"Alice?". Uma voz melódica chamava por mim.
"Alice?". A pergunta se repetiu, porém a voz não era a mesma. Agora era uma voz feminina que me chamava, com um tom de preocupação.
A claridade que me atingia machucava minhas pálpebras, mesmo fechadas. Fui me obrigando a abri-las, vagarosamente.
Logo me situei: já era de dia. Fui sentando aos poucos na cama, parecia que eu tinha sido atropelada por um caminhão, meu corpo estava todo dolorido.
- Você dormiu um tanto a mais hoje, querida. – a voz, que antes era preocupada, agora estava mais tranquila. Olhei a dona da voz. Aquela era a enfermeira da tarde, não a da manhã.
- Boa tarde, Irina. – falei, esfregando meus olhos.
- Ficamos preocupados, você nunca dorme tanto. – quase pude ouvir ela acrescentando mentalmente um "já achávamos que você tivesse morrido".
- Ai. – apenas reclamei, quando me levantei da cama.
- Seu corpo deve estar dolorido de ter ficado deitada por tanto tempo. Não se preocupe, logo vai passar. – ela me garantiu. – Se troque e vá para o refeitório pegar algo para comer. – ela deu uma breve olhada no meu rosto, que era duro, afinal, todos sabiam que eu não comia ao acordar, e acrescentou: - Mesmo que não vá comer, fique lá, tenho que avisar a alguém que você acordou.
Isso me deixou curiosa. Quem poderia ser?
Irina me deixou para que eu me trocasse. Fiz minha higiene, vesti o típico vestido branco e calcei os chinelinhos de pelúcia brancos que havia ganhado de aniversário, presente de Emily.
Segui pelo corredor, sem muita pressa, até chegar ao refeitório. Estava quase deserto, com exceção de poucas pessoas que deviam ainda estar almoçando.
Sentei em minha mesa habitual, com os dedos indicadores e médios nas têmporas, segurando minha cabeça.
- Você está bem?
Sim, havia sido aquela doce voz que perguntou.
- Estou. É que acordei meio tarde hoje. – respondi, levantando meu rosto para encontrar o seu. Ele sorria, o que fez meu coração palpitar alegre.
- Espero que não tenha sido minha culpa. – mesmo que não fosse, eu nunca o acusaria. Ele me fazia ter sonhos maravilhosos. – Agora, tenho algumas surpresinhas para você.
Ele puxou uma cadeira e se sentou ao meu lado, entregando-me uma sacola ecológica que mais parecia com uma bolsa. Peguei-a, curiosa.
- Espero que goste do que peguei. – ele disse, coçando a nuca, uma reação automaticamente nervosa. Lhe dei um sorriso para que não se preocupasse.
Vasculhei os materiais. Havia um caderno grosso, um pesado estojo, um pequeno iPod e alguns livros. Minha boca se abriu, mas eu não tinha palavras para expressar meus pensamentos naquele momento.
- Eu amei. – foi o melhor jeito que consegui me expressar.
- Ah, quanto às músicas, não coloquei alguma porque não sabia de quais você gostava. Mas posso te emprestar meu notebook para você passar algumas. – ele me analisava enquanto entregava seu computador portátil para mim.
- É muito gentil de sua parte. – sorri.
- Creio que esta tarde não poderei ficar muito tempo com você, muitos pacientes. – ele dizia, com um tom de decepção em sua voz.
- Ahn. – apenas murmurei, olhando atentamente o notebook preto, para que ele não percebesse a tristeza que me corroia internamente. Ok, isso foi bem piegas, mas era triste mesmo.
- Bem, está quase no horário, tenho que ir. – ele disse, um pouco infeliz. – Tchau, pequena.
- Tchau. – eu apenas disse, com um sorriso de canto, com um pesar que – infelizmente – era visível, quase palpável.
Era estranho. Desde ontem - desde que o conheci, sem apresentações formais, digo -, sinto como se tivesse encontrado algo que nunca imaginei encontrar.
Peguei a sacola e o notebook e fui para o quarto. Este estava vazio, o que me trouxe um alívio instantâneo. Joguei a sacola em cima da cama e fui abrir um pouco a janela, o quarto estava meio abafado, coisa que sempre foi irrelevante para mim.
Quando abri, senti os fracos raios solares percorrerem minha face, assim como a leve brisa que passava ali. Eu me sentia viva naquele momento. Mais do que nunca me senti.
Voltei até a cama e me empoleirei nela, ligando o notebook. Peguei o iPod e seu cabo. Não vai ser uma tarde que vou me ocupar facilmente. Suspirei pesadamente.
- x -
Havia duas semanas em que a sensação de vivacidade tinha se tornado frequente em mim. Era estranho, devo admitir. Mas era bom.
Agora, eu não me preocupava em como manter minha sanidade intacta – sério, quando você vive num hospício e você é normal, todos esperam que você tenha um colapso nervoso e surte -, invés disso, eu tinha apenas duas preocupações.
A primeira era um sonho que eu vinha tendo.
A segunda, Jasper.
Não sei qual seria a dessas tem maior prioridade – apesar de estar quase certa que é Jasper. Mas esses sonhos não eram nada bons.
Era o tipo de sonho o qual fez com que eu fosse internada aqui.
Era um sonho confuso; Eu podia ver alguns médicos e enfermeiros ao redor de um leito, uma bolsa de soro pendurada ao alto, um dos médicos com uma seringa que continha um líquido parecido com o soro, mas com um tom mais escuro, um cinza claríssimo. Era quase como se eu pudesse sentir o sofrimento perceptível da cena que presenciava. O final do sonho era sempre um grito meu, apesar disso ocorrer quando eu não aguentava mais ver aquela cena e acordar.
E não, eu não tinha falado nada disso para Jasper. Nem quando ele perguntou:
- São seus sonhos de novo? – apenas dei de ombros.
- Era relacionado a um acidente horrível, mas não sei porque isso me perturba tanto. – menti apenas na primeira parte, porém na segunda fui sincera e estremeci internamente pensando nas minhas ultimas palavras.
Uma vez, retratei o sonho em um desenho, mas não havia sentido. O que eu estava perdendo?
As coisas que Jasper havia me dado me distraiam bastante. Eu gastava muito tempo desenhado, fosse paisagens ou personagens, fosse modelos de roupas – me dê um desconto, passei já quase oito anos da minha vida aqui presa, uma hora todo mundo cansa de branco.
Quanto aos livros, só dava importância pra eles quando realmente não tinha muito o que fazer. A única vez em que li foi quando Jasper estava fora, um chamado de outra cidade. Ele ficou fora por três dias e nesses, eu li um livro de Jane Austen e dois de William Shakespeare.
Estava sob minha árvore favorita, desenhando uma paisagem primaveril. Jasper ainda não havia chegado.
- Olá, Alice. – é só falar nele, que ele aparece. Sim era Jasper. As palavras foram sussurradas, seu hálito frio na curva de meu pescoço.
- Jasper! – eu disse, animada. Ele riu.
- Como está?
- Bem. – sorri.
- Anda tendo os sonhos ainda? – ele perguntou, com um vinco de preocupação em sua testa, porém com uma expressão serena.
- Aham. Mas nunca sei o que eles significam, isso está quase me deixando louca!
- Se você ficar louca, teremos de te expulsar daqui. – ele brincou.
- Errado, se me expulsarem, irão me mandar de novo pra cá, mas vão me prender em uma sala branca acolchoada. – falei, entrando na brincadeira.
- Eu não permitirei que façam isso.
- Mas se fizessem, que poder você vai ter?
- É, nem eu sei. – nós rimos. – Mas se fizessem, eu te visitaria todos os dias, todo o dia. – ele sorriu, a gentileza natural dele.
N/A: Hey pessoinhas queridas! s2 Como estão? Espero que estejam bem :D Q Anyway, terceiro capítulo aqui, yay \õ/
Eu quero agradecer muitissímo a todo mundo que leu e que mandou reviews, gente, sério, sou muito³ emotiva, quase chorei aqui! Vocês me dão forças pra continuar s2 Agora, respondendo os reviews :D
Maary Ashleey Cullen: Quero um Jasper pra mim também *-------* HAHSUHA ele é um fofo, sabe como conquistar uma dama q AAAH, que linda, fã #1, chorei *-*
Maryne BittenSet.: Pode deixar, postarei mais :D House é mara, ain, faz tanto tempo que eu não assisto q Ownti *O*
Anna Withlock Volturi: Ain, valeu amr :D isso ajuda minha auto estima, que conspira contra a minha pessoa SHAUSH Sempre penso no Jazz dessa forma, carinhoso, gentil, esse tipo de coisa melosa mas sem muitos exageros rs Pode deixar que estarei postando sempre que der (:
Bunny93: Que bom que está gostando, amor *-* Pobre Alice, ela sofre, mas vai ser recompensada :D rs É um mistério profundo como eles ficarão juntos MUAHUAHUA :D /parei Q mas pretendo fazer algo a respeito logo rs curiosidade rocks (?) õ/ rs ps: seu nome é mágico *-* /internadaautoraproblemática Q
See ya soon, N J x3
(ps: me chamem como vocês quiserem, btw, meu nomezinho é Nathalia :P rs)
