Cap. 04
A guarda que estava ali ficou meio sem saber o que fazer. Porem, ela foi à direção do mestre, com os braços abertos. Piandao apenas desviou-se com o corpo. Neste momento, três outros soldados que estavam entrando no hall de entrada dispararam na direção do mestre, gritando:
- Eu, pare imediatamente.
Piandao retirou a bainha da espada, porem, não colocou a espada para combater. Ele tinha apenas a bainha nas mãos. O objeto era feito de madeira, mas tinha uma pintura preta e desenhos entalhados no lado de fora.
Dois tentaram pegar os braços do velho, mas este girou o corpo. A ponta da bainha atingiu como um raio o queixo de um deles. A cabeça do mesmo virou com muita força para o lado e para cima. O pobre soldado caiu completamente inconsciente, na verdade, atordoado. Ainda no mesmo golpe, a lateral da bainha atingiu o pescoço, na lateral. Um grande hematoma roxo criou-se na pele do sujeito. A vítima caiu de lado, gemendo de dor.
O terceiro soldado, ao ver tudo o que acontecia, girou os braços, fez gestos com as mãos e disparou um jato de chama vermelho. A chama viajou pelo ar, indo na direção do espadachim. Este agaichou na última hora, ao mesmo tempo em que deferia o ataque com o objeto na direção das regiões baixas. O sujeito dobrou o corpo gritando de dor e com o rosto retorcido, ao mesmo tempo em que colocava as mãos sobre a região dolorida.
A escrivã que o atendera alguns minutos antes, ficou na dúvida se atacava ou não. Então, pegou um bastão de baixo da mesa, e o apontou na direção do mestre. Em seguida, gritou com a voz cheio de medo:
- Pare agora ou terei que lhe machucar.
Sem ver a mulher, Piandao fez a espada mover no ar, de baixo para cima. Quase não foi possível ver o ataque. Um grande pedaço da arma caiu no chão. Em seguida, a lâmina voou na direção do rosto da moça, mas a face da espada acabou acertando a bochecha, como se ele estivesse dando um tapa na sua cara. Ela caiu ao chão.
Shaon arregalou os olhos e ficou paralisado. O mestre puxou a mesa da escrivã para ao seu lado, tirando-o da sua frente. Em seguida, caminhou vagarosamente, com a espada apontada para o peito do inimigo. Porem, o rosto de Piandao estava calmo e tranqüilo, apesar de alguns fios de cabelo estarem fora do lugar.
Com a ponta da arma a apenas alguns centímetros do corpo de Shaon, Piandao comentou tranqüilamente:
- Eu vim aqui apenas para conversarmos e rever velhos conhecidos. Achei que os anos o haviam amadurecido, havia levado embora a sua arrogância. Mas vejo que estou enganado.
Piandao recolheu a espada, colocando-a dentro da bainha preta sem mexer os olhos ou prestando a atenção no ato. Enquanto isso, falava:
- Por isso, eu lhe dou um único aviso. Não tente nada contra mim. Deixe-me em paz na minha casa. Este é o meu último aviso. Já poupei a sua vida duas vezes. Não é porque hoje estou mais nobre e com mais sabedoria que irei poupá-la pela terceira vez!
O mestre da espada deu-lhe as costas e saiu pela porta. Shaon via o sujeito sumindo por entre a luz do dia que entrava pela porta. Ele ficou ali, parado, de olhos arregalados e com a respiração rápida e suor no rosto, causado pelo medo. Depois de algum tempo, ele se levantou, deixou os olhos na posição normal, limpou o suor no rosto, e comentou para si mesmo:
- Acho que terei que visitar a companhia do exército da cidade. Jovens soldados irão adorar matar um velho desertor!
Piandao voltou com as ervas compradas. Chegou na cozinha para preparar o chá. O local era feito de um tipo de azulejos antigos, na cor branca. Colocou um bule sobre a chama de um fogão a lenha, para aquecer a água que estava lá dentro. Após a fumaça começar a evaporar, ele apagou a chama através de um balde de água jogado sobre a lenha. Depois colocou os ingredientes, mexeu-os dentro do bule com uma colher de pau.
Ele levou até o mordomo. Colocou ele na posição sentada. As suas costas apoiaram-se na parede. A cara de Gordo estava suado e não parecia saudável com o rosto branco e pálido e cabelos despenteados.
- Tome Gordo. Este chá tem um gosto horrível, mas irá ajudá-lo a melhoras desta doença – disse o mestre. Ele ofereceu uma xícara do chá esfumaçante. O mordomo pegou-o e sorriu enquanto agradecia:
- Muito obrigado mestre. O senhor é muito gentil.
- Sim, sou gentil, mas minha paciência tem limite. Espero que fique curado logo. Será muito ruim ter que cuidar de tudo sozinho – disse Piandao com um pequeno sorriso lateral.
Na frente do quartel da cidade estava um grupo de soldados andando de um lado para o outro. A parede do lugar tinha três metros de altura e era maciça. Os soldados vestiam roupas vermelhas de exercícios físicos, ou seja, era camisas sem manga e bem soltas para facilitar na transpiração. Um dos soldados estava fazendo flexão de braços. Tinha músculos fortes e torneados. Ele escutou a voz de alguém mais velho lhe chamando:
- Ei jovem soldado, preciso lhe falar algo.
Ele virou o rosto para o lado, com o objetivo de ver quem era, ao mesmo tempo em que parava com o exercício físico. Perguntou:
- O que você tem para contar?
- Eu sei onde mora um antigo desertor do excército! – disse Shaon. Era ele quem estava ali, parado ao lado do soldado, com os braços cruzados e com um olhar maligno.
