil respirar.

Sentiu o corpo em chamas enquanto o prazer se tornava impossível de agüentar. Arfava cada vez mais, apesar do esforço que fazia para normalizar a respiração. Não pôde controlar o grito que deu ao se desfazer na boca quente e experiente do moreno.

Puxou o máximo de ar que conseguiu, tentando saber se havia sobrevivido àquilo, mas ao fitar os olhos fascinados do homem à sua frente, não pôde deixar de corar.

– Como imaginei... – murmurou o moreno, sorrindo ladino.

– O que? – perguntou arfante o menino, enquanto sentava um tanto desajeitadamente no chão, pois suas pernas não o sustentariam por muito tempo.

– Você é delicioso. – sorriu malicioso, fazendo o garoto enrubescer e fechar o cenho em desaprovação.

– Cala a boca! – mandou constrangido.

– Edward, ainda quero mais de você. – disse-lhe carinhoso, voltando a capturar os lábios róseos, mas foi logo afastado pelos bracinhos do garoto que o encarava seriamente.

– Espera. – pediu o menino - um tanto receoso ao dar-se conta realmente do rumo daquilo -, para então soltar um longo suspiro. – Isso não está certo. Olha, eu nem sei o que quero e nem sei por que estou aqui.

– Eu quero te mostrar o porquê. – respondeu sério, afastando-se ligeiramente do loiro, podendo assim fitar o brilho de receio nos olhos dourados

– Mas eu não tô vendo nada!

– Você não quer então? – impacientou-se

– Eu não sei!

– Edward...

– Eu não sei o que eu quero. Porra! Olha só o que você tá fazendo comigo Mustang! Eu nem sei mais-...!

Não viu outra saída a não ser interromper o jorro de palavras do menino com outro beijo. – Ed, me escuta, está bem? Se você quiser a gente pára. Não vou te obrigar a nada. – disse o moreno sentindo a respiração falhar à idéia de ter que se afastar do corpo pequeno, pois aquela poderia ser a sua última chance de senti-lo.

– Mas-...

– Nós podemos deixar por isso. Se é isso que deseja, não vou obrigá-lo, mas me deixa tentar Ed. Me dê a chance de te ter, mesmo que seja apenas desta vez.

– Eu não sei!... Isso é tão... bizarro! Até a manhã passada eu te odiava okay? E olha onde eu tô com você! Olha o que a gente já fez! – não conseguiu conter a profusão de idéias que passou por sua cabeça, entoando-as em ar perturbado, mas parou de falar ao ver o maior levantar, rumando em direção à cama. –...Mustang...

– Tudo bem, não encostarei mais um dedo em você, Fullmetal. – disse-lhe quase compreensivamente, não fosse o desgosto que se via ao fundo dos orbes negros. – Levante-se, ponha uma roupa e esqueça o que houve.

Viu o menino se levantar cambaleante, apanhando a camisa que jazia no chão e, soltando um longo suspiro, jogou-se à cama, encarando o teto trabalhado do Hotel para tentar esquecer o desejo que corroia seu corpo.

Tentou seriamente acreditar que era melhor assim, mas ao pensar que jamais saberia como seria acordar ao lado do menor, sentiu a garganta fechar.

O garoto lançou outro olhar em direção a cama, vendo o coronel estirado e pensativo, ignorando as necessidades que seu volume evidenciava por baixo do tecido preto. Tentou vestir as próprias roupas, mas o vazio que o toque gelado do tecido transmitia a sua pele fez com que mudasse de idéia ficando como estava. Deu alguns passos incertos em direção ao banheiro, mas travou no meio do percurso, encarando a cama mais uma vez.

Pensava em tudo o que ocorrera tentando se consolar com a idéia de ter chegado muito mais longe do que jamais esperara chegar com o menor.

Queria poder olhar na direção do garoto e ver se ele já se trocara ou se ainda poderia admirar um pouco mais o corpo pequeno e bem desenhado do garoto, mas não se moveria dali até ter certeza de que o outro não estivesse ali. Fechou os olhos por instantes, relembrando a expressão do pequeno ao alcançar seu prazer, mas uma mão quente em seu rosto o despertou de seus devaneios, dando-se com o garoto de quatro sobre si.

– Edw-...

– Cala a boca antes que eu mude de idéia de novo. – murmurou o menor roçando os próprios lábios aos lábios maiores, esperando o próximo movimento do moreno, que não perdeu um segundo antes de aprofundar o contato lentamente, como que receando o fim daquilo.

Como esperava se sentiu aquecido e confortável ao contato com a pele pálida do moreno. O contato direto entre seus lábios e o leve roçar de suas pernas reavivando seu desejo, como se este nunca tivesse sido satisfeito, mas desta vez queria ver o coronel gemer ante seus toques. Mesmo que fosse errado ou que se arrependesse depois, queria fazê-lo.

Levou a mão que repousava sobre o rosto bonito do coronel ao sexo do mesmo por baixo dos tecidos, fazendo com que o corpo desejoso se arqueasse à tal contato, enquanto os lábios finos deixavam escapar leves gemidos e arfos.

Estimulou-o sem remover as calças ou a roupa íntima arrancando gemidos e suspiros cada vez mais altos. Não sabia ao certo o que fazer para provocá-lo, mas se saiu bem ao passar o indicador atrevidamente pela cabeça do sexo do homem, levando-o ao delírio. Tornou a fechar os dedos sobre a extensão movimentando-a afoitamente e sentiu uma pontada de prazer ao sentir que gotículas de sêmen já se desprendiam da ereção, enquanto fitava bobamente a expressão de puro deleite do outro, que respirava com dificuldade.

Sentia como se sua alma fosse fugir a qualquer momento e não pôde evitar pensar se poderia morrer de tanto prazer. O calor era quase insuportável e os espasmos violentos precediam a chegada do ápice. Sentiu-se se desfazendo nas mãos do pequeno em jatos fortes e incontroláveis, no orgasmo mais arrebatador que já experimentara em sua vida.

Arrancou as calças do outro, fitando fascinado o brilho perolado preso em seus dedos e sobre a intimidade do outro que pela primeira vez na vida se mostrava realmente sem-jeito.

Edward ficou se perguntando se alguma vez vira aquele coronel filho-da-mãe tão bonito quanto com o olhar perdido no seu, as bochechas levemente rosadas. E percebeu que não importava como, aquele idiota sempre mexia consigo, fosse tirando-o do sério, fosse fazendo-o desejá-lo como agora.

Deitou sobre ele, acomodando o rosto jovem no peito liso e definido do outro e com o braço metálico acomodou-se por lá, encarando novamente os orbes negros.

O coronel sentiu sua respiração parar ao ver o garoto provar de sua semente sem deixar de encará-lo, para então lhe dar um beijo inocente, apenas um roçar de lábios, e sussurrar:

– Chance concedida coronel.

Deixou aquelas palavras entrarem em sua mente como música, apreciando cada nuance na voz do pequeno, sentindo o leve receio misturado com a expectativa que se escondia na tranqüilidade do sussurrar.

Fechou os olhos, sentindo o peso do outro sobre si, as respirações em ritmos diferentes causando um leve roçar entre seus corpos.

Abriu-os então, decidido a sentir cada mínima sensação de cada toque.

Inverteu suas posições calmamente, passando a mão pelo rosto jovem a sua frente, que o encarava numa expectativa disfarçada por segurança. – Obrigado Edward. – sussurrou de volta no ouvido do loiro, sentindo-o arrepiar.

Aproximou os lábios rosados aos seus num beijo suave, lento e tranqüilo, que foi aprofundado timidamente pela língua do menor que pedia passagem por seus lábios, sendo prontamente aceita.

Acariciou os fios dourados enquanto a outra mão descia lentamente pelas costas estreitas do garoto, arrepiando-o.

Desceu até as nadegas firmes, acariciando com fascínio, mas logo a mão pequena do garoto o parou, fazendo com que voltasse a encará-lo confuso.

– ... Aqui... – pediu o menino um tanto envergonhado, guiando a mão maior ao seu sexo ereto.

Sorriu novamente, tocando aquela pare sensível, fazendo o corpo menor se arquear ligeiramente, aumentando o contato. Massageou-o devagar, apenas para provocá-lo, mas quando ouviu o menino gemer seu nome sem nenhum pudor, não resistiu a beijar a ponta da ereção rosada, causando mais gemidos.

Abocanhou a carne macia, estimulando-a com a língua enquanto acariciava com as mãos cada pedaço de pele que alcançava.

Aquilo parecia irreal, um Edward tão entregue e meigo, aceitando facilmente qualquer toque mais ousado enquanto quase ronronava.

Sentiu os dedos finos se agarrarem a seus cabelos, aumentando seu desejo.

– Roy.. isso é-... – gemeu o menino remexendo-se sensualmente, suas pernas fechando-se em volta do corpo maior aumentando ainda mais o contato.

Sorriu internamente com isso. Era delicioso tomar aquele corpo pequeno em seus braços e dar-lhe prazer. Edward provavelmente não fazia idéia do quão provocante eram seus gemidos, ou do quão sensual parecia quando se remexia e levava a mão metálica aos lábios, mordendo-a desejosamente. Mas aquela inocência quanto aos próprios atos tornava ainda mais excitante cada atitude e cada gemido do loirinho.

O ápice se aproximava perigosamente do corpo menor, fazendo com que Edward o empurrasse levemente pedindo contrariado que o outro parasse, apesar de gemer em protesto quando a boca quente o abandonou.

Tentou normalizar a respiração, o corpo quente e úmido de suor. O baixo-ventre latejava, mas não agüentaria até o fim se tivesse outro orgasmo.

Olhou nos olhos do maior, apreensivo, externando sua insegurança. – Eu nunca fiz isso antes... – reafirmou, apesar de saber que o outro já conhecia este fato. – Por isso, vai com calma...

O moreno sorriu divertido com aquele pedido – E finalmente a chapeuzinho cai nas garras do lobo mau... – murmurou, acariciando os cabelos cor de ouro.

O menino fez muxoxo, acomodando-se no colo maior e encostando a cabeça no peito firme do outro.

Sorriu outra vez, vendo o rosto inocente entregue aos seus braços, olhos serrados como se dormisse. Passou mais uma vez as mão pelos cabelos loiros, pensando em quão satisfeito o lobo poderia ficar tendo finalmente a chapeuzinho. Terminou o percurso de uma de suas mãos sobre os lábios do garoto, que entreabriu-os, lambendo as pontas dos dedos quentes.

Introduziu-os em sua boca, passando a língua provocantemente por toda a extensão daqueles três dedos finos, adorando o sabor salgado da pele pálida daquele coronel.

Aquilo era quase tortura. Sentir seus dedos sendo lubrificados por aquela língua inquieta de maneira tão desejosa que despertou sua mente para pensamentos um pouco avançados para uma primeira experiência. Retirou delicadamente a mão dos lábios róseos, escorregando-a até a fenda da nadegas pequenas do loiro, deixando-o tenso.

– Relaxe... – pediu o maior, beijando o pescoço marcado do subordinado, recebendo um leve suspiro como resposta.

Fez o que pôde para relaxar, mas era difícil quando se sabia o que viria pela frente. Enterrou a cabeça no peito experiente quando sentiu o primeiro dedo pedir passagem, causando um enorme incômodo.

Sentiu o dedo entrar completamente em seu corpo, fazendo-o serrar os dentes para não reclamar do desconforto daquilo.

Viu que o menor estava tenso e para distraí-lo, voltou a acariciar sua ereção, vendo o resultado aparecer rapidamente.

Sentiu as carícias retornarem e aquele dedo mexer-se dentro de si, lha causando arrepios apesar do incômodo.

O outro dedo foi introduzido encontrando a mesma resistência, mas com o auxílio do primeiro, logo encontrou o ponto que procurava, tocando-o vigorosamente, fazendo o outro gemer audivelmente.

Ante os toques deleitosos do coronel, nem sequer reclamou do terceiro dedo que o penetrou, apesar do incômodo comum.

Aqueles gemidos roucos o estavam deixando louco. Queria tomá-lo de uma vez e entrar naquele corpo, mas precisava ter paciência, já que não desejava de jeito nenhum machucá-lo.

Prosseguiu com a massagem até sentir o corpo menor relaxar totalmente ao contato e logo retirou-os de dentro do menor, levando a cabeça do seu sexo à pequena entrada antes desta fechar novamente.

Sentiu algo realmente grande tentando entrar em si, deixando-o sem ar por um instante, mas logo que o retomou gemeu baixinho. Sentiu-se apertado demais para abrigá-lo em si e logo ficou tenso novamente, pois não queria desistir àquela altura, mas prosseguir parecia impensável. Por que aquela raposa tinha que ter seu sexo tão grande?

Viu o pequeno ficar tenso sob o contato e pacientemente começou a beijar seu pescoço e rosto, como que para acalmá-lo. – Relaxe Edward... – pediu o moreno sem deixar de beijá-lo.

– Isso dói... – choramingou o pequeno encarando-o ligeiramente irritado.

O coronel sorriu outra vez, retornando às carícias na intimidade do menor, fazendo-o gemer mais outra vez.

Quis muito ainda ter forças para xingar Mustang por aquilo, pois não sabia se entregava-se ao prazer ou se sentia dor, o que fazia com que sentisse os dois vivamente.

Sentiu o sexo do outro adentrar mais em si, causando uma nova pontada de dor, ainda que este deslizasse mais facilmente agora. Não iria agüentar aquilo, doía demais!

Respirou fundo algumas vezes, vendo que o outro parara novamente em sua investida para adentrá-lo.

– Se estiver doendo muito, Edward, posso parar. – lembrou-o atenciosamente, mesmo sabendo ser mentira.

– Já... – começou, resignado, forçando seu corpo para baixo, fazendo o coronel penetrá-lo mais. – agüentei. dores. bem. piores... – fez uma careta desconfortável enquanto tentava se acostumar àquilo.

O menino desceu mais, quase acomodando-o por inteiro dentro de si, fazendo-o gemer audivelmente ao senti-se quase completamente esmagado dentro daquele corpo apertado.

Sentou completamente sobre a ereção do outro, orgulhoso por vencer aquela dor estúpida.

Olhou dentro dos olhos negros, vendo-os nublados de prazer, o que fez com que se sentisse quase grato pela dor ignorante que aquela droga e penetração causava. Era algo inimaginável, ver Mustang entregue ao prazer que lhe proporcionava apenas por abrigá-lo dentro de si. Sem sarcasmo ou sua usual superioridade, apenas prazer e satisfação.

Sentiu o menino se mexer sobre si, causando novos choques de prazer. Vê-lo desta forma, com os bracinhos enroscados em seu pescoço, a respiração entrecortada devido ao desconforto que tentava vencer, os olhos semi-serrados por conta da concentração em seus atos. Não pôde evitar estocá-lo fortemente, alcançando o ponto sensível do garoto logo de primeira, uma sorte.

Gemeu ao sentir aquele toque deleitoso novamente, aquilo era incrível.

Jogou a cabeça para trás ao ser estocado repetidas vezes, todo o desconforto mascarado perfeitamente pelo intenso prazer que aquele toque íntimo trazia.

Aquele prazer todo lhe parecia surreal e sentia seu coração acelerar mais ainda sempre que fitava os olhos do coronel cujo brilho intenso demonstrava algo além de mera satisfação sexual, algo mais profundo, uma satisfação infantil.

Seus corpos agora moviam-se juntos num ritmo frenético. Sentiu o ápice chegar violentamente, num espasmo arrebatador que o fez despejar-se sobre eles pouco antes do outro, que logo alcançou seu prazer de igual maneira.

Ficaram parados na mesma posição durante alguns minutos, seus corpos abraçados, seus lábios trocando um beijo cansado.

O coronel retirou-se de dentro do menor de maneira lânguida, deitando-se exausto sobre a cama com o menor ao seu lado.

– Acho que vou ter que trocar os lençóis de novo... – murmurou divertido ao notar o estado atual da cama.

– Podemos fazer isso depois... – respondeu em ar sonolento, aninhando-se ao peito do moreno.

Fitou intensamente a figura ao seu lado, aconchegada a si e sorriu ao pensar que seu sonho bobo de vê-lo deitado ao seu lado naquele instante era real. Serrou os olhos, encostando-se mais ao corpo menor, a fim de aproveitar aquele momento, mas palavras sussurradas o fizeram abrir os olhos, surpreso.

– ...também te amo coronel. – foi o que ouviu, num sussurro que bem poderia ser sua imaginação.

Mas sabia que não ser.

-x-

Esse certamente é o maior caítulo da fic. Cheguei a pensar em decidi-lo, mas desisti da idéia

Espero que o Lemon não esteja muito zoado, por que esse foi o primeiro que eu escrevi (e o único até então xD)

Obrigada a todos que leram e comentaram na Rain!

The End!!

Mas não se engane, ainda tem um epílogo tosco! o/