30 days of James
James Potter x Lilian Evans


Lilian vai passar um mês na cidadezinha chamada Hogsmeade, no interior da Inglaterra. Lá, ela conhece James, um adorável rapaz que, juntos, eles irão viver um mês inteiro de amor.

Essa não é uma história de amor. É uma história sobre o amor.


30 days of James
Capítulo 04

— Eu. Não. Acredito.

Eu definitivamente não sei que bicho mordeu Marlene naquele dia. Ela estava mais atacada que o normal. Talvez fosse por eu ter beijado o segundo melhor amigo dela — porque o primeiro é, e sempre será, seu marido — mas eu não tinha tanta certeza. Aliás, qual o problema?

— Você beijou James Potter — ela disse, parecendo ainda não absorver a idéia direito. — Você beijou James Potter...

— Por Deus, Marlene, não fale como se fosse a pior coisa do mundo.

— E é! — ela quase berrou — Ok. Tudo bem. Não é aquilo tudo... Mas... Digamos que James, ele... É um pouco galinha. Um pouco mais que o Sirius.

— Marlene, você acha que eu vou vir para cá todo final de semana só para ver ele? Você acha que eu vou namorar com ele? — perguntei, revirando os olhos. — Eu vou ficar só um mês aqui. Não vai acontecer nada demais. Vamos aproveitar o tempo que estivermos juntos, entende?

— Por favor, não me diga que está apaixonada por ele — Marlene me repreendeu, pegando alguma coisa na geladeira.

— Não estou apaixonada por ele. É só uma atração física! Vai dizer que James não é bonito? Ele é lindo. — reclamei.

— É, bem. Você fez uma escolha mil vezes melhor do que a anterior.

Porque Marlene sempre fazia questão de se lembrar do Severus?

— James é um amor — falei em tom baixo, porém Marlene escutou.

— Ah, não! — ela disse, virando-se rapidamente para mim. — Não, não, não! Você não está usando esse tom de voz de novo... Não em menos de vinte anos! Você está usando o mesmo tom de quando ficava suspirando pelos cantos pelo Snape!

— Pare com isso, Marlene. Eu nunca fiz isso — franzi o cenho.

— É claro que já fez isso, Lily! — Marlene literalmente ralhou comigo — Ora essa. Você vivia suspirando pelos cantos, falando o quanto Snape era fofo... Meu Deus, ainda me pergunto o quê diabos você viu naquele rapaz...

— Você está parecendo o meu pai — eu ri — Ele que falava assim do Severus. Dizia algo como "você viu o tamanho do nariz daquele garoto? É gigante!" — eu caí na risada com Marlene — Mas eu não estou usando o mesmo tom que, supostamente, eu usava quando via o Severus. É...

— Não, você está usando o mesmo tom sim — Marlene disse, sentando-se na cadeira agora com um pedaço de bolo de chocolate num pratinho. — Eu passei dois anos da minha vida com você falando o quanto Snape era fofo e suspirando por ele sempre que ele passava. Se fosse comigo, você também iria perceber como eu estou percebendo agora. Só... Por favor — ela disse, levantando os olhos castanho-claros para mim — não se apaixone pelo James. É sério. Não quero ver você sofrendo de novo.

— Marlene, não diga bobagens — revirei os olhos, ainda sentindo ela me encarando profundamente. — Não vou me apaixonar pelo James. Ok? Eu moro em Londres e ele aqui. Nunca daria certo. E além do mais, vou ficar apenas um mês aqui, ou até menos, e depois voltarei à minha louca rotina de trabalho. Então...

— Nunca daria certo — Marlene repetiu o que eu disse. — É bom que não dê mesmo. Não que eu esteja sendo pessimista. É que... Sabe. É James. Tudo bem que ele é bonitão e galante e tudo mais... Mas acho que não valha a pena. Sério.

— Tudo bem, tudo bem — reclamei. — Soube que está fazendo algumas coisas em casa. James disse. Artesanato, Marlene? Tanta coisa pra você e você...

— É. — ela revirou os olhos. — Sirius não quer que eu trabalhe.

— Por que? — perguntei indignada. — Você fez faculdade comigo e tudo mais...

— É, eu sei — ela deu de ombros — Mas ele diz que não acha certo que eu trabalhe. Sabe, aquela coisa machista. Ele fica o dia inteiro fora e eu passo o dia inteiro na cozinha e limpando a casa. Grande porcaria.

— É a coisa mais ridícula que eu já vi — falei. — Você então literalmente perdeu alguns bons anos da sua vida estudando letras para trabalhar na London Books comigo e acaba, no final das contas, enfornada numa cozinha em uma cidade minúscula. Por que vocês não se mudam para Londres? Assim você pode trabalhar na boa.

Marlene hesitou em responder. Seus olhos pareciam cansados, e ela pegou mais um pedaço do bolo com o garfo e colocou na boca. Eu sabia que tinha alguma coisa de errado. Talvez fosse o amor que ela sentia por ele? Apesar de que amor nem sempre é a completa felicidade de todo mundo.

— Eu o amo, Lily — falou. — E, sinceramente, eu prefiro aqui do que Londres. Aqui é muito mais segura. E por mais que eu fique mesmo sem trabalhar, eu não me importo, desde que eu esteja com ele. — ela suspirou — Já dei a idéia de irmos para Londres, ele aceitou. Mas me acovardei no último minuto. Eu não sei o que deu em mim, mas eu quis ficar aqui. Acho que aqui seria o melhor lugar para nós morarmos. Quero dizer, foi aqui onde nos conhecemos e tudo mais.

— Amor não justifica tudo, Lene.

— Eu sei, eu sei. Mas eu só... Quero ficar aqui. Com ele. Ele disse que não se importa onde nós estaremos, mas disse que eu estando feliz está ótimo para ele. E também, ele tem um trabalho na prefeitura da cidade, e eu tenho medo de que chegamos lá e não conseguimos arranjar nada...

— Você sabe que a sua vaga na London está garantida, Lene — falei — Você é muito melhor que eu. E Dumbledore disse que as portas estariam abertas para você assim que você quiser.

— É, mas Dumbledore deu no pé. E agora tem aquela cara de sapa que você disse.

— Umbridge é um detalhe, apenas. Dumbledore disse que tem uma declaração pra que você seja imediatamente aceita na London. Ao menos que, obviamente, você não queira. É como se você já estivesse destinada para a London.

— Ai Lily, eu não sei — ela balançou a cabeça. — Estou meio confusa ultimamente. Eu quero, mas também não quero trabalhar. Entende? Eu quero muito ficar o dia inteiro atrás de uma escrivaninha, lendo livros. Mas ao mesmo tempo eu quero ficar aqui, fazendo cestinhas e tudo mais... Ah, sei lá. Dane-se. Quer um bolo?

— Você não pode ficar a vida inteira fazendo cestinhas, Lene — franzi o cenho. Marlene assentiu com a cabeça. — Sabe que não pode. Seu talento não pode ser desperdiçado com essas cestinhas de e plaquinhas de boas-vindas que você faz.

Ela apenas sorriu de lado.

.xxx.

Era quase nove da noite quando Sirius chegou acompanhado de James. Eu não fazia idéia de onde os dois foram; talvez fosse apenas mera coincidência, os dois terem chego juntos. Eu e Marlene havíamos devorado o bolo de chocolate enquanto falávamos sobre os tempos de colégio. Marlene comia o tempo todo, parecia estar com muita fome. Talvez estivesse nervosa com algo?

Me despedi de Marlene e Sirius e segui com James para o Três Vassouras. Ele me dera um beijo no rosto assim que entramos no carro. Assim que chegamos lá, pedimos duas cervejas ficamos na mesa conversando.

— Como foi a tarde? — perguntei. James deu de ombros.

— Um saco — ele disse — Odeio aquela empresa. Ainda mais sem você por lá. Eu contava os minutos para te ver. O tempo parecia que não passava. Foi uma tortura. E como foi a sua tarde?

— Normal. Eu me distraí muito com Marlene, nem vi o tempo passar — dei um meio sorriso — De certo, essa tarde foi uma tortura pra você porque você não se distraiu e ficou pensando no que aconteceria mais tarde.

— Eu pensei nisso. Eu tentei me distrair, mas não consegui — ele riu baixinho — Fiquei pensando na cor dos seus olhos. É tão...

— Estranho? Curioso?

— Peculiar. Lindo. Como você.

Eu corei. Ninguém, em toda minha vida havia dito que a cor dos meus olhos era uma cor linda. Tudo bem. Meus pais disseram. Mas por mais esquisito que o filho seja, eles continuam achando o filho lindo e perfeito. É sempre assim.

— Obrigado — falei, ainda sentindo meu rosto ferver de vergonha. Vi um sorriso se formar no rosto de James. Ele não disse nada.

Nós terminamos nossas cerveja e seguimos para o carro dele. Não tomaríamos mais nada. Ele me beijou no rosto assim que coloquei o cinto e novamente, eu corei.

— Marlene falou de você — falei.

— Mal, acredito.

Muito mal — eu ri. — Disse que você é o tipo de homem-galinha como Sirius era antes de conhecê-la. Isso é verdade?

Ele deu de ombros.

— Bem... — ele começou, parecendo hesitante. Meu coração deu um solavanco. — Confesso que até a um tempo atrás, eu não parava com uma mulher. Mas então, comecei a trabalhar demais e mal arranjei tempo para sair com os amigos e tudo mais. Então, parei de ficar trocando de namorada como trocava de roupa.

— Quer dizer então que, se você não estivesse trabalhando horrores, continuaria a ficar trocando de namoradas como se troca de roupas?

— Não, Lily. Eu amadureci o suficiente para saber que chegou a hora de eu parar com isso e ficar com apenas uma mulher. Entende?

Eu assenti com a cabeça, sem dizer mais nada. Imaginar James com outras mulheres foi algo desconfortável. Mas imaginar James comigo... Era algo muito agradável. Eu corei com o pensamento. Balancei de leve a minha cabeça, querendo espantá-los. É só um mês, Lily, eu pensei, você não pode se apegar desse jeito.

O carro parou. Ele havia parado em frente a uma casa de dois andares cor creme, muito bonita. O jardim ainda por cima era muito bem cuidado. Avistei logo mais a frente da rua onde estávamos a placa do hotel onde eu estava hospedada.

— É a sua casa? — perguntei.

— Sim — ele disse.

— Bonita — falei — Bonita demais para ser a casa de um homem solteiro.

Ele riu.

— Eram dos meus pais — ele deu de ombros — Agora eles estão em uma casa menor. Disseram que essa casa vai ser muito útil quando eu me casar. Tem uma suíte e uns três quartos.

— Isso é muito para um homem solteiro. — eu ri baixinho.

— É claro — ele sorriu e deu de ombros. — Mas eu ainda acho que vou casar e acho que vou ter filhos. Então... Acho que essa casa vai ser bem útil, sim. — ele sorriu.

— Você acha que vai se casar?

— Não sei. Sabe, todo homem trata casamento como prisão. Me admiro que Sirius tenha se arranjado com alguém. É sério. Ele fugia de namoros e casamentos como o diabo foge da cruz. Ele só não fugia das festas de casamento... Onde ele pegava a noiva, as madrinhas e até mesmo a dama de honra, isso é, quando ela já tinha mais de 17 anos. — James deu uma risada amarga. Nunca pensei que Sirius era tão... Assim.

— Uau — eu ri. — Sirius é realmente surpreendente.

— Você nem imagina o quanto — ele riu também. — Bem, quer entrar?

— Claro. Quero conhecer a casa onde você cresceu.

Nós rimos baixinho. Ele saiu do carro e abriu a porta para mim — agindo como um bom cavalheiro, devo acentuar novamente —, e seguimos, de braços dados até a porta da casa dele, onde ele lutou contra a chave. James tinha um certo problema com chaves de portas, portões e coisa do tipo.

Ao entrar, dei de cara com um belo hall de entrada, que dava para uma escada nas cores branca e marfim, um corredor e uma porta aberta do nosso lado. Ao nosso lado, havia uma sala de estar, cuja as paredes eram de uma cor bege clara com acabamentos de gesso branco. Havia uma lareira, dois sofás — sendo um de três e outro de dois lugares — e uma poltrona na diagonal da lareira. Acima da lareira havia uma televisão de plasma presa, e entre os sofás e poltronas, uma mesa de centro cheia de coisas; revistas, livros, jornais.

James me mostrou a casa inteira; a sala de jantar era no mesmo ambiente da cozinha, e vamos combinar: era enorme. As paredes eram brancas, e o piso era um mármore tão limpo que chegava a refletir a luz do teto nele. Havia uma mesa branca com seis cadeiras, sendo três em cada lado, e no final da mesa dava para o balcão da cozinha, onde ao lado havia o fogão. Era tudo tão... Moderno. Talvez essas fossem as palavras certas?

A cozinha era o tipo que toda dona de casa sonhava em ter: geladeira, lava-louças, microondas, forninho elétrico, pia com água quente e fria...

— Sua mãe parecia ser apaixonada pela cozinha — passei de leve o dedo pelo balcão branco da cozinha.

— Era a parte que ela mais gostava na casa — ele sorriu. — E, é claro, que a casa foi reformada recentemente. Há mais ou menos uns quatro meses. Ela que planejou tudo. Disse que a casa que caía aos pedaços de antes estava tão "fora de moda" — ele fez aspas no ar, o que me fez rir.

— Sua mãe parece bem ligada nesses tipos de coisa.

— Nem me fale. Ela sonha em ser decoradora. Mas não se decide em ser decoradora ou chef de um restaurante francês.

Nós rimos e voltamos ao tour pela casa do James. As coisas que eu encontrava lá, acho que eu não conseguiria pagar nem que trabalhasse pelo resto da minha vida. Era tudo tão claro, branco, moderno.

Os três quartos eram iguais — uma cama de casal branca no centro, com dois criados mudos, um de cada lado, uma escrivaninha presa à parede, um guarda-roupa e uma penteadeira. Porém, a suíte era o tipo que fazia qualquer pessoa enfartar.

A decoração dela dividia-se entre branco e uma madeira pouco mais escura que marfim. Digamos que seria um "café com leite". Havia um extenso criado-mudo ao lado da cama, que era branca com um cobertor bege. No criado-mudo, encontrava-se um porta-retrato, um relógio digital — que aparentemente, também era um despertador —, um abajur branco, e um pequeno e fino vaso de flor, contendo apenas no máximo cinco margaridas dentro.

Ao lado da cama, havia um criado-mudo pequeno, com outro abajur branco, e ao lado, uma porta de vidro que dava para a sacada. Ao lado dela, havia uma escrivaninha branca, com um notebook desligado e cinza em cima dela, um telefone, e alguns papéis. Acima, havia duas prateleiras recheadas de livro dos mais variados autores — Tolstoi, Sartre, Hemingway, e alguns americanos como Dan Brown e Harlan Coben — e outro porta-retrato e ao lado, um quadro branco, com um desenho esquisito em vermelho vinho.

Porém, em frente a cama era o que mais me... Impressionara. Havia uma "parede" de madeira — aquela de cor café com leite que comentei — com uma televisão de plasma branca. E do outro lado dela, havia duas poltronas e duas portas brancas com madeira extensas, que se abriam dos dois lados. E uma porta branca entreaberta que julguei ser o banheiro. As outras eram um tipo de guarda-roupa. Não me restava dúvidas.

— Uau — comentei. — Sua mãe que decorou também?

— Também — ele suspirou — Ficou uma beleza, tenho de admitir.

— Ficou mesmo — eu mordi meu lábio inferior. — Quero dizer... Poxa. O quarto ficou lindo. Acho que eu nunca vi algo parecido em uma revista de decoração. The World of Interiors devia bater uma foto do seu quarto e colocar na revista. Ficou maravilhoso. Bem melhor do que o meu, acredito.

— Do seu quarto em Londres ou do hotel?

— Dos dois, tanto faz.

Ele deu uma gargalhada gostosa.

— Bem. Ele está arrumado hoje, obviamente — ele deu de ombros — Precisa ver quando estou com pressa demais para arrumá-lo. Ele fica virado numa zona. Notebook na cama, roupas pelo quarto, cueca na maçaneta...

Cueca na maçaneta? — eu fiquei realmente surpresa. — Por Deus, James Potter, o que você anda fazendo nesse quarto para ter uma cueca na maçaneta?

— Trazer mulheres é que não é! — ele se defendeu. — Você acredita que é a primeira mulher a entrar no meu quarto?

— E ficar só olhando, sem fazer nada com você? É, acredito.

— Tudo bem. A terceira. As duas primeiras foram as minhas namoradas. — ele disse, triste. Eu ri.

— E não fizeram coisas nada puras, eu acredito.

— Nem queira imaginar. A segunda tinha um fogo...

— Não quero saber — falei mecanicamente. Ele riu e senti seus lábios tocarem o meu pescoço.

— Vem cá — ele murmurou, segurando minhas mãos e andando de costas até a cama. Assim que ele chegou na cama, acabou sentando-se na beirada. Minhas mãos foram direto para os ombros dele, e as mãos dele para a minha cintura, levantando pouca coisa o suéter que eu usava. — Acho que podemos nos livrar disso... — ele começou tirando meu suéter.

É claro que eu não fiz objeção nenhuma.

— E isso... — ele disse, agora com as mãos brincando com a barra da minha blusa.

— Está meio frio — eu murmurei.

— Eu tenho dois tipos de aquecedores por aqui — ele disse, enquanto se levantava devagar e tirava lentamente a minha blusa. Seus lábios encostaram no meu ouvido. — O elétrico e o natural. Qual você prefere?

— Natural. É melhor para o meio ambiente. — eu disse com certa diversão. Eu bem sabia sobre o que ele estava se referindo.

— É? — ele riu rouco e mordiscou o lóbulo da minha orelha, me fazendo ficar arrepiada. Quando menos percebi, já estava com a blusa passando pelos meus braços. Minhas mãos trataram rapidamente de ir para os botões da blusa social que ele usava, já que ele fez questão de se livrar do blazer já na entrada da casa.

Uhum — eu murmurei, quase que ronronando, enquanto seus lábios passeavam pela lateral do meu rosto, fazendo com que eu ficasse completamente arrepiada. Mordi meu lábio inferior ao sentir os lábios dele no meu maxilar e depois em meu queixo, mordiscando.

— Pois bem — ele disse de maneira rouca. — Vamos começar a ajudar o meio ambiente, então.

E em menos de trinta segundos, eu já estava arrancando a calça dele, e ele brigando com o fecho do meu sutiã.

E isso na cama dele.