Celeiro
Era de manhã. Todo mundo estava em volta da mesa da cozinha com caras sonolentas e vestindo pijamas. Era um bom momento para botar o meu plano em andamento.
- Pois então. Parece que eles foram almoçar no restaurante aonde eles sempre vão todos os domingos, mas o cozinheiro era outro porque o antigo estava doente. Aí ele acabou esquecendo de que não deveria usar óleo de gergelim e acabou usando. E a Ino é superalérgica a óleo de gergelim e em menos de 15 minutos os sintomas começaram. A coisa ficou realmente feia. Ino está no hospital, cheia de pústulas espalhadas pelo corpo que estão soltando pus para todos os lados.
- Obrigado por compartilhar essa informação nauseante na mesa do café da manhã. – disse o meu pai deixando de lado o seu pãozinho com manteiga.
- Mas isso é horrível! – disse a minha mãe.
- Eu queria ir até o hospital, fazer uma visita.
- Claro! Ela é a sua amiga e vai gostar de te ver. – disse a mamãe.
- Eu não queria que você fosse junto, Naruto. Eu não acho que você precise ver uma coisa dessas.
- Eu não me importaria de te acompanhar. – disse Naruto.
- Eu sei, mas eu me importaria.
- Eu vou para a cidade vizinha pegar alguns documentos históricos que foram doados para o museu. Você pode vir comigo, se quiser. Assim você não fica sozinho aqui em casa. – disse o papai a Naruto.
- Claro, parece legal. – disse Naruto.
- Ele disse "se quiser". Você não precisa ir só para deixar o meu pai feliz.
- Não, eu quero. – disse um loiro sorridente.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Então tá, mas eu juro que eu vou te recompensar mais tarde.
- Você fala como se ficar comigo fosse um sacrifício! – disse o meu pai.
- Claro que não, só ás vezes.
- Ingrata. É assim que você trata um dos responsáveis por te por no mundo?
Eu comecei a comer um pãozinho com geléia de morango para acabar de vez com aquela conversa. Eu não estava com paciência para pensar em uma resposta que deixasse o meu pai feliz. Hoje era o dia. O dia em que eu finalmente iria me encontrar com o Conselho dos Esquisitos. Pois é, o que Itachi me disse sobre ser amaldiçoada me convenceu. Se a minha vida já era ruim sem uma maldição, imagina como ela seria com uma?
Ah, e dessa vez eu não estava mentindo. Não muito, pelo menos. A história sobre a Ino era realmente verdadeira, ela estava horrível no hospital, mas eu não ia visitá-la. Eu iria até o casarão de Sasuke e Itachi e de lá nós três iríamos até o local marcado na carta.
-x-
- Você quer que eu te deixe no hospital? – disse o meu pai.
Era hora. Eu estava vestindo os meus jeans favoritos junto com a minha jaqueta de moletom preferida e os meus tênis mais gastos, e já estava pronta para subir na minha bicicleta.
- Não precisa. Eu combinei de passar na casa de um amigo, meu e da Ino, e o irmão dele vai nos levar até lá.
- Tudo bem então.
- Mande melhoras para a Ino. – disse a minha mãe.
- Pode deixar. Tchau Naruto! Não se divirta muito sem mim!
Coitado. A última coisa que eu vi, antes de sair pelo portão, foi a careta que Naruto lançou para mim da porta de entrada de casa.
A tarde estava fresca e o céu sem muitas nuvens. No entanto, eu estava muito entretida com os meus pensamentos para poder admirar isso tudo. O que iria acontecer daqui a pouco? Como seria o Conselho? Eu seria amaldiçoada? Quando eu dei por mim, eu já estava em frente ao casarão Uchiha. Sasuke e Itachi estavam na frente de um carro esportivo preto e adivinhem: os dois estavam discutindo.
- Você não vai dirigir. – disse Itachi.
- Mas eu já tenho 16 anos e carteira! – disse Sasuke.
- Mas o carro é meu e só eu posso dirigir ele!
- Hunf!
- Vocês são sempre assim ou só quando eu estou por perto?
Itachi me cumprimentou, mas Sasuke não descruzou os braços e nem levantou os olhos do chão para me dizer um simples "oi".
- Vamos, nós já estamos atrasados. – disse Sasuke sentando no banco do passageiro.
- Ei, ei! Você vai atrás! – disse Itachi.
- Por que eu tenho que ir atrás?
- Porque eu quero que a Sakura sente-se ao meu lado.
- Por que ela?
- Por que ela é mais bonita e suportável do que você!
- Calados! Eu vou sentar atrás, estou sentando e sentei. Pronto, eu até já apertei os cintos. Satisfeitos?
Que idiotas. A viagem iria ser longa, longa.
-x-
- Eu vejo uma coisa alta. – disse Itachi.
- Hum... Uma árvore?
- Sim, você acertou! É a sua vez. - disse Itachi a mim.
- Eu vejo, eu vejo... Uma coisa grande.
- Deixe-me ver... A estrada?
- Não, errou. O céu. Agora é a sua vez de perguntar, Sasuke!
- Essa brincadeira não tem graça alguma. – disse Sasuke.
- Assim como você, seu chato!
- É isso aí Sakura! Bata nele! – disse Itachi.
Nenhuma das minhas tentativas de animar aquele carro deu certo, contando com essa, por isso eu resolvi parar com elas. Aqueles estavam sendo os 45 minutos mais chatos da minha vida fora do colégio.
Itachi havia dito que o lugar para onde nós estávamos indo ficava nos limites da cidade e que levaria mais ou menos uma hora para chegar até lá. Ele estava dirigindo e não parecia estar entediado. Sasuke também não parecia incomodado, já que ele era tão chato que deveria estar se identificando com aquela viagem. Eu estava largada no banco traseiro, contando as árvores que eu via pela janela e repassando letras de músicas na minha cabeça.
Eu me estiquei até o espaço entre os bancos da frente.
- Falta muito?
- Mais uns 10 minutos. – disse Itachi.
Eu bufei. Se eu soubesse que a viagem seria um tédio eu teria trazido alguma coisa para me distrair.
Quanto tempo será que havia se passado desde que eu havia perguntado quanto tempo faltava? Sei lá, parecia ter sido muito, mas provavelmente era só o tédio fazendo o tempo passar mais lento.
Eu me mexi no banco e algo acabou chamando a minha atenção no retrovisor. Sasuke me olhava e eu fiquei olhando para ele, de forma interrogativa. Nós dois sustentamos o olhar um do outro por mais algum tempo até que eu não agüentei mais.
- Você perdeu alguma coisa aqui atrás?
Sasuke resmungou e virou a cara, bem no exato momento em que Itachi estacionava o carro no nosso destino final.
O lugar era uma propriedade abandonada, a única que eu havia visto em milhares de quilômetros. A grama estava tão alta que chegava quase a minha cintura.
- Você tem certeza que esse é o lugar certo?
- Sim. – disse Itachi.
- Mas aí só tem um celeiro caindo aos pedaços!
- E daí?
- Não é estranho o Conselho fazer uma reunião aqui?
- Não. – disse um Itachi despreocupado.
- Se você estiver com medo, pode segurar a minha mão. – disse Sasuke.
- Idiota.
A próxima coisa que eu fiz, depois de bater na mão que Sasuke havia me estendido, foi passar a frente de todo o mundo e abrir a porta do celeiro. O que eu vi depois não era bem o que eu esperava ver.
Innocent GhostHappy: Que bom que você gostou de "Enfeitiçados" e agora está lendo "Possuídos"! Esse capítulo é dedicado a você! :)
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