Título:Três lados
Autor: Poly
Beta: Marina, bat-nome MLSP
Capítulos: 4/?
Completa: [ ] Sim [X] Não
N/a: Ok, acho que muitos de vocês estão esperando por esse momento na série... eu pelo menos estou. O próximo será o último... ou não. Não decidi ainda se serão mais um ou dois capítulos. Anyway, até lá.

Mikaelly, alguns de seus desejos serão realizados nesse capítulo ;) ExcellentDriver, entendo bem o que você quer dizer com as 'vozes'. Às vezes, quando imagino cenas, tenho que parar e me perguntar por que estou pensando em inglês. É que é estranho imaginar os personagens falando em português... hahaha Obrigada por comentar. Ms. Pad's, exatamente! E o que acontece quando ela escuta isso dele? Keep reading. Taah-s2, estou só esperando o momento que ela descobrir algum desses fatos na série. Por que vai ser muito chato se isso não acontecer! mary-gwg, rena banana - eu ri. Obrigada pelo review! Angie, vamos combinar que Brennan e Hannah lado a lado, em relação a Booth, não tem nem comparação né... e ela vai evitar muita dor de cabeça se descobrir isso por si só.


Capítulo 4 - O confronto

HANNAH E SEELEY
Hannah iria perguntar sem malícia nenhuma, exatamente como da primeira vez, para poder sondar a reação dele.

-Seeley? A Dra. Brennan é uma pessoa realmente incrível. Nesse tempo todo que vocês trabalharam juntos, você nunca sentiu nada por ela?

-Por que você está me perguntando isso?

-Curiosidade.

-Não sei por que essa curiosidade repentina. Eu já te disse, eu e a Bones somos amigos e parceiros. Ponto.

-Está bem. – disse ela, erguendo as mãos. Mas não havia desistido ainda. Usaria da informação que havia conseguido, para ver se o pegava – É que um dia desses eu estava no Founding Fathers conversando com um dos funcionários do laboratório e ouvi uma história de que vocês dois já se envolveram. Foi isso que acendeu minha curiosidade.

-Quem te contou isso?

-Quem não vem ao caso agora, eu...

-Já se envolveram é uma expressão muito vaga. – a voz dele estava mais rude, e a postura mais ereta.

E a negação dele começou a irritar a jornalista. Se ele insistia em negar, estava tentando esconder algo mais dela.

-Vocês estavam bêbados e se beijaram! Quase dormiram juntos! Vai negar isso? Vai dizer que não é um envolvimento?

-Quem te falou isso? – repetiu ele, mais firme. De repente, se ergueu da cadeira – Eu vou matar o Sweets!

-O quê? Não! Seeley, por que acha que foi o Sweets? Eu falei que foi alguém do laboratório...

-E eu não acreditei. As únicas pessoas que são próximas da Brennan no laboratório são a Cam, o Hodgins e a Angela. A Cam desconhece a história, se o Hodgins sabe, é por meio da Angela, e nunca sairia contando. E a Angela nunca contaria a história para você só por curiosidade. Eu não contei a ninguém, a Brennan só contaria à Angela, então só me resta o Sweets, que ouviu a história e pode muito bem ter dado com a língua nos dentes. – disse ele em um frenesi, a mente funcionando de forma acelerada.

Hannah tentou contra-argumentar, mas ele já estava na porta. Ela não podia ir contra a lógica dele. Ele conhecia cada uma daquelas pessoas bem demais, e havia acertado na mosca.

-Se você não quer falar no assunto é por que se sente culpado! – gritou ela, dando alguns passos na direção da porta.

Booth se virou, um dedo em riste.

-Eu nunca, nunca me sentiria culpado pelo que sinto pela Bones!

Ele parou, percebendo o que falara. Hannah ficou no mesmo lugar, respirando rápido.

Sinto. No presente.

Ele baixou o dedo, mas não o tom de voz.

-Eu nunca desisti dela, mas ela desistiu de mim, está bem? E vou ter que conviver com isso.

-Isso aconteceu antes ou depois de vocês decidirem ter um filho juntos? – disse Hannah, tirando a carta da manga.

Booth ficou a mirá-la por alguns segundos sem entender.

-Ligaram da clínica. – esclareceu a jornalista. – Por que você não me contou que teve um relacionamento que não deu certo com a Dra. Brennan? Eu teria entendido.

-Nós não tivemos um relacionamento. – disse ele, pontuando cada palavra, com raiva.

-Ok, decidir ter um filho é algo que amigos fazem todos os dias.

-Não era meu filho, está bem? Era dela! Ela queria um filho e eu concordei em... doar. Mas nós discutimos a respeito, por que ela não queria que eu me envolvesse com a criança, e ela acabou por desistir da ideia.

Hannah ouviu tudo com as sobrancelhas erguidas. Levou a mão aos cabelos, bagunçando-os.

-Meu Deus, Seeley. Você está mais enrolado nisso do que eu imaginava.

-Enrolado no quê?

-Você ainda a ama, não é?

Booth não teve coragem de encará-la, mirando o chão em vez disso. Ela aceitou o silêncio como uma confirmação.

Ele ergueu os olhos e ela sentiu como se, naquele momento, estivessem em uma despedida.

-Eu preciso ir, Hannah... – ele vestiu o paletó, saindo para o corredor. – Tchau.

Hannah ouviu o barulho da porta batendo, mas não saiu do lugar enquanto o namorado se afastava. Sim, aquilo era uma despedida.

TEMPERANCE E HANNAH
Era cedo, mas Brennan já trabalhava há algumas horas. Passou em sua sala para buscar alguns relatórios, e foi então que notou Hannah, que se aproximava. Abriu um sorriso para a mulher, que não retribuiu.

Hannah, que estava sempre de bom humor, que raramente deixava de sorrir, parecia apressada e nervosa.

-Aconteceu algo?

-Preciso falar com você.

As duas entraram na sala. Hannah bateu a porta.

-O Booth está bem?

Hannah sorriu. Se não incluísse o fato de Booth ter saído do apartamento da forma como saíra, então sim, ele estava bem.

-Nada aconteceu, apenas preciso desesperadamente tirar uma dúvida.

Brennan a mirou, estranhando. Deixou a pasta que carregava sobre a mesa.

Hannah já havia abandonado a ideia da investigação sem levantar suspeitas. Tudo alcançara proporções que ela não imaginava. Agora, ela só queria entender o molde final da história. Mais por teimosia, pois tinha certeza que isso não mudaria nada àquela altura.

-Diga, Hannah.

-Dra. Brennan, peço que me diga com sinceridade. O que aconteceu entre você e o Seeley no passado? De uma forma romântica?

Brennan refletiu.

-Desconsiderando os 'abraços de caras' que eram completamente profissionais... Três beijos. Nos lábios. Quase dormimos juntos, mas não chegamos a consumar.

-Três? – Hannah só sabia de um, o que Sweets mencionara.

-Tecnicamente o segundo não pode ser considerado um b... – Brennan se interrompeu, vendo que Hannah a mirava boquiaberta. Então acrescentou - Mas nada disso importa. Mesmo o Booth tendo pedido por isso, nós nunca nos envolvemos, realmente.

-O Seeley pediu por um relacionamento?

-Sim. Mas eu neguei.

-Espere, quando foi isso?

-Pouco antes de viajarmos.

Mesmo Brennan tentando esconder, Hannah viu, por alguns ínfimos segundos, a expressão de dor que passou por seu rosto. Ela estava se esforçando imensamente em parecer não se afetar pelas lembranças.

Mas a declaração de Brennan fez Hannah finalmente compreender aonde ia a peça final do quebra-cabeça.

Booth havia se declarado, e a cientista, da mesma forma como Sweets havia descrito, negara, com medo.

E Booth resolvera seguir em frente.

E a encontrara no Iraque e tentara convencer a si mesmo que Brennan era passado, que ele estava pronto para um relacionamento no qual as duas partes concordassem.

Estava errado, Seeley.

-Estava errado...

-Me desculpe? – disse Brennan a mirando.

Hannah percebeu que havia falado em voz alta.

Olhou para a Dra. Temperance Brennan, provavelmente a única mulher na vida de seu namorado. E se deu conta que realmente não conseguia odiá-la. Seria mais fácil odiá-la, mas Hannah não conseguia.

Desde que a conhecera, a Dra. Brennan havia sido extremamente cordial com ela. Havia lhes incentivado, havia conquistado sua amizade, e nunca fizera nada pra prejudicá-los.

Brennan queria que Booth fosse feliz. E se isso incluísse ela, Hannah, tudo bem.

Altruísmo. Quão altruísta era aquela cientista.

Ela sentiu a garganta trancar. Precisava entender seus sentimentos a respeito de tudo aquilo. Precisava de papel e caneta.

Se virando, saiu da sala sem falar mais nada.

E Brennan ficou olhando para a porta aberta, por onde Hannah havia sumido.

SEELEY
Booth saiu da sala de Sweets, fumegando. O psicólogo acabara por confessar o que dissera a Hannah. E tentara, sem sucesso, garantir que aquilo era o melhor. Que Hannah precisava saber de tudo.

Booth ainda estava de cabeça quente com a discussão. Talvez devesse ter contado a ela, não? Ter sido sincero, desde a primeira vez que ela lhe perguntara. A mulher era uma jornalista, por Deus!

Mas o que não saía de sua cabeça era a frase que ela havia proferido.

Você ainda a ama. Não é?

Por mais que aquilo fosse verdade, de que adiantava? Brennan não queria um relacionamento, fim de conversa.

Ao que parecia, ele ficaria sozinho novamente.

TEMPERANCE
Depois que Hannah saiu do escritório de Brennan, ela ficou um longo tempo pensando. O que havia causado aquele surto inesperado na mulher? Então, uma epifania repentina a atingiu. Abrindo novamente o email, pegou o número de telefone da clínica de fertilização. Falando com a atendente, descobriu que ela havia entrado em contato com Booth, e deixara um recado em sua casa.

Brennan pegou a bolsa e saiu.