"Never believed that things happened for a reason
But how this turned out, you moved all my doubts, I believe
That for you I'll do it all over again [...]"
Diferente de tudo o que eu já senti e vi, eu estava em branco.
Branco.
Abri minhas pálpebras rapidamente e tive que piscar algumas vezes para reconhecer o lugar. De novo as paredes brancas. De novo o hospital.
Como vim parar aqui? Só lembro-me de já estar sem forças e desmaiar no cemitério. Minha mente ainda estava um pouco desorientada e me questionar não irá melhorar em nada. Lentamente olhei para os lados e vi uma cabeleira loira. Seu rosto estava em suas mãos e seus cotovelos apoiados sobre os joelhos. Com certeza bem desconfortável.
- Naruto - chamei sua atenção.
Ele ergueu a cabeça e seus olhos miraram certamente os meus, vi alívio neles.
- Oi, Sasuke. - ele sorriu - Já estava ficando preocupado.
Sua voz era cautelosa.
- O que houve?
- Eu encontrei você desacordado no cemitério, te sacudi e você não acordava. Então te trouxe para cá.
- Hm...
O silêncio predominou, mas por um breve instante já que se tratando do meu acompanhante em especial ser o Naruto.
- O médico disse que foi apenas cansaço. Não há nada de errado com sua saúde.
Sentei-me sobre a cama, passando a mão em meus cabelos na tentativa de ajeitá-los, ou apenas um gesto automático. Tanto faz.
- Eu dormi por quanto tempo?
- Quatro horas.
Ele se levantou e andou para outro canto do quarto e prosseguiu:
- Bom, teme, vou comunicar ao médico que já acordou. Volto em um instante.
O vi dar as costas e sair do quarto, me deixando sozinho.
Naruto me acompanhava na saída do hospital silenciosamente. Um verdadeiro milagre estava acontecendo.
Milagre mesmo, por que eu quem quebrei o silêncio.
- Oi, dobe, você, hm, me faz um favor? - perguntei receoso. Ainda era difícil falar sobre isso.
Ele me olhou visivelmente espantado, mas se recuperou logo após.
- Se eu puder, sim. - parou subitamente - que tal um ramén e conversamos? - apontou com a cabeça para a barraca a poucos passos de nós. Nem havia percebido.
Para um ninja, estou um tanto quanto desajeitado.
Andamos até lá e Naruto, não podendo agir diferente, eufórico e guloso pediu duas porções. Apenas maneei a cabeça para o "tio do ramén", dispensando-o. Naruto começou a tagarelar sobre suas missões, como em meses não tinha uma missão realmente perigosa e sobre os treinos sendo agora feitos apenas com ele, Sai e Kakashi.
E então finalmente chegou seu tão esperado ramén, porém, ele não deixou de falar. Mesmo de boca cheia. Revirei os olhos, ele nunca vai mudar. Depois de observá-lo comer com tanto entusiasmo e se lambuzar como uma criança, ele se virou para mim, atento.
- Er... O que você quer eu faça, Teme?
Engoli a seco, tento dificuldades em falar.
Suspirei um pouco alto demais.
- Eu quero saber se... - mais um suspiro - se você pode me ajudar... a arrumar o distrito Uchiha?
Vi seus olhos paralisarem e engasgou-se. Tossindo violentamente. Bateu sobre o peito na tentativa de ajudar, demorou um pouco até seu rosto deixar de ser vermelho e sua garganta desentalar.
- Você está falando sério? -disse depois de um tempo.
- Sim - disse simples.
- É que você não pisa lá há anos.
- Eu sei, mas tem certas coisas que devem ser deixadas para trás. Não é?
E como sempre lá estava ele com sorrisos que pareciam rasgar sua boca de tão grandes.
- Então? - um pouco impaciente, eu sei.
- Mas é claro que sim, Sasuke-teme.
Um sorriso de lado foi tudo que dei.
Abri o apartamento silenciosamente e entrei sorrateiramente. Pus as chaves sobre a mesa sem estardalhaço e caminhei por toda extremidade.
"Vazio."
Ela havia saído. Era bom, por enquanto, estava com medo de encará-la.
Tomei um banho relaxante e sozinho ali tive muito no que pensar.
Coloquei uma calça confortável e fui em direção à cozinha, vasculhei e descobri que tinha sopa de tomate. Sorri involuntariamente, ela sempre me surpreendia. Comi a elogiando mentalmente, estava delicioso e eu estava faminto.
Lavei a louça que utilizei, voltei para o quarto e deitei. Não sei se teria sono, mas meu corpo ainda estava muito cansado. Mudei de posições várias vezes, mas a cama parecia incompleta sem ela ali. Suspiros e mais suspiros de indignação.
E foi aí que ouvi o barulho de chaves na porta, finalmente ela havia retornado. Montei em uma posição e permaneci. Ouvi seus passos para a cozinha, depois entrando no quarto e então só sua respiração, por um doloroso minuto. A porta do guarda roupa foi aberta e logo após a porta do banheiro. Normalizei rapidamente minha respiração, tornando-a tranquila para que ela acreditasse que eu estava dormindo.
Eu não sei quanto tempo fiquei divagando e controlando meu corpo, fui surpreendido por um peso a mais na cama e um leve movimento sob as cobertas. Senti seu calor perto de mim e meu corpo tremeu.
"Droga Sasuke."
De olhos fechados forçava-me a dormir a qualquer custo e de diversas formas.
Até que ela fez o que eu mais temia. Ela me tocou e meu corpo formigou.
"Droga Sasuke, se controle."
Suas mãos passeavam sobre meu ombro direito e com um autocontrole sobrenatural, permaneci imóvel.
Seus lábios tocaram meu ombro, suavemente, para logo depois deitar-se de costas para mim e dormir.
Tortura. Era realmente uma tortura ficar tanto tempo sem tocá-la, por Deus.
Estava quase completando uma semana e eu não falava com ela.
Meu coração se doía a cada olhar triste lançado para mim, mas no final tudo valeria a pena. Eu me dediquei completamente à obra do distrito juntamente com Naruto. Devo admitir que sem ele, nada estaria tão avançado.
Não todo o distrito, até por que completo ele demoraria muito mais do que apenas sete dias. A casa dos meus pais estava pronta. Estávamos dando o último retoque nela.
As paredes brancas, janelas novas, móveis novos. Tudo novo.
Era meu novo começo.
Sem lembranças, sem fantasmas, sem dor.
Naquele dia ainda, mais tarde, quando sai de um banho, ela já estava em casa. Quando entrei no quarto envolto apenas pela toalha, ela não conteve seu olhar. Saudades.
"Por Deus, Sakura. Já vai acabar."
Percebendo ter sido pega, rapidamente desviou os olhos e se virou de costas para mim. Vesti-me ali mesmo, enquanto ela exausta analisava algumas fichas médicas. Tirou as madeixas do pescoço, massageou o próprio pescoço e soltou um suspiro cansado.
Terminei de me vestir e me sentei na cama também, olhando-a. Ela percebeu e levantou-se, levando consigo as fichas.
- Desculpe, vou para sala terminar isso - sua voz soou tristonha.
Em um movimento impulsivo, segurei seus pulsos desajeitadamente. Uma corrente elétrica passou entre nós.
Ela me olhou surpresa.
- Você... - minha voz saiu mais rouca do que o normal, por forçar as palavras - pode ir há um lugar comigo?
Ela me analisava atentamente, com seus olhos esbugalhados. Receosa, ela concordou levemente com um aceno de cabeça.
Eu a guiei silenciosamente por todo o percurso e pude sentir toda sua hesitação. Quando se deu conta para onde estávamos indo, estacou.
Tentei a puxar novamente, mas ela fez corpo pesado. O medo passava por seus olhos.
- Por favor - disse suplicante.
Talvez tenha sido essa súplica que a fez continuar, mesmo que em sua cabeça achasse uma má ideia. Ela foi ainda mais devagar do que antes. Quando paramos em frente à casa de meus pais, a nossa futura casa, meus pés travaram.
Quando entrasse por aquela porta, eu seria de novo alguém e todos os fantasmas estariam extintos.
Errado, Sasuke. Você já existe e deixou-os para trás.
Segurei firmemente sua mão e a conduzi casa adentro. Quando entramos completamente, senti seu corpo tremendo. Ela estava realmente surpresa. Tão surpresa que estacou pela segunda vez.
- O que é isso? - disse balbuciando. Não passou de um sussurro.
Peguei suas duas mãos e parei de frente para ela. Enchi meus pulmões de ar, reunindo todas as forçar para ir até o fim.
- Isso é o meu começo, Sakura. Meu novo começo.
Eu a olhava intensamente. Ela abriu a boca para falar, mas não deixei.
- Você me disse, naquele dia, que eu precisava deixar o passado para trás. Eu a amaldiçoei severamente, mas você estava certa. Sempre esteve certa. - dei uma breve pausa - Eles se foram. E é aqui que vou começar a existir novamente.
Eu não tive tempo de terminar a frase, pois suas mãos já envolviam minhas costelas e sua cabeça apoiava em meu peito. Minhas mãos hesitantes foram para suas costas e meu queixo pairou sobre a ponta de sua cabeça.
Permanecemos assim por um longo tempo. Estava tudo bem.
Mas ainda faltava algo. Faltava a certeza dela na minha vida.
Afastei-me um pouco e pude ver curiosidade dela em meu ato. Pus a mãos no bolso e retirei de lá uma caixinha preta. Seus olhos agora lacrimejavam e tinham um brilho tão intenso.
- Você foi minha redenção, Sakura. Você é, e quero que seja para sempre minha culminância. - eu sei que ainda vou demorar muito para ser afável novamente, mas tentei soar verdadeiro e gentil.
Ela já não conteve mais as lágrimas, que logo viraram soluços.
Tomei sua mão e coloquei o anel em seu dedo anular. Ainda chorando ela deu seu melhor sorriso.
Minhas duas mãos foram para os lados de seu rosto. Eu queria ler todas as emoções que ela sentia através dos seus olhos brilhantes e ela só sabia rir ainda mais com isso.
Meus lábios pousaram suavemente sobre sua testa, assim como ela tinha feito comigo há dias atrás, fazendo uma carícia ali.
- Obrigado, pequena.
Bem meninas, é isso! O final de culminância!
Essa fic, por mais pequena que tenha sido, foi um grande desafio pra mim, vocês não imaginam o quanto! Primeiro por que há muito tempo eu não fazia nada além de one e segundo que escrever em universo Naruto pra mim é muito complicado, ainda mais com as características fieis do Sasuke. Eu dei o melhor de mim e espero que tenha agradado à vocês! Eu não pus ainda como terminada por que eu, como um presentinho, fiz um extra com o POV da Sakura. POis é, um POV dela! *-*
Mas ainda o estou ajustando, devo postar no começo da semana. E quero agradecer em especial a Milayne, por sem ela essa fic não estaria aqui, pelas suas correções, pelas suas cobraças, apoio e elogios.
E obrigada a todas que acompanharam, de coração. E fiquem ligadas no extra em?!
