Capítulo 3 – O desvio de Draco
A entrada e saída constante dos membros da Ordem lhe deixava tonta. Podia estar conversando com Tonks num minuto e no outro quase trombando contra Dédalo Diggle. O clima continuava tenso apenas quatro dias depois do ataque contra à Toca, Emmeline Vance foi encurralada e morta por Comensais. Gina não chegou a conhecer Vance, mas a perda afetou seus colegas e aumentou o clima de paranóia na sede. Todas as conversas acabavam por serem feitas em vozes baixas e apressadas e olhares esquivos analisando cada canto da casa.
Estava claro que Voldemort não se importava mais em trabalhar por vias secretas. Algo que O Profeta não cansava de lembrá-los. Tinha em mãos a mais nova edição do jornal e na primeira página havia a foto de uma ponte destruída em Londres por Comensais, ao lado em uma coluna menor, mas destacada, a foto de Rufus Scrimegeour, o mais novo ministro. O incêndio n'A Toca estava na página três, com direito a uma foto dos restos de seu antigo lar e uma breve entrevista com seu pai, que negava qualquer envolvimento com a Ordem ou a guerra.
- Alguma notícia boa? - perguntou Rony, enquanto comia seu café da manhã na cama.
Estava sentada ao seu lado, esperando que terminasse para levar a bandeja de volta. Balançou a cabeça em negativa, não tirando os olhos das matérias. Procurava algo sobre Harry ou Dumbledore. Ultimamente só podia contar com a imprensa para receber notícias, até mesmo seu irmão conspirava contra ela. Rony recebera uma carta breve de Harry, mas recusava-se a contar o conteúdo.
- Eu sei que você gosta muito de mim, Gina, mas vai me dizer por que passa metade do seu dia aqui, comigo?
Negou com um movimento da cabeça outra vez, pegando um pequeno pedaço de torrada do prato dele, mastigando enquanto virava outra página, dessa vez cheia de anúncios e classificados, incluindo da loja dos gêmeos, que iria inaugurar em breve. Não estava com ânimo para contar o motivo de visitá-lo toda hora. O fato de que dividia o mesmo andar que Malfoy não precisava ser divulgado ao irmão.
- Uma irmã não pode passar o tempo com o irmão? - levantou uma sobrancelha, tom inocente.
Rony revirou os olhos.
- Se acha que me pressionar vai mudar alguma coisa... Está errada! Harry pediu silêncio total, ok? Nem contei para a mamãe e o papai.
Deu de ombros, fingindo-se desinteressada.
- Se eu quisesse saber mesmo, já teria roubado a carta e lido – comentou, virando outra página do jornal.
- Ei! É sério, Gina! Dumbledore confiou em mim e deixou que Harry contasse! - encheu o peito, orgulhoso. - Não me faça decepcionar os dois.
- Dumbledore, é? - sorriu Gina. - Parece importante.
- Muito.
- Algo envolvendo a profecia... Quem sabe o fato que de todo mundo está chamando ele de "O Escolhido"?
- Não... - começou Rony, claramente em conflito sobre o que era melhor: negar ou confirmar. - Nada disso.
- Entendi.
Terminou de ler O Profeta, um meio sorriso no rosto. Pelo menos sabia agora que Harry estava com Dumbledore ou, ao menos, sob sua proteção. Estava mais tranquila.
- Hermione vem mandando várias cartas para você – comentou, voz de inocente. - Está tudo bem?
As orelhas do irmão ficaram vermelhas, porém, respondeu sem dar sinais de incômodo.
- Ela vem pra cá – contou, estranhamente concentrado em cortar a omelete em seu prato. - Daqui alguns dias, acho. Talvez. Não lembro bem.
Gina abafou uma risada, torcendo para que os dois resolvessem seus sentimentos naquele ano. Quem sabe quanto tempo mais iriam ter para se preocuparem com romances?
- Qual a última dos andares de baixo? - Rony perguntou, tirando-a dos pensamentos negativos.
Como estava praticamente preso à sua cama (ordens de Molly Weasley), Rony pegou o costume de ouvir as notícias da Ordem por Gina, que estava mais que feliz em contar o pouco que sabia.
- Lupin continua evitando Tonks, como ele consegue, eu não tenho idéia. Essa casa parece encantada de propósito para encontrar pessoas que não queremos – o comentário ácido passou despercebido pelo irmão. - Que mais? Snape sumiu de vez, não o vejo desde a noite do ataque. A mãe do Malfoy sugeriu para a nossa mãe que arranjássemos um elfo-doméstico, já que Monstro sumiu. Você pode imaginar o que aconteceu depois.
- Aposto que ela quer um mini-espião obedecendo só ela.
- Ou ela não gosta da comida da mamãe.
Rony arregalou os olhos, mas não ficou claro se por defesa às habilidades culinárias da mãe ou por surpresa que Gina não suspeitasse de Narcissa Malfoy. Antes que ele protestasse, a porta do quarto se abriu, Jorge e Fred entrando e pulando na cama de Rony, quase de propósito em cima de sua perna. O fato que o irmão estava totalmente recuperado, mas continuava o dia todo na cama, era motivo para zombaria dos gêmeos.
- E como vai nosso pequeno rei nessa manhã? - começou Jorge. - O café da manhã está como vossa senhoria aprecia?
Rony bufou.
- Parem com isso, sério – protestou, envergonhado pelo fato de que estava preso àquele quarto pela mãe. - Não é justo.
- Realmente, não é justo o príncipe Ronald, o orelhudo, descansar o dia todo, enquanto a Ordem se mata lá fora – zombou Fred.
- Vocês sabem que ele está esperando a Hermione cuidar dele. Ela especificamente o mandou ficar parado até ela chegar – Gina juntou-se à brincadeira, aproveitando a oportunidade para se vingar do segredo entre Rony e Harry.
- Capaz de querer que ela dê comida na boca dele! - riu Jorge.
- Ah, calem boca! Hermione e eu...
- ...Querem se pegar? - completou Fred.
- ... Vão ter quinhentos filhos? - acrescentou Jorge.
- ... Não enganam ninguém? - riu Gina.
- Somos só amigos! - gritou em vão Rony. - Agora será que podem me deixar em paz e sair do meu quarto?!
Os três riram, ignorando o protesto.
- Ele quer ficar sozinho para reler pela décima vez as cartas da Hermione! - explicou Gina, entre risos. - Precisa de privacidade.
- Odeio vocês! - proclamou, orelhas vermelhas. - Saiam!
Os gêmeos colocaram as mãos nas testas em sincronia, fingindo estarem ofendidos.
- Que podemos fazer, Jorge? Nosso próprio irmão nos expulsou!
- É terrível, Fred, acho que nunca vou me recuperar. Uma pena mesmo, afinal tínhamos uma missão para ele!
- Não quero saber! Saiam!
Vermelho como uma pimenta, Rony jogou seus travesseiros contra os gêmeos e os três saíram do quarto entre gargalhadas.
- Eu, ao contrário, estou muito curiosa! - anunciou Gina, animada com a possibilidade algumas risadas. - No que estão pensando?
- Por acaso vejo em minha frente uma participante voluntária? - sugeriu Jorge, no tom típico que significava problema.
Bateu continência, séria mas ao mesmo tempo segurando o sorriso.
- Gina Weasley, apresentando-se para o serviço, senhor!
- Muito bem, soldado! Prepare-se para entrar na Operação...
- Irrite um Malfoy. - terminou Jorge.
Gina colocou a mão na boca, abafando a risada. Finalmente! Estava mais que na hora de dar o troco a Malfoy. Estava cansada de olhar duas vezes antes de sair do quarto e trancar a porta do banheiro com um feitiço e, como garantia, com o cesto de lixo.
- O que exatamente você tem em mente?
- Ora, minha cara irmãzinha, nada além de uma boa e velha...
- ...Humilhação pública.
- E como pretendem tirar a cobra da toca?
- Não gostei da metáfora usada, querida irmã. Mas paguei a ideia – Fred fez uma careta, indicando para Jorge continuar.
- Percebemos que você nada mais que divide o terceiro andar com ele, amada irmã. Portanto, possui mais acesso ao fuinha.
- "Acesso" é uma palavra forte – retrucou, incomodada. - Proximidade talvez.
- Você avisa a gente no minuto em que ele der as caras. E o resto fica conosco.
- Só isso? Nem vão me contar o que planejam fazer com ele?
- E estragar a surpresa? Paciência, pequena aprendiz, paciência.
Revirou os olhos. Com duas piscadas Fred e Jorge aparataram.
A oferta de travessura dos gêmeos melhorou seu humor pela primeira vez desde que chegou naquela casa. Mesmo após tentativas de se manter calma frente ao desafio de dormir à um quarto de distancia de Malfoy, continuava tensa. Não sabia como agir na frente dele ou da mãe. E ninguém parecia disposto a ajudá-la. Seu pai, por exemplo, repetia o mesmo mantra, toda vez que ela entrava no assunto dos Malfoy:
- Dumbledore sabe o que faz. Não vamos criar atritos desnecessários.
Era duro compreender o que exatamente o diretor de Hogwarts e líder da Ordem estava pensando ao permitir que duas pessoas tão ligadas à Você-Sabe-Quem morassem no Largo. Estava se esforçando para seguir o conselho de seu pai. Era difícil.
Felizmente, sem a presença de Harry e Rony para confrontá-lo diretamente, Malfoy parecia uma cobra em hibernação, contente em ignorá-la e manter-se trancado dentro do quarto que ocupava.
Infelizmente isso não diminuiu a tensão dela. Estava completamente pronta para azará-lo no minuto em que decidisse se meter com ela. O que, claro, requeria manter-se alerta e controlada. A jornada até o banheiro, por exemplo, sempre era acompanhada de olhadelas para trás e de sua varinha no bolso das vestes.
Há quatro dias não tomava um banho de mais de dez minutos. Principalmente depois que ouviu a maçaneta girar dois dias atrás enquanto estava no chuveiro. Agradeceu aos céus pela tranca e quem quer que a tenha inventado.
Não sabia o quanto mais daquilo iria aguentar. Torcia para que Hermione chegasse logo para dividir com alguém além de Malfoy o terceiro andar. Enquanto isso não acontecia, teria que se contentar com as peças dos gêmeos e o restante das horas em plena solidão.
Ninguém tinha tempo de sequer olhar para ela direito. Entre saídas e chegadas de membros, sua mãe era a única constante. E apesar de ajudá-la com tarefas domésticas, os tópicos que Gina queria abordar eram considerados muito "adultos" e sua mãe simplesmente mudava de assunto. Em geral, ela se concentrava em murmurar reclamações contra Narcissa Malfoy, que ousara sugerir que fosse empregado um novo elfo-doméstico. Gina sabia que não havia pior insulto para sua mãe do que ser considerada uma dona de casa incapaz. Porém, duvidava que a outra mulher tivesse noção do tamanho da ofensa.
A esposa de Lúcio passava a maior parte do tempo na sala da tapeçaria Black, lendo um livro ou contemplando árvore da família. Gina logo aprendeu a evitar o cômodo, escapando de outros encontros embaraçosos, dos quais já bastava com o outro Malfoy.
Mais um dia monótono passou, a noite chegando. Os Weasley jantaram entre as já habituais conversas curtas. Os quinze minutos de fama de seu pai aparentemente ainda não haviam terminado, seus colegas de trabalho o questionando incessantemente sobre o ataque.
- Antonieta Jones ofereceu para nos hospedar, pode acreditar? - ele relatou para os filhos. - Claro que isso abriu a questão de onde exatamente estamos morando. Disse que estávamos com um primo. Ninguém duvidou, acho que porque sabem que os Weasley tem muitos primos.
- Mas que gentil da parte da Jones. Preciso lembrar de fazer uma torta para ela – sua mãe disse, passando pela mesa e acrescentando novas porções aos pratos de cada filho.
Em seguida Tonks entrou na cozinha, seu cabelo um misto de castanho e preto, aparência sóbria cada vez mais longe da antiga cor rosa. Sua mãe foi direito dar-lhe boas vindas, as duas pareciam ter formado uma amizade especial nos últimos dias. Rony achava que tinha a ver com Gui e um plano para separá-lo de Fleur, mas Gina tinha certeza de que o motivo era Remus Lupin.
- Tonks! Bem na hora de comer conosco!
- Ei, Molly. Tudo bem?
Gina sempre puxava conversa com a mulher no ano anterior, o espírito vibrante e meio espalhafatoso da auror a conquistando na hora. Tonks era tudo que Gina queria ser: uma adulta independente, talentosa e corajosa. Vê-la tão abatida por um homem, porém, diminuiu seu entusiasmo. Se até mesmo a pessoa a qual almejava ser não escapou do romantismo e coração partido, que chances Gina tinha?
Lembrou de Harry. E lembrou também do fato que até agora seu suposto namorado, Dino, nem sequer mandou uma carta perguntando se estava viva. Perdendo o apetite, pediu licença e seguiu para seu quarto.
A discussão com Snape abrira uma perigosa porta para Draco: confiança. Sua mãe lhe tinha roubado o sentimento, o obrigando a fugir e, portanto, insinuando que não teria capacidade. Mas depois de enfrentar o professor de poções, percebera que simplesmente não precisava obedecer a sua mãe e permanecer naquela casa infernal. Passou os quatro dias seguintes maravilhado com as possibilidades e criando planos diferentes para sua fuga.
Quase ficou irritado por não ter pensando naquilo antes, culpando seus pais por exigirem lealdade cega dele por tantos anos (ou seria ele que sempre quis vê-los orgulhosos?). De qualquer forma, quebrou as correntes invisíveis que o faziam obedecer aos desejos e caprichos de sua mãe.
Enquanto considerava as possibilidades, sempre voltava para o mesmo desejo: salvar seu pai. Parecia uma tarefa impossível e, provavelmente era, mas a esperança de ser o responsável por tirá-lo de Azkaban o enchia de entusiasmo. Infelizmente, até mesmo ele sabia que literalmente libertá-lo da prisão estava fora de cogitação. Dementadores lhe davam calafrios e não sabia lançar um Patrono (mais uma vantagem que Potter tinha sobre ele).
A melhor opção e, possivelmente, sua única era recorrer a Voldemort. Snape tentara assustá-lo com ameaças, mas Draco sabia que se tivesse informações úteis (e comprovadas) seria aceito de volta e quem sabe até mesmo recompensado com a liberdade de seu pai.
Listou mentalmente tudo o que sabia sobre a Ordem e tirando Snape, não tinha nada. Seu exílio por escolha o impediu de ouvir ou ver qualquer coisa importante. Sabia que os Weasley estavam na Ordem, mas tinha certeza que toda Inglaterra estava ciente disso. A informação mais importante em suas mãos (e mente) era que Snape trouxera sua mãe para Dumbledore e feito algum tipo de pacto. O mestre de poções era também mestre em manipular tudo ao seu favor, convencendo até o próprio Lorde das Trevas que trabalhava como espião a favor dele, mas aquela talvez fosse a prova definitiva de onde as lealdades de Snape estavam.
Porém, tinha que tomar cuidado. Se havia algo pior do que Voldemort, era o próprio depois de ter sido enganado. O mensageiro poderia sofrer consequências dolorosas.
Decidiu que só Snape não seria suficiente para convencer o Lorde das Trevas, principalmente se o oleoso conseguisse manipular tudo a seu favor. Precisava de mais, algo tão importante que Voldemort ordenasse que Draco voltasse para o lado dos Comensais e o tornasse essencial para os planos do lorde.
E para isso devia permanecer no Largo Grimmauld, infelizmente. Além de convencer os idiotas da Ordem de que estava disposto a cooperar, conquistando suas confianças e eventualmente descobrindo seus planos, também teria que lidar com sua mãe. Suportar os Weasley. Não cuspir na cara de Potter. Seria difícil e árduo, mas por seu pai o faria.
Então, quando o momento fosse oportuno, fugiria de lá e voltaria para seu lugar de direito. Sem mais humilhações, nem fracassos.
Pegou um pergaminho e sua pena, encarando o espaço vazio que esperava ser preenchido. Era vital que afirmasse sua lealdade o mais rápido possível, explicando que estava naquela casa contra sua vontade. Quanto mais tempo demorasse, menos credibilidade teria. Ao mesmo tempo, porém, se colocava numa posição perigosa: seria pressionado para provar suas intenções em breve, arriscando uma ira maior ainda de Voldemort, alimentada pela impaciência.
Teve quatro dias para considerar a decisão e resolveu que o melhor a fazer era entrar em contato com sua tia primeiro, como alguém confuso e pedindo ajuda. Afinal, ganharia tempo até que ela pensasse numa resposta e se devia ou não avisar o Lorde das Trevas sobre o contato.
Cara tia,
Preciso de sua ajuda. Minha mãe cometeu um grave erro, do qual não quero me tornar cúmplice. Estou em território inimigo e desesperado por uma saída. Se ao menos soubesse para onde ir ou o que fazer! Tenho certeza que você pode me ajudar.
Por favor responda para o nome Theodore Flint o mais rápido possível!
Seu sobrinho.
Respirou fundo, relendo várias vezes as palavras. Quando finalmente ficou satisfeito, dobrou o papel, colocando-o num envelope esverdeado e selando com o carimbo personalizado da família Malfoy, para que sua tia tivesse certeza de que era uma carta legítima. Agora restava apenas a questão da entrega. Seria arriscado chamar a coruja dos Malfoy, Ártemis, ou mandar qualquer coisa por aquela casa cheia de proteções. Precisava de um modo seguro e relativamente difícil de ser rastreado. Felizmente sua mãe lhe contara a localização da casa dos Black durante o ano passado e sabia que estava próximo da estação King Cross e do hospital St. Mungos.
Determinado, saiu do quarto, notando que era cedo da noite. Horário em que Weasley caçula estaria jantando e, portanto, longe do terceiro andar. Não queria que a enxerida descobrisse o que estava prestes a fazer.
Foi até o banheiro, e se encarou no espelho por alguns minutos, talvez repensando seu plano. Respirou fundo e então lançou um feitiço de Engrossamento de Cabelo em si mesmo. Fez uma careta ao ver seus cabelos aumentarem desastrosamente para baixo, descendo até os ombros. Depois arriscou outro feitiço para mudar a cor dos fios para, ironicamente, ruivo.
Fitou o estranho no reflexo. Alguém que o conhecia provavelmente não teria dificuldades em identificá-lo de perto, mas não tinha outra maneira. Sem ingredientes, nem tempo para fazer uma poção polissuco ou de envelhecimento, suas opções eram limitadas.
- Finite Incantatem – sussurrou, observando seus cabelos voltarem ao normal lentamente.
Saiu, retornando para o corredor. Por um breve instante se sentiu como um garoto desobedecendo uma regra por pura infantilidade. Depois, se perguntou onde queria chegar com aquilo. Estava realmente, sozinho, desafiando sua mãe, Snape e até mesmo o único bruxo que Voldemort temia? O que faria se tivesse sucesso? Estaria disposto a pagar qualquer que fosse o preço que o Lorde das Trevas exigisse?
Ouviu passos apressados. Era Weasley, subindo as escadas. Deixou as dúvidas de lado e seguiu para seu quarto, encontrando Weasley no meio do caminho. Pararam, ambos na frente das portas do quarto pertencente ao outro.
Ela o fitou com a testa franzida. Draco nunca compreendia qual era o problema dela. Parecia eternamente constipada quando o encontrava. Talvez quisesse lançar uma azaração em sua direção, mas alguém lhe ordenara para ficar longe dele. De qualquer forma, era irritante dividir o andar com a criatura.
- Preciso passar – ela informou o óbvio.
- Jura? Achei que você queria ficar aí parada que nem uma anta. Sai da frente.
- Saia você da minha frente.
Levantou uma sobrancelha, irritado com a audácia da menina. Parecia que criara garras de um dia para o outro, escolhendo aquele momento importuno para mostrá-las.
O impasse era claro. Nenhum dos dois moveria um dedo. Mas, havia coisas mais importantes do que rixas antigas. Se fosse outro ano, em outra circunstância, nada o faria mais contente do que humilhar a garota ruiva à sua frente. Para a sorte dela, no entanto, queria muito mais se preparar para o que faria na madrugada, do que brigar com a idiota.
Deixou que ela passasse. A prioridade sendo se livrar dela, acima até mesmo de seu orgulho sonserino. Ao menos conseguiu uma expressão assustada de Weasley, que com certeza esperava uma reação mais violenta.
Ela entrou no quarto dela e ele no dele.
Permaneceu o restante da noite revezando entre encarar o teto e checar o horário. Estava ansioso para colocar seu plano em ação, mas não queria correr o risco de encontrar algum morador no caminho. Esperou até que fosse três e meia da madrugada para finalmente agir.
Tirou da mala (que se recusava a desfazer) uma capa verde-escuro com um capuz e a vestiu, pegando o envelope. Abriu a porta, olhando para os dois lados para ter certeza que estava sozinho, antes de sair para o corredor. Em silêncio total, desceu as escadas até o andar térreo.
Frente à porta principal lançou um feitiço de Desilusão em si mesmo, era magia avançada que não tinha dominado totalmente, mas era ao menos uma proteção a mais. Saiu da casa com um incrível senso de triunfo. Sentia-se invencível.
A rua trouxa estava deserta, ele tinha apenas o vento gelado da madrugada como companhia. Segurando sua varinha com firmeza, apertou o passo, sem parar um instante de checar pelo canto dos olhos a sua volta. A Londres trouxa lhe parecia confusa e desnecessariamente tortuosa. Uma vez ou outra quase lançou um Estupefaça nas máquinas idiotas que os imbecis usavam para ir de um lugar ao outro, pêgo de surpresa pelo barulho numa travessa antes vazia.
Felizmente, era apenas uma milha de distância, e em menos de vinte minutos estava na frente da falsa loja de departamento. Antes de tudo, lançou novamente o feitiço para crescer seus cabelos, também os colorindo para ruivo, terminando o encantamento do feitiço de Desilusão. Depois, pediu entrada ao manequim e atravessou a janela.
Mesmo naquela hora da madrugada possuía vários pacientes e medibruxos, os quais corriam em diferentes direções com mil tarefas a serem cumpridas. Um garoto ruivo entrando não chamou atenção. Apressado subiu até o quinto andar, onde estava um café para visitantes e a loja do hospital. Havia um serviço de correio coruja oferecido para os parentes de pacientes que desejavam se comunicar com o mundo exterior durante as longas esperas pela melhora dos entes queridos. Draco seguiu direto para a loja, escolhendo a coruja mais barata (e portanto a que menos seria suspeita).
- Três sicles, querido – a vendedora pediu, ao vê-lo olhando as aves. - Seus pais estão bem?
Draco mal olhou para a mulher, temendo que se a encarasse frente a frente aumentasse as chances de ela memorizar um garoto estranho com corte horrível que decidira mandar uma mensagem na calada da noite.
- Minha mãe está... Meio maluca – explicou, não lhe escapando a verdade no meio da mentira. - E meu pai está... Me esperando. Com licença.
Pagou a ave e colocou a carta em seu bico. A vendedora não tentou mais puxar conversa, apenas lhe entregou uma pequena medalha enquanto a coruja voava por uma das janelas do lugar.
- Vai mudar de cor se chegar alguma resposta – informou, gentilmente. - Boa sorte com sua mãe.
Assentiu curtamente, pegando a medalha e saindo da loja ao mesmo tempo em que resistia a vontade de correr. Seu coração estava acelerado e, incrivelmente, suava frio. Desceu para o primeiro andar com a cabeça ainda meio leve.
Quando voltou para a rua londrina, no entanto, a adrenalina havia se esvaído quase por completo, dando lugar ao nervoso. Tinha a sensação de que esquecera de algo, cometendo um erro que acabaria com suas chances, o condenando a uma vida inteira naquele quarto apertado, morando com imbecis e sangue-ruins.
Estava de volta à porta da casa dos Black quando lembrou que deveria desencantar seus cabelos e tirar a capa. Também lançou um feitiço silenciador na campainha e finalmente entrou no lugar. De imediato, estava irritado, a visão daquele corredor claustrofóbico o drenando da animação anterior.
A situação piorou para ele quando minutos depois de ter entrando, a Weasley irritante do terceiro andar apareceu, vinda da cozinha. Estava de pijamas (laranjas com bolinhas azuis), um copo de leite numa mão e varinha na outra. Será que não havia meio de evitar a presença da criatura infeliz?
- Malfoy? Você por acaso acabou de entrar na casa? - ela questionou, suspeita clara na voz.
Devagar, colocou para trás a mão que segurava a capa.
- Não sei do que está falando, Weasley. Faça-me um favor: cuide da sua própria vida.
Seguiu para frente, passando por ela e com o intuito de subir as escadas, mas a ruiva o seguiu, leite e varinha ainda em mãos.
- Fique onde está! - anunciou para as costas dele. - Não se mexa!
Draco soltou uma risada curta, virando para ela.
- Ou o quê?
- Já se esqueceu que posso fazer uma bela azaração? – retrucou.
Deu de ombros, dando um passo para trás.
- Não sabia que fazer um lanche inocente no meio da noite é razão para ser ameaçado. Onde está sua educação, Weasel?
- Lanche inocente? Vestido assim?
- Eu não saio do meu quarto na casa dos outros vestindo trapos que nem você.
Podia ver o começo de vermelho nas bochechas dela. Achou engraçado o efeito que estava gerando. Até o momento em que ela levantou a varinha para o alto, num gesto estranho, e chamou dois dos irmãos.
Draco os observara durante o ano anterior e sabia bem quem eles eram. Os infames gêmeos Weasley, a sina da gorda da Umbridge. Aqueles dois significavam uma coisa apenas: problema. Mesmo em seus pijamas idênticos e igualmente ridículos.
- Mas o que temos aqui, Fred?
- Eu não sei, Jorge. Mas acho que é uma fuinha pega aprontando!
Deu três passos para trás, mandando um olhar furioso para a Weasley menor, que sorria cruelmente na direção dele. Os gêmeos infernais apontaram suas varinhas para ele, o fazendo recuar mais uma vez.
Estava prestes a ser azarado como Neville Longbottom, quando literalmente foi salvo pelo gongo. Ou melhor: pela campainha estridente da porta de entrada, seguido pela gritaria do quadro da matrona Black.
Ouviu portas se abrirem nos andares de cima. Os gêmeos se entreolharam, decepcionados quando ninguém menos que as duas mães, Weasley e Malfoy, desceram as escadas, preocupadas e querendo saber o que acontecia. A caçula Weasley escondeu sua varinha, tomando seu leite como se nada tivesse acontecido.
Mas a maior reação foi de Draco que estava virado na direção da porta e viu os responsáveis pelo escândalo.
Harry Potter e Albus Dumbledore.
N/A: E a trama engata na segunda haha.
Janete Alves: Acho que a Gina parece mais madura porque o Draco tá tão imaturo em comparação hahahaha. O envolvimento do Lucius vai ser explorado um pouco mais, mas acho que pelo prólogo deu para entender que o Snape estava tentando confundir o Draco, hahaha. E concordo totalmente, os Malfoy podem não ser os Weasley, mas são uma família unida. O retrato teve seu momento nesse capítulo XD.
Amanda: Hahaha, pois é né? Espero que a minha cena tenha feito mais sentido do que aquela besteirola que ficou no filme. Os comensais atraem todo mundo PARA FORA DA CASA para DEPOIS EXPLODIR O LUGAR? Uau, plano genial, Bellatrix! Parabéns .. Enfim... Yes, será uma fic devagar, como sempre haha.
Thaty Malfoy: Mande review para cada capitulo ou MORRA! Hahaha, brincadeira XD. Atualizei Sombra sexta XP. Thanks pela review!!
D-B: É, quero fazer algo diferente um pouco com a Gina. Warner copiona . Like Always rules! \o/ Meu projeto favorito hahaha.
Marcia B.S: Ele vai em breve ser obrigado a crescer, assim como no sexto livro. As brigas Narcissa vs Draco foram divertidas de ler, super o que eu lembro de brigas adolescentes hahaha. Valeu pela review!
'Deiisoca: Eee, thanks! Adoro escrever o Draco :D. DG vai ser lento, mas no worries, vou conseguir aproximar eles! haha (Espero).
Mari: Hahah o tempo de atualização se deve ao projeto do fórum 6V! Tenho prazo de 15 dias para colocar um capítulo novo ou sou castigada XD. Acho que a Gina é capaz de ser cruel como o Draco, até mais, mas precisa do empurrão certo. Quem sabe no futuro?
Poosh Marie Weasley-Malfoy: Thanks!! Que bom que tá gostando! Hmm, Hogwarts? Prefiro não responder agora :P.
Srta D.E.S.A.B.U: Hahaha, como eu te disse já, não foi o Snape que disse aquilo! Foi o Quim! Não me assuste desse jeito! HAHHAHA. Eu uso a barra mesmo do , acho menos confuso Oo. Mas se isso confundir todo mundo posso mudar. Valeu pela review!
Diana: HAHAHA. Vou ser completamente sincera aqui: eu tinha esquecido do babaca do Dino XD. HAHAHA. Mas tudo bem, irei abordar o assunto nos próximos capítulos haha. (Gina é uma mala não? Por que foi namorara esse chato?? XD).
