Agradecendo a Lele Marques por arrumar toda a bagunça depois que eu escrevo. Como pagamento, vou arrumar um encontro para ela com o HBG da Kristen Stewart!
Nada disso me pertence. Sou a mera aventureira no mundo mágico que é a escrita
Já fazia quase um mês desde que Edward e eu tínhamos abordado o tema filhos. Continuamos a discutir o assunto naquela noite, depois de termos colocado Richie em sua cama. Por longas horas até entrarmos na madrugada, meu marido e eu conversamos abertamente sobre nossos sentimentos em relação a uma nova criança. Acabei lhe confessando o meu receio de não saber se conseguiria amar alguém tanto quanto Richard, e ele admitiu que temia de verdade a chegada da idade e acabar não tendo a chance de curtir corretamente os filhos.
Com essa declaração boba dele, não pude me conter e acabei gargalhando. Lógico que Edward ficou emburrado, no entanto eu, com dez anos de experiência ao lado dele, já sabia o que fazer durante suas crises temperamentais. Terminamos ambos naquela noite suados e esgotados depois de termos feito amor intensamente, como eu tinha prometido logo no inicio da manhã antes de sermos interrompidos por Richard.
Hoje o dia tinha amanhecido bonito e ensolarado em Chicago, mostrando que o próximo verão estava cada dia mais próximo. Eu tinha acabado de deixar Richard na escola e estava enfrentando o típico engarrafamento matinal, esperando chegar ao Wal-Mart antes do meio dia quando recebi uma mensagem de texto de Alice.
Tem algum compromisso no início do prox. mês? – A
Nada em mente. E bom dia pra você tb. – B
Dramática igual ao Ed. Importa-se de hospedar a madrinha de seu filho por uns dias? – A
Meu sorriso se ampliou, mas tive que parar momentaneamente com as mensagens por que o sinal tinha acabado de abrir. Menos de um minuto depois o celular começou a tocar a musiquinha irritante da Cindy Lauper, indicando a ligação da minha melhor amiga. Revirando os olhos, resgatei o aparelho jogado no banco do carona e o atendi – Oi Alice.
– Está inventando alguma desculpa para evitar minha ida a Chicago? Porque você sabe que no final das contas, eu vou acabar aparecendo na sua casa com minha mala, independente de qualquer coisa! – Alice resmungou alto à medida que eu pegava uma das ruas adjacentes para chegar até o mercado.
– Quem é a rainha do drama agora, Allie? Eu estou dirigindo, por isso parei de te escrever. E você sabe muito bem que é mais que bem-vinda à nossa casa. Além do mais, Richie vai adorar passar alguns dias recebendo os paparicos da madrinha.
– Ah, eu estou morrendo de saudades do meu fofinho! Ele está aí com você?
– Primeiro de tudo, meu filho não é gordo para ser chamado de fofinho. Segundo, já são 8:30 aqui, Alice. Ele estuda sabia? E o que diabos você está fazendo acordada tão cedo? Não são nem 7 da manhã na Costa Oeste! – eu inquiri, apesar de não estar tão surpresa assim. Alice era uma pessoa elétrica nas primeiras horas do dia.
– O primeiro paciente do dia é um velhinho que acorda com as galinhas em plena grande Seattle. Eu não me importo muito, porque ele paga bem pra caramba.
– Isso é bom, afinal de contas Jasper é apenas um professor. Não é como se ele pudesse ficar bancando todos os seus luxos – eu rebati e quase pude ver sua careta de irritação.
Allie bufou e retrucou asperamente – Para sua informação Isabella, eu não sou mais aquela adolescente fútil que só pensava em roupas de marcas ou maquiagem francesa.
– Ah é? Então você não está vindo para Illinois só pra gastar os poucos dólares que ganha com sapatos? – alfinetei mais um pouco, só porque sabia que somente eu tinha a chance de irritar Alice sem culpa, isento de encarar o demônio mirim que ela se transformava quando ficava chateada.
– Não. O congresso nacional de Fisioterapia esse ano será em Chicago. Cinco dias de palestras, workshops, mini-cursos... e toda essas porcarias que sempre se têm nessas convenções. E óbvio, que irei aproveitar a oportunidade para dá só uma olhadinha numa D&G decente, já que tudo aqui em Seattle parece ser de segunda mão.
Eu ri porque essa era Alice. Por mais que tivesse se "convertido" a uma ideologia menos consumista depois dos 25 anos, ela nunca poderia ser forte o suficiente para resistir à alguns estilistas famosos. Consegui entrar no estacionamento do Wal-Mart, achando uma vaga relativamente perto da entrada. – Ok, então Allie, você sabe que estaremos todos aqui à sua espera. Ainda vai me ligar esse final de semana?
– Claro! Eu não posso perder a oportunidade de irritar meu querido priminho e conversar um pouco com minha bola de fofura.
– Mary Alice Cullen! Richard. Não. É. Gordo! – sibilei com raiva, por ela sempre dizer isso do meu filho perfeito.
– Você sabe o que eu quis dizer, mamãe urso. Nos falamos no sábado e dê um beijo enorme nos seus garotos por mim.
– Só se você fizer o mesmo com Jasper, Carlisle e Esme. E até sábado.
Encerramos o telefonema e eu parti para a aventura que era enfrentar um mercado no começo de uma manhã de quinta-feira, em pleno inicio do mês. Apesar de Edward no início ter sugerido algo como uma babá pra Richie, ou até mesmo alguém para me ajudar com a casa, fui firme e nunca autorizei nada disso. Havia uma sensação estranha, um sentimento egoísta ou até mesmo um TOC que me dizia que só quem saberia lidar com nossa casa, do jeito que queria, era eu mesma. A idéia de ter um completo estranho dentro do meu lar trabalhando por mim não me atraia de forma alguma.
Dizer que eu tinha me transformado em uma típica dona-de-casa, seria puro eufemismo.
Tirei a lista que tinha preparado na noite anterior de dentro da bolsa, peguei um carrinho e comecei a vagar pelos corredores do supermercado, pegando os mantimentos que precisaríamos pelos próximos dias. Apesar dele sempre me chatear, pedindo um chocolate, um salgadinho ou alguma besteira cheia de gordura, feitas apenas para atrair a atenção do público infantil, eu senti falta de ter Richie ao meu lado enquanto fazia as compras. Nessas horas, ele sempre vinha com uma ideia do que eu poderia fazer para o jantar ou alguma inventava nova de sobremesa, já que ele havia herdado do seu pai a compulsão por algo doce.
Quando enfim consegui pegar tudo que precisava, me dirigi para o caixa, procurando aquele que estivesse com a menor fila possível. Enquanto esperava, retirei meu iPhone do bolso e decidi escrever alguma coisinha, só para incentivar o dia de trabalho do meu marido.
Bife à Fiorentina e cheesecake de morango p/ o jantar. Vc sabe o que eu vou querer depois disso, né? – B
Nem dois minutos depois, recebi a resposta dele.
Eu te ajudo com prazer a queimar essas calorias. ;) – E
Ótimo, pq eu comprei uma lata a + de chantilly. – B
Vc é má. Agora tenho que ir a uma reunião com uma ereção – E
Cuidado. Alguma das estagiárias pode te acusar de assédio. – B
Vou me cuidar sim, se é que entende. Tenho que ir. Amo vc. – E
Era tolo o quanto essa última frase, mesmo depois de 10 anos juntos ainda conseguia me afetar. Estava prestes a escrever a resposta quando uma batida em meu ombro interrompeu o ato.
– Me desculpe senhorita, mas você se importaria que eu passasse só esses dois itens a sua frente? Meu garoto perece estar um pouquinho impaciente pelo presente dele. – Uma senhora, na casa dos 50 anos me pediu gentilmente. Ao lado dela estava o que presumi ser seu filho, um rapaz cabisbaixo e gordinho que segurava forte um carrinho vermelho, como se alguém estivesse prestes a lhe roubar.
– Não, tudo bem. Vá em frente. – Eu lhe sorri um pouco sem jeito.
Ela agradeceu e se voltou para o menino. – Vamos, Jamie. Não vamos mais atrapalhar a moça. – eles passaram por minhas compras devagar, devido aos curtos passos que o garoto dava ao se locomover. Ele tinha mais ou menos a mesma altura da mãe, usava um boné do Red Sox, e apesar de suas feições ainda juvenis, pude perceber que já havia a sombra de uma barba, provavelmente aparada antes de sair de casa.
Ao chegarem ao caixa, o menino pegou alguns bombons disponíveis ali, e pude ouvi sua mãe ralhando. – Olha o regime, Jamie! Você sabe o que precisa ficar magrinho, certo?
Ele fez uma careta e contrariado repôs as guloseimas em seu devido lugar. Ele agia igualzinho à Richie. Uma criança.
Criança, presa para sempre no corpo de um adulto.
Eu sabia que era errado de minha parte ficar encarando desse jeito, no entanto eu não podia evitar. Quão grande decepção deve ser pro pais, passar nove meses esperando e encontrar algo de errado com seu filho. Quanto deve ser difícil saber que seu bebê nunca vai crescer, nunca irá aprender coisas novas, nunca tendo identidade própria e depender eternamente de alguém.
Colocando os meus utensílios na esteira, eu continuei a observar mãe e filho saindo do mercado. Ele desembrulhou o carrinho e abriu um enorme sorriso para a mãe, que segurou firme sua mão enquanto acompanhava os passinhos pesados do menino.
Nunca fui muito religiosa, mas em momentos assim, não pude deixar de agradecer a Deus pelo meu filho ser alguém totalmente perfeito.
[...]
– Eu odeio ter que fazer isso!
– E justamente por você odiar que fica ainda mais difícil.
– Mas pra que serve divisão de dois números? Quando eu crescer só vou usar a calculadora!
Nessas horas eu tinha que segurar o riso para que Richie não pensasse que eu estava menosprezando sua ira contra divisores duplos. Parei de cortar os morangos para a sobremesa e fui até meu garotinho, que estava puxando a frente do cabelo exatamente seu pai fazia quando estava frustrado com alguma coisa.
– Docinho, eu sei que é complicado, mas nem sempre se pode usar a calculadora. Já pensou se um dia você estiver sozinho e precisar fazer algum cálculo, hein? Como vai ser?
Ele deu de ombros e respondeu como se fosse a coisa mais simples do mundo. – Eu pego o celular.
– Ok, espertinho e se o celular estivesse descarregado? – rebati rápido.
– Simples, eu iria procurar alguém ai depois pediria o celular dele! – ele respondeu com um sorriso desdentando na frente.
Esfreguei suas ondas castanhas e falei. – Tá bom então, Senhor Janelinha, termine logo a tarefa e venha me ajudar a fazer a sobremesa.
Ele olhou para o caderno mais um pouco e me perguntou – Será que o papai pode me ajudar a terminar o dever de casa quando ele chegar?
Ergui uma sobrancelha e questionei – Porque tem que ser ele? Eu estou aqui e posso fazer isso agora. – retirei o avental, o pondo em cima da bancada e indo me sentar ao lado de Richie.
Meu filho corou e balbuciou muito baixinho. – É que... Ele me ajuda mais... tipo, ele diz as coisas certinho, e...
– Richard Andrew Masen, por acaso seu pai anda respondendo seu dever de casa, de novo?
Seus olhos se ampliaram e ele disse com veemência. – Não, mamãe! Eu juro que ele nunca mais fez isso depois que eu fiquei de castigo!
Depois que você e seu pai ficaram de castigo, pensei comigo mesma. Pelo visto, tinha valido a pena ficar 15 dias sem sexo com meu marido. – Se é assim, só para evitar que vocês dois comentam o mesmo erro outra vez, quem vai lhe ajudar na tarefa de matemática sou eu. – Disse, virando o caderno em minha direção e batendo no meu colo para que ele viesse até mim. – E quando tivermos acabado tudo isso, vamos comer alguns cookies que eu trouxe do mercado e terminar o jantar, ok?
Ele rolou seus olhinhos verdes e sibilou – Tá bom, mamãe.
Quarenta minutos, duas páginas cheias de rasuras e muita paciência consumida depois, consegui terminar todos os exercícios que Richie tinha trazido da escola hoje. Nos servi com um copo de suco de laranja e uma bandeja cheia de biscoitos. Geralmente, essa era a hora que eu tomava religiosamente meu anticoncepcional todos os dias. Assim, enquanto meu pequeno atacava com ânsia seu lanche, fui pegar a cartela que geralmente ficava em meu quarto.
Foi só quando a vi que me lembrei que eu deveria ter comprado uma nova hoje. A última pílula eu tinha tomado ontem. No entanto, não escrevi nada no post-it da geladeira para evitar perguntas indiscretas de um garotinho que agora vivia lendo tudo que encontrava.
Sem condições de sair de casa e enfrentar um baita trânsito perto das cinco da tarde só para comprar um remédio. Além do mais, haveria os ininterruptos questionamentos de Richie. "Quem está doente?", "Doente de quê?", "Esse remédio é pra que?". Nem precisava ser vidente para adivinhar todas elas.
Ligar para o Edward pedindo pra trazê-las também estava fora de cogitação. Edward era um marido perfeito, exceto quando se tratava em comprar "coisas de mulherzinha" como ele mesmo se referia. Lembro como se fosse hoje, certa vez quando ainda éramos apenas namorados em que eu estava com uma crise de cólicas horrível e ele como bom cavalheiro se ofereceu para ir comprar algum remédio. Ele chegou de volta ao meu dormitório vermelho de vergonha e segurando a caixa rosada do remédio como se fosse algum produto radioativo. Ele disse que me amava, mas pediu que nunca mais eu o fizesse passar por uma situação como aquela.
O pior de tudo é que nós tínhamos feito planos pra essa noite. Tinha comprado a garrafa do vinho que ele adorava, novos sais de banho para a banheira e cheguei ao ponto de ir até a Victoria's Secret antes de ir pegar Richie na escola. Para completar, tinhas um nível de intimidade onde camisinha era um saco. Nada se comparava com a liberdade de fazer amor com meu marido sem nenhuma barreira nos impedindo.
– Manhê, você vem ou não? – Richard gritou lá de baixo, me tirando dos meus devaneios. Suspirei e decidi ir para a cozinha, esquecendo por ora desse problema. Afinal, não era como se tivéssemos somente uma opção na cama.
Senti uma queimação no meu baixo ventre só de imaginar tudo que Edward, uma garrafa de vinho e eu poderíamos aprontar juntos. Se talvez nós conseguirmos colocar Richie cedo na cama e...
– Mãaaaaaaae, vem logo!
Foco Isabella.
– Já estou descendo, docinho – respondi, me apresando ao descer as escadas. Encontrei Richie na sala, assistindo TV, seu copo quase vazio e mais da metade dos biscoitos desaparecidos. Fui até ele, e limpando o farelo do seu rostinho eu lhe perguntei. – Você quer ajudar a mamãe ou quer ficar aqui assistindo Ben 10?
Ele pensou por um momento e se voltou para mim outra vez. – Posso vestir a roupa de cozinheiro que nem em Ratatouille?
Fingi pensar um momento e agarrei seu corpinho pro meu colo. – É claro que pode!
– Êba!
Desligamos o televisor e fomos para a cozinha, onde vesti o avental, e Richie e eu começamos "juntos" a terminar o jantar. Era muito menos cansativa a tarefa de cozinhar todos os dias quando meu filho encarnava o pequeno chef e falava cheio de biquinhos como se estivesse falando em francês. Terminamos o cheesecake primeiro, e resolvi começar a fazer os bifes que estavam na marinada desde cedo. Edward chegaria em breve e Richard e eu estávamos uma bagunça.
– Docinho, você pode pegar a manteiga pra mim? – Eu pedi ao meu filho, que estava mais fazendo bolhas com o detergente do que lavando a louça como tinha prometido.
– Eu odeio quando você me chama assim. Eu não sou mais um bebezinho – ele resmungou, enquanto abria a porta da geladeira.
– Mas você pra mim sempre será meu bebê, mesmo quando for bem velhinho.
Ele deixou o pote no balcão próximo à medida que eu retirava as batatas do forno. Quando estava quase pousando a travessa na mesa, ele de repente disparou. – E porque você não tem outro bebê?
Com sua pergunta de supetão, acabei deixando escorregar o pano que usava como apoio para não me queimar. Meus dedos alcançaram o refratário quente e eu soltei tudo com um grito. – Merda! – Eu falei, nem de longe lembrando que ao meu lado havia uma criança de apenas sete anos.
Richie disse com um sorriso satisfeito. – Você falou palavrão, mamãe!
– E se você for esperto, você nunca irá repetir isso, mocinho! – Eu ralhei, ainda entorpecida pela dor lacerante. Corri até a pia, liguei a torneira e pus minha mão embaixo da água corrente. Pelo canto do olho, vi Richie arrastar uma cadeira e colocá-la em frente ao armário. – Richard, o que você pensa que está fazendo? Desça já daí agora!
Assisti-o rolando os olhos e abrindo a porta do freezer. – Eu aprendi na escola que quando a pessoa se queima tem que colocar água e pomadinha. Eu sei que tem na caixinha de remédios. Papai me disse – ele falou enquanto usava a cadeira para subir no balcão e ficar na ponta dos pés para alcançar a caixa de primeiros-socorros.
– Filho, se você não descer daí agora, você irá ficar de castigo por um mês!
E ele me obedeceu, mas trazendo a tiracolo a caixinha de remédios apoiada embaixo de um dos braços. Ele a abriu, espalhando o conteúdo todo em cima da mesa até achar a pomada de queimadura. Ele veio até meu lado enquanto eu desligava a torneira, trazendo consigo um paninho para que eu enxugasse minhas mãos. – Sinceramente, eu não sei se te agradeço ou se te ponho de castigo! Onde você aprendeu tudo isso? – questionei-o
Richie revirou os olhos como se eu tivesse lhe perguntado algo óbvio. – Papai me ensinou. Ele disse que você é desastrada e que eu preciso ser o homem da casa. Ah, e disse também que quando tivesse uma emergência muito, muito grande eu ligasse pro 911!
Eu devo ter ficado boquiaberta com a inteligência do meu garotinho, porque ele tinha um sorriso orgulhoso estampado no rosto. Erguendo as sobrancelhas eu o encarei, exasperada. – Você sabe muito bem que não devia ter me desobedecido, não é?
– Mas eu só tava tentando ajudar, mamãe! Que nem o papai me ensinou!
Ótimo! Como agir em uma situação como essas? Fitei seus olhinhos verdes e pude ver que por trás da intenção de ser super-herói por um dia, Richie também quis me ajudar. Respirei fundo e falei. – Tudo bem, Richie. Dessa vez eu vou deixar passar, mas da próxima vez, nem ouse fazer algo assim, entendido?
Ele abaixou os olhinhos de volta pro chão e pediu baixinho – Desculpe, mamãe.
Na medida em que terminava de aplicar a pomada para queimaduras, me lembrei do motivo principal de eu tê-la conseguido. A afirmação de Richie tinha me pegado tão de surpresa que eu quase me esqueci de saber como ele se sentia em relação a isso – Richard, você quer ter um irmãozinho? – eu lhe perguntei curiosa.
Ele deu de ombros, repondo os outros remédios dentro da caixa. – Às vezes. Mas só se fosse menino. Garotas são nojentas, blerg! – Richie terminou com uma careta.
Eu ri um pouquinho, virando os bifes que estavam grelhando. – Mas você sabe que esse tipo de coisas não se pode escolher certo? Tipo, entre meninos e meninas? – eu perguntei, voltando minha atenção para meu filho.
Richie deu de ombros de novo e trocou sua resposta por outra pergunta. – Você quer ter outro filho?
Primeiro meu marido, depois minha mãe na semana passada e agora Richard. Outro filho. Outra criança. Metade minha e metade Edward; a prova física do amor que tínhamos um pelo outro. A idéia já não parecia tão distante assim, um mês depois discutindo sobre isso. Poderia parecer pouco tempo, no entanto, nas últimas quatro semanas, aquela sensação de parecer que estava faltando alguém em nossa família, não saía da minha mente.
Como se pode sentir falta de algo que você nem sequer conhece?
Edward agora tinha estabilidade financeira suficiente para que pudéssemos nos arriscar com isso. Além do mais, ele estava disposto a levar a vida um pouco mais devagar, mesmo estando no auge de sua carreira, frisando que ele sempre nos colocava à frente, sendo essa sua principal prioridade. Eu, talvez, tivesse que adiar meu sonho mais um pouco, porém o que seria dois anos, ou três quando, nesse meio tempo, eu poderia gerar mais um molequinho travesso ou talvez a única bonequinha que eu faria questão de brincar?
– Talvez, Richie. Talvez.
[...]
Depois que Edward chegou em casa, logo no inicio da noite, eu tinha finalmente terminado o jantar e feito Richie arrumar todo o material do colégio que ele tinha deixado espalhado na mesa da cozinha. Por mais cansado que estivesse, Edward sempre fez questão de cuidar das rotinas noturnas de nosso filho. Banho, convencê-lo a escovar os dentes, ler algum conto... Essa foi à maneira que ele encontrou de manter o contato com Richie, aproveitando essa chance para o momento pai-e-filho do dia. Eu adorava isso porque finalmente tinha um tempinho para mim mesma, sem contar que naquela noite em especial, eu tinha algo em mente. Algo feito de cetim negro.
Vesti rapidamente um robe por cima da lingerie que tinha comprado só para hoje e fui dar uma olhadinha nos meus garotos conversando na porta do quarto de Richie. A porta estava entreaberta e pude assistir de lá, Edward lendo algo com sua voz cadenciada e melódica para o nosso filho.
De repente, ele fechou o livro – Ok, garotão, chega de histórias por hoje, porque amanhã você tem treino, lembra?
Richie suspirou sonolento, rolando seu corpinho pro lado, murmurando baixo. – Tio Emmett vai me ensinar a rebater?
– Provavelmente, campeão. Por isso você precisa dormir bem e ficar descansado, ok?
– Hmmm.
Entrei no quarto devagar e me aproximei deles, sentei na lateral da cama, ao lado de Edward e tirei uma mecha perdida da testa de Richard, acariciando suavemente suas ondinhas castanhas. – Mamãe veio te dar um beijo de boa noite, bebê.
Já de olhos fechados, ele franziu sua expressão em desgosto. – Eu não sou bebê, mãe.
– Desculpa, garotão.
Ele murmurou algo incoerente enquanto Edward arrumava o lençol em volta dele. Sorri e me inclinei levemente, colocando um beijo em sua testa. – Durma com os anjos, Richie.
– Você também, mamãe.
Edward imitou meu gesto, deixando seus lábios demoraram um pouco nos cabelos de Richard. – Boa noite, amigão. Eu amo você.
– Também de amo, papai.
Dirigi para a porta, apagando a luz depois de verificar as janelas e ligar o abajur do criado-mudo. Mesmo na penumbra, pude notar que o sorriso do meu marido aumentava a cada passo que ele dava em minha direção. Assim que ele saiu do quarto e eu fechei a porta, ele laçou minha cintura por trás e sua boca foi imediatamente para a lateral do meu pescoço enchendo de beijos. – Você me deixou esperando o dia todo – ele sussurrou, trazendo o lóbulo da minha orelha entre os dentes.
Eu grunhi baixinho, cavando meus dedos em seu antebraço. – Esperando pelo que?
– Minha última mensagem. Você me deixou na mão, literalmente – ele sibilou, descendo beijos pelo meu pescoço até alcançar o decote do roupão que afastou com a ponta do nariz.
– Eu... fiquei distraída... no..na... fila do mercado – balbuciei, ficando entorpecida pela névoa de luxúria que Edward parecia me induzir.
– Fila, huh? – Ele me girou entre seus braços e antes mesmo que eu pudesse lhe explicar algo, sua boca já tinha tomado posse da minha com sofreguidão. Suas mãos fizeram um caminho ardente até a parte posterior de minhas coxas, me impulsionando para que ele me carregasse em seus braços. – Eu te amo, Bella – ele murmurou com seus lábios a milímetros dos meus. – Mesmo quando você não diz de volta.
–E eu amo você, meu bobo inseguro. Demais –, eu concluí, unindo nossas bocas outra vez.
Edward começou a caminhar em direção ao nosso quarto, e intensifiquei o aperto de minhas pernas em sua cintura. Ele chutou a porta e fechou-a da mesma maneira, sem deixar de segurar firme minha cintura e com a outra mão agrupar meus cabelos em seu pulso.
Completamente perdida enquanto sua língua re-explorava cada milímetro da minha boca, mal percebi quando ele nos deitou no colchão, suas mãos ansiosas abrindo o laço do robe que usava. – Você não devia ter entrando no quarto do Richie usando isso –, ele murmurou, explorando com seus dedos quentes a pele recém descoberta de minha barriga. – Você tem ideia do que eu imaginei quando vi essas suas pernas?
Tudo o que eu pude fazer naquele momento foi puxá-lo pela nuca, fazendo com que seus lábios voltassem aos meus. Entretanto, dessa vez consegui dominar o ato, tendo total liberdade de sentir o gosto dele em minha língua. Edward gemeu e imprensou seu corpo contra o meu e pude senti completamente o quanto ele já estava preparado para isso.
Porém, só depois de sentir o sexo rígido dele entre minhas coxas, consegui me lembrar que precisava lhe contar algo importante antes que fizéssemos qualquer coisa. Interrompi o beijo o afastando levemente pelos ombros, no entanto, ele permaneceu com sua boca colada a minha pele, mordiscando um caminho abaixo do meu corpo
– Edward... – , Eu sussurrei baixinho enquanto afastava o bojo do meu sutiã. – Espere só um minutinho.
Pude senti seu sorriso enquanto ele aproximava seu rosto do meu mamilo. – Não por mim, baby.
Eu gemi alto quando ele sugou avidamente minha pele sensível, arranhando levemente o bico tenro entre seus dentes. Era muito difícil me concentrar em qualquer outra coisa que não fosse a boca de Edward em minha pele. Mesmo com tanto tempo juntos, cada toque, cada sensação ainda continuava sendo única para mim.
Entretanto, não podia ser vencida pelo meu desejo por ele. Lutando contra meus próprios sentimentos puxei levemente seu cabelo e falei – Precisamos conversar, amor.
– Depois.
Afastei-o levemente pelos ombros e consegui ficar face a face com ele. – Agora, Edward.
Ele rolou para o lado e suspirou dramaticamente – Puta merda, me diga que isso é realmente importante! – Ele murmurou resignado, cobrindo seus olhos com o antebraço.
Revirei os olhos e retruquei – Bem, pelo menos eu considero, já que algo que envolve a nós dois.
Ainda de olhos fechados, ele tateou pela cama até achar meu robe – Coloque isso. Eu não vou me concentrar muito se você ficar vestida desse jeito.
Eu ri, colocando meus braços nas mangas e cruzando a fita na minha cintura. – Melhor? – Questionei com uma sobrancelha erguida.
Edward murmurou baixo se demorando ao encarar minhas coxas descobertas. – Não muito.
– Ajuda se você manter os olhos aqui! – , falei, erguendo seu rosto em direção aos meus olhos. Ele sorriu de canto e beijei levemente seus lábios. – Antes de qualquer coisa eu queria dizer que minhas pílulas acabaram hoje à tarde.
– Porra, Bells! Nós estávamos quase transando e você só parou pra dizer isso? Se for isso a gente dá-
– E... – , continuei – eu não vou mais tomá-las por um tempo.
Demorou um momento para que ele percebesse o significado por trás daquela minha declaração. Aos poucos, o sorriso de Edward foi se ampliando enquanto ele sentava, encostando contra a cabeceira da cama. – Isso é sério? – ele questionou, segurando firme minhas mãos.
– Eu acho que estou pronta para outro filho, Edward.
– Você não pode simplesmente achar, baby. Você tem que ter certeza – ele afirmou, colocando uma mecha de meu cabelo atrás da orelha, deixando seus dedos se arrastarem pela minha face. – Nós não podemos agir por impulso. Eu entendo se você precisar de mais tempo, se quiser conversar mais um pouco ou até,.
– Não – interrompi-o pousando meus dedos em seus lábios. – Eu quero isso. De verdade. – afirmei, sentindo a verdade dessas palavras dominarem minha mente. – Passar 9 meses esperando alguém que será uma mistura de nós dois. Senti-lo crescendo dentro de mim. Escolher nomes, enxoval, roupinhas... Ser acordada no meio da noite por aquele choro fraquinho. Ou então-
Não pude completar minhas divagações porque fui interrompida pelos lábios cálidos de Edward nos meus, me beijando com uma adoração maior do que a de costume. – Você me fez o homem mais feliz do planeta. De novo, Isabella. – ele disse, depois que paramos em busca de ar. – E sabe o que é o melhor de tudo isso? – Ele questionou, descendo suas mãos por minha cintura até chegar o laço do roupão.
– O quê?
– Que eu não me importo nem um pouco em passar os próximos meses tentando te deixar grávida.
Comecei a rir alto, mas minha risada ficou sufocada em minha garganta quando seus lábios e mãos voltaram para o mesmo lugar que estavam antes de começarmos a conversa.
De repente, me ocorreu que passar os próximos meses tentando engravidar seria mais que perfeito.
Prooonto! Mais um capítulo novinho para você. E disse que eles iam aumentando gradativamente, não foi? Olha coisa eu escrevi nesse! (err... nem tanto)
E aí? Já deu para terem alguma ideia do que vai acontecer daqui pra frente? Se sim, basta dizer em forma de review! Quem sabe eu não acabe soltando um spoiler, huh?
Beijos e até o próximo
Line
